De conexão

 

Por Maria Lucia Solla

Conexão com o Criador

Ouça De Conexão na voz e sonorizado pela autora

Não sei como é o seu jeito de se conectar ao Criador. Você sabe a quem me refiro: ao indizível, invisível, impensável, intraduzível. Aquele de quem já deveria ser desnecessário falar. Deveria ser considerado crime, liderar e convencer pessoas a se conectarem com ele, igual, umas às outras. Sempre.

Sei que não deveria falar sobre o indizível, mas não vou tentar convencer ou converter ninguém. Apenas reflito, como costumo, em voz alta, sobre a necessidade que o homem tem de analisar e dissecar o Divino, de ter exclusividade sobre Sua melhor definição, necessidade de moldá-Lo à sua imagem e semelhança para só então adorá-Lo. O homem finge que acredita na história que prega o oposto: que foi Ele que nos criou à Sua imagem e semelhança.

Vem tempo, vai tempo, vem civilização, vai civilização, sempre foi preciso moldá-Lo à necessidade da tribo, cada um da sua, e o resultado disso é que, hoje, muitos desses deuses, criados à nossa imagem e semelhança, são mais ligados ao PIB do que à FIB. Formaram-se trustes divinos. Valha-nos! Esses deuses gostam mais da cidade do que do campo, voltam as costas à Natureza e se hospedam em templos, cada deus no seu. Os inúmeros deuses que criamos à nossa imagem e semelhança têm nomes e sobrenomes diferentes. Se a tribo precisa de mais rigor, é preciso aumentar o grau do rigor da divindade. Se a tribo precisa ser manipulada, aumenta-se o tom ameaçador dos seus mandamentos, da lista de suas proibições e de suas exigências. E continuamos a aliciar, a subjugar, a castigar devotos que vacilam no cumprimento das leis de seus deuses, que já vêm com código de barra.

Dia após dia nos voltamos contra a Criação do Criador, destruímos montanhas, damos um chegapralá em mares, mudamos rios de lugar e desprezamos, quando não matamos, o nosso semelhante.

Cada tribo, hoje, tem um tradutor, um porta-voz do seu deus urbano, que o vende como bem entende; e nossa ideia do Divino vai ficando cada dia mais fraca, cada dia mais doente.

quando digo pai
digo pai mãe
quando digo ele
penso ele ela

e me conecto sempre
nunca igual
como o esplendor do sol e da lua
que encanta
em new york ou no nepal
sempre
cada dia diferente
e isso me angustia um dia
mas no outro
me deixa contente

FIB = Felicidade Interna Bruta

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

6 comentários sobre “De conexão

  1. Olá amiga, penso que conectar sempre é o mais dificil, tanto com o Divino, como com os humanos, às vezes, como entre nós a conexão até funciona , bjs Maryur

  2. Bom dia Mike Lima

    Pelo que entendi no seu belo e oportuno artigo de hoje:
    “Vamu lá entaum’

    O que é viver conectado?
    Para uma infindade de pessoas estar conectado com Deus, ser supremo, pai de todos, criador entre outros adjetivos faça chuva, faça sol, estar conectado é aquele “fiel, irmão, seguidor, membro, obreiro’ que não sai da igreja, do templo, que vive com a biblia em baixo dos braços, em suas missões tem que catequizar, doutrinar almas “perdidas no mundo “exterior.
    Arrebanhar fieis, sequitos, novos irmãos.
    Verdadeiros santos!
    Quando estão fora das suas congregações, vemos desfilando com carrões de alto luxo, ternos extremamente bem cortados, carissimos, muitos até fazem de tudo para ingressar na politica e associações.
    Porque e para que?
    Outros quando se deparam com alguem que não pertencem as suas crenças, religiões, doutrinas, congregações são denominados como meras criaturas, sêres do mundo!
    Ora, se todos somos criaturas de Deus, do criador, imagem e semelhança, porque muitos “crentes” tratam os “não crentes” de forma diferenciada como simples seres do mundo, criaturas?
    Jesus Cristo vestia-se com trapos, era cabeludo, barburo e “pobre materialmente”
    Ai é que fico me questionando.
    Vejos pastores, obreiros, bispos, apóstolos de igrejas, padres, freiras, ja vim umas de uma grande escola catolica dentro de um BMW X5, evangelicos desfilando como disse acima, em carrões de luxo, ternos bem cortados,morando em verdadeiros palacios, castelos, promovendo cultos em estadios e ginasios, verdadeiros espetáculos pirotécnicos.
    shows com bandas de rock gospel e a grana rola e muito!
    Vez por outra assisto cultos em uma denominação porque me sinto bem, acho que todos devem ficar em comunhão mental e espiritual por instantes, meditando, orando pedindo perdão pelos seus erros e pecados.
    Mas nada de fanatismo, dogma, achar que a sua crença, doutrina, religião seita é a unica verdadeira sobre varios aspectos.
    O que importa é a fé verdadeira de acrdo com a crença e convicções de dcada um, desprendida, não fazer mal a outro, não trair, não tramar, não prejudicar,não discriminar, não falar mal do outro, dar a mão para aquele irmão que caiu.

    Bjus e bom domingo
    Alpha India November.

  3. É, Maryur,

    conexão anda difícil por congestionamento na rede, na nossa mente, no caso da conexão com o divino.

    A conexão com o outro é prejudicada por interferência do ego, e por falta de respeito, na praça; mas hoje estava pensando nessas coisas que me incomodam e que sei que te incomodam também. Na História, foi sempre assim: a gente vai mudando, se transformando num ser diferente, a cada século, mas as falhas humanas continuam as mesmas. é como terminar a faculdade sem saber soletrar…

    beijo e boa semana,
    ml

  4. Alpha India,

    Difícil encontrar um religioso que não pense que sua religião é o único caminho para a religação com o divino, portanto que não se considere escolhido e, portanto, melhor do que os outros.

    Isso tem cara de religação; de conexão?

    beijo e boa semana,
    ml

  5. Mama,
    Nada como um ritualzinho, mesmo que no improviso ou na inspiração, para se conectar… né?
    Seja por força do hábito, do esforço, com ou sem a preguiça… é bom conectar… refresca, alivia, afaga internamente…
    Mesmo que raras as oportunidades, elas são inusitadas como uma nova descoberta… cada vez que acontece a conexão, ela se mostra diferente… e nos mostra que não somos iguais a ontem, nem o seremos amanhã.
    A cada conexão, renovamos o sistema, mudamos por dentro e por fora… só não vê quem não está conectado!
    Bjs

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