Conte Sua História de São Paulo: fui ao cinema com meu pai

 

Por Americo Hatto
Ouvinte da CBN

 

 

Fui apresentado ao mundo do cinema em 1996, aos oito anos. Hoje, posso dizer que foi uma apresentação de gala. Era o início de uma tarde de domingo, Logo depois do almoço, o meu pai disse-me que íamos sair, só nós dois, rumo ao centro de São Paulo. Morávamos em Santo Amaro e chegar ao centro era uma viagem. E um sofrimento para mim: o sacolejar do ônibus, misturado com o cheiro do diesel, invariavelmente, terminava com o meu estômago botando o almoço para fora. Aquele dia não foi exceção…

 

Bom, depois de mais de uma hora, o ônibus chegava ao ponto final, no Vale do Anhangabaú, em frente a Galeria Prestes Maia, onde havia um banheiro público, para o alívio da bexiga de um moleque.

 

Na mesma Galeria, subimos pelas escadas rolantes, naquela época ainda uma coisa rara em São Paulo, para sairmos na Praça do Patriarca e dai atravessarmos o Viaduto do Chá, passando pelo Mappin e pelo Teatro Municipal, para, em fim chegarmos a Avenida São João.

 

Até aquele momento o meu pai não havia me falado o que estávamos fazendo no centro…

 

Depois de uma caminhada pela São João, enxerguei várias pessoas numa fila que dobrava o quarteirão. O meu pai parou no fim da fila e só quando andamos um pouco mais vi o letreiro: “Comodoro Cinerama”. E o cartaz anunciava: “Nas Trilhas da Aventura”. Naquele momento soube que iriamos assistir a um filme no cinema.

 

Mas o que era um cinema?

 

Numa época em que não havia internet, celular ou qualquer outra facilidade, um moleque de oito anos, da periferia, jamais poderia imaginar o que era um cinema. A descoberta estava a caminho.

 

Compramos os ingressos na bilheteria e na antessala meu pai ainda me deu um drops Dulcora. Depois, sim, entramos na sala de cinema propriamente dita. Era enorme, vários assentos e uma imensa cortina vermelha diante de nós .
Alguns minutos depois, as luzes se apagaram e a cortina se abriu, revelando uma gigantesca tela em curva —- aquela era a maior tela de cinema de São Paulo.

 

As primeiras imagens apareceram, mas como os assentos estavam no mesmo nível, quase não dava para ver nada, só as cabeças das pessoas que estavam nos assentos à frente. Para piorar, o filme era legendado e aí não deu para entender quase nada da história.

 

Para um garoto de oito anos, porém, nada disso foi motivo de tristeza. Fiquei maravilhado, hipnotizado com as imagens que passavam na tela. Fui transportado para o velho oeste americano.

 

Lembro-me que o filme era longo e até teve um intervalo de uns 20 minutos no meio da sua projeção. Aí, foi uma correria ao banheiro e ao quiosque de guloseimas. Quando o filme terminou, a semente de cinéfilo havia sido transplantada em mim…

 

Assisti a vários filmes no Comodoro Cinerama junto com o meu pai e, mais tarde, por minha conta e risco. Descobri outras grandes salas no centro de São Paulo: República, Paissandu, Olido, Marabá, Art-Palácio e Metro. Tive o privilégio de ter vivenciado o final dos anos dourados dos cinemas de rua de São Paulo.

 

Americo Hatto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças e envie o texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Conte Sua História de São Paulo: você surgiu no alto de uma colina

 

Por Maria de Lourdes Souza Gonçalves
Ouvinte da CBN

 

 

Num belo dia de janeiro de 1554, você surgiu no alto de uma colina, onde hoje está a Praça da Sé.

 

O Colégio de Piratininga abrigava os sonhos de homens intrépidos como o jesuíta José de Anchieta e muitos outros que enxergavam uma grande metrópole além das misteriosas e densas florestas que circundavam o casebre de “quatorze passos de comprimento e doze de largura”

 

Às margens do rio Tietê — antigo Anhembi — foi criado o primeiro núcleo que viria a ter o seu nome: São Paulo. Outros foram criados um pouco mais além, tais como Guarulhos, Itaquaquecetuba, São Miguel, Mogi das Cruzes, Freguesia do Ó, Santana de Paraíba e Porto Feliz.

 

O rio testemunhou “in loco”o surgimento de uma grande cidade; e suas águas compartilharam das descobertas dos corajosos desbravadores que navegaram em busca de seus sonhos. O surgimento do café, também foi testemunhado pelo riu que viu florescer às suas margens os primeiros cafezais, fonte da futura riqueza do País.

 

Em 1860, as ruas eram sinuosas, de terra batida, cheias de casas de pau-a-pique. Com uma população de pouco mais de 20 mil habitantes, você sequer sonhava que um dia pudesse acolher milhões de pessoas, não é mesmo?

 

Nesta época, a discrepância social já era bastante visível, pois os mais abastados viviam nas ruas do Rosário, Direita e São Bento. A distância também consistia num grande problema, e só era contornada no aluguel de carros de bois. Bairros como Brás, Penha e Santo Amaro eram muito longe.

 

O marco da cidade que se situa no centro da Praça da Sé, também assistiu a sua história. Sob o seu olhar, o meio de transporte, outrora precário, sofreu melhorias, tanto que em 1865, foi criado o primeiro sistema de transporte oficial. As ruas receberam um tratamento especial, pois, afinal, por elas passavam figuras ilustres, que colaboraram com o desenvolvimento e a cultura desta cidade.

 

Como uma mãe generosa, você recebeu, em 1899, The São Paulo Tranway, Light Power Co.Ltda. Seus dirigentes vaticinaram que você prosperaria. E eles estavam certos.

 

O começo do século despontou turbulento. Os saraus promovidos nas casas elegantes e ricas contratavam com a miséria na qual muitos viviam.

 

Nesta época já trafegavam pelas ruas os “românticos” bondes elétricos.

 

Quando os imigrantes aqui chegaram, trazendo em suas bagagens o sonho de uma vida melhor, a despeito dos percalços que muitos sofreram, você os abrigou, Mesmo trabalhando em condições precárias eles colaboraram na sua construção. E você, curiosa e culta, absorveu toda a sua cultura e tradição e as incorporou ao seu cotidiano.

 

A despeito dos pequenos movimentos trabalhistas que começavam a despontar lentamente, já em 1901, você abrigava em seu território, 108 indústrias, sendo 70 estrangeiras e 38 brasileiras.

 

Você viu surgirem os sindicatos e seus líderes, ansiosos por tomar um pouco mais dignas e humanas as relações trabalhistas.

 

A grande greve de 1917 paralisou a cidade. Cerca de 45 mil trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho, haja vista que o tratamento imputado à eles nas fábricas era extremamente desumano.

 

Você distribuiu aos desempregados a famosa “sopa de pães”, numa medida paliativa para conter as massas.

 

Por outro lado, enquanto os trabalhadores lutavam por seus direitos, a indústria prosperava, pois em 1920 você figurava como primeiro centro fabril do País, conforme censo realizado neste mesmo ano.

 

Você estendeu seu território além da Várzea do Carmos. Nos bairros do Brás, Pari, Barra Funda, Água Branca e Lapa, surgiram algumas indústrias.

 

Naquela época, você já compartilhava com o seu povo o drama das enchentes como as de 1906 e 1929/

 

Em 1930, inicia-se a Era Getúlio Vargas. Bem mais usa já é uma outra história.

 

Maria de Lourdes Souza Gonçalves é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Sua Marca: não espere os 365 dias do ano para avaliar sua estratégia

 

“O mundo tem pressa, errar por muito tempo pode ser fatal para a sua marca” — Cecília Russo

O fim de ano chega e o momento é propício para se fazer um balanço das coisas que deram certo, dos erros cometidos e dos resultados alcançados.. É comum que isso ocorra entre empresas, marcas e pessoas. No entanto, os processos são muitos mais velozes atualmente, por isso Jaime Troiano e Cecília Russo alertam para os riscos que corremos ao deixarmos para fazermos essa avaliação apenas após 12 meses transcorridos. Esse foi o tema da última edição do ano de Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

 

Para não perder tempo nem mercado, as marcas bem sucedidas tem se preocupado em formar times com capacidade de solucionar problemas, reverter questões e pensar inovações com agilidade. Independentemente do tempo que você reserve para avaliar o que foi realizado na sua empresa e as estratégias implantadas, Jaime Troiano lista perguntas que devem ser feitas a todo instante:

Qual a iniciativa da qual nos orgulhamos?

 

O que mais trouxe resultado para a minha marca?

 

O que atrapalhou a minha marca?

 

O que eu teria feito diferente?

 

O que eu poderia ter evitado?

Responder a essas perguntas ajuda a planejar melhor e para que a estratégia dê certo é preciso monitorar essas respostas ao longo de todo o ano, sugere Cecília Russo, sem jamais confundir velocidade com atropelo. Como já disse Henrique Meirelles, quando assumiu o ministério da Economia: “vamos devagar, porque nós temos pressa”.

 

Para fechar essa conversa, Jaime Troiano deixa um desejo:

“Usemos as 365 chances que temos de ter uma ano mais harmonioso entre as pessoas que a gente gosta e entre as pessoas que a gente ainda vai conhecer”.

E o Sua Marca, deixa uma pergunta:

O que você teria feito diferente em 2019 que pode mudar em 2020?

Sua Marca: lembre-se que tem um presente de Natal esperando você

 

Sua Marca Livro

No fim de semana, a gente já havia contado para você que o nosso presente de Natal este ano era um livro (e-book), de graça, sobre gestão de marcas, escrito por Jaime Troiano e Cecília Russo. Nesta segunda-feira, quando o Natal está logo ali, volto a lembrá-lo desse presente e aproveito para reproduzir o prefácio que escrevi para meus colegas do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN. Sei que um texto que tem diabo no título pode não ser muito apropriado quando falamos de Natal, mas você haverá de entender os motivos que me levaram a cita-lo. A propósito, no fim do texto, tem o link para você baixar e aproveitar nosso presente de Natal.

“O DIABO SABE MAIS POR VELHO DO QUE POR DIABO”

 

Um passeio pelos escritórios de empresas no Brasil e um tempo para a boa conversa com alguns de seus colaboradores são suficientes para enten- dermos que muita gente está descontente. Nem preciso ir muito longe, basta estar atento às mensagens que recebo diariamente na rádio CBN quando o assunto é o mundo corporativo e suas variantes. É evidente que a falta de respeito com as pessoas ainda persiste e a gestão por pressão, cobrança e castigo resiste a todo o conhecimento desenvolvido de que ambientes saudáveis tendem a produzir mais e melhor. Uma agravante é que hoje esse desrespeito começa ser visto como um sinal de que o líder não é ético ao agir, e isso pode contaminar as relações internas e externas da empresa e da marca.

 

Se há uma forma de corrigir essa distorção, não tenho dúvida de que co- meça pela comunicação eficiente. De todas as competências necessárias para liderar empresas, grupos de trabalho e a sua própria carreira, a comu- nicação é a mais necessária, haja vista o resultado de diversas pesquisas de comportamento e os critérios que recrutadores usam na contratação de profissionais. A comunicação é a principal habilidade não técnica exi- gida pelas empresas, pois o colaborador que não souber se comunicar de maneira assertiva e respeitando o outro está fadado ao fracasso.

 

Começo esta nossa conversa pela comunicação porque é o conhecimento para o qual me dedico há quase 35 anos – a serem completados agora em 2020. E também porque aprendi com meu pai, jornalista de mão-cheia, que o “diabo sabe mais por velho do que por diabo” e, portanto, sinto-me mais à vontade de abordar o tema da comunicação em lugar de me ema- ranhar na área do Branding, na qual Cecília Russo Troiano e Jaime Troiano já fazem suas diabruras há bastante tempo e saberão destrinchar com ex- celência nas próximas páginas.

 

Há quatro passos básicos para você encarar com eficiência qualquer pro- cesso de comunicação que deparar, quer seja uma entrevista de empre- go, uma reunião de trabalho, uma entrevista a jornalistas, uma palestra aberta ao público ou mesmo uma DR em casa – não tem jeito, em algum momento teremos de enfrentá-la. Essas regras valem também para quem pretende escrever um livro.
Vamos a elas:

1. Somente entre em uma conversa se tiver certeza da mensagem que pretende transmitir, portanto planeje seu discurso, selecione as informa- ções mais importantes e dê uma hierarquia a elas, para saber quando e em que ordem usá-las.
2. Tenha em mãos todos os dados que possam ser necessários, tais como números, frequência e quantidade – conforme o assunto – sem esquecer de dar a esses suas reais dimensões e ilustrá-los de maneira que seu inter- locutor enxergue o que você está dizendo.
3. É essencial falar a língua do seu público, eliminando jargões de sua área e adaptando o vocabulário à realidade do outro para gerar empatia.
4. E, finalmente, conte uma história – somos muito mais propensos a prestarmos atenção em narrativas que tenham lógica e sejam humaniza- das do que a conceitos científicos.

Neste livro, Jaime Troiano e Cecília Russo nos convidam a uma conversa sobre gestão de marcas e enquanto caminhamos ao lado deles, em cada um dos capítulos, vamos perceber o cuidado que têm em fazer deste um passeio agradável em que histórias, conhecimento e experiência se mis- turam – muito parecido com o que já nos acostumamos a ouvir no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, quadro que levamos ao ar todos os sábados, às 7h55, no Jornal da CBN e está disponível também em podcast.

 

Os casos que vivenciaram na construção de algumas das marcas mais co- nhecidas e valorizadas do Brasil estarão descritos a seguir e nos ajudam a visualizar a inteligência que os autores desenvolveram ao longo de suas vidas profissionais – ricas e diversas, pois se formaram em distintas áreas, como a psicologia, a sociologia e a engenharia química, além de terem se especializado em tantos outros temas, tais como consumer insights, pes- quisa, antropologia, filosofia e comportamento do consumidor.

 

Quando percebem que é difícil de se desvencilhar de expressões típicas das áreas em que atuam, têm o cuidado de nos oferecer ao pé do capítulo uma interessante Brandpedia, na qual traduzem de maneira mais clara o termo aplicado, e nos deixam mais confortáveis para seguir a caminhada ao lado deles.

 

Nada mais tem a cara e a criatividade do Jaime e da Cecília, porém, do que as frases que pautam as histórias e o conhecimento a serem desenvolvidos. Quan- do leio que “marca não é tapume” ou que “o consumidor diz o que pensa, mas faz o que sente”, ou qualquer uma das 20 frases que abrem cada um dos capí- tulos, é como se revivesse nossas conversas no estúdio de gravação – mesmo as que ocorrem fora do ar.

 

Repetidas à exaustão desde 2014, quando começamos a apresentar juntos o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN, essas frases que poderiam ser apenas “lugar-comum” transformaram-se em lições de Branding, que jamais podem ser esquecidas por todos que têm de cuidar da sua marca – seja um empresário ou um empreendedor controlando o seu próprio negócio, seja um jovem aven- tureiro ou um unicórnio no mundo das startups, seja o vendedor de pipoca na esquina da escola ou alguém que costura para fora.

 

A comunicação eficiente é a marca que faz deste livro um sucesso.

 


Baixe aqui o livro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso — 2020 em 20 ideias

 

Conte Sua História de São Paulo: um bilhete de Natal

 

Por Alceu Sebastião Costa
Ouvinte da CBN

 

 

Após a noite bem dormida e o banho privilegiado, entrego-me à rotina costumeira das manhãs. Ingeridos os remédios do tratamento do Mal de Parkinson, abstenho-me do café com pão e manteiga, ao menos por ora. Hoje, não irei ao escritório. Portanto, oferecerei minha companhia a Elisabeth, durante o seu desjejum. Ela não é madrugadora como eu. Aliás, nem o sono nem o café são as minhas prioridades. Estas o são, sim, meu recolhimento solitário, compulsando meditativo algum escrito, vezes de minha própria lavra, bem como criando versos, como saudável terapia.

 

Neste momento, tenho nas mãos um pedaço de papel, que ontem, à noite, desenterrei literalmente do fundo do baú. Melhor, do fundo do “malão”. Aquele mesmo “malão”, uma bolsa de couro de porte avantajado, que eu usava nos meus idos acadêmicos como simulação de aluno aplicado, transportando pilhas de livros. Hoje, o velho “malão” companheiro tem serventia apenas para a guarda de documentos de uso esporádico ou emergencial. E foi daí que resgatei o tal pedaço de papel, metade da folha de agenda do dia 20 de dezembro de 1988.

 

Mas para que serve um simples pedaço de papel guardado por anos a fio? Certamente, para a faxineira, que acaba de chegar, mais um traste para o lixo. Analfabeta, mesmo que soubesse ler, jamais alcançaria a profundidade do texto nele manuscrito por mim, com a finalidade de levar um pouco de conforto a um grande amigo.

 

Antes de prosseguir, eis a transcrição:

 

“Se o lume é de boa têmpera, suporta a fúria da procela qual simples roçar da mais suave brisa e sua chama jamais se apaga.”

 

Afasto uma lágrima teimosa e prossigo nos meus devaneios. No rodapé, uma nota telegráfica:

 

“P/MP/cartão de Natal nesta data.”

 

Traduzindo: este texto foi a minha mensagem no cartão de Natal para Milton Pagliaro, em 20 de dezembro de 1988

 

Realmente, posto que não somos eternos, o meu amigo calabrês manteve a chama da esperança acesa por um longuíssimo período, desafiando a morte até o derradeiro instante, tomado pela metástase incontrolável.

 

Não fosse a sua vida pautada na retidão de conduta, principalmente no lado profissional, e na postura regrada nos princípios da disciplina, diria que os mais de dez anos de luta contra o câncer seriam o bastante para fazer dele uma pessoa admirável.

 

Com frequência, ouvia suas referências à inspiração de nossas palavras para a elevação do seu ânimo diante da briga tão desigual. Mais que a lisonja só a inspiração Divina que fez de nós o Seu instrumento.

 

Circunstancialmente, esse pedaço de papel retornou às minhas mãos, aflorando as boas lembranças do calabrês. Curioso é que, concomitantemente, encontrei também a cópia de uma crônica de minha autoria publicada no jornal “A Cidade”, de São Carlos, em 11 de abril de 1963, quando cursava o 2º ano Colegial do Seminário. Espantoso tratar-se de um escrito com o título “Lembra-te de mim quando chegares ao teu reino.” Noto que ambos os textos em referência focalizam a questão do sofrimento físico. Obviamente, sem comparativos, mas um e outro convergem para a simbologia do ritual de passagem desta para a outra vida, cuja expectativa por si só é o alimento para afugentar o desespero.

 

Sei que Deus nos dando bons guias aumenta muito a nossa carga de responsabilidades e de provações.

 

Que os agraciados com o Reino Celestial não nos faltem!

 

SAÚDE, AMADO AMIGO CALABRÊS!
(Obrigado, Sampa, pelas amizades, que só me fizeram crescer)

 


Alceu Sebastião Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Sua Marca: um livro de graça é o nosso presente de Natal

 

 

“Frases marcam muito e ajudam as pessoas a amplificar um conceito; às vezes, você guarda um conceito a partir de uma frase de alguém” — Cecília Russo

A partir de 20 frases que marcaram as nossas conversas ao longo desse último ano, Jaime Troiano e Cecília Russo produziram um livro que nos ajuda a entender alguns dos principais conceitos da gestão de marcas. “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso 2020 em 20 ideias” está disponível no formado e-book e de graça para os ouvintes da CBN.

  

 

Ao longo dos três anos em que o quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso está no ar, nas edições de sábado do Jornal da CBN, os ouvintes depararam com uma série de frases e histórias contadas por Jaime Troiano e Cecília Russo. Uma das primeiras frases que foram ao ar, repetida à exaustão, é a que alerta para o fato de que “marca não é tapume” —- e com isso Jaime e Cecília chamam atenção para o risco de gestores acreditarem que o branding pode esconder as mazelas de uma empresa, produto ou serviço.
 

 

Sua Marca Livro

  

 

“Marca sem propósito é marca sem alma”, “nunca jogue o bebê fora, junto com a água do banho” e tantas outras frases com as quais os ouvintes já se familiarizaram são a inspiração para 20 artigos que ajudam empresários e empreendedores —- independentemente do tamanho que tenham — a planejar melhor a construção de sua marca. Todos os capítulos trazem também um Brandpedia, que explica as expressões técnicas usadas na gestão de marca e torna mais simples os conceitos trabalhados.

  

 

Aproveite este presente de Natal do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Acesse o link e baixe o e-book. Depois, compartilhe com a gente a sua impressão e envie perguntas para marcasdesucesso@cbn.com.br ou para milton@cbn.com.br

  

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN. O programa também está disponível, em vídeo, no canal da CBN no You Tube e em podcast.

Sua Marca: não seja refém dos algoritmos

 

 

“Marcas que se apoiam em estratégias criadas com algoritmos não podem ser reféns do passado” —- Jaime Troiano

O uso de algoritmos, a identificação dos hábitos e o armazenamento de dados do consumidor podem se transformar em armadilhas para os gestores de marcas, levando-os a repetir sempre as mesmas estratégias e limitando a possibilidade de se oferecer novos produtos e serviços. O alerta é de Jaime Troiano e Cecília Russo em conversa com o jornalista Mílton Jung, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN.
 

 

Cecília concorda com a ideia de que nossas histórias e hábitos criam trilhas que costumamos percorrer e, portanto, olhar pelo espelho retrovisor pode ser um farol do futuro. Mas é preciso ter visão para que novos caminhos sejam abertos e o consumidor tenha a possibilidade de conquistar algo que ainda não tenha imaginado:

“O papel do algoritmo é importante mas precisamos deixar uma janela aberta para projetar a inovação”.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

 

Conte Sua História de São Paulo: estudei na faculdade em que vendi tapioca

 

Por Silas Nunes Souza
Ouvinte CBN

 

 

Nasci em 1990, na cidade de Itabuna, ao sul da Bahia. De lá, fomos para Formosa do Rio Preto, onde meus pais venderam roupas em barracas na feira da cidade. Pouco tempo depois, tivemos de mudar para um vilarejo, fomos morar de favor com minha avó. Meu pai sofria de depressão, as dificuldades financeiras se acumulavam e minha mãe decidiu buscar ajuda médica em São Paulo. Eu fiquei com algumas pendências para resolver na Bahia. Só pude me juntar a eles, em dezembro de 2005.

 

Foi uma alegria enorme reencontrar a família, que, neste momento, já havia alugado um cômodo no Capão Redondo. Com 15 anos, distribui currículos e consegui o primeiro trabalho com um morador do bairro. Eu ajudava nas vendas de tapioca em frente a uma universidade, na Chácara Santo Antônio. Ainda no ensino médio, eu falei para mim mesmo que um dia estudaria naquela Universidade.

 

Um ano depois, pela graça de Deus, comecei a trabalhar em meu primeiro emprego registrado – uma grande empresa de material para construção. Naquele momento nossa vida começou a mudar: alugamos uma casa maior; meu pai havia melhorado da depressão e trabalhava como vendedor ambulante; e minha mãe vendia as miudezas para clientela dela.

 

Nos deparamos com a oportunidade de comprar um terreno, com parcelas baixas que caberiam em nosso orçamento. Porém, devido a entrada que pagamos, tínhamos apenas um cartão de crédito com R$ 500,00 de limite. Fomos a uma loja de material de construção para comprar algumas coisas e iniciar um cômodo. Ao fim da compra, tudo custo R$ 1.500,00. Tínhamos mais fé do que dinheiro. Passamos o cartão assim mesmo, e por incrível que pareça, o valor foi aceito. Um grupo de pessoas que não nos conhecia se ofereceu para nos ajudar a erguer a casa, recebemos doações de amigos e familiares para compra de mais materiais e em incríveis 14 dias estávamos mudando para nossa casinha, ainda mal-acabada. Entramos orando, chorando e agradecendo a benção de Deus em nossas vidas.

 

De um emprego a outro, arrumei dinheiro para pagar minha faculdade. E me matriculei na mesma Universidade que um dia havia trabalhado na porta. Orei a Deus para que me ajudasse na mensalidade do curso, e Deus mais uma vez me respondeu: os dois últimos anos da faculdade e mais seis meses da minha pós-graduação foram pagos pela empresa na qual trabalhava.

 

Em 2015, conheci um projeto cristão de voluntariado no sul da Inglaterra, no qual não precisaria pagar pela hospedagem nem pela alimentação. Passei no processo seletivo e em março de 2016 embarquei, onde fui recepcionado por um grupo de sete brasileiros, todos falando inglês e se apresentando como se fossem de outros países. A única que não me enganou foi uma morena formosa que disse ser francesa. Mas pelo sotaque, logo descobri que era uma nordestina arretada. Com um pouco mais de conversa, descobrimos que tínhamos muito mais em comum: a idade, a profissão e, pasmem, ela também havia nascido em Itabuna. O resultado disso tudo, estamos noivos.

 

De volta para o Brasil, estou agora em uma empresa fantástica, o Grupo Gaia, que a cada dia me surpreende com seus valores. Muitas coisas aconteceram em minha vida, a maioria destas aqui em São Paulo. Nem sempre eu entendia ou sabia o porquê. Mas acredite existe um propósito para tudo nessa vida. No mais, eu sigo sonhando e crendo que tudo é possível. Sonhar é viver para ver!

 

Silas Nunes Souza é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

Sua Marca: o propósito está na origem da sua empresa

 

 

“O propósito é algo que conecta o passado com a vivência do presente e ilumina o projeto de futuro” —- Cecília Russo

Marcas e pessoas têm discutido como nunca a necessidade de encontrar o seu propósito, pois descobriram que essa resposta tem o poder de engajar profissionais, reter novos talentos e impactar o cliente. No entanto, muitas organizações erram ao tentar criar em lugar de escavar na sua história o seu verdadeiro propósito. Cecília Russo e Jaime Troiano, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, sugerem que as empresas busquem o propósito na origem e nos sonhos do fundador.

 

“O propósito não é o perfume que se coloca em uma flor, é a fragrância que nasce dela própria”, descreve Troiano. Ele comenta que é preciso muito cuidado para não se confundir esse conceito com a missão, a visão e os valores de uma empresa. E explica: a missão é aquilo que nós sabemos fazer bem, a visão é para onde vamos e o valor é o que nos pauta no dia a dia.

 

Frase secular de Aristoteles diz que nossa razão de ser é encontrada no momento em que as autênticas qualidades de uma pessoa se cruzam com as necessidades do mundo. Isso, por exemplo, é o que tem movido as novas gerações que abrem mão de uma série de vantagens e às vezes até de uma remuneração maior para trabalhar em empresas com as quais se identificam e acreditam que podem transformar a sociedade positivamente.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado por Mílton Jung, com os comentários de Jaime Troiano e Cecília Russo, e vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN.