Decoração natalina na av. Paulista (Foto: Luis F. Gallo)
“Será que a troca de presentes, o amigo secreto, ocultam as relações de amor, de integração humana, de carinho que são o sentimento mais poderoso nessa época do ano?”
Jaime Troiano
O Natal é mais do que uma oportunidade de consumo; ele é um momento de encontro, afeto e tradição. Essa foi a mensagem central do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN. A dupla destacou que, apesar da força comercial da data, as marcas têm a responsabilidade de ir além da lógica mercadológica para resgatar os valores humanos e sociais desse período tão simbólico.
Troiano refletiu sobre o tom promocional das campanhas natalinas e o impacto emocional que elas podem gerar: “O que eu, como consumidor, gostaria de ver e ouvir neste Natal é um tom de voz muito menos promocional, muito menos agressivo e muito mais humano.” Ele apontou que a troca de presentes e as relações afetivas podem coexistir, mas o foco deveria estar nos laços que fortalecem a sociedade.
Cecília Russo complementou a discussão ao destacar um movimento crescente entre famílias, que buscam reduzir o consumo em nome de causas mais significativas: “Ano que vem, as pessoas vão se lembrar muito mais do conteúdo humano que as mensagens de Natal das marcas trouxeram do que apenas dos presentes.” Ela também ressaltou o poder dos jingles natalinos como símbolos de uma comunicação autêntica e emocional.
A marca do Sua Marca
A principal marca do comentário foi o convite para que empresas sejam mais humanas e empáticas em suas mensagens de Natal. A autenticidade, como ressaltado por Cecília, é o elemento que fará as marcas permanecerem na memória dos consumidores, enquanto os produtos serão apenas souvenirs de um momento mais significativo.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.
A capacidade de uma marca conquistar recomendações é crucial para seu sucesso. Recentemente, uma auditoria identificou quais marcas se destacam nesse critério no Brasil. O trabalho tem como base uma métrica que pode ser aplicada pelos gestores, independentemente da dimensão da sua marca, como explicaram Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.
A Opinion Box, especializada em pesquisas de mercado online, realizou o estudo auditando, ao longo de um ano, o NPS de marcas em 50 segmentos diferentes, como varejo, vestuário, automóveis, tecnologia e alimentação. NPS é a sigla para Net Promoter Score, uma medida de recomendação amplamente utilizada, segundo Cecília Russo.
Como medir o NPS da sua marca
“O NPS é uma medida puramente de recomendação de uma marca ou serviço,” destaca Jaime Troiano. O resultado é alcançado a partir de uma pergunta que os consumidores brasileiros estão acostumados a responder e, talvez, não tenham ideia de como pode ser importante para as estratégias de desenvolvimento das marcas: “De 0 a 10, o quanto você recomendaria esse produto ou serviço para um amigo?”.
As respostas são classificadas conforme a nota dada pelo consumidor. Os que avaliam como sendo de 0 a 6 são identificados como detratores da marca; os que dão notas 7 e 8 são os neutros; e os que dão 9 e 10 são os promotores da marca. O índice NPS é calculado subtraindo-se o percentual de detratores do percentual de promotores, resultando em um valor que pode variar de -100 a 100.
“Isso é muito relevante porque o NPS acaba sendo uma medida que gera o grau de satisfação, e satisfação gera, também, a fidelização desse cliente,” justifica Cecília.
As marcas mais recomendadas
A classificação feita pela Opinion Box, publicada com exclusividade pelo Meio e Mensagem, revelou que a marca mais recomendada do Brasil é a Lindt. O NPS da fabricante suíça de chocolate é de 89. Em seguida, aparecem Apple, The North Face e Honda, cada uma com um NPS de 84.
“Marcas que possuem um NPS alto são as que conseguem produzir encantamento no cliente,” ressalta Jaime. Ele observa que apenas marcas que oferecem uma experiência excepcional são recomendadas por consumidores satisfeitos.
A marca do Sua Marca
O NPS reflete a qualidade e a estratégia de uma marca. Empresas com altos NPS demonstram um cuidado especial com o consumidor, oferecendo produtos e experiências que deixam uma impressão duradoura e positiva. Como exemplificam Cecília e Jaime, essas marcas trabalham continuamente para que cada ponto de contato com o cliente seja positivo, gerando um “gostinho de quero mais” e incentivando a recomendação.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo, e a sonorização é de Paschoal Júnior.
Jasiocha é entrevistado pelo Mundo Corporativo. Foto: Letícia Valente
“Colocar o consumidor no centro é baixar os muros que existem dentro de uma empresa e passar a olhar as soluções sem a visão de departamento.”
Leandro Jasiocha, Electrolux
A transformação no relacionamento entre empresas e consumidores é um processo contínuo e sem fim, segundo Leandro Jasiocha, CEO da Electrolux para a América Latina. Em entrevista ao Mundo Corporativo, ele destaca que a chave para esse processo é colocar o consumidor no centro de todas as decisões da organização.
Leandro falou sobre a necessidade de uma mudança de mentalidade dentro das empresas para atender às novas demandas dos consumidores: “é um processo de transformação bastante grande que tem que começar obviamente do topo da organização e é um processo que toma tempo e não tem fim”. O discurso em favor da mudança constantes e da inovação chama ainda mais atenção por ter com mensageira uma fabricante de eletrodoméstico que está prestes a completar 100 anos no Brasil. Fundada na Suécia, chegou ao país em 2026 e, atualmente, tem quatro fábricas, duas delas em Curitiba, onde a marca mantém um centro de tecnologia e inovação.
A liderança Inclusiva e a sustentabilidade
Durante a entrevista, Leandro enfatizou a importância de uma liderança que considera todos os colaboradores. “Nós estamos num processo de transformação de liderança muito grande, fazendo com que os nossos líderes sejam cada vez mais inclusivos e tenham um olhar para todos da empresa,” disse ele.
Outro ponto crucial abordado foi a sustentabilidade. Leandro mencionou que, na América Latina, a sustentabilidade é um tema relevante e os consumidores já estão dispostos a pagar um pouco mais por soluções sustentáveis. “O consumidor está cada vez mais consciente para o tema da sustentabilidade e isso se reflete na disposição de pagar mais por produtos que tenham esse compromisso,” explicou.
A jornada do consumidor
A jornada do consumidor foi outro tópico destacado por Leandro Jasiocha. Ele descreveu essa jornada como não linear e complexa, o que requer flexibilidade por parte das empresas para atender às diversas formas de interação dos consumidores.
A Electrolux, de acordo com seu principal executivo na América Latina, tem investido em diversas frentes para melhorar a experiência do consumidor, incluindo o uso de inteligência artificial. Um exemplo prático é o uso dessa tecnologia em refrigeradores, que aprendem a rotina de uso do consumidor e ajustam o funcionamento para otimizar a eficiência energética e prolongar a vida dos alimentos.
Ouça o Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.
“A ambição que está por trás (dessa fusão) é garantir no fundo perenidade e geração sustentável de valor do negócio”
Cecília Russo
Em um movimento sem precedentes no mercado da moda brasileira, a fusão entre os grupos Arezzo Co. e Soma promete redefinir o panorama nacional, unindo mais de 30 marcas sob um único “guarda-chuva”. Este evento foi o centro das atenções no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN. A união destas gigantes não apenas sinaliza um novo capítulo para o setor, mas também levanta questões importantes sobre o futuro do branding, da perenidade dos negócios e, mais crucialmente, do impacto sobre o consumidor.
Cecília Russo destaca a magnitude deste acordo, citando a expectativa de que as receitas brutas da fusão vão ultrapassar ou chegar perto de 12 bilhões de reais:
“Uma das falas dos líderes, o Alexandre Birmann, diz o seguinte: “nós tivemos diversas marcas e sempre crescemos, com a soma não será diferente”. As possibilidades de crescimento são ainda maiores”
A discussão levantada pelos comentaristas não se limita ao crescimento e às sinergias operacionais esperadas dessa fusão. Ela se aprofunda nas implicações para o consumidor, seja em termos de diversidade de escolha, qualidade dos produtos ou mesmo identidade das marcas envolvidas.
Jaime Troiano expressou a preocupação pela ausência de falas sobre como ficará o cliente diante desta fusão. E foi buscar nas redes sociais a reação do público que variou desde o otimismo com a capacidade da união em “levar a moda brasileira para o mundo”, até preocupações sobre a perda de identidade das marcas e os possíveis impactos negativos de um mercado menos competitivo:
“No fundo, fala-se muito de marcas serem ‘consumer centric’, que o consumidor tem de estar no centro dos planos de uma empresa; ou seja, guiadas por ele. Mas na hora de falar de um mega negócio que tem esse valor a partir da relação construída, fala-se muito pouco do consumidor”
Cecília Russo, por sua vez, enfatiza a importância de manter o consumidor no centro dessas transformações, argumentando que “só constrói marca forte quem entende de gente”. O que nos remete a ideia de que há a necessidade de uma abordagem mais humana e centrada no cliente em meio às estratégias corporativas.
A marca do Sua Marca
A essência desse comentário reside na importância de colocar o consumidor no centro das decisões empresariais, especialmente em meio a fusões e aquisições que têm o potencial de alterar drasticamente o mercado. A transparência, a comunicação eficaz e a manutenção da essência de cada marca sob a nova estrutura corporativa são cruciais para mitigar as preocupações e especulações dos consumidores.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo, que trazem análises profundas e debates sobre os mais recentes fatos no mundo do branding e do marketing. A sonorização é do Paschoal Júnior:
“Nós sempre buscamos estar atualizados com as tendências e ver o que está acontecendo no mundo, não só dos negócios, mas de outras áreas também. Afinal, para entender de marca precisamos entender de gente, e isso nos ajuda a entender a sociedade”.
Cecília Russo
O humano, o relacionamento e o sustentável são algumas das tendências que surgem a partir do comportamento do consumidor e devem ser consideradas pelas marcas no planejamento de suas estratégias, em 2024. Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN, destacaram esses três comportamentos, a partir de um relatório global da Mintel, empresa de pesquisa de mercado. Este estudo, disponível online gratuitamente, serve como uma bússola para as marcas navegarem em um cenário em constante evolução.
A primeira tendência destacada por Cecília Russo é a valorização do “ser humano” nas marcas. Ela ressalta que, apesar da era tecnológica avançada, as pessoas ainda buscam “conexões verdadeiras e significativas”, procurando por marcas que transcendam números e dados. Essa tendência reflete a busca por um equilíbrio entre a conveniência tecnológica e a necessidade humana de interação autêntica.
“Essa tendência vai se acentuar no sentido como o (John) Nesbitt já falava lá na década de 70 quando ele trazia a ideia do hi-tech e do hi-touch não como coisas antagônicas mas complementares”
Cecília Russo
Jaime Troiano, por sua vez, enfatiza a importância do “renascimento do relacionamento” no contexto pós-pandêmico. Segundo ele, apesar do fácil acesso a comunicações digitais, as pessoas estão redescobrindo o valor das interações pessoais. “Relações interpessoais estão virando uma coisa rara”, afirma Troiano, sugerindo que marcas que facilitam encontros significativos e criam comunidades reais terão sucesso nesta tendência.
“As marcas estão sendo desafiadas a promover essa busca; elas estão no momento de retirar as pessoas de seus casulos e fazer com que elas tenham experiências de conexão com outras pessoas de forma significativa”.
Jaime Troiano
Um terceira tendência da Mintel também mencionada por Jaime e Cecília é a “nova realidade verde”, que reflete a crescente preocupação com questões ambientais. As marcas são convidadas a adotar práticas sustentáveis em todo o seu processo produtivo, respondendo às demandas dos consumidores por um compromisso autêntico com o meio ambiente.
No relatório deste ano a Mintel ainda trouxe mais duas tendências:
Mais do que Dinheiro: os consumidores reavaliarão o que é mais importante para eles, afetando não apenas o que querem e precisam, mas sua percepção do que constitui valor.
Perspectivas Positivas: as marcas e os consumidores trabalharão juntos de novas maneiras para lidar com a incerteza.
A marca do Sua Marca
Este relatório da Mintel, conforme destacado por Troiano e Russo, é uma ferramenta valiosa para marcas que buscam antecipar e se adaptar às mudanças do mercado. As ideias fornecidas podem ajudar as empresas a moldar estratégias eficazes de branding e marketing, alinhadas com as expectativas e desejos dos consumidores contemporâneos.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN, e tem sonorização do Paschoal Júnior.
Pesquisa também certifica escolha do consumidor pela marca Photo by Andrea Piacquadio on Pexels.com
“Sua marca pessoal é o que as pessoas dizem sobre você quando você não está na sala.”
Jeff Bezos
Inspirando-se na frase do ‘todo poderoso’ da Amazon, nossos colegas Jaime Troiano e Cecília Russo colocaram suas equipes a trabalhar em busca de uma resposta: o que falam das marcas quando elas não estão na sala? Pela oitava edição, a TroianoBranding usou de sua metodologia para selecionar as empresas e serviços que mais se destacaram no ano e publicar a pesquisa Marcas Mais, encomendada pelo Estadão. O trabalho revela quais as marcas, em várias categorias de negócio, têm mais envolvimento com o mercado de consumidor — ou seja, vai além da proposta da maioria das pesquisas que é saber quais marcas estão na mente do consumidor.
“O Marcas Mais é feito de um conjunto maior de indicadores que revelam a saúde, a força e o envolvimento que a marca tem com os consumidores”
Cecília Russo
Com base nos resultados alcançados ao longo dos oito anos da pesquisa, Jaime e Cecília fizeram levantamento das marcas que mais se destacaram entre os três primeiros lugares em suas categorias, revelando aquelas que têm demonstrado consistência na relação com o cliente.
A seguir, aquelas que apareceram nas oito edições do Marcas Mais:
Bancos — Itaú e Banco do Brasil
Supermercados — Carrefour e Extra
Seguradoras — Porto Seguro e Bradesco
Automóveis — Volkswagen e Honda
Educação Superior — Mackenzie e PUC
Produtos de Limpeza — Omo e Veja
Um das reflexões feitas na edição deste ano foi que, além de os resultados serem um prêmio para a empresa e um atestado de competência para seus gestores, também são um benefício ao consumidor:
“Quando ele vê a marca que ele consome numa posição privilegiada, ele sente confirmada a escolha que fez por ela”
Jaime Troiano
Diante dessa constatação, Jaime e Cecília lembram que os clientes têm o direito de saber como a marca que ele usa é avaliada pela sociedade da qual faz parte.
“Olhe para esse momento como uma maratona, no longo prazo, e não como uma corrida de velocidade, tentando ganhar terreno em pouco tempo”
Cecília Russo
Após dois anos turbulentos, com as restrições impostas pela pandemia, o setor de turismo volta a ter excelente oportunidade de retomar contato com seus clientes, devido o início das férias de inverno, no Brasil. Quase como a possibilidade de oferecer uma segunda “primeira impressão” a turistas que viajam internamente e internacionalmente, neste período do ano. O alto custo das passagens aéreas e a desvalorização da moeda brasileira no exterior, faz crescer as expectativas de quem atua no turismo interno —- e para todos esses, o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresenta quatro sugestões às marcas do setor:
1. Entenda o consumidor
Tenha consciência de que o consumidor sofreu nesse período, talvez tenha até mesmo perdido parentes e amigos para a Covid. Provavelmente, viveu uma vida mais limitada, restrita. Não dá, então, para ignorar isso e fingir que estamos retomando de onde paramos, em março de 2020. É preciso respeitar e celebrar esse consumidor
“Imagine chegarmos num hotel e sermos recebidos como se nada tivesse acontecido nesses dois anos? Mas, se ao contrário, ao entrarmos no quarto e encontrarmos um bilhetinho gentil da direção do hotel celebrando omomento de retomada, tudo ficará melhor na nossa estadia. E um bilhete não custa nada, então não há desculpa para não fazê-lo”.
Cecília Russo
2. Sinalize as mudanças
Mostre que sua marca também se transformou nesses dois anos. Mudanças que podem estar nas medidas sanitárias adotadas, no procedimento de limpeza dos ambientes e na criação de espaços livres ou de um manual com orientações básicas sobre o que fazer diante de sintomas de doença.
“Nada que gere pânico Nada que gere pânico, mas que mostre empatia e cuidado pelo turista. Isso trará uma sensação de mais segurança e criará a percepção de que o hotel, a empresa de turismo, a companhia aérea está cuidando de verdade”.
Cecília Russo
3. Ofereça tratamento diferenciado
As exigências impostas pela crise sanitária aumentaram as regras de controle e acesso, diante disso é preciso que quanto mais rígidas sejam as normas, mais simpático tem de ser o atendimento. Pedir RG, informações e certificado de vacinação, por exemplo, se justifica, mas a abordagem tem de ser com o olhar voltado para o cliente e as palavras, recheadas de gentileza.
“Minha dica então é treinar muito bem sua equipe para estar preparada para cobrar as exigências necessárias de forma a acolher esse turista, e não de encurralá-lo”.
Jaime Troiano
4. Não queira tirar o atraso
Bastam a inflação alta e a perda de poder econômico. O cliente não pode ser punido pelos dois anos de resultados negativos da sua empresa. Majorar os preços na tentativa de recuperar os prejuízos anteriores vai afastar ainda mais o turista.
“Aqui não falo apenas das tarifas de hotel, tarifas aéreas e essas coisas, mas também em serviços extras. Em geral, é nesses extras que preços altos aparecem, numa estratégia para tirar o atraso”.
Jaime Troiano
Ouça o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com sonorização de Paschoal Júnior:
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã.
“Será que somos nós os culpados de criar desejos antes ainda inexistentes, e contribuir para o consumo pouco consciente?”
Jaime Troiano
Quem já teve carro a álcool — álcool raiz, não esse etanol moderno que temos hoje — sabe o drama que era ligar o motor nas manhãs de inverno. Precisava injetar gasolina, tentar uma ou duas vezes, torcer para não forçar a bateria e, às vezes, deixar o motor ligado por algum tempo para não sair titubeando pelo caminho.
O Jaime, nosso colega do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, teve um Passat – Passat raiz, não este alemão e chique que roda hoje em dia. Era a álcool e câmbio mecânico. Dureza! Um dia, um amigo deu-lhe carona em uma Belina à gasolina e automática. “Ainda vou ter uma dessas”, pensou Jaime, que assim que chegou ao trabalho esqueceu da promessa que fez a si mesmo. Algumas semanas depois, abriu a revista Quatro Rodas e deparou com o anúncio da Belina a espera dele. Mas sabe como é …. projeto pra entregar, família pra cuidar. Deixa o desejo da troca de carro para outro dia. Duas semanas depois, ele passou diante da concessionária Ford e voltou a ver a Belina dos sonhos. Entrou, negociou, barganhou e levou.
O que o fez comprar: a necessidade de um carro mais moderno, a experiência que teve com o amigo, o anúncio na revista ou a fachada da loja no caminho de casa? Ele próprio responde: a mistura de desejo e necessidade. É assim que costuma funcionar nossa jornada de compra, do carro (nem álcool nem gasolina, eu sonho com um elétrico) à camisa; do computador ao sapato. Quem faz a gestão de marcas sabe como isso funciona, tem estratégias para conquistar o cliente mas precisa ter consciência de que não pode criar armadilhas.
A história e a reflexão que se seguiu surgiram no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso depois que perguntei ao Jaime Troiano — o dono da Belina — e a Cecília Russo — que não sei se algum dia pegou carona no carrão dele — se o branding é mocinho ou vilão do consumidor.
“É uma questão que invade o território ético. Será que somos nós os culpados de criar desejos antes ainda inexistentes, e contribuir para o consumo pouco consciente? Já refletimos muito sobre isso, e nossa conclusão é que essa dualidade, mocinho e bandido, não faz muito sentido.”
Cecília Russo
Quando profissionais de branding fazem seu trabalho a partir de marcas sérias e comprometidas com suas entregas, produtos e serviços, estão atuando dentro de limites éticos e atendendo a necessidades das pessoas, explicam Jaime e Cecilia. Um exemplo, para ir além da Belina, é quando sentimos sede. Não é a marca quem provoca essa sede. A sede nos leva a marca. E aí sim entra o trabalho do branding: direcionar a pessoa que sente sede para um determinado produto.
“Seres humanos somos uma fábrica de desejos. Eu já os tenho dentro de mim e são esses desejos que me levam ao consumo. As marcas fazem parte daquela equação que já falamos no programa: o que eu sou mais alguma coisa que me falta, é uma soma, digamos assim, que me conduz ao que eu quero ser, ao meu eu ideal”.
Estar comprometido com a transparência e desenvolver o projeto de branding baseado na verdade da marca e em um profundo conhecimento das pessoas a quem elas se destinam é uma responsabilidade que os profissionais da área têm de assumir.
“Branding não é uma máquina de vendas. É um caminho para criar significados autênticos para as marcas satisfazerem necessidade e desejos igualmente autênticos nos consumidores”
“Quanto mais você entende você, mais você consegue fazer coisas efetivas para o outro”
Flávia Ávila, InBehaviorLab
Foi nosso colega de CBN, Thassius Veloso que, brincando com seus seguidores no Twitter, escreveu dia desses que duas expressões que ele adora ouvir é “eu te amo” e “frete grátis”. Thassius sabe do que fala. Entende muito do cenário digital e acompanha o crescimento do comércio eletrônico no mundo, tanto como profissional quanto como consumidor. Para as reações diante da primeira expressão, recomendo a leitura do livro “Por que amamos”, do filósofo Renato Noguera. Para nosso comportamento frente a entrega de graça, sugiro a entrevista com Flávia Ávila, da InBehaviorLab, no programa Mundo Corporativo.
Flávia é mestre em Economia Comportamental, pela Universidade de Nottingham, na Inglaterra; organizou o primeiro Guia de Economia Comportamental e Experimental, do Brasil; e criou a InBehavior Lab — consultoria em que aplica o conhecimento e a experiência desenvolvidos ao longo de seus estudos e carreira. Aliás, a tese de doutorado dela foi sobre o frete grátis, inspirada na observação de que, na época em que estudava em Londres, livrarias já vendiam livros na loja ou na internet pelo mesmo preço, não cobravam o valor da entrega:
“A teoria racional diria que poderíamos cobrar um valor pequeno para a entrega, que o consumidor nem sentiria. Depois de ter estudado o assunto, aprendi que quando o consumidor já planejou a compra e vê aquele frete, por menor que seja, pensa: será que não tem outro mais barato?”
A Economia Comportamental ensina que nós sempre comparamos as coisas e quanto menos comparações nós tivermos, mais rapidamente vamos agir. No caso, fechar a compra. Ensinamentos que surgem a partir de uma série de experimentos e instrumentos de medição de comportamento que ajudam na elaboração de estratégias do comércio – e não apenas o eletrônico.
Flávia destaca uma das ferramentas que usa na consultoria que é o experimento de campo, aplicado, por exemplo, em uma ação da Heineken para reduzir o número de motoristas que consomem álcool. Os pesquisadores promoveram nos bares pequenas intervenções que levavam o motorista a parar e pensar no hábito de misturar bebida e direção. Uma das medidas foi convidá-los a assinar o “juramento do motorista” e em troca ganhavam uma porção de batatas fritas. Mesmo que informal, ao colocar o nome no papel, o motorista assumia com ele próprio o compromisso de não beber. Resultado: nos locais em que houve a intervenção reduziu-se em 25% o número de motoristas que bebiam.
Os estudos sobre o comportamento do ser humano também servem para que o consumidor tenha mais consciência das atitudes que adota, evitando alguns padrões que podem ser prejudiciais e oferecendo a possibilidade de escolhas melhores:
“A gente observa que, quando tem uma coisa muito incerta como agora, tendemos a exacerbar, amplificar, o que chamamos de vieses: essa tomada de decisão mais impulsiva, instintiva, emocional. Por quê? Porque a gente está sobrecarregado mentalmente e algumas decisões tomamos de forma corriqueira e sem consideramos (seus efeitos)”.
Por falar em vieses. Flávia alertou para a influência que os vieses de confirmação e o de ancoragem geram nas nossas decisões. O primeiro se caracteriza diante da busca de certificações que apoiem a nossa ideia. Porém, como estamos crentes na escolha que fizemos, a mente é incapaz de absorver qualquer mensagem que vá na contramão da nossa hipótese. O segundo, se dá a partir da autoridade que construímos diante de nossas equipes de trabalho ou grupos de convivência, que, em algum casos, confiam tanto na decisão que, mesmo desconfiando de seu resultado, são incapazes de se contrapor. É preciso ter consciência desses padrões de comportamento para permitir que novas ideias — contrárias, especialmente — surjam no cenário.
Na conversa com Flávia, aproveitei o conhecimento dela para tratar do consumo de um produto que tem se disseminado na sociedade contemporânea —- quando deveria ser banido: a desinformação, batizada de fake news. E ela não tem uma notícia boa, não! Estudos mostram que a notícia verdadeira nem sempre é captada pelo nosso cérebro, porque ela é normal, não é absurda. Diante de uma notícia falsa, escandalosa, inédita — por exemplo, 90% das pessoas não se vacinaram — o cérebro entra em modo de atenção e capta a informação. Mesmo que reconheça ser falsa, já está na mente e pode influenciar os processos decisórios, inconscientemente.
“Um dos pontos é fazer uma ‘dieta cerebral’. Ter noção de que mesmo quando é mentira, captamos a informação. E evitar de pegar (informação) de fontes que não são confiáveis, que vão afetar nossa decisão de agora e a nossa decisão futura”.
Assista a entrevista completa com Flávia Ávila, CEO e fundadora da InBehaviorLab, no Mundo Corporativo: o frete é grátis.
O Mundo Corporativo tem a colaboração de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.
De um tempo para cá as empresas começaram a dar valor ao Valor. Por muito tempo confundiram Valor com preço. Grandes perdas resultaram dessa confusão. O preço eu posso definir mas o valor que tenho só posso pressupor. O único autorizado a dizer do meu Valor é o cliente. A mim só cabe fazer o certo, o verdadeiro e o belo.
Perceber e sentir o Valor é de responsabilidade do meu cliente, daquele que me coloquei a servir. Quando me deparo com gestores treinando seus vendedores a vender valor fico imaginando o enrosco que criam para as suas equipes comerciais.
Valor é uma percepção individual que alimenta e conduz a pessoa a materializar suas expectativas esperançosas. Só gente é capaz de perceber Valor.
Quando algo tem Valor, o preço daquilo perde importância, passa a ser menos determinante. Construir Valor é confiar que tudo que for feito, no foco do cliente, da maneira certa, correta em termos de ciência, verdadeira e ética em relação ao bem comum e esteticamente impecável, lindo mesmo, como a natureza se mostra, tocará a alma de um ser humano saudável em qualquer cultura.
Essa tríade – certo, verdadeiro e belo – comanda todas as iniciativas das Empresas Válidas, aquelas que sabem que o lucro é a justa paga que lhe conferem em reconhecimento ao bem que propiciam para o todo da Sociedade.
Um país se transforma em Nação através de empreendimentos válidos. Líderes desses empreendimentos ficam conhecidos como executivos estadistas e ganham o mundo como verdadeiros testemunhos de Valor.