Avalanche Tricolor: lições da estreia

Ceará 3×2 Grêmio

Brasileiro – Arena Castelão, Fortaleza CE

Vanderson é destaque na foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Nossos jovens —- que preferimos chamar de guris —- têm sido exaltados nessa temporada que começou tarde, atropelada e muito disputada, em 2021. E por jovens ou guris que são, tanto devemos esperar momentos de exuberância quanto temos de estar prontos para assistirmos a ações descompassadas. 

Na estreia do Campeonato Brasileiro, tivemos os extremos da juventude em campo.

A jogada atrevida de Vanderson no fim do primeiro tempo, com uma puxada de ponta da chuteira e o giro sobre a bola, que deixaram os marcadores perdidos,  foi um desses instantes incríveis. Um lance que se perderia nos melhores momentos da TV não tivesse sido concluído com uma tabela rápida dentro da área com Matheus Henrique e o gol do nosso lateral direito.

Aquele início de segundo tempo, com Jean Pyerre, de cabelo descolorido  e sua nova camisa 88, metendo a bola onde o marcador não alcança, também foi genial. Melhor ainda foi ver Vanderson, mais uma vez, acreditar na roubada da bola quase fora de campo, na sua defesa, o que proporcionou o lançamento para Leo Chu, na esquerda, que saiu atrás, atropelou e superou o tranco do marcador para cruzar na área e encontrar o artilheiro Ricardinho —- que foi veloz e preciso na conclusão a gol.

Por outro lado, faltaram sorte e poder de decisão para Ruan em quem a bola desviou no pé no primeiro gol tomado e quem não a despachou como deveria no início do lance que resultou o segundo gol. Assim como faltou malícia a Brenno que se tivesse seguido na jogada teria boas chances de impedir o terceiro gol —- haja vista as defesas que já tinha proporcionado ao longo da partida, duas delas salvadoras.

O revés faz parte da construção da personalidade da gurizada. Aprender com erros e decisões mal tomadas é primordial. Que a a lição de casa seja feita para que possamos o mais rapidamente possível recuperar os três pontos perdidos na estreia do Brasileiro.

O exemplo dos cidadãos de Santana de Acaraú na semana em que os bárbaros atacaram a democracia nos EUA

Na mesma semana que a maior e mais longeva democracia do mundo era atacada por bárbaros que, seguindo as ordens de seu grande líder, invadiram de forma violenta o Capitólio, bem distante de lá, aqui no Hemisfério Sul, um grupo de cidadãos ocupava seu espaço no Palácio Legislativo Vereador José Ananias Vasconcelos —- o  título de palácio soa exagerado diante do tamanho do imóvel que abriga a Câmara Municipal de Santana de Acaraú, apesar de sua fachada em pedras escuras que destoam do padrão na cidade, mas segue o protocolo político no Brasil em que as casas que recebem os três poderes  tendem a ser assim reconhecidas.

Santana de Acaraú fica ao Norte do estado do Ceará, distante 228 quilômetros da capital, Fortaleza, e bem mais próxima de Sobral. Por lá moram cerca de 30 mil pessoas que, em novembro do ano passado elegeram o prefeito e seus 13 vereadores —- todos já empossados e trabalhando. Foi na sessão de sexta-feira, dia 8, único dia da semana em que o parlamento se reúne, provavelmente para não atrapalhar as funções profissionais que os vereadores seguem exercendo, quatro cidadãos santanenses se apresentaram na Casa e pediram direito a fala.

De máscara —- não para se esconder; para cumprir o protocolo sanitário —- o professor da rede pública Paulo Roberto, escolhido para falar em nome do grupo, foi ao púlpito, sacou do bolso um roteiro feito em papel e usou da arma mais poderosa que ele e seus colegas têm à disposição: a palavra. Sim, foi com palavras ponderadas ao mesmo tempo que firmes, respeitosas mas sem serem subservientes, que ele apresentou aos parlamentares o movimento cidadão que planejavam implantar desde o fim das eleições em novembro.

Inspirados no Adote um Vereador, criado em 2008 na cidade de São Paulo, os santanenses —- 16 deles até aqui —- se reuniram e assumiram o compromisso de fiscalizar os vereadores desta legislatura que se inicia em 2021 e vai até 2024. A intenção é que, coletivamente, monitorem os projetos apresentados, discutidos e aprovados, cobrem a presença efetiva dos parlamentares nas sessões em plenário e nas reuniões das comissões permanentes, observem se os vereadores estão exercendo seu principal papel, que é o de fiscalizar o Executivo ou estão apenas se beneficiando do próprio; e fiquem de olho se o dinheiro do Legislativo está sendo usado ou abusado. Aplaudido pelos vereadores ao fim da fala, o grupo ouviu mensagens de apoio e colaboração com o trabalho que estão iniciando.

Foi um encontro amistoso, como se espera continue sendo a relação entre os legisladores e seus representantes. Moderação é uma das quatro virtudes que Platão entende que devem ser harmônicas para que a justiça seja alcançada. Aos integrantes do Adote, em Santana de Acaraú — os que estão com o grupo desde o início e os que ameaçam juntar-se a ele —,  caberá exercitar as outras três virtudes da mesma forma, para que superem os obstáculos que virão —- tenham certeza, eles sempre aparecem. Coragem, sabedoria e a própria justiça também serão necessárias para o momento em que o interesse fiscalizador do grupo entrar em choque com os interesses paroquiais de vereadores.

Digo isso, porque a reação inicialmente positiva dos parlamentares não deve iludir os integrantes do Adote —- nem em Santana de Acaraú nem em qualquer outro canto deste país. A medida que se começa a expor a maneira como os temas de interesse da cidade são debatidos e votados, as intenções que movem as escolhas feitas pelos vereadores e, principalmente, como eles se comportam no exercício da função, haverá de surgir represálias, críticas e tentativas de divisão. É do jogo político, no qual os profissionais da política conhecem bem as regras e as artimanhas. Nós cidadãos estamos em processo de aprendizado. 

Uma questão que poderia ser debatida na cidade do interior do Ceará —- e levada a todos os demais municípios —- é o vencimento dos parlamentares que por lá beira os 7 mil reais, levando a Câmara a gastar cerca de 96 mil reais por mês somente com a folha de pagamento dos vereadores, conforme levantamento publicado no site da casa. Esse valor está muito acima da média salarial da cidade e supera o PIB per capita do município, que é de R$ 6.550,00, de acordo com dados do IBGE. Se o assunto vai para a pauta ou não, é uma decisão dos cidadãos santanenses, mas é um bom exemplo de como nem sempre os interesses pelo que é melhor para a cidade e as pretensões dos parlamentares estarão sintonizados nessa jornada.

Moderação, coragem, sabedoria e justiça serão virtudes a serem praticadas  diariamente para que a política — não aquela só feita por partidos e poderosos — se realize em comunidade.  A presença do cidadão na “praça pública” que deve ser a Câmara Municipal sinaliza que podemos exercitar a política de uma forma diferente, distante da intolerância que tem dividido o Brasil e resultou na violência contra a democracia americana. O Adote um Vereador em Santana de Acaraú é um sopro de esperança a todos que acreditamos na ideia de que o homem não se basta a si mesmo, está destinado a viver em sociedade, porque somos animais políticos por natureza —- como nos ensinou Aristóteles.

Avalanche Tricolor: Jean Pyerre é 10

Grêmio 4×2 Ceará

Brasileiro — Arena Grêmio

O 10 de Jean Pyerre na foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

 

“Temos camisa 10”, gritaram os torcedores nas redes sociais. Perdão, amigo! Sempre tivemos. Nosso 10 apenas não tinha condições de jogar por motivos mais do que conhecidos por todos — só os impacientes e descrentes faziam questão de não entender, preferindo atacar Renato e suas escolhas. E quando nosso camisa 10 voltou, estava vestindo a 21, mas isso, convenhamos, era apenas um detalhe na jornada de nosso craque. 

Aliás, como você, caro e raro leitor desta Avalanche haverá de lembrar, na edição passada desta coluna esportiva, eu escrevi: “nosso camisa 10 —- mesmo que não carregue o número às costas, ele é o 21 do time —- é um jogador especial”. Quis a coincidência que no dia seguinte a minha Avalanche, Renato e o Grêmio decidiram premiar Jean Pyerre com o número que o futebol mundial costuma oferecer aos craques da bola — apesar de que no nosso time a camisa que consagra é a 7; não é mesmo Renato?

A maneira refinada com que Jean Pyerre toca na bola encanta a todos. Isso ficou evidente desde os primeiros movimentos do Grêmio em campo no início desta noite. Com o nosso camisa 10 buscando jogo no meio de campo e conduzindo o time para o ataque, o deslocamento dos jogadores que estão à sua frente ganha em produtividade. Luis Fernando, Diego Souza e Pepê, especialmente, sabem que podem partir em direção ao gol porque a bola será entregue a eles em condições de marcar. Os laterais e volantes que estão ao lado passam e correm porque sabem que vão receber um presente. Todos saímos ganhando quando o camisa 10 está em campo.

O toque não se restringe ao passe. Jean Pyerre enxerga o gol e lança a bola em direção as redes com a mesma facilidade com que deixa seus companheiros em condições de dar sequência à jogada. Hoje, assistimos a dois ou três chutes que obrigaram o goleiro adversário a se esforçar ao máximo para impedir que a bola entrasse. O chute não parece forte. É como se fosse em câmera lenta. Faz o futebol parecer fácil de ser jogado. 

Em campo, Jean Pyerre é leve, solto e preciso … como na cobrança de falta que abriu o placar, depois de um lance bem ensaiado com Diogo Barbosa (1×0). Como no passe que encontrou Luis Fernando livre pela direita para cruzar e Pepê completar (2×0). Como no momento de perspicácia que o fez pegar a bola que acabara de sair pela lateral e cobrar, sem esperar o jogador de ofício, o que deu velocidade na jogada, e, mais uma vez, permitiu que Luis Fernando desse assistência para o gol —- gol de Diego Souza (3×1). 

E não se satisfez …. 

Jean Pyerre mostrou também seu talento no cruzamento que deu a Diego Churín — o atacante sorriso — o prazer de marcar seu primeiro gol com a camisa gremista segundos após entrar em campo (4×1). 

Jean Pyerre é diferenciado. Tem talento. É craque. É o nosso camisa 10!

Avalanche Tricolor: o gol do guri da Vila Maria

 

Grêmio 2×1 Ceará
Brasileiro — Centenário, Caxias do Sul/RS

 

Gremio x Ceara

Geromel comemora o gol, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Sou suspeito para escrever. Sei que sou. Minha Avalanche do último fim-de-semana escancara ainda mais essa suspeição, especialmente diante do tema que pretendo dedicar esse post. O que importa, também, se sou ou não isento no que escrevo? Jamais neguei que essa coluna, mantida desde muito tempo, foi ocupada por um torcedor apaixonado em vez de um jornalista em busca do equilíbrio. Portanto, azar do que pensem.

 

Por torcedor apaixonado e gremista que sou, assim como todos os demais que compartilham comigo esse sentimento, como não se emocionar ao assistir ao primeiro gol desta noite em Caxias do Sul. Nem tanto pelo caminho que usamos para chegar ao gol —- apesar de torcer muito para que cobranças de escanteio, assim como as de falta, se transformem em nosso diferencial competitivo, principalmente nos jogos mais intricados desta e das demais competições da temporada.

 

Emocionei-me pelo protagonista do gol.

 

Geromel estava voltando à equipe. Vamos lembrar que ele ficou de fora da primeira decisão da Libertadores por uma lesão isolada em partida do Campeonato Brasileiro. Já estávamos ganhando o jogo com larga vantagem quando ele despachou a bola para frente e o músculo acusou o golpe. Uma dor que foi sentida na alma de cada gremista. E como nos fez falta.

 

Todos sabem que Geromel impõe respeito ao adversário, oferece segurança aos colegas de equipe e é a esperança do torcedor de que se tudo der errado, ele vai fazer o certo. É um dos jogadores mais simbólicos deste Grêmio que Renato construiu nos últimos três anos. É unanimidade nas arquibancadas da Arena. E hoje ainda entrou com a braçadeira de capitão — que lhe caiu muito bem.

 

Diante de tudo isso, vê-lo saltar mais alto que seus marcadores e desviar de cabeça para as redes me fez ainda mais feliz nesta noite. Porque não era apenas um gol de escanteio ou um gol para abrir o caminho da vitória. Era um gol do filho de Seu Valmir e da Dona Eliane. Do irmão do Ricardo. Do guri da Vila Maria. Um gol de Geromel. De GeroMito. 

Avalanche Tricolor: tempos estranhos

 

 

Ceará 2×1 Grêmio
Brasileiro — Castelão/Fortaleza-CE

 

 

EVERTON

Everton comemora (reprodução SporTV)

 

 
Campeão da Copa do Brasil, em 2016
Campeão da Libertadores e vice-Mundial, em 2017
Campeão Gaúcho e da Recopa Sul-Americana, em 2018
Campeão Gaúcho e da Recopa Gaúcha, em 2019

 

 
Comecei a fazer a lista acima pouco antes do fim da partida desta noite de domingo. Não que o jogo não estivesse interessante. Até que estava, apesar de o placar desfavorável — especialmente no segundo tempo quando jogamos o tempo todo no campo do adversário. Mas entre um cruzamento sem finalização e uma troca de passe interrompida, resolvi listar nossos títulos nos últimos anos porque muitas vezes a foto do dia esconde a beleza do álbum de fotografias.

 

 
Ao folhá-lo, relembrei os momentos lindos que vivemos juntos, o sorriso bonito no rosto do atacante que acabara de marcar seu gol e o brilho do troféu que nossos jogadores ofereceram aos torcedores no palco dos campeões. A foto mais marcante desta temporada, aliás, nem era da comemoração de nosso último título estadual, mas da classificação às oitavas-de-final da Libertadores, que —- não se perca no tempo — aconteceu agora há pouco, há dez dias para ser mais preciso.

 

 
A camisa, o técnico, o time que aparece no meu álbum de fotografias são os mesmos —- ou quase —- que estiveram em campo, neste domingo. Lá no Ceará, via-se a tentativa de trocar passe com aquela precisão que nos levou a vitórias incríveis. Esboçava-se uma movimentação triangular entre os jogadores do meio de campo e os atacantes. Arriscava-se alguns dribles para superar a marcação forte do adversário. Mas o resultado final não era o mesmo de “antigamente”.

 

 
Com um erro aqui e outro acolá, com uma falha atrás e um defeito na frente, com vacilos e tropeços, somamos erros em vez de somarmos pontos. Patinamos na grama molhada tanto quanto na classificação — a ponto de eu ter comemorado o empate do concorrente que nos acompanha no pé da tabela. E, confesso, achei isso muito estranho de minha parte. Por isso, voltei a olhar a lista de títulos recentes e a folhear na memória as imagens de nossas conquistas.

 

 
Sei que vivemos tempos estranhos e estamos muito mal acostumados com o revés, mas deixar de confiar no time e no grupo que nos fez tão felizes no futebol é desmerecer nossa capacidade de recuperação. E se tem um coisa que já aprendi há algum tempo torcendo pelo Grêmio é que aqueles que apostam pelo pior tendem a se dar muito mal com a gente.

 

 
Paciência, cabeça no lugar e bola no pé! Eis o caminho para a retomada das vitórias no Campeonato Brasileiro.

Avalanche Tricolor: uma vitória com o talento de Everton, o “imparável”

 

Ceará 0x1 Grêmio
Brasileiro – Arena Castelão/Fortaleza CE


 

 

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Everton em mais uma escapada, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Começo esta Avalanche com um pedido de desculpas — e endereçado a Thonny Anderson, o menino que em um minuto e meio fez aquilo que vínhamos tendo dificuldade para fazer durante esta e as duas últimas partidas pelo Campeonato Brasileiro.

 

Aos 35 minutos do segundo tempo, de cabeça, Thonny fez o único e necessário gol nesta vitória sobre mais um adversário que enfrentamos que estava na zona de rebaixamento — os dois times anteriores, para os quais desperdiçamos quatro pontos dos seis disputados, também estiveram ou estão por lá.

 

Peço desculpas a Thonny Anderson porque o lógico seria escrever esta Avalanche sobre ele, que aos 20 anos, emprestado ao Grêmio, tem sido colocado à prova desde o Campeonato Gaúcho. Cotado para sair jogando na partida deste domingo, havia quem o desafiasse a mostrar seu talento, pois estaria devendo o futebol que prometeu nas suas primeiras aparições.

 

Lamento, Thonny, mas meu coração pede para escrever sobre outro jogador — aquele que protagonizou a jogada que permitiu que você fizesse o gol. 

 

Foi Everton quem, no fim do ano passado, me proporcionou a lembrança mais emocionante do futebol nos últimos tempos. Eu estava ali, ao lado dele, em Al Ain, quando nosso atacante entrou na área, cortou para a direita e marcou o gol, já na prorrogação, que nos colocou na final do Mundial de Clubes.

 

Aquele gol parece ter feito nosso atacante desencantar. Parece ter provado a ele próprio o quanto era capaz de fazer com a camisa do Grêmio.

 

Até ali, Everton ameaçava dribles, arriscava alguns chutes e até decidia partidas, mas sempre deixava a ideia de que mais desperdiçava oportunidades do que as aproveitava. Era o jogador que entrava no segundo tempo quando o time não encontrava solução.

 

Hoje, com apenas 22 anos, Everton está muito mais maduro e preciso, sem perder o desejo de ser moleque, que lhe faz acreditar em todas as jogadas, mesmo com a marcação dobrada. Quando recebe a bola, não se satisfaz com o passe para o lado ou o lance burocrático. Quer mais. Olha para frente. Arrisca o drible e consegue passar pelos marcadores.

 

É duramente marcado, empurrado, acossado, mas resiste a todos os algozes. Ele não desiste. Não para nunca. Hoje, sofreu dois pênaltis. No primeiro, o pé foi puxado pela mão do zagueiro, mas o árbitro titubeou e voltou atrás. No segundo, foi derrubado em cima da linha, e o árbitro marcou fora.

 

Quando muitos já temiam mais dois pontos perdidos, a bola foi espantada da nossa área, em uma cobrança de escanteio, e encontrou Everton na nossa intermediária. Ele tocou a bola para a frente, cruzou o meio de campo, atropelou sem dó o marcador e seguiu conduzindo-a em velocidade impressionante.  Ao entrar na área, havia outro zagueiro para pressioná-lo. Everton não se incomodou. Tocou a bola pelo alto e na cabeça de Thonny. Deu de presente ao outro menino do nosso ataque o gol da vitória.

 

Everton comemorou o gol de Thonny apontado o dedo para o céu, enquanto todos nós, inclusive o autor do gol, apontávamos o dedo para ele — o “imparável” Everton.

Avalanche Tricolor: entusiasmo de Endres superou o da torcida, na Arena

 

Gremio 1×1 Ceará
Primeira Liga – Arena Grêmio

 

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O entusiasmo de Felipe Endres no comando do Grêmio, em foto de LUCASUEBEL/GremioFBPA

 

Tinha gente com nome estranho: Rex e Ty, por exemplo. Tinha jogador com nome de outros jogadores: Rondinelly e Jeferson Negueba. Tinham alguns que já havíamos assistido: Wallace Oliveira e Lucas Coelho. A maioria, porém, eu jamais havia ouvido falar – e perdão por esta minha ignorância.

 

O time que o Grêmio levou a campo sequer era o reserva. Nem de alternativo foi chamado pelos jornalistas. Era mesmo o time de transição, pois, soube por eles, costuma representar o clube na copa que a Federação Gaúcha de Futebol inventou para manter as equipes do interior em atividade depois do Campeonato Gaúcho.

 

Com muitos jogadores que provavelmente serão emprestados o mais breve possível, era de se esperar pouco daquela equipe que tinha pela frente um adversário com pretensões na Primeira Liga, coisa que não temos desde que começamos a disputar esta competição. Por isso, as falhas que nos fizeram tomar o gol no primeiro tempo não me surpreenderam. Nem a apatia e dificuldade para trocar bola no campo de ataque.

 

Contagiante para mim foi a presença do técnico Felipe Endres e sua barba que impõe respeito, no banco de reservas. Apesar de interino e no comando de uma equipe sem muita expectativa, mostrou-se disposto a acertar o passo e ajustar o time da forma que podia: gritava, sinalizava e esbraveja a todo momento. Tenho quase certeza que foi esta sua agitação e entusiasmo que mexeram com o time no intervalo, pois na volta para o segundo tempo havia um outro ânimo a empurrar o Grêmio.

 

Jogamos melhor do que o adversário, apesar de seguirmos colocando em risco nosso goleiro Bruno – o Grassi, esse sim velho conhecido e de bons trabalhos prestados. Estivemos mais tempo com a bola no pé, mesmo que em alguns momentos isto fosse motivo de trapalhadas. E mais próximo da vitória. Mas ficamos mesmo foi no empate com uma bola lançada dentro da área e cabeceada ao gol por Lucas Rex, um zagueiro grandalhão que promete muito.

 

Ao fim e ao cabo, o resultado foi bom e mantém o time a uma vitória da próxima fase da Primeira Liga que, pelo que entendi, será apenas no segundo semestre do ano.

 

Os menos de 3 mil torcedores que foram a Arena davam a dimensão do interesse do Grêmio na partida de ontem à noite. Até porque, convenhamos, na Semana Gre-nal o que mais pode nos interessar além do próprio Gre-nal? 

 

Em tempo: agora à noite, leio no ClicRBS que Felipe Endres é filho do doutor Alarico Endres, que salvou muita gente do tricolor nos anos dedicados ao departamento médico do Grêmio. Tá explicado tanto empenho ao lado do campo: tem pedigree. Parabéns a família Endres!

Conte Sua História de SP: da imprensa ao cordel, uma vida dedicada às letras

 

Iracema Mendes Régis nasceu no distrito de Sapé, Limoeiro, CE, em 1952. Descendente por um lado de holandeses e por outro de portugueses, viveu sua infância neste pequeno distrito cearense. Em 1975 migrou para São Paulo, cidade que lhe causou espanto assim que chegou. Seguindo recomendação da mãe, estudou até se formar jornalista. Antes arrumou emprego na prefeitura de Mauá, de onde saiu dez anos depois ao passar no concurso para a prefeitura de São Paulo, onde trabalhou até se aposentar. Contista e cordelista, Iracema já publicou 23 livros. Conheceu esta arte no Ceará, mas a levou para o papel quando chegou aqui:

 

 

Iracema Mendes Régis é agora personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento dela foi gravado no Museu da Pessoa. Você também pode ir até lá e registrar a sua memória: marque a entrevista pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Se quiser, mande um texto para mim: milton@cbn.com.br. Outros capítulos da nossa cidade, você encontra no meu blog: miltonjung@cbn.com.br.

"Farra do Caviar": governo do Ceará muda cardápio milionário

 

 

A ‘Farra do Caviar’, como a oposição batizou a denúncia de que o Governo do Ceará gastará R$ 3,4 milhões em serviço de buffet no período de um ano, levou o governador Cid Gomes (PSB) a recuar na pedida. Em resposta aos críticos, anunciou que vai ‘tropicalizar’ o cardápio oferecido aos convidados do Estado em recepções públicas. Ao abrir mão de pratos escritos em francês, Gomes atiçou nosso apetite e inspirou o encerramento do Jornal da CBN, trabalho conjunto de toda a equipe de produção.

Avalanche Tricolor: Sensações de sábado à noite

 

Grêmio 1 x 3 Ceará
Brasileiro – Olímpico Monumental

Douglas faz único gol do Grêmio, em foto do Grêmio.net

O sábado começou tarde, resultado da ressaca de uma sexta de muitos compromissos. Depois do Jornal e da reunião de pauta de ontem, segui para o Espírito Santo, onde me encontrei com a turma que participa do curso de residência em jornalismo, organizado pela Rede Gazeta, na qual também toca a CBN de Vitória. Jovens entusiasmados, dispostos a fazer melhor, mudar o que der e cheios de sonhos e criatividade. Foram três horas de conversa e a vontade deles era tanta que nem senti as costas doendo e as pernas cansadas. Desgastante mesmo é a rotina do aeroporto com saguão lotado de gente, pista cheia de aviões e estrutura rasa. Menos mal que no meu caminho havia funcionários a fim de fazer a coisa funcionar – nem sempre é assim. Quando retornei a São Paulo ainda havia um jantar japonês a minha espera que atrasou devido ao congestionamento no caminho. Fui dormir prá lá de meia noite, em um dia que havia se iniciado às quatro da manhã.

Hoje, a agenda era bem mais amena e a família estava em volta o tempo todo o que torna tudo mais agradável. Ver os filhos satisfeitos por estarem dentro de uma livraria sempre me dá esperança de que algo está mudando nesta geração. Um livro aqui, uma revista ali. Cada um faz a sua escolha de acordo com seu estilo e idade. Eu aproveitei e passei a mão na bibliografia de Steve Jobs, escrita por Walter Isaacson, pela qual estava tão curioso que em pouco tempo já havia lido às primeiras 13 páginas da introdução. Leitura obrigatória, também, quando o dia 20  se aproxima é a MacMais, revista editada pelo meu amigo Sérgio Miranda, que, não por coincidência, está com uma ótima caricatura de Jobs na capa. Sei que a redação deles é minimalista, por isso me admiro sempre que vejo como aquela gente entusiasmada consegue fazer um trabalho de qualidade. Entusiasmo, também, não faltou à minha mulher haja vista o catatau de revistas que colocou embaixo do braço, sem falar em mais um livro, desta vez do contador de histórias Marc Levy, “Tudo aquilo que nunca foi dito”. Feita a “feira” sentamos para almoçar em uma das melhores casas de carne da cidade, o Esplanada no Morumbi. Atendido por garços eficientes e experientes, a maioria dos quais conheceu minha família quando éramos apenas um casal, o resultado não podia ser outro: uma excelente refeição.

Voltamos para casa quase no fim da tarde com tempo para tomar um chocolate quente – faz frio em São Paulo – com um tipo de panetone que desconhecia, mas que era uma delícia. Nos foi apresentado por uma das grandes amigas que temos aqui na cidade e que compartilhou deste momento conosco. Com a vontade que a turma encarou o “café da tarde” nem parecia que tínhamos saído há apenas algumas horas de um restaurante. Bota desejo nisso.

Chegava a hora, então, de sentar diante da televisão e assistir ao Grêmio jogar. Deste, porém, tenho pouco a escrever. O entusiasmo, a vontade, a satisfação, o desejo, o interesse e a eficiência das pessoas que estiveram em minha volta desde ontem faltaram àqueles jogadores que tiveram o atrevimento de vestir a camisa tricolor, na noite de sábado. Aliás, faltou a eles, também, vergonha na cara.