Financiamentos para a política

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

A questão envolvendo o financiamento das campanhas eleitorais e partidárias é recorrente na maioria das modernas democracias. Há registros de irregularidades e escândalos na Alemanha, Estados Unidos, França, Israel, Itália e Japão, países cujos sistemas legais são tomados como modelos. No Brasil não é diferente. Sobre ele, pairam dúvidas e suspeitas desde a formação de caixa-dois (valores não registrados) ao exercício de mandatos a serviço de patrocinadores não-identificados.

Alterando a Lei nº 9.504/97, o Projeto de Lei nº 1.210/07 previu, tempos atrás, que em ano eleitoral, a lei orçamentária incluirá uma dotação destinada ao financiamento das campanhas eleitorais no valor equivalente ao número de eleitores do país multiplicado por R$ 7,00 (sete reais). Para isto, será tomado por referência o eleitorado registrado no dia 31 de dezembro do ano anterior. A administração e posterior distribuição destes valores ficará a cargo das direções partidárias.

Sopesados os pressupostos de um e outro, ou seja, financiamento exclusivamente público ou privado, cabe ponderar que no Brasil, o exame do assunto não pode desprezar duas peculiaridades: o Fundo Partidário e o excesso de fetiches do sistema de prestação de contas da legislação eleitoral.

Diante dos vultosos repasses que as agremiações recebem do Tribunal Superior Eleitoral a partir do Tesouro Federal, entende-se inconcebível um sistema prevendo a duplicidade de receitas públicas para a mesma finalidade: campanhas políticas.

Por conta de recentes acontecimentos, os quais não ensejaram alteração legislativa substancial capaz de elidir as já históricas práticas clandestinas, não é recomendável a manutenção de duas fontes de dinheiro público para atividades que infelizmente não gozam de credibilidade.

Prevalecendo a proposta do financiamento público, o reexame da manutenção do Fundo Partidário é medida imperativa pois a coexistência de ambos é algo incompatível, especialmente quando os valores direcionados aos partidos, a contar de 1996, já superaram um bilhão de reais, há muitos anos.

O mais sensato seria a introdução de regras proibindo doações de campanha por determinados setores e o estabelecimento de limites de gastos para cada um dos cargos em disputa, de Vereador a Presidente. Mudanças drásticas nunca geraram efeitos convincentes neste país.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Só cidadão para tirar Assembleia de SP do atraso

 

A Assembleia Legislativa de São Paulo está muito atrasada. Ao contrário dos demais parlamentos somente inicia seu trabalho nesta terça-feira, dia 15, enquanto a maioria já atua com a nova composição eleita em outubro do ano passado desde o início de fevereiro. E a maioria dos 94 deputados estaduais não parece preocupada com a situação, pois entraremos em mais um período legislativo sem que ninguém proponha mudanças no calendário.

Para a ONG Voto Consciente, que acompanha o trabalho da ALESP, além desta demora, perde-se muito tempo, também, na formação das comissões permanentes. A entidade cobra dos parlamentares que os partidos escolham logo – no máximo em duas semanas – os nomes, e as comissões comecem a discutir os temas de interesse do Estado, pois nenhum projeto chega no plenário para votar sem antes ter o aval destas instituições.

A vantagem deste ano é que foram reduzidos de 22 para 15 o número de comissões, uma proposição que havia sido feita pelos integrantes do Voto Consciente.

Os problemas na casa, porém, não se restringem a estas questões. Seria fundamental que a Assembleia Legislativa desse um grito de independência do Executivo, desafio quase impossível de ser superado dado o histórico deste e de outros parlamentos estaduais no Brasil. Os deputados tendem a votar apenas aquilo que interessa ao governador de plantão que não tem dificuldade em formar maioria.

Soma-se a isso a saída de deputados de boa votação para assumir cargos de secretário estadual, sinal de que a função é bem mais atrativa do ponto de vista das pretensões políticas do parlamentar. Em São Paulo, os dois mais votados não permanecerão na casa: Bruno Covas (PSDB), que teve 239.159 votos, é secretário de Meio Ambiente e Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), eleito com 215.061 votos, é secretário de Desenvolvimento Social. Mais dois eleitos também assumiram cargo no Governo: Edson Giriboni (PV) é secretário de Saneamento e Recursos Hídricos e Davi Zaia (PPS) é o titular da de Emprego e Relações do Trabalho.

O resultado deste comportamento de parlamentares que abrem mão de suas prerrogativas em troca de verbas e obras que lhe garantam a simpatia do reduto eleitoral ou buscam outras funções, diferentes daquelas para a qual foi escolhido pelo eleitor, é o enfraquecimento do legislativo e a diminuição de sua importância para o cidadão.

Sem contar que o presidente que deve ser reconduzido ao posto nesta terça-feira, deputado estadual Barros Munhoz (PSDB), foi acusado pelo Ministério Público de ter participado de desvio de R$ 3,1 milhões na época em que foi prefeito de Itapira, cidade do interior paulista.

Não por acaso, boa parte dos paulistas talvez nem lembre mais em quem votou no dia 3 de outubro. E isto só vai mudar quando este mesmo eleitor entender que seu papel não se restringe ao ato de votar, que tem o direito e o dever de cobrar do seu deputado comportamento independente e a altura do cargo para o qual foi eleito.

Uma boa oportunidade é este cidadão se unir as entidades não-governamentais que acompanham a ação legislativa, como é o caso do Voto Consciente, ou faça a fiscalização do seu deputado por conta própria integrando a rede de blogs do Adote um Vereador, que se iniciou em 2008 e abriu caminho para outras campanhas como o Adote um Deputado.

Controle os políticos antes que os políticos controlem você.

Por uma reforma política cidadã

 

Senadores formam comissão para discutir a reforma política. Deputados não querem deixar na mão deles as mudanças. Temem serem prejudicados com as decisões tomadas na casa superior. Vão interferir no projeto com base no que entendem ser mais apropriado para a sobrevivência de cada um deles.

O Congresso discute as mudanças enquanto o cidadão assisti de casa ao debate, sem direito de participar. Por enquanto, ninguém lembrou de abrir as portas à sociedade que tem o direito de “meter à mão” nesta história, pois é a principal afetada com as regras que estão em vigor.

Recebi uma colaboração interessante e, por isso mesmo, decidi publicar aqui no blog para que você também participe do tema. Aron Zylberman é ouvinte-internauta, trabalha no ramo imobiliário, mas prefere ser apresentado apenas como cidadão. E foi neste papel que enviou as seguintes sugestões para uma reforma política no Brasil:

“Pontos importantes e que vem sendo debatidos insuficientemente:

SISTEMA ELEITORAL: O atual sistema de votação proporcional para escolha de deputados estaduais e federais precisa mudar. Eu acredito que o voto distrital permitirá uma relação muito estreita entre eleitor e representante. O controle sobre os deputados ficaria muito fortalecido. O seu “adote um vereador” poderia ser facilmente transformado em “adote o seu representante”, tanto na esfera estadual como na federal. Nas grandes cidades, como as capitais, o voto distrital também valeria para a eleição de vereadores. Todas as eleições passariam a ser majoritárias. O custo das eleições cairia muito.

SUPLENTE DE SENADOR: É uma excrescência que precisa ser eliminada. Se um senador, por qualquer razão abre mão do cargo, o segundo mais votado assume e ponto final.

VOTO OBRIGATÓRIO: Centenas de milhares votam sem ter consciência do peso do seu ato. Por outro lado, se o voto for facultativo, o peso da “compra de votos” aumenta muito. Na ausência da corrupção, ou na sua diminuição expressiva, o voto deveria ser um direito e não uma obrigação.

Pontos que não são debatidos:

NÚMERO DE SENADORES POR ESTADO: Nos USA, país muito mais rico, são dois por estado. Por que precisamos de três? Teríamos uma enorme economia com esta redução e o balanço federativo estaria igualmente garantido.

REELEIÇÃO NO LEGISLATIVO: O atual sistema, que permite reeleições sem limite, impede uma maior renovação, no Congresso Nacional. A reeleição para o mesmo cargo deveria ser limitada, da mesma forma que é para o Executivo. Só uma reeleição consecutiva.

FINANCIAMENTO PRIVADO: As doações de pessoas jurídicas deveriam ser proibidas. Os nossos políticos deveriam representar os interesses do povo (pessoas naturais) e não de empresas. Dinheiro doado apenas por pessoa física.

Adote um dos novos vereadores de São Paulo

 

Com a volta do trabalho legislativo, haverá mudanças na formação da Câmara Municipal de São Paulo. Nove vereadores da atual gestão conseguiram se eleger para cargos na Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Assim, os suplentes estão prontos para assumir seu posto de representante do cidadão paulistano.

Você bem que poderia aproveitar a oportunidade para encarar o papel de ‘vigilante’ da cidadania e participar da campanha Adote um Vereador (veja aqui como é fácil e importante este trabalho).

Como o calendário dessas casas não combinam, os que se elegeram deputado estadual somente deixam a Câmara Municipal no dia 15 de março, os demais saem no início deste mês.

Hoje, o CBN SP começou a conversar com cada um dos suplentes que assumirão a partir da semana que vem para conhecer um pouco estes parlamentares. Veja quem entra e quem sai e faça a sua escolha:

PT:
Carlos Neder assume no lugar do vereador João Antonio. (em 15 de março)
Ouça a entrevista com Carlos Neder, no CBN SP

PR:
Marcus Vinicius de Almeida Ferreira (Quito Formiga) assume no lugar do vereador Jooji Hato. (em 15 de março)

DEM:
Edir Sales passa a ser suplente de Marcos Cintra. (em 1º de fevereiro)

PSC:
David Bezerra Ribeiro Soares entra no lugar do vereador Marcelo Aguiar. (assume em 1º de fevereiro)

PSDB:

Aníbal de Freitas Filho assume no lugar da vereadora Mara Gabrilli . (em 1º de fevereiro) Ouça a entrevista com Anibal de Freitas, no CBN SP

Sebastião Soares de Farias (Tião Farias) assume no lugar do vereador Gabriel Chalita. (em 1º de fevereiro)

José Rolim assume no lugar do vereador Carlos Bezerra Júnior. (em 15 de março) Ouça a entrevista com José Rolim, no CBN SP

PP:
Attila Russomano assume no lugar do vereador José Olímpio. (em 1º de fevereiro)

PV:
Aurélio Nomura assume no lugar do vereador Penna. (em 1º de fevereiro)
Ouça a entrevista com o vereador Aurélio Nomura, no CBN SP

Suplentes, os senadores sem-voto

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

Dispõe a Constituição Federal que cada Senador será eleito com dois Suplentes (art. 46, §3º). O Código Eleitoral (1965) afirma que se entende dado aos Suplentes o voto conferido ao candidato ao Senado. A disciplina do cargo também consta na Lei 9.504/97 e nas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral relativamente a registro de candidatura e propaganda eleitoral, bem como na Lei de Inelegibilidades (LC 64/90) quanto às desincompatibilizações.

Interpretando este conjunto de regras, o TSE reconhece que os Suplentes são políticos tão eleitos quanto o Senador com o qual compartilham a chapa. Todavia, a redação constitucional é insofismável ao estabelecer que cada senador será eleito com dois suplentes, excluindo, assim, aqueles do sufrágio universal. Dito por outras palavras: somente o titular é que é eleito; os Suplentes se encontram numa situação jurídica de mandatários sem votos.

Face às renúncias de alguns Senadores eleitos Governadores em 2010 e as licenças de outros para assumir Ministérios a partir de 2011, é importante lembrar que a diplomação do Suplente habilita-o à investidura no cargo de Senador nas mesmas condições do titular afastado.

O tema é realmente controvertido e apresenta regulamentação peculiar em cada país, variando quanto à possibilidade e limitação de tempo na investidura. Na Itália, se um Senador é nomeado Ministro de Estado, ele deve manter as suas funções no Legislativo compatibilizando-as àquelas do Executivo pois inexiste Suplente, ao passo que na França, esta é a única hipótese dele assumir, vez que para as outras situações há previsão de convocação de nova eleição para o preenchimento da vaga.

Nos Estados Unidos também inexistem Suplentes. Se o Senador se afasta do mandato ou este é declarado vago em razão de outras circunstâncias (cassação, impedimento, morte ou renúncia), assim permanece, salvo se o titular falece durante o primeiro ano de mandato, quando é convocado um pleito específico para o seu preenchimento. Se esta vacância for declarada no último ano, a Assembléia Estadual a qual o titular representava se reúne e ratifica a indicação de um Senador para cumprir o restante daquele mandato. Na Alemanha, há previsão de procedimento semelhante ao americano que ocorre somente se a vacância surge até seis meses antes do pleito normal de renovação da vaga.

No Brasil, desde a sua origem, diversos são os questionamentos que incidem sobre o suplente. Embora relegado a um plano secundário da Reforma Política, o tema da suplência vem recebendo editoriais contundentes nos meios de comunicação, com absoluto predomínio da rejeição do modelo atual. Também neste sentido concluiu uma pesquisa do próprio Senado Federal divulgada em 09.07.2007, quando 72% dos entrevistados não concordou com o atual modelo constitucional, preferindo que os Suplentes “sejam votados separadamente”.

Em 20 anos, mais de 200 suplentes assumiram cadeiras no Senado Federal. Objeção substancial invocada pelos adversários da atual forma de recrutamento dos Suplentes diz quanto ao nepotismo. Com razão. Afinal, uma análise das recentes composições do Senado Federal confirma que pai, esposa, primo, filhos, cunhados, tio e irmãos de Senadores foram indicados, sendo que vários exerceram o mandato.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Considerações sobre a eleição na Câmara de Vereadores

 

Vi de longe a reta final da disputa pelo comando da Câmara Municipal de São Paulo, um distanciamento provocado pelas férias neste mês de dezembro que também me afastou do blog. Faço a ressalva assim que começo a escrever este post, pois isto me impediu de assistir às cenas dos últimos capítulos da novela que se transformou a briga pela presidência da Casa e posso ter perdido alguns momentos significativos.

A vitória de José Police Neto (PSDB) não surpreende, pois foi resultado de projeto construído pelo vereador nos últimos quatro anos. Pode-se dizer até mesmo que a carreira política dele o levou até o posto. Neste segundo semestre, a postura incisiva do prefeito Gilberto Kassab (DEM), porém, foi fundamental – uma ação que não se resumiu às conversas em conjunto com Police e Milton Leite, seu adversário, como o vereador deu a entender em entrevista.

A interferência de Kassab impõe ao novo presidente da Câmara seu primeiro desafio. Provar de que não será um mero despachante de projetos do Executivo. Tem capacidade para isso, mas precisará se impor aos interesses políticos do prefeito que desde antes mesmo da eleição presidencial já se movimenta com astúcia no sentido de preparar seu futuro político visando a disputa para o Governo do Estado de São Paulo.

Police Neto conhece como poucos os bastidores da Câmara Municipal e por isso não deve ter dificuldades para conversar com o PT e o que resta do Centrão na montagem de uma pauta que interesse ao cidadão, apesar da promessa da oposição de jogar pesado no próximo ano, afinal tem seus próprios interesses eleitorais, em 2012.

Outro desafio, será o de oferecer à população um espaço para debate há muito reclamado pelas entidades organizadas que acompanham o trabalho legislativo. Precisa tornar realidade a esperança depositada nele por alguns desses grupos que acreditam na possibilidade de que os atos na Câmara sejam transparentes e os critérios que definem sua pauta, claros. Muitos desses desejos expostos em série de entrevista feita pelo CBNSP disponível neste blog.

Uma mudança pouco comentada – levando em consideração meu acesso restrito às informaçōes nestes últimos dias – mas que pode ter importância na grandeza que se deseja ao legislativo municipal: a corregedoria da Câmara, após cinco anos, sai das mãos de Wadih Mutran (PP) e passa para as de Marco Aurélio Cunha (DEM). O primeiro exerceu em seu mandato aquilo que seus pares desejavam, engavetou toda e qualquer possibilidade de investigação. Que Marco Aurélio faça aquilo que o cidadão e a cidade necessitam, apuração e punição de toda e qualquer irregularidade.

Vereador apela ao “bom humor” em eleição na Câmara

 

Em campanha de pouca graça e muita ameaça – algumas concretizadas -, o vereador Adilson Amadeu (PTB) decidiu apelar para o bom humor e sugeriu ao cartunista Eklisleno a charge em que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) caça votos em favor do candidato dele à presidência da Câmara Municipal de São Paulo, José Police Neto (PSDB). Com uma certa dose de sarcasmo, destacou galhos de planta que lembra o ex-colega de partido do Democrata, o governador-fugido do Distrito Federal José Roberto Arruda.

Em nota divulgada por sua assessoria, Amadeu justificou a brincadeira:

O disse-me-disse, as denúncias infundadas são mais desgastantes do que produtivas. Como diria o colega Police Neto, nesse cenário é impossível promover “um debate saudável ou construir qualquer aliança positiva”. Para tentar afastar o baixo astral, decidi colocar um pouco de humor nessa história.  De voto, todos precisamos, inclusive o prefeito Kassab que vem empreendendo  à sua maneira uma verdadeira caçada nessa reta final.  Por via das dúvidas tem até um galho de arruda por perto.

Fora das “quatro linhas”, Amadeu diz que o papel que os governistas estão fazendo de vítimas neste processo eleitoral para a presidência da Câmara Municipal de São Paulo é uma fábula, pois a disputa seria desigual. Enquanto a prefeitura estaria oferecendo cargos, secretarias e demais facilidades aos seus apoiadores, o Centrão não teria o que dar em troca para atrair o apoio dos partidos.

O bom humor que sobra ao vereador Adílson Amadeu para inspirar a charge faltou na “conversa” que ele teve com Marcelo Aguiar (PSC), há alguma semanas, quando em lugar dos pincéis foram usados os punhos.

A década eleitoral

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

Brasil –

O Brasil realizou seis eleições nos últimos 10 anos. O custo operacional do voto, pago pelo contribuinte através de deus impostos, oscilou de R$ 4,91 (2000) a R$ 3,58 (2010). Em meados de 1997, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação de Juízes para a Democracia obtiveram mais de um milhão de assinaturas para que um projeto fosse apresentado ao Congresso Nacional.

A ideia era “fechar o cerco” contra os candidatos que negociavam votos ou até enganavam eleitores para vencer as eleições que disputavam. A legislação eleitoral não punia a disseminada “compra de votos” e, com dificuldade, reprimia o abuso de poder. Surgiu, então, o art. 41-A da Lei das Eleições, punindo com a perda do registro (ou do diploma) e multa de até R$ 53,2 mil, os candidatos que comprarem votos, e cassação e também a aplicação de multa, até R$ 106,4 mil, para aqueles que usassem a “máquina pública” nas campanhas.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral – erros judiciários e excessos de julgamento à parte –, 667 prefeitos, vices e vereadores foram cassados pela Justiça Eleitoral, até maio de 2009, com base na lei de iniciativa popular 9.840/99. Eles perderam seus mandatos em função da aplicação desses dois novos dispositivos da Lei Eleitoral. Apenas em 2008, segundo relatório do movimento, foram 238 prefeitos cassados. Entre 2007 e 2008, centenas de Vereadores foram cassados pela Justiça Eleitoral por haverem trocado de partido.

A regra da infidelidade partidária também cassou o Governador do Distrito Federal. Entre 2008 e 2009, três Governadores de Estado foram cassados e afastados pelo TSE de seus cargos. Com o advento da discutível Lei da “Ficha Limpa”, em 2010, dezenas de candidatos a vários cargos eletivos tiveram seus registros indeferidos. Outros concorreram, venceram mas “não levaram”. É dizer: foram votados mas não serão diplomados nem empossados.

Nesta década que finda, Lula exerceu dois mandatos presidenciais (2002-2010), Fernando Collor foi eleito Senador por Alagoas (2006) e Itamar Franco por Minas Gerais (2010). Houve uma redução das cadeiras nas Câmaras Municipais (2004). O país votou no referendo das armas e Dilma Roussef foi eleita a primeira Presidente do Brasil. Tiririca é o novel fenômeno eleitoral, após Enéas.

América –

Numa eleição discutível e até hoje revestida de suspeita, George W. Bush se reelegeu Presidente dos Estados Unidos em 2001. Perdeu nas urnas mas venceu no Colégio Eleitoral. Em janeiro de 2006, a médica Michelle Bachelet se elegeu presidente do Chile, a primeira do seu país. Entre 2000 e 2010, a Argentina teve sete Presidentes da República. Apenas Fernando de la Rúa, Eduardo Duhalde, Néstor e Cristina Kirchner foram eleitos pelo voto direito. Hugo Chavez preside a Venezuela a mais de uma década. Sua primeira eleição fora em 1999. No pleito do dia 4 de novembro de 2008, Barack Obama foi eleito o 44º Presidente dos Estados Unidos, o primeiro negro, vencendo seu adversário, John McCain, por uma diferença de 52% a 47% no total de votos.

Mundo –

Angela Merkel, uma ex-alemã oriental, é a Chanceler da Alemanha desde a eleição de 2005. Em 2009, após se reeleger, foi considerada pela revista Forbes como a mulher mais poderosa do mundo. Na Itália, sob acusações de corrupção e ligações com a Màfia, Silvio Berlusconi exerce o cargo de Primeiro Ministro pela segunda vez nesta década. Antes de se tornar presidente da França, eleito em 2007, Nicolas Sarkozy foi líder partidário e chefiou meia dezena de Ministérios. As eleições e a cidadania na China não avançaram nesta década. Qualquer cidadão pode perder o direito de votar caso seja acusado – basta ser investigado – de “ameaçar a segurança nacional”.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age); e escreve no Blog do Mílton Jung.

Está superado, diz presidente da Câmara após agressões

 

O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Antonio Carlos Rodrigues (PR), negou ter assistido ao vereador Adilson Amadeu (PTB) agredir com um soco no peito Marcelo Aguiar (PSC). Em entrevista ao CBN SP, ele disse que chegou depois do encontro entre os parlamentares, no saguão do prédio de Aguiar, e definiu o ocorrido apenas como um desentendimento sem importância já superado.

Ouça aqui a entrevista de Antonio Carlos Rodrigues, do PR, ao CBN SP

Rodrigues não tem o mesmo comedimento ao comentar a possibilidade de Marcelo Aguiar estar apoiando o candidato à presidência da Câmara José Police Neto (PSDB) em vez do candidato do Centrão Milton Leite (DEM). “Não é direito de ninguém fazer a gente de palhaço”, falou ao lembrar que Aguiar assinou documento, registrado em cartório, de que apoiaria o Centrão, em março deste ano, e agora estar organizando jantar com o grupo que defende a candidatura governista.

Durante toda a entrevista, o vereador oscilou entre bater e assoprar.

Informou que haverá uma segunda reunião com o prefeito Gilberto Kassab (DEM), nessa quarta-feira, para que haja um consenso entre os dois lados que disputam o poder na Casa. Mas foi duro ao responder sobre o apoio que o prefeito anunciou para o candidato José Police Neto: “Nós não nos metemos no Executivo e gostaríamos que ele não se metesse no Legislativo”.

O líder do PC do B na Câmara Jamil Murad também foi alvo das críticas de Rodrigues: “O Jamil sentou (com a gente), partiu para um leilão e, agora, deve ter tido mais vantagens com o Police Neto … levou mais vantagem do lado de lá”. Murad havia dito que faltava democracia nas discussões dentro da Câmara Municipal.

Ouça aqui a entrevista de Jamil Murad, do PC do B, ao CBN SP

Depois de tantas acusações de traição que têm marcado esta briga na Câmara de São Paulo, sem querer (ou não) o vereador Antonio Carlos Rodrigues confidenciou mais uma durante a entrevista. Ao comentar sobre o motivo da ida dele com mais dois colegas de Centrão até o apartamento de Aguiar disse que “um tucano ligou avisando”. Não citou o nome.

Sobre a sucessão na Câmara leia e ouça, também:

Câmara de Vereadores precisa de UPP, em São Paulo


A Guerra dos Vereadores pelo comando da Casa

Líder do PT José Américo protesta contra interferência de Kassab na Câmara

A campanha eleitoral está nas ruas, ainda

 

Um cidadão distraído poderia imaginar que a campanha eleitoral está a todo vapor ao passear por ruas de São Miguel Paulista, na zona leste.

Sujeira eleitoral

Cartazes, faixas e muros seguem tomados pelo rosto feliz dos candidatos, seus nomes e números, de acordo com uma série de imagens feitas pelo ouvinte-internauta Marcos Paulo Dias, colaborador do blog.

Sujeira eleitoral

O prazo para que os candidatos que disputaram o segundo turno retirem toda a propaganda das ruas se encerra dia 30, segundo o TRE-SP. Para os que participaram apenas do primeiro turno, o material teria de ter sido recolhido em 4 de novembro.

Sujeira eleitoral

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo tem convênio com a prefeitura que está autorizada a retirar a propaganda ‘esquecida’ pelos políticos.

Sujeira eleitoral

Veja mais imagens no álbum do CBN SP no Flickr