Entrevista: “Odebrecht foi mais importante que a embaixada do Brasil em Angola”, diz jornalista

 

odebrecht-7522330

 

“Odebrecht foi mais importante que a embaixada do Brasil em Angola”, diz jornalista Fábio Zanini, em entrevista ao Jornal da CBN.

 

O editor de Poder da ‘Folha de S. Paulo’ e mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Londres lançou este ano o livro ‘Euforia e Fracasso do Brasil Grande’ (Editora Contexto).

 

Zanini descreve a forma como as empreiteiras, e não somente a Odebrecht, expandiram suas ações por países da África e da América do Sul impulsionadas pelos interesses geopolíticos do Governo Lula.

 

Que fique claro, fazer com que empresas brasileiras atuem fora das nossas fronteiras com incentivo do Governo Federal é política a ser considerada, pois fortalece a nossa economia, também. O problema é que junto com as empreiteiras foram, também, as práticas de corrupção reveladas pela Operação Lava Jato.

 

Ouça a entrevista completa de Fábio Zanini:

 

A solução sempre estará na Democracia

 

foto_17jpg_610x232

 

Doze vereadores de Foz do Iguaçu foram presos pela Polícia Federal suspeitos de envolvimento em desvio de dinheiro da prefeitura em obras e serviços mal ou sequer prestados. O prefeito e seus secretários já tinham caído durante as investigações. Restaram três vereadores na Câmara Municipal. E a vergonha dos moradores que pagam impostos e assistem a estas falcatruas.

 

No Rio Grande do Sul, professores com mestrado e doutorado, gente da elite intelectual da universidade federal estão na mira da polícia porque desviam dinheiro de bolsas de ensino e passavam alunos em cursos de pós-graduação sem que eles precisassem assistir às aulas.

 

No Distrito Federal, médicos falsificavam atestados médicos para justificar a ausências nos postos de saúde e hospitais públicos. Crime descoberto após a reclamação frequente de pacientes que procuravam a rede pública mas não encontravam profissionais à disposição – apesar de eles existirem na folha de pagamento.

 

Diante desses fatos, não há como se surpreender com o que surge nas delações premiadas e investigações da Operação Lava Jato. Por um lado, o Estado é usado para financiar partidos e pessoas, aceita pagar mais caro às empreiteiras, desde que estas devolvam parte do dinheiro aos seus agentes. De outro, políticos vendem emendas e projetos de lei para beneficiar quem paga mais alto. Uma gente que decidiu privatizar o mandato público.

 

Se a política não presta, aposta-se na Justiça. No entanto, seus agentes também estão dispostos a negociar em troca de benefícios corporativos. Querem manter regalias, evitar que cortem supersalários e garantir privilégios sustentados pelo contribuinte.

 

No jogo de poder, Legislativo e Judiciário tomam medidas para conter os abusos, mas o fazem apenas por chantagem. Assinam projetos e concedem liminares que aparentam justeza no ato; no entanto, em vez de se pautarem pelo interesse público, o fazem pelo interesse próprio.

 

Já o Executivo, em lugar de buscar uma saída para a crise, está muito mais preocupado em se safar das acusações.
Apesar de tudo isso, não se engane com os aproveitadores: a solução sempre estará na Democracia, mesmo porque só podemos saber da existência de todos os desmandos e denunciá-los por causa dela.

 

Que seja preservada para todo e sempre!

A política tem destas coisas: caixa 2, abuso de autoridade e medo da Lava Jato

 

Márcia Gabriela Cabral
Advogada, especialista em Direito Constitucional e Político
Integrante do Adote um Vereador

 

img201611302044207466092

Câmara dos Deputados muda medidas anticorrupção (foto: camara.leg.br)

 

Há no Brasil um excesso de legislação. Assim, questiono: Será mesmo que o caixa 2 não é tipificado como crime no ordenamento jurídico brasileiro?

 

Atualmente, devido a investigação Lava Jato, discute-se o tão conhecido crime de caixa 2. Logo, a situação dos políticos se agravou com o acordo de delação da Odebrecht e isto provocou temor à classe política, que reagiu rapidamente.

 

O Ministério Público Federal encabeçou uma proposta com “10 medidas contra a corrupção” e apresentou à Câmara dos Deputados. No decorrer do processo legislativo, a proposta foi alterada pelos parlamentares. Dentre as modificações, a mais excêntrica delas é a que estabeleceria a anistia ao caixa 2.

 

Isto é, seria uma espécie de anistia a esta prática delitiva, contudo – na lógica maquiavélica dos parlamentares – o crime de caixa 2 não existe, pois não há a sua cominação. Assim, os crimes de caixa 2 já praticados, seriam “perdoados”, pois por obvio, não há que se falar em anistiar algo que não é crime, além de se valerem do princípio de que a lei não pode retroagir para prejudicar o réu.

 

Fato é que no ordenamento jurídico há inúmeras leis de combate à corrupção, dentre elas a própria lei anticorrupção (12.843/13), a lei da lavagem de dinheiro (9.613/98), a lei das organizações criminosas (12.850/13), a lei de licitação (8.666/93), a lei da transparência (12.527/11), a lei da improbidade administrativa (8.429/92), a lei da evasão de divisas (7.492/86), a lei da ação civil pública (7.347/85), a lei da ação popular (4.717/65), o próprio código penal e diversas outras leis.

 

Ainda há, o Código Eleitoral, que em seu art. 350 estabelece como crime eleitoral “Omitir, em documento público ou particular, declaração que dêle devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais: Pena – reclusão até cinco anos e pagamento de 5 a 15 dias-multa, se o documento é público, e reclusão até três anos e pagamento de 3 a 10 dias-multa se o documento é particular”. Diante disto, entendo estar aí tipificado o famigerado crime de caixa 2, que os políticos alegam não existir.

 

Entretanto, diante da má repercussão, o governo desistiu da tese de anistiar o crime de caixa 2, no entanto, a Câmara Federal aprovou uma suposta nova tipificação para o crime em comento, assim, de acordo com o texto aprovado “o caixa dois eleitoral é caracterizado como o ato de arrecadar, receber ou gastar recursos de forma paralela à contabilidade exigida pela lei eleitoral. Pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa”.

 

Ainda, no pacote de medidas foi aprovada: a lei de abuso de autoridade que prevê responsabilização de delegados, juízes e membros do Ministério Público; a criminalização ao desrespeito a prerrogativa do advogado; as penas escalonadas para diversos crimes; a alteração de diversas das leis já citadas, entre outros pontos.

 

Foi excluída do pacote anticorrupção: o enriquecimento ilícito de servidor público; o teste de integridade; a reformulação de regras relativas ao acordo de leniência, dentre outras medidas.

 

Destarte, o projeto de lei será encaminhado para apreciação do Senado, onde provavelmente, também será aprovado, mas com mais alterações.

 

Lembramos, que a Câmara dos Deputados, aproveitando-se da tragédia aérea que vitimou a delegação do time da Chapecoense, que comoveu o país – afinal somos o país do futebol – e da intensa cobertura da imprensa no caso, votou na calada da noite o PL 4850/2016 ora comentado, com modificações extremamente benéficas a classe política, que pouco ajudam no combate à corrupção e que visa “estancar a sangria” da Operação Lava Jato, pois ela atinge diretamente a classe política.

 

Afinal, a política tem destas coisas.

 

Afogado em corrupção, Pólo Aquático tenta se salvar com liga independente

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

17246672942_0287afd96c_z

foto de Ayrton Vignola/Flickr

 

Em 2015,  a seleção brasileira de POLO AQUÁTICO ganhou a medalha de bronze da FINA Water Polo World League, e US$ 50 mil de premiação aos atletas. A CBDA Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, entidade responsável pela atividade, não entregou o dinheiro e não deu explicações aos ganhadores. Menos mal que agora terá que se entender com o Ministério Público Federal, que está cobrando esclarecimentos pelo contexto. E, também por irregularidades nos estatutos e na Assembleia Geral Ordinária realizada para aprovação dos balanços e do calendário para 2016.

 

A semelhança destes fatos com o que vem ocorrendo em outras entidades esportivas, como no caso da medalha embolsada por José Maria Marin da CBF, agora encarcerado em Nova York, não é aleatória. É sistêmica.

 

O presidente da CBDA, Coaracy Nunes, está há 27 anos na presidência da entidade.

 

Não só no âmbito esportivo, mas de forma universal, cargos de poder ocupados indefinidamente geram ditaduras e corrupção, para não falar em coisas piores.

 

Em 2015, a seleção de juniores, após meses de treinamento intensivo, foi informada dias antes pela CBDA, que não participaria mais do torneio, sem maiores explicações. Os clubes se prontificaram então a arcar com os custos. O valor de mais de R$ 300 mil apontados, comprovadamente excedia em muito ao real (e honesto).

 

Os clubes se reuniram e exigiram mudanças a Coaracy e seus diretores Ricardo de Moura e Ricardo Cabral. Não houve mudanças, apenas uma gracinha pelas redes sociais de Cabral: “Fizeram uma grande lista de pedidos e ganharam apenas um pirulito”.

 

Esses fatos impulsionaram simultaneamente uma reunião na segunda-feira, em 10 dos 12 clubes que competem no PÓLO AQUÁTICO do Brasil: FLAMENGO, FLUMINENSE, HEBRAICA, JUNDIAÍ, PAINEIRAS, PAULISTANO, PINHEIROS, SANTOS, SESI, TIJUCA. O BOTAFOGO e ABDA estão com a CBDA.

 

Nestas reuniões, foi proposta a adesão à LIGA PAB – POLO AQUÁTICO BRASILEIRO.

 

Um desafio e tanto, pois a força imensa do conjunto unido pode se desmoronar se algum clube se encantar com sereias de canto conhecidamente traiçoeiros. E corruptas.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Mundo Corporativo: Renato Santos, da S2Consultoria, diz como reduzir riscos de corrupção, fraude e assedio

 

 

As empresas chegam a perder cerca de 7% de sua receita bruta devido a fraudes, segundo o consultor Renato Santos, sócio diretor da S2Consultoria. Ele, porém, alerta que a preocupação das organizações têm de ir além de questões como corrupção, apropriação indevida ou manipulação de resultados. É preciso estar atento para os casos de assedio – moral, sexual e corporativismo – que representam até 52% das ocorrências dentro das empresas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da rádio CBN, Santos sugere a realização de testes de integridade como forma de reduzir os riscos de desvio de conduta no ambiente de trabalho, a serem aplicados tanto nos candidatos como nos colaboradores das organizações.

 

O Mundo Corporativo é apresentado às quartas-feiras, 11 horas, ao vivo, pelo site http://www.cbn.com.br e reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participam deste quadro Paulo Rodolfo, Douglas Matos e Débora Gonçalves.

Petrobrás nasceu com alerta de corrupção

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Dilma4_Fotor_Collage

 

Segunda feira, no CBN Brasil, o jurista Modesto Carvalhal, autor de “O livro negro da corrupção”, disse a Sardenberg que a Petrobras pode tocar sua produção sem o auxílio das empresas contratadas. Como sempre fez até tempos atrás. Lembrou inclusive que algumas destas empresas que nunca tinham operado neste setor, foram treinadas pela Petrobras. O medo de o Brasil parar é, portanto, infundado. Carvalhal propugna a total condenação das empresas pela conduta corrupta, inclusive da Petrobrás. Recuperação dos prováveis 80 bilhões e multa de 20% sobre o último faturamento.

 

É uma postura dentro do contexto da criação da Petrobrás, quando Vargas, em 3 de outubro de 1953, assinou o Projeto Monopolista da Petrobrás. De autoria de Aliomar Baleeiro, da UDN, o partido liberal, que surpreendentemente propôs o monopólio. Inimigo de Vargas e antevendo a importância da nova Companhia preferiu o engessamento da empresa estatal a entregar ao adversário o capital misto, mais factível a corrupção.

 

Em 1967 a preocupação da relação entre grupos privados e funcionários governamentais foi atestada por Galbraith, economista de Kennedy, em seu livro “O novo Estado Industrial”:

 

“Com a simbiose burocrática forma-se um quadro de crescente interação que acaba contaminando as políticas de governo e colocando-as a serviço de interesses especiais e particulares”.

 

Em 1997, a Petrobras se configurou como empresa de capital misto. Hoje, passados 17 anos, tanto os pressupostos monopolistas dos liberais udenistas, quanto às previsões de contaminação de Galbraith, se concretizaram.

 

A solução aponta para o caminho do sistema único. Publico ou Privado. Purificar, para evitar defesas como a do café da manhã com a Presidenta na segunda-feira, que alegou não ter provas que Graça Fortes sabia ou não da corrupção. Ora, em qualquer dos casos a demissão é imprescindível. Se não sabia, deveria saber. Se sabia deveria coibir.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Mundo Corporativo: Marcelo Forma da ICTS fala de gestão de risco e combate à corrupção

 

 

As empresas precisam ter certeza de que práticas de prevenção de risco e ética organizacional estejam impregnadas no dia a dia das pessoas nas relações com seu trabalho, fornecedores, clientes e as diferentes comunidades com as quais interage. O alerta é do sócio-diretor da ICTS Marcelo Forma em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. A lei anticorrupção que entrou em vigor no início do ano e permite que as punições por desvios de conduta tenham como alvo a própria empresa e não apenas seus gestores tem mudado o comportamento das corporações e levado a investimentos na área de compliance. Forma explica quais as estratégias que precisam ser adotadas para prevenir fraudes e construir uma cultura ética no ambiente de trabalho.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN (www.cbn.com.br) com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Juiz do Ficha Limpa analisa em livro manifestações populares no Brasil

 

 

O juiz Márlon Reis, um dos fundadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e incentivador da Lei do Ficha Limpa, lança o livro “O Gigante Acordado – Manifestações, Ficha Limpa e Reforma Política” (Editora LeYa), nesta quinta-feira, 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na avenida Paulista, em São Paulo. Tive o privilégio de ser escolhido pelo magistrado para a escrever o prefácio deste trabalho no qual, além de tratar da mobilização social que ocorreu neste ano, em todo o Brasil, traz fatos curiosos dos bastidores para criar a primeira lei de iniciativa popular, a que transformou compra de voto em crime eleitoral, e para a aprovação da Ficha Limpa. Além disso, dedica um capítulo à defesa da liberdade de expressão.

 

Ontem, entrevistei Márlon Reis, no Jornal da CBN, quando falamos sobre a aprovação do fim do voto secreto em processo de cassação de parlamentares na Câmara e no Senado, além de análises que estão apresentadas no “Gigante Acordado”.

 

 

Como o conteúdo significativo é o escrito por Márlon Reis, tomo a liberdade de reproduzir a seguir o prefácio de minha autoria. Estarei na livraria para abraçar pessoalmente esse juiz que se tornou um exemplo no país, sem precisar atropelar as regras para defender o direito do cidadão e combater à corrupção.

 

Vamos ao prefácio:

 

“E o senhor acha pouco?”, perguntou o motorista Eriberto França ao ser questionado pelo deputado Roberto Jefferson se as denúncias que havia feito contra o presidente Fernando Collor eram movidas apenas por patriotismo. Para o parlamentar era difícil acreditar que havia um brasileiro, trabalhador, gente simples, sem diploma nem autoridade, disposto a enfrentar o poder e a confirmar a existência de contas fantasmas, onde era depositado o dinheiro da corrupção, usadas por Collor e o tesoureiro dele, PC Farias. Jefferson – que mais de uma década depois seria protagonista das denúncias do Mensalão – considerava inimaginável alguém deixar o sossego do seu cotidiano sem que fosse movido por segundas (e más) intenções. Não é de surpreender que pensasse assim. Historicamente, a elite política do Brasil subestimou a força do cidadão, e a avaliou usando sua própria régua moral e cívica.

 

Nos protestos juninos, que assistimos sem entender bem o que acontecia (este livro nos ajuda a ter compreensão melhor dos fatos), novamente o comportamento do cidadão foi questionado. Apressaram-se a culpar a oposição, que poderia ser qualquer coisa que estivesse do outro lado. Procuraram responsáveis na direita e na esquerda, em cima e embaixo, sem perceber que esta disposição física não se encaixava mais nas ideologias que se contróem em rede, neste emaranhado de pensamentos produzidos na internet graças as pessoas intensamente conectadas. Acusaram motivação política ao verem jovens, senhoras e senhores ocupando as ruas, como se exercitá-la fosse direito privado dos partidos. Esses que ali estavam, com cartazes nas mãos e coração indignado, não esperavam derrubar um governo, como se fez com Collor, nem ratificar uma lei, como nas Diretas Já, queriam reclamar do sistema (ou dos sistemas) e defender a democracia. Mas foram obrigados a ouvir a ironia da autoridade: “tudo isso apenas por 20 centavos?”. Não tiveram capacidade de entender que se pedia muito mais: respeito.

 

Há cinco anos, quando um grupo de cidadãos, na capital paulista, aceitou a proposta de fiscalizar, monitorar e controlar o trabalho dos parlamentares na Câmara Municipal, formando a rede Adote um Vereador, também teve de responder à desconfiança revelada em discursos no parlamento. Alguns vereadores, incomodados com o pedido de transparência no trato da coisa pública e a nossa intenção de controlar nossos representantes, sem perceber expuseram seus valores. Pediram para que informássemos os financiadores da nossa organização, como se somente o dinheiro pudesse mover as pessoas. Usaram sua própria moeda para nos julgar, já que tendem a ser reféns das empresas e grupos que sustentam suas campanhas. Para se ter ideia, em São Paulo, 57% do dinheiro doado aos partidos que elegeram os atuais vereadores saíram de empresas de construção civil e do ramo imobiliário. Tivemos de ir à público para deixar claro de que não precisávamos de um só tostão para acender o interesse do cidadão na política local. Tínhamos a pretensão (e como somos ainda pretensiosos!) de qualificar o trabalho legislativo com a participação popular e, assim, ajudar no desenvolvimento do ambiente urbano, pois é na Câmara Municipal que se votam as leis que vão reger nosso dia, além de serem os vereadores os responsáveis por fiscalizar as ações do prefeito e da prefeitura e a gestão do dinheiro público, o nosso dinheiro. Queríamos apenas praticar a cidadania.

 

Ao colocar uma ideia embaixo do braço e sair do Maranhão para desbravar o Brasil com a proposta da lei do Ficha Limpa, o juiz Marlón Reis também recebeu olhares desconfiados. Magistrado e consagrado em sua posição, melhor seria se ater às letras dos livros jurídicos e se acomodar na burocracia dos tribunais, aproveitando as mordomias do cargo e o ritmo do samba e do baião, nos momentos de prazer. Preferiu fazer política ao seu jeito. Assim como havia se engajado na campanha de combate à corrupção eleitoral, depositou sua fé no projeto que lhe foi entregue em um envelope de papel, na sede da CNBB, em Brasília, levou sua crença a todos os cantos e contaminou pessoas que, como ele, entenderam que o Brasil tinha de ter instrumentos para constranger políticos inescrupulosos e combater a prática da compra de votos. Nessa caminhada cívica, por estradas também virtuais, já que a internet foi extremamente importante, Marlón ouviu muita gente dizer que aquilo não daria em nada, e, se aprovada um dia, seu destino seria o lugar-comum das muitas leis que não pegam no país. Ao contrário, porém, sequer havia entrado em vigor e o caráter pedagógico da lei de iniciativa popular se evidenciava, ajudando a educar a sociedade para a democracia, ao fazer com que o eleitor, antes mesmo de ouvir a promessa do candidato, quisesse saber: “o senhor é Ficha Limpa?”. Hoje, pedimos ficha limpa para todo serviço público; ficha limpa para contratar e ser contratado.

 

O juiz maranhense sabe que é apenas um personagem dessa história, tão importante quanto todos os outros cidadãos que se mobilizaram com a mesma intenção e juntos criaram um fenômeno que o professor Augusto de Franco, criador da Escola de Redes, identifica como swarming, uma espécie de enxameamento criado pela dinâmica da rede, que tem sido o provocador de muitos movimentos sociais e políticos no mundo. Ciente de seu papel e certo de seu tamanho diante da dimensão dos fatos, Marlón Reis tem credenciais para contar essa história e analisar o atual cenário da política brasileira. E faz tudo isso apenas por patriotismo. O que não é pouca coisa, senhor deputado.

Mundo Corporativo: perfil ético de profissional brasileiro é preocupante

 

 

Pesquisa sobre o comportamento dos profissionais brasileiros mostra que 69% dos entrevistados são flexíveis quando se deparam com dilemas éticos no seu dia-a-dia, enquanto 38%, dependendo da situação, aceitam suborno para beneficiar um fornecedor. Os dados são do estudo desenvolvido pela ICTS – consultoria e Serviços em gestão de riscos e proteção aos negócios, que entrevistou 3.200 profissionais das empresas privadas no Brasil entre 2010 e 2012. “Profissionais que mostram flexibilidade ética tendem a agir sobre pressão e não sobre princípios”, analisa o consultor Renato Almeida dos Santos, um dos responsáveis pela pesquisa, e entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Almeida dos Santos alerta que é preciso acabar com o mito de que suborno é um crime sem vítima e lembra que a mesma empresa que tira vantagem de comportamentos ilegais poderá se transformar em vítima destes crimes. Na entrevista, o executivo da ICTS fala de estratégias que devem ser adotadas pelas empresas para reduzir os riscos de fraude e eliminar comportamentos antiéticos dentro do ambiente corporativo.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, só no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Assaltos à mão armada, por telefone e de colarinho branco

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Em meu texto para este blog,escrito no dia 25 de abril, tratei dos constantes assaltos realizados por quadrilheiros em cidades do interior do Rio Grande do Sul.Lembrei que esse tipo de crime acabou com a fama de pacatez ostentada tempos atrás pelos pequenos municípios do interior gaúcho e que fazia muita gente sonhar em morar em um deles, depois de se aposentar, a fim de fugir dos problemas enfrentados, no dia a dia,nas grandes cidades.Para que se tenha uma ideia do que vem ocorrendo em meu estado natal (não tenho notícias de ocorrências semelhantes em outras regiões do país),basta atentar para a estatística:da última sexta-feira até terça-feira passada,dia no qual escrevo para o blog,ocorreram quatro roubos a bancos,afora arrombamentos,tentativas de arrombamento e furtos. Ao todo foram cometidos nove crimes. Em Sarandi,os bandidos chegaram ao cúmulo de sequestrar o gerente do Banco do Brasil e sua mulher,antes de praticar o assalto ao BB. Em Fagundes Varela,dois PMs foram feitos reféns. Os ladrões estavam protegidos por colete à prova de balas e atacaram agência do Sicredi. Hoje em dia,eles estão ficando cada vez mais sofisticados.

 

Bem mais sofisticados, até por serem integrantes da classe média e mais que isso,inclusive,foram os executantes de outro tipo de assalto,esse aos cofres públicos,tanto que mereceram a atenção da Polícia Federal:os flagrados graças à Operação Concutare,que envolveu sem-número de gente,tanto no RS quanto em Santa Catarina. Os investigados teriam praticado crimes contra o ambiente.

 

Já contra os consumidores,em geral,parecem estar as empresas de telefonia. É muito difícil encontrar-se alguém que não tenha queixas de assédio telefônico cometido por funcionários de Call Centers e de demora quando se liga pedindo para falar com algum atendente.Além disso,de acordo com levantamento da Serasa Experian,apenas de janeiro a março de 2013,a cada 15 segundos,um consumidor brasileiros foi vítima de tentativa de fraude,por conta não das empresas,mas de criminosos. Na semana passada,tivemos que aguentar, eu e minha mulher, ligações contínuas de pessoas que se faziam passar por funcionários de uma tal de “central de provedores” e diziam que iriam trocar o nosso modem.Acrescentavam,ora que eram da Oi,ora da UOL ou do Terra,visando a dar credibilidade ao que propunham. Para usar um termo da minha juventude,diante do que se vê neste mundo de gananciosos,durma-se com um barulho desses.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)