Avalanche Tricolor: de desalojados, desequilibrados e injustiçados

Grêmio 1×2 Botafogo

Brasileiro – estádio Kleber Andrade, Cariacica/ES

Du Queiroz arrisca de longe em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Pelo calendário oficial, ao Grêmio caberia o mando de campo na partida deste início de noite. Como é sabido por todos, estamos impedidos de jogar na Arena desde as enchentes de maio. E o retorno à casa não se dará antes de agosto. Até lá, seremos apenas um time de itinerantes, desalojados. 

O preço que pagamos é alto e jamais será coberto pelo milhão depositado na conta do Grêmio com a venda do mando de campo, que nos levou ao Espírito Santo, neste domingo. Além do acúmulo de jogos, devido a parada por cerca de 30 dias, e a disputa de partidas decisivas pela Libertadores, viagens incessantes têm causado desgaste extraordinário no elenco.

As dificuldades se somam a carência de substitutos, especialmente no comando do ataque. Mas não somente nesta posição. Verdade que esse é um problema que teríamos a despeito das ocorrências relacionadas à tragédia no Rio Grande do Sul. Enfrentar três competições, por si só, seria um desafio enorme e exigiria muita criatividade do comando técnico, diante do grupo de jogadores disponíveis. Com as atuais condições, os riscos se potencializaram. 

Estamos participando de um campeonato, e aqui me refiro ao Brasileiro, dos mais disputados do mundo. E somos obrigados a jogá-lo nas condições precárias que o destino nos proporcionou. Em um escancarado desequilíbrio técnico que até aqui prejudicou apenas a nós. Cabe ao Grêmio se resignar e reagir em campo recuperando-se com uma sequência de vitórias.

O que provavelmente os demais clubes não perceberam é que alguns deles também serão vítimas desse desequilíbrio. Porque haverá times que terão vantagem sobre os outros ao disputarem seis pontos contra o Grêmio sem precisar passar pela Arena — é o caso do Botafogo que com a vitória de hoje assumiu a liderança da competição. Considere nessa análise o fato de que, na temporada passada, foram especialmente os resultados obtidos em Porto Alegre que nos levaram ao vice-campeonato brasileiro. Nem todos os adversários, porém, serão submetidos ao fenômeno transformador que a Arena proporciona. E isso torna a disputa injusta.

Avalanche Tricolor: forjado no drama de uma enchente, o Grêmio saiu gigante da tempestade de Talcahuano

Huachipato 0x2 Grêmio

Libertadores – Talcahuano, Chile

O reconhecimento do time a performance de Marchesín. Foto:Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Há cerca de um mês, Diego Costa resgatava pessoas atingidas pelas enchentes do Rio Grande do Sul, e Caíque comandava um barco a remo em meio ao temporal, em busca de famílias ilhadas em suas casas. Assim como eles, outros jogadores gremistas se envolviam diretamente na ajuda de amigos, vizinhos, parentes e de toda gente que pudessem alcançar. Muitos deles se mobilizaram para arrecadar dinheiro e doações, atendendo às primeiras necessidades da população sofrida.

Na noite desta terça-feira, lá estavam todos embaixo de um temporal que não deu trégua ao longo de boa parte de um jogo que, por sua importância para nosso destino na Libertadores, já havia sido batizado de Batalha de Talcahuano, cidade da província de Concepción, no Chile. Não imaginávamos que seria no cenário que encontramos, só atenuado graças ao gigantismo do Grêmio.

Foi a dimensão de nossa história que mais uma vez nos levou à vitória e à classificação para as oitavas de final da Libertadores. Considerando os maus resultados nas duas primeiras partidas desta fase, os desafios fora de casa e, especialmente, a tragédia no Rio Grande do Sul, muitos de nós nos contentaríamos com o retorno às atividades. O Grêmio, não! O Grêmio sempre quer provar que é possível ir além.

Fomos além! Vencemos o Estudiantes fora de casa (às vésperas da parada pelas enchentes), goleamos o The Strongest no estádio emprestado do Couto Pereira e, ontem, superamos o Huachipato, em um gramado impraticável para o futebol.

Foi gigante Diego Costa ao superar o zagueiro dentro da área, após a cobrança de escanteio, ainda nos primeiros minutos da partida, para marcar seu gol de cabeça quando ainda era possível jogar futebol.

Foi gigante Marchesín, que fez uma sequência de defesas no segundo tempo, impedindo o empate e contendo a pressão do adversário quando só jogar futebol não bastava. Era necessário enfrentar poças d’água, lamaçal e bola desorientada pelo peso da chuva.

Foi gigante Kannemann, com a bravura eterna que marca sua trajetória com a camisa gremista. Não perdeu uma só bola jogada para dentro de nossa área. Desta vez, teve Rodrigo Ely à sua altura, zagueiro que tem revelado valentia e precisão no desarme, conquistando a confiança de um torcedor que se sente órfão diante da ausência de Geromel.

Foram enormes todos os demais que entraram em campo e garantiram a presença do Grêmio na Libertadores com uma rodada de antecedência, a despeito de tudo que estamos passando nestas últimas semanas.

Mesmo aqueles que, da casamata, inspiraram os colegas no gramado merecem nosso louvor. E aqui destaco o goleiro reserva Caíque — sim, aquele mesmo do barco a remo —, que vibrava, apoiava, dividia opinião com o técnico, e se fez presente em um jogo no qual estaria reservado a ele apenas um lugar entre os suplentes. Mas Caíque, assim como o Grêmio, não aceita ser coadjuvante, vai além!

Forjado no drama de uma enchente, o Grêmio saiu gigante e venceu a tempestade de Talcahuano.

Avalanche Tricolor: orgulho e cantoria, aos trapos e farrapos

Grêmio 0x2 Bragantino

Brasileiro – Couto Pereira, Curitiba/PR

Torcedor gremista no Couto Pereira, foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Eram mais de 60 minutos de jogo jogado e a narradora da Globo Isabelly Morais tascou um “a torcida do Coritiba (?) canta forte”. Ato falho de quem assim como a maioria de nós vivenciamos esta partida de futebol cercada pela estranheza. 

O time da casa não estava em campo; o time que tinha o mando do campo não estava em casa; e a maior parte da torcida que ocupou as arquibancadas veio de fora para apoiar seu time que não tem casa para jogar.

Quando ouviu a cantoria forte ressoando pelas arquibancadas do estádio Couto Pereira, em Curitiba, a narradora foi traída pela memória. Com sua voz sempre bem colocada, trocou Grêmio por Coritiba, sem perceber nem corrigir. Falha justificada: convenhamos, por que seriam os gremistas a cantar forte naquela “altura do campeonato” em que seu time perdia por dois a zero e pouco havia a fazer para desfazer o placar? Só se fossem loucos! Em tempo: somos.

As circunstâncias que levam o Grêmio a disputar sua segunda partida em três dias, após ter juntado seus trapos e farrapos nas enchentes do Rio Grande do Sul, seguiram a surpreender a promissora narradora de futebol da Globo. 

Quando o jogo se encerrava e o resultado estava sacramentado, o editor de TV cortou a cena para a arquibancada onde se concentravam a maior parte dos quase sete mil torcedores que foram ao estádio. Isabelly fez o que lhe cabia: na descrição da cena, disse que o torcedor gremista festejava. Mais não disse porque talvez não tenha entendido bem o que comemorávamos.

Que fique claro, caro e cada vez mais raro leitor, esta Avalanche não se escreve para criticar a narradora da boa safra de vozes femininas que surge no jornalismo esportivo brasileiro. Apenas usa-a como personagem para justificar como tem sido e ainda será estranha a nossa vida nos próximos três meses, ao menos —- foi a previsão mais otimista que ouvimos do presidente Alberto Guerra, em entrevista que se antecipou a partida desta tarde, em Curitiba. 

O Grêmio está condenado a levar seu mando de campo para um estádio distante do Rio Grande do Sul. Fez isso na decisiva partida pela Libertadores, na quarta-feira à noite, e conseguiu golear seu adversário e transformar o Couto Pereira em uma espécie de Olímpico Monumental redivivo. Deve repetir a façanha semana que vem contra o Estudiantes: se Deus quiser ainda com chances de classificação à próxima fase da competição. Dependerá de vencermos a batalha de Talcahuano, no Chile, na terça-feira.

Mobilizar seu torcedor e levar mais de 20 mil ou até 30 mil pessoas tão distante de Porto Alegre, muitos com dificuldades de transporte e infraestrutura para deixar o Rio Grande do Sul, é tarefa superlativa. Por isso, já se esperava menos pessoas na arquibancada do Couto Pereira, na partida deste sábado. Sabíamos que enfrentaríamos nosso adversário em condições de desigualdade. Em campo, teríamos de contar com reservas, recém reunidos para treinar e, portanto, pouco entrosados. 

Apesar deste cenário de esfarrapados e desabrigados, do qual somos protagonistas, a cantoria que confundiu a narradora e a festa que se fazia nas arquibancadas, registrada pelas imagens da TV, não era nem do time da casa, o Coritiba, nem do time que vencia a partida, o Bragantino. Era do Grêmio. Dos torcedores gremistas que reconhecem o esforço que fazemos para cumprir nossas obrigações no futebol.

Os torcedores gremistas cantávamos a vitória de estarmos de volta aos gramados e o orgulho de sabermos que, independentemente, das condições que nos submetam jamais fugiremos da luta. Mesmo que estejamos aos farrapos.

Avalanche Tricolor: vaga adiada para a Arena

Operário-PR 0x0 Grêmio

Copa do Brasil – Germano Krüger, Ponta Grossa/PR

Galdino tenta mais um ataque em foto de Dido/GrêmioFBPA

Em jogo de futebol escasso, as palavras escasseiam, também. Pouco se tem a dizer de uma partida em que o placar ficou em zero a zero. E a perfomance foi apenas a suficiente para deixar a decisão da vaga para a  Arena, em 22 de maio. 

Nesta estreia de Copa do Brasil, que tanto gostamos, assistimos a raros rompantes de futebol. Um tentativa aqui, outra acolá. De gol desperdiçado quase nada a lamentar. Talvez naquele ataque ao fim do primeiro tempo em que Diego Costa serviu Cristaldo dentro da área. De resto, pouca inspiração.

A boa da noite foi ver o esforço de Galdino pela direita. Mesmo que contestado, jogou acima do esperado. Já havia demonstrado sua utilidade no esquema gremista na vitória pela Libertadores. Hoje, foi além. Aproveitou o espaço que tinha, fez boas jogadas, driblou e tentou tabelar com seus companheiros. 

Os torcedores gostaríamos de sair de Ponta Grossa com a vitória tranquilizadora, sem dúvida. Especialmente aqueles que tiveram de pagar R$ 350,00 para assistir ao jogo no estádio. Mas a impressão que ficou é que havia um contentamento do time em fazer um jogo seguro e ciente de que a decisão da vaga à próxima fase da Copa será mesmo diante da torcida, na Arena.

Avalanche Tricolor: vergonha!

Vasco 2×1 Grêmio

Brasileiro – São Januário, Rio de Janeiro (RJ)  

Pênalti! Não para o árbitro. Foto: reprodução da TV Globo

“É uma vergonha. é muito ruim. Tivemos uma palestra com a arbitragem falando da regra e na primeira rodada acontece isso. Uma vergonha”

Mathías Villasanti

Com a braçadeira amarela de capitão no braço esquerdo, ao lado do campo, minutos depois de encerrado o primeiro tempo, Mathías Villasanti, em seu portunhol, recorreu a palavra que estava presa na garganta do torcedor gremista.

Vergonha!

Era esse o sentimento em relação a atuação do time até aquele momento. Totalmente dominado. Havia espaço no meio de campo. Marcação frouxa na frente da área. E perdendo sempre o rebote, por onde saíram mais dois gols de nossos adversários. O mesmo havia ocorrido no meio da semana, na Libertadores.

A renúncia ao jogo também era evidente no setor ofensivo. Somente trocamos passes depois do duplo revés que havíamos tido. Mesmo assim, não havia intensidade na troca de bola e, com isso, pouco chegávamos na área ao menos para ameaçar o gol adversário. Os dribles eram lentos facilitando a marcação. As bolas lançadas em direção a área geralmente não tinha destino certo.

Vergonha!

A despeito de tudo isso que incomoda o torcedor, afinal fomos acostumados a assistir a um time competitivo, e sabemos que estes jogadores que aí estão têm total capacidade de nos oferecer esse futebol que demandamos, haveria uma vergonha ainda maior sendo forjada em campo. 

Aos 42 minutos do primeiro tempo, dentro da área, Diego Costa tentou dominar e deixou a bola escapar em direção ao gol. Seu marcador travou a bola entre o braço direito e o corpo, antes de despachá-la para frente. O árbitro Flávio Rodriguez de Souza estava de frente para o lance e não assinalou o pênalti. O VAR lhe deu a oportunidade de corrigir o erro. Mesmo assistindo à jogada com detalhe na tela, persistiu. 

Diante do novo procedimento em que o árbitro é obrigado a explicar sua decisão nos lances em que é chamado pelo VAR, a emenda ficou pior que o soneto. Disse em voz alta que foi acidental, portanto não houve a intencionalidade do jogador em impedir a trajetória da bola Meu Deus! A maior parte dos pênaltis assinalados no futebol não é cometida porque o marcador tem a intenção: é imprudência, incompetência, desleixo, falta de jeito, é acidental! A intenção do jogador não estava em julgamento. Estava, sim, o movimento que fez dentro da área. 

Vergonha!

O prejuízo ao não assinalar o pênalti claro foi ainda maior porque percebemos que o Grêmio encontraria poder de reação no segundo tempo, mesmo voltando a campo sem seu principal artilheiro, Diego Costa. Sob o comando de Villasanti, acuou o adversário. Variou as jogadas. Driblou e trocou passes com mais velocidade e precisão. A entrada de Gustavo Nunes e Nathan Fernandes tornou o time mais perigoso no ataque. E, aos 22 do segundo tempo, chegou ao gol depois de um escanteio curto, com participação de Cristaldo e Cuiabano, que encontrou Gustavo Martins dentro da pequena área.

A derrota gremista não se traduz no erro crasso do árbitro. Erramos muito na partida de estreia do Campeonato Brasileiro. Será preciso consertar as falhas que tendemos a repetir jogo após jogo e refinar nosso potencial ofensivo para recuperar os pontos perdidos. A melhor notícia: os dois próximos jogos serão na Arena do Grêmio.

Em tempo: “ahim, mas você não falou do pênalti para o Vasco!”. Não falei mesmo, até porque aqui falo do Grêmio. Foi lance no segundo tempo que só reforça: uma vergonha!.

Avalanche Tricolor: antes do Tetra, foco no Hepta!

The Strongest 2×0 Grêmio

Libertadores – Estádio Hernando Siles, La Paz, Bolívia

Foto Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Era de se esperar pouco, considerando as condições que nos propusemos. Jogar a mais de 3 mil e 600 metros de altura por si só é complicado e poucos chegaram lá no alto e saíram com os três pontos – o que não significa que não seríamos mais um entre esses poucos se estivéssemos com time completo e mobilizado.

“Condenados” a disputar mais uma final de estadual quando deveríamos estar com as energias voltadas a Libertadores, fomos às alturas com time descaracterizado e sem sintonia. 

Desta vez, é injusto culpar o treinador pela decisão. Alguém se atreveria a correr o risco de expor os titulares ao cansaço, desgaste físico e até lesões estando a um passo do Heptacampeonato Gaúcho? Talvez quem goste de palpitar do conforto de seu sofá (calma, eu também sou palpiteiro de sofá).

Àqueles que estão no comando da equipe cabe a responsabilidade de equilibrar o elenco diante dos compromissos assumidos. E avaliar o impacto que esse esforço de jogar duas partidas decisivas no Brasil e mais um desafio de Libertadores na extrema altura pode ter nos atletas, não apenas para esses jogos mas para o restante temporada. 

Já perdemos jogadores importantes no início deste ano e não podemos nos dar ao luxo de deixá-los fora das demais partidas que vem pela frente. Lembrando que depois do Gaúcho, além da Libertadores, tem Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil.

A despeito disso tudo, e da baixa expectativa, a impressão que ficou é que o time desajustado de ontem à noite, poderia ter tido mais sorte. Surgiram algumas chances para empatar a partida, o que seria lucro. Porém, a defesa mal posicionada, o meio de campo pouco articulado e o ataque sem precisão nos puniram e impediram de somar ao menos um ponto nesta estreia. Recuperar-se nas próximas rodadas será fundamental para reduzir os riscos de não avançar na Libertadores, o que seria um desastre. Antes, porém, de pensar no Tetra vamos focar no Hepta!

Avalanche Tricolor: só o Grêmio para fazer minha Porto Alegre!

Grêmio 3×2 Caxias

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Se haveria uma noite para voltar à minha Porto Alegre a noite seria a de hoje. Que maravilha de noite seria esta ao lado dos amigos que lá deixei. 

Inspirado na poesia de Mário Quintana, poeta querido da minha cidade, andaria pelas ruas encantadas que nem em sonhos sonhei. E pelas ruas que passaria, cantaria em voz alta a alegria de amar o time que sempre amei!

Na festa de 252 anos da minha cidade, comemoraria com todos os torcedores a vitória do nosso Grêmio, que mesmo tendo conquistado o mundo, jamais esquecerá que nasceu porto-alegrense.

Orgulhoso de sua origem, nossa camisa tricolor ostentou, na partida de hoje, lugares que já visitei: a Catedral onde pelo Grêmio rezei, a Goethe em que títulos comemorei e o Olímpico, que jamais esquecerei. 

Aproveitaria-me da luz de uma lua minguante que nesta noite de festa se espraia pelas esquinas esquisitas a destacar tanta nuança de paredes — e lá vem os Quintanares a me animar. Olharia “o mapa da cidade como  quem examinasse a anatomia de um corpo …” e sairia a procura de outros gremistas para comemorar. 

Encontraria Diego, Franco, Mathias, Walter e o guri Gustavo e com um abraço forte compartilharia meu orgulho de ser gremista, de torcer por este time, o único time desta cidade capaz de fazer de Porto um lugar realmente Alegre, nesta noite de aniversário.

Avalanche Tricolor: gols que confirmam talentos

Caxias 1×2 Grêmio

Gaúcho – Centenário, Caxias do Sul/RS

Cristaldo comemora mais um em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Diego Costa e Franco Cristaldo fizeram os gols que aproximam o Grêmio de mais uma final de Campeonato Gaúcho. Não foram os gols suficientes para garantir passagem antecipadamente, mas deixam a classificação bem encaminhada, considerando que a próxima partida é na Arena, de preferência sem chuva, com gramado melhor e um futebol mais competitivo — ao menos mais do que aquele do primeiro tempo quando, curiosamente, conseguimos sair de campo com vantagem no placar.

Os dois gols que marcamos tem significados que vão além da abertura de caminho para a final. O de Cristaldo reforça o que já havíamos conversado nesta Avalanche: o argentino é um dos jogadores mais efetivos do Grêmio, desde a temporada passada. Marcando gols (15 até agora) ou servindo os colegas, sempre deixa seu registro apesar de nem sempre aparecer como o destaque da partida. É um camisa 10 discreto e produtivo. 

Na jogada do gol que teve a tabela de Diego Costa e o cruzamento de Villasanti, Cristaldo fez um cabeceio perfeito, com o movimento coordenado do corpo no ar, o que provocou o rebote do goleiro. Na sequência e sem perder a passada, concluiu nas redes e mais uma vez foi responsável por abrir o placar. Isso já havia acontecido na semana passada. 

O gol de Diego Costa foi o prêmio que o atacante recebeu pelo futebol que apresentou, especialmente no segundo tempo, quando o time passou a competir mais, dominar o jogo e impor perigo ao adversário — e se jogamos assim na etapa derradeira, Diego Costa teve tudo a ver com isso. Ele saiu mais da área, teve a proximidade dos companheiros, e foi responsável pelas principais tabelas que nos aproximaram do gol. Impôs perigo nos marcadores e foi o responsável pelo pênalti que nos permitiu ampliar a vantagem.

O atacante bateu o pênalti com a segurança que se espera de alguém que tem o talento e a experiência dele. Ao marcar o seu terceiro gol em três partidas e ter tido a melhor atuação desde que chegou, Diego Costa sinaliza ao torcedor que podemos confiar nele para a temporada que vai muito além do Gaúcho. 

Avalanche Tricolor: lição de casa feita!

Grêmio 2×0 Brasil Pel

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Cristaldo comeora o gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Grêmio termina o domingo com a lição de casa feita. No jogo de hoje, evitar riscos, não tomar gol de preferência e mostrar evolução do meio para frente eram os objetivos da equipe que está sendo construída ao longo da competição.

A retranca esperada e armada pelo adversário foi sendo avariada aos poucos e  com toques de bola de um lado para o outro. Às vezes com insistência de mais por um lado e se esquecendo que o time pode trabalhar bem pelos dois, especialmente com as escalações de Pavón, na direita, e Gustavo Martins, na esquerda. 

Do lado direito o entrosamento de João Pedro, lateral que tem melhorado bastante a cada partida, era maior com Pavón, do que no esquerdo, em que um comedido Mayek, assumindo a posição de titular com a lesão de Reinaldo, servia bem menos a Gustavo Martins. 

Curiosamente, foi deste lado direito e dos pés de Mayek que surgiu o passe para o gol aos 45 minutos do primeiro tempo. Nessa altura, o time já percebia que precisava variar mais a bola e jogar com velocidade no passe para quebrar a marcação. 

Franco Cristaldo recebeu desmarcado na entrada da área. Os zagueiros estavam mais preocupados com Diego Costa. O argentino, puxou para o lado direito e bateu com categoria para fazer o seu terceiro gol na temporada, o 14º com a camisa do Grêmio. Cristaldo é discreto, há quem reclame do desempenho dele, mas os números são claros:  é goleador e garçom, como já havia mostrado no ano passado.

No segundo tempo, o Grêmio melhorou ainda mais, foi seguro nas poucas tentativas de ataque do adversário e começou a empilhar jogadas por todos as partes do campo. 

O segundo gol chegou aos 23 minutos premiando o bom entrosamento de Pavón e João Pedro, e o esforço de Diego Costa. Nosso centroavante brigou com o zagueiro, venceu a dividida, chutou uma e precisou chutar a segunda vez para estufar a rede. Sua comemoração sinalizou ao torcedor que ele está “esfomeado”, não quer perder a oportunidade de mostrar porque fez a fama pelos clubes que passou. Duas partidas, dois gols. E que venham muito mais!

O Grêmio poderia ter feito mais, desperdiçou algumas jogadas e foi preciosista em outras. O placar poderia ter sido mais elástico, mas o desempenho do time mostra melhoras e soluções em relação a outros jogos do campeonato. Ainda há peças para serem mais bem encaixadas, um aproveitamento melhor nas tabelas de Diego Costa e seus colegas que entram na área, e demonstrar consistência no setor defensivo, que começa na marcação lá no campo do adversário. 

O importante é que a lição de casa está feita! Agora é começar a semana com o foco na semifinal do Campeonato Gaúcho que será em duas partidas.

Avalanche Tricolor: Gre-nal sem VAR é várzea!

Inter 3×2 Grêmio

Gaúcho – Beira Rio, Porto Alegre/RS

Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche já leu textos em que descrevi cenários que encontramos nos jogos do campeonato gaúcho. Arquibancadas precárias e torcedores amontoados na laje de casas vizinhas para assistir aos jogos. Vestiários em que mal cabem o elenco completo durante a preleção dos treinadores. E gramados esburacados e impróprios para futebol. 

Hoje, acrescentamos mais um elemento nesta várzea: um clássico da dimensão do Gre-nal sem o recurso do VAR. Responsabilidade daqueles que no início da competição aceitaram essa regra esdrúxula e ultrapassada. Aos desavisados, a explicação: os clubes que disputaram a competição decidiram que não haveria o recurso eletrônico em nenhum jogo da primeira fase por uma questão financeira. 

Soube-se que no meio da semana, os dirigentes da dupla Gre-nal teriam aceitado pagar a empresa responsável pelo VAR, chegaram a depositar o dinheiro na conta, mas enquanto os funcionários se deslocavam para Porto Alegre foram informados que o recurso não teria sido autorizado. Até agora não entendi se isso se deu porque não houve unanimidade entre as demais equipes, o que era uma exigência do regulamento. 

O fato é que em um estádio de Copa do Mundo, com a presença das duas maiores torcidas do Rio Grande do Sul, a do Grêmio e a do Inter (necessariamente nesta ordem), com equipes que fazem investimentos milionários e capacitadas a oferecer um futebol de qualidade, fomos obrigados a assistir a um jogo em que não cabia revisão às decisões de campo do árbitro que, como se sabe cada vez mais, é limitado na sua atuação – e aqui não estou sequer entrando no mérito da qualificação deste que apitou a partida, pois é considerado um dos melhores que temos no país. Uma várzea!

A despeito disso, ao Grêmio cabe entender o que motivou a derrota deste início de noite, em Porto Alegre, e, principalmente, coloca-lá na devida dimensão. Primeiro, identificar seus pontos positivos e enaltecer a impetuosidade de Gustavo Nunes que, não podemos esquecer, tem apenas 18 anos e joga como gente grande. Depois, ajustar a marcação em uma faixa do gramado em que saíram os dois gols e o pênalti fatídico. E, finalmente, conscientizar-se de que esse resultado significa praticamente nada na missão maior que é ser heptacampeão desta várzea!