Conte Sua História de São Paulo: criei meu próprio podcast

Vinicius Debian Guimarães

Ouvinte da CBN

Foto Tommy Lopes, Pexel


Vocês fazem parte do meu dia a dia. Enquanto pregavam que o rádio acabaria, sempre acreditei na sua força. O encanto do rádio é incrível, e o digital aumentou seu alcance e potencial. Escuto a CBN não apenas no carro. Escuto no trabalho, no meu notebook, nas caminhadas, no meu celular. 

Trabalho com tecnologia e marketing digital. E apesar de toda fatalidade dessa pandemia, a demanda pelo serviço que presto aumentou. Foi nesse período também que decidi aceitar aquilo que sempre foi o meu propósito.

Depois de tanto recuar e remar contra o que eu acreditava, abracei de vez meu propósito de vida. Repaginei completamente minha vida profissional, abri mão de contas e de trabalhos que estava realizando e resolvi que, mais do que nunca, faria a diferença na vida das pessoas.

Passei a produzir conteúdos. E dentre os projetos que mais gosto… adivinhem?

Uma espécie de rádio, onde posso de certa forma homenagear o Mílton, a Tati, a Cássia e figuras importantes do mundo do rádio. Crie o meu próprio canal de podcast em que convido as pessoas a fazerem parte do futuro, no qual conto histórias e disseco estudos com o objetivo de ajudar as outras pessoas a enfrentarem este mundo novo que se intensificou com  a Covid-19



Ouça aqui o podcast Faça Parte do Futuro, criado pelo Vinícius

Vinicius Debian Guimarães é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade visite o meu blog miltonjungcom.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Com a palavra, o presidente

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Há algumas semanas, comentei em meu artigo aqui no Blog do Mílton Jung sobre a deficiência e falta de personalização no atendimento de bancos brasileiros. Foi dado um exemplo específico onde eu mesmo fui o cliente insatisfeito e perplexo pelo atendimento que até aquele momento havia recebido.

 

Justo reclamar quando nos sentimos prejudicados ou mal atendidos, com certeza. Justo, também, elogiar quando o atendimento está a altura do que esperamos.

 

Naquele momento, eu reclamava do serviço prestado pelo banco Itaú Personnalité que havia retirado pontos e benefícios de meu cartão de crédito.

 

Cansado do atendimento mecanizado, que apenas negava minhas contestações e insatisfações, resolvi enviar o registro de minhas reclamações para o presidente do banco. Sim, o presidente Roberto Setubal. Para minha surpresa, no dia seguinte, recebi contatos das áreas de Qualidade e Ouvidoria da organização.

 

Ao contrário do atendimento que havia sido prestado até então, além de assumir o compromisso de cuidar das minhas solicitações e reclamações, conversei com funcionarias atenciosas, especializadas e com profundo conhecimento dos produtos do banco. Elas não apenas prestaram as informações corretas referentes às minhas indagações quanto ao Programa Sempre Presente, como pediram desculpas pelo transtorno causado até então. Após a análise, as milhas reclamadas foram devolvidas e a política de pontuação do programa dos cartões mais bem esclarecida.

 

Esse caso mostra algo que é essencial em qualquer negócio: o olhar do dono, do criador, do fundador. Aliás, uma lição que os brasileiros já haviam aprendido com o Comandante Rolim Amaro que recebia os passageiros da TAM no pé da escada do avião e os estendia tapete vermelho.

 

Obviamente sabemos que em empresas gigantes como os bancos, é impossível que cada processo da organização passe pelos olhos do dono. Ou do presidente. No caso que tratamos, foi necessário chegar até ele para um cliente ser atendido com a dignidade e respeito que todos os demais merecem.

 

Centrais de atendimento enormes com um número grande de atendentes versus uma quantidade grande de clientes são passíveis de erros. O nível de competição que temos hoje e o acesso às informações têm tornado os clientes mais exigentes. E investimento em treinamento e capacitação das equipes é essencial.

 

Independentemente do tamanho da empresa, a chave do sucesso hoje nas organizações é uma estratégica gestão de pessoas, com política de valorização do capital humano. Afinal, produtos não mudam tanto de uma empresa para outra. O verdadeiro diferencial está no atendimento, no relacionamento no conhecimento que seus funcionários têm dos produtos e na forma como encantam (ou não) os seus clientes. É fundamental também dentro dessa gestão mapear e desenvolver líderes com uma efetiva gestão de desempenho.

 

Os clientes das empresas, sejam bancos, lojas ou outros tipos de negócios, estão nas mãos das pessoas.

 

Sua empresa tem as pessoas certas para atender, entender e encantar o seu cliente? Sua empresa investe na seleção, desenvolvimento e capacitação de seus profissionais? O líder maior da corporação está disposto a encarar este desafio?

 

Fique atento, é provável que os seus concorrentes digam sim para todas estas perguntas.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung

 

A foto deste post é do álbum de Verlaciudad, no Flickr

De ah!

 

Por Maria Lucia Solla

 

ah, quanto eu gostaria
de poder escrever
só palavras
de pura alegria

 

o que seria
na verdade
um tédio só
pura fantasia

 

ah, quanto eu gostaria
de ser sempre bem-posta
e que a vida não se oferecesse
tantas vezes
como uma cega aposta.

 

Mas sou tão pequena
uma das menores células
da Humanidade
do que eu tenho ciência
desde tenra idade

 

Agradeço sempre
por tudo o que tenho
por tudo o que sou

 

E peço ao Criador
que na Sua Grandeza
que me dê força para continuar
no Caminho que escolhi para mim
seja ele de alegria ou de dor

 

Para um domingo de manhã
já é filosofia demais
Aproveita o teu dia
e por que não?
faz você, a tua poesia.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

De Criador e Sua criação

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Adão e Eva, criados no sexto dia da Criação segundo Moisés, viviam felizes no Paraíso, num Jardim chamado Eden. Só existiam eles, mas não sentiam solidão. Eram cercados de Bem e de Paz – não tinham ideia do que fossem Mal e Dor – e dividiam o espaço harmonicamente com animais e plantas de todas as espécies. Moisés ainda explica que havia duas árvores dignas de destaque: A Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. O Criador proibiu as duas novas criaturas de se servirem dos frutos da segunda, e não me lembro se Ele explicou a razão, ou não.

 

De qualquer modo, enquanto obedeciam, recebiam o benefício de viver no Paraíso. Também não me lembro se tinha a parte de: se vocês não obedecerem, serão castigados. O fato é que apareceu uma serpente que veio plantar a semente da discórdia. Convenceu Eva a provar a maçã, e Eva saiu correndo para contar a Adão que ela comera o tal do fruto, a maçã era uma delícia, e nada de mal lhe acontecera. Adão foi na conversa da mulher, e o resto da nossa história é considerado castigo do Criador, que nos expulsou do Paraíso.

 

Confesso que essa história, traduzida ao pé da letra, nunca me convenceu. Para dizer a verdade, sofri muito com ela, quando era menina. Eu lembrava da história e pensava: não é possível. Um Criador Perfeito e Único não seria autoritário, insensível, intimidador e vingativo. Além disso, o detalhe da ‘caída’ do Homem na Terra me dava uma sensação horrível. O céu é em cima, a terra embaixo, imaginava o Criador atirando os dois para baixo. Violência, mais um atributo que serve a um destruidor, não a Ele.

 

Tolinha. A segunda colherada é servida quando o bebê está pronto para ela. É tudo símbolo. E por que símbolo? Porque ele pode ser compreendido a cada estágio do Homem, à medida que estivermos preparados para isso. Como tudo. Para cada um ainda hoje.

 

Até a parte das duas Árvores principais, a da Vida e a do Conhecimento do Bem e do Mal, tudo certo; o Criador disse a Adão e Eva que poderiam comer os frutos de todas as árvores, menos os da Árvore do Conhecimento, mas disse também que um dia poderiam se servir dela, só que ainda não estavam preparados para entrarem em contato com aquela substância. Disse também que se comessem o fruto, morreriam.

 

Aquele fruto abria as portas para que eles mergulhassem na polaridade, na materialidade. É como se a substância contida nele provocasse uma queda energética no cidadão, e o Criador estava apenas alertando. Sem nenhum autoritarismo, mostrando o caminho que Ele podia ver porque o tinha criado. Talvez quisesse nos poupar, ou quem sabe tudo estava nos planos d’Ele. E Adão e Eva morreram mesmo, para o estado de consciência em que viviam, e para onde um dia voltaremos.

 

Aqui neste plano da Terra enfrentaram uma realidade mais lenta, densa, instável, conheceram o dia e a noite, o frio e o calor, a fome e o sono, o amor e o desamor, o Bem e o Mal. Caíram do plano etérico para o material. Essa foi a queda. Para uma biblioteca e um cardápio vastos demais para nós naquele estágio. E continuaremos perdidos na biblioteca e no cardápio, enquanto não compreendermos o nosso propósito.

 

Meu filho me disse uma frase que me ajudou a ajustar meus sensores de Bem e Mal. Ele disse: ‘Não sofro pelo que os outros não fizeram por mim, mas sou feliz pelo que eu já fiz pelos outros’.

 

Assim, o resto da nossa história não é castigo do Criador.

 

CQD

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

De confissão

 

Por Maria Lucia Solla

 

Rosa

 

sabe a ladainha de
vou levando a vida
como se fosse um fardo
do bonzinho injustiçado
?
quanto mais rezo
mais assombração aparece
?

 

Canoa furada
!

 

Mas quem não entoa ou não entoou o mantra sinistro. Viés para vitimismo, aiai-de-mim, me-ajuda-Pai, quando ninguém se voluntaria para ajudar a remar o barco, porque está todo mundo remando o seu; pelejando para não fazer água, também.

 

Pai faz assim olha
e dá-Lhe receita

 

Afasta esse encosto da minha vida, traz o afastado e encosta ele em mim, que não dou conta da ausência que leva a luz da permanência. Acende a luz no meu viver, reforma o presente que Você me deu. Recebe ele de volta, desembrulha e faz funcionar. Brinca, Você, com ele. Abre meu caminho para dinheiro, amor, amizade, alegria, saúde. Não necessariamente sempre na mesma ordem, mas basicamente é esse, o terço. Ou não é? Me emagrece, me enriquece, me satisfaz, me livra do que não quero e me dá e-xa-ta-men-te o que eu insisto em ter. Me entupo de porcaria, fumo, bebo, caio na gandaia mais do que o meu corpo aguenta, me boicoto, boicotando o mundo à minha volta. Não li o manual que acompanha o pacote da compaixão, e desconheço para que serve, mas me dá isso tudo, mesmo assim. De mão beijada, ou em troca de oração, contrição, contribuição.

 

Que parte é do “Seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no Céu” que a gente não entendeu?

 

Ação reação
com mínima previsão
página em branco

 

Minha cabeça e meu corpo redemoinham. Desfoco o pensar de caso pensado. Me agarro no sentir com a mente, e no pensar com o coração. Consciente da postura de todos os corpos. Menos harmonia que postura. Nada filosófico. Pão-pão-queijo-queijo da carona do Ser. E respiro. Ah! como preciso me lembrar de respirar. O tempo todo.

 

Nesse caminho chego à conclusão – que dura cada vez menos e se afasta cada vez mais do definitivo – de que meu ritual religioso favorito é viver; estar o mais acordada possível para não perder nem mesmo o sabor do maior dissabor. O mais acordada possível para não abrir frestas no tic-tac que não tem pause, por onde o tempero da vida possa escoar, incentivado por fantasmas da suposição e do medo.

 

Escrever me fortalece, me abre portas para mais e mais incertezas, me faz perceber melhor a vida. Não sei, talvez nenhuma das sensações acima, mas o certo é que me faz sentir bem. Recompõe minhas energias, tipo o sono. Sinto e escrevo. Cara e coroa, tic-tac, coroa e cara. Dou o primeiro passo, colho um ramo de ânimo-do-campo para o segundo e, se não consigo o combustível suficiente para o segundo passo, aceito a limitação e me entrego à não-ação, no inspirar e expirar que é expressão de vida, e não impeço “que o ciclo evolutivo do planeta cumpra o seu dever”. Lavo louça, cozinho, preparo aulas, dou aulas, estudo, leio, crio, lavo o terraço, cuido da casa e de seus viventes, sonho, divago, mas me trago de volta ao reino do divino, o tempo todo, sempre que o ego tenta se meter de pato a ganso. E agradeço. Milhões de vezes por dia.

 

Fico sem gasolina na rua, a testa enruga, viciada, e eu aliso a danadinha, faço o que precisa ser feito e anoto na lista de não-deixar-que-aconteça-de novo, que já ignorei mais de uma vez. Vivo passo a passo, no um-dois-três, acreditando no que sempre disse minha mãe – que esteve hospitalizada no mês passado e já está melhor – Isso é vida!

 

Tenho Deus no coração, nos rins, no bulbo capilar, na solla dos pés e na crista da onda. Sou religiosa. Como não ser? Mas sinto que somos Sua criação, Sua expressão, e não Seus filhos. Essa coisa de Filho é muito esquisita e me arrepia porque humaniza o divino e formata o informatável. Estratifica, faz esquecer que o ser-humano não é Sua única expressão. Será que o Deus que louvamos é o Deus que nos criou, ou aquele que criamos nós, à nossa excelsa imagem e semelhança?

 

Escrever me permite perceber quantas respostas existem para cada pergunta e também me leva a encontrar e a reparar sempre mais um furo no casco da minha canoa. O que sou e tenho é o que sou e tenho, E agradeço. Agradeço por tudo. Não ajoelhada, não paramentada, não rotulada, mas a qualquer hora do dia e da noite e em todo lugar.

 

agradeço à Vida
com a boca de tudo que é
da falta
da fartura
do sonho
do medonho
do Pai João
do Cramunhão

 

agridoce
pura magia
Vida com sabor de alquimia

 

obrigada Criador
!

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

De conexão

 

Por Maria Lucia Solla

Conexão com o Criador

Ouça De Conexão na voz e sonorizado pela autora

Não sei como é o seu jeito de se conectar ao Criador. Você sabe a quem me refiro: ao indizível, invisível, impensável, intraduzível. Aquele de quem já deveria ser desnecessário falar. Deveria ser considerado crime, liderar e convencer pessoas a se conectarem com ele, igual, umas às outras. Sempre.

Sei que não deveria falar sobre o indizível, mas não vou tentar convencer ou converter ninguém. Apenas reflito, como costumo, em voz alta, sobre a necessidade que o homem tem de analisar e dissecar o Divino, de ter exclusividade sobre Sua melhor definição, necessidade de moldá-Lo à sua imagem e semelhança para só então adorá-Lo. O homem finge que acredita na história que prega o oposto: que foi Ele que nos criou à Sua imagem e semelhança.

Vem tempo, vai tempo, vem civilização, vai civilização, sempre foi preciso moldá-Lo à necessidade da tribo, cada um da sua, e o resultado disso é que, hoje, muitos desses deuses, criados à nossa imagem e semelhança, são mais ligados ao PIB do que à FIB. Formaram-se trustes divinos. Valha-nos! Esses deuses gostam mais da cidade do que do campo, voltam as costas à Natureza e se hospedam em templos, cada deus no seu. Os inúmeros deuses que criamos à nossa imagem e semelhança têm nomes e sobrenomes diferentes. Se a tribo precisa de mais rigor, é preciso aumentar o grau do rigor da divindade. Se a tribo precisa ser manipulada, aumenta-se o tom ameaçador dos seus mandamentos, da lista de suas proibições e de suas exigências. E continuamos a aliciar, a subjugar, a castigar devotos que vacilam no cumprimento das leis de seus deuses, que já vêm com código de barra.

Dia após dia nos voltamos contra a Criação do Criador, destruímos montanhas, damos um chegapralá em mares, mudamos rios de lugar e desprezamos, quando não matamos, o nosso semelhante.

Cada tribo, hoje, tem um tradutor, um porta-voz do seu deus urbano, que o vende como bem entende; e nossa ideia do Divino vai ficando cada dia mais fraca, cada dia mais doente.

quando digo pai
digo pai mãe
quando digo ele
penso ele ela

e me conecto sempre
nunca igual
como o esplendor do sol e da lua
que encanta
em new york ou no nepal
sempre
cada dia diferente
e isso me angustia um dia
mas no outro
me deixa contente

FIB = Felicidade Interna Bruta

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung