O sentimento de confiança

Por Beatriz Breves

Photo by fauxels on Pexels.com

Confiar é acreditar na capacidade de alguém. Se acredito na sua capacidade de ser amigo, confio na sua amizade. Se acredito que você consegue guardar um segredo, confio no seu sigilo. Posso também confiar na fidelidade de uma pessoa. Em cada caso, a confiança nasce da credibilidade que atribuímos ao outro e fortalece o vínculo que construímos com ele.

Mas a confiança também pode se voltar para nós mesmos. Podemos acreditar na nossa capacidade de enfrentar uma situação, tomar decisões ou lidar com as dificuldades da vida. Como, então, se constrói esse sentimento?

Para inspirar confiança, é preciso ser verdadeiro. A honestidade e a transparência permitem que o outro conheça aquilo que podemos oferecer. É difícil confiar em alguém que se mostra dissimulado ou diz uma coisa e faz outra.

Quando se trata de confiar em si mesmo, o caminho também passa pela verdade, mas pode ser mais difícil. Muitas vezes, nós nos escondemos de nós mesmos. Olhar para dentro exige reconhecer qualidades e capacidades, mas também limites e aspectos que não gostamos de ver. Se evitamos esse encontro, podemos deixar de perceber os recursos que temos e acabar nos sentindo inseguros.

Confiar em si, portanto, não significa acreditar que somos capazes de tudo. Significa nos conhecer o suficiente para reconhecer nossas possibilidades e nossos limites.

Há também a confiança cega, que, a meu ver, se aproxima mais da idealização do que da confiança. Quando consideramos alguém sempre verdadeiro, sempre fiel, sempre incapaz de falhar, deixamos de enxergar essa pessoa como um ser humano. Além disso, certas situações podem revelar aspectos dela que ainda não conhecíamos. Confiar exige olhar para o outro como ele é, com suas qualidades, dificuldades e contradições.

Quando a confiança se quebra, recuperá-la pode ser muito difícil. Até porque a confiança não se constrói rapidamente; vai se formando aos poucos, nas experiências compartilhadas e na continuidade do vínculo.

Particularmente, gosto de pensar na confiança como uma peça preciosa. Se ela se quebra, talvez seja possível restaurá-la. A peça pode até ficar bonita, e podemos passar longos períodos sem lembrar do que aconteceu. Mas, diante de um pequeno abalo, geralmente volta a lembrança de que ela já foi restaurada.

O perdão pode ajudar a reconstruir uma relação, mas não apaga necessariamente sua história. Há confianças que podem ser restauradas; outras, não. Cada pessoa precisa avaliar o que aconteceu, o que mudou e se deseja continuar aquele vínculo.

A confiança, seja no outro, seja em nós mesmos, não se constrói de uma vez. Ela se forma dia após dia e exige disposição para continuar olhando para si e para o outro, mesmo quando aquilo que encontramos não é fácil de ver. É assim que podemos nos tornar mais verdadeiros conosco e, pouco a pouco, confiar mais em nós mesmos e também no outro.

Beatriz Breves é presidente da Sociedade da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel, licenciada com especialização em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia titular do Pen Clube do Brasil. Integra o Quadro Efetivo da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB). Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad.

Pesquisa eleitoral: você confia?

 

Young Anonymous

 

A virada de Aécio no último dia, colocando-o no segundo turno, foi um dos temas preferidos nas discussões pós-eleições. Onde se destacaram as críticas sobre as prévias realizadas pelos institutos de pesquisa.

 

No geral, o uso de pesquisa como técnica e ferramenta para uma boa prática de gestão, embora essencial, não é uma unanimidade. A difusão é pequena. Restrita a grandes corporações e entidades, e normalmente com resultados positivos.

 

Na política, e principalmente nas eleições, é bem difundida e aplicada com razoáveis resultados. Observação que neste momento é contestada, pois apenas as tendências foram detectadas. Como ocorreu na disputa à presidência, que sinalizou a progressão de crescimento de Aécio Neves, mas não o apresentou seguramente como segundo colocado.

 

Sob o ponto de vista técnico, que é como se deve analisar uma técnica, as pesquisas têm demonstrado que:

 

– Desde 1989 as pesquisas sempre acertaram os presidentes eleitos.
– A pesquisa tão somente fotografa o momento, de forma que daí até a hora da cabine eletrônica poderá ocorrer mudança do eleitor. Gerada por cognição ou por fatos políticos novos.
– Os levantamentos pesquisam de 2000 a 4000 pessoas para obter o quadro de votação de 143 milhões, isto significa que conhecer eleitores pesquisados não é tarefa fácil.
– Os votos brancos, nulos e a abstenção atrapalham as pesquisas. Segundo o Blog do Milton Jung, em SP e no RJ a abstenção foi de 20%, e dentro dos votantes os brancos e nulos somaram também 20%.

 

Dentre as abordagens técnicas consistentes, matéria da VEJA desta semana, atribui confiança nas pesquisas nacionais e informa o resultado do estudo com 800 pesquisas presidenciais em 37 países, feito pelo instituto francês IPSOS, que apresentou média de erro de 3,2 pontos. A média brasileira variou de 0,9 em 1989 a 1,9 em 2010, para 3,9 pontos agora.

 

Caberá aos institutos de pesquisa neste segundo turno dirimir a questão da confiança ou desconfiança. Estou confiante. E, você?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

 

A foto que ilustra este post é do álbum de Duda Arraes, no Flickr, publicada conforme licença creative commons