Apresento a você meu novo livro: “É proibido calar!”

 

Unknown

 

“Sou apaixonado pelo que faço. E o que faço parte do público sabe por ouvir falar.
Sou jornalista e apresento um programa de rádio.
Falo muito, na crença de que os outros vão ouvir. E falo da vida dos outros, pois o jornalista conta histórias do cotidiano que interessam ou devem interessar às pessoas — de preferência para ajudá-las a construir seu próprio pensamento.

 

Falo de políticos e politiqueiros. De autoridades e autoritários. De pessoas sobre quem vale a pena falar. E de uma gente que não valeria uma nota de rodapé, mas acaba nas manchetes pelo cargo que ocupa e pelo mal que perpetua.
Falo para inspirar as boas ações e para incentivar transformações, mas também para denunciar aqueles que ocupam a vida pública em benefício privado, que desviam nosso dinheiro para o próprio bolso e que, com os tostões que nos levam, deixam o brasileiro sem hospital, sem escola, sem segurança e sem dignidade.

 

Mas não pense que eu só falo!

 

Tem outras coisas que faço, coisas que poucas pessoas conhecem, mesmo porque são da minha vida particular — e não deve ser interessantes para os outros. Essas coisas eu também faço por amor.

 

Este livro me provocou a falar sobre uma dessas coisas.
Sobre a coisa que eu mais amo fazer: ser pai.”

 

Assim inicio minha conversa com os leitores de “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos” — publicado pela Best Seller do Grupo Editoral Record.

 

Antes desse já havia escrito “Jornalismo de Rádio”, “Conte Sua História de São Paulo” e “Comunicar para liderar”— em coautoria com a fonoaudióloga Leny Kyrillos. Todos até aqui ligados, direta ou indiretamente, a profissão que escolhi exercer: o jornalismo.

 

Esta é a primeira vez que me atrevo a escrever sobre missões que escolhi para a vida: ser pai e ser cidadão. É a partir dessas duas perspectivas que compartilho com o leitor momentos que vivenciei dentro de casa, com meus pais, meus avós e meu filhos. Cometi algumas inconfidências, porque só sei escrever a partir de histórias que vivenciei.

 

Também escrevo sobre experiências com gente que “faz política de verdade, mesmo que a prática seja demonizava por boa parcela dos brasileiros devida aos maus exemplos que vemos todos os dias. Gente que faz política na cidade, na escola, no trabalho e na comunidade”. Uma turma que acreditou, há dez anos, na ideia de participar da rede Adote um Vereador.

 

A partir dessas escritas tento mostrar a crença que tenho no papel de pais, mães e toda pessoa que “aceitou o convite que a vida lhe fez de ser o responsável por assegurar a sobrevivência e o desenvolvimento pleno de uma criança”. Somos — e me incluo por ser pai de dois filhos — fundamentais na educação das nossas crianças que tem de estar baseada em princípios e valores éticos. Que não se constróem apenas por palavras, mas, e principalmente, por atos e ações — até porque a ideia do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” faliu. Somos referências e como tais temos de nos comportar.

 

O livro é lançado agora não por coincidência — sua publicação tem muito a ver com o processo político que estamos assistindo no Brasil às vésperas de uma importante e complexa campanha eleitoral. Indignados, milhares de brasileiros têm negado a política e revelado sua descrença com os acontecimentos registrados no país.

 

Minha proposta é que em vez de deixarmos o espaço público à disposição daqueles que há algum tempo já demonstraram estarem a serviço apenas de seus interesses privados e desistirmos do país, comecemos a desenvolver ações de mudança buscando influenciar aqueles que estão a nosso alcance: nossos amigos, nossos colegas, nossos parentes e nossos filhos — principalmente nossos filhos. É a partir deles que podemos ajudar a reconstruir uma sociedade justa e generosa. Portanto, temos de assumir a responsabilidade pela criação deles com base na ética, educando as crianças para a vida pública, transformando-as em cidadãos, com direito à felicidade — deles, de suas famílias e de seu país.

 

Nos próximos dias, estarei aqui no blog conversando mais sobre este projeto e contando algumas curiosidades da sua construção. O livro será lançado oficialmente em agosto, mas já pode ser encomendado pela internet.

 

Espero que você goste e também compartilhe a sua experiência e o seu desejo de transformar o país, começando pela sua própria mudança de comportamento diante dos desafios e dilemas que o cotidiano nos apresenta.

Ditos populares na minha infância

 

Por Julio Tannus

 

HOJE É DOMINGO PÉ DE CACHIMBO… e eu ficava imaginando como seria um pé de cachimbo, quando o correto é:
HOJE É DOMINGO PEDE CACHIMBO… (fumar um cachimbo).

 

E a gente pensa que repete corretamente os ditos populares.

 

No popular se diz: “Esse menino não para quieto, parece que tem bicho carpinteiro”. Minha grande dúvida na infância: Mas que bicho é esse que é carpinteiro, um bicho pode ser carpinteiro??? O correto: “Esse menino não para quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro”. Está aí a resposta para meu dilema de infância!

 

“Batatinha quando nasce esparrama pelo chão”. Enquanto o correto é: “Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão”. Se a batata é um caule subterrâneo, ou seja, nasce enterrada, como ela se esparrama pelo chão se ela está embaixo dele?

 

“Cor de burro quando foge”. O correto é “Corro de burro quando foge”. Esse foi o pior de todos. Burro muda de cor quando foge? Qual cor ele fica? Por que ele mudaria de cor?

 

Outro que no popular todo mundo erra: “Quem tem boca vai a Roma”. Bom, esse eu entendia, de um modo errado, mas entendia! Pensava que quem sabia se comunicar ia a qualquer lugar. O correto é: “Quem tem boca vaia Roma”. Isso mesmo, do verbo vaiar.

 

Outro que todo mundo erra: “Cuspido e escarrado” – quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa. O correto é “Esculpido em Carrara”. Carrara é um tipo de mármore.

 

Mais um famoso: “Quem não tem cão, caça com gato”. Entendia também errado, mas entendia. Se não tem cão para ajudar na caça o gato ajuda! O correto é “Quem não tem cão, caça como gato”. Ou seja, sozinho.

 

Julio Tannus é engenheiro, consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), autor do livro “Razão e Emoção” (Scortecci Editora)

Sarampo mata e mata porque as pessoas não tomam vacina

 

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Abro o portal G1 para ler a cobertura da Copa do Mundo e antes mesmo de correr os olhos sobre a análise dos jogos que definiram as quartas-de-final com Brasil e Bélgica tenho a atenção desviada para a notícia de que o sarampo volta a assustar: os estados do Amazonas e Roraima estão com surto da doença — foram confirmados mais de 460 casos, informa o Ministério da Saúde.

 

Quando era menino, ainda lá em Porto Alegre, lembro da preocupação da minha mãe em relação a doença. Um colega de sala de aula ou um amigo da vizinhança que aparecesse com as pintas no rosto eram suficientes para aumentar a preocupação entre os pais. Se lembro bem, contraí a doença, mas fui prontamente medicado e me livrei de um baita problema —- ouvíamos falar de pessoas que tinham ficado cegas e outras que morreram porque não estavam protegidas ou não haviam tomado as providências necessárias.

 

Estou falando de fatos que apavoravam os pais nos anos de 1960 quando a vacina ainda não era disseminada como hoje. Ela existe desde 1963 — coincidentemente ano em que nasci. Avançamos muito no tratamento e temos informação e rede de saúde suficientes para atender todas as crianças com um ano de idade — período em que se deve tomar a primeira dose da vacina; a segunda deve ser aplicada com 2 anos e 1 mês de vida.

 

Em 2016, o Brasil recebeu certificado de eliminação do sarampo pela Organização Pan-Americana de Saúde. Coincidência ou não, um ano depois registrou-se o menor índice de cobertura em 16 anos. Apenas 70,69% das crianças receberam a vacina tetra viral, que previne o sarampo, a caxumba, a rubéola e a catapora. Aliás, em 2017, todas as vacinas do calendário infantil estão abaixo da meta de 95% — é o que leio em outra reportagem da editoria Bem Estar, do G1.

 

Sexta-feira passada no quadro Saúde em Foco, o doutor Luis Fernando Correia respondeu a perguntas de ouvintes sobre o sarampo, no Jornal da CBN. Ele alertou para o fato de essa ser uma doença viral, transmitida com extrema facilidade. O vírus é transmitido quando a pessoa entra em contato com secreções do paciente contaminado — pode ocorrer através de tosses, espirros ou gotículas de saliva que se espalham pelo ar:

 

“Se alguém entrar na sala expelindo essas gotículas, 90% das pessoas que estiverem na mesma sala vão pegar essa doença”.

 

Correia diz que voltamos a falar do sarampo porque as pessoas deixaram de se vacinar, seja porque passaram a considerar a doença menos preocupante, já que não se tinha mais notícias dos riscos, seja por “ideias malucas” de pessoas que fazem campanha contra a vacinação.

 

Uma dessas ideias, mais do que maluca, era criminosa: o médico britânico Andrew Wakefield forjou pesquisa científica, publicada na revista Lancet, em 1998, que relacionava a vacina do sarampo com o autismo. Descobriu-se que pouco tempo antes de publicar o estudo, ele havia patenteado uma outra vacina que concorria com aquela que era aplicada na época. Wakefield perdeu a licença de pesquisador e médico. História que está contada no livro Outra Sintonia, de John Donvan e Karen Zucker, já lançado no Brasil.

 

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“ … é uma doença que mata e mata porque as pessoas não se vacinam” — alerta Luis Fernando Correia.

 

De acordo com análises da Fundação Oswaldo Cruz — Fiocruz, o vírus que circula no estado de Roraima é importado da Venezuela. Antes que se imagine que a solução seja bloquear a entrada de refugiados venezuelanos na região, lembre-se que na Europa o número de casos de sarampo aumentou 400%, segundo a Organização Mundial de Saúde — com maior incidência na Romênia, Itália e Ucrânia. Ocorrências que aumentaram porque se baixou a guarda contra a doença.

 

Em vez de querer impedir a migração de pessoas — forçada ou voluntária — ajude a conscientizar as famílias para a necessidade de todas as crianças se vacinarem. Caso você vá viajar para áreas em que o vírus esteja circulando, recomenda-se que tome outra dose da vacina, mesmo que já tenha sido vacinado anteriormente.

 

Quanto a Brasil e Bélgica na Copa do Mundo… bem, sobre isso tenho certeza que você tem informação suficiente.

 

Ouça aqui o podcast Saúde em Foco, de Luis Fernando Correia, sobre sarampo.

 

 

Falando com as máquinas

 

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Dia desses testei pela primeira vez o uso do sistema de voz para pedir orientação ao aplicativo de trânsito — parece incrível que o recurso esteja disponível há tanto tempo e eu continue a dedilhar os endereços onde pretendo chegar. É cultural. Mesmo a TV conectada que recebe comando de voz segue sendo acionada em casa pelo controle remoto. Sempre fiz assim. Nunca me senti confortável falando com uma máquina — ainda que tenha dedicado a vida a falar com um microfone.

 

Ao telefone, quando procuro o call center de algumas empresas, a máquina que me atende tenta disfarçar sua falta de humanidade. Se esforça para revelar intimidade que não existe entre nós. Faz perguntas com reticências, mas não me engana. É máquina como qualquer outra e minhas respostas saem em tom de constrangimento. Acho estranho.

 

Por outro lado, minha sobrinha americana mais nova já faz lição de casa com auxílio de uma assistente digital, para a qual faz perguntas ao deparar com uma dúvida ou pede música para acompanhá-la enquanto realiza os trabalhos escolares. Lá no país em que mora quase um quinto das casas têm assistentes de voz — logo ocuparão o cômodo das nossas casas aqui no Brasil, em grande escala, também, porém antes a maioria delas terá de falar em português.

 

As novas gerações estão aderindo muito rapidamente a esses equipamentos, talvez até em maior velocidade do que aderiram aos smartphones. Nós, migrantes digitais, também vamos nos acostumar com essa realidade. E o que para mim ainda é constrangimento ganhará ares de naturalidade.

 

Relatório da National Public Media, contou o Globo dia desses, mostra que a maior parte dos americanos usa os assistentes para ouvir música (60%), responder a uma pergunta (30%), contar uma piada (18%) —- convenhamos, que coisa mais sem graça —, falar sobre o clima (28%), ligar o rádio (13%) — esta eu gostei —, dar notícias (13%) e programar o alarme (13%).

 

Como em todos os avanços tecnológicos que impactam nossos hábitos é preciso cuidado — corremos o risco de criarmos filhos que falam mais com as máquinas do que com os pais. Ou com os amigos.

 

Aliás, já estamos fazendo isso — e o inimigo nas são as máquinas — como se percebe em reportagem da edição dominical de O Globo, na qual traduz texto da pesquisadora Rachel Simmons, publicado originalmente no Washington Post.

 

Segundo ela, estudo de uma empresa de saúde identificou que a turma mais velha do que minha sobrinha, jovens de 18 a 22 anos, forma a geração mais solitária de americanos.

 

Jovens solitários, que triste!

 

Apesar do uso constante de equipamentos eletrônicos — como celulares e assistentes digitais — , estes estão longe de serem os responsáveis pela solidão. O grande mal constatado é o excesso de tarefas na fase entre o fim do ensino médio e o período na universidade.

 

Com agenda repleta, eles e elas têm pouco tempo para o convívio — mesmo que estejam realizando trabalhos em grupo. Não conversam sobre a vida, têm de falar de compromissos.

 

Pesquisa de Calouros da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) de 2015, que inclui respostas de 150 mil estudantes em tempo integral de mais de 200 faculdades e universidades, mostrou que o número de alunos de primeiro ano que passavam 16 ou mais horas por semana com os amigos caiu pela metade em dez anos —- são apenas 18%.

 

Mesmo se a oportunidade de relaxar surge, ficam constrangidos, pois temem serem vistos como pessoas desocupadas, sem objetivo na vida. Sofrem pressão em casa, na escola, dos gestores e dos grupos sociais em que sobrevivem.

 

Se realmente decidirmos entregarmos nossos filhos mais novos à companhia de assistentes digitais, acreditando que preencheremos a lacuna de nossa ausência, é provável que os próximos estudos revelem crianças solitárias — menininhos e menininhas que deixarão de conversar amenidades, sequer saberão como olhar no olho do outro e incapazes de exercitar a generosidade.

 

Simmons escreve que “a capacidade de fazer amigos atrofia se não for usada”.

 

Precisamos de amigos para confidenciar nossas angústias e nossos filhos precisam de pais mais próximos e dispostos a conversar com eles sempre que forem “acessados” — com a mesma agilidade que as máquinas o fazem, mas com o amor que só os seres humanos são capazes de oferecer.

Educação digital e diálogo evitam dependência de videogame e tecnologia

 

 

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Usuário de videogame. Foto: CC0 Creative Commons

 

 

A decisão da OMS – Organização Mundial de Saúde de identificar o vício por videogame como distúrbio mental, tema que tratei em post publicado nessa terça-feira, aqui no Blog,  sinaliza o tamanho do problema que algumas pessoas estão enfrentando dentro de casa. Se até há alguns anos, os pacientes que apresentavam sinais de dependência aos jogos eletrônicos, especialmente online, tinham mais de 18 anos, hoje os consultórios de psicologia já recebem meninos e meninas de 11 e 12 anos. Fiquei surpreso e assustado com a informação da psicóloga  Anna Lucia King, que entrevistei no Jornal da CBN, na manhã desta quarta-feira.

 

 

Ela entende do assunto. É doutora em saúde mental e uma das fundadoras do Instituto Delete que surgiu dentro do Instituo de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2008. Logo que começa a conversar sobre o assunto faz questão de ressaltar: “somos a favor das tecnologias porque são muito importantes, elas desenvolvem o mundo”. Mesmo que defenda um detox digital, não prescreve abstinência no acesso a computadores e celulares ao contrário do que se faz com dependentes de álcool e drogas.

 

 

Chama atenção para a necessidade de se diferenciar os que usam de forma abusiva a tecnologia, por lazer ou trabalho, daqueles usuários abusivos que tenham um transtorno associado. Geralmente são pessoas inseguras, dependentes emocionalmente de outras, têm baixa auto-estima, dificuldade de se relacionar, mantém alguma fobia social e usam o computador como um escudo.

 

 

 

 

Existem exames específicos e profissionais preparados para identificar a dependência de videogames – e este é um dos trabalhos do Instituto Delete. Porém, é possível ligar o sinal de alerta no caso de a pessoa, seja mais jovem ou mais velha, ter privação de sono, baixo rendimento escolar e profissional, prejuízos na  vida pessoal, social e familiar. Geralmente, a identificação desses sinais é feita por alguém da família porque a pessoa mesmo não reconhece o uso abusivo com transtorno associado.

 

 

Para Anna Lucia, educação digital e diálogo são os caminhos a serem percorridos por pais e filhos com o objetivo de evitar o uso abusivo das tecnologias: “o importante é o pai entender que ele é o responsável pelo uso da tecnologia do filho … como transmitir educação digital se ele mesmo dá exemplo errado?”.  Portanto, antes de cobrar do seu filho um comportamento que considere mais apropriado, lembre-se de prestar atenção nos seus hábitos.

 

 

Gostei de ouvir na entrevista uma sugestão que já aplico desde que me conheço por pai – e isso lá se vão 20 e poucos anos.

 

 

Anna Lucia comentou que os pais costumam reclamar dos excessos cometidos pelos filhos, mas fazem questão  de montar o quarto das crianças com sinal de wi-fi e equipamentos de última geração: “aquilo (o videogame) é muito sedutor, com luzes, imagens e personagens que são fortes e bem sucedidos”. A sugestão dela é que  o computador esteja na sala para que as crianças não fiquem isoladas e o acesso seja em um ambiente coletivo.

 

 

Por vivência já compartilhada com você, caro e raro leitor deste Blog, quando todos usam a internet em um mesmo ambiente a troca de experiência é muito maior, o relacionamento se torna saudável e educativo. E educativo para ambos os lados. Aprendi muito assistindo a meus filhos e descobri, por exemplo, que eles não vivem na frente do computador jogando videogame. Eles vivem na frente do computador assistindo a documentários e séries, pesquisando para trabalhos escolares e profissionais, conversando com amigos nos mais diferentes cantos do planeta, lendo artigos e textos disponíveis na internet, trocando todo tipo de arquivo de áudio, video, texto e foto, e, claro, jogando videogame.

 

 

“Os pais precisam ver que não é porque o filho joga o dia inteiro que ele é um doente ou tem um transtorno associado, ele às vezes tem uma falta de orientação de como usar adequadamente a tecnologia; e todo jovem que usa muito tempo não quer dizer que ele é um viciado ou dependente, ele só tem um mau uso que precisa ser corrigido e orientado”, comentou.

 

 

Você está preparado para orientar o seu filho?

 

 

Leia mais sobre o assunto:

 

 

O que aprendi com os meninos que não saem da frente do computador

 

 

Um manual para os pais da geração gamer

Conte Sua História de SP: minha vida na cidade começou de fato no Fórum João Mendes

 

Por Paula Calloni
Ouvinte da rádio CBN

 

 

O Hospital e Maternidade Central Nossa Senhora da Abadia, em Santo Amaro, que era administrado por freiras, já não existe mais. Lá conheci meus pais pela primeira vez, quando tinha 15 dias de vida, em 1968.

 

Eles já tinham 3 filhos, mas queriam mais uma menina. A freira levou minha mãe ao berçário e mostrou vários recém-nascidos, abandonados pelas mães biológicas… a maioria solteiras e recém-chegadas à cidade. Ao me pegar no colo, minha mãe disse: “quero esta”. E não adiantou a irmã apresentar outros bebês: “quero esta!” – disse mamãe, firme.

 

Dias depois, lá fui eu para o fórum João Mendes, região da Sé, nos braços da enfermeira Venina de Oliveira Costa, já falecida, que me entregaria para meus pais adotivos.

 

Quantas vidas se encontrando na São Paulo que se agigantava, vivaz, onde viver já era uma correria.

 

Naquela manhã, o juiz da Vara de Menores do Fórum propôs que eu ficasse num abrigo para menores até sair a papelada oficial da adoção.

 

Nesse momento, meu pai, imigrante italiano, me segurou firme e desafiou o juiz: “ela é minha filha e se eu não sair com ela no colo hoje, vou deixá-la aqui!”.

 

O que fazer? O juiz se viu encurralado. E cedeu. Ufa…

 

Ganhei uma família. Ganhei um lar.

 

Hoje, quando passo ao lado do Fórum João Mendes, olho para ele, imponente, sem jamais esquecer que ali, de fato, começava a minha história com São Paulo.

 

O Conte Sua História de São Paulo tem sonorização do Cláudio Antonio e narração de Mílton Jung. Vai ao ar aos sábados, após às 10h30, no CBN SP. Para participar, envie seu texto para milton@cbn.com.br

Ajude-me a construir a nova sede da Cáritas Santa Suzana

 

 

Conheci o trabalho da Cáritas Santa Suzana pelas mãos do Padre Manoel, que reza as missas na Capela da Imaculada Conceição, local que frequento aos fins de semana como já devo ter contato em outras oportunidades neste blog. A ação pedagógica e de formação que os voluntários desenvolvem há mais de dez anos é contagiante. São cerca de 350 crianças de famílias carentes que passam pela instituição e recebem apoio socioassistencial, no bairro Monte Kemel, zona oeste de São Paulo. Muitos desses jovens já foram para a universidade ou encontraram oportunidade no mercado de trabalho, graças ao apoio de empresas que investem neste projeto. Outros tantos, levaram o conhecimento, adquirido nas muitas atividades realizadas, para dentro de suas casas e compartilharam com parentes, amigos e colegas. A obra que se realiza neste espaço é transformadora pois atende jovens e suas famílias que moram em algumas das maiores favelas das zonas sul e oeste da capital paulista, tais como Paraisópolis, Real Parque e Vila Praia.

 

Durante todo esse tempo, a Cáritas recebeu as crianças e adolescentes em conteiners adaptados para serem salas de aula. Agora, chegou a hora de mudar este cenário. Aproveitando o terreno próprio, um grupo de voluntários iniciou trabalho de captação de recursos para erguer uma nova sede, muito mais moderna, confortável e digna, que ampliará ainda mais o alcance deste projeto. As novas instalações terão um edifício principal, com 1.700 m2 de área construída, ladeado por um pátio externo de 1.000 m2, estacionamento multiuso, com 3.100 m2 área construída – que também será fonte de renda para a Cáritas -, e espaços para hortas e jardins.

 

Eu estive no local onde o prédio está sendo erguido e aproveitei para fazer uma transmissão, através do Periscope, oportunidade em que conversei com várias pessoas que assistiram ao vídeo, ao vivo, e enviaram perguntas pelo aplicativo. Um resumo deste vídeo está publicado aqui no blog e você poderá ver que a obra está avançando, principalmente devido a ajuda de um fundo do governo da Itália destinado a projetos de caridade em países do terceiro mundo. Apesar da colaboração, ainda são necessários cerca de R$1milhão para sua conclusão, e você está convidado a nos ajudar com qualquer quantia que estiver ao seu alcance.

 

As doações devem ser feitas em dinheiro na conta bancária da Cáritas Santa Suzana:

 

BANCO BRADESCO
AG 2403-1
CC 28573-0

 

CÁRITAS SANTA SUZANA
CNPJ 64.033.061/0016-14

A alarmante estatística de jovens assassinados, em Porto Alegre

 

Por Mílton Ferretti Jung

 

Zero Hora publicou, na última segunda-feira,alarmante estatística. Como nem todos leem jornais diariamente,copiei a manchete com seus números assustadores:

 

Homicídios de crianças e adolescentes crescem 61% na Região Metropolitana

 

Na sua página 5, acrescentou que levantamento de ZH e Diário Gaúcho demonstra que, a cada três dias,um jovem com menos de 18 anos é executado. Foram 50 nos cinco primeiros meses deste ano.

 

Tento imaginar quantas famílias ficaram enlutadas em razão dessa verdadeira carnificina,mas não consigo.Na abertura da matéria dos dois jornais da RBS,há outra informação que lembra qual foi a data da primeira vítima do morticínio em 2015: 1° de janeiro. Michael Wesley Cacildo Alves,de 16 anos,foi ainda baleado e,não bastasse isso,atropelado na Avenida Doutor João Dentice,no mal afamado bairro Restinga. As mortes,claro,não param aí.

 

Outro trágico detalhe:pelo menos,notem bem: os números estampados nos dois jornais indicam que 50 crianças e adolescentes morreram só nos primeiros cinco meses do ano. Trata-se de aumento de 6l,2% em relação às 31 vítimas do mesmo período de 2014. A primeira vítima deste ano,Michael Wesley,era estudante,vivia com a mãe e a irmã,sem nunca se envolver com algo ilícito. Morreu por ter cruzado com integrantes de uma gangue da Restinga. Esse bairro é considerado o mais violento da cidade.Imagino que a polícia,por mais que tente impedir a mortandade na região maldita, não consegue e é superada pelos maus elementos. Prova disso é o número de quadrilhas 20 – conforme levantamento da Brigada Militar.Aliás, autoridades tais como os Secretários de Segurança, chefes de polícia,comandantes da BM, valem-se do que chamam de áreas conflagradas visando a sua incapacidade de produzir resultados positivos para acabar com mortes como a de Brenda (exemplo dado pelos jornais da RBS)que perdeu a vida quando ia a caminho de sua casa.É muito triste que as pessoas tenham de morar na perigosa região da Restinga.

 

É uma pena que não haja estatísticas referentes ao número de menores de 18 anos que integram gangues. Esses “meninos”,muitas vezes,juntam-se aos escolados bandidos com o propósito de aprender a assaltar alunos de colégios como o Protásio Alves,onde estudam várias vítimas desses bandidinhos e dos seus “professores”.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

De emburramento

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Quando eu era menina, ficava ‘emburrada’. Não falava com ninguém e ficava de ‘cara feia’. E não era só eu. Éramos uma legião de crianças emburradas. Longe de ser moda, era nossa expressão de descontentamento. Não vamos nos esquecer de que quando eu era ‘menina, o ‘emburramento’ era o máximo de expressão de revolta permitida a nós, os pequenos.

 

Não falava à mesa, não dava palpite, jamais interrompia quando um adulto falava, estudava e tirava notas excelentes, porque era o que se esperava de mim, e pronto. Meu pai dizia que eu não fazia nada além da minha obrigação. Ele tinha razão, e nesse ponto eu me dava bem porque sempre gostei muito de estudar. Agora, a parte do ficar quieta era a mais difícil. Engolia em seco o tempo todo, ‘tirava letra’ das músicas, e cantava, cantava, já que não podia falar. E escrevia. Diário, carta e desabafo. De lá para cá, vocabulário e regras podem ter mudado e evoluído, mas o homem.…

 

E fazer o quê, emburrar? Enredar pela via da crítica virulenta? Aquela do eu estou sempre certo, e você errado? Falar o tempo todo do descontrole e da selvageria que assola o planeta? E olha que não sei da missa um terço!

 

Tem solução? Está tudo errado? Não. Apesar do descontentamento individual e geral, nada está errado. A Natureza segue o seu caminho, de ação e reação, apesar de nós, e da nossa agressão a ela. Só isso. Há algum tempo, nós a violentávamos e assaltávamos, na calada da noite. Hoje, à luz do dia.

 

Selvagens, brincamos de cidadãos. Temos sempre uma palavra de crítica ao outro, e espantosamente sabemos a receita para todos os problemas. Do outro. Filho mata mãe, mãe não fica atrás. Rico come bem, estuda e saqueia o semelhante. Pobre passa fome, não estuda e faz o mesmo. Apesar do preconceito que devasta qualquer possibilidade de entendimento, de acordo e paz.

 

Tem juiz que se degrada, condenado que se recupera. Tem justiça e seu avesso. Em todo lugar, em todo posto. A qualquer preço.

 

E eu? Se tenho receita? Vivo como posso, me aninho como fazia quando criança , me acomodo na solidão que se acomoda em mim, reconheço no espelho a tristeza nos sulcos que não havia ali, e entendo que tenho ainda muito a aprender.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

Goonies: desde 1985, agradando crianças e seus pais

 

FILME DA SEMANA:
“Goonies”
Um filme de Richard Donner – escrito por Steven Spilberg.
Gênero: Aventura
País:USA

 

 

Para salvar suas casas de serem desapropriadas uma turma de crianças acha um mapa do tesouro e saem a sua procura. Entre vários perigos, nos divertimos com esta criançada super descolada.

 

Por que ver: Não dá para perder um filme tão bem feito e puro como este. Apesar de ser um filme de 1985, tem um ritmo bacana e vai cativar até a criança mais “internética”. Meu filho ficou maluco com aquele japinha que constrói tractanas mirabolantes e, no dia seguinte, não esqueceu de nada e quis fazer brincadeiras fingindo estar no filme. FOI DEMAIS!

 

Como ver: Com seu filho/a, as 18:00 horas depois da praia, churrasco e caipirinha…Ufa, só um filme incrível como este pode dar uma brecada nestas crianças.

 

Quando não ver: Caso você tenha preguiça de ler as legendas para os pequenos…Não achei nenhuma versão dublada. Alguém tem alguma dica?

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos.