Paraisópolis terá rádio comunitária

 

Das maiores favelas do País, Paraisópolis que nasceu na borda do bairro do Morumbi vai inaugurar uma rádio comunitária que será transmitida em frequência modulada, a partir de 2 de março. A União dos Moradores de Paraisópolis recebeu a concessão pública para explorar o sinal nos próximos 10 anos e criou um conselho com integrantes da comunidade para controlar a programação. Os apresentadores, repórteres e demais profissionais serão todos moradores da Paraisópolis, conforme informou Gilson Rodrigues, que dirige a entidade. Ele ressaltou que na própria favela são desenvolvidos cursos técnicos para preparação desses profissionais.

A rádio será coordenada pelo Joildo dos Santos, diretor de comunicação da União dos Moradores e por um grupo de jovens comunicadores. Joildo, aliás, é um dos integrantes do Adote um Vereador, ideia que incentiva o cidadão a acompanhar o trabalho na Câmara Municipal de São Paulo.

Ouça como será a rádio Nova Paraisópolis, na entrevista com Gilson Rodrigues ao CBN SP

A Nova Paraisópolis FM funcionará na frequencia 87.5.

A emissora faz parte de um plano de comunicação desenvolvido pela comunidade que inclui um jornal e o site www.paraisopolis.org e o jornal Paraisópolis. Em brevem os moradores pretendem lançar ainda uma revista.

De Chacrinha a Lula, filhos de Pernambuco

 

Por Carlos Magno Gibrail

Lula e Chacrinha

Conceitos e preconceitos, dicotomias e isonomias, talvez expliquem o talento de comunicação destes dois pernambucanos cultos e sem erudição.

De Chacrinha, vimos a consagração com o título de “professor honoris causa” da Faculdade da Cidade, as inúmeras teses e dissertações acadêmicas que analisam seu desempenho na área de comunicação, ou ainda as homenagens como a de Gilberto Gil, em “Aquele abraço” (…o Velho Guerreiro balançando a pança e comandando a massa...). Atestados de sucesso.

De Lula, os 72% de aprovação em fim de mandato ou a Copa 2014 e a Olimpíada 2016, ou ainda “That is the man”, que sinalizam uma eficiência inquestionável em comunicação.

Chacrinha, radialista vigoroso; Lula, sindicalista agressivo; começaram as carreiras estribados em intensa comunicação com estilos próprios e carismáticos. Quase sempre no limite entre a ética padrão e a manutenção da personalidade.

Do “Velho guerreiro”, segundo ele próprio, acima de tudo um ouvinte de rádio e radialista extremado, temos:

– “Quem não se comunica se trumbica”
– “Eu vim para confundir e não para explicar”
– “Vocês querem bacalhau?” Campanha para seu patrocinador Casas da Banha, quando desovou um enorme
encalhe de bacalhau, apostando na premissa que brasileiro adora um presentinho.

Abelardo, o pernambucano de Surubim, tinha consciência que sua mensagem era popular, e entre o padrão vigente na mídia a uma linguagem direta com seu público, não hesitava em optar pelo rudimentar.

O homem de Garanhuns, recentemente em São Luiz do Maranhão não teve dúvida em usar termo inapropriado para o cargo de Presidente da República. Disse que “vai tirar o povo da merda” e foi ovacionado.

Segunda-feira, Mílton Jung sob o título “Não basta governar, tem de parecer e comparecer” analisou ação e comunicação no episódio das enchentes na capital paulista, do Prefeito Kassab, um político erudito. Economista pela FEA USP e engenheiro pela POLITÉCNICA USP, lastreado por moderno equipamento de Marketing agiu de forma elitista. Falou para letrados e compareceu tarde aos locais acidentados pelas enchentes.

Milton cita opinião do Prof. José de Souza Martins da Filosofia da USP publicada domingo no Estadão, que comparou o Prefeito e as chuvas com o Presidente e o palavrão : “Kassab se revelou mau ator porque seguiu à risca o roteiro de seu desempenho como prefeito, pois não compreendeu em tempo que o cenário havia sido mudado, dominado agora pelas apreensões e emoções do desastre. Lula, por seu lado, revelou-se bom ator, ainda que incorreto na expressão que usou, justamente porque violou o roteiro prescrito para quem governa”.

 

Parece que o Professor Martins tem razão, pois ontem o G1 da Globo publicou : “Lula rouba a cena com discurso divertido e emocionado no Prêmio Brasil Olímpico”. Deixou o calhamaço contendo o discurso programado de lado, e de improviso divertiu a plateia preponderantemente de atletas, com linguagem adequada ao momento sem se distanciar do estilo pessoal.

Ao se aproximar o ano eleitoral será oportuno que os políticos cuidem de si, ao invés de apontar erros e defeitos dos adversários.

As propostas devem privilegiar tanto conteúdo quanto forma e não podem deixar de considerar as características de cada um. Se culto, habilitar a erudição, se erudito habilitar a cultura. E plagiando Milton, não basta se candidatar, tem de parecer e comparecer.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas, e assistiu ao Chacrinha na TV

Não basta governar, tem de parecer e comparecer

 

Kassab no Aliás

Sempre atento ao que sua área de marketing e comunicação indicam, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) errou feio na administração da crise provocada pela enxurrada das últimas semanas. Demorou para reagir no dia do temporal que parou a cidade a ponto de ter aceitado participar de evento de lançamento do torneio internacional de futebol feminino, enquanto milhares de paulistanos eram reféns da falta de estrutura da cidade. Ao falar, já quase ao meio-dia quando boa parte dos moradores havia perdido a terça-feira, tentou negar o que as imagens escandalosamente mostravam na televisão: a cidade vivia um caos.

Dias depois, novo tropeço de comunicação. Abandonou o Jardim Pantanal a sua própria sorte e ao ser cobrado pela sua ausência justificou que havia visitado a área três vezes. De helicóptero. Pior é que olhando lá de cima, avaliou errado ao sugerir uma impossível estratégia de sugar a água que teve de ser cancelada um dia após sugerida.

“Economista e engenheiro, Kassab reagiu de acordo com os parâmetros dessas profissões e com a mentalidade de sua classe social. Ao fazê-lo, expôs o abismo que não raro separa o poder e o povo”

A opinião é do professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP José de Souza Martins publicada em artigo no caderno Aliás, do jornal O Estado de São Paulo, deste domingo.

Martins também compara o comportamento de Kassab com o do presidente Lula que disse querer “tirar o povo da merda”, durante evento em São Luis do Maranhão, tendo sido ovacionado apesar de se valer de expressão pouco apropriada para o discurso do maior mandante do País .

“Kassab se revelou mau ator porque seguiu à risca o roteiro de seu desempenho como prefeito, pois não compreendeu em tempo que o cenário havia sido mudado, dominado agora pelas apreensões e emoções do desastre. Nem sempre os governantes entendem com a rapidez necessária a pauta cambiante do poder para falar e agir de conformidade com a conduta que o momento pede e a única que pode ter sentido naquela circunstância. Lula, por seu lado, revelou-se bom ator, ainda que incorreto na expressão que usou, justamente porque violou o roteiro prescrito para quem governa”.

O prefeito de São Paulo cometeu o mesmo erro de sua antecessora Marta Suplicy (PT) que no último ano de governo, em 2004, estava de férias em Paris, enquanto a cidade encarava mais um dia de enchente. Uma falha de comportamento inexplicável para a administradora que antes era elogiada por suas aparições nos cenários de crise: incêndio em favela, bairro alagado ou deslizamentos de terra.

Apenas para continuarmos em São Paulo, o governador José Serra (PSDB) também foi cobrado pelo sumiço no combate a crise no Jardim Pantanal atingido pelas águas do Tietê e pela ineficiência da Sabesp. Tinha a desculpa de que estava na Conferência do Clima, em Compenhangen, Dinamarca. Não devemos nos esquecer, porém, que em seu primeiro mês de governo também pecou pela ausência durante o acidente que matou sete pessoas no Metrô, em Pinheiros. Demorou mais de 24 horas para deixar o Palácio dos Bandeirantes e descer até o local da tragédia ali pertinho.

Rádio na Era do Blog: Aliados na liderança da credibilidade

 

Foi o colaborador do Blog, Marcos Paulo Dias, quem leu e gostou do texto que compara rádio e internet, a partir de pesquisas divulgadas recentemente. Os números já haviam sido tratados anteriormente por aqui, o interessante está mesmo na opinião de professores de comunicação que analisam os dados e vão ao encontro de pensamento com o qual trabalhamos há algum tempo: a internet é um novo oxigênio para o rádio.

O texto é da jornalista Izabela Vasconcelos, de São Paulo, e está na área restrita do Portal Comunique-se, no setor 1o. Caderno, por isso reproduzo na íntegra, caso contrário ofereceria apenas o link para você ler o artigo por lá. Uma curiosidade na minha busca pelo link do texto foi ver que muitas pessoas simplesmente publicam a informação sem se preocupar em oferecer a fonte para os leitores.

Mas vamos ao que interessa:

Pesquisa divulgada no começo deste mês mostra que o rádio e a internet lideram em credibilidade, na frente da TV, jornais impressos, revistas. Para especialistas nas duas mídias, o amadurecimento do público da web, a modernização e integração entre os dois meios são responsáveis pelo resultado.

O estudo Vox Populi, encomendado pela Máquina da Notícia, apontou que, em uma escala de 1 a 10, o rádio lidera em credibilidade com nota (8,21), quase empatado com a internet (8,20), seguidos por TV (8,12), jornal (7,99), revista (7,79) e redes sociais (7,74).

De acordo com o jornalista Alvaro Bufarah, pesquisador e coordenador do curso de pós-graduação em Produção e Gestão Executiva de Rádio da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), outra pesquisa do Instituto Marplan revela que o rádio se integra muito bem à internet. “O rádio é o meio que melhor se adapta às novas mídias, porque é um meio de companhia, que as pessoas usam pra se informar e entreter. A internet e o rádio se somam de forma ímpar. O rádio se potencializa ainda mais com a internet”, explica.

Pollyana Ferrari, especialista em mídias digitais, autora do livro “Jornalismo Digital”, concorda com Bufarah, e acredita no poder da integração das mídias. “O caso mais recente é o do apagão. O Twitter e o rádio que deram suporte o tempo inteiro, porque os brasileiros gostam de compartilhar e trocar informações, e isso atinge todas as classes. Esse é um case muito interessante”, destacou.

Para Bufarah, o uso de Twitter, torpedos SMS e blogs mostra que o rádio está se modernizando na interação com os ouvintes, mas ainda existe um problema de gestão em algumas emissoras, que nesse caso pode transformar a internet em concorrente. “A internet é uma gigantesca aliada, mas poucos empresários estão atentos a essa transformação. Há emissoras que não investem, têm sites ruins, aí a internet passar a ser um veículo de competição”.

Outro problema, segundo ele, é a administração das emissoras, que por serem muito tradicionais, acabam deixando de pensar como empresas, restringindo investimento em comunicação interna, planejamentos de marketing e carreira.

O especialista também acredita que a modernização do rádio abre espaço para a segmentação, com a criação de diferentes canais no rádio e na internet, o que permite acompanhar o perfil de cada público pela web e traz novas possibilidades para que o mercado publicitário invista nas rádios.

A confiança na internet

De mídia altamente criticada pela instantaneidade e pelo aspecto factual das notícias, a internet passou a encabeçar a lista de credibilidade dos meios de comunicação. Para Pollyana, três fatores explicam essa mudança de cenário. “De 2000 até hoje tivemos um amadurecimento do perfil do usuário, o crescimento da banda larga e o aprimoramento do jornalismo multimídia, que desde 2005 tem feito um trabalho muito interessante nos portais”, afirma.

Pollyana lembra que a web já foi muito criticada como meio de informação. “Sofremos durante muito tempo por criticarem o conteúdo dos meios online, mas agora os leitores perceberam que existe muita coisa boa nos portais”. Com o avanço das novas mídias, a especialista aposta e defende o uso de outras plataformas pelas empresas, até mesmo na cobrança de conteúdo nas redes e mobile. “Poderia se fechar anúncios pelo Twitter e cobrar pelo pagamento de conteúdo diferenciado, mobile, um conteúdo diferente do impresso e dos sites. Eu pagaria por um conteúdo exclusivo”, conclui.

Rádio na Era do Blog: A linguagem de Rui Barbosa

Para o editor Michael Gold, da PC World, a audiência na internet é preguiçosa, egoísta e impiedosa. Ele conta que o internauta tende a não ficar mais de 30 segundos sem dar um clique enquanto navega em um site. A persistirem os sintomas, o esforço para conquistar este público passará pelas características do texto e este terá de se aproximar, e muito, daquele recomendado para o rádio: simples, direto e objetivo.

As três palavrinhas mágicas – consideradas por mim, o mantra da boa comunicação – me vieram à cabeça nesta sexta-feira, assim que li a história que reproduzo a seguir e que teria tido Rui Barbosa como protagonista. Falo no condicional, pois o fato estava em um e-mail de fonte que desconheço. Mas não gostaria que isso fosse motivo para desperdiçar a graça do fato:

Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus patos, disse-lhe:

– Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica, bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinquagésima potência do que o vulgo denomina nada!

E o ladrão, confuso, diz:

– Dotô, resumino: Eu levo ou deixo os pato?

De linguiça a carniça, de televisão em cores a dores de amores, de copo-d’água ao mal de mágoa, de ideia e de plateia, de canapê ou canapé, bebê ou bebé

 
Por Maria Lucia Solla

Ouça o texto “De linguiça a carniça, …” na voz da autora

 

 

E convém que se fale do hífen.

Eu entendo que na vida ele tenha pouco peso. Entendo que esteja tão lá em baixo que nem dá para ver o acento agudo no “i“.
Mas faz parte.
E faz parte da nossa língua escrita.

E aqui é importante que eu confesse que não faço parte do grupo que quer de volta o nacionalismo, ufanismo, ou como queiram chamar. Acredito na evolução do Homem, e a Humanidade começou sem pátria.
No paraíso.
Aí foi um divide daqui, puxa dali, rasga ao meio acolá, assina tratado e depois pica o papel em pedacinhos, mata homens, mulheres, crianças, animais, árvores, pássaros, répteis, e delimitam-se fronteiras em nome do “isto é meu e isso é teu”.

Eu acredito ainda no Homem, seja ele branco, amarelo, vermelho, marrom, listrado ou quadriculado. Acredito no Homem, tenha ele olhos castanhos, azuis, verdes ou cor de mel.

E por falar em cor de mel, fica sem hífen, assim como cara de pau.
Mas cor-de-rosa mantém o hífen.
Não se sinta mal.

Mas falávamos de nacionalismo. Eu tive bandeira e hino na escola, mas não acredito que o mundo ficaria melhor se a prática voltasse. Ao contrário, se quiser a verdade nua e crua do que penso, acho que não está melhor porque ainda existe isso e mais um pouco disso, aqui e ali, no mundo, desde a pré-história (com hífen).

O que falta ao homem é respeito e amorosidade, empenho e religiosidade, coragem e verdade, boa-educação e dignidade;
seja ele afro-asiático, indo-europeu,
cristão ou judeu.

Hífen não pode mesmo ser muito bom. Não é de comer, não dá fofoca, não dá barato, não dá dinheiro e não faz moda. É um sinal deitado, e com ele ou sem ele a gente entende o que se quer dizer. Ou seja, ele nem faz lá grande diferença.

O que já não é verdadeiro para o sinal de interrogação, por exemplo. Todo torto, vítima de lordose agudamente crônica, devido a postura de dar dó, quando não usado adequadamente causa uma confusão que só.

O ponto de exclamação, por outro lado, apesar da postura impecável e do corpinho bem-talhado, anda em desuso. A pontuação da hora vem em grupo; são os pontinhos das reticências, já que tudo pode ser…

Mas voltando ao hífen, a nossa língua não é das mais fáceis, mas é das mais ricas. Tem lugar cativo no clube, para nós que somos chegados num, das neo-latinas, acompanhada de feras como francês, italiano e espanhol.

E como tudo nesta vida, ela é bonita se bem-falada, se bem-escrita, bem-articulada, respeitada, bem explorada e acariciada. E é assim que ela quer ser usada. Para que você seja bem-compreendido, ouvido quando fala, lido quando escreve, acreditado quando promete, respeitado quando exige respeito em troca.

Mas o hífen é só parte do que foi mexido na língua escrita. O restante passa pela acentuação, um retoque no alfabeto e a execução sumária do trema, que de saudade faz que eu trema.

Na verdade da realidade dos fatos, menos de 0.6% das palavras foi afetado pelo tal Acordo Ortográfico.
Não é de arrepiar.
Com o tempo todo mundo vai se acostumar.

Enquanto isso, se você precisa escrever, use um corretor, compre um dicionário atualizado e comece pela palavra que mais gosta, a mais sonora, a que te traz lembranças de outrora.

Você vai se surpreender. Curioseia daqui, curioseia dali e, como tudo na vida, além de comer e coçar, é só começar
E se duvidar, pode se animar e gostar.

E como anda a tua comunicação?

Pense nisso, ou não, e obrigada pela atenção.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, é sempre bem-vinda ao Blog do Mílton Jung, com hífen, é lógico.

De expressão na comunicação e vice-versa

Por Maria Lucia Solla

Reescrevendo, relendo, revendo

Olá,

falávamos de ciclo perfeito de renovação, e da relação entre você e a informação que recebe. O verbo que acabei de usar já desenhou o que acontece. Você recebe; porque quando não quer receber fecha a porta, muda o canal da TV, muda a estação do rádio, enfim, escolhe o que lê, o que pensa, o que ouve, o que vê, o que toca e o que te toca.

Ou ao menos tem opções à disposição.

Quando uma informação chega, por qualquer dos sentidos, é recebida à porta pelo teu interesse, que é quem decide o que entra e o que não entra. Aquilo que entra cumpre um percurso em você. Vive em você, uma vida. Vamos chamá-lo de visitante.

O ciclo de renovação é perfeito quando o visitante viaja pelo teu universo; quando vive em você. Ele aciona a mente, acende fogueiras no coração e modifica você. Para sempre. Depois de sua passagem, você jamais será o mesmo.

Mas como toda vida é ciclica, o visitante, cumprida a missão, procura a porta de saída. E é esse o segredo, Marcelo①. Quando você abre a porta e deixa que o visitante se vá, só fica o que se imprimiu em você. O que já é parte de você. Deixa de ser conhecimento; é você. E isso não ocupa espaço.

Por outro lado, se você deixar a porta de saída trancada, o visitante fica estagnado, se deteriora e adoece e envelhece você. Então, é preciso que você receba, se assim decidir, processe o pacote e devolva ao Universo, se expressando. Você, transmissor, e o outro, receptor. E nesse momento pode nascer a comunicação. Digo pode porque a expressão só é considerada comunicação, quando o outro recebe e compreende o que você expressa.

E você se expressa falando, dançando, cantando, escrevendo, pintando, cozinhando, caminhando, gesticulando. Se expressa com o olhar, com a tonalidade da voz, com o ritmo da respiração. Se expressa parado, sem dizer coisa alguma, com olhos e bocas fechados.

Você se expressa no trabalho, no esporte, em casa e fora dela. Dormindo, acordado, andando, parado, nervoso, cheiroso, suado ou relaxado.

Não há limite para a expressão, assim como não há limite para o ser.
O importante é que, ao se expressar, você esteja presente, esteja inteiro, consciente, acordado, ligado.

É vital que você se expresse

Ao se expressar, você cria espaço para que o novo possa entrar na tua vida e dar continuidade ao teu caminho de evolução.

Proponho, então, que você se expresse comigo. Não aceite simplesmente o que eu digo. Cada um de nós é único, e só podemos falar daquilo que vemos, sentimos e percebemos, do ângulo em que nos encontramos. Apenas nos parecemos porque dançamos sob a batuta de leis e regras sociais. Só isso.
Fale comigo.

①Marcelo Elias:
16 agosto, 2009 as 13:47
Prezada Maria Lucia,
Acabei de entender aquela velha história do sábio com seu aprendiz em que o sábio diz que adquirir conhecimento é como encher um copo até o ponto em que temos de esvaziar o copo para adquirirmos mais conhecimento.
Eu sempre pensava que nossa capacidade adquirir e acumular conhecimento era ilimitada e eu não precisava esvaziar o copo. Não era exatamente isso, né?
Assim sendo, essa é a ideia que estou processando no momento.
Um abraço.
4
maria lucia solla:
16 agosto, 2009 as 15:53
Marcelo
Vejo dualidade em tudo, e vejo tudo através dela.
Entendo que o conhecimento pode gerar sabedoria, mas pode gerar presunção também.
Acredito, como você, na nossa capacidade ilimitada de adquirir conhecimento, mas armazenar… não.
Quando o conhecimento se instala em você – e ele só se instala se você permite e até onde você permite – você pode dar o disco de instalação para outra pessoa, ou livrar-se dele como quiser.
E precisa baixar atualizações.
É mais ou menos como comprar a laranja, cortar ao meio, fazer um suco, tomá-lo e descartar as cascas.

Veja a leitura deste texto em gravação de vídeo feita pela autora

Maria Lucia Solla é terapeura e professora de língua estrangeira. Desde a semana passada, reescreve o livro “De bem com a vida mesmo que doa” em parceria com você leitor deste post dominical. Para ler o primeiro texto já publicado clique neste link