Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando o rebranding se torna um risco iminente

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Mudar a marca de uma empresa é ação tão tentadora quanto perigosa, especialmente se feita no afogadilho, como se dizia nos tempos em que ‘rebranding’ ainda não fazia parte da língua portuguesa (contém ironia). O alerta foi feito por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN. Verdade seja dita: os dois há muito tempo questionam a angústia de alguns gestores em querer mexer e remexer na marca da sua empresa, serviço ou produto.

Jaime Troiano destacou como algumas empresas têm se apressado em realizar o rebranding, influenciadas por uma percepção interna de envelhecimento da marca. “Muitas vezes, esse sentimento vem de dentro da própria empresa, enquanto os consumidores ainda veem valor na marca existente”, afirmou. 

Se você enfrenta a mesma tentação, não se culpe: é comum gestores sentirem a necessidade de mudar, motivados por pressões internas ou pela concorrência. Jaime, sem medo de usufruir da força de marcas ou frases do passado, lembra: “os cães ladram e a caravana passa”. Ou seja, é preciso fazer da marca um ponto de referência permanente, em vez de seguir tendências de mercado sem uma análise criteriosa e mudar apenas porque os outros estão dizendo que é preciso renovar.

Cecília Russo reforçou os riscos associados a mudanças bruscas, especialmente quando motivadas por fusões ou aquisições. “Mesmo que uma marca desapareça, lembre-se de que ela foi comprada porque algo de bom tinha”, destacou Cecília, argumentando que é fundamental manter elementos da identidade visual da marca original para garantir uma transição suave e respeitar o legado construído. 

Considerando que há casos em que o rebranding seja realmente necessário, Cecília aconselha que a mudança seja com muita cautela: “Obedeça de forma quase religiosa os guard rails da marca, aquilo que faz com que ela seja lembrada e conectada com sua história anterior.”

A marca do Sua Marca

A principal lição do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é que os gestores sejam prudentes. Diante das incertezas ou falta de consenso na liderança, a marca deve ser mantida como está. “Em dúvida, a marca é inocente, não mude”, diz Jaime Troiano.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Shana Wajntraub fala do desafio de fazer com que suas palavras sejam ouvidas

Shana Wajntraub nos bastidores do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Ser simples na sua mensagem vai fazer com que as pessoas te escutem.”

Shana Wajntraub

Estamos saturados de informações e repletos de desconfiança. Diante dessa realidade, a habilidade de se comunicar de maneira genuína tornou-se essencial, especialmente no ambiente corporativo. Para a especialista em comunicação Shana Wajntraub, o futuro da comunicação está diretamente ligado à autenticidade. “Naturalidade é irresistível”, afirma. No programa Mundo Corporativo, da CBN, ela explica  como a simplicidade e a verdade na comunicação podem ser ferramentas poderosas para qualquer profissional que deseja se destacar.

Shana, autora do livro “A Arte da Comunicação de Impacto”, ressalta também a importância de alinhar a comunicação ao perfil comportamental de cada indivíduo. “Quando a gente vai no mais natural, ainda que se prepare, você conecta com as pessoas, e as pessoas sentem.”

A importância de escutar e ser escutado

Para a mestra em Comunicação, Análise do Comportamento e Credibilidade, a eficácia na comunicação não se resume apenas à fala. Shana destaca a importância da escuta ativa e da leitura das nuances não-verbais durante uma interação. “Comunicação não é só falar, é muito além disso. É inclusive escutar”, observa. Segundo a especialista, compreender o comportamento do outro e ajustar a mensagem de acordo com essa percepção é o que realmente faz a diferença. 

Ela também abordou um dos maiores desafios da comunicação contemporânea: a dificuldade em ser ouvido. Shana explica que, diante de um interlocutor que parece não estar prestando atenção, é crucial adaptar a abordagem. “Às vezes eu vou para uma reunião preparada, mas percebo pelo não-verbal do cliente que ele está preocupado com outra coisa. Nesse momento, é essencial fazer uma checagem: ‘Como está a tua agenda? Quer que eu adapte a minha comunicação?’”. Ela sugere que, ao identificar essa desconexão, é preciso ajustar a mensagem em tempo real para manter a relevância e capturar a atenção. 

Shana ressalta que essa habilidade de adaptação é rara, mas pode ser desenvolvida com prática e disciplina. “A arte de ser relevante não é só o que você quer passar, mas o que o outro quer ouvir. Se você casar isso, está fazendo um bom storytelling”, afirma. Ela enfatiza a importância de estar presente no momento da comunicação, observando e reagindo às pistas do interlocutor para ajustar a mensagem de forma eficaz.

Ao discutir o cenário atual, Shana aponta para os desafios trazidos pela era da informação, onde o tempo e a atenção do público estão cada vez mais escassos. Nesse contexto, a habilidade de ser relevante e conciso torna-se crucial. “Ser relevante para quem está te ouvindo é a arte de um bom storytelling”, afirma.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: vistas e memórias do Minhocão

Profª.Dra. Deborah Hornblas

Vista do Minhocão, em São Paulo Foto: Luis F. Gallo, ouvinte-internauta da CBN

O longo viaduto se democratizou, mudou de nome, já não homenageia o Costa e Silva, agora é Presidente João Goulart. Eu, particularmente achei bom, mas paulistano só conhece o elevado de mais de dois quilômetros de cumprimento por apelido: Minhocão.

O trambolho é feio. Passa de maneira acintosa pelos prédios que o circundam; não tem vergonha de invadir os lares, a vida das pessoas. É cinza, é duro. Embaixo de suas pilastras produz uma noite eterna e é o abrigo de quem não tem para onde ir. Ele é odiado e parece eterno.

Minha vida quase inteira passei por ali. Durante os dias da semana, só se passa de carro, e veloz espio as janelas e os terraços. Quase posso ver, dentro das casas. 

Vai aqui uma lista do tudo que vi e vejo no meu caminho:

Edifício Altino Arantes, lá no fundo, icônico, simbolizando São Paulo. O Copan com suas milhares de janelas, meio que escondidas por traz de curvas de concreto. Prédios grudados uns nos outros parecendo se apoiar para não tombar. O redondo Hilton. Prédios com janelas da décadas de 1920, 30, 40, 50 e 60. 

O castelinho da Rua Apa, local onde se deu um dos crimes mais terríveis da cidade. Dizem que é mal assombrado Um terraço com imensos vasos de estilo africano, embelezando a fachada sombria de um edifício antigo.

A pintura de uma mulher com véu na empena cega, de olhos densos, que fica logo adiante de um outro retrato, esse colorido com tons africanos: é Mandela com um guepardo; o homem sorri para mim.

Jardins verticais feios e mau cuidados

Nas alças de acesso vejo craqueiros tristes e calmamente sentados: homens, mulheres, jovens tão jovens que são quase crianças ficam ali esperando a hora do fechamento do viaduto para continuar sua triste jornada zumbi

Bicicletas, crianças e cães nos fins de semana. É quando o caminho se humaniza. Uma placa luminosa em uma janela oferecendo aulas de dança de salão, uma outra, serviços contábeis.

Um bêbado, um louco, um drogado se equilibrando no meio das pistas, caminhando tropegamente na hora do rush. Ambulâncias com sirenes enlouquecidas. Motoqueiros buzinando e pedindo passagem no meio dos carros. Carros quebrados incomodando os que andam velozmente.

O vendedor de amendoim que aproveita quando o trânsito emperra para oferecer sua mercadoria. Um pôr do sol vermelho e laranja. A pista inundada depois de uma chuva torrencial. Plantas insistentemente brotando das fissuras do concreto. Um, dois, três gatos na janela. Rede de proteção para eles e às crianças.

O mergulho em um túnel escuro ao chegar a ligação Leste-Oeste. A visão da igreja de São Geraldo, no largo Péricles, e a lembrança de que estou pertinho do Ponto Chique e quase sinto o gosto do seu famoso bauru.

Uma cruz enfeitada no meio do caminho: marcará a morte de alguém?

O Minhocão vai ser demolido, mais dia, menos dia.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Deborah Hornblas é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o desafio das marcas nas Olimpíadas

Paris em foto divulgação do COI

As Olimpíadas não são apenas um evento esportivo global, mas também uma arena competitiva crucial para as marcas. Nesse cenário em que a disputa é acirrada, a estratégia tem de considerar como se destacar em meio aos vários concorrentes que investem na competição. Esse é o tema central do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, no Jornal da CBN.

Cecília Russo destaca a complexidade do cenário ao afirmar que “temos quatro camadas de marcas a considerar – a marca dos patrocinadores, as marcas das roupas esportivas, a própria marca do COI, das Olimpíadas, e até a marca de Paris, como cidade sede”. Ela começa discutindo as duas primeiras camadas. Os patrocinadores, que incluem nomes globais como AirBnB, Allianz e Bridgestone, e patrocinadores Premium como Grupo Accor, Carrefour e LVMH, enfrentam o desafio de se destacar em um mar de 81 marcas patrocinadoras. “O primeiro desafio é como se destacar e aparecer nesse congestionamento?”, questiona Cecília.

O segundo grupo, as marcas de equipamentos esportivos, ganha destaque especialmente porque as câmeras estão constantemente focadas nelas durante os jogos. Desde a cerimônia de abertura, marcas como Havaianas e PEAK, esta última responsável pelos uniformes dos atletas brasileiros, aproveitam esse espaço que concentra o olhar de milhares de pessoas no mundo. “Ela terá uma vitrine única e pode ganhar espaço na lembrança”, observa Cecília, sobre a marca PEAK.

Jaime Troiano completa a análise falando das outras duas camadas. A marca do COI é uma entidade consolidada, com identidade visual e valores fortes. “Os Jogos Olímpicos são uma marca porque têm identidade, valores, cores e um símbolo que são os cinco anéis entrelaçados”, explica Jaime. Ele também ressalta a importância da marca da cidade sede, Paris, destacando que a gestão dessa marca pode impactar significativamente a percepção global da cidade.

A marca do Sua Marca

O comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo sublinha a necessidade de coerência na gestão das marcas, especialmente em um palco tão visível quanto as Olimpíadas. Como ressaltado por Cecília, “não dá para ser nas Olimpíadas algo que não se é fora de lá”. A reflexão final deixa claro que a performance das marcas será julgada tanto pelo que entregam durante os jogos quanto pela consistência de sua imagem fora deles.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de São Paulo: a memória das minhas escolas tatuou meu coração

Por Márcia Aparecida Lourenço da Silva 

Ouvinte da CBN

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Trago no coração, entre tantas boas experiências em São Paulo, a lembrança das escolas em que passei. O primário, estudei no Centro Educacional  Sesi. Era na avenida Gustavo Adolfo, na Vila Medeiros, uma importante avenida que liga o bairro do Tucuruvi ao de Vila Sabrina — esse, já bem próximo da  Rodovia Presidente Dutra. Hoje, a escola não existe mais, foi demolida há muitos anos, dando lugar a um condomínio residencial.

Parte dela era de madeira, com  várias salas de aula dos dois lados do corredor e, no fim dele, a tão temida diretoria. O piso era  com  assoalhos de madeira, que rangiam a mais suave pisada. Quando o sino tocava, o velho assoalho tremia com a correria da garotada e o som mais parecia de um grande terremoto.

Minha primeira professora foi Dona Elci, uma referência de professora que guardo em destaque no coração. Amável e muito doce, tirava assim todo medo e ansiedade  da nova  situação de estar na escola e não ter minha mãe por perto.

Também, conheci minha primeira amiga de escola, Regina Helena, que tive o  prazer de rever depois de quase 50 anos. O tempo não lhe tirou  a simpatia, a bondade e o belo sorriso. Ficávamos felizes quando a professora nos colocava sentadas na mesma carteira. Carteiras essas cujos assentos eram duplos e o encosto, numa só peça, servia de escrivaninha para os dois alunos de trás. Ali, trocávamos lápis de cor, borracha e rápidos cochichos, além do lanche, no recreio.

Quarto ano concluído, hora de mudar de escola. Para isso um temido exame de admissão deveria ser feito para entrar no concorrido Colégio Estadual Dr Miguel Vieira Ferreira, também na Vila Medeiros. A entrada principal era na rua Eurico Sodré. Anos depois, cedeu parte do seu terreno ao posto de saúde  que vem servindo desde então a comunidade da região.

Na época, o terreno era nossa quadra. Toda de terra e com direito a torcida no barranco. Para o terror das mães, o conga branco voltava para casa imundo.  A quadra oficial da escola era outra, aliás, meu paraíso. Foi onde aprendi a jogar vôlei e me encantei com esse esporte pelos quatro anos seguintes.

Passei da infância para a adolescência de forma  encantadora e rápida, ao mesmo tempo intensa, a ponto de, depois de tantos anos, conseguir expressar em poema o tesouro que guardei tatuado em meu coração e ofereço com carinho aos ouvintes da CBN:

Corações tatuados 💖

Doces anos que passamos,

sem o  passado presente,

e o futuro parecia

Distante…longe da gente.

Época de nossas vidas 

que nos desperta saudade.

Um desabrochar de tudo,

encantamentos da idade.

Crises até enfrentamos, 

mas isso não  impedia

de, misturados, sentirmos

o clima que nos unia.

Provas, trabalhos, lições,

aquela chamada oral

que, por vezes, fomos salvos 

pelo “bendito” sinal.

No pátio, de braços dados,

as meninas circulavam.

Assuntos, risadas, segredos…

Quase  nunca se esgotavam.

Momentos compartilhados

sem os recursos de agora.

Estarmos juntos, bastava,

nosso mundo, nossa escola.

Tempos  muito preciosos,

Hoje, na  história fincados.

Tesouros que ninguém  rouba, nos corações tatuados.

Ouça a poesia Corações Tatuados

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Márcia Lourenço é personagem do Conte Sua História de São Paulo. O poema “Corações Tatuados” que a Márcia nos oferece está em texto e áudio publicados no meu blog: miltonjung.com.br. A sonorização é do Cláudio Antonio. Lá no blog e no podcast do Conte Sua História de São Paulo, você encontra outros capítulos da nossa cidade.

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Mundo Corporativo: Telma Abrahão diz como transformar líderes tóxicos em neuroconscientes

Nos bastidores da entrevista com Tela Abrahão. Foto de Priscila Gubiotti/CBN

“A gente não consegue impedir uma emoção. A emoção, ela vem. Ela é irracional. Ela é instintiva. Mas usando a razão, a gente consegue pensar sobre essa emoção e pensar sobre a nossa atitude diante dessa emoção.”

Telma Abrahão

Imagine trabalhar em um ambiente onde o medo e a desconfiança são constantes. Onde um simples alerta no WhatsApp desencadeia ansiedade e insegurança. Este é o cenário comum em empresas comandadas por líderes tóxicos, conforme descrito pela biomédica e especialista em neurociências Telma Abrahão. No programa Mundo Corporativo, Abrahão enfatiza a urgência de transformar esses líderes em figuras neuroconscientes.

Impacto das Emoções na Liderança

Telma Abrahão explica que líderes tóxicos são centralizadores e egoístas, focando apenas em suas próprias necessidades e desconsiderando os sentimentos e pensamentos de suas equipes. “Quando esse líder tem um padrão tóxico, ele acaba não levando em consideração o que é importante para as pessoas dessa equipe, o que elas pensam, o que elas sentem”, ressalta. Isso cria um ambiente de trabalho hostil e competitivo, prejudicando tanto a saúde mental dos colaboradores quanto os resultados financeiros da empresa.

A especialista pontua que a rejeição constante e a falta de reconhecimento podem levar os colaboradores a um estado de paralisia, procrastinação e medo de agir. Estudos em neurociência comportamental demonstram que a rejeição afeta a mesma área do cérebro que a dor física, impactando diretamente o desempenho dos funcionários.

A Neurociência no Ambiente Corporativo

Abrahão destaca que a compreensão da biologia e neurociência por trás do comportamento humano não deve ser restrita aos especialistas. Ela afirma que esse conhecimento pode ser um divisor de águas na forma como reagimos ao estresse e lidamos com nossas emoções. “Se você é dominado pelas emoções, o caos se instala facilmente. Então, a gente tem que aprender a usar a razão para lidar com a emoção”, explica.

Para transformar líderes tóxicos em neuroconscientes, Abrahão sugere treinamento contínuo e autoconhecimento. “Um líder tóxico pode ser transformado num líder neuroconsciente, mas vai precisar de treinamento e alguém guiando esse processo”, diz ela. O primeiro passo é a auto-consciência, identificar padrões de comportamento e aprender a responder de forma diferente aos estímulos de estresse.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: desci na estação errada?

Por Pedro Galuchi

Ouvinte da CBN

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Próxima estação: Sé…

Desembarco pela esquerda…

Na esquina da Rua Direita

Repentina suspeita:

 

Desci na estação errada?

Viro-me pé ante pé

Vejo imagem desbotada

Da imensa catedral da fé

 

A praça perdeu a cor

Uma tristeza sem par

Não tem perfume de flor

Cheiro de miséria no ar

 

Sem perna estende a mão

Suplica qualquer esmola

Rastejantes pelo chão

Pivetes cheirando cola

 

Apertado o coração

Em instante me desespero

Retratos de solidão

Multiplicam-se no marco zero

 

A chegada do metrô

Levou antiga cena

Os escritórios de dotô

Teatro Santa Helena

  

Segundos de implosão

Sumiu o Mendes Caldeira

No meio da confusão

Vanzolini sem a carteira

 

Naquele aperto da Clóvis

Não há mais separação

Faço a prova dos noves

Dolorosa conclusão

 

Desvio dos passantes

Peço licença, por favor

Fujo às escadas rolantes

Entro no trem salvador

 

Próxima estação:

Nem presto atenção

Anhangabaú… São Bento…

Pedro Segundo… Liberdade…

 

O sentido tanto faz…

Dentro do túnel o sentimento:

A velha Sé ficou pra trás

Apenas uma saudade!

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Pedro Galuchi é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: com tecnologia de identidade racial, a Diversidade.io gera oportunidades a afroempreendedores, diz Marcelo Arruda

Marcelo Arruda nos bastidores do Mundo Corporativo. Foto: Letícia Valente

“A gente tem que falar a verdade, que vai ser mais difícil e isso faz parte da resiliência para quebrar padrões, para quebrar muros, mas é possível. E eu tenho certeza que o talento no final vai achar o seu espaço.”

Marcelo Arruda

Imagine um cenário onde 15 milhões de empresas de afroempreendedores representam uma massa de 60 milhões de brasileiros com uma demanda reprimida. Este é o mercado que a Diversidade.io, plataforma criada por Marcelo Arruda, busca explorar e conectar com grandes empresas interessadas em investir na diversidade e inclusão. 

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Marcelo falou dos desafios que enfrentou em sua carreira como executivo e de como essas experiências o levaram a encontrar soluções que tornasse o mercado de trabalho mais acessível a diversos públicos.

“Para as pessoas que são de qualquer recorte da diversidade e que hoje às vezes podem se limitar, achando que por pertencer a um recorte, eles não vão ter oportunidades, eles vão sim”, afirmou Marcelo.

Diversidade como oportunidade de negócio

O executivo destacou que as empresas estão percebendo a diversidade não como um ato de caridade ou filantropia, mas como uma oportunidade de negócio. “Investindo em quem tem potencial, as empresas podem crescer suas vendas e suas margens,” explicou ele. Essa perspectiva reforça a importância de criar um ambiente de negócios inclusivo e diversificado, onde todos têm a oportunidade de prosperar.

Para isso, a Diversidade.io utiliza tecnologia avançada para conectar afroempreendedores a grandes empresas, facilitando o processo de inclusão e promovendo a equidade. A plataforma oferece uma solução escalonável que pode ser aplicada tanto em nível nacional quanto internacional, identificando fornecedores pela atividade que exercem e pelo local onde estão.

Tecnologia e reconhecimento racial

Um dos desafios mencionados por Marcelo é garantir que os processos de inclusão sejam justos e efetivos. Para enfrentar essa questão, a Diversidade.io desenvolveu uma ferramenta de machine learning para reconhecimento, que ajuda a validar a identidade racial dos empreendedores. “Nossa ferramenta trabalha com uma base de 70 mil fotos e oferece uma segurança na informação que passamos para quem nos contrata,” explicou Marcelo.

Essa inovação foi apresentada em Nova York e recebeu elogios por sua capacidade de garantir a diversidade real entre os fornecedores. “Estamos preparando um ambiente seguro para que o empreendedor da diversidade possa florescer,” acrescentou ele.

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a relevância dos mascotes

O cachorro ‘linguiça’ da Cofap é um dos mascotes de sucesso Foto: divulgação

“Se têm coisas que as marcas precisam hoje em dia é isso: memória, afeto e relacionamento”

Cecília Russo

Os mascotes, uma estratégia clássica no marketing, ainda são eficazes em um mundo digital ou se tornaram obsoletos? Jaime Troiano e Cecília Russo trouxeram essa discussão para o”Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, no Jornal da CBN. Oportunidade em que lembraram de alguns mascotes que entraram para a história das marcas.

Cecília Russo destaca a controvérsia do tema: “Há quem diga que em tempos digitais, em que a comunicação de marcas e consumidores se faz de forma direta, a presença de mascotes como intermediários desse diálogo se tornou dispensável.” Ela não concorda com essa tese. E argumenta que mascotes, quando bem criados e usados, proporcionam uma interação única, gerando “memória, afeto e relacionamento”.

Russo relembra personagens icônicos como o cachorrinho da Cofap e o Ronald McDonald, que conseguiram criar uma conexão emocional duradoura com os consumidores. Há outros tantos que devem estar na memória do leitor: o Zé Gotinha, como ‘garoto-propaganda’ da vacina, o Lequetreque, o galinho da Sadia, os Mamíferos da Parmalat, e o Assolino, da marca Assolan, também são referências importantes.

Jaime Troiano reforça o ponto de vista, afirmando que a criação de mascotes pela própria marca oferece um controle maior sobre a imagem e a mensagem transmitida. Quando se prefere adotar um personagem que já existe e, por tanto, tem de passar pelo processo de licenciamento, tem-se a vantagem dele ser conhecido pelo público, porém reduz-se a autonomia da marca sobre o mascote. 

Um bom exemplo da flexibilidade que a marca tem sobre o próprio mascote é a mudança feita pelas Casas Bahia. Inicialmente, a rede de lojas  mantinha um personagens com características nordestinas. Depois de a figura já estar consagrada, decidiu redesenhá-la com linhas mais próximas de um adolescente moderno, chamado CB, refletindo a necessidade de atualização e alinhamento com os tempos atuais.

A marca do Sua Marca

O comentário destaca que, bem utilizados, os mascotes podem reforçar o posicionamento de uma marca e criar um vínculo duradouro com os consumidores. O importante é estar alinhado com o posicionamento da marca e ter coerência em sua utilização. 

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Alana Leguth, da KondZilla, reforça o valor da autenticidade na comunicação

Alana Leguth em entrevista ao Mundo Corportivo Foto: Letícia Valente

“Se você não fizer o seu produto se destacar de alguma forma, ele vai ser só mais um lá na estante e a estante é bem grande.”

Alana Leguth, Kondzilla

No cenário do funk e nas comunidades das favelas brasileiras, o desafio de comunicar-se com diversos públicos é enorme, mas essencial. Alana Leguth, cofundadora da KondZilla, holding de entretenimento de renome mundial, partilhou sua experiência e estratégias no programa Mundo Corporativo, da CBN. A entrevista revela a trajetória de uma empresa que começou em um quarto no litoral paulista e se transformou em uma potência global de entretenimento.

A KondZilla, que conta com mais de 67 milhões de inscritos no YouTube, ilustra como identificar e abraçar oportunidades, mesmo sem conhecimento prévio, pode levar ao sucesso. “Conforme foram aparecendo as demandas, a gente foi aproveitando as oportunidades, mesmo que a gente não soubesse fazer. A gente aprendia a fazer”, explica Alana. Esse espírito empreendedor permitiu que a empresa se expandisse e se consolidasse no mercado.

Alana e seu marido, Konrad Dantas, criaram a KondZilla em 2011, quando ainda moravam no Guarujá, litoral paulista. Ela formou-se em farmácia, mas não seguiu carreira, pois decidiu apoiar Konrad desde o início do empreendimento.

A autenticidade na comunicação

A autenticidade é um elemento central na estratégia de comunicação da KondZilla. Alana destaca que a conexão verdadeira com o público é essencial: “Se você não souber se comunicar com esse público pode soar forçado, pode soar de forma pejorativa.” A KondZilla se estabeleceu como uma autoridade no meio por entender e respeitar a cultura da favela, comunicando-se de maneira natural e autêntica.

A força dessa comunicação se manifesta em diversas áreas. No mundo da moda, por exemplo, as tendências muitas vezes nascem nas favelas. Segundo Alana, um caso típico desse fenômeno são os chinelos Kenner, populares entre os jovens de favela do Rio de Janeiro e que influenciam a moda mainstream. Essa conexão com o público jovem de classes C e D mostra o potencial econômico que muitas vezes é subestimado.

Dar voz às mulheres do funk

Alana também é a criadora do selo HERvolution, um projeto dedicado a fortalecer a voz feminina na indústria musical. A iniciativa surgiu de uma percepção de desigualdade: “A mesma atenção que era dada aos artistas homens não era dada às artistas mulheres.” O HERvolution oferece oportunidades para artistas mulheres gravarem e distribuírem suas músicas, sem necessidade de contrato de agenciamento.

A trajetória da KondZilla e de Alana Leguth é uma inspiração de como a inovação, autenticidade e capacidade de aproveitar oportunidades podem transformar desafios em grandes sucessos. A experiência dela e de sua equipe oferece valiosas lições para empresas e indivíduos que desejam se destacar no mercado e se comunicar eficazmente com diversos públicos.

Assista ao Mundo Corporativo

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