Estamos perdendo de 4×1 em produtividade

 

Carlos Magno Gibrail

 

Metalurgica-Eberle

 

Um trabalhador americano vale por quatro brasileiros. É o que retrataram na Folha de domingo, Claudia Rolli e Álvaro Fagundes em oportuna matéria sobre produtividade trazendo os resultados de estudo do Conference Board.

 

O Conference Board, entidade norte-americana, pesquisou 1200 empresas públicas e privadas de 60 países para comparar o PIB per capita da mão de obra. Este trabalho é realizado desde 1950 e apontou que neste período tivemos uma melhoria em 1980, mas voltamos ao patamar inicial.

 

unnamed

 

Autoridades especializadas foram consultadas e relataram os seguintes fatores causadores desta situação: carga tributária, riscos cambiais, juros altos, poucos acordos de livre comércio dificultando o acesso a bens e serviços inclusive os de maior tecnologia, dificuldades burocráticas ao acesso de professores, técnicos e cientistas estrangeiros para trabalhar aqui, e mobilidade urbana caótica. Enfim, todos, fatores emanados do poder público, enquanto as empresas nacionais oferecem em média 30 horas de treinamento ano, e o americano recebe 120 a 140 horas.

 

Da parte do trabalhador, tanto o intelectual quanto o operacional, é preciso uma revolução cultural, pois hoje, não se identifica uma responsabilidade social e civilizada. A nossa cultura não valoriza aspectos essenciais como pontualidade, respeito aos horários, e aos menores detalhes organizacionais. Compromissos são desmarcados, horários não são cumpridos, superiores são inacessíveis. Tom Peters, renomado autor corporativo, disse aqui em palestra que o executivo brasileiro não atende telefone, e ligou na hora para o Fred, dono da Fedex, e o próprio Fred atendeu.

 

O baixo nível de leitura, talvez explique que a média dos nossos anos de estudo seja de sete, enquanto os americanos ficam de 12 a 13 anos na escola. Ou, será que é ao contrário? E, olhe que as escolas não exigem pontualidade e liberam celulares e computadores em sala de aula.

 

Haja produtividade!

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Mundo Corporativo entrevista Mário Sérgio Cortella sobre trabalho, liderança e ética

 

 

A busca por um propósito é o melhor caminho para você enfrentar os desafios do ambiente de trabalho, com mais prazer e menos estresse. Essa é uma das recomendações do filosofo Mário Sérgio Cortella, entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. “Todo esforço intenso gera cansaço, o que causa estresse é o esforço sem sentido”, diz Cortella, que também é comentarista do quadro Academia CBN, que vai ao ar no Jornal da CBN, de segunda à sexta”. Além de trabalho, Cortella fala, também, sobre liderança e ética.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas,no site da rádio CBN: CBN.com.br. Os ouvintes podem participar com e-mails para mundocorporativo@cbn.com.br e para os Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a participação de Paulo Rodolfo, Carlos Mesquita e Ernesto Foschi.

Premissas do passado norteiam o novo Plano Diretor

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

14609762030_a6f5994f17_z

 

Tomando a mobilidade como uma das metas principais a serem alcançadas, autores e apoiadores do Plano Diretor têm usado argumentos fora de conexão com a atualidade.

 

Uma das premissas é que o Plano possibilitará a criação de moradias e empregos dentro do mesmo bairro, evitando que os moradores cruzem a cidade para ir de casa ao trabalho. Por isso será permitido o adensamento residencial e comercial. Ora, hoje as pessoas mudam de emprego várias vezes no transcurso de seu período de trabalho, e continuam no mesmo endereço.

 

A outra premissa é que os corredores comerciais propostos ajudarão na diminuição da mobilidade, pois fornecerão produtos aos moradores da região, evitando que se desloquem para fazer compras. Sem contudo interferir na qualidade da região. Premissa tão falsa quanto a primeira, pois está baseada no passado. Hoje, o pequeno varejo de cadernetas de fiado, deu lugar a formatos que irão perturbar as características ambientais, além de não se sustentarem com a clientela de vizinhança. Haja vista, que serão permitidas operações de 500 a 1000m2 de área.
Ao mesmo tempo em que o Plano Diretor considerou o passado para justificar a melhoria da mobilidade, desrespeitou o passado das zonas de preservação, colocando nelas novos corredores comerciais. Estas, embora pequenas em proporção ao tamanho da cidade, pois apenas ocupam 3,8% do território de 1500km2, serão totalmente descaracterizadas. Terão redução na importante função de equilíbrio ecológico que prestam a São Paulo.

 

Uma simples examinada no mapa proposto dá a dimensão do estrago que os corredores comerciais farão dentro destas áreas preservadas. Em avenidas onde hoje estão localizadas parcialmente áreas comerciais, o Plano abre corredor comercial em toda a extensão. Em outras ruas estritamente residenciais, o Plano permitirá comércio total. Um ataque tão intenso que precisará de “Super-heróis”. Neste caso, urbanistas de méritos.

 

Por ordem alfabética: Cândido Malta, Heitor Marzagão, Ivan Maglio, Lucila Lacreta, Luiz Carlos Costa, Regina Monteiro, Sergio Reze.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: na placa tinha meu nome e o caminho para o trabalho

 

Carlos Sereno nasceu em Santo André, SP, em 1947. Filho de pais espanhóis é fruto do segundo casamento de seu pai. Cresceu no bairro Vila Metalúrgica, onde brincava de jogar futebol com os amigos nos terrenos baldios. Passou por vários empregos e, depois de casado, voltou a estudar, terminando a faculdade de Educação Artística. Começou a trabalhar como voluntário na Associação “Viva e Deixe Viver”, contando histórias para crianças em hospitais de São Paulo. É professor de artes no ensino fundamental.

 

Em depoimento ao Museu da Pessoa, Carlos lembra como o pai o ajudou a encontrar o primeiro emprego na empresa de engenharia e arquitetura na qual ele já trabalhava. Carlinhos tinha apenas 12 anos:

 

 

Carlos Sereno é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa, onde você também pode deixar registrada a sua memória. Marque entrevista em áudio e vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.com.br. Ou mande suas lembranças da nossa cidade em texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Ricardo Karpat ensina a melhorar as chances de emprego

 

 

“O currículo é uma flecha para atingir o alvo, quanto mais pessoas tiverem contato, mais chances de você ser notado no mercado de trabalho”. A opinião é de Ricardo Karpat, da Garbor RH, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ele lembra que o currículo ainda é uma peça importante na busca por emprego, especialmente em cargos que não sejam de diretoria, por isso deve ser tratado com muito cuidado pelos candidatos. Especialista em recrutamento profissional, Karpat também sugere o uso do Linkedin, rede social profissional, que tem sido bastante consultada pelas empresas na busca de profissionais capacitados a preencherem as vagas disponíveis.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, às quartas-feiras, 11 horas, no site da Rádio CBN (www.cbn.com.br), e você participa com perguntas para o e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, a partir das 8h10, no Jornal da CBN.

Trabalhando o trabalho

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Se existe algo que a cultura brasileira ainda não conseguiu lidar de forma clara é o tratamento dado a designação do trabalho. O emprego, por exemplo, é algo altamente positivo, artigo dos mais raros e desejados no mundo contemporâneo, mas “empregado” é um termo que tem sido relegado e negado. Estar empregado é o objetivo do cidadão, mas o que se verifica é que se faz uma ginástica e tanta para não chamá-lo de “empregado”. A não ser quando se trata de trabalho doméstico sem qualificação. Outro aspecto, nesta mesma linha de raciocínio é o preconceito do uso da palavra “funcionário”, tão evitada quanto “empregado”. Talvez uma dissonância cognitiva generalizada, pois ter uma função na organização que se trabalha e, portanto, ser “funcionário” é uma referência e, até mesmo, uma deferência. Entretanto são criados sinônimos às vezes esdrúxulos, tais como colaboradores, assessores, consultores, etc.

 

As incongruências não param por aí. Por exemplo, a palavra vendedor, que define de forma clara e objetiva uma das mais antigas e importantes funções profissionais, que é a função de vendas, é substituída por assistentes de atendimento, consultores técnicos, executivos de negócios, etc.

 

Existe, portanto, um evidente descompasso, que provavelmente ainda é resultante dos fatos que marcaram a relação de trabalho em nosso país desde a colonização. No convencional dissimulamos a especificidade do termo inerente ao trabalho, no excepcional intensificamos e perenizamos os eventos chocantes. Como os casos das denúncias de trabalho escravo na indústria que tem deixado um incômodo legado às marcas envolvidas. Quer sejam culpadas ou absolvidas. A Nike, para citar uma das pioneiras, acusada há anos, ainda é lembrada do fato toda vez que surge seu nome, embora tivesse superado o problema, também há anos. Hoje nas bancas há um artigo na Veja sobre a vinda da GAP, trazida pela brasileira GEP, ambas com acusações superadas. Entretanto, mesmo com o foco de Negócios e criteriosa, a matéria não deixou de citar tal envolvimento. Menos mal que tenha informado os dois lados, o da acusação e o da absolvição, o que já é um progresso.

 

O retrocesso ficou mesmo por conta do jornalista Leão Serva, que acusou o SPFC de “tráfico de escravos”, porque criou e exportou Hernanes, Oscar e Lucas. Esse último “traficado” por 116 milhões de reais, na maior transação do futebol brasileiro. E todos por vontade própria. O que prova a inabilidade brasileira ao lidar com a designação do trabalho.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Mundo Corporativo: estratégias para uma transição sem crise

 

“A mudança é tudo aquilo que vai acontecer externamente na vida do indivíduo; e transição, aquilo que vai precisar acontecer de transformação dentro dele: valores, crenças, hábitos. E essa é a parte mais difícil para viver, tanto quando você tem de se transformar dentro da mesma empresa, como quando você vai de uma para outra empresa. As pessoas não resistem tanto a mudanças, resistem mais a transição”. É o que diz o consultor Rogério Chér, autor do livro “Todo novo começo surge de um antigo começo” (Editora Évora), em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, na qual apresenta estratégias que podem ajudar o profissional a enfrentar processos de transformação.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, às 11 horas, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internatuas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN.

A burocracia da nova lei das domésticas

 

Fumar é perigoso

 

De volta às novas regras para as domésticas, que serão promulgadas nessa terça-feira, pelo Congresso Nacional. Recebi mensagem do advogado e contador Valmir Jerônimo dos Santos, na qual demonstra preocupação em relação a burocracia gerada pela proposta de emenda constitucional aprovada por deputados e senadores. Reproduzo a seguir a mensagem com algumas das sugestões que faz para que a relação patrão e empregado doméstico seja a mais saudável e produtiva possível:

 


Estou muito feliz pela conquista da categoria, pois, agora as nossas domésticas (os) do Brasil possuem os mesmos Direitos dos demais trabalhadores. Afinal de contas qual a diferença nos serviços realizados? A resposta é: nenhuma diferença. Praticam horário determinado, subordinação, remuneração, dedicação a sua atividade como qualquer outro trabalhador, portanto, chegou tarde o reconhecimento para essa grande classe de trabalhadoras e trabalhadores. Quando faço referência no texto ao masculino, é porque existem várias atividades exercidas por homens, e, assim, sendo considerados empregados domésticos, os quais foram beneficiados também pela Lei.

 



Mas uma questão importante e que está passando despercebida pela mídia em geral, é o fato que antes de aprovar esta medida, o governo precisa pensar em propostas para desburocratizar a forma com que os benefícios serão tratados pelos empregadores. Pois bem, dar garantias como Seguro-Desemprego, Multa do FGTS, etc, no atual sistema, quer dizer que o empregador doméstico, que pode ser uma Dona de Casa da classe média, terá que ter conhecimentos técnicos para elaboração da GFIP, RAIS, compensação de GPS, possuir certificado digital (e-CPF), etc, ou seja, quase impossível de se fazer.

 



Claro que na minha condição de contador, admito que será vantajoso para os profissionais, porque os empregadores terão que nos contratar para fazermos este trabalho, ou seja, fazer a folha de pagamentos de domésticos. Isso significa mais um custo extra que não está sendo computado no resultado final da lei, acredito ser um reflexo negativo que pode gerar um aumento da informalidade para a classe.



 

Um grande abraço.

 




Valmir  Jerônimo  dos Santos


 


Sobre a nova lei:

Governo desonera empregador empesarial e onera, domiciliar

Novas regras, novas músicas para as domésticas

Novas regras, novas músicas para as domésticas

 

 

A aprovação das novas regras para as empregadas domésticas causaram enorme polêmica e uma série de dúvdas, parte delas tiradas durante a apresentação do Jornal da CBN. A mudança nos inspirou, também, a produzir a charge eletrônica de encerramento do programa que ganhou um toque especial com Paschoal Junior e Thiago Barbosa, sempre dispostos a aprontar para cima do Clésio Botelho. O resultado foi tão bom que recebi, por e-mail, pedidos para reproduzir o fim do jornal, o que faço agora neste post.

 


Ouça o encerramento do Jornal da CBN, desta quarta-feira.

Congresso desonera empregador empresarial e onera domiciliar

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

As brasileiras idosas, as de classe média, as que conseguiram cargos executivos, todas dependentes do trabalho das empregadas domésticas, certamente não eram o alvo da comemoração no Senado, no dia 21 (e na noite de ontem), ilustrada pelo abraço da ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, com a deputada Benedita da Silva. E pelas homenagens ao ex-senador Carlos Bezerra PMDB MT, autor da PEC que obteve 76 votos na segunda instância. Unanimidade que não deixou dúvida para a aprovação e consequente promulgação, pois mudança na Constituição não precisa de aval da presidente.

 

O importante momento, embora exagerado pelo senador Randolfe Rodrigues PSOL PI, que avaliou como “a segunda abolição da escravatura”, abria caminho para a igualdade total entre o trabalho doméstico e o corporativo. As mulheres festejadas eram as empregadas domésticas. O “animal em extinção” previsto por Delfim Neto acabara de receber o benefício do FGTS, da multa de 40% na demissão, limitação de 44hs de serviço semanal, horas extras remuneradas, e licença maternidade de quatro meses.

 

Curiosamente, no dia 26 de fevereiro, este mesmo Senado aprovou a MP 582/12 do relator Marcelo Castro PMDB PI que desonera a folha de pagamento de 40 setores empresariais, e não exige a manutenção dos empregos por parte das empresas. Sem entrar no mérito da PEC e da MP, é indecifrável a razão das duas antagônicas aprovações. A MP reduz impostos das empresas, enquanto a PEC legitimiza os mesmos impostos para os domicílios.

 

A MP já está sendo implantada e o ministro da fazenda sinaliza que irá continuar desonerando impostos. E a PEC do emprego doméstico, como será efetivada? Envolve contabilidade e legislação que o cidadão comum pode não ter acesso. De outro lado a fiscalização, necessária para o cumprimento da lei terá que considerar sete milhões de trabalhadores em endereços residenciais. Será possível?

 

É realmente um momento histórico!

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras