Em novembro de 1978, nasci em Jacareí, embora meus pais vivessem na capital paulista. Cresci no Ipiranga, ouvindo histórias do meu pai, um “menino de rua, sozinho no mundo”, como ele dizia. Cuja vida por São Paulo inspirou meu amor pela cidade.
Minha infância foi marcada por travessuras a caminho da escola na Praça Pinheiro da Cunha. No trajeto, andava por cima do muro mesmo sob a reprimenda de minha mãe.
Aos sete anos, iniciei a escola Teotônio Alves Pereira, lembrando sempre da tia Helenice, minha primeira professora.
Brincadeiras de rua, carrinho de rolimã e passeios de bicicleta pelo parque da independência faziam parte do meu dia-a-dia.
Na pré-adolescência, trabalhei com meu pai, entregando encomendas pela cidade, o que fortaleceu meu amor por São Paulo. Aprendi a navegar pela metrópole com um guia detalhado, antes da era do GPS. Os fins de semana eram reservados para os bailinhos, onde a moda era calça baggy, blaser com ombreiras e tênis.
Com a mudança dos meus pais para o sul de Minas nos anos 90, fiquei a 190km de São Paulo. Hoje, como marceneiro, visito a cidade frequentemente, relembrando os lugares da minha infância com carinho e nostalgia. Para mim, São Paulo não é apenas uma cidade, é o lugar que definiu minha felicidade e orgulho, a capital do meu coração.
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Álvaro Gomes Severino é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Juliano Fonseca. Esse texto foi inspirado na história contada pelo Álvaro. Agora, eu quero ouvir a sua história de São Paulo. Escreva e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o novo site da CBN – cbn.com.br —, o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo
Essa história começou em São Paulo e muitos anos depois atravessou o mundo e promoveu um encontro improvável. Nasci numa maternidade no Ipiranga e desde criança morei na região. O recém reformado Museu do Ipiranga foi parte da minha infância. Aos fins de semana, eu e meus amigos fazíamos corrida de carrinho de rolimã na descida que liga os dois extremos do parque, brincávamos de pega-pega por entre as árvores que cercam a Casa do Grito e pelos jardins de estilo francês, que sempre atraíram turistas.
Aos 18 anos, me mudei a trabalho para o Japão. Foi onde passei a praticar snowboard. Um dia, convidado por um amigo, me juntei a um grupo para visitar a uma pista de esqui famosa a umas quatro horas de carro de onde morávamos. No grupo uma garota chamou minha atenção. Apesar de ser a primeira vez que eu a via, tive a sensação de que a conhecia. Nas conversas descobri que ela também era brasileira. Descobri que éramos de São Paulo. Havíamos morado no Ipiranga e nascidos na mesma maternidade.
O destino nos uniu no Japão. Nos casamos. E voltamos para o Brasil. Perdi a conta de quantas vezes estive com nossos três filhos no Parque da Independência: andamos de skate, jogamos bola, escorregamos nos corrimãos gigantescos de mármore, observamos os macacos e pássaros que moram na mata, ao fundo do Museu.
Hoje, estamos novamente no Japão. As crianças já não são tão crianças. Têm uma vida bem diferente aqui em Yokohama. Mas cresceram com as memórias do parque e do museu do Ipiranga que seguem vivas em suas mentes.
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Alex Albergaria é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Juliano Fonseca. Venha participar das comemorações dos 470 anos da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br , acesse o novo site da cbn CBN.com.br, e ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
O ano era 1987. Na época, eu com 23 anos e meu namorado, hoje meu marido, com 26. Éramos estudantes da Faculdade Cásper Líbero e usávamos os fins de semana para passear, namorar e fotografar.
Um de nossos lugares preferidos era o Parque da Água Branca, na Barra Funda. Fácil de chegar e relativamente perto de nossas residências, nos encontrávamos lá quase todos os sábados para fazer fotos com uma máquina Nikon emprestada e depois revelaríamos o filme no laboratório da faculdade.
Foram tantas e lindas fotos!
Dentre elas um menino que trabalhava como pipoqueiro que não devia ter mais de 10 anos; idosos pensativos sentados nos bancos; e muitos animais atravessando as alamedas.
Aprendemos a olhar com os olhos da alma, a admirar a beleza daquelas imensas árvores e ouvir os cantos dos galos. Tantas crianças, com pedaços de pão, correndo atrás das galinhas, patos e gatos, habitantes que viviam livres no Parque!
No mini zoológico, alguns bois, bezerros e bodes ouviam desatentos os insistentes chamados das crianças penduradas nas cercas. Caminhando em direção a rua Turiassú, sempre parávamos no Pergolado. Lá, cantos de pássaros podiam ser ouvidos, e o local nos convidava a reflexão e quietude. Podia até imaginar esse sossego quando os portões se fechavam, depois de um dia intenso de sol. Os bichos se aninhando nas gramas, nas árvores, nos cantos. Em paz, enfim!
Andando pelo parque, no meio de tantas árvores, parecia que não estávamos em São Paulo. O Água Branca era um oásis no barulho da Avenida Francisco Matarazzo.
Caminhávamos de mãos dadas, máquina pendurada no ombro, sem sentir as subidas que faziam parte dos diversos caminhos que nos levavam para as ruas Ministro de Godói e Turiassú. Parando ora aqui, ora ali, para uma foto, um comentário, um beijo!
Muita coisa mudou na cidade e o Parque da Água Branca acompanhou essa transformação: envelheceu e soube manter seu frescor. Como todos na cidade, teve que se adaptar aos tempos: hoje tem aparelhos para ginástica, mesas e cadeiras para o café na feira orgânica, o Revelando SP, que apresenta comidas e artesanato de várias cidades do interior de São Paulo.
O modo de fazer fotos também mudou. Hoje, os visitantes têm celulares e não precisam economizar o filme. Saem fazendo diversos cliques e fotos de tudo o que veem, muitas vezes se esquecendo de só olhar, de registrar a lembrança na memória e de andarem de mãos dadas pelas alamedas.
O Parque continua majestoso, recebendo de braços abertos pessoas de todos os locais da cidade e do mundo.
Dora del Mercato é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Daniel Mesquita. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Venha participar da edição especial do Conte Sua História de São Paulo, em homenagem ao aniversário da cidade. Escreva seu texto agora e nvie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Em 31 de Dezembro de 1967. Com 18 anos, alguns trocados e uma carteira de trabalho novinha, saí de Minas para morar em São Paulo. Da Rodoviária da Luz fui direto ao apartamento de um grande amigo, na Rua 24 de Maio, coração da cidade. Ao chegar, a melhor das surpresas: abastecida e decorada, a sala estava pronta para receber um novo ano, dentro de poucas horas, e, também, a me desejar boas-vindas.
Não se fizeram esperar os primeiros convidados; e antes de anoitecer, de longe se ouvia o genuíno sotaque paulistano dos rapazes elegantes e barulhentos. Bem mais tarde, as moças e, com elas, o tom da alegria, o brilho e a magia das noites de festa.
De madrugada, descemos animados para ver a Avenida São João. Os bares e restaurantes lotados prolongariam ao máximo as comemorações do Réveillon. As luzes, a multidão em festa, uma energia quase a trepidar. Imersa numa espécie de doce euforia, a cada passo, mais e mais eu me distanciava de mim mesma e da minha pequena cidade.
Tantos anos se passaram e ainda me emociono em meio à multidão. Não é fácil, dela ser parte. Dá trabalho ser independente, ter liberdade. Nunca me curei da minha mineira cacofonia, mas São Paulo me aceitou mesmo assim, desde aquele Ano Novo.
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Sonia Regina dos Santos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Você pode ouvir este e outros capítulos aqui no blog ou no podcast do Conte Sua História de São Paulo:
Sou paulista e paulistano. Nasci na noite de Natal, no bairro da Consolação. Eram 25 de dezembro de 1963. Sou filho de migrantes pernambucanos. Meu pai, Antonino Dionísio Marques, de Vitória de Santo Antão, terra da Pitu, uma das mais conhecidas cachaças do Brasil. Minha mãe, Maria do Carmo. Natural de Correntes, na época distrito de Garanhuns.
Papai era era alfaiate e foi para São Paulo, em 1957, após trabalhar com Seu Bruno Perrelli, no Recife. Na capital paulistana, acompanhou a agitação política no fim dos anos de 1950 e início de 1960.
Ele assistiu à partida inaugural do Estádio do Morumbi. Além do fato de ter acompanhado a construção do estádio, decidiu ver o jogo de estreia porque era torcedor ferrenho do rubro-negro Sport Recife. Não que seu time estivesse em campo, mas o anfitrião São Paulo receberia o Sporting de Lisboa, jogo que a equipe da casa venceu por 1 a 0, com gol de Peixinho. Foi o que bastou para que Seu Antonino se transformasse em torcedor do tricolor paulista. Falava com entusiasmo de tudo que presenciou naquele dia.
Após os eventos de 31 de março de 1964 e se sentindo inseguro, enviou para o Recife, sua esposa, minha mãe, e eu, no fim de abril. Ele e o irmão, João Dionísio, deixaram São Paulo, no mês de Sant’Ana, como o nordestino chama o mês de junho.
Religiosamente, meu pai retornava à capital paulista para rever os amigos. Por várias vezes, eu o acompanhei. Ficávamos na casa de um cunhado dele que também era migrante e morava na rua Cuiabá, número 96, bairro da Mooca. Chegávamos a ficar até 20 dias.
Ao me formar no ensino superior, fiz um estágio, para aprimorar os conhecimentos em voleibol, no Esporte Clube Banespa e morei um tempo no bairro de Santo Amaro, na zona Sul. Quando a grana permitia, visitava o centro da cida e almoçava pastel com caldo de cana, no Mercado Público.
Hoje, viajo menos a São Paulo, devido os afazeres. Vou eventualmente, a cada dois, três anos. Sempre que vou me emociono andando a pé pelo centro. Assim admiro melhor suas ruas, monumentos, parques, museus, exposições e tudo de bom que essa megalópole oferece.
Por restrições financeiras, faz uns seis anos que não saboreio aquele caldo de cana acompanhado de pastel, uma parada obrigatória sempre que assistia a um jogo da Taça São Paulo de Futebol Junior.
Por uma dessas coincidências que o destino nos apronta, meu pai morreu na manhã de um 25 de dezembro, quando eu estava completando 43 anos. Preparava um churrasco para comemorar meu aniversário e havia convidado seus parentes de Vitória de Santo Antão e os da minha mãe, da cidade de Correntes. A presença deles naquela data, ao menos serviu para que todos pudessem prestar uma homenagem ao Seu Antonino que, assim, como eu, adorava a cidade de São Paulo.
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Antonio Dionísio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
No coração das montanhas, mulheres encontram não apenas trilhas íngremes e paisagens deslumbrantes, mas também uma jornada de autodescoberta e transformação. No Dez Por Cento Mais, Kellyns Cristina, Anna Gonçalves e Amanda Alvernaz revelam como o montanhismo vai além de uma atividade física, tornando-se um poderoso caminho para o empoderamento feminino e o crescimento pessoal Na entrevista a Abigail Costa e Simone Domingues, essas aventureiras compartilham suas experiências inspiradoras, demonstrando como a escalada de montanhas pode ser metafórica e literalmente uma subida rumo a novos horizontes de vida. Suas histórias são um testemunho de coragem, resiliência e da inquebrantável força do espírito humano.
Cada uma com sua trajetória única, Kellyns, Anna e Amanda encontraram nas montanhas um refúgio para superar desafios e reconstruir suas vidas. O montanhismo emergiu como um elo comum em suas histórias, onde o medo e a insegurança foram substituídos por força, confiança e uma nova perspectiva de vida. Entusiasmadas com os resultados que conquistaram, decidiram criar uma empresa, a Mulheres e Montanhas, que promovem encontros e viagens para a prática do montanhismo.
As montanhas se revelaram um espaço sagrado de transformação. Nas altitudes desafiadoras, entre trilhas e picos, estas mulheres aprenderam lições de resiliência, determinação e coragem. O montanhismo tornou-se uma metáfora para suas jornadas pessoais, refletindo a capacidade de enfrentar e superar obstáculos internos e externos.
Essa experiência também fortaleceu a união entre elas. e com outras mulheres que aceitaram o desafio. A sororidade encontrada nas escaladas demonstrou a importância do apoio mútuo. Juntas, elas enfrentaram medos, compartilharam alegrias e conquistaram cume após cume, provando que a união e a força feminina são imparáveis.
Cada expedição trouxe desafios únicos, mas também oportunidades para crescimento e autoconhecimento. As entrevistadas compartilharam momentos de vulnerabilidade, superação e a profunda satisfação de alcançar objetivos que, um dia, pareciam impossíveis.
As histórias de Kellyns, Anna e Amanda são uma fonte de inspiração. Elas mostram que, independentemente do contexto ou dificuldade, é possível encontrar forças para mudar e crescer. O montanhismo, nestes relatos, emerge como um poderoso catalisador para a mudança e um exemplo vibrante da capacidade humana de se reinventar.
As montanhas, para estas aventureiras, são mais do que apenas cenários naturais; são espaços onde se forjam caráter e resiliência. Através de suas experiências, elas nos mostram que cada passo, cada escalada, é um passo para descobrir e afirmar a própria identidade, força e capacidade de transformação.
Kellyns, Anna e Amanda continuam suas jornadas nas montanhas, incentivando outras mulheres a se juntarem a elas neste caminho de aventura e autodescoberta. Suas histórias são um convite para olhar além dos picos e ver as infinitas possibilidades que aguardam quando se ousa dar o primeiro passo. Comece 2024 com uma jornada transformadora nos Andes.
A próxima viagem será nos Andes, em Mendoza, Argentina, entre os dias seis e 13 de janeiro. As mulheres interessadas em participar podem pesquisar no site mulheresemontanhas.com..br ou acessando este link.
Assista ao Dez Por Cento Mais
O Dez Por Cento Mais leva ao ar, todas as quartas-feiras, uma entrevista inédita, a partir das oito da noite, no You Tube. A apresentação e produção é de Abigail Costa e Simone Domingues. Assista à entrevista completa com Kellyns Cristina, Anna Gonçalves e Amanda Alvernaz:
Vista da Praça da Sé a partir dos altos da Catedram, foto: Mílton Jung
Minha história em São Paulo começou em 1986, no bairro do Ipiranga, na visita a casa de umas tias que moravam na rua Bom Pastor. Até então, via São Paulo pela televisão. Era algo distante de minha realidade, nascida e criada no interior.
Foi naquele ano que surgiu a oportunidade de ir para a capital paulista. Na época, não tínhamos telefone. Era ainda por carta que avisamos de nossa viagem. Desembarcando na rodoviária do Tietê foi um desespero ver tanta gente apressada em chegar ao destino; e o tempo todo alguém dizendo: tenha cuidado, a cidade grande é perigosa! Pegar o metrô foi outra novela, tudo muito novo e arriscado.
Com parada na Sé, aproveitamos para conhecer a Igreja Matriz. logo na escadaria, um jovenzinho me ofereceu uma rosa, gesto que achei muito gentil, afinal ele não me conhecia. Aceitei de imediato tal carinho. Até que o jovem deu o valor — não lembro quanto, mas era alto. Devolvi a rosa!
Fomos ao metrô novamente e chegamos ao destino. Uma casa com algumas divisões em que cada pedacinho fora aproveitado. O pedreiro de um bairro distante pernoitava num cômodo nos fundos durante a semana e prestava serviços à minha tia já idosa como forma de pagamento.
Ao lado, uma jovem equipou um outro espaço com potes e vasilhas pois estava sem emprego e montou ali a sua cozinha e o ponto de venda de bolos. Do outro lado, uma cabeleireira fez o seu salão. Tudo alugado.
As tias falaram de uma peça com Ary Toledo, logo mais à noite. De repente me senti gente e conheci um teatro! No retorno pra casa vi que a cidade de São Paulo não parava mesmo e funcionava a noite toda. No dia seguinte, fomos conhecer o Museu do Ipiranga, viver a história só lida nos livros da escola. Inesquecível!
As lojas todas com atendimento diferenciado. E, claro, trouxe um tecido lindo, do qual fiz uma camisa. Me orgulhava em vesti-la e dizer aos amigos: trouxe de São Paulo!
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Márcia Dainez é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Estreia nesta sexta-feira, o programa “Cultura e Saber”, produzido pela TV Alesp, apresentado pela jornalista Melissa Araújo. Com o objetivo de abrir espaço a autores de livros, tive o privilégio de ser o convidado a participar do primeiro episódio quando falei de meus cinco livros, desde “Jornalismo de Rádio” (Editora Contexto), lançado em 2004, a “Escute, Expresse e Fale!” (Editora Rocco), de 2023. Foi uma conversa descontraída na qual a apresentadora me provocou a destacar aspectos importantes do trabalho jornalístico assim como os desafios que temos quando decidimos escrever um livro. Deixo o convite para que assistam ao programa que pdoe ser acessado pelos canais eletrônicos da Assembleia Legislativa de São Paulo.
Reynaldo Naves no estúdio do Mundo Corporativo da CBN, em foto de Priscila Gubiotti
Falar de como a tecnologia impacta a sua vida é “chover no molhado” — perdão por usar uma expressão de uma época em que as mudanças ocorriam de forma bem mais lenta do que atualmente. Todos sabemos como nosso cotidiano, nossas relações, nosso trabalho e nossas empresas estão passando por uma enorme migração diante da transformação digital. A despeito disso, se a ideia é acompanhar esses processos toda e qualquer organização tem de focar suas ações no desenvolvimento das pessoas. Quem fez esse alerta foi Reynaldo Naves, sócio e gestor da Olivia, no Brasil, consultoria internacional especializada em transformação organizacional.
“É preciso fazer o que chamamos de ‘twin transformation’ que é fazer a transformação digital, fazer a transformação focada em sustentabilidade a partir das pessoas, porque no dia a dia, para as coisas acontecerem, é que a cultura aparece. Então, se você não tiver uma orquestração da tua visão, dos teus serviços e da tua arquitetura a cultura que se instala pode estar desbalanceada”.
Na entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Reynaldo explicou que o risco de a estratégia e a cultura estarem desconectadas é o de as pessoas não verem sentido nas mudanças e quando isso ocorre os colaboradores tendem a produzir menos e os talentos vão embora.
“Esse é o grande paradigma. A gente tem que perceber que a estratégia — esse como e onde a gente chega — não pode estar desconectada de comportamentos coerentes, consistentes e congruentes com isso”.
A proposta da Olivia, de acordo com Reynaldo, é buscar formas disruptivas nos projetos de transformação organizacional a partir da criação de narrativas inspiradoras, simples e objetivas. Para ele, a complexidade do mundo já é grande demais diante de tantas ferramentas e soluções que surgem a cada instante — ciência de dados, inteligência artificial e internet das coisas, por exemplo. É preciso identificar o que realmente é importante para a organização, sem a tentação de querer repetir fórmulas criadas para outras realidades. Na conversa que tivemos antes do programa se iniciar, Reynaldo havia comentado que uma das coisas que mais o incomoda é quando o gestor o procura e anuncia: “quero implantar a cultura do Google na minha empresa”. Vai dar errado, diz ele! Você não é o Google!
“Cultura não se copia. E a outra coisa é que quando você tem essa narrativa a forma como você faz as pessoas vivenciarem essa mudança ela tem que ser vivencial, ela tem que ser inesquecível”
Repetindo o ensinamento de um dos maiores especialistas em cultura organizacional, o americano Roger Connor — “change the culture, change the game”-, Reynaldo defende que as experiências implantadas nas empresas têm de ser disruptivas porque assim consegue-se mudar as crenças que mudam os comportamento que fazem com que você haja de forma diferente alcançando resultados diferentes:
“Essa é a grande sacada do processo que é a partir das pessoas alavancar a tua estratégia e não top-down”.
Sim, é de baixo para cima, mas o líder é fundamental para que as mudanças aconteçam. Apesar de o processo ser bem estruturado para que as pessoas atuem na transformação, Reynaldo lembra que é “na última milha” que o sucesso se realiza. Um espaço que sequer tem um script, porque é o espaço do exemplo:
“O sucesso de uma transformação é, quando um líder tem um plano na mão, o como ele faz isso, o como ele engaja ou o como ele escuta ou o como ele coloca no ar a contribuição dos outros”.
Quando tratamos de transformação organizacional não falamos apenas das grandes corporações. As mudanças se fazem necessárias em empresas de todos os tamanhos. Por isso, pedi para Reynaldo deixar sugestões a pequenos e médios empresários interessados em sobreviver ao atropelo causado pelas novas tecnologias e as mudanças de comportamento:
A sua empresa é o seu exemplo: esteja conectado no comportamento que atrai clientes para crescer; crie um código de conduta; e mantenha a coerência entre o que diz que faz e o que realmente faz;
Invista em tecnologia: existem soluções para pequenos negócios; invista em tecnologia de gestão da empresa para ter os dados
Saiba se o cliente está satisfeito: ao fazer isso, não tome decisão sozinho, converse com o pessoal que está na linha de frente, veja se eles entendem o cliente, quais problemas que eles tem com os clientes e, a partir disso, faça as mudanças necessárias.
Para entender mais sobre como fazer as transformações no seu negócio para estar adaptado às demandas atuais, assista à entrevista completa com Reynaldo Naves, da Olivia:
O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.
O Arsenal da Esperança acolhe pessoas em situação de rua, em área que no passado recebia os imigrantes — especialmente italianos, que chegam da Europa em busca de uma nova vida — na Mooca, zona leste de São Paulo. Todo ano, sob o comando do Padre Simoni, os acolhidos são convidados a participar de um concurso literário. Neste ano de 2022, o vencedor foi André Luiz Maciel de Barros. Convidado, tive o privilégio de interpretar o texto vencedor.
Aproveite para conhecer e colaborar com o projeto do Arsenal da Esperança: