Propaganda eleitoral, velha e ilegal

 

Propaganda eleitoral insistente

Dois exemplos de propaganda eleitoral ultrapassada – uma pelo prazo, outra pelo marketing. A primeira é do tempo do Kassab-candidato que permanece em meio aos escombros de um posto de gasolina, na av. Washington Luiz, e foi enviada pelo ouvinte-internauta Israel Santos.

Propaganda irregular

A segunda quem encontrou foi Sílvia Rioli, também em São Paulo. Será que o autor desta faixa pendurada em dois postes ainda acredita que este tipo de publicidade – ilegal, diga-se – ganha voto do eleitor ?

Para a primeira, pintura nela; para a segunda, TRE neles.

Votos do deputado Tiririca não devem ser anulados

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Francisco Everardo (assim mesmo, com a consoante erre em vez do ele) Oliveira Silva se apresentava três vezes por semana na televisão, por 35 segundos cada uma delas. Sempre rindo, alegre e dançando. Embora possa parecer pouco, este tempo se revelou suficiente. Ou melhor: suficiente para determinar uma conquista.

Durante a campanha eleitoral, recebeu e aceitou convites para gravar sua performance no horário eleitoral de candidatos no Amazonas, Ceará e na Bahia. Utilizou um bordão: “vote em Tiririca, pior do que tá não fica”. Deu certo. Com a fantasia colorida de palhaço, repetindo a expressão “abestado”, Tiririca se elegeu Deputado Federal com 1.353.820 votos. Por conta disso, representará o Estado de São Paulo na Câmara dos Deputados pelos próximos quatro anos.

Contudo, após esta substancial (e previsível) votação popular, o eleito virou réu. Ora acusam-no de analfabeto, ora de falsidade ideológica. Em entrevista concedida à uma revista de circulação nacional, o humorista teria afirmado que declarou ao TSE não possuir nenhum bem em seu nome pois teria transferido o seu patrimônio em nome de terceiros em razão de demandas trabalhistas.

De prático, a Justiça Eleitoral aceitou uma denúncia-crime formalizada pelo Ministério Público argüindo a falsificação de assinaturas numa prova técnica apresentada pelo humorista ao TRE/SP. Em 22 de setembro, o MPE havia manifestado que Tiririca é analfabeto, situação que violaria um dos requisitos para ele se apresentar candidato. A base da acusação está no (vetusto) Código Eleitoral brasileiro, o qual estabelece reclusão de cinco anos e pagamento de multa para quem “omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais”.

Isto mesmo: o Código de 1965, uma verdadeira colcha de retalhos dominada por textos quase líricos neste terceiro milênio de urnas eletrônicas, estabelece uma pena de reclusão mais elevada do que aquela para o furto e outros delitos graves. Uma anacronia mas é a lei vigente.

Não obstante o imbróglio jurídico, Tiririca será diplomado e empossado Deputado Federal. Se a um ângulo é certo que o momento jurídico para argüição desta suposta inelegibilidade por analfabetismo escoou durante o registro, não menos certa é a circunstância de que por se tratar de matéria prevista pela Constituição Federal, a questão pode, em tese, determinar outros processos impugnatórios. Estes, contudo, a par de discutíveis, somente poderão ser deflagrados na Justiça Eleitoral após a diplomação.

Além disso, fique claro que como disputou a vaga de deputado em condições absolutamente legais e normais, não tendo sido impugnado (o prazo para esta providência terminou em 03.08.2010) e tendo seu pedido de registro (protocolo nº 293620) sido deferido (em 12.08.2010) pela ilustra juíza relatora do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, os seus 1.353.820 votos, todos decorrentes da vontade livre e soberana dos eleitores, são insuscetíveis de anulação, nem mesmo se houver a cassação do mandato. Afinal, durante a campanha, o candidato estava “na forma da lei”.

Por fim, é de se dizer que várias, para não dizer a maioria das decisões nesta matéria (argüição de analfabetismo) admitem que predomina a conservação do mandato eletivo ante o princípio do estado democrático de direito, o qual privilegia o respeito à manifestação soberana do eleitor.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Greenpeace quer compromisso de candidatos com a água

 

Usar blogueiros e comunidades na internet para pressionar os candidatos à presidência da República a se comprometerem com temas ambientais como a defesa das águas, é intenção do Greenpeace. Sérgio Leitão, diretor de campanhas da ONG, lembrou que o Brasil é dono de 8% das reservas de água doce, mas cuida muito mal da sua rede. Uma situação que se agrava com o desmatamento das florestas.

Leitão diz que o novo presidente terá de ter autoridade para impedir as ameaças ao Código Florestal que está no Congresso. Ele espera que a mobilização nas redes sociais provoque os candidatos Dilma Roussef PT e José Serra PSDB a debater sobre questões ambientais.

Ouça a entrevista de Sérgio Leitão, do Greenpeace, ao CBN São Paulo

Seu Madruga e mais 7 assumirão na Câmara

 

Falamos aqui no Blog sobre as mudanças de cadeira na Câmara Municipal de São Paulo, após a eleição de oito vereadores a deputado estadual e federal. Hoje, o Estadão trouxe a lista dos suplentes que assumirão o cargo a partir de 2011. Importante lista para identificarmos quem serão os parlamentares responsáveis por cuidar da cidade e nos representar.

Na relação tem políticos experientes como Carlos Néder (PT) e gente que desconhece o trabalho parlamentar como o Seu Madruga (PRP) que na declaração do jornal conta com a “ajuda de Deus” para assumir o cargo.

Reproduzo aqui a lista dos novos parlamentares publicada no Estadão. A reportagem completa você lê clicando neste link:

Carlos Néder (PT)

Substitui João Antonio (PT).

Deputado estadual, não se reelegeu. Médico, foi secretário na gestão Luiza Erundina (1989 – 1992) e três vezes vereador.

Tião Farias (PSDB)

Substitui Mara Gabrilli (PSDB).

Vereador entre 2005 e 2008, também já havia sido suplente na legislatura anterior. Foi assessor de Mario Covas.

Aurélio Nomura (PV)


Substitui Penna (PV). Advogado, foi vereador por três legislaturas: de 1993 a 1996, de 1997 a 2000 e de 2005 a 2008. Foi líder da bancada do PV em 2005.

Jonas Fontoura – Seu Madruga (PRP)

Substitui Marcelo Aguiar (PSC).

Ex-dono de um ferro-velho, Fontoura participou de sete eleições.

José Rolim (PSDB)

Substitui Gabriel Chalita (PSB).

Líder comunitário na Favela de Paraisópolis, zona sul da capital, Rolim foi vereador na legislatura 2005/2008.

Áttila Russomanno (PP)

Substitui José Olympio (PP).

Russomanno foi vereador na legislatura anterior e candidato a vice-governador de Orestes Quércia na eleição de 2006.

Aníbal de Freitas (PSDB)

Substitui Carlos Alberto Bezerra Júnior (PSDB).
Nunca foi eleito, mas como suplente já ocupou provisoriamente cadeira na Câmara Municipal em 2009.

Quito Formiga (PR)


Já era vereador na vaga de Marcos Cintra, atual secretário. Agora, na vaga de Jooji Hato, assume em definitivo.
A suplência de Cintra ficará com Edir Salles.

Foto-ouvinte: Sujeira eleitoral

 

Sujeira eleitoral

Restos de propaganda eleitoral seguem espalhados em esquinas de São Paulo, como mostra esta imagem do colaborador do Blog, Marcos Paulo Dias. Aqui, é a região de São Miguel Paulista, zona leste da capital. Para este entulho ser recolhido basta um serviço de limpeza competente. Difícil mesmo será remover o entulho que deixamos dentro do legislativo brasileiro. Este só com consciência cidadã.

Eleitor premia deputado bem avaliado na Assembleia

 

O bom desempenho de deputados estaduais em São Paulo foi reconhecido pelo eleitor. Dos 10 parlamentares que tiraram nota acima de 7 na avaliação do Movimento Voto Consciente apenas dois não foram reeleitos, sendo que um deles teria voto para se manter na casa, mas a candidatura foi indeferida.

O melhor exemplo é o do tucano Bruno Covas (PSDB), considerado o deputado mais bem avaliado na atual legislatura, com nota 7,9, que se consagrou como o campeão de votos, com 239.150.

Roberto Morais (PPS), Rui Falcão (PT), Enio Tatto (PT), Simão Pedro (PT), Marcos Martins (PT) e Jonas Donizette (PSB) que estão no topo da tabela de avaliação da ONG conseguiram mais de 100 mil votos. No caso de Donizette, foi eleito para deputado federal. O único a ficar de fora por falta de voto foi Vitor Sapienza (PPS) que havia tirado nota 7,29. João Carlos Caramez (PSDB) com 98 mil votos ainda espera decisão da justiça.

Com baixo índice de renovação, a Assembleia Legislativa terá de volta, em março, também deputados que tiveram péssima avaliação, neste mandato. Porém, estes parlamentares encontraram maior dificuldade para se reeleger. Entre os 10 piores que disputaram esta eleição, somente dois passaram da marca dos 100 mil votos.

Somados, os 10 deputados mais bem avaliados conseguiram 1.302.032 votos. Isto é quase o dobro do total de votos dos 10 piores parlamentares que juntos fizeram 729.285 votos.

Na avaliação dos deputados estaduais, o Movimento Voto Consciente leva em consideração a qualidade dos projetos de lei aprovados, participação nas seções em plenário e nas comissões permanentes da Casa e o papel de fiscalizador do Executivo, entre outros itens.

Nem sempre a boa ação parlamentar é reconhecida pelo eleitor por uma série de motivos. A decisão pelo voto necessariamente não é feita com base no desempenho do deputado. A escolha pode beneficiar um político devido a região que representa ou o grupo social do qual faz parte. É resultado ainda da articulação que o candidato tem com lideranças locais, sem contar que o cidadão é suscetível a realizações “paroquiais” .

A vitória com mais facilidade de alguns deputados que conseguiram alcançar melhor performance no parlamento, porém, é um alerta àqueles que assumirão o mandato em março de 2011. O fortalecimento da democracia e a presença mais constante da sociedade organizada dentro do legislativo pode aos poucos depurar os quadros políticos de São Paulo.

Vereadores bem avaliados conseguem se eleger, em SP

 

O desempenho dos vereadores-candidatos de São Paulo pode ser considerado bom se levarmos em consideração a votação deles na eleição desse domingo. Dos 17 que disputavam cargos de senador, deputado federal e deputado estadual, oito conseguiram se eleger, alguns com resultados bastante expressivos. A começar por Gabriel Chalita (PSB) que chegou a 560.022 votos, tendo a segunda maior votação na disputa para a Câmara dos Deputados, no Estado. João Antonio (PT) foi dos vereadores o mais bem votado para a Assembleia tendo conseguido 110.684 votos.

Na Câmara Municipal de São Paulo, vereadores pouco acostumados com o controle externo, costumam dizer que parlamentar bem cotado pelo Movimento Voto Consciente não se reelege. O resultado nesta eleição põe por terra esta bobagem.

Carlos Alberto Bezerra (PSDB) garantiu presença na Assembleia Legislativa com 107.837 votos. Ele havia sido o mais bem avaliado pela ONG em ranking apresentado há um mês com os vereadores-candidatos. Bezerra tirou a nota mais alta, 7,57. Aliás, seis dos nove parlamentares que tiraram nota acima de seis saíram vitoriosos. Enquanto entre os oito com pior avaliação, apenas dois conseguiram vaga: Marcelo Aguiar (PSC) e José Olimpio (PP) – eleitos muito mais pelos grupos que representam do que por seus trabalhos políticos.

Se Netinho de Paula (PCdoB) está lamentando a derrota para o Senado, mesmo com cerca de 7,7 milhões de votos, outros dois vereadores têm muito o que comemorar, apesar de não terem recebido um voto sequer. Antonio Carlos Rodrigues (PR), presidente da Câmara Municipal de São Paulo, elegeu-se primeiro suplente na chapa ao Senado com Marta Suplicy (PT); enquanto o vereador Milton Leite (DEM) foi capaz de eleger seus dois filhos: Milton Leite Filho (DEM) para a Assembleia e Alexandre Leite (DEM) para a Câmara dos Deputados.

Com o resultado da eleição, a Câmara Municipal abrirá vaga para oito suplentes. Antonio Carlos Rodrigues não precisará deixar o cargo. Caso tenha de assumir o lugar de Marta Suplicy, no Senado, bastará pedir licença sem remuneração, tendo direito de retomar ao legislativo municipal a qualquer momento.

Veja no quadro a seguir, como foi o desempenho de cada um dos veredores-candidatos, em São Paulo e confira a nota que haviam recebido do Voto Consciente:

Não basta votar, tem de controlar

 

 

Sujeira eleitoral

A senhora estava indo embora quando foi chamada pelo mesário:

– A senhora ainda não acabou ?

Ela demorou para entender o recado, voltou para trás do papelão do TRE, onde fica escondida a urna eletrônica, apertou mais algumas teclas. E nada do sinal de voto concluído soar. Demora daqui, chega outra pessoa ali e, na seção, já havia três a espera depois de mim.

O mesário resolveu dar mais uma força:

– Ainda “está” faltando votos.

– Como é que é ?

– Tem mais gente pra votar, senhora !

Trim, trim, trim. E na tela da urna eletrônica deve ter aparecido a palavra FIM. Ela tirou os óculos, colocou na bolsa, e murmurou alguma desculpa qualquer para o mesário. Tipo: – “é muita coisa pra escolher”. Saiu dali meio constrangida, mas com a sensação de dever cumprido.

Entrei em seguida com a cola na mão, teclei em ritmo acelerado, com tempo de ver a foto do candidato e confirmar. Em menos de 1 minuto minhas escolhas estavam registradas.

Logo que deixei a escola, ainda impressionado com a qualidade (baixa) da sala de aula e o quadro-negro pichado, vi as pessoas saindo apressadas. Seguiam para um lugar que desconheço. Talvez a casa, um restaurante próximo, quem sabe tinham de trabalhar ou encontrar amigos e parentes.

Na calçada tropeçavam nos “santinhos” que se transformaram em uma praga nesta eleição. Foram jogados e espalhados desde a madrugada por gente sem escrúpulo nem respeito. Motivo de indignação de cidadãos que resolveram registrar as imagens da sujeira eleitoral em protesto.

Alguém me perguntou por que esta prática se acirrou neste ano.

Desconfio que seja resultado da dificuldade da maioria dos candidatos de se tornar visível ao cidadão. Com menos dinheiro em caixa, maior restrição na lei eleitoral e a indecisão do eleitor, partiram para o ataque da maneira mais suja (do ponto de vista da poluição ambiental) na tentativa de ter seu nome ou número lembrado.

A escolha de última hora nos votos para o parlamento, em especial a deputado estadual e federal, é comum. Além de provocar decisões de qualidade duvidosa, costuma ser tomada sem comprometimento. Ou seja, a ligação com o candidato é pequena e mal se sabe o que ele é (in)capaz de fazer. Amanhã ou daqui a pouco,

Lembrei da senhora que havia votado antes de mim. Ao contrário do que deve ter imaginado, o dever ainda não estava cumprido. A etapa mais complicada começa em seguida quando teremos de estender nosso papel de cidadão à fiscalização dos parlamentares.

Somos responsáveis pelo voto que demos. E, portanto, temos a obrigação de controlar os políticos que elegemos para que eles não nos controlem.

Você é responsável pelo seu voto

 

A caminho da urna, você será assediado por dezenas de cabos eleitorais e, talvez, ouvirá sugestões de última hora do amigo que encontrar na seção. Caído na calçada ou ilegalmente colado no poste, haverá “santinhos” espalhados com a cara e o número de gente nem tão santa assim. Ter seu voto influenciado por este ataque na reta final não é bom indício.

A sua escolha tem de ser feita com antecedência. Com tempo suficiente para pensar sobre os critérios que o levam a votar neste ou naquele candidato e partido. É preciso ter consciência de que o seu eleito ficará ao menos quatro anos no Executivo ou Legislativo, e se for um senador, terá oito anos de mandato.

A lista de candidatos eleitos a ser anunciada sabe-se lá quando, devido a insegurança jurídica proporcionada pelo parlamento e pelo judiciário, é resultado da sua decisão e da sociedade, também. Portanto, não adianta reclamar de “tudo isso que está aí” se no momento do voto, você escolhe qualquer um “porque são todos iguais”.

Quanto mais você é convencido pelas ideias que estão entre aspas no parágrafo acima, mais os mesmos se perpetuam no poder. Beneficiam-se aqueles que apostam no cenário nebuloso da política brasileira para garantir sua cadeira no parlamento, de onde se esforçarão para manter tudo como sempre esteve.

Se você acredita na necessidade de mudança, comece pela maneira de escolher seu candidato. Pense bem antes de teclar o número dele na urna eletrônica. Reveja seus conceitos, repense os critérios usados até aqui, informe-se sobre os compromissos que ele assumiu durante a campanha, e o comportamento que teve quando assumiu algum cargo público.

Os meios de comunicação, tradicionais e digitais, têm oferecido uma série de fontes para que você saiba um pouco mais sobre o seu candidato. O pessoal da igreja que você frequenta, os amigos do clube, a turma do escritório e os parentes também podem ser consultados em caso de dúvida.

Saiba, porém, que diante da urna a decisão é única e exclusivamente sua. Não desperdice a oportunidade conquistada por aqueles que lutaram em favor da democracia no Brasil. Não se deixe levar pela propaganda mais legal ou de última hora; pelas promessas baratas ou campanhas caras; pelas carinhas bonitas ou corpos esculturais; pela fama da personalidade ou má-fama do personagem.

Você é responsável pelo seu voto e, portanto, valorize este ato.

Ouça entrevista com Gilberto de Palma, diretor do Instituto Ágora em Defesa do Eleitor, sobre a campanha do Voto Responsável

Se quiser mais sites para ajudar na sua escolha, clique em “Internet ajuda a escolher seu candidato”