Canto da Cátia 2: “São Paulo não tem capacidade”

São 114 mil crianças nas creches municipais e 307 mil na educação infantil. Em quatro anos, a prefeitura aumentou em 80% o número de vagas nas creches. No ano passado o acrescimo foi de 30%, enquanto o aumento médio no número de vagas na região Sudeste  teria sido de 15%.

Estes são os dados usados pelo secretário de Educação da cidade de São Paulo, Alexandre Schneider, para responder às críticas de falta de escola e creches para as crianças que dependem da rede municipal de ensino. Schneider diz que a situação é grave, mas que o investimento da gestão Serra/Kassab nesta área é incomparavelmente maior do que nas administrações anteriores.

Na entrevista para Cátia Toffoletto, porém, Alexandre Schneider diz que São Paulo não tem capacidade de atender a demanda que existe na rede municipal de ensino.

Ouça a entrevista de Alexandre Schneider para Cátia Toffoletto

Leia, também, reportagem do Agora “Kassab anuncia vagas em creches fechadas”, na qual o jornal visita locais que a prefeitura diz estarem recebendo crianças de até quatro anos. De acordo com a reportagem existem pelo menos 110 mil crianças sem creches na capital paulista.

Canto da Cátia 1: Filho de sete anos que nunca estudou

Fabiana Camargo Bezerra mora no bairro de Jabaquara, zona sul de São Paulo, e tem um menino de sete anos. Como toda mãe sonha oferecer-lhe educação de qualidade. Pensando bem. Ela já se contentaria se conseguisse dar ao garoto o direito de estudar na escola como alguns dos amiguinhos dele. Mas tudo que obteve até aqui foi o pedido das autoridades do ensino público municipal para que “esperasse, esperasse e esperasse”.

Ela espera, indignada é verdade, assim como os pais de no mínimo 10 mil crianças que não tem escola ou creche municipal à disposição. Este é o número oficial de inscritos “em processo de matrícula” – expressão burocrática da Secretaria Municipal de Educação – na rede de ensino da cidade de São Paulo.

Os Conselhos Tutelares tem recebido uma série de reclamações, todos os dias, de mães que assistem ao início de mais um ano letivo sem ter como oferecer ao  filho o direito à educação.

Ouça a reportagem de Cátia Toffoletto que conversou com representantes do conselho tutelar e mães que contam o drama que enfrentam.

Filho de político só em escola pública

Nos debates sobre a qualidade do ensino público, mensagens propondo que parlamentares inscrevam seus filhos apenas em escola da rede municipal ou estadual surgem de todas as partes. Para estes ouvintes-internautas assim as autoridades teriam interesse político em investir mais e melhor na educação. Foi vasculhando os projetos de lei apresentados no Congresso Nacional, que um desses descobriu o texto abaixo

PLS – PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 480 de 2007

Autor:     SENADOR – Cristovam Buarque
Ementa:     Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.
Data de apresentação:     16/08/2007
Situação atual:
Local:
17/11/2008 – Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania

Situação:
29/05/2008 – PRONTA PARA A PAUTA NA COMISSÃO
Indexação da matéria:     Indexação: FIXAÇÃO, OBRIGATORIEDADE, AGENTE PÚBLICO, OCUPANTE, CARGO ELETIVO, EXECUTIVO, LEGISLATIVO, REPÚBLICA FEDERATIVA, ESTADOS, (DF), MUNICÍPIOS, MATRÍCULA, FILHOS, DEPENDENTE, ESCOLA PÚBLICA, EDUCAÇÃO BÁSICA, ENSINO FUNDAMENTAL, ENSINO DE PRIMEIRO GRAU, DEFINIÇÃO, PRAZO MÁXIMO, APLICAÇÃO, NORMAS.

Então, vamos debatê-lo ?

Trote: origem e destino

Por Carlos Magno Gibrail

Calouro , foto de Diogo MeloMais da metade dos adolescentes não reconhece limites, é o que registra recente pesquisa da PUC SP.

Bruno C. Ferreira a vítima do trote 2009 na Veterinária de Leme e seus algozes fazem parte de que metade? Como estarão analisando o trote contemporâneo e a legislação que está por vir os estudantes da Medicina Pinheiros, que há 10 anos assassinaram Edson Hsueh e foram absolvidos?

Elide Signorelli, psicanalista da UNICAMP tenta explicar o trote: “O jovem está num momento muito importante de sua vida, em que finaliza um ciclo e fecha as portas para a infância e adolescência. Sem dúvida é uma ferida na ilusão de perpetuar, por mais tempo, uma condição infantil. Por isso, penso que os veteranos, feridos em seu narcisismo, esperam, ao receber os calouros, a oportunidade de serem os agentes dessa “notícia”.”

Para o psicólogo Antonio Zunin, da Universidade Federal de São Carlos e autor do livro O Trote na Universidade : “O trote está inserido numa relação de soberba intelectual com práticas de integração sadomasoquista”. A palavra tomada do passo do cavalo representa a ação de domar o animal entre a marcha lenta  e o  galope e para tanto há que usar o domínio através de comandos e chicotadas.

O Prof. Oriowaldo Queda da ESALQ pesquisou entre seus alunos durante longo tempo através de eficiente expediente. Dava um ponto a mais na sua matéria se o aluno se dispusesse a descrever 3 trotes violentos e 3 brincadeiras . Junto com o professor Antonio Almeida analisaram as respostas que originou em livro do qual destacam que efetivamente o trote é uma tradição de barbárie, quer dizer , nas suas origens é um instrumento extremamente discriminador entre as pessoas. Ao contrário do que alguns pregam. É uma violência que ocorre principalmente nas áreas que originaram a Universidade no Brasil, Direito, Medicina e Engenharia e que fornecem a maior parte da “elite brasileira”.Conservadora e monopolista.

O Prof. Almeida acentua “O que é um elemento curioso e que faz parte das nossas explicações hoje sobre o trote, é que este ocorre dentro da universidade, diante de toda a intelectualidade brasileira. Então o sujeito é pesquisador antropólogo, pesquisa índios e outras situações, e jamais fez uma investigação sobre o trote”.

A partir daí conclui que esta falta de pesquisa comprova que a Universidade quer o trote, para formar uma falange conservadora que apóie politicamente dirigentes tradicionalistas. Como professor da USP não pode criticá-la nem a Unicamp, nem tampouco fazer pesquisa sobre trote.

Se ainda restar alguma dúvida que trote é barra pesada, Glauco Matoso, autor de ampla pesquisa sobre trote, alerta que a ditadura recrutou torturadores nas hostes militares e nos trotistas universitários.

Diante das barbáries modernas fomos ao passado e encontramos as origens nos ritos de passagem das sociedades orais que antecederam a escrita.

Nos bons tempos gregos Platão faz referências ao trote entre os alunos que entram para a academia. Mas o primeiro trote universitário documentado foi em Paris no ano de 1342. Era uma operação “social” e “profilática” propondo-se a receber a maioria que vinha da zona rural introduzindo-a aos ritos universitários. Raspava-se o cabelo, queimava-se a vestimenta e mantinha o calouro no vestíbulo, daí o vestibulando. Na Alemanha em 1491 documentos descrevem rostos esfolados e refeições regadas a vinho com urina e temperos de fezes de animais. Inglaterra e Espanha também tinham suas especialidades, naquela ficava-se discursando, afinal o vernáculo é de Shakespeare, totalmente nu e em cima de uma mesa enquanto nesta era tortura direta.

No Brasil, logo que chegou vindo de Coimbra pela via do Direito, Francisco C. Menezes foi morto por Joaquim S. de Carvalho em Recife no ano de 1831.

Hoje passados dois séculos, estamos em pé de igualdade, pois neste mês efetivamos o 10º aniversário da morte de Hsueh da Medicina Pinheiros além de presenciar em Leme estudantes serem atirados ao chão e empanados em fezes.

A única diferença é que ainda em fevereiro 2009 a Câmara aprovou a criminalização do trote. Um avanço, pois nos desenvolvidos os ritos de passagem continuam.

Que seja em boa hora.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta escreve aqui no blog. Já foi “bixo” e veterano, sobre participação em trotes nada consta.

Imagem: Diogo Melo

Fabricante de sala de madeira baniu amianto, em 1990

As salas de aula de madeirite, registradas pelo jornal Folha de São Paulo em reportagem que causou azia no governador José Serra (PSDB), provocaram reações diversas nos ouvintes-internautas. Uma das preocupações foi em relação as telhas usadas na construção provisória. A cobertura poderia conter amianto, produto condenado em vários países e no estado de São Paulo, também, por provocar doenças pulmonares. A Secretaria Estadual de Educação se apressou em negar esta possibilidade. E, neste fim de semana, recebi mensagem da Brasilit, responsável pelas telhas usadas nas salas, explicando que o produto nocivo à saúde foi substituido no processo de fabricação desde os anos 1990.

Leia a nota enviada pela empresa:

Prezados senhores:


Na edição de terça-feira, pela manhã, do rádiojornal CBN São Paulo, da nossa prezada Rádio CBN, foi levantada questão por um ouvinte a respeito de se salas de madeira de determinada escola de São Paulo (da Escola Estadual Professora Eulália Silva, no Jardim Ângela, zona sul de São Paulo) estariam sendo construídas com telhas de Brasilit e se estas estariam ou não isentas de amianto.
 
Nesse sentido, nós da Brasilit gostaríamos de  informar e de dar uma explicação ao grande público, uma vez que o assunto voltou várias vezes à baila.
 
Anos atrás, ainda na década de 90, a Brasilit assumiu atitude pioneira ao substituir totalmente o uso do amianto crisotila – e de seus efeitos à saúde – e investir milhões de reais na produção do composto (PP) Fio de Polipropileno, em seu lugar – em sua unidade de Jacareí, São Paulo. O composto PP, é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), atendendo ao previsto na Convenção nº. 162 da OIT, de 1986, da qual o Brasil é signatário.
 
Apesar de seu uso milenar e mais especificamente como matéria prima na manufatura de telhas na indústria de fibrocimento, pesquisas internacionais mostram sem sombra de dúvida os efeitos do amianto em doenças pulmonares. Por isso, a Brasilit não hesitou em eliminá-lo da produção de seus materiais, mesmo sofrendo forte concorrência até hoje de produtos que mantém o uso desta fibra cancerígena de origem mineral.
 
Fizemos tal opção em respeito aos consumidores, aos trabalhadores e aos brasileiros e temos assumido uma posição inequivocamente clara e contrária a seu uso, apoiando qualquer iniciativa da ampla divulgação de seus efeitos às pessoas.
 
Estejam tranqüilos, portanto, os paulistanos – e os brasileiros –  de que, se forem utilizadas telhas Brasilit na construção de escolas, não haverá qualquer perigo à saúde dos estudantes.
 
BRASILIT
 

CEU Vila Formosa atrasa início das aulas

A escola que virou atração no horário eleitoral sofrerá atraso de uma semana no início das aulas. Durante a campanha, o candidato a reeleição Gilberto Kassab (DEM) e a candidata Marta Suplicy (PT) bateram boca devido ao ritmo das obras do CEU Vila Formosa, na zona leste da capital. Kassab prometia entregar a escola no início do ano letivo de 2009 e Marta jurava que não haveria condições devido ao estágio da construção. Ela chegou a aparecer chorando na frente do terreno porque foi barrada por funcionários que impediram a entrada dela e da equipe de televisão que gravaria imagens para o programa eleitoral.

Dos 7 mil alunos da rede pública que não terão sala de aula à disposição nesta semana, alguns estão inscritos no CEU da Vila Formosa que só abrirá suas portas dentro de 10 dias. De acordo com o secretário da Educação Alexandre Schneider apesar de as aulas começarem depois, os alunos não terão prejuízo em sua carga horária.

Ouça a explicação pelo atraso nesta e outras escolas municipais do secretário Alexandre Morais

Secretário da Educação defende terceirização da merenda

A prefeitura de São Paulo acredita que o sistema de terceirização da merenda escolar é o que apresenta o melhor resultado para as escolas públicas, apesar das denúncias de que empresas que exploram o serviço atuam no formato de cartel e da suspeita de corrupção contra funcionários públicos. A afirmação é do secretário municipal da Educação Alexandre Schneider que explicou ao CBN São Paulo as mudanças que serão feitas nos contratos da merenda escolar na capital.

Schneider diz que a prefeitura não tem recursos legais para impedir que as empresas sob suspeita participem do novo processo de licitação. Para o secretário há como criar mecanismos para impedir as irregularidades e a formação de cartel.

Ouça a explicação do secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider

Exame que “reprovou” professores será desconsiderado

Atendendo decisão judicial, a Secretaria Estadual da Educação não vai levar em consideração o desempenho dos professores temporários no exame aplicado no ano passado. De acordo com o órgão, o critério para atribuição de aulas será o mesmo do ano passado, por tempo de serviço e títulos. A medida tem o objetivo de garantir que as aulas comecem em 16 de fevereiro. A liminar que impede o uso do resultado das provas foi obtida pela Apeoesp, sindicato que reúne os professores da rede pública de ensino.

O desempenho no exame chamou atenção pelo baixo rendimento de grande parcela dos professores a medida que dos  241 mil que participaram da prova 3 mil tiveram nota zero e metade dos que realizaram o teste tiraram menos de cinco. Apenas 111 tiraram 10.

O resultado provocou uma série de mensagens ao CBN São Paulo de professores que estivaram no exame e de pais de alunos da rede pública. Ouça aqui o que disse sobre o tema o comentarista Gilberto Dimenstein, no Mais São Paulo.

Para a Apeoesp, o desempenho dos professores não pode ser avaliado pelo exame, pois alguns sequer teriam participado da prova e aparecem na lista com a nota zero.

OSESP, um feito e um fato

Por Carlos Magno Gibrail

Osesp 1

O feito – a Revista britânica Gramophone publica um ranking que coloca a Orquestra Real de Amsterdã e a Filarmônica de Berlim como as duas melhores orquestras do mundo. A surpresa quando os resultados foram publicados em dezembro 08, foi uma menção honrosa  a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP). O jornal O GLOBO pergunta e responde: “O que o melhor conjunto sinfônico do Brasil compartilha com os dois melhores do mundo? Muita coisa. Por exemplo, todos têm uma boa sala de concertos como sede, uma academia para formação de seus músicos e muitos subconjuntos de câmara”.

O fato – o executivo que montou esta premiada OSESP foi demitido pelo mesmo poder que o designou para a tarefa.

Sem entrar no mérito do fato , cabe indagar como se chegou ao resultado.

Marcos Mendonça, secretário da cultura de Mario Covas, convida John Neschling em 1997 para dirigir a OSESP. Este exige poder, salários compatíveis com o mercado internacional e uma sala com acústica impecável. Mendonça, resignado e determinado dá as condições solicitadas.

De nove de julho de 1999, inauguração da Sala São Paulo, até hoje a OSESP apresentou a performance encomendada. Dos 40 espectadores de antes, 12000 assinantes, que pagam de 195 a 742 reais para a temporada sinfônica, com ingressos de 30 a 104 reais. Os 109 músicos, 48 são estrangeiros vindos  de 18 países, ganham 7800 reais  os principiantes e 14500 reais os experientes. O maestro, 100 mil reais mensais. O orçamento 60 milhões anuais, dos quais 43 vindos da Secretária de Cultura de SP.
Enquanto isso, ontem, os jornais publicaram que na educação superior houve queda nos cursos de formação de professores ( 73000 em 2006 para 70000 ) taxa de menos 4,5%.

Maria Malavasi, Unicamp, diz que “um conjunto de fatores como desprestígio,falta de respeito social e baixos salários contribui para o declínio da carreira e a baixa procura pelos cursos de magistério”. Segundo  o Simpro, o salário médio na rede particular é de 3700 reais mensais.

Além disso, houve também redução na procura aos cursos superiores. Dos 6,2 milhões de vagas, 30% estão sobrando (1,3 milhões). O que descarta a idéia, segundo Reynaldo Fernandes  do Inep de que “no Brasil todo mundo quer ser doutor”, pois tem apenas 12% dos jovens entre 18 e 24 anos na universidade, enquanto os Estados Unidos apresenta taxa de 70%.

Tudo indica que precisamos no  ensino da mesma lição da OSESP, isto é, casa apropriada, salários internacionais, secretário de estado para adequar verbas e maestro para regê-las. E vamos ao feito e não ao fato.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta-feira se propõe a discutir temas de relevância com olhar diferenciado. É dito e feito.