Conte Sua História de São Paulo: que sorte!

Por Janessa de Fátima Morgado de Oliveira 

Ouvinte da CBN

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Quando era criança, pensava que tinha sorte por ter nascido em São Paulo. Não me lembro o que me levou a pensar assim. Acho que foi quando comecei a ter aulas de Geografia, quando aprendi sobre as migrações e o que motivava tanta gente de outras regiões do país a migrarem para lá, onde eu morava.

Já na adolescência, comecei a ter mais motivos para reforçar esse pensamento.

Nunca fui de sair muito. Minha diversão era estudar e aprender. Comecei nessa fase da vida a perceber o quanto a cidade tinha para me oferecer. Tinha como ter um ensino de qualidade, porque dispunha de ótimas escolas, públicas e particulares. Tinha acesso a uma biblioteca, que ficava perto de minha casa, além de ter o Museu do Ipiranga como um quintal. 

Cresci e a cidade cresceu para mim. Quando saí do ginásio e fui para o colegial, mudei de escola e diariamente embarcava no ônibus Pinheiros para o Paraíso. Levava de 20 minutos a meia hora para chegar à escola. 

Conheci o Centro Cultural São Paulo! As rampas de acesso que se cruzavam em planos diferentes me mostravam outras pessoas como eu, com interesses semelhantes. Foi nesta época que também conheci a Liberdade e a feirinha montada aos fins de semana. Até novos sabores me foram apresentados! Foi quando tomei, pela primeira vez, um Mumy de maçã, que hoje é o Mupy.

O fluxo de crescimento me levou a sonhar com a USP. Queria fazer uma boa faculdade, mesmo sem saber, ainda, qual seria a profissão que abraçaria. Todo meu foco estava em estudar para alcançar meu objetivo. Foi assim que meu mundo cresceu mais um pouco, me levando a conhecer o Campus da Cidade Universitária, no Butantã. Entrei pela primeira vez lá no dia em que fui me matricular no curso de Farmácia-Bioquímica. Precisei de uma “guia” para chegar até a faculdade. 

Trabalhei na Freguesia do Ó. Passava pela Av. Rio Branco, Av. Rudge, pelo Largo do Arouche ou pelo alto de Pinheiros.

Meu filho nasceu também paulistano. A cidade dele foi diferente, andando de metrô lotado desde cedo, na linha verde, para ir à creche da Faculdade de Saúde Pública — foi onde fiz meu mestrado e doutorado. Tentei oferecer a ele a melhor versão de São Paulo.

Essa a cidade em que vivi por 44 anos e que fez de mim muito do que sou. Que me emociona por ser tão generosa.

Cidade que continua a receber gente. Os refugiados da Síria, o povo vindo da Bolívia para trabalhar no Bom Retiro. São Paulo também exporta gente. É o meu caso. Nos últimos anos que vivi na capital, a vida foi difícil. Desemprego! Nunca tinha pensado que sairia da cidade onde tive a sorte de nascer. As circunstâncias me fizeram olhar para fora e consegui uma oportunidade de trabalho em Portugal.

Porque ela me deu tanto, a cidade, faço o mesmo por ela. Sou, aqui, uma paulistana. Generosa, como São Paulo, ensino e provo ao mundo que ela tem muito mais do que quantidade. Ela tem qualidade!

Janessa de Fátima Morgado de Oliveira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Juliano Fonseca. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Quer ouvir outras histórias, viste o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: em busca da simplicidade de Da Vinci e do ladrão de patos

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“A simplicidade é a suprema sofisticação” 

Leonardo Da Vinci

Que a frase de Da Vinci se transforme um dia em mantra do branding! Essa é a esperança de Jaime Troiano, incomodado com a maneira de algumas marcas se comunicarem, com a sobreposição de conceitos, com arquiteturas de marcas que mais se parecem com um puxadinho e com soluções de design extremamente rebuscadas. E olha que o Jaime não é um cara de se incomodar com pouca coisa. Quem o conhece nos bastidores, sabe que humor — o bom —- é uma das suas marcas.

A necessária e sofisticada busca da simplicidade foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Jaime e Cecília Russo identificaram três razões para algumas empresas, produtos e serviços insistirem na complexidade da comunicação:

A primeira é a dificuldade que profissionais têm de fazer escolhas, abrir mão e depurar aquilo que verdadeiramente importa. Preferem falar muito achando que dessa forma não estarão deixando nada de fora. Ledo engano!

“O resultado disso é vermos uma enorme confusão e, de tudo, fica nada”

Jaime Troiano

A segunda é porque existe ainda uma mentalidade, em alguns segmentos profissionais, que associa complexidade com valor. É aquela visão que acredita que, se eu colocar várias coisas sobre uma marca, ela irá demonstrar superioridade. Se falar pouco, ficará apequenada. 

A terceira razão é que ser simples é muito mais difícil do que ser complexo. Para se chegar a uma ideia simples é preciso analisar, selecionar, depurar, organizar e priorizar. É preciso pensar muito para partir do complexo e se chegar no cerne, no verdadeiro insight. Enfileirar uma lista de características da minha marca é muito mais fácil. 

“Desde lá de trás, quando Nike assinava “Just do it” ou quando Bayer fala “se é Bayer é bom”, em ambos os casos, estamos falando de ideias simples, que trazem uma mensagem fácil de ser assimilada. Não estou julgando o valor dessas ideias, apenas as trazendo para falar desse ângulo, da simplicidade”

Cecília Russo

Ouça aqui o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo

Em tempo: pra provar que o Jaime, mesmo quando incomodado com algo é bem humorado, na marca do dia, lembrou de história que teria sido protagonizada por Ruy Barbosa e ilustra quão simples devemos ser ao transmitirmos nossas ideias e mensagens. Reproduzo, a seguir, vídeo em que Sílvio Matos, humorista e ator, conta o caso do doutor e do ladrão de patos:

Mundo Corporativo: Lídia Abdalla, do Grupo Sabin, destaca a riqueza da diversidade nas empresas

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“Quanto mais a gente tiver um time diverso mais a gente vai ter uma empresa com diferentes visões, diferentes experiências. E isso tem um diferencial competitivo para os negócios”

Lídia Abdalla, Grupo Sabin

Diversidade gera mais diversidade. É a conclusão que se chega ao se observar a história do Grupo Sabin, que atua no segmento de medicina diagnóstica desde 1984, quando foi fundado por duas empresárias. Para ter ideia, a instituição hoje tem uma mulher na cadeira de presidente e 74% dos postos de liderança ocupados por mulheres. Do total de 6,3 mil colaboradores, 77% são mulheres. A presidente Lídia Abdalla, que está no cargo desde 2014, ensina que o investimento em equipes heterogêneas do ponto de vista de gênero, etnia e geracional, o respeito às diferenças e o reconhecimento da capacidade de cada um são a principal estratégia para o engajamento dos colaboradores.

“Ficam buscando resposta para “como eu engajo meu time, como o deixo motivado”. Eu digo, deixa as pessoas serem da forma que são e respeite-as de verdade. Isso produz o engajamento das pessoas, um senso de dono do negócio que é impressionante”.

Lídia Abdalla, entrevistada do programa Mundo Corporativo, diz que, além do maior engajamento dos funcionários, por perceberem o respeito que a empresa tem com eles,  o investimento em diversidade também gera uma riqueza maior no debate no momento em que se está em busca do desenvolvimento de novos serviços e produtos.

A executiva traz exemplos da carreira dela para ilustrar como pessoas que se sentem respeitadas têm a tendência de crescer profissionalmente, investindo no seu conhecimento. Entrou na empresa assim que se formou como farmacêutica bioquímica, em 1999. De trainee a presidente, desenvolveu-se em áreas técnicas e gerenciais, fez MBA em gestão de empresas e cursos de finanças corporativas, por exemplo. Com a segurança oferecida pelo grupo, investiu na carreira sem abrir de seus desejos pessoais:

“As minhas escolhas podem ser feitas sem eu ter que abrir mão da minha carreira; sem eu ter que abrir mão, também, de estar buscando conhecimento, especialização e desempenho .O desempenho na nossa atividade como profissional pode, sim, ser conciliado com as nossas escolhas pessoais, também”.

O Grupo Sabin está em 12 estados brasileiros, mais o Distrito Federal, onde foi fundado. Atende a 68 cidades em 318 unidades e tem mais de 6,5 milhões de clientes. Além de contar com a criatividade das equipes internas, que Lídia entende ser resultado da diversidade de gênero, etnia e geracional, mantém um programa de investimento em startups, que permite ter acesso às novidades no seu setor de atuação. 

“A gente é um grande investidor de startups sempre pensando em desenvolver novas soluções para os nossos negócios e também estimulando esse ecossistema de inovação, no Brasil. Há um grande desafio que também é um grande investimento nosso que é a qualificação no desenvolvimento dos nossos profissionais para estarem atentos e acompanhando toda essa evolução tecnológica”.

Assista à entrevista completa de Líder Abdalla ao Mundo Corporativo:

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Priscila Gubiotti, Renato Barcellos e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: o Butantan do Marcello

Maria Cristina Pereira de Queiroz

Ouvinte da CBN

Foto de Giuliano Maiolini no Flickr

Sou paulistana, nascida há quase 70 anos nesta cidade. Tenho dois filhos e quatro lindos netos. A minha história com São Paulo é muito especial. Na verdade, ela passa pelos olhos e pelo querer dos meus netos.

Desde que o Marcello, o neto mais velho, era pequeno, nosso passeio preferido sempre foi a visita ao Instituto Butantan. Morávamos lá perto e éramos frequentadores assíduos.

O  Museu Biológico, em prédio de 1920; o de MIcrobiologia, idealizado pelo professor Isaías Raw; assim como o Macacário, o Serpentário e os parques encantavam o Marcello.

Esse encanto virou legado. Passou para a irmã mais nova. E para as primas pequenas.

Hoje em dia basta perguntar:

– Gente, o que vocês querem fazer no fim-de-semana?

A resposta é em uníssono:

– Ir ao Butantan, vó!

O mais interessante é que o Marcello tornou-se o monitor das menores. Ele explica para elas tudo que viu e aprendeu durante esse anos. 

Uma das lembranças mais bonitas que tenho é a foto dos meus netos que tirei, há dois anos: os quatro sentados na escadaria de entrada do Instituto. Hoje, ela em um enorme significado: o encanto dos netos, o nosso agradecimento e o orgulho de termos um Butantan, em São Paulo.

Maria Cristina Pereira de Queiroz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Juliano Fonseca. Conte você também a sua história da cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: mulheres, um caleidoscópio de possibilidades

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“Ainda há muito espaço para as marcas serem promotoras da igualdade de gênero, de trazerem iniciativas em favor das mulheres, mas que não sejam apenas discursos vazios, que tenham, na prática, políticas genuinamente transformadoras”

Cecília Russo

Num estudo americano, pesquisadores mediram a expectativa das pessoas em relação às marcas promoverem inclusão e diversidade. E os dados deixaram evidentes as demandas que esse mercado tem de atender se pretende estar sintonizado com os mais jovens. De acordo com a pesquisa, 63% das pessoas que fazem parte da geração X e 76% dos millenials esperam que as marcas se inspirem e ajudem a impulsionar os movimentos de equidade de gênero e etnia, por exemplo.

Para eles — e para todos que vivem neste tempo — seria inadmissível o modelo de mulher que era estampado nos anúncios publicitários, no passado. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo lembrou de uma propaganda dos Lençóis Santistas, publicada na revista Cláudia, dos anos de 1960, em que uma mulher e sua filha apareciam segurando as pontas de um lençol branco sob o título: “essa é uma dona de casa feliz!”.  

“Hoje, a vida das marcas ficou muito mais complicada, ainda bem. Somos uma soma de muitas coisas, quase como um caleidoscópio de possibilidades”

Cecília Russo

Jaime Troiano trouxe da memória história mais recente: um restaurante que visitou em São Paulo que trazia na parede a frase: “aqui servimos igualdade”:

“…traz essa ideia que hoje estamos discutindo. Ser uma marca que fomenta relações mais equilibradas em todos os sentidos, inclusive na questão de gênero”.

Jaime Troiano

Essa transformação já ocorre e está explícita na própria produção cultural. Os canais de streaming, por exemplo, todos trazem filmes e séries que ilustram essa realidade:

“Várias marcas de streaming, ano após ano, trazem filmes e séries tendo as mulheres como protagonistas. Nessa linha, me lembro das séries “And Just Like that”, no HBO; “Marvelous Mrs. Maisel”, no Prime; “Three Magnólias” do Netflix; e “Encanto na Disney””

Cecília Russo

Jaime, por sua vez, alerta que, apesar das mudanças e da pressão das mulheres, em especial, ainda existem barreiras a serem superadas. A mesma pesquisa que mostrou a expectativa dos jovens em relação a comunicação das marcas, também revelou que 74% das mulheres que estão na universidade não creem que receberão o mesmo salário de seus colegas homens.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com sonorização de Paschoal Junior

O Sua Marca vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h55 da manhã

Mundo Corporativo: Rijarda Aristóteles diz que conhecimento e convicção deram protagonismo às mulheres

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“O conhecimento é algo que liberta. Talvez seja a única forma que nós, individualmente, temos de nos libertarmos”. 

Rijarda Aristóteles, Clube Mulheres de Negócios de Portugal

Construir cenários, identificar oportunidades e entraves, e analisar as perspectivas nos mais diversos setores. Esse exercício, aprendido na formação em Relações Internacionais, foi essencial na decisão de Rijarda Aristóteles trocar o Brasil por Portugal, em 2014 — um país pelo qual se apaixonou, depois de ter descartado Itália, França e Inglaterra. Foi lá, também, que deparou com um considerável número de mulheres brasileiras que desistiram de dar seguimento às suas carreiras profissionais, assim que deixaram o Brasil. Incomodada com essa situação e percebendo que eram pessoas com um tremendo potencial e baixa autoestima, Rijarda passou a se reunir com essas mulheres, sempre com a intenção de incentivá-las a serem protagonistas através do conhecimento.

“Não é o conhecimento por osmose, como eu digo. É o conhecimento profundo, o conhecimento pesquisado, conhecimento que você para e vai ler 500 vezes aquela frase até entender o que realmente quer ser dito ali.  É nisso que eu eu acredito, nisso que está a a nossa liberdade, a liberdade de ser que é muito mais do que a de ter”.

Rijarda Aristóteles é a primeira convidada de uma série de entrevistas que o Mundo Corporativo levará ao ar, neste mês, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher. Movida por aquela tentação de traçar cenários, ela  fundou o Clube Mulheres de Negócios de Portugal, em março de 2020. Sim, o clube foi uma reação de mulheres empresárias e empreendedoras diante do enorme desafio que se iniciava com a pandemia:

“Nós tivemos que ressignificar muita coisa, muitas verdades. Nós tivemos que repensar tudo. Por exemplo, a questão emocional. As emoções começaram a ter um protagonismo que há muito era latente e que havia sempre um movimento para abafá-las, como se  fosse algo de menor importância, como se ter emoção ou expressar emoção, fosse algo frágil e por consequência algo feminino”. 

Doutora em história, Rijarda entende que, independentemente de função que exerça, cargo que ocupa e autoridade que tenha, todos nós fomos levados a repensar a forma como nos relacionamos. Houve a necessidade de uma revisão nos valores que moviam as pessoas, não apenas no ambiente de trabalho, mas um olhar para dentro:

“Percebemos que a finitude era palpável. Aquela ideia de que não tínhamos tempo de parar para pensar e seguíamos adiante; que nós éramos seres quase infinitos. Que não morreríamos. A morte foi muito latente nesse período”.

Na mudança de comportamento ou, ao menos, na revisão de comportamento, ganhou-se do ponto de vista pessoal. Uma vitória com impacto coletivo, na avaliação da empresária brasileira, nascida em Fortaleza, mãe de Artur e esposa de Giovanni, como se apresenta em redes sociais. No ambiente de trabalho, os líderes foram levados a avaliar melhor sua relação com os colaboradores, pois perceberam quão estava defasada a ideia de que o funcionário está na empresa para servir e, em troca do serviço, recebe salário. Foi um basta no utilitarismo:

“Hoje em dia, nós temos que pensar o funcionário como um ser humano que passou assim como eu por todo esse esse processo. Ninguém ficou  impune pelo que nós passamos”. 

Esse novo olhar, que considera a saúde emocional dos profissionais, também pautará os planos de retorno ao ambiente de trabalho que, na avaliação de Rijarda, não será mais 100% home office, porque nem todos os negócios das empresas estão adaptados para essas condições. Seja híbrido ou seja presencial, ela recomenda que os colaboradores sejam chamados para participar desse debate, pois o ambiente de trabalho é dele, devendo se transformar em um espaço de bem-estar que permita que todos cresçam profissionalmente e de forma saudável. 

O Clube Mulheres de Negócios de Portugal é uma plataforma que une mulheres que falam a língua portuguesa e torna acessível o conhecimento e a realização de negócios. As mais de 100 integrantes, que são identificadas como embaixadoras, que estão em oito países e quatro continentes, terão a oportunidade de se encontrar presencialmente, nessa semana, nos dias 7 e 9, em Porto e Lisboa. Oportunidade para avançarem no debate sobre o protagonismo feminino no cenário corporativo que, para Rijarda, é uma realidade sem volta, porque as mulheres não permitirão esse retorno. 

As transformações vieram pela convicção e pelo conhecimento, explica Rijarda, a medida que as mulheres estão mais bem preparadas, estudam mais, têm mais mestrado e doutorado, e publicam mais artigos:

“Se você empresário não pensa na mulher como uma parceira, do ponto de vista da equidade, para que seu negócio cresça, você está dando tiro no pé”.

Assista à entrevista de Rijarda Aristóteles ao Mundo Corporativo.

O Mundo Corporativo vai ao aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa é gravado às quartas-feiras, 11 horas da manhã, quando você pode assistir pelo canal da CBN no Youtube, no Facebook ou no site da CBN. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: o rádio que me aproxima da família paulistana

De Lucimar de Souza Fernandes  E. Santo

Ouvinte da CBN 

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Minha história com São Paulo começou quando, ainda bem criancinha, morava com a família em Belo Horizonte, onde vivo até hoje. Meu pai, um cidadão da pequena cidade de Santa Maria de Itabira, no interior de Minas, foi trabalhar em São Paulo com alguns irmãos, levado pela mesma motivação que até hoje muitos brasileiros o fazem: ganhar dinheiro para melhorar a vida. Ingressou na construção civil, na região de Santo Amaro. As preocupações com a família e a saudade falaram mais alto e ele voltou —  decepcionado com a cidade, pois a única irmã havia morrido atropelada nas comemorações do aniversário da grande metrópole. Ele nos trouxe presentes que até hoje ainda temos. 

Muitos anos depois, eu já uma jovem, quando retornava de um dia cheio de trabalho, sinto meu coração bater diferente e mais forte ao me encontrar por acaso, se é que ele existe, com um jovem rapaz, portador de um ar interessante que também esperava o ônibus. Conversa vai, conversa vem e adivinhem onde o rapaz nasceu? “Sou de São Paulo, nasci em Santo André”. A família dele havia se mudado para Belo Horizonte. 

Como a política do café com leite funcionou durante muito tempo aqui estamos hoje com 32 anos de casados. E São Paulo, desta forma, entra definitivamente na minha vida.

Em uma das viagens à cidade, nosso filho caçula, naquela época na fase do desfralde, nos fez parar na Avenida Paulista em busca de um banheiro para que ele pudesse se “aliviar”. Eu não tinha a menor noção do que essa avenida representava para os paulistanos e a sua grande importância na cena cultural e na economia de nosso país. 

O tempo passou, os filhos cresceram. Meu primogênito, então, escreveu mais um capítulo da nossa história com a cidade. Engrossou a fileira dos milhares de profissionais que fazem com que São Paulo se consolide como uma grande metrópole, com todos os problemas inerentes a elas, mas que também parece nos dizer: “venham… venham.. venham crescer e se desenvolver; aqui sempre cabe mais um, que queira trabalhar e superar as dificuldades de viver no coração econômico da América do Sul” . 

Hoje, ele está casado com uma mineira. Meus dias são mente e coração divididos entre Belo Horizonte e São Paulo. A melhor estratégia para equilibrar tudo isso é ouvir a CBN, em São Paulo, para saber como estão as coisas no bairro onde trabalham e moram meu filho e minha nora. 

As notícias sempre nos rendem alguns assuntos em família. Para mim, ouvir a rádio dá a sensação de que em alguma medida estou mais próxima deles e até compartilho do seu dia a dia: já sei como está o tempo, o trânsito, a política e o cotidiano. Isso ameniza a minha saudade e nos aproxima. Mesmo com todos os recursos tecnológicos disponíveis tenho a sensação que a rádio segue sendo um elo importante para quebrar a barreira de cada um viver em um lugar tão diferente e distante do outro. 

Lucimar S. F. E. Santo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outras lembranças, visite agora o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca: 1922 o ano que não aconteceu no branding

Cartaz da Semana de Arte Moderna de 1922. Foto: Reprodução/ SMC de SP

“As repercussões dos ares de 1922 praticamente nunca chegaram à nossa vida em marketing e branding”  

Jaime Troiano

Havia um tom de lamento. De exaltação, também. Havia uma mistura de sentimentos quando Jaime Troiano e Cecília Russo propuseram uma conversa, no último programa de fevereiro, sobre o impacto da Semana de Arte Moderna de 1922 no marketing e no branding. O estrangeirismo que permanece a identificar essas duas matérias diz muito sobre as influências que realmente foram significativas na prática, aqui no Brasil. 

“Somos herdeiros diretos na mentalidade americana e europeia de como fazer branding. Os livros, os cursos, os treinamentos, os exemplos vêm sempre de lá”.

Cecília Russo

Mário de Andrade, Anita Malfatti, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade, e Villa Lobos, dentre outros, causaram espanto na sociedade e se surpreenderam com a dimensão que tomou esse movimento realizado em três dias oficiais de atividades, em São Paulo No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime exaltou  a influência da Semana que completou 100 anos e as raízes deste movimento que penetraram profundamente em manifestações culturais, mesmo muitos anos depois.

Lembrou o tropicalismo de Gil, Caetano e Gal, que chegou 45 anos depois também com a intenção de redescobrir o Brasil, a partir de um olhar próprio, sem vergonha de trazer referências internacionais. Jaime identificou ainda a ruptura da Bossa Nova, comparada com a época dos sambas-canção e músicas de dor de cotovelo, como herdeira na busca de algo que fosse autenticamente brasileiro.

E o branding? A gestão de marcas? 

“Tudo, ou quase tudo que se faz em Branding, é fruto de uma inspiração técnica, metodológica, conceitual do que aprendemos e do que vimos os americanos, em primeiro lugar, fazer. Em segundo lugar, com alguns países da Europa, talvez Inglaterra mais do que os demais. E em áreas como design há algumas, não muitas pistas, que vieram de países asiáticos”.

Cecília Russo

Uma crítica? Não, uma constatação, a partir de uma realidade que pode ser vista pela ótica de Eduardo Giannetti. O economista, professor e autor do livro “Tropicos Utópicos” discute o quanto nosso destino como nação oscila entre o modelo Mimético e o Profético. 

O Mimético é o que tem inspirado até hoje a nossa história, na busca pelo desenvolvimento, reproduzindo o caminho que aprendemos com países ocidentais avançados. O Profético é aquilo que é criado pelas nossas próprias tradições, pelo estilo próprio de nossa cultura sincrética de tantas origens que se mesclaram em nosso país. 

“O Profético depende de um olhar corajoso para si mesmo, para nós mesmos, como fizeram os protagonistas da Semana de 1922 nas artes. Creio que o Giannetti está sugerindo em seu livro, não é abrir mão de uma das duas visões, simplesmente. Mas a verdade é que o peso da visão Mimética tem sido absolutamente predominante, no branding”. 

Jaime Troiano

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo; e sonorização de Paschoal Júnior

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã.

Mundo Corporativo: Ricardo Guerra, CIO do Itau, diz que a transformação digital começa na mudança de cultura da empresa

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“Aprender o que a tecnologia de hoje significa, como é que ela é utilizada, como é que ela faz parte do business, propriamente dito: esta é, sem dúvida nenhuma, o grande desafio para as empresas”

Ricardo Guerra, Itau

Sabe o cara da TI? Mudou de cara! Antes era o jovem que você chamava para dar um jeito no computador da empresa que estava lento, ajudar a baixar um programa e, quantas vezes, resolver uma questão crucial para começar o trabalho: “esqueci minha senha”.  Não que esse cara não esteja lá para dar aquela força, mas a tecnologia da informação, há muito tempo, mudou seu perfil: de área de suporte para a de estratégia.  Falei do assunto com Ricardo Guerra, CIO do Itau, instituição que atua no setor bancário um dos que sofreram maior impacto com a transformação tecnológica.

“Se voltarmos uns 20 anos, até menos, a tecnologia era vista pelas empresas como uma área de apoio. As empresas terceirizavam a tecnologia. Era uma grande fábrica de projetos. Eu tenho uma ideia e a tecnologia me entrega para que esta se torne realidade”

Das mudanças que surgiram, Ricardo pontuou o fato de as empresas terem passado a usar a tecnologia como vantagem competitiva, especialmente aproximando-a do cliente:

“ … para que a tecnologia entendesse qual o problema do cliente, onde estão as oportunidades e como é que ela trabalha para agregar valor pra organização no fim do dia”.

Toda esse progresso exige muito mais dos profissionais de tecnologia de informação. Um aprofundamento em temas que pareciam distantes da área como a antropologia, porque no momento em que se pensa em soluções para as pessoas é preciso entender o comportamento delas. O Ricardo, nosso entrevistado, assistiu a essa evolução dentro do próprio Itau, onde trabalha desde 1993. Para ter ideia, o grande passo tecnológico naqueles anos iniciais foi a implantação do primeiro site do banco na internet brasileira:

“Foi em 1995. Foi uma experiência incrível, porque foi uma inovação tecnológica gigantesca para gente. Não tínhamos o conhecimento para isso. Muitos de nós, tiveram que parar para estudar que tipo de tecnologia a gente estava falando. Era desconhecido! Tivemos que parar para profissionalizar o uso da internet para que a gente pudesse levar isso até o cliente. Foi um momento de carreira muito interessante de muito aprendizado”.

A complexidade da transformação tecnológica — termo usado pelo Ricardo na nossa conversa —- impõe desafios aos líderes que estão à frente das equipes de trabalho, como é o caso dele que assumiu o cargo mais alto na área da tecnologia do banco, o de Chief Information Officer. Na entrevista, o CIO do Itau identificou três ações importantes que os líderes devem realizar. O primeiro movimento foi uma mudança de metodologia de trabalho mais ágil, mais integrado, mais colaborativo e mais próximo do cliente e do negócio. Apenas com essa mudança cultural foi possível dar o segundo que foi um processo mais agressivo de mudança tecnológica. E o terceiro passo foi a integração da tecnologia com as diversas áreas do negócio.

“E tudo isso embasado por uma grande mudança cultural de empoderamento, de menos hierarquia, de mais leveza no trabalho. Aqui tem uma série de elementos de mudança de ambiente de trabalho, de mudança de como os líderes falam e incentivam as pessoas, inspiram as pessoas”.

No começo da nossa conversa, Ricardo não aceitou o título de o “cara da tecnologia”, disse que o setor depende de dezenas de outras pessoas, do trabalho em equipe e da colaboração. Agora, com certeza, ele tem a cara dos novos profissionais de tecnologia, porque apesar de ter iniciado sua carreira há 29 anos, soube mudar sua forma de atuar, pensar e liderar equipes.

Assista à entrevista completa com Ricardo Guerra, CIO do Itau, no Mundo Corporativo, que está completando 20 anos: 

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Bruno Teixeira, Débora Gonçalves, Rafael Furugen e Renato Barcellos. 

Conte Sua História de São Paulo: meu time de amigos da rua Tupi

De Hélio Roberto Deliberador

Ouvinte da CBN

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Cheguei em São Paulo, em 1961, vindo da cidade de Londrina, norte do Paraná, onde nasci. Era vizinho da família do Prof. Mário Sergio Cortella, de quem me tornei amigo, quando nos encontramos na PUCSP. Nessa universidade, estudei e me tornei docente. Até hoje, tenho o privilégio de frequentar o bonito prédio, que a cidade conserva, nas terras altas de Perdizes.

Quando chegamos em São Paulo, eu, então um garoto de 6 anos, e minha família fomos morar em um pequeno prédio na Rua Tupi, no bairro do Pacaembu. Havia sido construído por um senhor imigrante, que sonhava com uma cidade de prédios baixos, valorizando a paisagem urbana. Esse prédio tem uma arquitetura que lembra construções de velhas cidades da Europa e, entre seus moradores, ainda vive umas das filhas (quase centenária), desse construtor, guardando a memória de outros tempos dessa cidade. No prédio foram gravadas cenas da série da TV, Segunda Chamada.

Assim, recém-chegado, passei a viver naquele espaço de São Paulo, uma cidade que crescia, e ainda era amistosa para as crianças. Fiz amigos na rua, que eram vizinhos. Ali, fui crescendo e aprendendo as brincadeiras compartilhadas pelas crianças da época. Para dizer da amabilidade paulistana daqueles tempos, contarei a vocês nossas experiências de infância como jogadores de futebol da rua. Treinávamos na Tupi e o gol era delimitado pelo poste da esquina com a Rua Dr Veiga Filho, uma íngreme ladeira, onde, no alto, fica o Hospital Samaritano, também prédio ainda preservado na cidade e bastante bonito de se ver. 

O meu time mandava seus jogos nos jardins de frente do Estádio Municipal do Pacaembu, na Praça Charles Miller.

Eram tempos dos jogos do Santos de Pelé e Cia. E, nós, garotos, ingenuamente, sonhávamos um dia também sermos jogadores profissionais. Às vezes, assistíamos aos jogos no estádio, para o que pedíamos a torcedores pagantes que nos acompanhassem para entrarmos de graça. Na época, o Pacaembu exibia a Concha Acústica, onde depois foi construído o Tobogã, recentemente demolido. 

O time era composto por mim – zagueiro central, pelos filhos do dono da mercearia de secos e molhados, que ficava na esquina da Tupi com Veiga Filho, Ninão e Neto. Ninão era craque e nosso capitão. Tinha ainda  o Júlio, o Dinei, o Marcelo… Nomes de que ainda lembro, passados mais de  50 anos. Tínhamos um admirador: um homem morador de rua, que apelidamos de Zóinho. Mais tarde, vim saber que era um advogado que se desiludiu com a esposa, se entregou ao álcool e à vida naquela rua Tupi. Nossas famílias doavam roupa e alimento ao Zóinho, colaborando para sua sobrevivência, em uma espécie de agradecimento por seu apoio ao time dos garotos.

Na mercearia dos pais de Ninão, comprávamos pão e leite, pagos, ao fim do mês, conforme o registro manuscrito na caderneta. O leite vinha em garrafas de vidro. Eram retornáveis e devolvidas em engradados de arame para o caminhão que toda madrugada, trazia o leite de cada dia para o nosso cafés da manhã.

No fundo do hospital Samaritano, havia um grande terreno de árvores frutíferas, onde brincávamos de mocinho e bandido. Por vezes, o zelador ralhava com a molecada e de posse de uma espingarda de pressão, dava tiros de sal, que ardiam nas ágeis pernas, com que fugíamos do inimigo. Brincávamos ainda de empinar pipa, jogar bolinha de gude, bater figurinhas, jogar queimada, carrinho de rolimã e taco. Enfim, muitas brincadeiras e histórias desse tempo que vai longe… Tempo de São Paulo,  da cidade amiga das crianças.

Hélio Roberto Deliberador é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.