Dez Por Cento Mais: Irene Vucovix transforma a dor pelo filho perdido em uma conversa sobre culpa e esperança

“É deixar a culpa e deixar a vergonha de lado. E colocar esse assunto em discussão na sociedade porque é muito importante.”

Durante 19 anos, Irene Vucovix acompanhou à distância a vida do filho, Marcelo, depois de decidir interromper uma convivência marcada pela dependência química, pela violência e pelo medo. Ela só voltaria a vê-lo quando ele morreu, aos 39 anos, vítima de uma overdose. Jornalista e escritora, Irene contou como enfrentou a culpa, o silêncio e um luto iniciado muito antes da morte — assunto de sua entrevista ao programa Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa.

Marcelo começou a usar drogas por volta dos 12 anos e logo passou da maconha para o crack. Antes disso, alguns comportamentos já preocupavam a família. Ele era agressivo, envolvia-se em brigas e cometia pequenas transgressões, como tirar dinheiro da carteira do avô e levar objetos de casa.

Naquele momento, esses episódios eram vistos como problemas da infância. Anos depois, ao reler avaliações escolares guardadas, Irene percebeu que alguns comportamentos se repetiam.

A família procurou diferentes formas de tratamento. Houve psicólogos, psiquiatras, terapias, internações e clínicas de recuperação. Irene também buscava reportagens sobre dependência química e entrava em contato com famílias que diziam ter encontrado um caminho.

“Eu tentei de tudo que me diziam que podia funcionar, eu tentei”, afirmou.

Cada internação alimentava a expectativa de mudança. Marcelo recuperava o peso, aparentava estar saudável e deixava a família novamente confiante. A recuperação, porém, não se sustentava. Ele abandonava os tratamentos, fugia das clínicas e voltava a usar drogas.

“Todas as vezes você tem essa impressão”, contou Irene, ao recordar o pensamento que se repetia nesses períodos: “Gente, agora, ele tá muito bem.”

Quando o amor convive com o medo

Com o agravamento da dependência, Irene passou a temer o próprio filho. Marcelo tinha 1,93 metro, praticava luta e se tornava agressivo quando era contrariado. Aos 16 ou 17 anos, ela dormia com a porta do quarto trancada e uma cadeira segurando a maçaneta.

Em um dos episódios relatados, o filho apareceu em casa com um pé de maconha e anunciou que faria uma pequena plantação no apartamento. Irene recusou e jogou a planta fora. Quando voltou do trabalho, na véspera do Dia das Mães, encontrou a porta do quarto pichada com a frase: “Que você tenha um péssimo Dia das Mães”. Marcelo também levou a televisão, o videocassete e outros objetos.

A dependência passou a se misturar com prisões, dívidas com traficantes, roubos e falsidade ideológica. Irene pagava terapeutas, advogados e, algumas vezes, traficantes, por temer que o filho fosse morto.

Aos 20 anos, Marcelo recebeu uma avaliação que destruiu parte das esperanças da mãe. Depois de analisar os exames, um profissional disse que ele dificilmente chegaria à vida adulta. Para que o rapaz tivesse alguma possibilidade de assumir as consequências das próprias escolhas, Irene teria de estabelecer limites.

A orientação foi resumida em uma imagem: ela precisaria “virar uma parede”. Dizer não, suportar as tentativas de manipulação e deixar de resolver os problemas criados pelo filho.

“Era para virar uma parede. Então vou virar uma parede”, recordou.

Irene se afastou radicalmente. Não atendia aos telefonemas, não entregava dinheiro e não pagava mais as dívidas. Marcelo tinha 20 anos. Ela só o veria novamente depois de sua morte, aos 39.

“Eu brinco que tinha um não na minha testa”, afirmou.

O afastamento não rompeu o vínculo

A distância física não significou indiferença. A irmã de Irene passou a manter contato com Marcelo e levava notícias à família. Algumas vezes, dizia que ele estava trabalhando, namorando e vivendo no interior de São Paulo. Pouco tempo depois, chegava a informação de que havia sido preso novamente.

A esperança mudava de tamanho. Irene já não esperava que o filho cursasse uma faculdade ou seguisse o futuro imaginado durante a infância. Desejava apenas que ele conseguisse trabalhar, respeitar os outros e levar uma vida que definiu como “minimamente digna”.

Mesmo afastada, procurava saber se ele estava seguro. Quando Marcelo foi preso por envolvimento com uma caminhonete roubada, Irene decidiu não contratar um advogado para tirá-lo da cadeia. Diante da notícia de que ele poderia correr risco de vida, pediu a um jornalista que visitasse o presídio e verificasse a situação.

A contradição foi resumida por ela em uma frase: “Eu larguei, mas não larguei.”

O afastamento também veio acompanhado de culpa e tristeza. Irene escondia a situação dos amigos. Quando perguntavam pelo filho, respondia que ele estava bem e morava no interior. Dentro da família, a dependência química tornou-se um assunto difícil de pronunciar.

“Virou um tabu esse assunto. Um negócio louco, é um silêncio. Ainda hoje, com o livro publicado, a gente tem dificuldade de falar”, disse.

Segundo Irene, a vergonha era mais intensa no início. Com o agravamento dos problemas, ela se sentiu cada vez mais fragilizada e vulnerável. A experiência permaneceu guardada durante anos, mesmo depois da morte do filho, em dezembro de 2017.

Da oficina literária ao livro

A escrita surgiu dois anos depois. Irene participava de uma oficina literária quando leu o conto “Onze filhos”, de Franz Kafka. No dia seguinte, escreveu cerca de 30 linhas sobre a infância de Marcelo. Deu ao texto o título “Um filho” e encerrou a narrativa informando que ele havia morrido por overdose.

O professor considerou o texto apenas um embrião. Irene decidiu, então, contar a história da relação com o filho. O processo exigiu que revisitasse escolhas, medos e lembranças.

“Eu tava meio como espectadora de mim mesma. Tava me escrevendo”, explicou.

A experiência deu origem ao livro O filho perdido. O título foi sugerido pelo editor. Irene resistiu porque considerava a expressão dura. Com o tempo, reconheceu que as palavras sintetizavam sua história: “Eu perdi meu filho.”

Entre as poucas lembranças materiais de Marcelo, ela conserva desenhos, avaliações escolares, fotografias e a cópia da mão do menino feita em uma máquina de xerox na redação do jornal em que trabalhava. Irene costumava levá-lo ao trabalho durante os plantões de sábado.

A escrita não alterou o desfecho, mas mudou a relação da autora com o passado.

“Hoje eu me sinto assim, me sinto em paz”, afirmou. “Eu acho que eu fiz o que foi possível. Não sei se eu fiz o certo, eu não me cobro mais.”

A esperança depois da perda

Durante os anos de afastamento, cada aniversário de Marcelo representava uma vitória contra a previsão de que ele não chegaria à vida adulta. Mesmo de longe, Irene comemorava: “Mais um ano, ele tá vivo.”

A morte interrompeu essa contagem e deixou uma sensação de vazio. Questionada sobre o significado atual da esperança, respondeu: “Eu acho que ela muda de forma. Porque até para a gente sobreviver, você precisa acreditar em alguma coisa.”

A publicação do livro abriu outra possibilidade. Irene passou a receber mensagens de mães, filhas e irmãos que convivem com a dependência química dentro da família. Muitas procuram conforto e relatam histórias semelhantes, marcadas pelo isolamento, pelo medo e pela culpa.

Ela procura responder, embora deixe claro que não oferece um caminho pronto.

“Eu não tenho nenhuma receita”, afirmou. “O que eu fiz foi porque eu acreditei. Foi o que eu pude fazer e eu acreditei que podia dar certo.”

Para Irene, o silêncio torna a experiência ainda mais pesada. A vergonha isola a família e mantém o sofrimento escondido dentro de casa. Ao contar a própria história, ela espera ajudar outras pessoas a perceber que não estão sozinhas.

“Tem muita gente sofrendo com isso. Não é justo”, disse. “Queria que essas mães sentissem aqui um pouquinho de alento com o meu livro, um mínimo de conforto talvez.”

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Conte Sua História de São Paulo: uma chance a mais para Antônio, preso e drogado

 

Por Roberto Livianu
Ouvinte da CBN

 

 

 

Crônica originalmente escrita para o livro “50 tons de vida”:

 

 

Antônio era o filho mais novo de oito irmãos. Nascido em Nova Lima, região metropolitana de BH, teve infância humilde mas nunca faltou afeto nem alimento na mesa.

 
 

 

Sua mãe, Maria Antonieta era costureira e dava um duro danado para nada faltar aos filhos, para que todos estudassem, para que se sentissem amados, protegidos e amparados.

 
 

 

Flávio, o pai, morreu prematuramente em acidente do trabalho, na obra em que trabalhava como peão, na construção civil. Um andaime tragicamente desabou sobre ele.

 
 

 

Aos dezoito anos, Antônio resolveu tentar a vida em São Paulo, onde vivia Pedrinho, um primo seu, que trabalhava como garçom. Mas logo percebeu que não seria nada fácil vencer ali sem dinheiro, sem amigos poderosos, sem caminhos. Especialmente após ter feito amizade com Carlinhos, moleque do bairro que não trabalhava, usava crack e levaria Antônio para este labirinto.

 
 

 

Sem emprego e já viciado, saiu desesperado em busca de dinheiro para comprar a pedra. No seu trajeto, um salão de beleza. Entrou, colocou a mão sob a camisa e exigiu cinquenta reais. Estava cometendo seu primeiro assalto. Não foi convincente, não obteve o dinheiro e na saída foi preso em flagrante pela PM.

 
 

 

Dois meses depois foi solto num habeas corpus pedido pela Defensoria Pública, conseguindo responder ao processo em liberdade.

 
 

 

Passados dois anos, era um homem diferente. Trabalhava como servente de pedreiro e estava muito arrependido. Tornou–se evangélico e conseguiu libertar-se do crack. Chega o dia da audiência no fórum e a vítima pede para depor sem ele presente.

 
 

 

Surpreendentemente, o promotor vai até ele na sala em que estava e pergunta se estaria disposto a se explicar para a vítima e de pedir perdão a ela. A felicidade toma conta apesar de tudo e ele responde que é o que mais gostaria que acontecesse.

 
 

 

O promotor convence a vítima a rever sua posição e ela aceita estar presente e se encontrar com Antônio, para ouvi-lo. O mineirinho emociona-se, explica o que se passou em sua vida, pede perdão à vítima e as lágrimas correm em seu rosto copiosamente.

 
 

 

Suas palavras são sinceras. Ele e a vítima, Dona Letícia, abraçam-se e a cena emociona a todos na sala. A juíza, o promotor, a defensora, escrevente, estagiários.

 
 

 

O trauma sofrido pela vítima em virtude do assalto parece ter-se restaurado em grande medida. A prática se inspira na justiça restaurativa, que é instituto ainda embrionário no Brasil, mas muito utilizado na Nova Zelândia, no Canadá, África do Sul e em muitos outros países, onde se busca a aproximação de agressor e agredido por facilitadores da sociedade nos círculos restaurativos, funcionando o juiz como homologador.

 
 

 

A pena foi aplicada e o processo foi julgado, tendo ele recebido o benefício do regime prisional aberto e a sensação do promotor naquele dia foi muito especial, de dever cumprido. Sentiu-se leve, feliz e em paz. Sentiu ter feito justiça.

 

 

Roberto Livianu, promotor de Justiça, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também sua história da cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. 

O Estado reprovado como gestor avança como interventor

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A proibição total do aborto cogitada neste momento por uma minoria coloca em evidência a excessiva intervenção do Estado nos assuntos pessoais.

 

A Administração Pública não dá conta das atribuições que lhe compete, pois é má feitora, péssima gestora e interventora indevida, e agora quer ampliar a intromissão em direitos individuais das cidadãs brasileiras.

 

Ao mesmo tempo aflora a incongruência de liberar o fumo e o álcool, quando proíbe o jogo, o aborto e as drogas.

 

A proibição ao jogo é insustentável a qualquer argumento adulto. A não ser quanto a paternalismo ou estatismo.

 

O aborto tem seu melhor exemplo no caso americano da redução da criminalidade.

 

Rudolph Giuliani, prefeito de Nova Iorque, empossado em 1994, foi o herói aparente da mudança nos índices policiais. Entretanto o economista Steven Levitt e o jornalista Stephen Dubner foram os anti-heróis ao mostrar matematicamente que a causa real foi a lei que descriminalizou o aborto. Os filhos indesejáveis deixaram de nascer.

 

“O que o vínculo aborto-criminalidade nos diz é: quando o governo dá a uma mulher a oportunidade de escolha, ela pondera se está em condições de criar bem o bebê. Se não está, geralmente opta pelo aborto”.

 

O New York Times Magazine relatou:

 

“Em seu trabalho a respeito do aborto, Levitt e seu coautor avisavam que suas descobertas não deveriam ser erroneamente interpretadas como um aval ao aborto. Apesar de tudo, o assunto conseguiu ofender praticamente todo mundo. Os conservadores ficaram furiosos, os liberais manifestaram decepção com a discriminação contra as mulheres pobres e negras. Os economistas argumentaram que a metodologia não era sólida. Enquanto a mídia se esbaldava com o tema.”

 

A questão das drogas, a mais controversa de todas, não pode ignorar as pesquisas realizadas. Por exemplo, o Juiz Roberto Luiz Corcioli Filho em artigo apresenta a seguinte nota:

 

Conforme notícia publicada no jornal Folha de S. Paulo (Álcool provoca mais prejuízos que crack, heroína e maconha), “o álcool é uma droga mais perigosa do que o crack e a heroína e três vezes pior do que a cocaína e o tabaco, de acordo com pesquisadores do Comitê Científico Independente para Drogas do Reino Unido. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os riscos associados ao álcool causam 2,5 milhões de mortes por ano”.

 

Enfim, é preciso questionar as (ile)gítimas intervenções do Estado sob o propósito de proteger o cidadão de uma conduta auto lesiva.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.
 

Conte Sua História de SP: na loucura da cidade, um tempo para cuidar de pessoas

 

Por Maria José Fernandes Amaral dos Santos
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Me conhecem por Zezé Amaral. Hoje sou psicóloga. Cheguei em São Paulo com 5 anos, sou da Bahia, fui criada aqui: estudei, trabalhei, namorei, casei, tive um filho e montei um trabalho maravilhoso.

 

Há 13 anos, um amigo me chamou para atendermos dependentes químicos e seus familiares. Esse trabalho existe, totalmente de graça, até hoje. Todas às sextas-feiras das oito às dez da noite, eu e mais uma equipe de seis voluntários nos reunimos e oferecemos esse atendimento, individualmente e em grupo. Desde então, já fizemos mais de 8.000 atendimentos, todos registrados, com lista de presença e ficha de cada pessoa que passou por lá.

 

Com toda essa loucura que é a cidade, conseguimos separar um pouco do nosso tempo para dedicarmos a essas pessoas. Pessoas carentes e sem perspectivas de vida. Conseguimos muitas vitórias, claro, muitos fracassos, também, pois parar de usar drogas não é fácil, é um trabalho contínuo, para o resto da vida, exige sacrifício do dependente e auxílio da família.

 

Damos assistência por telefone, internamos quando é necessário, temos alguns contatos para internação gratuita e outros quando podem e estão desesperados procuram internação paga. Ocupamos o espaço do Centro Espírita Meimei, não falamos de religião, não é este o objetivo, trabalhamos à prevenção de recaída das drogas dos dependentes e da emocional da família.

 

Porque não falamos de religião, porque atendemos qualquer uma, muitas vezes alguns evangélicos nos procuram escondidos de seus pastores, mas o que importa para nós é que não voltem a usar drogas.

 

E acredite: isso acontece na cidade de São Paulo. Nessa cidade maravilhosa que acolhe todos que chegam. Essa é a minha história, de fazer a diferença em São Paulo.

 

Zezé Amaral é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar a sua histórias, também: envie o texto para milton@cbn.com.br.

Governos, ministros e drogas nas notícias do meu dia

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Estou escrevendo,nesta terça-feira, o que vai ser publicado na quinta. Destaquei, em minha ótica,é claro, as notícias que considerei as mais auspiciosas divulgadas pela mídia hoje. A primeira diz respeito à decisão da Presidente de diminuir 10 ministérios dos 39 que compõem o seu rol de ministros,dos quais muitos o caro leitor nem sabia nome e função. Era um exagero,sem dúvida. Às vezes,porém,são tantos os interesses que a primeira mandatária,provavelmente,imaginasse que,de alguma maneira,fossem pessoas úteis ao seu governo. Como se percebe pela reviravolta que retirou essa turma da lista de Dona Dilma,a presença deles – ou delas – apenas depunha contra a atual situação econômica governamental.

 

Como se ficou sabendo – ou até já se sabia – a crise era maior do que a teimosia da Presidente em manter o seu timão ministerial. Ela reconheceu que errou. Pena que tenha demorado a descobrir que 39 ministros custam muitíssimo caro. Aliás,os rumores de que o homem das finanças do governo,Joaquim Levy,estaria ou,mais do que isso,estava disposto a pedir demissão do cargo pioraram a história. Sua provável decisão seria terrível. Será que exagero?

 

Inicialmente,foi espalhada a informação de que o ministro Levy viajara para os Estados Unidos,sem compromissos oficiais. Ele depois negou que fosse a Washington. Isso também foi desmentido. Disseram,então que Joaquim Levy fora ver a menina (sua filha) que iria morar na China. Com ou sem Levy,o reconhecimento de Dilma de que tinha de desfazer-se de 10 ministros era uma admissão da grandeza da crise econômica. Não esqueçam,por favor,que entrego esta coluna entre terça e quarta-feira. Digamos que,por enquanto,Levy é o ministro das finanças do governo de Dilma Rousseff.

 

Escrevi no início do meu texto que,dentre tantas notícias,havia outra que me chamara a atenção.Por falar em ministros,há dois,no momento,ambos atuando no campo da justiça,que tem pensamentos diferentes sobre a mesma questão. O ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Edson Fachin divulgou de que usará o prazo regimental para julgar o processo que discute se é crime ou não o porte de drogas para consumo próprio. Sua intenção,conforme a sua assessoria,é liberar a sua decisão até 31 de agosto. Já o ministro Gilmar Mendes vai votar a favor da descriminalização. Para ele,a pessoa tem direito de colocar em risco a sua própria saúde.

 

Está em discussão a constitucionalidade do artigo 28 da lei que define,como crime,adquirir,guardar ou portar drogas para si. Mesmo os leigos não deixam de ter suas ideias a respeito deste assunto de suma importância. Por isso,dou a minha opinião a favor do ministro Luiz Edson Fachin. Permitir o porte de drogas não garante que seja unicamente para uso próprio. Não se pode confiar em pessoas viciadas em drogas. E a luta contra os traficantes ficará muito mais difícil do que se sabe ser. Eu sei de um excelente jovem que se viciou em crack e,desesperado para arrumar dinheiro destinado a pagar traficantes que cobravam a dívida dele,acabou matando o seu pai que se negou a lhe dar para saldar seu compromisso.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Elefante Branco: amor, violência, drogas e religião em uma favela logo ali

 

Por Biba Mello

 


FILME DA SEMANA

“Elefante Branco”
Um filme de Pablo Trapero
Gênero: Drama
País:Argentina, França, Espanha

 

 

Elefante Branco, pois a história se passa em uma favela no entorno de um hospital imenso que nunca ficou pronto. Dois padres se desdobram para melhorar a qualidade de vida dos mais pobres que ali habitam. Amor, violência e drogas permeiam a narrativa.

 

Por que ver: É um filmaço! Meu querido Ricardo Darìm está no elenco ajudando a excelente história. Minha sogra detesta filmes violentos, mas este em especial a prendeu do início ao fim.É um filme violento e crível: “favela movie” ao estilo “tropa de Elite”.

 

Como ver: eu vi com a minha sogra… Ela adorou uma pegação que rola no meio do filme…Quente sem ser apelativa…Meu marido não estava, perdeu um filme que tenho certeza que adoraria.Vimos tomando um vinho tinto…Encorpado como o filme…Denso…

 

Quando não ver: com aquele amigo/a socialista radical, vai ficar dando lição e tentanto te converter…Com seu filho menor de idade…Meio barra pesada… Se bem que as vezes é bom esta galerinha ter contato com a realidade dos menos afortunados…Fica a seu critério.

 


Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Toda semana oferece boas dicas de filmes para o Blog do Mílton Jung

Tyson diz trocar desejo pelas drogas pelo de ser uma pessoa melhor

 

 

Semana passada, ao escrever sobre MMA aqui no blog trouxe minhas lembranças das lutas de boxes e citei Mike Tyson como ponto final pela admiração que tinha com o esporte. Por coincidência, lendo The New York Times, no fim de semana, me deparo com artigo assinado pelo ex-boxeador no qual fala das tradicionais resoluções de Ano Novo, ponto de partida para tratar de sua maior luta: o vício com drogas e bebidas.

 

Tyson diz que, por ser viciado, faz parte de um grupo que não pode se dar ao luxo de fazer promessas que não mantêm: “a disciplina não é algo por que lutar a cada ano novo – é necessário a cada momento”. Apesar dos pesares, considera-se disciplinado, lição que aprendeu com seu primeiro treinador, Cus D’Amato, com quem trabalhou duro para se tornar o mais jovem campeão dos pesos pesados na história, quando sacrificou boa parte de sua vida social como adolescente e durante anos exigiu de seu corpo ao extremo todos os dias. D’Amato morreu um ano antes de Tyson conquistar o título mundial, em 1986, e com ele se foi o cara que o mantinha sob controle e distante das drogas e bebidas.

 

Tyson conta que os anos de sucesso foram os mais perigosos de sua vida, pois ouvir “você é um Deus” ou “seu retorno é incrível” detonava a certeza de que ele era capaz de beber, se drogar e se conter quando quisesse. Ledo engano. “Quando estava no auge de minha carreira, tinha um sistema de apoio ruim. Abutres gananciosos estavam em volta de mim, colocando suas mãos nos meus bolsos, usando meu status para seu ‘auto-engrandecimento’. Não havia como vencer assim” – escreve. O ex-boxeador conta que estava sóbrio por cinco anos quando teve um deslize e voltou a beber novamente em agosto do ano passado. Em lugar de se esconder, seguir “alto” até se deparar com uma prisão ou um acidente de carro, depois de três dias, ele buscou ajuda, sem necessidade que houvesse uma intervenção: “eu tinha aprendido na terapia a não bater em mim mesmo. Eu lembrei que a recaída é parte da recuperação”.

 

O caminho da humildade e do reconhecimento de sua fraqueza, diz Tyson, o faz se sentir muito melhor: “tive de substituir o desejo por drogas ou álcool pelo desejo de ser uma pessoa melhor”. Encerra o artigo desejando que todas as resoluções mais bem-intencionadas se realizem em 2014. Que as de Tyson, que parece estar construindo uma nova história vencedora, também se concretizem.

 

Menores: acorda Brasil!

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Crianças de rua

 

Ontem, Mílton Jung reforçou seu artigo de sexta, que pedia isenção e reflexão sobre a criminalidade de menores. Registrou os dados de Sonia Racy publicados no Estado de domingo, colhidos na Fundação Casa, informando que 3.600 internos de um total de 9.000, foram para lá em função do tráfico de drogas. Crime que encontra o despreparo do estado em 70% dos municípios paulistas, pois apenas 30% tem estrutura para lidar com as drogas.

 

Ainda ontem, a Folha em seu editorial “A rua vence a escola” publicou que pesquisa do Datapopular registrava que 44% dos professores do estado tinham recebido agressões físicas ou verbais, além de 84% saberem da violência nas escolas, das quais 42% originadas pelas drogas.

 

Na capital paulista, pesquisa publicada na semana passada indica que a maior preocupação do paulistano é o receio das drogas.

 

Atendendo a sugestão do artigo do Mílton procurei abastecer-me da necessária isenção sabendo das barreiras do juízo de valor, e refletindo dentro das minhas possibilidades, cheguei à conclusão que precisamos de atualização. De um lado, o jovem contemporâneo não pode ser visto dentro do perfil comportamental de antigamente. O amadurecimento é evidente, e a evolução da espécie já não é tabu, de forma que tratar o adolescente de 16 a 18 anos como criança, é no mínimo imprudente. De outro lado, o aparato estatal precisa estar equipado para atuar no mundo de hoje, considerando o universo do bem e do mal que cerca a juventude atual.

 

Acredito, portanto, que antes de refazer a antiga e certamente ultrapassada legislação do menor, precisamos definir a verdadeira idade dos adolescentes diante das prerrogativas e responsabilidades que deverão arcar. Sob este aspecto visualizo a necessária técnica da segmentação das faixas etárias, abrindo uma moderna escala especifica para cada grupo.

 

Ao Estado deverá caber a tarefa de se preparar com o conhecimento e habilidade necessária para enfrentar o desafio de administrar e controlar as causas antes dos efeitos, do mundo das drogas e afins, que ora estão atingindo a juventude.

 

Se a precipitação em torno da maioridade penal é contraindicada, a aceleração do processo de análise é essencial.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Os jovens no tráfico de drogas

 

Em quatro linhas, bem afiadas pela jornalista Sonia Racy, em sua coluna de domingo, no Estadão, encontro mais argumento para sustentar o que escrevi na sexta-feira, no blog, no texto “O que eu penso sobre a redução da maioridade penal”. Leia a nota que reproduzo a seguir e pense:

Tráfico de drogas já é o crime mais cometido pelos adolescentes da Fundação Casa. Dos 9 mil internos, 3,6 mil estão lá dentro por causa do delito.

 

E a coisa não deve mudar tão cedo. Apesar dos números, 451 municípios paulistas – 70% do total – não têm órgãos especializados para combate às drogas.

Brasileiros conservadores

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O conservadorismo brasileiro não é novidade, mas os dados apresentados pelo Datafolha ontem, resultante de pesquisa realizada no dia 13, em 160 municípios, com 2.588 entrevistas, merecem ser comentados.

 

86% acham que acreditar em Deus torna as pessoas melhores
83% aprovam a proibição do uso de drogas
58% atribuem à criminalidade a maldade das pessoas
46% afirmam que os sindicatos fazem política e não defendem os empregados
42% são favoráveis a pena de morte
37% acreditam que a pobreza é devido à preguiça
30% defendem o porte de armas
25% combatem o homossexualismo

 

Como podemos observar, mesmo nos itens em que o percentual é abaixo de 50%, como no caso da pena de morte e da pobreza, 42% e 37%, respectivamente, para itens tão conservadores, é significativo. São indices muito altos para fatores tão radicais.

 

O regime democrático em que indubitavelmete vivemos convive com uma população que aceita o autoritarismo do sistema. Principalmente o financeiro. Daí os impostos crescentes. E, pior, com burocracia e penalidades cada vez mais draconianas para os contribuintes.

 

A Prefeitura de São Paulo, por exemplo, impede o contribuinte prestador de serviço de emitir nota fiscal se estiver inadimplente, criando um ciclo burocrático infernal ao pequeno empresário. Esta mesma prefeitura atualiza o IPTU pela valorização do imóvel, como se cada proprietário fosse um sagaz investidor imobiliário e estivesse de posse de algo que está sempre à venda, à espera de um bom negócio.

 

Os impostos sobre veículos podem ocasionar apreensão se não estiverem pagos, mas o proprietário não pode quitar ao ser flagrado. É obrigado a deixar o carro onde estiver, a qualquer hora e em qualquer lugar, mesmo correndo risco de vida. O estado pune, mas não protege.

 

Até o Supremo Tribunal Federal, como analisou Cony em sua coluna, ontem, na Folha, poderia ter levado em consideração que no mensalão não houve “fatto di sangue”, e, portanto, opina que a maioria dos crimes deveria ser punida adequadamente à natureza dos mesmos, ou seja, dinheiro. O conservadorismo provavelmente influenciou mais na prisão do que no ressarcimento aos cofres públicos do montante desviado. E ficaram todos felizes.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.