Avalanche Tricolor: nossa luta é pelo G-4 (só pra lembrar)

 

Cruzeiro 0 x 3 Grêmio
Brasileiro – Mineirão (MG)

 

 

A bola voltou a bater no poste e por três, quatro vezes foi espantada para fora pelo goleiro adversário depois de chutes que buscavam o canto do gol. Foram os lances que restaram ao Grêmio nesta partida em que fomos apenas coadjuvantes, já que todas as atenções se voltavam ao Cruzeiro, muito próximo de conquistar o título brasileiro. Completamos sete jogos sem vitória e seis sem marcar gols, levando em conta as duas competições que disputamos (Brasileiro e Copa do Brasil), cenário que poderia ser considerado desesperador não tivéssemos tido desempenho positivo na maior parte do campeonato quando chegamos a brigar pela liderança e nos mantivemos em segundo lugar por um bom tempo. Bem verdade que essa situação já nos tirou da disputa de um título, semana passada, e nos impõe, agora, maior responsabilidade nas cinco rodadas finais do Campeonato, pois estamos com a terceira vaga e pressionados por ao menos três adversários dispostos a chegar à Liberadores como nós. A propósito, não devemos perder essa perspectiva, lembrada pelo técnico Renato em entrevista antes de o jogo se iniciar: o Grêmio desde as primeiras rodadas briga pelo G-4. Em nenhum momento estivemos distante dessa possibilidade e menos ainda com perigo de rebaixamento como muita gente grande ainda o esta nesta altura do campeonato.

 

Neste momento estamos correndo riscos, mais do que corremos na maior parte do Brasileiro, mas temos todas as condições de entrarmos no prumo e, nas cinco rodadas finais, garantirmos presença na Libertadores. Serão três jogos em casa – dois deles seguidos, quarta e domingo próximos – e dois fora. Renato, porém, terá de resgatar a confiança que a torcida tinha nele, contaminar o elenco com sua dedicação e mexer com os brios de alguns de seus jogadores. Mais do que perder a partida, resultado que poderia ser considerado normal diante do embalo do adversário de hoje, e desperdiçar as poucas chances de gols que construiu, o que me incomodou foi a apatia. O time parecia resignado ao papel de coadjuvante, o que não podemos jamais aceitar. Os jogadores, com as exceções de praxe, não esboçavam nenhuma reação diante dos desafios impostos. O drible era infantil; o passe, sem destino; a marcação, frágil; e a saída de bola, débil. Isto tem de mudar.

 

Renato precisa trazer de volta o espírito de superação que sempre foi nossa marca.

Avalanche Tricolor: uma partida que nos permite ter bons sonhos

 

Grêmio 3 x 1 Cruzeiro
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Há algumas Avalanches defendi que o Grêmio de Renato não é o mesmo Grêmio de Luxemburgo, apesar da inconstância no desempenho e do equilíbrio nos resultados das duas equipes. Somente quem buscava os números frios da estatística era capaz de pensar dessa forma. O torcedor, não. Esse é passional, não usa a razão. E graças ao coração é capaz de perceber os diferentes sentimentos que permeiam o futebol, demonstrados às vezes em lances aparentemente insignificantes como a corrida de dois atacantes para marcar a saída de bola do adversário ou o esforço descomunal dos zagueiros para abortar o ataque inimigo. Há árbitros, inclusive, incapazes de identificar esses movimentos e ver pênalti onde havia apenas um gesto heróico para impedir o gol.

 

Na partida de ontem, encerrada tarde demais para que eu pudesse descrever ainda à noite, nesta Avalanche, minha satisfação pela vitória, boa parte desses sinais que conquistam o torcedor apareceram. O primeiro deles veio de um jogador de quem há algum tempo espero uma reação à altura da nossa paixão: Dida. Desde que tirou o lugar de Marcelo Grohe, a quem admiro muito, não havia confirmado a fama que construiu na carreira, e não foi por falta de oportunidade. Quantos pênaltis inconsequentes nossos jogadores, na versão anterior, fizeram, oferecendo a Dida a oportunidade de se consagrar. Mas ele teimava em ficar parado embaixo do travessão, com seus longos braços estendidos para baixo, quando eu imaginava que abertos assustariam qualquer cobrador. Ontem, Dida brilhou ao impedir o que se transformaria num desastre dadas as circunstâncias do jogo e o bom desempenho do adversário até aquele momento. A defesa de Dida mudou o Grêmio, tanto quanto Renato o fez quando chegou ao vestiário nessa nova passagem pelo tricolor.

 

Erros à parte, e alguns insistem em acontecer, fiquei admirado também com outros movimentos que demonstram mudança de postura. O esforço de Barcos para roubar a bola dos zagueiros me chamou tanto atenção quanto a tranquilidade do goleador diante do segundo gol. O olhar de aparente ingenuidade do jovem Alex Telles ressurge com incrível confiança, a ponto de se atrever a cobrar aquela falta por baixo da barreira. Lances que seriam apenas cenas grotescas do futebol começam a virar gol nos pés de Kleber. Sem contar o prazer de ver os Bitecos entrando no segundo tempo.

 

Claro que Renato e seus comandados terão de ir muito além disso, têm de acertar a marcação, precisar o passe e melhorar o desempenho fora de casa. Porém, neste campeonato de pontos corridos em que o título se decide a cada jogo, vencer o líder se transforma em super-decisão. Ontem à noite, vencemos mais uma e fomos parar no G-4. O que me fez dormir com um sorriso no rosto. Que tenhamos todos bons sonhos daqui pra frente.

Avalanche Tricolor: me permita tocar a corneta

 

Grêmio 1 x 2 Cruzeiro
Gaúcho – Arena Grêmio

 

Nos melhores lances do primeiro tempo, gostei apenas de três jogadas proporcionadas por Zé Roberto, Barcos e Cris. Não por acaso, três carrinhos para roubar a bola do adversário, sendo o terceiro, cometido por nosso zagueiro, o mais importante, pois abortou jogada perigosa de ataque. Por mais que seja fã incondicional deste tipo de lance, em especial quando o adversário sequer é tocado, a ponto de aplaudir alguns desses momentos, não vou dedicar esta Avalanche a exaltar cada um desses instantes como, aliás, já fiz em outras oportunidades. O resultado desta noite, guardada a devida importância e levando em consideração o fato de que pouco influenciará em nossa classificação, tem de nos ajudar a refletir sobre o time que está sendo construído por Vanderlei Luxemburgo para os desafios da temporada.

 

Se você me permite, em raro momento de “corneteada” deste escriba, alguns aspectos a se pensar:

 

– Dida por melhor goleiro que seja é fisicamente frágil, como mostrou a lesão desta noite.
– O banco de reserva faz mal aos reflexos e ritmo de jogo de Marcelo Grohe.
– A defesa tem defeitos que surgem mesmo nas partidas mais fáceis.
– O esquema com três atacantes prejudica Zé Roberto, isolado e sempre em busca de um companheiro para trocar passe.
– Marco Antonio não é este companheiro que Zé Roberto precisa; aliás se alguém tiver boa memória poderia me dizer quando ele entrou no time e mudou o jogo a nosso favor?
– Ter Welliton, titular, e Willian José, no banco, enquanto Marcelo Moreno assiste ao jogo da arquibancada, não faz o menor sentido.

 

Dito isso, corneta tocada e angústias compartilhadas, fique tranquilo, estou pronto para a próxima Avalanche. Que venha o Passo Fundo, o Fluminense, o Gaúcho, a Libertadores, que venha quem quiser, pois já sacudi a poeira e estou preparado para dar a volta por cima.

Avalanche Tricolor: a vitória de uma torcida

 

Grêmio 2 x 1 Cruzeiro

Gremio x Cruzeiro

 

O juiz acabara de apitar o fim da partida e Marcelo Grohe correu em direção a Geral do Grêmio para comemorar a vitória, jogou a camisa para os torcedores, voltou à goleira, ajoelhou-se e agradeceu. Agradeceu a Deus, a quem é devoto, tanto quanto havia agradecido à torcida gremista a principal responsável pela virada desta noite. Éramos mais de 30 mil no Olímpico Monumental, que não arrederam o pé apesar da dificuldade do time em chutar a gol, da dificuldade ainda maior de superar o goleiro adversário quando conseguia chutar a gol e da tempestade que despencou sobre o estádio assim que a bola começou a rolar. Nenhum trovão, nenhum relâmpago, menos ainda o aguaceiro que teimava em atrapalhar nossas investidas calaram a voz dos nossos torcedores. Assim que levamos o gol em uma jogada isolada e descuidada, o grito soou mais forte nas arquibancadas.

 

Quando voltamos para o segundo tempo, em desvantagem, a pressão aumentou. O time foi empurrado para frente, cada roubada de bola era uma comemoração, divididas eram aclamadas e o esforço para superar a limitação técnica, ovacionado. O gol mais bonito foi o de Marcelo Moreno que entrou no segundo tempo, apesar dos problemas de saúde. Um golaço. Mas foi o de Marquinhos o mais simbólico. Antes de a bola parar no fundo do poço, uma sequência de lances mostrou o que nossa torcida é capaz de provocar. Moreno prensou bola duas vezes com seus marcadores, na segunda, foi jogado ao chão, caiu de joelhos, mas conseguiu fazer o passe. Leandro deu seguimento, entrou com velocidade na área, escapou dos zagueiros e chutou com muita força. No rebote do goleiro, a bola parecia fugir do nosso ataque, mas Marquinhos, caído, com a perna esticada, conseguiu empurrá-la para dentro do gol, quando tudo parecia perdido. Marquinhos, não. A torcida do Grêmio fez aquela bola entrar no gol.

 

Kleber até destacou a energia transmitida no vestiário, durante o intervalo, por Emerson, nosso auxiliar, campeão da Libertadores, do Brasileiro e da Copa do Brasil. Não sabia ele que Emérson era apenas o porta-voz de nossos torcedores e somente por isso fomos capazes de vencer com Naldo, Marco Antonio, André Lima e Marquinhos, e sem Gilberto Silva, Zé Roberto e Elano. À torcida gremista, nosso brinde nesta noite de sábado.

Avalanche Tricolor: Com o Grêmio, onde eu estiver

 

Cruzeiro 1 x 3 Grêmio
Brasileiro – Belo Horizonte (MG)

 

 

O mar Tirreno desenhado pelas praias de La Feniglia mais a direita e o Monte Argentario ao fundo compuseram o cenário de onde assisti à partida desse domingo. Cinco horas a frente, quando o jogo se iniciava em Minas Gerais já deveria ser noite na Itália, mas em Ansedonia, cidade pequena ao sul da Toscana, o sol teima em permanecer no céu até pelo menos às nove horas e, em boa parte do primeiro tempo, o colorido provocado por seus raios no horizonte dividiu minhas atenções com o ótimo desempenho da equipe tricolor. A região onde estou ganhou espaço no noticiário internacional devido a barbeiragem do comandante Schettino que tombou o Costa Concórdia e matou 30 pessoas, local que virou atração turística que, confesso, não me interessei a visitar, pois são tantos os lugares históricos e bonitos nas redondezas que não me entusiasmaria com a desgraça alheia.

 

Para ter as imagens do Grêmio, em continente tão distante, me beneficie de um equipamento eletrônico que havia comprado na última viagem aos Estados Unidos. Com o SlingBox, uma pequena caixa preta que se conecta no modem da TV a cabo e na internet de casa, consigo acessar as imagens da minha televisão em qualquer ponto do planeta usando um celular, um tablet ou um computador. Com o aplicativo SlingPlayer devidamente instalado e uma conexão wi-fi à disposição, foi muito simples ver o jogo desse domingo. O equipamento não exige nenhum conhecimento muito apurado, é simples de ser ligado e acessado, basta ter as peças certas colocadas nos lugares certos – um pouco daquilo do que se viu na partida de domingo.

 

A escalação de Luxemburgo não teve invenção. Wesley e Gilberto Silva são os dois melhores zagueiros à disposição. Tony na ala direita se revelando cada vez mais competente e habilidoso para chegar na linha de fundo e Pará, na esquerda, como melhor opção que se tem até o momento. Os volantes Fernando e Souza são especiais, seja pela forma como marcam seus adversário seja pela tranquilidade com que saem jogando, coisa rara para gente da posição. Zé Roberto e Elano têm experiência, sendo que o primeiro é muito superior a maioria dos que estão jogando por aqui e o segundo, se estiver concentrado no futebol, pode fazer diferença. No ataque, Kleber e Marcelo Moreno. Não quero dizer que esta é a melhor escalação do Campeonato Brasileiro, mas, com certeza, é a melhor que o Grêmio tem para este campenato e, portanto, é com esta que devemos seguir em frente.

 

Nem mesmo a falta de um zagueiro na maior parte do jogo, provocada por mais um erro do árbitro, desequilibrou o Grêmio, que preferiu passar a bola e mantê-la em seu domínio a sorteá-la com chutões para o alto, como costumava fazer. De diferente em relação as demais partidas, o fato de que a posse de bola resultou em chutes a gol e, não por acaso, levou os dois atacantes a voltar a marcar.

 

O domingo me proporcionou duplo prazer. Além de aproveitar as praias e as incríveis paisagens desta região da Itália, pude apreciar o melhor desempenho do Grêmio neste ano. As férias vão terminar em breve. Que o futebol gremista se repita até o fim desta temporada !

Avalanche Tricolor: Os guris são gremistas, assim como Fernando

 

Cruzeiro 1 x 2 Grêmio
Gaúcho – Novo Hamburgo (RS)


 

Falei nesta Avalanche muitas vezes sobre o desafio de criar em seus filhos a mesma paixão que você tem pelo time de coração, principalmente quando eles nascem tão distante. Aqui em São Paulo, todo o corintiano torce para que não coloque no mundo um palmeirense, enquanto são-paulinos perdem os cabelos em pensar que o menino pode se transformar em corintiano – e vice-versa. De onde vim, o risco é ainda maior, imagine o garoto ou a garota ser um vira casaca, terá seu nome riscado da partilha. Apesar de não cultivarem a mesma admiração que tenho pelo futebol – descobriram coisas mais interessantes para se divertir – e serem paulistanos de certidão, não tenho dúvida de que meus guris são gremistas (e não só pelo fato deles terem boas notas na escola), desde que choraram abraçados comigo nos minutos finais da Batalha dos Aflitos, em 2005. De qualquer forma, é sempre bom receber alguns sinais como neste domingo em que, por compromissos pessoais e companhias legais, fiquei sem condições de assistir a parte do jogo contra o Cruzeiro. No momento em que compartilhava um paella com amigos, o Grêmio entrava em campo para mais um compromisso pelo Campeonato Gaúcho, e seria muito antipático consultar o resultado da partida a todo momento na tela do celular – gosto muito pouco dessas pessoas que são incapazes de conversar com você sem estar com um olho no telefone, parece que dali virá coisa mais importante que a sua companhia.

 

Com o sabor catalão ainda nos lábios e a garganta regada por um vinho maravilhoso deixei o apartamento dos amigos quando a partida ainda estava no primeiro tempo, e como sempre faço liguei para casa para saber como estavam os meninos, se precisavam de alguma coisa e avisar que deveria chegar em meia hora ou um pouco mais. Foi quando tive a surpresa de saber que o mais moço, Lorenzo, craque do League of Legends e fanático por Call of Duty: Moder Warfare III – jogos eletrônicos que rodam no computador e no XBox, respectivamente – estava de olho no PPV assistindo à partida do Grêmio. Claro que assistia de um jeito que só esta garotada é capaz, com os dedos no teclado, fone no ouvido, movimentação intensa na tela do PC e, mesmo assim, ciente de tudo que acontecia em campo. “Pai, o Grêmio está vencendo por 1 a 0”, disse ele em uma frase de significado enorme para mim; não pelo resultado em si, mas pela demonstração de que o Grêmio, sim, faz parte do cotidiano deles. Se estava ansioso para ver mais um desempenho do tricolor, naquele momento suspirei aliviado: não só havia recebido mais um sinal de quanto eles gostam do meu time (do nosso time), como, também, sabia que o Grêmio estaria em boa companhia até a minha chegada.

 

Tive tempo de ver todo o segundo tempo, me irritar com a falta de finalização do ataque e os vacilos da defesa, lamentar o gol adversário, agradecer pela marcação correta do pênalti, me indignar com o comportamento da Brigada Militar e vibrar com a vitória aos 53 minutos. Ainda consegui ver a reprodução da bela cobrança de falta de Fernando, este gremista de nascença. Todos esses momentos curti e sofri  sentado no sofá ao lado dos meninos que, defintivamente, aprenderam a ser gremista.

Avalanche Tricolor: Os titulares

 

Grêmio 2 x 0 Cruzeiro
Brasileiro – Olímpico Monumental

Escudero em foto do site Gremio.net

Muitas vezes ouvi de meus colegas do esporte, que costumam entender muito mais do que eu de futebol – não que precise muito para tanto -, que um dos sinais que revelam o equilíbrio e a qualidade de uma equipe é o fato de o torcedor conhecer, de cor e salteado, os 11 titulares. Evidentemente que em uma competição longa como o Brasileiro, é muito difícil manter a mesma escalação por muitos jogos seguidos. São jogadores cansados, machucados ou suspensos em um “turnover” (perdão, estou contaminado pelos meus entrevistados do Mundo Corporativo) capaz de desestabilizar tanto o planejamento de um time de futebol quanto o de uma empresa. Mas quanto mais a escalação se repete, ao menos a sua base principal, maior é a tendência de se encontrar um equilíbrio na competição.

Nesta temporada, parece-me que pela primeira vez, o Grêmio encontrou os seus 11 titulares. Tira um daqui, tira outro dali, pelos motivos que citei no parágrafo anterior, mas quando a partida vai começar é bem provável que a gente acerte boa parte dos nomes escalados. Vitor, Mário Fernandes, Ed Carlos, Saimon, Julio César, Rochenback, Fernando, Douglas, Marquinhos, Escudero e André Lima são os titulares de Celso Roth. O técnico talvez tenha dúvidas em uma posição da defesa e outro no comando do ataque (eu tenho, principalmente, no ataque), mas tem mantido o mesmo time em campo, sem invenções ou milagres, buscando regularidade – um expressão que no futebol significa uma sequência de vitórias.

Na partida deste fim de domingo, a marcação forte, a troca de passe rápida, a descida veloz pelas laterais e a movimentação talentosa do meio de campo mostraram que a estabilidade está sendo alcançada a 12 rodadas do fim da competição. Antes que você me corrija, enquanto a maioria dos adversários terá 11 partidas, no caso do Grêmio ainda faltam 12 a serem disputadas, devido ao jogo adiado contra o Santos (aliás, azar dos santistas que vão nos encontrar neste meio de semana embalados). Portanto, temos 36 pontos em jogo e, a persistirem os sintomas, tudo para fazermos uma arrancada final de ficar na história.

Neste domingo, destacou-se Escudero que tem melhorado a cada partida e oportunidade que recebe. Um argentino que dribla os esteriótipos ao jogar calado, concentrado e disposto a aparecer apenas com o seu talento. No gol que fez demonstrou apuro técnico seja ao receber a bola, seja ao desviar do goleiro. Justiça seja feita, o passe de Marquinhos do outro lado do campo foi um primor.

De minha parte, um desejo privado: ver na escalação principal o outro argentino, Miralles, em lugar de André Lima.

Avalanche Tricolor: O melhor ataque é a defesa

 

 

Cruzeiro 2 x 3 Grêmio
Gaúcho – Passo D’Areia/POA


O goleador do time corria alucinadamente em direção ao zagueiro. O craque retornava ao campo de defesa em uma velocidade descabida. O camisa 10 roubava a bola do marcardor com um leve toque embaixo dela, dentro da área do adversário. Eles, os volantes, os alas, todos faziam parte de um sistema rígido de defesa que impedia riscos ao nosso gol, interrompia ataques e abortava contra-ataques.

Em contrapartida, o zagueiro aparecia no último poste, de carrinho, esticando a perna, levando a bola para a rede inimiga e selando a classificação para mais uma final em quatro meses – a terceira, se levarmos em consideração a disputa da pré-Libertadores. Era o quinto gol dele neste campeonato. Nosso defensor é o terceiro goleador do time – claro que se descontarmos os lances nos quais fomos vítimas dos erros dele, como no primeiro da partida da semi-final, ainda nos deve alguns (perdão, Rafael Marques, pela corneta, mas eu precisava lhe chamar atenção para isso).

O Grêmio atual, como todas as críticas que sofre e erros que comete, me chama atenção pela postura que tem adotado em momentos de decisão. Seus jogadores trocam os papéis, nossos ataques defendem, nossos zagueiros atacam, e todos se dedicam em nome de uma conquista. Compensamos as falhas lá de trás, pela dedicação lá na frente e o esforço da turma que está no meio.

O futebol que temos jogado não chega a ser o mais impressionante de todos os tempos, mas tem nos levado aos resultados que necessitamos. E se existe um mérito, é esta doação de cada um ao bem maior. Atacante dando carrinho, voltante chutando e zagueiro marcando.

A lamentar apenas este desejo eterno pelas conquistas que nos causa feridos graves para as disputas maiores como Vitor e Lucio – duas ausências importantes para o próximo desafio sulamericano. Nosso consolo é saber que, seja quem for seus substitutos, teremos jogadores alucinados, vestindo a camisa tricolor, dispostos a dar o ombro luxado, a virilha esticada, o músculo estourado, a canela machucada em nome de mais uma vitória.

Mais do que das vitórias, dependemos desta disposição de cada um. E a persistirem os sintomas, esta não nos faltará tão cedo.

Avalanche Tricolor: Vamos ao que interessa

 

Grêmio 0 x 2 Cruzeiro (POA)
Gaúcho – Olímpico Monumental

Vítor não estava no gol, Gabriel e Rodrigo não se apresentaram, Rochemback não foi visto no estádio, assim como Douglas. Os atacantes Borges e André Lima ganharam folga. Até mesmo Renato e Carlos Alberto que haviam batido ponto mais cedo resolveram sair antes. Restava muito pouco na partida desta tarde de sábado, tão pouco quanto o número de torcedores nas arquibancadas – apenas oito mil pessoas.

Verdade seja dita, quem se importou com as ausências de jogadores, time e espírito matador não entendeu o recado do primeiro turno do Campeonato Gaúcho – esse que apelidaram Taça Piratini e levamos para casa. Sobraram futebol e coração para que o Grêmio, a partir de agora, se dedicasse ao que nos interessa.

Na quinta-feira, o Imortal encara mais uma vez o León, que vencemos no início do mês por 2 a 0 em casa. Desta vez, o jogo será em terra alheia: vamos a Huánuco, no Peru. Não bastasse ser jogo válido pelo o que realmente “vale a pena”, ainda será disputado às cinco da tarde. Dupla comemoração de minha parte: é pela Libertadores e na hora ideal para este madrugador.

Pra não dizer que deixei de falar da partida desta tarde, reproduzo o que mais chamou atenção no Olímpico Monumental, a partir de comentário no Twitter de @Ducker_Gremio: “impressionante o número de camisas novas no estádio”. Imagino que seja resultado da motivação do torcedor com a trajetória de 2011e do bom gosto do desenho da camiseta com a assinatura da Topper. A informação é que 80 mil foram vendidas desde o lançamento, dia 15 de fevereiro.

Contra o León, sejam as novas ou as velhas, todas as camisas estarão reunidas, lado a lado, na arquibancada, diante da TV ou coladas no rádio porque aí sim a coisa vai pegar fogo: é jogo de Libertadores. E com estas coisas a gente não brinca

Avalanche Tricolor: Como de costume

 

Grêmio 4 x 2 Cruzeiro
Gaúcho – Olímpico Monumental


Choveu forte em São Paulo. E o caminho para casa complicou. A água encheu avenidas e ruas. Nada que não estejamos acostumados nesta cidade despreparada para o verão. Para evitar problema maior, parei o carro e esperei a situação ficar mais amena. Com a CBN sintonizada, busquei alguma informação sobre a partida do Grêmio lá em Porto Alegre. Ouvi apenas sobre a dificuldade para o jogo se iniciar no Morumbi. Estava um charco.

Com todos os problemas para andar na cidade, cheguei em casa quando o Grêmio já vencia por 1 a 0 e a partida estava no intervalo. Alguns poucos lances mostraram que o primeiro tempo não havia enchido os olhos dos torcedores, apesar da vitória parcial.

Em compensação, o segundo tempo foi interessante.

Mesmo desgastado pela viagem à Colômbia, o Grêmio tocou bola com rapidez e variou os caminhos para chegar ao gol. Ora pela direita – com Gabriel se destacando -, ora pela esquerda – principalmente com a entrada de Bruno Colaço -, o time apresentou um elenco de boas jogadas.

Ora com velocidade, ora com exagerada elegância, sempre teve o controle da partida, mesmo contra um time que chegou ao Olímpico com a banca de quem tirou gente grande da disputa.

Verdade que se descuidou na defesa permitindo que o adversário esboçasse algum perigo. Nada, porém, que colocasse em risco a classificação para a final do primeiro turno.

Borges foi o principal destaque com os três gols marcados. Fez o que se espera de um goleador, aproveitou as chances que surgiram e decidiu o jogo. Está renascendo na temporada, e será fundamental para as conquistas que buscamos.

O Grêmio, por sua vez, segue à risca aquilo que se espera dos grandes times, impôs respeito, jogou mais e garantiu presença na final. Assim como a chuva no verão paulistano, nada que não estejamos acostumados.