Conte Sua História de São Paulo: sapato e bolsa combinando para passear no centro

 

Por Elvira Pereira

 

 

Parabéns São Paulo! Cidade em que nasci e que tanto amo! Como dizia Fernando Pessoa: “o Tejo não é mais bonito do que o rio que corta a minha aldeia” Para mim, São Paulo é a mais bela cidade do mundo!

 

Filha de portugueses, nasci no Bairro do Brás, na Rua Piratininga, há 75 anos. Depois nos mudamos  para o Tatuapé, onde vivo até hoje. Todo ano, ao se aproximar as comemorações do aniversário de São Paulo, faço uma retrospectiva, uma viagem interna com direito a escala nos anos 1960.

 

Éramos de família de poucos recursos — meus pais e três filhas. Nosso sonho de consumo era ir à cidade, como se dizia na época. E ninguém que se preze ia desarrumado. Vestíamos nossa melhor roupa, que não era de grife, combinando a bolsa com o sapato. E lá íamos pegar o bonde Praça Clóvis, na Avenida Celso Garcia.

 

Descendo na praça, seguíamos a pé até a Rua Direita com destino às Lojas Americanas,  que era a apoteose do passeio. Mais precisamente, a lanchonete ao fundo da loja. Ah!… aquele cachorro quente ! Ainda sinto o aroma e o sabor do delicioso molho de tomate com pimentão e cebola. Inigualável. 

 

Dando continuidade ao nosso “tour”, seguíamos até o Mappin, com suas lojas de departamento. Ainda ouço a voz do ascensorista, parando em cada andar, abrindo a porta de grades do elevador com as mãos enluvadas, anunciando  os produtos.

 

Após o Mappin, um giro pela Praça da República, que era melhor cuidada e frequentada. Depois o retorno para casa, também de bonde com a sensação de quem fez uma viagem inesquecível.

 

Lembranças que na verdade são carícias congeladas em nossos corações.

 

Elvira Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.

CBN SP estará no Parque da Luz, nesta sexta

 

O Parque da Luz é o mais antigo da cidade de São Paulo e foi escolhido para ser o cenário da segunda reportagem da série “Parques da Cidade”, que se iniciou nesta semana no CBN SP. A Cátia Toffoletto estará, ao vivo, conversando com frequentadores, personagens e gestores para levar ao ouvinte-internauta o que o local oferece ao paulistano.

Entregue em 1825 como Jardim Botânico transformou-se no primeiro espaço de lazer da cidade. Porém, o desinteresse do governo pela área fez com que passasse a ser usado como pasto de gado. Nos 212 anos de vida, o Parque da Luz teve longos períodos de degradação, tendo sido reintegrado ao cotidiano de São Paulo apenas após os anos de 1970. O parque tem sido visto como um museu aberto pelo número de obras de arte que estão em seu interior.

A série “Parques da Cidade” se iniciou terça-feira quando Cátia Toffoletto visitou o parque da Água Branca, na zona oeste. Você pode acompanhar as entrevistas que foram ao ar no CBN SP na página especial no site da CBN, além disso pode colaborar enviando fotos de outros parques e praças da capital que irão compor o álbum digital do CBNSP, no Flickr

Mande, também, para o e-mail milton@cbn.com.br sugestões de locais para serem visitados pela Cátia Toffoletto.

Parque da Água Branca abre série de reportagem, ao vivo

 

As condições dos parques públicos para receber os visitantes nas férias, na cidade de São Paulo serão avaliadas pelo cidadão, em uma série de reportagens ao vivo que começa, nesta quarta-feira, no CBN SP. A Cátia Toffoletto estará no Parque da Água Branca, zona oeste da capital, e conversará com os frequentadores e administradores do local. A intenção é ouvir deles quais são os principais atrativos para o cidadão e mudanças que poderiam ser implementadas.

O Parque da Água Branca é um dos mais antigos da cidade, foi criado em 1929, e está de frente para a avenida Francisco Matarazzo. Com um terreno privilegiado de cerca 130 mil m2, boa parte tomado por árvores e vegetação, é uma das poucas áreas ainda preservada no distrito da Barra Funda. A administração dele é do Governo do Estado e tem sido alvo de críticas por mudanças que estão sendo implementadas.

Os ouvintes-internautas vão escolher o próximo local a ser visitado pela Cátia Toffoletto. A partir de hoje, envie e-mail para milton@cbn.com.br sugerindo o nome do parque ou praça, aqui na cidade, que você gostaria que a reportagem da rádio CBN fizesse uma reportagem, ao vivo. Não deixe de sugerir atrações e contar o que você mais gosta de fazer nestes lugares.

Conte Sua História de SP: Brincadeira de criança

 

Roberto Samuel da Silva nasceu em 1962 em Alvorada do Sul, Paraná. Mas é a cidade de São Paulo, em especial o bairro Jardim Japão, que povoa suas memórias de infância. Para relatar essas lembranças, ele escreveu ao Museu da Pessoa em agosto de 2010.

Ouça o texto de Roberto Samuel da Silva sonorizado por Cláudio Antônio

Chegamos a São Paulo num dia frio e de muita garoa no ano de 1968, não sei em que mês. Viemos de trem da cidade de Alvorada do Sul, Paraná. Lembro-me pouco da viagem. Tenho uma vaga lembrança do trem. Na verdade, não sei se são lembranças ou histórias que meus pais contaram depois. Dizem que, durante a viagem, eu saí andando pelos vagões e teria me perdido. Meu irmão, João, é que me encontrou “vagando”.

Fomos morar no Jardim Japão, na rua Nigata. Acho que, na época, o povo chamava essa rua de Niagata. Ali passei minha infância e fiz meus primeiros amigos. Lembro-me do senhor Zacarias. Ele trabalhava em uma grande fábrica de pneus e me ensinou a torcer pelo Santos Futebol Clube. Esse senhor tinha três filhos e uma filha: Carlos, o mais velho, depois o Airton, o filho do meio, apelidado de Tito e o Rui, o mais novo dos meninos. A menina era a mais nova, chamava-se Sonia. Ela tinha a mania de chupar os dedos indicador e médio. De tanto chupá-los, ela ganhou duas verrugas neles. Ouvi essa história da matriarca dessa família, Dona Isolina. Achava-a bonita, no entanto, não lembro mais de seu rosto.

Eu era um “televizinho” deles, ou seja, um sujeito que não possuía televisão e ia à casa do vizinho para aproveitar um pouquinho daquela maravilha. Era uma TV da marca Telefunken.

Com mais ou menos a minha idade, havia uma garota chamada Marlene e um garoto chamado Cido. Brincávamos nas ruas e na enorme praça. Aliás o pai do Cido, “Seo” João, era vigilante e morreu, durante o serviço, no início dos anos 70, não lembro se foi de enfarte ou derrame. O então menino chorou muito. Coube à dona Maria Teixeira (lembrei do nome dela) conduzir a vida. Essa família era muito amiga da nossa.

Minha primeira escola foi a Escola Imperatriz Leopoldina, até hoje na rua Togo. Ali estudei até o quarto ano do primário. Dessa fase, guardo o nome de apenas duas professoras: Cecília, minha primeira mestra, e Sonia Agosto, a professora do segundo ano primário. Ah, havia também a toda poderosa diretora: Dona Ada.

Falando nisso, dia desses aconteceu algo muito estranho. Eu estava tomando uma cerveja com um amigo, hoje secretário de Esporte de Guarulhos, e falávamos do passado quando ele revelou que estudou nessa escola, na mesma época que eu, e era morador da rua Osaka, rua paralela à minha querida rua Nigata. Incrédula, pedi que ele dissesse o nome da diretora e confirmou: “Dona Ada”. Lembrou inclusive do “grande” porte físico que nos parecia ainda maior quando sua poderosa voz ecoava pelos corredores da escola.

A história parece-me ainda mais inverossímil quando esse meu amigo revela: “Morava ao lado da fábrica de balas”. Eu vivia por ali. Apenas para constar, todas as balas tinham o mesmo sabor: eram de açúcar puro, apenas açúcar. Mas havia papéis de várias cores e com desenho de diversas frutas. Um verdadeiro engodo. Mas eu olhava para o papel cheio de desenhos de abelhas e sentia o sabor de mel. Para complementar a renda familiar, era comum as pessoas pegarem essas balas para embalar em casa. Havia uma família na rua Osaka, com muitas crianças, que embalavam as balas e também ensacavam figurinhas.

Lembro-me do início das obras do Praça Oyeno, situada no centro do bairro e em frente à minha casa. Minha mãe chegou a fazer lanches e vender aos trabalhadores da obra, mas não deu muito certo. O parque ficou muito bonito. Muitas árvores foram plantadas e tinha até minas de água. Ele começava na avenida das Cerejeiras, seguia até próximo à rodovia Presidente Dutra. O lugar era bonito, pois as transportadoras ainda não tinham se instalado naquela região.

Morei também um tempo em uma casa da avenida das Cerejeiras. Foram tempos de muitas dificuldades. Meu pai lutava muito, éramos oito. Meu irmão João casou pouco depois de chegarmos a São Paulo e foi morar na Vila Maria Baixa, perto da avenida Guilherme Cotching. Apenas meu pai trabalhava. De vez em quando faltava alguma coisa, o feijão, a carne, o pão… Minhas irmãs, a Cida e a Cícera, começaram a trabalhar muito cedo para ajudar. Tenho um carinho e um respeito muito grande por elas. Se você acha que hoje existe exploração, nos anos setenta havia muito mais.

Em 1974, deixamos São Paulo e mudamos para a cidade de Guarulhos. Perdi o contato com meus amigos de infância e com os vizinhos. Tentei, ainda manter contato, mas meus amigos ficaram no passado.

Você participa do Conte Sua História de São Paulo enviando seu texto para o site do Museu da Pessoa ou agendando entrevista para gravar seu depoimento em áudio e vídeo

Pauta do dia no #cbnsp

 

Greve dos professores, no Masp Foto Marcos Paulo Dias, ouvinte-internauta

A morte do cartunista Glauco e a greve dos professores no Estado de São Paulo foram destaques na edição desta sexta-feira do CBN SP.

Violência – Glauco e o filho foram assassinados de madrugada na cidade de Osasco, na Grande de São Paulo. A família diz que eles foram vítimas em um assalto na casa em que moram, enquanto o Boletim de Ocorrência fala em execução. Polícia já tem foto e nome do suspeito pelo crime. Atualize aqui as informações sobre a morte do cartunista e o filho dele.

Greve dos professores
– Haverá assembleia e passeata dos professores estaduais em greve desde a semana passada, em São Paulo. A dificuldade de acordo ficou evidente nas entrevistas que realizamos com a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, e com o secretário adjunto da Educação do Estado de São Paulo Guilherme Bueno.

Lixo – A Ecourbis, uma das concessionárias que trabalham na coleta do lixo na cidade de São Paulo, anuncia que tem prejuízo de R$ 3,5 mi por mês, em média, e terá dificuldade para continuar prestando serviço na capital. A entrevista foi com o presidente da empresa Ricardo Acar.

Meio Ambiente – Os jovens dizem que o nível de informação sobre as questões ambientais é bom na escola e dão nota 7, segundo estudo da Unicef em comunidades de São Paulo. Por outro lado, os líderes comunitários identificam que os moradores ainda não cuidam do meio ambiente como deveriam e dão nota 3. Para analisar esta relação das pessoas com o ambiente urbano entrevistamos Tida Cavalcante, agente ambiental da zona leste e da Associação de Amigos da Pedro Nunes.

Pauta do dia no #cbnsp

 

CBN SP A violência no trânsito de São Paulo apontada em estudo da Fundação Seade foi um dos destaques do CBN SP desta quinta-feira. Mas foi o projeto de lei que impõe pagamento de 20% de gorjeta em bares e restaurantes, após às 11 da noite, que mais provocou discussão entre ouvintes-internautas.

Acompanhe algumas das pautas do dia:

Consumidor – A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou projeto de lei em caráter terminativo – vai direto para a Câmara – que prevê a cobrança de 20% de gorjeta. O texto também determina que este valor faça parte do cálculo para férias, incluindo o adicional de 1/3, bem como do 13º salário, do FGTS e de outros direitos legais. O presidente da Associação Comercial de São Paulo Alencar Burti disse que a proposta é populista e prejudica o setor. Ouça a entrevista completa que foi ao ar no Jornal da CBN.

Trânsito – Sinalização, educação e punição são três dos caminhos que a cidade deve adotar para reduzir o número de pessoas que morrem no trânsito de São Paulo. A avaliação é do doutor em planejamento de transportes e logística pela Universidade de Illinois Paulo Resende que comentou estudo da Fundação Seade sobre a violência na capital. Em 20 anos, 150 mil pessoas morreram vítimas do trânsito. Morrem, em média, 20 pessoas por dia. Ouça a entrevista de Paulo Resende

Sinal de descasoTrânsito – A falta de sinalização ou a sinalização precária foram assuntos em reportagem de Cátia Toffoletto que esteve vistando pontos da cidade onde o problema ocorre há algum tempo. A falta de faixas horizontais nas pistas prejudica o tráfego e pode provocar acidentes de trânsito. Cátia chamou atenção, também, para bueiros que estão sem tampa e podem causar prejuízos aos motoristas. Ouça a reportagem da Cátia

Pauta do dia no #CBNSP

 

CBN SPA partir desta semana você terá aqui no blog acesso às entrevistas realizadas pelo CBN São Paulo. É só clicar, ouvir, opiniar e replicar:

Fórmula Indy – A cidade de São Paulo investiu R$ 12 milhões para a realiação da Fórmula Indy no próximo fim-de-semana. O presidente da SPTuris Caio Luiz de Carvalho explicou que a prova não ocorre no autódromo de Interlagos porque o contrato com a Fórmula Um impede.

Cidadania – A webcidadania é um dos temas em discussões na Conferência Internacional das Redes Sociais que se realiza em Curitiba, de 11 a 13 de março. O integrante do Movimento Voto Consciente Henrique Parra Parra explicou na conversa com o CBN SP sobre a importância do uso da internet na mobilização da sociedade.

Educação – Projeto social prepara os adolescentes para usar a comunicação como insturumento de mobilização comunitária. O CBN SP entrevistou Rafael Lira, educomunicador e coordenador de Participação Juvenil da ONG Viração


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