Sua Marca: oito razões para as marcas existirem

 

 

“As marcas não estão aí à toa e vão continuar existindo por muito tempo”—- Jaime Troiano

Por que as marcas existem? A pergunta pode parecer ingênua, mas poucas vezes paramos para pensar em qual seria a melhor resposta. Tendemos a consumir determinadas marcas e sequer temos noção do que nos leva a este comportamento. Assim como os gestores das empresas e serviços, que costumam lançar marcas nem sempre de forma estruturada e lógica.

 

 

Para responder a pergunta tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo elencaram oito razões para as marcas existirem:

 

Para os consumidores:

1. Reduzem tensão de escolha, em mercados cada vez mais complexos e com uma variedade enorme de produtos e serviços;
2. Ajudam a criar algo que é fonte de conveniência em nossas vidas: são nossos hábitos;
3. Falam de nós, de nossa identidade pessoal.
4. Dão sentido para a compra. Que não é apenas a materialidade do produto mas o que ele significa pra mim.

Para as empresas:

5. Buscar diferenciação frente à concorrência. Já que os produtos e serviços por si só acabam cada vez sendo mais semelhantes;
6. Ser um ativo que agrega valor ao patrimônio das empresas. É um bem a mais que a empresa constrói e aumenta seu valor de mercado;
7. Em muitas empresas, acaba sendo fonte de orgulho motivacional. O crachá que se carrega no peito. Quase um sobrenome a mais;
8. Ser um critério de qualificação do produto. Na medida em que sou dono de uma marca e ela é valiosa, eu tenho obrigação de preservar sua qualificação diante do mercado.

Existem fortes razões para as marcas continuarem existindo e tendo um papel em nossa vida e na das empresas. Portanto, fazer uma bom trabalho de gestão nesta área, conhecida por branding, é fundamental concluem Cecília e Jaime, na conversa com Mílton Jung, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. O programa vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã e pode ser ouvido em podcast.

Mundo Corporativo: Marcelo Melchior, da Nestlé, diz que o grande desafio é reimaginar a empresa no pós-pandemia

 

 

“A atitude é uma coisa que faz a diferença entre o sucesso e o fracasso e não só profissional” — Marcelo Melchior, CEO da Nestlé Brasil.

Funcionários das butiques de café foram transferidos para áreas em que a pressão sobre o trabalho aumentou devido as adaptações exigidas pelos impactos da pandemia. As missões colaborativas foram uma das ações desenvolvidas pela Nestlé Brasil para evitar a demissão de profissionais nos setores que tiveram de paralisar suas atividades. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, o CEO no Brasil, Marcelo Melchior, disse que a agilidade nas tomadas de decisão e a diversidade das equipes ajudaram a empresa a encontrar soluções para os desafios impostos:

“Uma das coisas que ajudam muito é ter todo tipo de diversidade internamente, em termos de idade, em termos de backround, em termos de nacionalidade, em termos de religião, raça; e tudo tudo isso permite você ter todos os ângulos de um de mesmo tema e poder trabalhar de uma forma melhor”

Ter aprendido com a experiências de outras unidades no exterior — na Ásia e na Europa, por exemplo — que enfrentaram antes a chegada da crise do coronavírus, ajudou na reação da empresa aqui no Brasil, de acordo com Marcelo Melchior.

 

Além de planejar como manter o distanciamento entre as pessoas nas unidades da empresa, criar espaços com divisões para evitar o máximo possível de contato, determinar a obrigatoriedade de máscaras em todas as dependências, e fazer a medição da temperatura, na área da saúde houve preocupação quanto ao apoio psicológico dos funcionários. Para Marcelo Melchior, colaborou nessa jornada o esforço para que a comunicação fosse a mais clara possível, com trocas de informações frequentes em um ambiente em que muitas mensagens circulavam pela internet.

“Nós imediatamente entendemos que não poderíamos parar. Então, nós definimos duas prioridades muito importantes. A primeira foi a segurança e a saúde de todos os nossos colaboradores, das famílias deles e de toda nossa cadeia de fornecedores —- caso de caminhoneiros e pessoas doc campo ….. A segunda é que nos não poderíamos desabastecer o mercado no qual temos a presença de nossas marcas em 99% dos lares brasileiros”.

Uma das estratégias usadas pela Nestlé, explicou Marcelo, foi contar com a colaboração, também, de uma rede de 90 empresários locais que atuam como distribuidores da empresa, que são responsáveis pela venda e depósito dos produtos da fabricante, permitindo que se alcance uma capilaridade maior e em pequenas localidades do país. Por conhecerem de maneira particular cada uma das áreas em que atuam, isso deu agilidade para que esses empresários — que funcionam como uma espécie de força de vendas terceirizada — decidissem suas ações conforme mudavam as regras de restrições nas diversas cidades.

 

Curiosamente, a mesma tecnologia que alavancou vendas e permitiu o trabalho remoto de profissionais, passou a ser usada com parcimônia em outros setores, porque segundo o executivo da Nestlé Brasil houve uma ruptura nos dados :

“A tecnologia perdeu os seus dados históricos, porque a tecnologia são algoritmos que orientam, por exemplo, que se faça uma promoção de um produto em determinado lugar e o quanto de vendas isso vai representar. Como teve uma disrupção muito grande no mercado, a tecnologia… você tinha de ter muito cuidado. Mais do que se basear em modelos estatísticos, nos tivemos de nos basear muito na flexibilidade de jogar as coisas de uma lado par ao outro através da experiência da equipe.”

Para o CEO da Nestlé Brasil, o grande desafio agora é reimaginar a organização, aproveitando o que se aprendeu durante essa crise, o que pode se fazer que seja perene e não voltar aos vícios do passado.

“O grupo do reimaginar é o grupo dos novos planos e com horizontes diferentes. Como eu falei, a semana era um mês, um mês era o trimestre e o trimestre era um ano, porque as coisas estão mudando muito rapidamente”.

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo; no canal da CBN no You Tube; e pode ser ouvido a qualquer momento em podcast. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Sua Marca: só entende de marcas quem ouve e gosta de gente

 

 

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”

 

 

O soneto “Ora (direis) ouvir estrelas” de Olavo Bilac e a experiência que o Celso, o dono de uma barraca do Ceagesp, na capital paulista, apesar de parecem distantes, pelo tempo e pelas funções que exercem, são dois bons exemplos de como gestores de marcas devem agir diante da opinião pública. Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo falaram da importância de se exercitar a escuta.

“A barraca do Celso é uma aula de branding, pois você chega lá e ele procura entender o que você quer e o que você precisa, ele ouve você”,  Jaime Troiano

Muito longe de ser uma atividade puramente operacional, o gestor de marcas só terá sucesso se gostar de gente e souber ouvir as pessoas.

“É quase impossível descobrir um significado relevante para uma marca se a gente não tem essa capacidade — lembrada por Olavo Bilac — de ouvir estrelas”, Cecília Russo.

No programa Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo falam de outras experiências bem desenvolvidas na área de branding porque as marcas entenderam o sentimento dos seus consumidores. O quadro vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN, com apresentação de Mílton Jung.

 

 

 

 

 

 

Conte Sua História de São Paulo: o sonho do soldado Dadá

 

Por Duarte Alves da Silva
Ouvinte da CBN

 

 

Nasci em 1959, no Brás. Deixei o bairro após a morte de meu pai. Minha mãe, dois irmãos e eu, fomos para o Ipiranga onde meus tios e três primos moravam, em um sobrado. Lembro quando meu tio nos levou para ver a inauguração da iluminação da avenida Dom Pedro I, que liga o Ipiranga ao Cambuci. Nos anos de 1970 havia também um espetáculo de luz e som, no Museu do Ipiranga, que eu adorava. No Ipiranga passei minha juventude, brinquei na rua, joguei bola no campinho perto de casa

 

 

Aos 18 anos, me alistei no Exército. Na minha turma, havia mais 25 soldados, cada um de um canto da cidade. Treinamos no quartel do Ibirapuera e fomos para uma corporação, na Liberdade, a 4ª CSM — Circunscrição do Serviço Militar. Foi um período bom com os novos amigos. Um ano depois, demos baixa e nenhum seguiu carreira militar.

 

Eu conheci a irmã de um soldado que servia comigo. Eles moravam na Nove de Julho com a São Gabriel. Casamos três anos depois e fomos morar na estrada de Itapecerica da Serra, na Vila das Belezas. Tivemos dois filhos.

 

Trinta e nove anos depois do serviço militar, recebi um convite pelo Facebook, de um ex-colega Humberto Souza, o Dadá, perguntando se eu havia servido o Exército, em 1978. Ele e o soldado Ripari, tinham decidido reunir a todos para comemorar 40 anos de turma. Os dois foram em busca da lista completa dos jovens que tinham feito serviço militar juntos naquele ano. O quartel já havia mudado da Liberdade para o Cambuci. Após um pedido oficial de informação, tiveram acesso a lista completa de nomes e partiram atrás de cada um dos integrantes. Formaram um grupo de WhatsApp, justo no aniversário de São Paulo, em 2017.

 

Foram vários almoços com o Ripari para organizar o evento; e descobri que ele havia trabalhado no mesmo grupo que eu, o Machline, apesar de nunca termos nos encontrado. Infelizmente, às vésperas da comemoração de 40 anos, Humberto Souza, o Dadá, morreu, mas nós decidimos levar em frente o desejo dele. Reunimos dez dos 26 soldados. Como cada um vivia em uma região diferente da outra, marcamos nosso reencontro no centro de São Paulo, o que ocorreu no dia 24 de novembro de 2018 —- em uma demonstração de que a imensidão da cidade não é suficiente para afastar velhos conhecidos.

Duarte Alves da Silva  é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças da cidade e envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Coloque o podcast do Conte Sua História de São Paulo entre os seus favoritos.

Mundo Corporativo: Rafael Lucchesi, do SESI, defende novas relações de produção e trabalho, para superar a pandemia

 

 

 

“As sociedade que se adaptarem mais rápido a essas novas tendências, seguramente vão subir o elevador da produtividade; as suas empresas vão crescer; vão ganhar mercado e, é claro, a sociedade vai se desenvolver. É o que nós chamamos de um círculo virtuoso de desenvolvimento” — Rafael Lucchesi, SESI

A indústria brasileira precisa estar pronta para se adaptar às tendências de mercado que surgiram ou se aceleraram devido a pandemia do coronavírus. Se muitos setores sofreram com a queda de produtividade, também é preciso entender as oportunidades que se apresentam, como a descentralização da fabricação de algumas linhas de produto —- o que ficou evidente a partir das dificuldades de compra, venda e distribuição de equipamentos de saúde. Ao mesmo tempo, é necessário aproveitar as possibilidades que surgem com as transformações digitais e treinar os funcionários para esse novo momento.

 

No programa Mundo Corporativo, da CBN, Rafael Lucchesi, diretor-superintendente do Serviço Social da Indústria — SESI falou de temas que têm sido o foco das discussões do setor industrial brasileiro.

“Como tendência, seguramente nós vamos ter maiores cuidados com saúde, uma agenda maior de capacitação, de uso mais intensivo de tecnologia e, também, uma agenda voltada a novas ferramentas que têm ganho de produtividade e que vão impactar os resultados das empresas”.

O dirigente do SESI lembrou que o mundo vive a quarta revolução industrial, com digitalização, uso de inteligência artificial e de algoritmos, por exemplo. Soma-se a isso a produção industrial aditiva em que é possível fabricar produtos com o uso de impressoras 3D tornando desnecessário que a empresa mantenha uma grande manufatura, concentrada em uma determina região do mundo, substituindo esse modelo por uma estrutura industrial muito mais distribuída, criando uma cadeia de fornecedores próxima do seu mercado:

“Com três fotografias do seu pé, você poderá adquirir um tênis feito sob medida da mesma maneira que se faz com os atletas de alta performance, ajustado a sua biometria, e não em função de uma biometria padrão … com isso, a escala de produção será um fator menos relevante no futuro e muito mais a logística de produção distribuída. Isso vai mudar o ambiente de escritório e de chão de fábrica”.

A pandemia obrigou a indústria a acelerar esses processos que já estavam em andamento, segundo Rafael Lucchesi. A medida que as empresas têm mudado seu modelo operacional, o dirigente entende que essa transformação levará a uma revisão nos contratos de trabalho —- o que chama de modernização na relação de emprego. Apesar da reforma trabalhista, que entrou em vigor há pouco mais de um ano, outras questões estarão na pauta:

“… seguramente há um consenso que une as lideranças empresariais e dos trabalhadores, que é estabelecer algo que permita que a sociedade gere mais emprego e mais renda … é preciso construir uma agenda de futuro para o Brasil”

O aumento da preocupação dos profissionais e seus familiares com as questões sanitárias, por causa da pandemia, além de um número crescente de afastamentos das funções, por doenças relacionadas ao trabalho, vão exigir um acompanhamento maior das empresas, de acordo com o dirigente. Isso traz outro desafio ao setor produtivo devido aos custos em relação a assistência médica dos profissionais:

“Esse é um problema grave porque é a inflação que mais cresce no Brasil e tem sido um dos maiores custos das empresas brasileiras, por isso o SESI com a CNI tem apoiado às empresas a estabelecerem um entendimento melhor nas negociações com os planos de saúde”.

Independentemente dos novos desafios que se se apresentam, ele chama atenção para o fato de a indústria ter de estar atenta a relação com seus colaboradores:

“As organizações mais produtivas são aquelas que melhor cuidam do principal talento das organizações, dos seus trabalhadores, dos seus colaboradores. Então, aquelas que vão melhor performar, serão seguramente as mais abertas ao diálogo daquilo que mais preocupa que são hoje as questões de cuidados à saúde”.

O Mundo Corporativo pode ser ouvido aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às dez da noite, em horário alternativo; ou a qualquer momento em podcast. Colaboram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Sua Marca: o que aprender com a estratégia da Natura de investir em Tammy Miranda, no Dia dos Pais

 

“Com o tempo, muda a marca, muda o tema, mas não mudam as pessoas” – Cecília Russo.

A campanha publicitária da Natura para o Dia dos Pais nas redes sociais usou a imagem de Tammy Miranda, ator, transexual,  casado com Andressa Ferreira e pai de Bento, que está com seis meses. O lançamento causou polêmica, críticas à empresa, pedidos de boicote à marca e uma contra-reação de celebridades e público apoiando a atitude da Natura.

 

O tema foi discutido na edição do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com comentários de Cecília Russo e Jaime Troiano. Eles lembraram que não é uma novidade ações desse tipo que causam forte debate na sociedade. Há cinco anos, por exemplo, o Boticiário levou para o ar sua campanha publicitária com um casal homossexual e sonorizado com a música “Toda foram de amor”, de Lulu Santos.

 

A questão é entender se vale a pena a marca se envolver nestas polêmicas:

“Tem uma resposta que é um pouco frustrante, porque começa com depende … Marcas podem e devem ser catalisadoras de discussões na sociedade e, às vezes, têm esses canal de mídia para usar e trazer alguns temas”, diz Cecília.

Por que então depende?

 

Jaime Troiano responde:

“Um condição essencial é que as marcas não podem apenas jogar para a torcida, apenas se aproveitar de uma causa, um buzz, uma discussão, como se fosse uma fachada … É preciso que elas pratiquem da porta da rua para fora aquilo que fazem da porta da rua para dentro, porque marca não é tapume”.

É preciso, como dizem os americanos: “walk the talk”, ou seja, fazer o que se fala.

 

A consistência na narrativa da marca é fundamental para se ter sucesso em iniciativas como essas que provocarão debate na sociedade.

“Polêmicas apenas valem a pena se você genuinamente estiver comprometido com elas. Caso contrário, não seja tapume; não seja falso”, ensina Cecília.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado por Mílton Jung e vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. Para comentar e sugerir temas, escreva para marcasdesucesso@cbn.com.br

Mundo Corporativo: empresas com cultura de compliance sólida se saem melhor na crise, diz Márcia Makishi

 

 

“Quem já tinha essa cultura de compliance disseminada e bem absorvida pelos seus colaboradores tem conseguido manter as operações com muito mais regularidade até porque as pessoas já estavam acostumadas a seguir as regras e não precisam de uma supervisão ou de monitoramento constante.” —- Márcia Makishi

Garantir a integridade corporativa com as mudanças provocadas pela pandemia do coronavírus foi um dos desafios impostos a gestores e colaboradores. As empresas que já vinham desenvolvendo politicas de compliance conseguiram se adaptar mais rapidamente, mesmo assim foi necessário agilidade e revisões nos procedimento porque boa parte das equipes passou a trabalhar à distância, sob novo regime ou diante de controles sanitários mais rígidos.

 

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Márcia Makishi, advogada especialista em compliance da Innovativa Executivos Associados, comentou que geralmente quando se fala de políticas de integridade a tendência é pensar em ações anti-corrupção, mas o tema é muito mais amplo pois trata-se da segurança da informação, privacidade de dados, questões trabalhistas e da cultura da empresa.

“Tudo isso demandou uma resposta muito rápida das empresas, das organizações. Vamos pegar, então alguns aspectos: nós tivemos mudanças em regras trabalhistas, e que não são permanentes, são temporárias. Tem de ter o cuidado de fazer a adaptação correta nesse processo na relação com seus trabalhadores. Faz parte das regras de compliance, até porque a relação da empresa com seus colaboradores é uma das mais sensíveis”.

Com a tendência de as empresas permitirem o trabalho remoto ou criarem um sistema híbrido com o funcionário podendo estar alguns dias na empresa e outros à distância, os responsáveis pelas políticas de integridade da empresa terão de redobrar suas atenções para que as regras sejam respeitadas:

“O trabalho remoto não significa um isolamento daquele funcionário, portanto um dos itens importantes do trabalho remoto é justamente criar formas diferentes de comunicação”.

O Mundo Corporativo é gravado às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido no canal da CBN no You Tube. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: “estas pensando que é o Pintacuda?”

 

 


Por Maria Helena Leonel de Queiroz
Ouvinte da CBN

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto da ouvinte Maria Helena Leonel Gandolfo:

 

Meu pai havia se casado com a filha de um comerciante português. O tio Carlos, irmão do papai, com a filha de um rico industrial italiano. Em 1936, morávamos em um sobradinho na Lapa. E meu tio num belo palacete na Rua Estados Unidos. No dia 12 de julho um importante acontecimento marcava a estreia da cidade de São Paulo no cenário automobilístico internacional: o I Grande Prêmio de São Paulo.

 

Pilotos europeus e sulamericanos, que um mês antes haviam participado do IV GP Cidade do Rio de Janeiro, no Circuito da Gávea, inscreveram-se para a prova que iria se realizar nas ruas do Jardim América. O circuito, com cerca de 2.500 metros, tinha sua linha de largada e de chegada na Av. Brasil, em frente ao prédio do Automóvel Clube e formava o quadrilátero com as ruas Colômbia, Estados Unidos e Canadá. Um percurso de 60 voltas, totalizando 150 quilômetros.

 

Alguns corredores, os mais renomados, eram o italiano Carlo Pintacuda, com sua Alfa Romeo 8C35, o argentino Augusto MacCarthy com um Crysler V-8; e os brasileiros Manuel de Teffé, com sua Alfa Romeo 6C1750 e Chico Landi, com um Fiat. Mas a estrela, sem dúvida, era a francesa Hellé-Nice, que disputava a corrida com seu Alfa Romeo 8C35, pintado de azul — artista de teatro, acrobata e dançarina no Cassino de Paris, Mariette Hélène Delangle, nascida em 15 de dezembro de 1900, havia iniciado sua carreira como piloto nos anos 30.

 

Carro 1

 

Meu tio, por morar na Rua Estados Unidos, mandou fazer no jardim um palanque para assistir à corrida com todo o conforto junto com seus amigos. Meus pais, obviamente, figuravam entre os convidados. Nós, as crianças, ora brincando no jardim, ora subindo no palanque, estávamos na maior excitação, ouvindo o barulhão dos carros que passavam.

 

Até que, lá pela 50ª volta, aconteceu o acidente. Dizem uns que foi quando Helenice tentou ultrapassar Manuel de Teffé e os carros se entrechocaram. Outros, que ela perdeu a direção para não atropelar um policial que atravessou a pista. Outros ainda contam que uma fã de Teffé, para atrapalhar Helenice, empurrou contra seu carro um fardo de feno.

 

Corrida 2

 

Tenha sido esta ou aquela a causa, a conseqüência foi que, correndo a 160 km/h, o carro capotou duas vezes e investiu contra a multidão que assistia à corrida, matando cinco pessoas e ferindo mais de 30. Helenice, lançada fora do carro, foi hospitalizada, recuperando-se após ter ficado três dias em coma. Traumatizada, ela deixou de participar de corridas de grande prêmio passando a disputar apenas provas de ralis.

 

A corrida de São Paulo chegou ao fim com a vitória de Pintacuda mas o acidente causou grande agitação. Durante dias e dias não se falava de outra coisa. Por isso é que Helenice e Pintacuda são dois nomes que logo me vêm à cabeça quando se fala em Fórmula 1. Naquela época, quando alguém pisava exageradamente no acelerador era certo ouvir o comentário: “Está pensando que é o Pintacuda?”

 


Maria Helena Leonel Gandolfo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

Do mito de narciso às “carteiradas”: saiba com quem você está falando!

 

Por Simone Domingues
@simonedominguespsicologa

 

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foto: Pixabay

 

Na mitologia grega, Narciso era um herói reconhecido por sua beleza, mas era orgulhoso e tinha uma arrogância que ninguém conseguia modificar. Devido à tamanha beleza, Narciso era indiferente aos sentimentos alheios, vivia sozinho e desprezava as outras pessoas por acreditar que ninguém era merecedor de seu amor. Incorrigível, recebeu como castigo dos deuses apaixonar-se pela própria beleza, refletida num lago. Permaneceu ali, contemplando sua imagem, definhando até a morte.

 

O mito de Narciso simboliza a importância exagerada atribuída à autoimagem, o excesso de vaidade e a tendência a desvalorizar outras pessoas para manter a superioridade. Para os gregos os excessos ou aquilo que passasse da medida, que fosse exagerado, promovia o desequilíbrio nas condutas humanas e era um empecilho à virtude, a capacidade de agir com prudência e bom senso.

No Brasil, o comportamento de superestimação de si mesmo é frequentemente evidenciado em situações conhecidas como “carteiradas”, nas quais a ideia de superioridade é revelada pela conhecida frase: “você sabe com quem está falando?”.

Análises históricas e sociais buscam compreender os motivos pelos quais tal atitude parece tão enraizada em nossa sociedade. O antropólogo Roberto Da Matta, em entrevista recentemente publicada pelo portal G1, indicou o forte componente aristocrático da sociedade brasileira, avesso ao igualitarismo pelo desejo de manter privilégios, numa sociedade na qual ter privilégios é equivalente a não ter limites.

 

Na mesma reportagem, a historiadora Lilia Schwarcz avaliou que essa cultura da “carteirada” cresceu num ambiente em que historicamente poucos mandavam e muitos obedeciam:

“O sistema colonial e o esquema de capitanias hereditárias, o regime escravocrata que perdurou por mais tempo aqui do que em outros países, o coronelismo e o nepotismo político que confunde as esferas do público e do privado deram condições para a carteirada reinar”.

Na psicopatologia, o perfil caracterizado por um padrão de grandiosidade, necessidade de ser admirado e falta de empatia é compreendido como um transtorno de personalidade: o transtorno de personalidade narcisista. Esse transtorno, de causa ainda desconhecida, atinge aproximadamente 1% da população, sendo mais frequente em homens e pessoas mais jovens.

 

Pessoas com transtorno de personalidade narcisista superestimam suas habilidades, julgando-se superiores ou mesmo especiais. Há uma preocupação excessiva em serem admiradas por seus talentos, com supervalorização de aspectos como inteligência, beleza, poder e influência. A necessidade exagerada por admiração torna essas pessoas muito sensíveis às críticas, podendo reagir com raiva, desprezo e até mesmo de maneira agressiva. Suas atitudes frequentemente envolvem falta de empatia, arrogância e a ideia de que suas vidas são invejadas pelas outras pessoas, que são vistas como inferiores.

 

Ter uma boa imagem de si mesmo e confiança na capacidade de realizar coisas permite um relacionamento saudável conosco e com as demais pessoas. Mas como desde a antiguidade já alertavam os gregos, o problema está no excesso.

 

Confesso que algumas vezes já ouvi a frase “você sabe com quem está falando?” e, muitas vezes sem poder responder exatamente o que eu pensava, me fixava na resposta: “não sei, mas posso imaginar”.

 

Oh, Narciso! Mal sabia que aprisionado à imagem refletida para si mesmo, não compreendia que as águas para as quais olhava eram mais profundas.

 

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung