O espetáculo não pode parar?

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

  

 

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Tales Cotta em desfile na SPFW foto: Instagram

  

 

Há 25 anos, Ayrton Senna abandonava a corrida em Imola para falecer no hospital. A corrida não foi interrompida, afinal a F1 é o espetáculo em que a convivência com a morte é real. E a morte não foi espetacularizada. A espetacularização veio pelo carisma internacional de Senna e pela paixão nacional que despertava no Brasil. Foi natural. Um fenômeno de popularidade.

  

 

Há 5 dias, na passarela da SPFW, o modelo Tales Cotta saiu do desfile da OCKSA após ter caído na passarela para o hospital. A direção da marca continuou a apresentação, sem alarde. A seguir, às 18h50, veio a informação à direção do SPFW que Cotta tinha falecido, às 18h40m.

  

 

Paulo Borges, diretor da SPFW, evitando a espetacularização da morte do modelo tomou a decisão de continuar com o evento. E decisão tomada após consulta com as pessoas envolvidas nas duas marcas que deveriam seguir com o espetáculo. Entretanto, a espetacularização começou pelas mídias sociais em seu ritmo característico:

“Via o evento fora do mundo tóxico da moda, mas era ilusão”
 

 

“Chega a ser macabro, desfilando no mesmo espaço do morto”
 

 

“Dinheiro e aparência é mais importante que uma vida”

O auge coube ao cantor Rico Dalasam que contratado para atuar no desfile da CAVALERA, o último desta edição do SPFW, exaltado, disse:

“Não era para ninguém estar aqui. O garoto acabou de morrer e vocês estão aqui como se a vida não valesse nada. Enquanto os vivos não lamentarem a morte dos negros, dos brancos e da humanidade das pessoas, a agonia vai estar no travesseiro de todo mundo agonia no travesseiro de todo mundo”

O contraponto veio da mãe do modelo, Heloísa Cotta.
 

 

Paulo Borges, em sua mensagem pela internet, destacou a compreensão e o apoio da mãe de Cotta na relação que mantiveram durante os momentos difíceis que vivenciaram — o que pode ser constatado no Instagram em que a OCKSA se desculpa por ter continuado o desfile e a mãe deixou registrado o seu pensamento:
 

 

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Os desfiles de moda que servem como centros de evolução da moda têm alguma similaridade com a F1 que é um contribuinte para a evolução do automóvel.
 

 

Assim como na F1, que progride na segurança dos pilotos estudando inclusive os acidentes, a MODA precisa tomar esse episódio de Cotta e checar as condições físicas e emocionais dos modelos, cuja atuação exige muito equilíbrio pela carga de exposição e emoção.
 

 

Em resposta a enorme quantidade de críticas contra a MODA, ressalto que a MODA é um raro produto que não corre risco de extinção. As funções psicológicas, sociais e econômicas não podem ser ignoradas. Os players de sucesso são, por obrigação do mercado, pessoas que se preocupam com as pessoas.
 

 

Paulo Borges em sua explanação reafirmou com categoria esta convicção:

”Estou na MODA pelas pessoas e não pelas ROUPAS”

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: bela vitória e um ótimo show, mas não dá pra relaxar

 

Grêmio 3×1 Avaí
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Música e futebol voltaram a se misturar no meu fim de semana e acabei distante do Grêmio, sábado à noite, para acompanhar o penúltimo dia de shows no Rock In Rio, que comemorava 30 anos de edição. Eu havia estado por lá na primeira das grandes festas, em 1985, quando recém havia concluído a faculdade de jornalismo. Naquele tempo, nosso time já fazia parte da galeria dos maiores do mundo, com os títulos da Libertadores e do Mundial, anos antes. Foi também quando iniciamos a série do hexacampeonato gaúcho.

 

Dividi as apresentações, no Rio, com consultas ao meu celular, por onde recebia as informações do desempenho gremista, em Porto Alegre. Desta vez, o aglomerado de pessoas e, por conseguinte, de celulares estreitou a banda e impediu que eu conferisse o jogo pelo APP do Premier. Quando Giuliano abriu o placar, após mais uma boa troca de passes que se iniciou por Galhardo e Pedro Rocha, e praticamente selou a vitória com o segundo gol, com menos de meia hora de jogo, já havia curtido velhos ídolos de balada: Ultraje a Rigor e Erasmo, no palco Sunset, e Lulu Santos, que abriu os trabalhos no palco Mundo com um show dançante.

 

Lá de Porto Alegre, soube da façanha de outro velho ídolo: Andre Lima, que nunca nos fez morrer de paixão pelo talento, mas sempre se fez admirado pela maneira como se entregava pelo Grêmio. Em lugar de comemorar o único tento adversário, o que seria mais do que justificável, afinal está prestando serviços para outra camisa, preferiu homenagear o torcedor gremista sinalizando com as mãos o histórico placar de 5×0.

 

Os australianos do Sheppard não entusiasmaram nada na sequência das apresentações na Cidade do Rock, por mais que tenham se esforçado para ganhar o coração da galera. Em compensação, de Porto Alegre, sou avisado de que um outro estrangeiro acabara de dar um show com um chute incrível de perna esquerda: Maxi Rodriguez, que vinha devendo o bom futebol que se espera dele, pude conferir depois nos melhores momentos, fez a bola subir o suficiente para encobrir todos os jogadores que estavam dentro da área e descer o necessário para cair dentro do gol, fora do alcance do goleiro.

 

O Grêmio fez a lição de casa e deu mais um passo em sua paciente caminhada ao topo, e me deixou tranquilo para assistir às duas apresentações que realmente valiam o ingresso no Rock In Rio naquela noite: Sean Smith e Rihanna. Bem verdade que, quando o show estava no auge, passou ao meu lado um fã de Smith vestindo a camisa do Fluminense e logo me veio a cabeça a ideia de que por melhor que esteja a festa não dá pra relaxar.

Avalanche Tricolor: do Grêmio de Roger ao show de Rod Stewart

 

Palmeiras 3×2 Grêmio
Brasileiro – Pacaembú/SP

 

RodxRoger

 

As atenções estavam divididas, e não menos intensas, entre dois estádios paulistanos, na noite de sábado. Em um, o Grêmio levaria a campo as forças que lhe restaram até aqui, depois de longa maratona para sustentar-se entre os três primeiros colocados do Campeonato Brasileiro – privilégio de poucos, registre-se. Em outro, Rod Stewart elevaria-se no palco com a energia de quem resistiu a chegada dos 70 anos, mesmo após carreira em que hits e drogas foram produzidos e consumidos quase na mesma proporção.

 

Mesmo que a distância entre o Pacaembu e o Allianz Parque, ambos na zona Oeste de São Paulo, seja curta, seria logisticamente impossível assistir aos dois shows na mesma noite sem abrir mão de parte de um deles. Decidí-me por acompanhar o Grêmio, ouvindo a transmissão da CBN ou vendo alguns lances no APP do Premier, conforme permitisse o sinal da minha operadora de celular.

 

A Rod Stewart, dediquei o restante da noite, em uma cadeira da arquibancada superior da Arena que me dava o privilégio de ouvir mais do que ver. Um telão posicionado em um dos lados do palco oferecia imagens detalhadas do ídolo dos anos 70/80, que me fez perceber que o tempo deixou marcas, mas totalmente superadas pelo talento.

 

Lá no Pacaembu, as marcas do tempo eram claras na formação da equipe sem seis de seus principais jogadores, sendo três deles, Grohe, Geromel e Giuliano, insubstituíveis. Nessa lista de ausência, é sempre bom lembrar, havia ainda Maicon, o titular na frente da área, e Edinho, seu reserva direto. Galhardo também estava fora. Lesões e cartões pesaram neste jogo contra adversário que vem forte na competição e precisava da vitória para se manter vivo nela.

 

Mesmo diante de tantos desfalques, o Grêmio de Roger manteve-se fiel a sua forma de atuar, sem negar-se a jogar futebol de qualidade, mantendo o domínio da bola, apesar da dificuldade para fazê-la chegar ao gol, e marcando no campo ofensivo – foi assim que saiu o gol de empate. Contou ainda com o talento de Luan que fez os dois gols gremistas. Para ter sucesso, porém, o time de Roger necessitava de precisão na defesa, o setor que se mostrou mais fragilizado pelas ausências.

 

No Allianz Parque, Rod Stewart surpreendia com tanta disposição para repetir as músicas que marcaram diferentes etapas da nossa vida – da minha, com certeza. A voz rouca, que se temia ser perdida após cirurgia, estava de volta para embalar “Tonight’s the Night” e “It’s a Heartache”, e emocionar com “Have You Ever Seen the Rain?”, de Creedence Clearwater Revival, “Forever Young”, “Sailing” e “Da Ya Think I’m Sexy”. Havia, também, referências ao futebol com imagens do Celtics (ironicamente verde e branco) e bolas autografadas que o músico chutou para o público. Aliás, para um “senhor”de 70 anos, a força do chute também chamou atenção, apesar de as moças terem se entusiasmado mais com o rebolado.

 

Rod Stewart, no palco, mostra porque é eterno e nos emociona. Roger, no Grêmio, se lhe derem tempo, consolidará um estilo de futebol capaz de provocar muitas emoções ainda.

Moda & Trabalho: o inverso do espetáculo

 

Carlos Magno Gibrail

 

Sewing and cutting of cloth (all women), 1936

 

Em 1930, a cidade de New York, centro mundial da indústria de confecção, começou a receber os reflexos da nova tendência da moda, que passava a enfatizar o design e o comércio em sua cadeia operacional. A Produção perdia importância estratégica a ponto de poder se dissociar do contexto. Corte, costura e acabamento, poderiam estar em outros locais, mais apropriados para um setor industrial. E, a costura, etapa mais intensiva de mão de obra passou a exercer forte papel social.

 

Em 1987, com 23 anos de atuação no setor de confecção, três anos de mestrado em Administração, e um ano estudando e atuando na sobrevivência das Pequenas e Médias Empresas de Confecção Infantil, apresentei a minha dissertação de Mestrado à PUC SP. Era o primeiro trabalho acadêmico focando empresarialmente o setor de moda, e ressaltava, genericamente, a importância das confecções brasileiras no aspecto corporativo e, especificamente, o trabalho feminino domiciliar das costureiras, apontando a sua inigualável função social.

 

Hoje o trabalho domiciliar, imprescindível às populações carentes, foi reduzido em parte pela melhoria das condições trabalhistas, que exigem registro e cumprimento das leis, que impossibilitam às pequenas oficinas se manterem devido aos baixos valores que recebem. Ao mesmo tempo, do lado oposto surgem locais que, ao descumprirem tudo, se viabilizam.

 

Para as Pequenas e Médias Empresas, as mudanças foram drásticas, pois muitas não sobreviveram às variações de mercado, outras foram incorporadas por grupos financeiros. Poucas cresceram. Ao traçar hoje, um quadro de sobrevivência para as Pequenas, Médias e Grandes empresas nacionais de confecção, fico apreensivo com a questão do trabalho industrial terceirizado. Segunda-feira, o Estadão publicou matéria sobre o trabalho escravo. O “Domínio do fato” teoria de 1930, usada para condenar nazistas e também “Mensaleiros”, está sendo cogitada para punir na ponta marcas de moda. Preocupa-me, pois relegar as oficinas e condenar as marcas na ponta, atende à espetacularização.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Pauta #cbnsp em 13.04.2010

 

Força Sindical na Paulista

Centrais sindicais promoveram passeata na avenida Paulista e se concentraram diante da sede da Fiesp com o objetivo de chamar atenção dos empresários para o projeto de redução da jornada de trabalho. A manifestação causou reflexos no trânsito da região. O repórter João Vito Cinquepalmi acompanhou o protesto. E a repórter Mônica Pocker que acompanhava o congestionamento, registrou a imagem.

Trânsito e transporte – A faixa reversível implantada na estrada do M’Boi Mirim, no horário de pico, não melhorou o transporte de passageiros na região. As promessas da prefeitura com o objetivo de aumentar a velocidade dos ônibus não tiveram efeito e causam irritação nos moradores. A repórter Cátia Toffoletto esteve no local e ouviu a história de trabalhadores que sofrem com a precariedade do sistema de ônibus.


Época SP na CBN –
O punk californiano do Agent Orange é destaque nesta noite em São Paulo. Nas dicas do Rodrigo Pereira outras atrações para a semana. Acompanhe aqui e se programe.