Avalanche Tricolor: #NãoTeMixaFelipão

 

Grêmio 2 x 0 Criciúma
Brasileiro – Arena Grêmio

 

17AUG14_GremioxCriciuma_118

 

Um camisa 10, aos 40 anos e com toque de bola refinado, estava na lateral esquerda. Três volantes, fortes na marcação, apareciam próximo da área do adversário desarmando e participando de jogadas de ataque. Havia ainda jovens dispostos a construir sua história com a camisa do Grêmio que, mesmo tropeçando de vez em quando em sua inexperiência, marcaram os dois gols. Para comandar todos eles, um técnico veterano que demonstrava ao lado do campo o entusiasmo de um menino: vibrava, gritava, gesticulava e brigava, quando necessário. Foi esse conjunto que nos levou à vitória na tarde de domingo, interrompeu a sequência de resultados negativos e trouxe tranquilidade em um momento crucial do Campeonato Brasileiro, a três rodadas da virada do turno e às vésperas de enfrentarmos adversários que estão no topo da tabela.

 

Felipão treinou pela primeira vez o Grêmio na Arena e correspondeu ao apoio da torcida com as mudanças que fez, seja de posicionamento – alguns resultados de lesão – seja de comportamento. Registre-se: meu entusiasmo não se baseia no placar da vitória nem leva em consideração a qualidade e momento do adversário, apesar de ambos serem aspectos que podem ser base para análises mais pragmáticas (não se esqueça que diante de gente bem pior, desperdiçamos pontos e amargamos derrotas neste ano). Adepto da filosofia de que o Diabo mora nos detalhes, é neles que busco razão para minha satisfação com o time neste domingo. Por exemplo, a equipe reunida no meio de campo no intervalo e ao fim da partida não foi cena fortuita, mas demonstração de engajamento. Jogadores conversavam, trocavam informações e cobravam um dos outros sempre que se deparavam com algum problema em campo, porque estes não deixaram de existir mesmo diante do bom resultado. Não poderíamos imaginar diferente, afinal nosso técnico tem o desafio de fazer a equipe se reencontrar, se organizar taticamente e melhorar a auto-estima em plena competição.

 

Na arquibancada (desculpe-me se continuo com o velho hábito de chamar as modernas cadeiras desta forma), sempre em busca dos detalhes, enxerguei cartaz nas mãos de um torcedor com recado em forma de hashtag: #NãoTeMixaFelipão. Não sei se há campanha com o tema correndo nas redes sociais, mas gostei da mensagem de apoio a ele, que tem sido atacado por todos os cantos em virtude você-sabe-do-quê. Aqui em São Paulo, todos tratam com ironia a presença do técnico no Grêmio, ouço gracinhas, ironias e recebo tapinhas nas costas em gesto de comiseração. Mal sabem o quanto admiramos e acreditamos na capacidade de Felipão que tem de ter todo nosso apoio para fazer as mudanças necessárias no time, tem de ser incentivado a mexer com as estruturas que parecem enferrujadas e, como hoje, demonstrar coragem e criatividade.

3 comentários sobre “Avalanche Tricolor: #NãoTeMixaFelipão

  1. Ouvi muitas ironias irrigadas a partir,principalmente,do momento em que Fábio Koff acertou a contratação de Luiz Felipe,visando a diminuir os feitos deste técnico não apenas no Grêmio,mas em outros grandes times brasileiros e do velho mundo. Já no Imortal Tricolor,Felipão,se fosse covarde,poderia adiar o seu comprometimento com um time que vinha de insucessos. Aceitou,porém, o risco corrido ao estrear no Gre-Nal (vou seguir digitando o nome do clássico gaúcho como acabaram de ver). Nesse domingo,Luiz Felipe mostrou não ser o morto-vivo que alguns imaginavam. Isso sim,deixou claro ser um diabo velho. E,quem não sabe,que um diabo como ele sabe mais por velho do que por ser diabo.

  2. Concordo com o Milton Ferreti Jung! Aliás, alguém para discordar do Milton precisa conhecer muito futebol ! E ele foi absolutamente preciso na análise acima: o Felipão do Grêmio é o Felipão do clube de futebol e não o da seleção (sim, seleção com “s” minúsculo mesmo). É o técnico experiente, que fica na linha resmungando, gesticulando e fazendo o que sabe. Seria cômodo ele assumir o Grêmio depois do Gre-Nal. Exigir do Luiz Felipe que tivesse resultado esmagador num Gre-Nal (sim, eu também vou sempre escrever Gre-Nal assim !!!) no Beira-Rio, seria o mesmo que exigir de um Prefeito, de Um Governador que logo na primeira semana de gestão resolvesse todos os problemas da administração. Ou que um empresário, recém empossado na presidência de uma empresa, resolvesse todos os seus encargos. O Felipão precisava de uma oportunidade para reconstruir a sua história. E o Grêmio precisava o quê? Reconstruir a sua história. Sejamos mais serenos e deixemos ambos fazer o que precisam e podem. Parabéns, Milton´s Jung´s! Bela dupla de Pai e Filho! Bela dupla de seres humanos que aprendi a respeitar! Abraços.

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