Seleção brasileira de ativos

 

Por Frederico Mesnik

Quando perguntaram a Albert Einstein qual era a força mais poderosa do universo, ele respondeu: “os juros compostos!”. A alocação inteligente de ativos traz a oportunidade de ver nossos investimentos crescendo com a mágica dos juros sobre os juros.

Durante anos, grandes fortunas foram perdidas porque gestores ignoraram os preceitos básicos de uma boa alocação de ativos: diversificação, rebalanceamento e análise de riscos. No longo prazo é preciso dar atenção a cada uma destas variáveis.

Na sua base, alocação de ativos é buscar aplicações que não só podem se valorizar como também se comportar de uma maneira diferente das outras aplicações na carteira. Quando um ativo está perdendo seu valor por algum evento econômico-financeiro, é bom ter outro na carteira que sobe de valor no mesmo cenário. Chamamos isto de não-correlação. No fundo, a essência da diversificação é a busca pela não-correlação. A boa diversificação é aquela que envolve várias classes de ativos que têm resultados diferentes nos diversos cenários de mercado.

Vamos pensar em uma seleção de futebol: para vencer no mundo dos investimentos precisamos de um time forte e balanceado. Precisamos de bons atacantes quando o tempo está favorável e de bons defensores que protegem o nosso campo quando as coisas não vão bem. Do mesmo jeito que um time precisa ter um goleador, nossa carteira precisa de ativos que entregam resultados constantes acima da média, independentemente das condições de mercado.

Um técnico monta sua equipe avaliando cada jogador. Seus pontos fortes e fracos, histórico de desempenho e acima de tudo sua integração com a equipe. O técnico precisa saber o que cada jogador pode e não pode fazer, quais são os seus limites e sua posição ideal. Construir uma carteira é a mesma coisa. A combinação de ativos precisa ter harmonia e integração para atacar no momento propício e defender em momentos de turbulência. Desta maneira, teremos um retorno consistente com os nossos objetivos e sem surpresas.

De tempos em tempos devemos olhar nossa carteira para realizar os lucros daqueles investimentos que subiram acima da média e comprar aqueles que estão abaixo. O rebalanceamento faz com que a carteira mantenha suas alocações originais. O famoso mantra “Compre na Baixa e Venda na Alta” é alcançado com esta atividade. Conforme os ativos vão se valorizando e ocupando uma porção grande da carteira, a boa alocação manda vender e reinvestir em ativos que não estão indo bem, e assim por diante, pois o cenário é dinâmico.

Um bom técnico está sempre atento ao jogo pensando em coisas que podem dar errado, e é assim que devemos pensar. Analisar o risco não é nada mais do que avaliar o quanto estamos dispostos a perder. Devemos sempre estar atentos aos tipos de risco que estamos correndo e como eles podem afetar nosso portfólio para tomar medidas e reduzí-los ou até anulá-los.

Não há muito segredo para se ter sucesso na alocação de ativos. O processo exige muita arte, paciência, perspicácia, curiosidade e inteligência profissional. Como um terno feito sob medida: em alocação de ativos todos temos o mesmo tecido, mas cada um tem seu gosto e seu corte. Para os bons ternos busquemos um bom alfaiate para nossa carteira, um bom gestor!

Obrigado leitor pela atenção.

Frederico Mesnik é gestor de recursos, mestre em Administração de Empresas pela London Business School, tem especialização em Finanças pela Universidade de Chigago, GSB, e escreve no Blog do Mílton Jung

Confissões no banheiro

 

Por Rosana Jatobá

Depois de Madonna ter assumido que faz porque “gosta de senti-lo escorrer entre as pernas” ficou mais fácil lançar a ideia em rede nacional.

A delicada tarefa coube à competente repórter Monalisa Perrone, que, sem perder a elegância, anunciou a campanha da ONG S.O.S Mata Atlântica:

“Faça xixi no banho”.

Monalisa explicava que, ao ignorar o vaso, o telespectador poderia economizar muitos litros de água:

“Pra descargas com caixa acoplada são pelo menos 12. E nos  vasos com válvulas, muito mais:  60 litros por vez. ”

A ONG calcula que, evitando apenas uma descarga por dia, o consumidor poderia economizar até 4.380 litros de água por ano. Somente em São Paulo seriam poupados mais de 1.500 litros de água por segundo.

O apelo ambiental e econômico não foi suficiente para evitar discussões calorosas na redação. Um editor disparou:

– “Uma matéria como esta só ensina o povo a ser ainda mais mal-educado. Isso é um desserviço! Se a moda pega, a luta pra ensinar as pessoas a não fazer xixi nas piscinas, por exemplo, vai por água a baixo!”

De volta à emissora, Monalisa foi recebida com um banho de água fria:

– “Imagina se eu vou deixar meu banheiro com resto de urina pelos cantos! Ou você pensa que eu vou levar uma vassoura e um desinfetante pro box?”

– “Mas o xixi é limpinho” – repete Monalisa. “Eu disse na reportagem que 95% são água e o restante, uréia e sal” 

Não houve consenso.

Em casa, experimentei a façanha. Nos primeiros dias, com estranheza. Afinal, um contato tão direto assim com o xixi, por mais limpo que pareça, é sempre um contato com um dejeto; e, dependendo do dia em que se ingere pouca água  ou se toma um remédio, o tal resíduo pode exalar um cheiro forte e exibir uma coloração mais intensa, comprometendo sua imagem de pessoa asseada diante do próximo usuário do chuveiro.

Pensamento inócuo.

Depois de uma semana já havia me acostumado com a tal sensação propagada pela pop star.

Em visita a uma amiga que mora em Paris, me surpreendi quando ela disse que este é um hábito por lá. E de quebra, muita gente otimiza a capacidade de armazenamento do  vaso sanitário. O fatídico xixi que antecede o sono, fica lá a madrugada toda à espera do primeiro jato do dia. Assim, vão os dois xixis pelo cano de manhã.  Outra descarga poupada!

Minha empregada diz que aderiu à campanha, coisa que confesso não ter apurado. 

O fato é que essas pequenas iniciativas têm mesmo o poder de contagiar. Talvez por aliviar a culpa pela sobrecarga que impomos ao planeta, talvez pela probabilidade apavorante de passar sede.

Um estudo do Credit Suisse Research Institute, datado de novembro de 2009, revela que em 2020,  37% da população global, ou seja, 2,8 bilhões de pessoas, vão lidar com a falta d´água. Situação que pode piorar se as previsões do IPCC, com relação às mudanças climáticas, se confirmarem.
Mas o que temos a ver com isso, se o Brasil detém 13% da água doce do planeta? 

Primeiro, porque há uma percepção errada de que temos água em abundância. Nossos recursos hídricos estão mal distribuídos pelo país. Há excesso no Norte e escassez em grandes centros urbanos e nas áreas de climatologia desfavorável, como no semi-árido nordestino. A poluição dos recursos hídricos pelo lançamento de esgotos domésticos e efluentes industriais também a ajuda a acentuar os problemas de escassez.

Segundo, porque as pressões decorrentes deste déficit hídrico mundial poderão representar uma enorme ameça para países que têm grandes estoques de água, como o Brasil, diz a pesquisa.

Para mim, o hábito de evitar o desperdício vem de berço. Mas agora levo ainda mais a sério o desafio da higiene, usando o mínimo de água possível.  A máxima “menos é mais” lava a alma.

O problema é o risco de radicalizar. Convivo com uma voz, vinda do além, que me manda todos os dias  fazer uma varredura pela casa, em busca de chuveiros e pias pingando. É um tal de torcer com tanta força os registros, vedando a passagem da água, que a simples tarefa de abrir a torneira precisa do esforço concentrado de pelo menos duas pessoas.

Confesso que também não resisto a provocar o maridão, que tem um encontro sagrado e demorado com o banho.

Outro dia fui até questionada pela minha sogra:

– “Você não acha que este é um dos poucos prazeres que meu filho pode ter, depois de um dia extenuante de trabalho?”

– “Tudo bem. Tem razão” – disse à nora, resignada.
Não vou impedi-lo de curtir a forte relação com a água quente jorrando do chuveiro. Ao contrário, vou ajudá-lo a descobrir outros prazeres de um banho relaxante… sem deixar rastros no banheiro, claro!

Que vivam as Madonas!!! 

Rosana Jatobá é jornalista da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP. Toda sexta, conversa com os leitores do Blog do Mílton Jung sobre sustentabilidade e outras necessidades.

Piratas e picaretas da sociedade moderna

 

Por Rosana Jatobáhttp://www.flickr.com/photos/paratyemfoco/

Depois de bater perna pela Oscar Freire, atraída pelas vitrines em liquidação, Patricia avisa à amiga:

-Preciso ir na 25 de março. Tenho que comprar minha Gucci. Soube que os coreanos estão fazendo cópias perfeitas!
– E se alguém descobrir que é falsa?
– Do jeito que eu sou fina e descolada, a maioria vai olhar pra mim, arder de inveja e constatar : ela é bem-sucedida! No meu metier, é preciso usar certos ícones de status social…
-Você não acha melhor ir até a loja da Gucci no shopping e investir numa bolsa verdadeira? Você terá um produto de qualidade, que suas netas poderão herdar. Veja o custo-benefício.
– Você acha que eu tenho R$ 3 mil pra dar numa bolsa?
– Mas eles dividem em até 5 vezes no cartão.
– Nem se dividissem em 20 vezes! Acho um absurdo a ganância desses  empresários da moda internacional.
– E quem paga a pesquisa feita pra desenvolver um produto como este? Quem paga a matéria-prima de primeira?  E o trabalho artesanal? Já ouviu falar em propriedade intelectual?
– Não sei quem paga. Eu é que não pago!!

A conversa se esvazia na abordagem superficial dos direitos do autor.

Enquanto isso, do outro lado do mundo, O jornalista italiano Roberto Saviano lança o livro Gomorra, em que revela o modelo de produção de grifes italianas. Para reduzir os custos, tercerizaram os serviços de tecelagem, normalmente em países da Ásia, por meio de um sistema de concorrência.

A grife desenha as roupas e entrega os modelos para inúmeras pequenas confecções. Imigrantes ilegais trabalham dia e noite, num regime análogo ao da escravidão,obrigados a produzir mais e em menos tempo. A confecção que ganha a concorrência é paga. Quem perde, não ganha nada, mas pode ficar com as roupas produzidas. Este “encalhe” vai para as mãos de comerciantes informais. O mercado é inundado por roupas e acessórios piratas infinitamente mais baratos do que os originais e com um alto padrão de qualidade.

Dos guetos de Pequim para a 25 de março, a bolsa da Patrícia chega de navio, invisível aos olhos de quem fiscaliza.

Eu pergunto: Se a poderosa indústria da moda não garante um processo de produção social e ambientalmente responsáveis, quem vai exigir tal responsabilidade do consumidor?
Eu respondo: Historicamente, as leis criadas para proteger a propriedade e o lucro são mais severas e efetivas do que as que foram implantadas para defender a vida e a dignidade.

Ali mesmo na 25 , o motoboy Gilvan encontra o desejado DVD que vai assistir com a família no fim de semana. Mas antes ouve a provocação do colega de profissão.

– Seu Capitão Gancho do asfalto, qualquer hora dessas tu vai ser preso. Pirataria é crime!
-A 25 tá cheia de polícia e em toda esquina tem venda de produto pirata, perante os homens da lei. O próprio presidente Lula assistiu a “Dois Filhos de Francisco” em cópia pirata. Se eu posso comprar o dvd por R$ 4, por que pagar R$ 40 ?
– Tá sonegando imposto e incentivando o crime organizado!
– Se eu pagar imposto, aí é que vou incentivar o crime organizado. Ou você conhece quadrilha mais organizada que o governo, que toma os impostos e não devolve nada ao povo? Pelo contrário, enfiam o meu dinheiro nas meias e cuecas. “Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. E eu ainda tô ajudando o camelô, coitado, que tá trabalhando em vez de assaltar por aí.

Enquanto isso, o Pesquisador Pablo Ortellado , do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (GPOPAI), da Universidade de São Paulo (USP), legitima o comportamento do Gilvan:

“Vejamos o caso da pirataria comercial, na venda em camelôs, que é uma transação comercial e um empreendimento de capital de pequeno porte. Quando esse tipo de pirataria é voltado para o segmento popular, ele tem a característica de oferecer às pessoas pobres o acesso a bens culturais digitais. O benefício comercial é enorme: a estimativa é de que se multiplica por sete o acesso à música e por 2,5 aos filmes. Isso não causa prejuízo significativo para a indústria porque essas pessoas estavam excluídas do mercado, pois não têm meios econômicos para pagar R$ 30 em um CD ou R$ 60 em um DVD”.

Numa outra universidade, o aluno Marvin sente-se à vontade para contar como usa os programas de compartilhamento na internet:

– Faço parte do grupo musical da minha igreja e posso afirmar que mais de 70% dos CDs e Playbacks utilizados por grupos e corais são piratas. Quem nunca usou uma imagem em seu blog que não foi criada pelo próprio blogueiro? Quem não baixou ou deixou alguém instalar um programa sem a compra da licença? Será que todos os programas que tem no computador foram comprados numa loja de produtos de informática?

Marvin engrossa as estatísticas. Entre os brasileiros que têm Internet em casa, 45% revelam que baixam conteúdo pirata.

Eu pergunto: Sendo a Internet uma rede baseada em computação digital, copiar arquivos digitais ou baixar um arquivo que está disponível é pirataria?

Desta vez quem responde é Sérgio Amadeu da Silveira, sociólogo e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo.

“Os negócios construídos no mundo industrial não têm mais sentido nas redes digitais. No mundo das redes digitais, quando alguém copia um arquivo, não está tomando nada do original. É equivocada a ação das indústrias de copyright no mundo das redes digitais. Falar para não copiar nas redes digitais é ir contra a natureza técnica das próprias redes. A indústria agonizou sem se adaptar à nova situação tecnológica do mundo, e optou por reagir à pirataria de uma maneira repressiva. Só agora, há cerca de dois anos, é que efetivamente começou a desenvolver novos modelos de negócio, com a venda de música digital a preços mais baratos.

Patrícias, Gilvans e Marvins representam a parcela de 72% da sociedade que admite já ter utilizado um produto pirata.

Antes da crítica feroz, vale uma reflexão.

Tomemos o cuidado de não virarmos Piratas Sociais. Seres que ouvem ou lêem as versões lançadas pelos governos ou pela indústria, se apropriam das informações oficiais, e tecem longos discursos moralizadores.

A Sustentabilidade prega uma sociedade múltipla, em que todos são ouvidos e valorizados em seus desejos e necessidades.

O crescimento econômico não pode ser um fim em si mesmo, mas uma forma de atingir objetivos sociais, respeitando o meio-ambiente.

Rosana Jatobá é jornalista da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP. Toda sexta, conversa com os leitores do Blog do Mílton Jung sobre sustentabilidade e consumo.

Veja mais imagens da Galeria de Exposição Coletiva do Paraty

Introdução a um mundo novo e inovador

 

Por Frederico Mesnik

Durante quase mil anos a humanidade mergulhou em um período de estagnação intelectual e pouca inovação. Sem competição, metas ou a simples necessidade de superação, o ser humano permaneceu no ostracismo da Idade Média.

Com a queda do Império Bizantino e a consequente ascensão do Império Otomano, em 1453, o acesso comercial à África e Ásia via Mediterrâneo foi fechado. A perseguição aos mercadores locais fomentou o êxodo para outros países. Nações ibéricas se uniram contra o poderio dos otomanos no continente para buscar caminhos alternativos ao Oriente.

Da sede por novas soluções vieram as inovações e a necessidade de correr riscos. Navegadores saíram em busca de uma solução alternativa, fora do contexto comum e descobriram as Américas. A humanidade entrou em um círculo virtuoso de crescimento e deste Renascimento veio a ponte para a Era Moderna.

O mesmo acontece agora no Brasil. Inovar e arriscar serão fundamentais, pois com a queda abrupta da taxa referencial de juros para um dígito e pressões inflacionárias, não será possível atingir retornos satisfatórios reais sem uma diversificação da carteira em produtos diferenciados de alto valor agregado. A habitual alocação passiva em títulos públicos e fundos de grandes bancos não vai capturar o vento com a eficiência necessária para que a carteira cruze o Atlântico. É essencial que haja velas modernas, instrumentos de navegação de última geração e uma tripulação de primeira para aproveitar os ventos certos e navegar com segurança até o outro lado do oceano.

São os gestores independentes os mais habilitados a suprir esta necessidade. Com equipes de gestão altamente capacitadas, produtos ativos, estrutura dinâmica e controles sofisticados, seus produtos de renda variável têm ultrapassado o rendimento do Ibovespa nos últimos anos com risco ainda menor. Mantendo agilidade para antecipar movimentos e reagir rapidamente às mudanças dos mercados, estes gestores podem assumir, sem comprometimento algum, posições contrárias ao censo comum, e são justamente estas posições contrárias que trazem os maiores benefícios. Já grandes gestoras de grandes bancos não têm essa agilidade e a tomada de decisão é lenta e comprometida por inúmeros outros fatores que podem até conflitar com o objetivo único do cliente: ganhar dinheiro com segurança.

Esta coluna tem como objetivo a introdução ao mundo da gestão inovadora e independente. Vamos aqui dissertar sobre vários temas de grande interesse ao público. Vamos abordar conceitos e apresentar ferramentas para auxiliar na alocação eficiente de ativos. Temas serão tratados de forma clara, isenta e objetiva, com intuito de instruir e dar segurança para navegar em águas novas.

Como todo gestor independente, prezo a transparência e valorizo o contato com clientes. Aguardo sugestões para temas que sejam de interesse comum aos leitores para serem abordados nas próximas edições. Vamos começar um diálogo e uma longa jornada juntos.

Obrigado leitor pela atenção.

Frederico Mesnik é gestor de recursos, mestre em administração de empresa pela London Business School e tem especialização em finanças pela Universidade de Chicago, GSB. A partir desta semana, será mais um parceiro no Blog do Mílton Jung e vai conversar sobre o nosso dinheiro.

Prefeitura diz que Nova Luz não está atrasada

 

“Houve uns probleminhas” mas não há atraso na concessão de benefícios para quem acreditou no programa Nova Luz que tem como objetivo recuperar a área do centro de São Paulo que ficou nacionalmente conhecida como Cracolândia. É o que diz o secretário-adjunto de Finanças da prefeitura Sílvio Dias em resposta a reclamação do empresário Eduardo El Kobbi que há quatro anos abriu uma agência de propaganda no local e até agora não obteve as vantagens fiscais prometidas pela administração municipal (leia e ouça a entrevista com o empresário aqui)

Sílvio Dias disse que o processo para obtenção de benefícios pela agência de publicidade Fess Kobbi se iniciou apenas em 2008, e o “probleminha” foi em relação a apresentação de notas fiscais exigidas pela prefeitura. Das 22 empresas habilitadas para se instalar no local apenas a de Eduardo El Kobbi está por lá. Uma outra empresa teria tentado as vantagens, também, mas os fiscais da prefeitura descobriram que as notas apresentadas eram de investimentos feitos em uma sede no Paraná.

O aumento de IPTU na região – outra reclamação de El Kobbi -, de acordo com o secretário, se deve a valorização que os imóveis e terrenos tiveram devido a intenção de recuperação da área.

Ouça a entrevista de Sílvio Dias, da Secretaria Municipal de Finanças

Trapalhada leva governo a mudar prazo de pagamento do IPVA

 

Foram necessários dois dias de transtornos para o Governo de São Paulo anunciar mudanças no pagamento do IPVA, adiando as datas para os veículos com placas final 1,2 e 3. Até ontem, a Secretaria Estadual da Fazenda se negava a mudar o prazo de vencimento alegando que cerca de 1 milhão de proprietários de veículos haviam conseguido fazer o pagamento e que o sistema estava apenas lento, mas não havia parado. Não resistiu ao segundo dia de reclamações e no fim da tarde divulgou nota que reproduzo a seguir.

Antes uma lembrança e uma constatação: Ano passado foi o mesmo fiasco do tal “sistema” (que costuma não ter nome) e fica muito claro que a infra-estrutura projetada para atender o contribuinte pelos meios eletrônicos está aquém das necessidades.

Vamos as novas datas de pagamento, em São Paulo:

Os contribuintes que não conseguiram pagar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) por conta da lentidão do sistema verificada em determinados horários na rede bancária, terão uma nova oportunidade para efetuar a operação. O governador José Serra determinou que os proprietários de veículos com placas final 1 (com vencimento no dia 8/1), final 2 (que venceu na segunda-feira, 11/1), e os de final 3, que vencem nessa terça-feira, 12/1, poderão quitar o imposto ou optar pelo parcelamento no período de 22 a 26 de janeiro. A Secretaria da Fazenda vai ajustar seu sistema para que esta operação seja realizada e os contribuintes tenham acesso aos benefícios previstos nas regras do IPVA.

Aumento no preço do álcool faz mal à saúde

 

Tem muita gente reclamando do preço do álcool que subiu consideravelmente no último mês. Os usineiros falam em quebra de safra provocado pelas chuvas. Quem entende do assunto, diz que é especulação. Os produtores de cana estariam preferindo vender açucar no exterior a oferecer álcool aos carros brasileiros.

Hoje, conversamos com o professor e físico José Goldenberg que sugeriu intervenção do governo federal para segurar o preço do álcool, pois teme que o programa de incentivo ao uso do combustível mais limpo sofra forte revés. Além do impacto na economia, a substituição do etanol pela gasolina vai gerar prejuízos ambientais.

“Quando o Governo Federal reduziu de 23 para 21% a mistura de etanol na gasolina, os relógios de medição do ar em São Paulo passaram a registrar, em pouco tempo, piora na qualidade”, explicou o ex-secretário do Meio Ambiente.

Ouça a entrevista do professor José Goldenberg no CBN SP

Aos motoristas de carro flex a sugestão é que antes de se assustar com o aumento no preço do álcool façam a seguinte conta: se o litro do álcool custar até 70% do preço da gasolina, fique no álcool. Outro custo que deve ser avaliado é o ambiental.

Natal 2009: crédito em descrédito

 

Por Carlos Magno Gibrail

Do álbum digital de Fotero, no Flickr

A menos que você tenha todos os cartões de crédito ou de débito, certamente já passou apuros na hora de pagar contas.

Entretanto, nada comparável ao que ocorreu na véspera de Natal, principalmente se o seu cartão é da operadora Redecard. O sistema Redecard dos cartões de crédito Mastercard e Diners e dos cartões de débito Mastercard, Maestro e Redeshop, apresentaram um apagão ou uma queda, tipo Itaipu ou Rodoanel. Talvez para comprovar a similaridade entre grandes corporações, quer pública ou privada. Resultante indesejável, mas inevitável nos regimes oligopolizados ou monopolizados.

As lojas perderam vendas, e bares e restaurantes tiveram outros problemas, pois não havia como devolver a mercadoria consumida. De qualquer forma o comércio, já emparedado pelo duopólio dos cartões com cifras fora do padrão internacional, além de receberem o dinheiro 30 dias após, tiveram neste episódio efetivo prejuízo.

Os consumidores, que pagam a conta, ficaram sem ela, mas pagaram caro pelo atendimento do serviço que não veio. Ficaram sem os presentes de Natal.

Por que as prestadoras de serviço cobram multas e juros aos inadimplentes, e quando falham no suprimento dos mesmos não são obrigadas a ressarcir os prejuízos advindos?

O CDL – Câmara dos Dirigentes Lojistas informa que 30% das vendas do mês do Natal são realizadas no dia 24, e que 70% das vendas em Shopping Center são realizadas através dos cartões de crédito e de débito.
Com volumes crescentes de negócios e operando em regime de duplo monopólio, Visa e Redecard apresentam lucros significativos. Acima de 60%.

A Redecard é controlada pelo Itaú Unibanco (50,1%). A margem EBTIDA (Earning, Before, Interest, Taxes, Depreciation, Amortization – ou lucro antes de juros, taxas, depreciações e amortizações) da companhia, indicador de sua lucratividade, foi de 68,03% em 2008. A da VisaNet, de 62,3%.

Ao encaminhar ontem notificação extra oficial à Redecard, o CNDL – Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas, em nota à imprensa assinada pelo seu presidente, empresário Roque Pellizzaro Júnior, destaca: “esse lamentável evento expõe a fragilidade do sistema e comprova nossos questionamentos e apreensões quando condenamos os constantes abusos desse duopólio, de um mercado dominado praticamente por duas grandes empresas que, além de cobrar altas taxas aos lojistas, não correspondem às nossas expectativas no momento que mais precisamos”. É o início do caminho jurídico que o CNDL se propõe.

A ALSHOP, entidade que representa lojistas em Shoppings Centers acena em outra direção, propondo uma negociação informal, sem interferência dos canais legais. Nabil Sayon, seu presidente nos afirmou que está em contato com a direção da Redecard para estabelecer um canal de entendimento com os lojistas associados à ALSHOP. E, diz que: “O maior prejudicado foi a Redecard”; “Todos tem mais de um cartão”; “O dia 24 não é o de maior movimento”.

O diretor da Mixxer consultoria de varejo, Eugenio Foganholo aponta a fragilidade da tecnologia disponível pela Redecard, diante da importância dos cartões como meio de pagamento e da resultante dependência do varejo.

O Prof. Nelson Barrizzelli, USP e Sênior Partner da AGC International, vê há tempos com preocupação as tarifas e as operações inadequadas do sistema de cartões, ressaltando o incomodo do oligopólio do setor. Entende que o caminho mais promissor será ações de órgãos diversos convergindo sem divergências para o interesse de quem interessa, o consumidor .

O fato é que o problema não vem de agora, pois a SDE – Secretaria de Direito Econômico, órgão subordinado ao Ministério da Justiça abriu processos administrativos para apurar eventual infração à ordem econômica praticada no âmbito do comércio eletrônico pela Redecard e uma possível conduta anticompetitiva da Visanet e da Visa International. E, justifica: “Em vista da gravidade da conduta e do perigo de lesão irreparável ao mercado, a SDE adotou uma medida preventiva a fim de suspender os efeitos da exclusividade”.

O processo Redecard envolvendo vendas on-line foi iniciado em agosto e o da VisaNet focando a exclusividade começou em novembro. Efetivamente a SDE estava no caminho certo e, como entidade responsável é quem possui a autoridade pertinente e esperamos que atue com a necessária competência.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung

Líder de Kassab explica Orçamento da cidade

 

Mais dinheiro em publicidade do que na área de risco. Menos verba para coleta de lixo em 2010 do que se teve em 2009. Menos grana para a canalização de córrego. Previsão de investimento menor nos corredores de ônibus. E mais um monte de números que causaram espanto no paulistano e ganharam destaque na mídia fazem parte do Orçamento da cidade de São Paulo para o ano que vem. São quase R$ 28 bilhões que podem ou não ser aplicados na capital, de acordo com o desejo do prefeito Gilberto Kassab (DEM), afinal o Orçamento não é impositivo – usa se quiser – e a prefeitura pode mudar o destino de até 15% desse dinheiro de acordo com seus critérios e necessidades.

Para cada polêmica, o líder do Governo na Câmara, vereador José Police Neto (PSDB), tentou dar uma explicação, durante entrevista ao CBN São Paulo:
Ouça a entrevista com José Police Neto

Câmara vota Orçamento, uma questão de prioridade

 

Enchente no Jardim Pantanal

Mulheres com colchões novos, doados pela prefeitura, retornam para suas casas que ainda estão tomadas pela água da chuva de uma semana atrás, no Jardim Pantanal. A cena demonstra como são frágeis os serviços de atendimento a população e parece não sensibilizar quem toma decisão em nome dela.

No Orçamento aprovado pelos vereadores de São Paulo, na tarde de terça-feira, estão destinados apenas R$ 25 milhões para as áreas de risco. Em contrapartida, R$ 126 milhões poderão ser gastos em publicidade da prefeitura. O total previsto para a ser investido pela prefeitura em 2010 é de R$ 27,8 bilhões.

Na votação, 42 vereadores foram favoráveis e 13 contrários ao projeto de lei que define como a cidade deve gastar o dinheiro arrecadado dos impostos e outras receitas.

A imagem é do Blog Notinhas de São Paulo, de Gilberto Travesso, enviada ao CBN São Paulo por e-mail