Avalanche Tricolor: eu já fiz a minha escolha

 

Criciúma 0 (3)x(4) 1 Grêmio
Copa do Brasil – Heriberto Hülse/Criciúma (SC)

 

Time comemora classificação com Grohe (foto do Grêmio Oficial no Flickr)

Time comemora classificação com Grohe (foto do Grêmio Oficial no Flickr)

 

Decidir nos pênaltis estendeu minha noite para além do prudente, mas o resultado final fez a espera valer a pena, e acordar ainda de madrugada nessa quarta-feira não foi um fardo para este “trabalhador do Brasil”. Aliás, meus amigos Dan, Teco e Zé, colegas do Hora de Expediente,no Jornal da CBN, ressaltaram a felicidade emitida na voz a despeito do cansaço, durante o programa de hoje. Motivos não faltaram, pois, em campo, não disputávamos apenas uma vaga à próxima fase da Copa do Brasil, precisávamos mostrar a nós mesmos que os resultados positivos da gestão técnica de Roger não haviam sido ocasionais. O revés na primeira partida, em casa, também dava munição aos que ainda não confiam na capacidade dele e, principalmente, na da equipe em apresentar futebol qualificado e diferente. E se os sintomas ruins persistissem, eu temia pelo reflexo no restante da temporada, principalmente no Brasileiro.

 

Mesmo diante de um estádio cheio e provocativo e de um time bastante motivado, com outro jovem e criativo técnico no comando, que tinha a vantagem do empate para seguir em frente, o Grêmio demonstrou personalidade, impôs seu jeito de jogar e soube encontrar o ponto de equilíbrio entre a coragem e a prudência. Há quem entenda que fomos adiante por acaso, com um gol sem querer, alguns lances de sorte no decorrer da partida e a ajuda da imprecisão na cobrança de pênaltis do adversário. Análise muito aquém do que realmente fizemos na noite de terça-feira quando demonstramos, antes de mais nada, a capacidade de reação do time.

 

O gol de Pedro Rocha, por exemplo, foi resultado da movimentação constante dos jogadores de meio e de ataque mais a precisão na troca de passes, que aumenta consideravelmente quando Douglas está inspirado. Mesmo não estando com sua melhor formação, o que nos leva a pensar na necessidade de reforços para o setor,a defesa se comportou com a firmeza exigida e contou com Marcelo Grohe em seus melhores dias. Nos pênaltis, aliás, Marcelo foi genial e não vê-lo como o principal responsável pelas cobranças desperdiçadas do adversário é uma tremenda injustiça com o baita goleiro que nós temos.

 

A propósito, já que demos mais um passo à frente na Copa do Brasil,antes que alguém me pergunte, antecipo-me a dizer: quero, sim, que o Grêmio deposite todo seu esforço na conquista desta competição, apesar de disputá-la em paralelo com o Campeonato Brasileiro. Ainda não é hora de abrir mão dessa ou daquela competição. Temos de jogá-las dispostos a fazer o nosso melhor a cada partida e cobrar que a diretoria ofereça a Roger um elenco com capacidade de suportar o desgaste da sequência de jogos. Entre a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, eu já fiz a minha escolha: ganhar sempre. Ou, lutar sempre para ganhar!

Avalanche Tricolor: vaga na Copa do Brasil ainda está em jogo, apesar de gol mal anulado

 

Grêmio 0x1 Criciúma
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

Time precisa agora de todo o apoio do torcedor (foto do Grêmio Oficial no Flickr)

Time precisa agora de todo o apoio do torcedor (foto do Grêmio Oficial no Flickr)

 

É impressão minha ou todo mundo achou que o erro do árbitro ao anular o gol de Pedro Rocha foi normal? Que não influenciou na partida? Que pouca diferença faria no desempenho das duas equipes? Ouvi alguns comentaristas durante a transmissão e pouco se citou o fato, para mim crucial no jogo. Houve até quem, a princípio, validasse a decisão do juiz.

 

Eram 22 minutos quando Rocha, em meio aos zagueiros e em velocidade, tabelou com Luan e, na entrada da área, recebeu passe preciso, em jogada que tem marcado o futebol gremista nesses tempos de Roger, para com apenas um toque deslocar o goleiro e por a bola dentro do gol.

 

Vamos ser sincero: era desnecessária a linha digital que as emissoras de televisão usam nas transmissões – aliás, demoraram para usar nesta terça-feira – para perceber que o atacante estava em posição legal. O auxiliar, que está lá só para ver esse lance e trabalha recomendado pela Fifa a, na dúvida, dar sequência à jogada, não entendeu dessa maneira e levou o árbitro ao erro.

 

Como agora é proibido reclamar do juiz, mesmo diante de erros crassos, aos jogadores cabe apenas indignar-se em silêncio, enquanto os algozes seguem sua vida sem qualquer punição. Um erro que pode custar a desclassificação desta Copa, pois exigirá vitória em Criciúma na partida de volta – o que, convenhamos, não é difícil, desde que as finalizações voltem a ser mais certeiras.

 

Um gol naquela altura mudaria o cenário da partida, pois obrigaria o adversário a abandonar sua postura defensiva, desmontaria a retranca montada para surpreender o Grêmio e abriria espaço para jogar. Sem o gol, o Grêmio teve dificuldade para trocar bola com mais objetividade e foi punido com um erro na saída de bola da sua defesa.

 

O Grêmio não perdeu a partida somente por causa do árbitro, mas também por causa dele, e precisa acertar sua forma de jogar contra equipes retrancadas, pois com sua ascensão na temporada tende a ser essa a postura dos próximos adversários. Porém, analisar o resultado do jogo e nosso destino na competição sem levar em consideração a anulação do gol no primeiro tempo é injusto. Assim como o foi a vaia de alguns torcedores ao fim da partida. Pois, mesmo com a derrota, o que o time precisa agora é de todo o apoio para se recuperar na próxima partida e, novamente, revelar-se Imortal.

Avalanche Tricolor: futebol bonito, muitos gols e nenhuma ilusão

 

Criciúma 0 x 3 Grêmio
Campeonato Brasileiro – Heriberto Hülse/Criciúma (SC)

 

Gremio_Fotor

 

A (des)ordem dos jogos, devido antecipação de partida, oferece visão distorcida da tabela de classificação. Aparecemos em quarto quando somos terceiro. Mesmo já tendo superado nosso adversário regional, e com goleada (só pra não esquecer), nosso time surge fechando a Zona da Libertadores. Uma Zona que tem quatro vagas mas pode ter cinco, dependendo do resultado dos times brasileiros nas competições paralelas. Ou seja, o que se vê é apenas uma ilusão, e os iludidos que acreditem nela. Nós temos os pés na grama, muito bem assentados, e aí de quem resolve brincar em serviço, logo terá sua atenção chamada. Não nos interessa se o placar é apertado, folgado ou tanto faz. Temos de jogar com seriedade cada minutos e cada partida, assim como o fizemos no sábado à noite em mais uma goleada. Sim, porque o time dos três volantes, às vezes quatro; do técnico retranqueiro … (o resto da ladainha você conhece bem e se estiver em dúvida leia a Avalanche anterior a esta) voltou a vencer de goleada no Campeonato Brasileiro.

 

Jogamos fora como se estivéssemos em casa. Impondo perigo desde o primeiro minuto e mostrando que a goleada da semana passada no Gre-Nal (desculpe ter que lembrar mais uma vez) resgatou a confiança que antes não tínhamos com a bola nos pés. Sempre marcamos bem – ao menos desde a chegada de Luis Felipe Scolari: temos jogadores que não se envergonham de abrir mão de seu talento individual para voltar à defesa; nossos atacantes roubam bola lá atrás ou a despacham para longe sempre que necessário; nossos defensores passam a partida cobrando empenho um dos outros, e todos eles têm de ouvir bronca de Marcelo Grohe no menor dos vacilos; sem contar Pará, um caso à parte, que somente ontem, em três bolas que tirou do atacante, vibrou tanto quanto nossos goleadores (podem reclamar seus corneteiros de plantão, mas eu o respeito por isso).

 

O amadurecimento de nosso time, porém, fez surgir outra faceta: os passes estão mais precisos e confiantes, o que coloca nossos atacantes com mais chances de gols; antes de se pensar em recuar a bola, arrisca-se o drible, tenta-se a tabela produtiva ou mesmo o chute. Ontem foram mais três gols, graças a perspicácia do baixinho Dudu, do cabeceio de Barcos (até gol de cabeça voltamos a fazer) e da velocidade de Ramiro. É um time que olha para frente sem abrir mão da segurança lá atrás.

 

Não quero como muitos por aí, me iludir com o que estamos vendo, pois não podemos esquecer que as duas últimas partidas vencemos de goleada adversários medianos (perdão, mas não ia perder a oportunidade de uma brincadeira). Nem podemos esquecer a dureza dos jogos que vêm a seguir: Cruzeiro em casa, Corinthians e Bahia fora, e Flamengo, na Arena. Mas não tem como não ficar muito feliz ao ver que o Grêmio volta a jogar um belo futebol.

Avalanche Tricolor: #NãoTeMixaFelipão

 

Grêmio 2 x 0 Criciúma
Brasileiro – Arena Grêmio

 

17AUG14_GremioxCriciuma_118

 

Um camisa 10, aos 40 anos e com toque de bola refinado, estava na lateral esquerda. Três volantes, fortes na marcação, apareciam próximo da área do adversário desarmando e participando de jogadas de ataque. Havia ainda jovens dispostos a construir sua história com a camisa do Grêmio que, mesmo tropeçando de vez em quando em sua inexperiência, marcaram os dois gols. Para comandar todos eles, um técnico veterano que demonstrava ao lado do campo o entusiasmo de um menino: vibrava, gritava, gesticulava e brigava, quando necessário. Foi esse conjunto que nos levou à vitória na tarde de domingo, interrompeu a sequência de resultados negativos e trouxe tranquilidade em um momento crucial do Campeonato Brasileiro, a três rodadas da virada do turno e às vésperas de enfrentarmos adversários que estão no topo da tabela.

 

Felipão treinou pela primeira vez o Grêmio na Arena e correspondeu ao apoio da torcida com as mudanças que fez, seja de posicionamento – alguns resultados de lesão – seja de comportamento. Registre-se: meu entusiasmo não se baseia no placar da vitória nem leva em consideração a qualidade e momento do adversário, apesar de ambos serem aspectos que podem ser base para análises mais pragmáticas (não se esqueça que diante de gente bem pior, desperdiçamos pontos e amargamos derrotas neste ano). Adepto da filosofia de que o Diabo mora nos detalhes, é neles que busco razão para minha satisfação com o time neste domingo. Por exemplo, a equipe reunida no meio de campo no intervalo e ao fim da partida não foi cena fortuita, mas demonstração de engajamento. Jogadores conversavam, trocavam informações e cobravam um dos outros sempre que se deparavam com algum problema em campo, porque estes não deixaram de existir mesmo diante do bom resultado. Não poderíamos imaginar diferente, afinal nosso técnico tem o desafio de fazer a equipe se reencontrar, se organizar taticamente e melhorar a auto-estima em plena competição.

 

Na arquibancada (desculpe-me se continuo com o velho hábito de chamar as modernas cadeiras desta forma), sempre em busca dos detalhes, enxerguei cartaz nas mãos de um torcedor com recado em forma de hashtag: #NãoTeMixaFelipão. Não sei se há campanha com o tema correndo nas redes sociais, mas gostei da mensagem de apoio a ele, que tem sido atacado por todos os cantos em virtude você-sabe-do-quê. Aqui em São Paulo, todos tratam com ironia a presença do técnico no Grêmio, ouço gracinhas, ironias e recebo tapinhas nas costas em gesto de comiseração. Mal sabem o quanto admiramos e acreditamos na capacidade de Felipão que tem de ter todo nosso apoio para fazer as mudanças necessárias no time, tem de ser incentivado a mexer com as estruturas que parecem enferrujadas e, como hoje, demonstrar coragem e criatividade.

Avalanche Tricolor: tem, sim, uma só explicação

 

Grêmio 1 x 2 Criciúma
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Não busque a lógica para explicar esse resultado.
Nunca tente explicar o que acontece com o Grêmio nessas horas.
Não queira saber as estratégias que impediram nossa vitória.
Jamais você saberá o que nos leva a resultados como esse.
O inesperado sempre nos ronda.

 

A técnica, o técnico?
A tática, a escalação?
Não existe uma resposta, mesmo que os comentaristas as busquem.

 

Minto, tem, sim, um motivo para acontecer o que aconteceu.
Um só motivo.
Eles têm Galatto no gol.
E mitos nós respeitaremos eternamente.
Eles são imortais.

 

Galatto é mito.
Galatto é imortal.

Avalanche Tricolor: Éramos nove …

 

Criciúma 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – Heriberto Hülse (Criciúma-SC)

 

LEU_5360

 

Foi um jogo curioso. Muito curioso. A sequência de adversidades que marcou nossa trajetória, no sábado, chamou atenção: estádio pequeno, torcida aguerrida, chuva forte, frio intenso, adversário desesperado e atos desiquilibrados que leveram às expulsões. Duas, por sinal. Não bastasse isso, tivemos Werley machucado e pelas circunstâncias, que não gostaria de ressaltar nesta Avalanche, podemos até computar como mais “um a menos” (lembra em cima de quem saiu o primeiro gol?).

 

A partida despertou sensações diversas e contraditórias a partir do comportamento de nossos jogadores e das decisões do árbitro. Perdemos no jogo, mas deixamos o gramado com uma ponta de orgulho pela forma brava com que aqueles que permaneceram em campo lutaram. Talvez muitos não entendam isso, mas não somos torcedores de resultado. Não nos convence a vitória conquistada sem suor, sem desejo. E no primeiro semestre deste ano houve situações assim: três pontos garantidos que não foram capazes de tocar nosso coração.

 

Não quero dizer que ficamos contentes por perder. Claro que não. Como lembrou Kleber: corre-se o risco de jogar fora o campeonato em partidas como essa, contra adversário que não está na disputa do título, teoricamente mais fácil de ser batido. Mas nós nos orgulhamos pelos que batalham e acreditam sempre. E assim tivemos prazer de ver que os nove que foram até o fim em defesa de nossas cores não se apequenaram. Apesar do gramado encharcado e das expulsões, jogaram muito melhor do que quando estávamos completo em campo. E aqui mais uma dessas contradições difíceis de serem explicadas: com 11 em campo não tivemos o mesmo desempenho e crença do que na adversidade.

 

Até a próxima luta!