Na Cracolândia, sem isenção e IPTU maior

 

Há quatro anos com a agência de publicidade funcionando na rua do Triunfo, 51, região rebatizada de Nova Luz, mas conhecida nacionalmente como Cracolândia, o empresário Eduardo El Kobbi ainda espera receber as isenções de impostos prometidas pela prefeitura de São Paulo. Não apenas os benefícios prometidos pela prefeitura não chegaram, como foi surpreendido, nesta semana, com o valor do IPTU que aumentou 45% em relação ao ano anterior.

Apesar de se considerar um otimista e ainda acreditar que o projeto Nova Luz vai se concretizar, Eduardo El Kobbi, da Fess Kobbi, disse que
“eles (a prefeitura) estão perdidos”.

Ouça a entrevista de Eduardo El Kobbi ao CBN SP

Do banco dos tribunais aos do ônibus (II)

 

Por Adamo Bazani

Advogado troca o terno e a gravata pela graxa das garagens de ônibus e se diz realizado, na segunda parte da história sobre o empresário Aroldo de Souza Neto, 32, de Mauá, no ABC Paulista.

Se na época, quando conseguiu comprar o primeiro ônibus, Aroldo pensou que acabara de vencer um grande desafio, não sabia o que o esperava. “Eu sempre gostei de ônibus e meu sonho era esse. Mas na prática, vi que atuar nesse ramo era muito mais difícil”.

Aroldo na garagemA manutenção foi o primeiro susto. Aroldo diz que manter um ônibus é muito caro e trabalhoso. Se num carro de passeio, itens como freio, suspensão, óleo de motor, etc são trocados a cada seis meses ou 15 mil quilômetros, nos ônibus isso deve ser feito praticamente toda a semana. Isso sem contar que os custos destas peças são bem maiores que em veículos convencionais.

“O diferencial, os freios e o preço dos pneus, que chegam a custar cerca de mil reais, quando radiais, me deram um baque, são um absurdo. Mas eu tinha contrariado tudo e a todos por este meu sonho. E por ele, deveria continuar”

Mais uma vez o velho empresário Osvaldo, que agregou o ônibus de Aroldo,  e outro empresário do setor, Carlos Roberto Gritz, dono da locadora GTZ, com o qual trabalhou, passaram outra lição importante: empresa de ônibus tem de ter estrutura de emergência, de manutenção. Existem peças de reposição que não podem faltar numa garagem e até mesmo dentro dos ônibus.

A lição é importante principalmente para pequenos empresários que, normalmente, não tem carros de reserva e compram no varejo, mais caro. Os passageiros, no caso clientes de fretamento, querem chegar ao seu destino, não querem saber de peça de ônibus.

Aroldo lembra de um episódio enfático, que representa bem isso. Em 2006, com seu O 371 R, ex-Firenze, foi fazer um fretamento para um grupo religioso, saindo do ABC para Ibiúna. Chegando lá, um dos pneus traseiro estourou.

“O susto foi grande, o ônibus balançou muito e fez um estrondo enorme”.

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Baltazar: um sonho, uma foto e 3 mil ônibus

Por Adamo Bazani

Baltazar e o ônibus
Baltazar, de gravata, com um de seus primeiros ônibus, carroceria Ciferal, Mercedes Benz

Quem via o menino de cinco anos freqüentando todo o dia uma garagem de ônibus na região de Patos de Minas, em Minas Gerais, jamais imaginaria que ele se tornaria um dos maiores empresários do País. Atualmente, dono de cerca de 3 mil ônibus em sociedade com outros empresários, em 20 viações, Baltazar José de Souza, 62 , teve sua vida, desde a infância, dedicada ao transporte, por necessidade e paixão.

Paixão porque era bem tratado na pequena garagem de ônibus que freqüentava e ajudava a varrer, limpar peças e organizar papéis.

Necessidade pois aos oito meses perdeu o pai, a mãe se transformou em chefe de família e ele e os quatro irmão se viram obrigados a pegar pesado desde cedo.

Além de frequentar a garagem, onde às vezes ganhava um troquinho ou uma ajuda e às vezes nem um obrigado, Baltazar trabalhou de  ajudante de caminhão, no carregamento de carga, aos 10 anos.  Quando adolescente, vendeu arroz e outros produtos agrícolas, boa parte da produção plantada e colhida pela família, desde São Paulo até o Pará. Ele não pode estudar por muito tempo e brincar era luxo.

Na mente, porém, a certeza de que deveria ajudar a família e seu negócio teria de ser com transportes: “Eu sentia na pele a dificuldade para ganhar cada centavo. E não esbanjava dinheiro. Não comprava pra mim nada além do necessário e guardava todo o pouquinho dinheiro que sobrava”. Ainda em Minas Gerais, Baltazar, com 13 anos fazia de tudo na garagem de ônibus da antiga Viação São Cristóvão. Lá,  teve a oportunidade de conhecer toda rotina de uma empresa de transportes.

“Minha área de atuação era o País. Prá mim não tinha distância e dificuldade. Com 16 anos, em 63, soube que uma empresa estava quebrada em Cáceres, decidi arriscar todas minhas economias e comprei a viação, coincidentemente chamada de São Cristóvão, o mesmo nome da empresa que eu freqüentava com cinco anos de idade e que eu trabalhei na adolescência e aprendi um pouco de tudo sobre o setor” – conta Baltazar.

Os ônibus velhos faziam a linha Cáceres – Cuiabá. Foi a prova de fogo para Baltazar. Ele fala que nem dava pra dizer que as condições das estradas eram ruins na época, porque praticamente nem estrada existia. “Eu tinha de saber de mecânica, administração e direção. Tinha vezes que não dormia por três dias seguidos. As viagens eram demoradas e em praticamente todas os veículos quebravam. A região Centro Oeste do Brasil foi meu berço como empresário”.

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