“É choradeira de exportador”, diz economista

 

Ao vetar artigos de lei que permitia o pagamento do crédito-prêmio do IPI aos exportadores, o presidente Lula fez aumentar o tom das críticas por parte de industriais brasileiros que ainda entendem ter o direito de receber algo que pode variar de R$ 50 bi a R$ 280 bi. No fim de semana, alguns já alegavam que a decisão iria quebrar os exportadores. Nesta manhã, no Jornal da CBN, o presidente da Associação das Empresas para Integração de Mercados, o economista Miguel Alabi, foi taxativo ao dizer que “é choradeira de empresário”. Ele defendeu, porém, a necessidade de se ter regras mais claras e “segurança jurídica” para a atuação no País.

Ouça aqui a entrevista com Miguel Alabi

Neste blog, dedicado ao cidadão e a cidadania, o tema ganhou espaço após a participação do colunista Carlos Magno Gibrail que trouxe o assunto para falar do papel do Senado na discussão de temas nacionais. A falta de espaço para o debate na mídia fez com que continuássemos acompanhando o debate sobre o crédito-prêmio do IPI.

Leia aqui mais posts sobre o assunto:

STF julga negócio de R$ 288 bi

De volta ao Senado

O Senado não é mais aquele …

Woodstock: Golfe, Sexo, Drogas & Rock’n’ roll

 

Por Carlos Magno Gibrail

Em 1966 num campo de golfe americano, Joel Rosenman 23 anos e Jock Roberts se conheceram. Joel, filho de dentista classe alta nos Estados Unidos e Jock de família rica, fabricante de pasta de dentes. Um ano depois dividiam apartamento em Nova Iorque e começavam a pensar o que fazer com um milhão de dólares que o “truste” deles havia reservado. Valor este que atualizado deve girar em torno de oito milhões de dólares.

Surgiu então a ideia de colocar um anúncio no jornal “The New York Times” onde pediam propostas de negócios sob o título:

“Jovens com capital ilimitado”

Dentre tantas sugestões, de bicicletas sobre esquis a bolas de golfe biodegradáveis, veio uma de montar um estúdio de música em Nova Iorque com alguém do ramo, Michael Lang. Toparam e partiram para produzir a festa de abertura do estúdio, quando Michael Lang teve a ideia de fazer um evento maior em espaço aberto.

Não conseguiram porque as pequenas cidades, com medo de muita droga e mau exemplo, os recusaram. Até que numa destas cidadezinhas depois de várias audiências do conselho e negativa final, um morador próximo ao local, num vilarejo chamado Woodstock, os apoiou. Era Bob Dylan, e afinal conseguiram alugar a fazenda de Max Yasgur.

Os dois “filhinhos de papai” planejaram tudo e erraram muito. Pesadelos financeiros e de operação. Os pais de Joel e Jock tiveram que avalizar o truste aos banqueiros de Wall Street. Não foi só com os banqueiros que tiveram problemas. Como não eram conhecidos dos conjuntos contratados, Michael Lang teve que pagar bem acima do mercado.

Jimi Hendrix, Jefferson Airplane, Jerry Garcia, The Grateful Dead, Janis Joplin, The Who, Santana, Crosby Stills Nash and Young, The Band, Joe Cocker, Credence Clearwater Revival e Ravi Shankar cobraram o dobro a partir dos maiores valores da época, algo em torno de 10 mil dólares.

O curioso desta história é que um evento, marco de ruptura sociológica de nossa época, contestando valores comportamentais, sociais e políticos da classe dominante, venha de jovens representantes do capitalismo, investidos como mais tarde se designaria de “yuppies”.

É a tese mais uma vez de Carlos Lacerda que chamava a atenção para o fato de que as grandes mudanças sociais no mundo vem sempre de pessoas do setor abastado da população. Além do que esta manifestação de liberdade e contestação tenha nascido de uma ação de marketing, bem dentro do enquadramento convencional, que Woodstock “brifava” contra.

Esta origem real e pouco difundida dos arquivos de Woodstock deve-se a Ricardo Semler, brasileiro conhecido e reconhecido internacionalmente através de palestras e da divulgação de métodos heterodoxos de administração em suas empresas e escola. Os funcionários participam da seleção dos diretores. Na escola Lumiar os alunos elegem os professores. Semler já deu palestras em Universidades estrangeiras tradicionais como Harvard e também em entidades de alto nível. Bush e afins já foram platéias de Ricardo, que é primo de Joel Rosenman e por isso conta a história de Woodstock como parte de seu último livro

“Você está louco”.

A parte conhecida da história por Ricardo Semler: Continuar lendo

Só STF para barrar esqueleto de R$ 288 bi para exportadores

 

O Superior Tribunal Federal pode mandar de volta para a tumba um esqueleto de R$ 288 bi referente a incentivo fiscal reclamado por exportadores desde a década de 80. No dia 12 de agosto, semana que vem, se reúne para decidir se o pagamento é inconstitucional. Os deputados federais repetiram ontem o que os senadores já haviam feito: aprovaram a medida que permite o pagamento desta fortuna. Pagamento feito com dinheiro público, o nosso dinheiro.

Desde o primeiro semestre, o colunista do Blog, Carlos Magno Gibrail, vem alertando para esta conta que seria apresentada ao cidadão brasileiro. Na conversa desta quinta-feira com a Miriam Leitão, no Jornal da CBN, ela lembrou uma das muitas ironias na decisão dos deputados e senadores. Como o pagamento deste incentivo fiscal aos exportadores foi enfiado de contrabando na medida provisória que trata do projeto Minha Casa, Minha Vida, os parlamentares em nome de beneficiar os pobres, autorizaram que os ricos enchessem o bolso de dinheiro.

Miriam chamou atenção ainda para o fato de que o lobby comandado pela Fiesp de Paulo Skaf – que até pouco tempo sonhava em se eleger a um cargo público – foi duro nas últimas semanas, inclusive com assédio aos comentaristas de economia. O Governo, que finge ser contra o pagamento, apoiou a aprovação. O PSDB jogou para a galera dos exportadores. E todos os partidos – ou quase – assinaram embaixo.

Para entender mais sobre o assunto acesse os links abaixo e ouça o comentário da Miriam Leitão:

E o Senado não é mais aquele (Carlos Magno Gibrail)

De volta ao Senado (Carlos Magno Gibrail)

Ouça o comentário “O Esqueleto Levantou” de Miriam Leitão, ao Jornal da CBN

Atrás dos números e cuidado com o biquini

 

Por Carlos Magno Gibrail

“Este homem pegou uma nação destruída. Recuperou sua Economia e devolveu o orgulho a seu povo. Em seus quatro primeiros anos de governo o número de desempregados caiu de seis milhões para 900 mil pessoas. Este homem fez o PIB crescer 102% e a renda per capita dobrar. Aumentou o lucro das empresas de 175 milhões para 5 bilhões de marcos e reduziu a hiperinflação para no máximo 25% ao ano.Este homem adorava música e pintura e quando jovem imaginava seguir a carreira artística”.

Este homem foi Adolf Hitler e segundo a Folha de São Paulo, dona do comercial acima (leão de ouro 1988 e relacionado como um dos cem melhores comerciais de todos os tempos por Berneci Kanner) :

“É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade”.

Da advertência comercial e publicitária da Folha:
“É preciso tomar muito cuidado com a informação no jornal que você recebe”.

À observação de Albert Einstein:
“Nem tudo que pode ser contado, conta. E nem tudo que conta pode ser contado”.

Acrescentamos que não bastasse isso, mesmo em números e estatísticas apenas, a verdade invariavelmente está atrás de minuciosas e especificas análises.

Delfim Neto tinha o hábito de lembrar o estatístico que morreu afogado num rio de profundidade média de meio metro. No local do acidente a altura era de 3 metros.

No dia 5 de julho, antes do jogo Coritiba e São Paulo pelo Campeonato Brasileiro de futebol, o locutor informava que há 12 anos o Coritiba não conseguia ganhar do São Paulo, tendo marcado 42 gols e ganhado 10 jogos contra 55 gols e 16 jogos do São Paulo. Terminada a partida estes números em nada influenciaram o resultado. Coritiba 2 São Paulo 0.

“Nenhum nadador estará autorizado a usar ou vestir qualquer dispositivo ou maiô que possa aumentar a velocidade, flutuação ou resistência durante uma competição”, anunciou o texto da FINA Federação Internacional da Natação.

Evidentemente que o motivo real não está explícito. O preço mais elevado que inibe o uso competitivo irá bloquear a comercialização para o uso social e recreativo, que é o objetivo de qualquer marca de produto para a prática de esportes.

“Verifica-se que, em 2005, a participação do rendimento do trabalho na renda nacional foi de 39,1%, enquanto em 1980 era de 50%. Noutras palavras, a renda dos proprietários (juros,lucros,aluguéis de imóveis) cresceu mais rapidamente que a variação da renda nacional e, por conseqüência , do próprio rendimento do trabalho”. Márcio Pochman, articulista do Valor Econômico , 2007.

“Desigualdade e pobreza apresentam melhora histórica no Brasil” Pochman, 2009, presidente do Ipea e se baseando apenas na Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. E deixando Clóvis Rossi tão inconformado que intitulou seu artigo de ontem como “A fraude na lenda da desigualdade”.

José Aníbal como articulista na Folha de ontem, acusa Franklin Martins de mentir ao informar que o governo Lula gasta “em torno de R$ 1 bilhão ao ano” com propaganda. E afirma que FHC gastou R$ 1,270 milhões entre 1996 e 2002 e Lula R$ 2,173 milhões entre 2003 e 2009.
“Varejo mostra recuperação firme do país, diz Meirelles. Dados do IBGE mostraram que vendas cresceram 0,8% em maio.

‘Brasil vai crescer forte em 2010’, afirmou o presidente do BC”. G1 em 14/07/09.

O crescimento do varejo teve e está tendo uma contribuição importante de “São Pedro”, pois desde 1943, segundo os dados estatísticos, não tivemos a continuidade das chuvas que ora vivenciamos. Nestas condições, o vestuário e afins tem tido um crescimento contingencial. Fato que ficou despercebido pelo Ministro mas não pelo Serasa: “As lojas que mais venderam em junho, desconsiderados fatores sazonais, foram as de tecidos, vestuário, calçados e acessórios (alta de 5,1%), de móveis, eletroeletrônicos e informática (alta de 3,9%) e de veículos, motos e peças (alta de 2,7%)”. Os especialistas da Serasa atribuem o desempenho ao frio seguido da redução de impostos por parte dos governos e à recuperação da oferta de crédito.

No aumento de taxas de desenvolvimento econômico é relativamente comum apresentá-las sem maiores análises. Isto acarreta falsas interpretações. Por exemplo, quando a intensificação da fiscalização gera crescimento na arrecadação, ou quando a diminuição de impostos propicia formalização da economia informal, acarretando o aparecimento de empresas novas.

Dados como os da gripe suína que apresentam apenas70 pessoas mortas numa população de 190 milhões e gera suspensão de aulas e congestinamentos em hospitais deveriam servir ao menos como aprendizado.

Números e estatísticas, melhor entendê-los pois não é recomendável viver sem eles. Para isso, algumas sugestões colhidas por tentativa e erro, observação e enganação.

Discernimento entre números relativos e absolutos. A relatividade é essencial para começarmos o entendimento dos números.

Especificidade e contigenciamento, isto é, considerar as caracteristicas de cada ambiente e também o momento analisado.

A lei de Pareto ajudará em algumas ocasiões para separar o que é realmente mais importante.

Se houver necessidade e vontade de mais precisão o Conceito de Curva Gaussiana , a Dispersão de Pontos Fora da Curva e o Plano Cartesiano poderão ajudar. É só consultar o Google , ou algum amigo confiável na área apresentada.

E não se esquecer do alerta do Delfim: “As estatísticas são como biquínis: mostram quase tudo, mas escondem o essencial”.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, às quartas escreve no Blog do Milton Jung, e sempre está de olho no que os números (ou os biquínis) não mostram.

Demanda reprimida e esquecida, em São Paulo

Por Carlos Magno Gibrail

Cidadãos urbanos atentos, observamos nas grandes cidades como São Paulo – 11 milhões de habitantes, 6 milhões de automóveis, 6 milhões de passageiros transportados diariamente – obras civis pontuais serem executadas, como pontes , viadutos e ampliações de avenidas, sem trazer resultados esperados. Ou seja, a fluidez buscada não acontece.

Aparentemente é uma questão de geografia ou geometria, quando se percebe apenas um deslocamento de gargalos. Exatamente isto, quantias substanciais investidas e o resultado é apenas uma transferência de gargalos no trânsito de veículos.

E em alguns casos parece que o congestionamento aumenta. O que acontece é a questão da demanda reprimida, que, represada, não surgia antes das novas obras.

Depois de construídas, pontes, viadutos e avenidas, passam a ser utilizadas por pessoas que começam a usá-las ocupando espaços que antes não ocupavam.

É o que os economistas chamam de “Demanda Reprimida”.

“Em economia, Demanda ou Procura é a quantidade de um bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir por um preço definido em um dado mercado, durante uma unidade de tempo”.Wikipédia

É parte da lei da oferta e procura, que pode estar inserida num mercado de concorrência perfeita, imperfeita, oligopolista ou monopolista.

Cuja demanda, perfeita, elástica ou inelástica, pode estar reprimida por procura ou oferta.

A identificação da demanda reprimida é recomendável em todos os setores, públicos ou privados, bens ou serviços, antes que apareça de surpresa. O plano cruzado foi um dos momentos em que a demanda reprimida liberada não encontrou a oferta necessária de bens e serviços.

O contemporâneo Twitter que dá quase 3 milhões de seguidores para Britney Spears e quase 2 milhões para Obama , certamente represa quantidade significativa de usuários brasileiros por falta de procura com capacidade financeira.

Para as obras públicas na capital paulistana certamente não estão incluindo nos estudos a demanda reprimida potencial.

Na Marginal Tietê será construída uma nova pista com 23 km de extensão e três faixas de cada lado da marginal, além de quatro pontes e três viadutos ao longo da via. O investimento será de R$ 1,3 bilhão.

O governo acredita que, haverá uma redução no tempo gasto em congestionamentos na marginal em 35%. Segundo cálculos apresentados no projeto, a Marginal Tietê apresenta filas de 30 km, em média, nos horários de pico, 25% do total na cidade. O desperdício de tempo é de 1,7 milhões de horas/ano e o de combustível, 1,5 milhões de litros/ano.

A Prefeitura de São Paulo, no dia 5, declarou de utilidade pública duas áreas na região do Butantã, para atender ao projeto de ampliação do Túnel Jânio Quadros.

Uma das áreas tem 2.546 metros quadrados e a outra, 1.420 metros quadrados. A obra prevê a construção de uma interligação da Avenida Lineu de Paula Machado por intermédio de um túnel que se unirá ao Túnel Sebastião Camargo, antes da travessia do Rio Pinheiros.

Uma boa comparação com o represamento de água pode elucidar a crucial questão do trânsito em SP Cap.

Para esgotarmos a água numa represa cheia abrindo orifícios e fazendo canais, sempre teremos estes canais cheios d’água. É o que acontece com as vias acrescidas através de obras como as do Tietê ou do Túnel Jânio Quadros. Os veículos “represados” ocuparão todos os espaços novos.

Alguma dúvida que isso irá acontecer?

Ou os 35% de melhoria que Serra e Kassab, economistas renomados acreditam?

Acreditam?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas escreve no Blog do Milton Jung, sempre disposto a congestionar este espaço de boas ideias.

Dinheiro na mão é solução…

Por Carlos Magno Girbail

Imagem do álbum de Andyzeo, no Flickr

Há três décadas o cartão de crédito veio de meio dígito de participação no comércio de bens e serviços para mais de 70% nos dias de hoje. Tal expansão em um mercado livre deveria ter gerado aumento de empresas do setor. A reação foi inversamente proporcional: extraordinário crescimento da demanda e redução das empresas fornecedoras.

Fenômeno mundial encontrou no Brasil solo fértil e propício para anomalias econômicas. Cartéis, oligopólios e monopólios já existentes devem ter inspirado Visanet e Redecard a deter 92% do mercado no segmento de crédito e 95% no débito.

Paulo Sant’Ana,  gaúcho  e jornalista , dentro de um oligopólio da comunicação, já em 1993 denunciava :“País do cartel. Tudo está cartelizado, o leite, o pão, o cigarro, a cerveja, o remédio, ai de quem ferir os preços uniformes quando os produtores são múltiplos; quando não o são, pobres dos que se sentem impotentes para enfrentar os monopólios. E os agentes desta verdadeira exploração que são os preços únicos só falam em liberdade mas só pensam em dinheiro…. Que economia de mercado é esta? Que país é este? Mas será que não estão vendo que isto tudo vai ter que explodir?”

O cartel do cimento já tem décadas. Investigação do Ministério da Justiça (Secretaria de Direito Econômico, Advogacia-Geral da União e Polícia Federal) demonstrou tentáculos do acordo entre Votorantin, Camargo Corrêa, Cimpor, Lafarge, Holcim, Itabira, Soelcom, Itambé, etc. www.crimesdocolarinhobranco.adv.br/livro

O mercado para os cartões de crédito ficou tão grande e a oferta tão concentrada que o governo vai fazer uma ofensiva para desmontar o oligopólio existente, detectado por amplo diagnóstico do setor, feito pelo Banco Central (BC), Secretaria de Direito Econômico (SDE) e Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE).

“Com lucratividade muito acima da média praticada na economia brasileira, o ganho do setor de cartões de crédito supera o do sistema financeiro. Em sua ofensiva contra o que considera oligopólio no mercado de cartões de crédito, o governo tentará convencer os acionistas de Visanet e Redecard a que eles próprios tomem a iniciativa de se desfazer de dois dos três negócios que controlam no mercado. Se a estratégia não funcionar, a Secretaria de Direito Econômico deverá denunciar, por prática monopolista, os contratos de exclusividade. Visanet e Redecard são credenciadores exclusivos no país das bandeiras Visa e Mastercard, respectivamente. Hoje, as empresas de cartão de crédito controlam todo o processo: credenciamento, fornecimento de terminais de pagamento, captura e processamento de transações, encaminhamento de pedido de autorização e compensação e liquidação”. Valor Econômico.

O senador Adelmir Santana autor de projetos na área de meios de pagamento e também analista de mercado acredita que o executivo vai encampar a tarefa de regulamentar a área. “O setor precisa sofrer uma intervenção do Estado. O mercado de cartões sempre foi auto-regulado, o que favoreceu a existência de taxas excessivas e práticas monopolistas, cuja conta, em última instância, quem paga é o consumidor. Por isso, está carecendo de um marco regulatório que abranja as relações dos cartões com consumidores e empresas comerciais”.

Ganhos exorbitantes ou controles totais do mercado são menos gritantes do que a estratégia que privilegia a maximização em detrimento da otimização. Ou, para falar a linguagem de Porter, dos clusters da Vantagem Competitiva, ignorar incrementos de produtividade, aportes de inovação e estímulo a criação de novas empresas, é no mínimo operar com metas apenas de curto prazo.

O monopólio a longo prazo evidencia menos estímulo ao crescimento do mercado e pode jogar contra o próprio monopolista. No caso brasileiro certamente  míope diante de tanto lucro fácil.

Estamos identificando um crescer de estabelecimentos que oferecem apenas um cartão, o que mesmo convergindo com o cartão do consumidor pode deixá-lo insatisfeito na medida em que prefira usar outro que tenha melhor data de pagamento.

Além disso, operações maiores como Shoppings Centers aderiram ao cartão monopolista, que obriga a posse de dinheiro caso não se possua aquele cartão.

São situações que começam a irritar o consumidor e gerar uma antipatia colocando as operadoras de cartão de crédito iguais aos demais serviços oligopolizados do país.

Dinheiro na mão é solução…    ou vendaval.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, não sai mais de casa sem dinheiro no bolso e escreve às quartas-feiras no Blog do Milton Jung

Substituição tributária encarece produtos

Foi a série de mensagens de pequenos e médios industriais e comerciantes enviada ao CBN São Paulo que nos levou a conversar no programa sobre o sistema de substituição financeira que, desde junho, está implantado, também, no segmento de eletro-eletrônicos do Estado. Semana passada, a Secretaria Estadual da Fazenda criticou o desconhecimento dos contribuintes e negou que haveria aumento no preço dos produtos. Hoje, o CBN SP consultou a pesquisadora do Núcleo de Estudos Fiscais da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, Vanessa Raal Canado. Ela concorda com a susbstituição tributária, vê vantagens para a fiscalização em alguns setores, lembra que o aumento de arrecadação pode levar à queda de impostos mais à frente, mas entende que os preços podem, sim, aumentar.

Ouça a entrevista com Vanessa Raal Canado

Ibirapuera e Faria Lima sem fio

Postes

Desaparecer com a fiação elétrica pode se transformar em avanço tão significativo para a paisagem urbana como o foi a Lei Cidade Limpa. Um passeio pela avenida Paulista comprova esta sensação de bem estar gerada pelo sumiço dos fios que se transformam em impressionantes emaranhados entre um poste e outro. Acordo entre a prefeitura de São Paulo e a Eletropaulo permitirá o enterramento da fiação na avenida Faria Lima e no Parque do Ibirapuera, a partir do 2º semestre deste ano.

A Oscar Freire passou por processo semelhante com prefeitura e comerciantes dividindo os custos do projeto. Desta vez, parte da dívida de mais de R$ 400 mi da prefeitura com a empresa de energia elétrica será usada na iniciativa. De acordo com o diretor executivo da Eletropaulo Roberto Di Nardo, o investimento também vai trazes eficiência energética para escolas públicas do município e túneis da cidade.

Ouça na entrevista com Roberto Di Nardo, Eletropaulo, como serão os projetos

E o Senado não é mais aquele…

Por Carlos Magno Gibrail

Senado e Câmara na imagem de Rafael Lopes

Palmas para ele!

A cláusula que abordaria a questão do IPI para os exportadores, que os interessados não conseguiram incluir na votação na Câmara dos Deputados, também não teve acolhida no Senado.

É o que nos garantiu a assessoria do relator da Medida Provisória 449, senador Francisco Dornelles (PP-RJ), na palavra atenciosa de Ana Paula Azevedo Carvalho.

Afinal de contas estariam envolvidas quantias de R$ 250 bilhões ou R$ 53 bilhões de reais, dependendo do lado, isto é, Governo ou FIESP.

Na Câmara, segundo notícias divulgadas, não houve acordo entre os lobbies e deputados, tal o valor exigido.

E a pretensão da FIESP e de grandes empresas interessadas na liberação dos 15% do IPI devido nas exportações, envolve  significativas empresas de Consultoria.

Como se costuma dizer no pugilismo competitivo, pesos pesados.

E influentes, Belluzzo e Associados e LCA Consultores. Nada menos que o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, notável no meio econômico, além da proximidade com o Presidente Lula e recém agregada no currículo a presidência da Sociedade Esportiva Palmeiras. Outro notável é o economista Luciano Coutinho, ex-Unicamp, ex-LCA e atual presidente do BNDES.

O Diretor de Comércio Exterior da FIESP Roberto Gianetti, baseado nos estudos da Belluzzo Associados e LCA Consultores, contratadas pela entidade, argumenta que a decisão via STF causará grande prejuízo a União ou acarretará a inviabilização de boa parte do setor exportador. Daí a sugestão de acordo no Congresso utilizando o mecanismo da compensação de créditos-prêmios e outros.

O Senado momentaneamente sob a luz dos refletores refugou o assunto, que melhor será tratá-lo no Executivo, embora sua origem venha de 1983. A União corre o risco de assumir um enorme prejuízo se o Executivo não tomar a rédea da negociação, evitando levar ao Poder Judiciário a decisão, ou deixar para os lobistas atuantes na Câmara, que é para onde volta a MPV 449. Além da obrigação de precaver-se da interferência dos “de casa” principalmente os consultores aparentes e ocultos.

Deixar o tempo passar só irá piorar a situação. Rapidez e transparência são ingredientes fundamentais para uma solução justa, neste que é:

“O maior encontro de contas feito na história do país”, de acordo com o próprio Gianetti.

Curioso é que tal quantia em pauta não tivesse cobertura na mídia após a votação no Senado. Não encontrei nenhuma reportagem que trouxesse esta informação da não inclusão na  MPV 449 do caso dos R$ 250 bilhões ou R$ 53 bilhões. Banalizamos os bilhões?

Mas, se a imprensa não informou você pode contatar diretamente o Senado Federal e surpreender-se da facilidade de comunicação e atenção que irá receber. O Senado é 0800 612211; o gabinete do relator, Senador Francisco Dornelles é 61 33034229. Mais fácil que falar com qualquer empresa privada ou prestadora de serviço. E, não há maquinas, apenas pessoas.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas escreve no Blog do Milton Jung sem nunca perder a noção de quanto vale 1 bilhão

Conheça o trabalho fotográfico de Rafael Lopes

Nome sujo ?

Por Carlos Magno Gibrail

Imagem do album de Jose Luis Duron no Flickr

Zélia Cardoso, momentos antes de aprovação do plano econômico COLLOR DE MELO, dirige-se ao presidente e ressalta que a medida irá impactar toda a população. A ponto de matar cidadãos que estarão para efetuar cirurgias e não mais poderão fazê-las, etc..

O presidente reafirma a decisão, o plano não é micro, detalhes não serão levados em conta. Fica estabelecido um saldo bancário único, inadimplência geral e irrestrita pela proa. O resultado todos lembram, excluindo talvez parte da Câmara.

No mesmo país, numa reunião de diretoria, um consultor chama a atenção da gerência de crédito que está comemorando taxa de 0% de inadimplência. “Se continuarmos assim vamos perder clientes para a concorrência”
Para ter taxa zero cortou-se crédito de clientes que poderiam ter sido atendidos.

Vemos hoje uma mudança acentuada dentro dos condomínios, em função das novas regras para os inadimplentes, que num primeiro momento veio reordenar a relação dos condôminos. Entretanto observamos um crescer de autoritarismo e cerceamento aos moradores. Começa a ser cogitada a proibição do uso das dependências comuns e inclusive do elevador.

Estes excessos iniciam a criação de embaraços jurídicos e sociais.

No sistema bancário e no comércio os lobbies respectivos conseguiram uma informação BBB. Significa que o cidadão que tiver qualquer restrição fica automaticamente impossibilitado de pertencer ao sistema. A informação on line e geral cria uma transparência absoluta, que em princípio previne o atendimento ao mal pagador. Entretanto a falta de crédito leva a impossibilidade de o devedor socorrer-se do sistema para cobrir a dívida existente. Ignora-se o processo natural de cura, que é usar como antídoto o elemento causador do mal. Para sanar é usar o crédito em doses diferentes daquela que originou a anomalia. É assim na ciência natural com as bactérias e com o veneno da cobra.

E como uma pessoa que ficou inadimplente por ter perdido seu emprego, por exemplo, pode recuperar o seu status de bom pagador? Quitando a dívida, é claro. Mas para isso, deverá obviamente arrumar outro emprego. Certo? Para bancos, empresas financeiras e afins, errado. Pois eles não contratam quem está nas listas de pendências financeiras (leia-se Serasa, SNPC, Associações Comerciais).

E como essa pessoa pode proteger o seu patrimônio que restou? Fazendo seguro, certo? Para seguradoras, errado. Elas não fazem seguro para quem está nas listas de inadimplentes, mesmo que estes paguem à vista. É como se um devedor fosse à padaria e ao pedir meia dúzia de pãezinhos pagos a vista e  o padeiro dissesse: para você eu não vendo, pois você tem pendência financeira.

Sorte destes que as padarias ainda não alçaram o mundo das bancadas do Congresso. De 1997 a 2001 funcionou o Cadastro Positivo com o intuito de beneficiar o consumidor adimplente. Não se teve notícia que benefícios de ordem financeira tivessem sido dados. Apenas que uma juíza determinou que fosse avisado pelo Serasa através de carta registrada, o que encarecia o sistema e acarretou o fim.

Michel Temer prioriza a votação do Cadastro Positivo de Consumidores para os próximos dias. Cobrado por Fabio Barbosa, presidente da FEBRABAN, que sinaliza a diminuição da inadimplência e conseqüente queda das taxas de juros.

A PRO TESTE – Associação de consumidores protesta: “A regulamentação de um cadastro de bons pagadores levaria a uma situação discriminatória e, além disso, os bancos já possuem ferramentas necessárias para distinguir os consumidores, como os cadastros negativos. Na prática, funcionará como mais um funil pelo qual passarão ainda menos consumidores”.

É provável que estejamos na mesma situação dos impostos, que os reduzindo teríamos mais adimplentes, ou dos encargos trabalhistas, que se diminuídos os empregos aumentariam, cuja prova recente é a dos estagiários.

A Ciência Econômica ensina que melhor que maximizar é otimizar.Entre buscar extremos e limites, é mais sábio encontrar o equilíbrio. Para homens e máquinas, animais e plantas.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta-feira paga sua dívida com seus leitores aqui no blog, com juros e correção monetária.