Em lugar de “lacração”, UNICEF propõe que candidatos se comprometam com cinco prioridades em defesa de crianças e adolescentes

Foto: Unicef

O UNICEF fez um apelo crucial aos candidatos e candidatas das eleições municipais de 2024, pedindo um compromisso com os direitos das crianças e adolescentes, enfatizando a necessidade de políticas públicas que garantam proteção, desenvolvimento e bem-estar para as novas gerações. Essa iniciativa, respaldada pelos princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), aponta cinco prioridades essenciais que devem ser incorporadas nos planos de governo dos futuros gestores municipais.

Quem me alertou para a importância desta ação do Fundo das Nações Unidas pela Infância foi Cezar Miola, vice-presidente da Atricon, que reúne os tribunais de conta do país. Sempre atento às questões relacionadas à educação, Miola destacou a importância desse chamamento do Unicef ao afirmar que, “esses compromissos, se vertidos em ações materiais, serão transformadores para o país”. 

Miola ressalta que não apenas os candidatos às prefeituras devem adotar essas causas, mas também aqueles que concorrem às Câmaras Municipais. “Ali serão votadas as matérias e decididos os orçamentos capazes de garantir que as propostas se concretizem,” destacou o conselheiro do TCE-RS, apontando para a necessidade de uma gestão pública comprometida e eficaz na defesa dos direitos das crianças e adolescentes.

Apesar de a clara preocupação de candidatos, neste momento, ser a “lacração” — o exercício de encontrar um jeito de viralizar com suas opiniões e comportamentos nas redes sociais —, o cidadão pode impulsionar propostas como a do UNICEF. Minha sugestão é que o eleitor cobre dos candidatos a prefeito e a vereador que assinem esse compromisso e incluam em seus planos de governos as cinco prioridades apresentadas pelo UNICEF.

Conheça as prioridades para crianças e adolescentes

Entre as prioridades, a proteção contra a violência ocupa um lugar central, devido ao preocupante número de mais de 15 mil mortes violentas de crianças e adolescentes entre 2021 e 2023. O UNICEF pede ações concretas para prevenir, identificar e acompanhar casos de violência, garantindo um ambiente seguro para todos os meninos e meninas.

A segunda prioridade é a resiliência climática, uma resposta urgente à exposição de 40 milhões de crianças e adolescentes a riscos ambientais, como enchentes, secas e ondas de calor. O UNICEF enfatiza a necessidade de estratégias municipais para mitigar esses riscos e proteger a saúde e o desenvolvimento das novas gerações.

Educação é a terceira prioridade, essencial para que as crianças não apenas acessem a escola, mas permaneçam nela e aprendam com qualidade. Em 2023, 44% das crianças brasileiras não estavam alfabetizadas na idade esperada. O UNICEF destaca a importância de investimentos que garantam um ensino de qualidade, especialmente na Educação Infantil e no Ensino Fundamental.

A quarta prioridade é a saúde e nutrição, com foco em promover a imunização universal e combater a má nutrição desde a primeira infância. Dados de 2023 revelam que mais de 100 mil crianças no Brasil não receberam as vacinas básicas contra difteria, tétano e coqueluche, evidenciando a urgência de políticas públicas de saúde.

Por fim, o UNICEF pede que se priorize a proteção social para os mais vulneráveis, enfrentando a pobreza multidimensional que afeta 60,3% das crianças no país. Políticas públicas de proteção e assistência social, focadas nas necessidades das crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, são fundamentais para garantir seus direitos e promover uma sociedade mais justa e igualitária.

Esses compromissos devem ser assumidos já durante a campanha eleitoral, para que, uma vez eleitos, os futuros gestores possam garantir a concretização dessas prioridades em políticas públicas e investimentos. Como observou Miola, além dos prefeitos, os vereadores têm um papel crucial nesse processo, pois é no âmbito legislativo que as decisões sobre orçamentos e políticas serão feitas. 

O chamado do UNICEF é, portanto, um apelo não apenas aos candidatos, mas a toda a sociedade, para que esses direitos sejam uma realidade tangível na vida de milhões de crianças e adolescentes em todo o Brasil.

Avalanche Tricolor: memórias e emoções de um guri, em Curitiba

Grêmio 0x1 Inter

Brasileiro – Couto Pereira, Curitiba/PR

A fumaça recepciona o time no Couto Pereira em foto Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Passavam das 11 da noite e um guri descia a escada rolante do hotel em que fiquei hospedado, neste fim de semana, em Curitiba. Por coincidência, o mesmo que a delegação gremista havia usado como concentração para o clássico de sábado. Chamou-me a atenção o fato dele ostentar a camiseta branca, de dimensões muito maiores do que seu corpo, que faz parte do segundo uniforme do Grêmio Parecia orgulhoso pelo troféu que, provavelmente, havia conquistado minutos antes das mãos de um dos nossos jogadores. Desconfio que tenha sido Rodrigo Ely quem fez a alegria daquele menino. Ao menos, era esse o nome estampado nas costas.

Vi o guri e lembrei dos muitos outros que havia encontrado mais cedo no trajeto que fiz até o estádio Couto Pereira, na capital paranaense. Nem todos vestiam tricolor. Alguns poucos estavam de encarnado. A maioria andava de mãos dadas ou ao lado de seus pais e mães, talvez tios e tias,  avôs e avós. Estavam prestes a vivenciar um dos maiores clássicos do futebol brasileiro.

Diante do acontecido, que a essa altura já é de conhecimento do caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, nem todos tiveram a satisfação do grito de gol. Tenho certeza, porém, que experimentaram momentos que poucas atrações na vida proporcionam. A atmosfera do estádio, com a vibração das torcidas, os cantos e gritos de incentivo, a fumaça que toma conta do campo para recepcionar a entrada dos times, cria um ambiente contagiante e mágico.

Guris e gurias que presenciam essa energia coletiva sentem-se parte de algo grandioso, criando um senso de pertencimento e companheirismo. A observação dos jogadores em campo com suas habilidades (nem todos, né), estratégias (dos times que as têm) e trabalho em equipe (às vezes em falta), serve como uma aula prática de esportividade, determinação e cooperação.

A experiência vai além do jogo em si. A emoção de torcer para um time, a tensão das jogadas decisivas e a celebração dos gols (quando ocorrem) proporcionam uma montanha-russa de sentimentos que ensina a lidar com vitórias e derrotas. Assistir a um jogo ao vivo também promove momentos inesquecíveis de conexão entre pais e filhos, amigos e familiares, fortalecendo laços e criando memórias que serão guardadas para a vida toda.

Muitas dessas lembranças, emoções e sentimentos vivenciei ao lado do meu pai. E, por graça e obra do Grêmio, os compartilhei com os meus filhos. No sábado, o mais velho estava ao meu lado. Foi ele quem, sabendo de minhas memórias afetivas, me alertou para um dos rostos estampados em um dos muros do estádio do Coritiba: era uma homenagem a Ênio Andrade, campeão brasileiro pelo time paranaense em 1985. 

Seu Ênio foi de suma importância para minha formação. Ajudou-me na relação com meu pai. Deu-me lições de vida, a partir das perguntas que me fazia e do carinho com que me tratava. Adotei-o como padrinho, mesmo que ele nunca tenha sabido disso em vida. Tinha consciência, porém, de seu papel educador diante daquele guri que frequentava o Olímpico quase sempre ao lado do pai.

Foi aquele menino, alertado pelo filho mais velho, que correu até o muro verde em que estava a imagem do Seu Ênio, deu-lhe um abraço, registrado em foto, e se emocionou como uma criança diante de seu ídolo. Instantes que usufruí com a mesma alegria que conduzia o guri na escada rolante vestindo a camisa de um jogador de futebol e de todos os outros que estiveram no estádio Couto Pereira, neste sábado. E o fiz porque só o futebol tem a capacidade de me levar de volta a um tempo de inocência e alegria genuína.

Preocupados com a vida de quem?

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto: Paulo Pinto

Excelentíssimo Senhor Deputado,

Após inúmeras manifestações sobre o projeto de lei proposto na semana passada, que equipara o aborto a homicídio, confesso que pensei já ter perdido o tempo oportuno para fazer a minha manifestação. Entretanto, tendo em vista o curto prazo para a votação de tal projeto, uma vez que a partir dessa semana a Câmara estará vazia para que os deputados possam festejar o “São João”, gostaria de fazer algumas considerações que são essenciais quando a discussão envolve a preocupação com a vida.

Como profissionais de saúde mental, que temos o compromisso de prevenir e tratar diversos transtornos mentais, convivemos com diversas pessoas que carregam os traumas dos abusos e violências sexuais sofridas. Essas vítimas têm um risco aumentado para o desenvolvimento do transtorno de ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático, maior vulnerabilidade para tentativas de suicídio, dentre outras condições psíquicas.

Como mãe, espero que o senhor nunca tenha vivido e nunca experimente a devastação que o estupro sofrido por uma filha possa provocar.

Infelizmente, esse não é um caso isolado.

De janeiro a julho de 2023, segundo dados da Agência Brasil, foram registrados 34 mil estupros de vulneráveis de meninas e mulheres. Os dados apontam para uma média de um estupro a cada 8 minutos.

Me desculpe, senhor deputado, mas não sei se o senhor tem uma exatidão do que isso representa.

São meninas e mulheres que vão ter nojo de si mesmas, procurando em suas atitudes, ainda que em fases tão precoces da vida, como na infância, o que fizeram de errado para que isso acontecesse com elas.

São meninas e mulheres que não conseguirão colocar suas cabeças no travesseiro e ter uma noite tranquila de sono, porque os pesadelos e o medo as aterrorizarão.

São meninas e mulheres que se questionarão sobre sobreviver, porque a morte pode parecer algo mais reconfortante.

Vidas são preciosas e é nosso dever zelar por elas.

Será que estamos verdadeiramente preocupados com a vida? Vida de quem?

Não conseguimos sequer proteger a vida dessas meninas e mulheres!

Não discuto aqui sobre sermos favoráveis ou contrários ao aborto. Até porque, convenhamos, quando se levanta uma proposta de lei na surdina, às pressas, isso soa muito mais com politicagem e manobras para tirar de foco outras questões que envolvem o governo, disfarçada de bandeiras salvadoras da humanidade – ou quem sabe, salvadora de partidos e bancadas.

Me desculpe a insistência, mas a pergunta ressoa novamente: preocupados com a vida de quem?

Além de tudo o que essas vítimas passam, serem tratadas como criminosas e a pena ser maior que a do seu estuprador, em caso de aborto, é no mínimo falta de compaixão com requintes de tortura.

Já não basta a indiferença que sofrem pelos crimes de estupro arquivados por falta de provas? Já não basta a dor de muitas vezes terem que conviver com o estuprador, quando este é um membro da família? Já não basta a dor do julgamento social sobre suas condutas ou comportamentos que são considerados “justificativas” para essa barbárie?

Reitero, senhor deputado, que desejo firmemente que o senhor nunca experimente a dor de ter uma filha estuprada.

Essas meninas vão ao inferno e ficarão lá se nós não as ajudarmos.

Qual inferno? Esse que está dentro delas mesmas e que elas não escolheram.

Finalizo, como psicóloga e mãe, me solidarizando com todas as vítimas do estupro, essas pessoas que tiveram suas vidas destruídas pela ação de um criminoso cruel que violou o direito mais precioso que pode existir: o respeito aos seus corpos. Que essas meninas e mulheres possam nos perdoar pela incapacidade de protegê-las! Que essas meninas e mulheres possam nos perdoar pela nossa impotência em lutar pela vida, a de cada uma delas, pois ainda somos cruéis, desumanos e temos pressa… porque o “São João” vai começar.

Mas estamos preocupados com a vida… De quem?

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das fundadoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung. 

Use o seu Imposto de Renda para ajudar crianças e idosos, no Rio Grande do Sul

No Brasil, os contribuintes têm a possibilidade de destinar parte do Imposto de Renda (IR) para fundos de assistência a crianças e idosos, com um potencial de arrecadação de R$ 11 bilhões. No entanto, até o dia 8 de maio de 2024, apenas 0,7% desse montante foi efetivamente destinado, alcançando R$ 89 milhões. Desse total, 59% foram direcionados a instituições que atendem crianças e adolescentes, e 40,5% para entidades voltadas a idosos.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lidera a campanha “Se Renda à Infância” para incentivar essas destinações, com a colaboração de diversas entidades, incluindo a Receita Federal e a Associação dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon). O prazo para a declaração do IR encerra-se em 31 de maio, mas foi estendido até 31 de agosto para os residentes do Rio Grande do Sul devido à calamidade pública causada pelas recentes tragédias climáticas.

Importância da Destinação

O juiz auxiliar da Presidência do CNJ, Edinaldo César Santos Junior, reforça a importância dessa destinação para os Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente (FDCA) no Rio Grande do Sul. Isso é válido tanto para contribuintes com imposto a pagar quanto para aqueles com direito à restituição. Quem já entregou a declaração pode acessar novamente o site da Receita Federal e destinar parte dos impostos para esses fundos.

Cezar Miola, vice-presidente de Relações Político-Institucionais da Atricon, ressalta que essa colaboração não implica nenhum custo adicional para o contribuinte. “Parte dos tributos que iriam para os cofres da União é revertida em benefício direto às populações atingidas pelas inundações, agilizando e ampliando o acesso a serviços essenciais, sobretudo aos vulneráveis”, afirma Miola.

Desempenho dos Estados

O levantamento revela que o Rio Grande do Sul é o estado com maior percentual de destinação, com 1,94%, seguido por Paraná (1,71%) e Goiás (1,65%). No outro extremo, Amapá (0,09%), Pará (0,13%) e Distrito Federal (0,10%) apresentam os menores percentuais. Estados como São Paulo (0,57%) e Rio de Janeiro (0,17%), apesar de terem alta renda per capita, apresentam percentuais baixos de destinação.

Como Destinar

Destinar parte do IR para fundos de crianças e idosos é um gesto de solidariedade que não implica em custos adicionais para o contribuinte. Através dessa ação, é possível contribuir diretamente para melhorar a vida de muitas crianças e idosos, especialmente em um momento de grande necessidade no Rio Grande do Sul.

Para outras informações sobre a campanha “Se Renda à Infância” e como realizar a destinação, visite o site do CNJ: Campanha Se Renda à Infância.

Assim, ao destinar parte do seu IR, você pode transformar tributos em esperança e dignidade para os mais vulneráveis.

Mundo Corporativo: Lara Folster, da Lanche&Co, ensina como criar uma empresa a partir de propósitos e oportunidades

Reprodução do vídeo da entrevista no Mundo Corporativo

“A Lanche&Co surgiu dessa vontade e dessa certeza para mim de que é possível mudar várias coisas no nosso planeta e no mundo através da alimentação” 

Lara Folster, Lanche&Co

“Mamãe, quero ficar com a boca laranja como a minha coleguinha”. Foi a fala do filho de três anos que motivou Laraa criar um negócio próprio, em 2012. O menino estava entusiasmado com o efeito provocado por “salgadinhos de presunto” que a amiga levava para o lanche da sala de aula. Enquanto a mãe dele ficou preocupada com o tipo de alimento que os alunos tinham à disposição na cantina da escola. Diante dessa situação, Lara, teve a ideia de unir a habilidade com a cozinha e seu desejo de oferecer refeições saudáveis às crianças. Lara Folster, entrevistada do programa Mundo Corporativo, na CBN, hoje comanda a Alimento&Co que têm cozinhas que produzem e fornecem “alimento de verdade” em 11 escolas do estado de São Paulo. 

Na entrevista, Lara compartilhou sua jornada desde a dor materna que a impulsionou até a criação de um negócio de sucesso baseado em seus valores e propósito: 

“Vi essa fragilidade e eu falei: ‘acho que a gente pode juntar as duas coisas, o que eu amo fazer que é cozinhar — hoje, cozinho bem menos do que eu gostaria —, levar a cozinha para dentro da escola, e fazer da parte do refeitório escolar um momento de aprendizado, um momento de levar também conhecimento dentro da escola”

Comida de Verdade na Escola: Transformando o Cardápio Escolar

Lara diz que a Lanche&Co oferece “comida de verdade”, feita diariamente nas escolas e faculdades. Com uma abordagem inovadora, a empresa monta cozinhas industriais dentro das instituições de ensino e prepara refeições frescas e saudáveis, evitando alimentos superprocessados. A fundadora enfatizou a importância de ensinar às crianças a fazerem escolhas alimentares saudáveis desde cedo.

Da Dor Materna ao Empreendedorismo com Propósito

O ponto de partida para a criação da Lanche&Co, como dissemos, foi a angústia de ver seu filho exposto a alimentos ultraprocessados na escola. O que sentiu foi potencializado pelo conhecimento que havia desenvolvido em institutos de culinária, em Nova Iorque, e na participação do projeto Food Revolution, de Jamie Oliver. Diante da necessidade de mudar aquela realidade, ela decidiu montar uma equipe que compartilhasse seus valores e conhecimentos, neste que foi seu primeiro empreendimento. A vivência com seus pais, que trabalham na área da educação, também colaborou para a iniciativa.

Da Cozinha à Liderança Empresarial

Lara contou como passou da atuação na cozinha para se tornar uma empreendedora. Ela enfatizou a importância de formar uma equipe diversificada, que seguisse sua visão e pudesse transmitir os valores da empresa para as escolas e clientes. Sem experiência na área de gestão, juntou-se a profissionais com conhecimento: “gente que conhece mais do que eu”, comentou. Começou com um plano de negócio bastante simples que foi ganhar robustez logo depois da pandemia quando percebeu que o negócio poderia se expandir. A parceria com uma rede de ensino fez com que ela criasse uma segunda empresa, a Garden.

Ao adotar uma abordagem inclusiva, Lara valoriza mães e mulheres em sua equipe, reconhecendo a importância de criar um ambiente de trabalho acolhedor e empoderador. Sua equipe tem 70 pessoas majoritariamente mulheres. E se em muitos locais de trabalho ser mãe se transforma em uma barreira, na Alimento&Co passa a ser um bônus:  

“Eu tenho muitas mães solo que trabalham com a gente. A independência delas, a autonomia — muitas que sofreram relacionamentos abusivos — é importante para que elas se sintam acolhidas dentro da nossa empresa. Eu sou mãe e vou sempre puxar sardinha para o meu lado, para essa (questão da) maternidade e o quanto elas precisam ser reconhecidas, serem admiradas e serem independentes com todas as escolhas que elas quiserem fazer”.

Desafios e Futuro da Lanche&Co

À medida que a LancheCo continua a expandir, Lara enfrenta o desafio de manter seu propósito e valores em um cenário de crescimento. Ela destacou a importância de ter uma equipe sólida e treinada, capaz de transmitir a cultura da empresa para diferentes escolas. A fundadora também falou sobre os desafios de equilibrar propósito e lucratividade, especialmente em um mercado onde alimentos mais saudáveis podem ter um custo inicial mais elevado.

O Caminho pela Frente

Lara compartilhou seus planos para o futuro, incluindo a expansão para outras regiões do Brasil, além do Estado de São Paulo. Ela reforçou seu compromisso em seguir oferecendo alimentos de qualidade e conscientização alimentar, mesmo que a empresa cresça como prevem nos planos que estão discutindo neste momento.

A entrevista com Lara Foster trouxe à tona a importância de unir propósito, paixão e conhecimento em um negócio. Através de seu empreendedorismo centrado na alimentação saudável para crianças, Lara está fazendo uma diferença duradoura na vida das famílias e no futuro da saúde infantil.

Assista à entrevista completa, no Mundo Corporativo, que tem as participação de Renato Barcellos, Letícia Valente, Débora Gonçalves e Rafael Furugen:

Na guerra, as crianças são as primeiras vítimas

Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Reprodução de vídeo em que pai se despede da filha na Ucrânia

Em 2014, quando eu fazia meu pós-doutorado na França, grupos jihadistas extremistas, como Al-Qaeda e Estado Islâmico, se envolveram na guerra civil que ocorria na Síria, desde 2011,  agravando a crise humanitária existente. Naquela época, diversos refugiados tentavam migrar para países da Europa, numa busca por sobrevivência. 

Recordo-me do dia que minha filha chegou em casa após a aula e, muito desolada, tentava compreender como uma colega de sala, que acabara de chegar na escola, poderia viver na França sem falar o idioma, com apenas 13 anos de idade e nenhum familiar por perto. Essa colega havia sido resgatada, após o barco no qual estava ter naufragado. Seus pais? Não conseguiram dinheiro para viajar com ela e, numa tentativa de salvá-la, optaram por lhe permitir uma vida melhor, longe dos conflitos em seu país.

Infelizmente, esse não é um relato isolado da colega de escola da minha filha, mas reflete um cenário catastrófico a que são submetidas todos os dias, milhares de crianças e adolescentes ao redor do mundo, vítimas de conflitos armados.

Quais os impactos que essas situações tão extremas, tão traumáticas, podem ter sobre a saúde mental de crianças e adolescentes? 

Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, eventos traumáticos são situações experimentadas ou testemunhadas pelo indivíduo, nas quais houve ameaça à vida ou à integridade física própria ou de pessoas ligadas por laços afetivos. Na infância e adolescência, essas situações podem envolver abuso físico ou sexual, negligência, acidentes automobilísticos, assaltos, desastres naturais ou guerras.

Ao longo da vida, muitas pessoas vão experimentar eventos traumáticos e algumas poderão, inclusive, reagir de maneira resiliente. Entretanto,  vivenciar essas situações nos primeiros anos de vida, pode impactar o desenvolvimento infanto-juvenil em diferentes níveis, com alterações neurobiológicas, psicológicas e sociais, cujas consequências podem se prolongar na vida adulta. 

Apesar de não se manifestar da mesma maneira em todas as crianças, cerca de 20% daquelas expostas a eventos estressores irão apresentar alguma reação pós-traumática mais desadaptativa,  com grave sofrimento e perda de funcionalidade, tais como pesadelos, ansiedade, depressão, comportamentos suicidas, irritabilidade, comportamentos agressivos e baixo rendimento escolar.

As guerras prejudicam o acesso à educação; geram deficiências e limitações físicas por lesões ou perdas de membros, como braços e pernas. Geram falhas no crescimento e no desenvolvimento causadas pela desnutrição. 

As guerras separam famílias, distanciam pais e filhos que talvez nunca mais se encontrem.

Nas guerras, crianças são sequestradas, abusadas, recrutadas como soldados… Crianças são mortas!

Somente na Síria, mais de 9 mil crianças foram mortas ou feridas. Os conflitos no Iêmen, dizimaram a vida de 10 mil crianças.

Crianças e adolescentes, como Kim Phúc, a menina que em junho de 1972, aos nove anos, apareceu correndo com os braços abertos, o corpo nu queimado e a expressão de terror no rosto, após ser atingida por uma bomba química no conflito entre Vietnã e Estados Unidos. 

Crianças e adolescentes como Alan Kurdi, o menino sírio de três anos de idade que morreu afogado numa praia da Turquia, em 2015, quando seus pais tentavam fugir como refugiados do conflito na Síria.

O trauma da guerra pode ser tão devastador quanto o potencial bélico das nações: gera  medo… Encurta a vida.

Como explicar, como definir todo o sofrimento imposto pelos conflitos armados para vidas tão prematuras? Como explicar que colocar um filho num barco, sozinho, pode ser uma grande prova de amor? 

Talvez pela sorte e felicidade de não ter vivenciado algo parecido, minhas respostas devem ter sido simples e superficiais diante das indagações da minha filha. Não passei por essa dor e não consigo dimensioná-la.

O relato comovente da esposa do jogador Maycon, a mãe que conseguiu sair da Ucrânia juntamente com seus filhos, nos dá uma ideia dos horrores que a guerra produz: comeu o caroço das maçãs que tinha, uma para cada filho. Ela ainda cantou para eles, possivelmente no auge do seu desespero, numa tentativa de tranquilizá-los.

Lyarah Barberan, a mulher que não comeu a maçã, só o seu caroço para enganar a fome, não foi expulsa do paraíso. Apenas desejava fugir do inferno, enquanto protegia as suas crianças.

Assista ao programa Dez Por Cento Mais, todas às quartas-feiras, 20h, no YouTube

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite, no Blog do Mílton Jung. 

Conte Sua História de São Paulo: meu time de amigos da rua Tupi

De Hélio Roberto Deliberador

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

Cheguei em São Paulo, em 1961, vindo da cidade de Londrina, norte do Paraná, onde nasci. Era vizinho da família do Prof. Mário Sergio Cortella, de quem me tornei amigo, quando nos encontramos na PUCSP. Nessa universidade, estudei e me tornei docente. Até hoje, tenho o privilégio de frequentar o bonito prédio, que a cidade conserva, nas terras altas de Perdizes.

Quando chegamos em São Paulo, eu, então um garoto de 6 anos, e minha família fomos morar em um pequeno prédio na Rua Tupi, no bairro do Pacaembu. Havia sido construído por um senhor imigrante, que sonhava com uma cidade de prédios baixos, valorizando a paisagem urbana. Esse prédio tem uma arquitetura que lembra construções de velhas cidades da Europa e, entre seus moradores, ainda vive umas das filhas (quase centenária), desse construtor, guardando a memória de outros tempos dessa cidade. No prédio foram gravadas cenas da série da TV, Segunda Chamada.

Assim, recém-chegado, passei a viver naquele espaço de São Paulo, uma cidade que crescia, e ainda era amistosa para as crianças. Fiz amigos na rua, que eram vizinhos. Ali, fui crescendo e aprendendo as brincadeiras compartilhadas pelas crianças da época. Para dizer da amabilidade paulistana daqueles tempos, contarei a vocês nossas experiências de infância como jogadores de futebol da rua. Treinávamos na Tupi e o gol era delimitado pelo poste da esquina com a Rua Dr Veiga Filho, uma íngreme ladeira, onde, no alto, fica o Hospital Samaritano, também prédio ainda preservado na cidade e bastante bonito de se ver. 

O meu time mandava seus jogos nos jardins de frente do Estádio Municipal do Pacaembu, na Praça Charles Miller.

Eram tempos dos jogos do Santos de Pelé e Cia. E, nós, garotos, ingenuamente, sonhávamos um dia também sermos jogadores profissionais. Às vezes, assistíamos aos jogos no estádio, para o que pedíamos a torcedores pagantes que nos acompanhassem para entrarmos de graça. Na época, o Pacaembu exibia a Concha Acústica, onde depois foi construído o Tobogã, recentemente demolido. 

O time era composto por mim – zagueiro central, pelos filhos do dono da mercearia de secos e molhados, que ficava na esquina da Tupi com Veiga Filho, Ninão e Neto. Ninão era craque e nosso capitão. Tinha ainda  o Júlio, o Dinei, o Marcelo… Nomes de que ainda lembro, passados mais de  50 anos. Tínhamos um admirador: um homem morador de rua, que apelidamos de Zóinho. Mais tarde, vim saber que era um advogado que se desiludiu com a esposa, se entregou ao álcool e à vida naquela rua Tupi. Nossas famílias doavam roupa e alimento ao Zóinho, colaborando para sua sobrevivência, em uma espécie de agradecimento por seu apoio ao time dos garotos.

Na mercearia dos pais de Ninão, comprávamos pão e leite, pagos, ao fim do mês, conforme o registro manuscrito na caderneta. O leite vinha em garrafas de vidro. Eram retornáveis e devolvidas em engradados de arame para o caminhão que toda madrugada, trazia o leite de cada dia para o nosso cafés da manhã.

No fundo do hospital Samaritano, havia um grande terreno de árvores frutíferas, onde brincávamos de mocinho e bandido. Por vezes, o zelador ralhava com a molecada e de posse de uma espingarda de pressão, dava tiros de sal, que ardiam nas ágeis pernas, com que fugíamos do inimigo. Brincávamos ainda de empinar pipa, jogar bolinha de gude, bater figurinhas, jogar queimada, carrinho de rolimã e taco. Enfim, muitas brincadeiras e histórias desse tempo que vai longe… Tempo de São Paulo,  da cidade amiga das crianças.

Hélio Roberto Deliberador é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Eu estou aqui, diga-me como você sente!

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Imagine a seguinte situação: Você telefona para um conhecido e, ao atender, ele diz que não consegue te escutar. Você insiste em perguntar: “tá me ouvindo agora?“. Ele diz: ´´Alô? Alô? Não escuto nada!“. Você aumenta a voz e se dá conta de que não adianta. Ele não te ouve. Na impossibilidade de comunicar o que você gostaria de maneira eficiente, clara, você encerra a chamada.

Algo semelhante vai ocorrer quando há a invalidação das emoções.

A invalidação emocional ocorre quando alguém comunica sua emoção, o que está sentindo e somos incapazes de compreender. Para quem comunica, fica a impressão de que sua mensagem foi errada ou inapropriada.

Ainda muito precocemente ensinamos as crianças a lidarem com as suas emoções. A família desempenha um papel significativo nesse processo, estimulando a criança a expressar o que lhe é importante. O modo como se sente, as suas convicções e suas preferências são levadas em conta. Por outro lado, ambientes invalidantes tendem a não responder às comunicações feitas pela criança ou exigem que ela não expresse suas emoções, especialmente quando se tratam de emoções negativas.

Isso pode contribuir para que haja uma dificuldade em alterar ou regular condições emocionais, que rapidamente se acentuam e passam a ser percebidas como tensões praticamente insuportáveis, difíceis de serem toleradas e para as quais se busca, frequentemente, tentativas disfuncionais de regulação, como o consumo demasiado de bebidas alcóolicas.

Engana-se quem pensa que a invalidação acontece apenas na infância, quando os pais dizem à criança que não chore porque o que ela sente não é nada demais ou quando simplesmente ignoram seu choro.

Dizer a um adolescente que sua tristeza não se justifica, afinal ele tem tudo o que necessita para ser feliz. Dizer a alguém que o que lhe aconteceu não é tão grave assim, afinal isso nem é tão ruim quanto parece. Pedir a alguém que se levante e faça suas coisas porque depressão é coisa de fraco. Isso tudo contribui para dizer para essas pessoas que seus sentimentos não são válidos, não são legítimos.

Imagino que muitos de nós já dissemos palavras, até mesmo positivas, na esperança de que pudessem levar alento e encorajamento para as pessoas. Mas não é apenas sobre o que se fala. É sobre o que se ouve e como isso repercute num momento de fragilidade, de vulnerabilidade emocional.

Quando dizemos a alguém que não deveria se sentir desse jeito, talvez desejássemos dizer que não gostaríamos que essa pessoa estivesse passando pela dita situação, que gostaríamos que o mundo fosse mais gentil com ela, que a vida fosse mais leve. Mas ao falarmos que ela não deveria se sentir assim, estamos mencionando que seus sentimentos não fazem sentido, que a maneira como se sente deveria ser outra, fazendo, mesmo que sem perceber, um julgamento.

Validação é conferir verdade àquilo que se sente.

É respeitar e compreender o que o outro está sentindo e ajudá-lo a elaborar e superar esse momento.

É simplesmente dizer: estou aqui. Me diga como se sente. Posso compreender. Se tiver algo que eu possa fazer para que você se sinta melhor, por favor me diga.

Alô? Pode continuar… eu consigo te ouvir claramente.

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Cai índice de civilidade na internet e aumenta risco de abuso sexual infantil

 

 

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Nesta semana, lembramos o Dia Mundial da Internet Segura (11/02), um momento de alerta para todos nós e, em especial, para pais e filhos. A organização “End Violence Against Children” calcula que mais de 200 mil crianças estejam online todos os dias e 800 milhões usem ativamente as mídias sociais. Com suas vidas moldadas pelas telas, da mesma forma que se formam, aprendem, criam relações e conexões, são expostas a situações perturbadoras de ameaça. Nada que não existisse anteriormente, mas tudo ganhando um potencial de destruição ainda maior com a velocidade e o acesso à internet.

 

Para entender o nível de civilidade digital, a Microsoft ouviu adolescentes e adultos em 25 países, em pesquisas que vem sendo realizada, anualmente, desde 2016. Queria saber quais os riscos online tinham vivenciado, quando e com que frequência tais riscos ocorreram, e quais consequências e ações foram tomadas. Mediu ainda a exposição dos entrevistados a 21 riscos em quatro áreas: comportamental, reputacional, sexual e pessoal/intrusiva. Com o conjunto dos dados, desenvolveu o Índice de Cidadania Digital.

 

E lá vai uma má notícia para você: nunca se identificou tanta falta de civilidade (ou cidadania) como agora. A exposição a riscos online aumentou, principalmente em áreas como contato indesejado, farsas/fraudes/golpes, sexting indesejado, tratamento maldoso e trollagens.

 

Mais de um terço dos entrevistados disseram que a aparência física e a política são motivos para agressões. Em seguida aparecem orientação sexual, religião e raça. E as redes sociais são o terreno preferido para os ataques, disseram 66% das pessoas.

 

Em um índice em que quanto mais próximo de 100% maior é a falta de civilidade das pessoas, o Brasil chegou a 72%, número superior a média global e com dois pontos percentuais acima do registrado na pesquisa anterior. Sem nenhum motivo para comemorar estamos em 15º lugar lugar entre os 25 países pesquisados. O Reino Unido, com todas as divisões provocadas pelo Brexit e mesmo tendo piorado seu desempenho em relação as pesquisas anteriores, ainda é o líder no ranking de civilidade digital.

 

Em um cenário como esse, as crianças ficam ainda mais fragilizadas. Sofrem cyberbulling, são assediadas por adultos que se escondem em falsos perfis, têm suas imagens exploradas e abusos sexuais são compartilhados. O número de relatos de fotos e imagens abusivas circulando na internet cresceu quase dez vezes em três anos —- de 1,1 milhão em 2014 passou para 10,2 milhões, em 2017 —, e quase dobrou em 2018, chegando a 18,4 milhões, segundo registros do Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas, que está baseado nos Estados Unidos.

 

Online sexual exploitation and abuse for twitter

 

Os pais têm papel fundamental na disseminação de informações, orientação e proteção de seus filhos, a começar por retardar o início do acesso deles a internet, em especial ao celular. O uso de filtros que impeçam a exposição nas redes e sites de conteúdo impróprio assim como conversas constantes com alertas aos riscos que se submetem ao navegar na web são formas de prevenir e combater a exploração e abuso sexual infantil online.

 

Da mesma maneira, empresas, organizações e governos têm de investir em tecnologia que identifique a circulação de conteúdo abusivo, ajudar no resgate de crianças que são exploradas e oferecer apoio psicológico para que possam crescer em segurança. Um dos projetos mais significativos neste sentido é o desenvolvido pelo Thorn, grupo de trabalho que com o uso de recursos tecnológicos colabora na investigação de material com abuso sexual infantil, que circula na dark web, e em um ano identificou mais de 800 crianças como vítimas e 450 autores, em 37 países.

 

De volta a pesquisa publicada pela Microsoft, reproduzo quatro posturas que devemos adotar na internet para melhorar o índice de civilidade digital:

 

  1. Viva a Regra de Ouro agindo com empatia, compaixão e bondade em todas as interações, e trate todos com quem você se conecta online com dignidade e respeito.

  2. Respeite as diferenças, honre perspectivas diversas e quando as discordâncias surgirem, envolvam-se cuidadosamente e evitem xingamentos e ataques pessoais.

  3. Reflita antes de responder a coisas que você discorda, e não poste ou envie algo que possa machucar outra pessoa, danificar uma reputação ou ameaçar a segurança de alguém.

  4. Defenda você mesmo e os outros apoiando aqueles que são alvos de abuso ou crueldade, relatando atividades agressivas e guardando evidências de comportamento inadequado ou inseguro.