Abertura da Copa: Futebol & Política

Por Carlos Magno Gibrail

“Não falo sobre hipótese”, Ricardo Teixeira semana passada em Nassau, ao responder sobre a possibilidade de entrar uma das cidades não incluídas, caso alguma das escolhidas não cumprisse as obrigações.

“Quem não cumprir os prazos será substituído”, Ricardo Teixeira no Rio, alguns dias depois, ameaçando as cidades escolhidas.

Diante de tal incerteza proveniente da autoridade que definirá tudo a respeito da COPA, o melhor é enveredar pela certeza dos números.
Inclusive para se afastar também das ultimas notícias, sem fonte, supostamente oriundas da FIFA e ditas à CBF, tentando desqualificar São Paulo como cidade da Abertura.

São Paulo responde a partir do seu brasão histórico: “Pro Brasília fiant eximia”. “Pelo Brasil façamos o melhor”, e neste contexto os dados devem ser levantados.

A cidade, com orçamento de 31 bilhões de reais, com 15% do PIB do Brasil, 6% da população e, portanto, disparada em primeiro lugar quanto às possibilidades econômicas financeiras, tão importantes para uma COPA, reflete em infindável relação de quesitos esta posição.

É a primeira cidade turística, tendo recebido em 2008 mais de 11 milhões de visitantes. Seus 401 hotéis possuem 42.000 unidades habitacionais enquanto o Rio 26.000, Brasília 20.000 e BH – segundo Juca Kfouri forte concorrente se Aécio for indicado para Presidente –  8.000 .
E os hotéis de São Paulo comemoraram em 2008 uma taxa de ocupação de 68,5%, com um valor médio de 109 reais por unidade habitacional. Os 90.000 eventos realizados certamente contribuíram.

12.500 Restaurantes, 15.000 bares, 3.200 padarias oferecem como opção 52 tipos de cozinhas diferentes.    77 Shoppings, 59 ruas comerciais, 51 segmentos, 240.000 lojas, comercializam produtos do mundo todo.

Para a cultura, 110 museus, 160 teatros, 260 cinemas, 90 bibliotecas, 40 centros culturais, 105 faculdades e 28 universidades.

No transporte, o aeroporto de Cumbica recebeu 20 milhões de passageiros em 2008, Congonhas 14 milhões e os três terminais rodoviários 16 milhões. São 89 estações de trem, 55 estações de metrô e 83 km de linha, 200 heliportos. 32.000 taxis, 15.000 ônibus. E o porto de Santos fica a 70 km de São Paulo.

Na política, Estado e Município estão integrados na execução da COPA na cidade. Para Caio Luiz de Carvalho, Presidente da SP Turismo, São Paulo não terá problemas para absorver tantos visitantes. “Em hotelaria e entretenimento, somos imbatíveis. Na rede hospitalar, 17 centros com certificação internacional garantirão o atendimento dos visitantes – dois deles Albert Einstein e São Luiz  – a cinco minutos do Estádio do Morumbi”.

São Paulo vai investir cerca de R$ 33 bilhões em obras que pretendem ordenar o trânsito da cidade. “O grande legado de um evento da grandeza de uma Copa não está em equipamentos esportivos – até porque, muitas vezes, eles viram elefantes brancos. O importante é aquilo que fica para o cidadão ao fim do evento”, diz Caio coordenador do projeto paulista. Tanto que o Estádio do Morumbi, que pertence ao São Paulo e deve ser reformado, é a aposta paulistana para o Mundial.

“O governador José Serra vai terminar a Linha Amarela do Metrô, fazer a Linha Laranja (da Freguesia até o Pacaembu), mais o Expresso Aeroporto que sairá do terminal 3 de Guarulhos para a Estação da Luz, mais o Expresso Jabaquara, com trens de superfície, para ligar aquele terminal a Congonhas, mais a recuperação de 274 km de malha férrea da CPTM, mais a Perimetral e o término do Rodoanel”, diz Caio.

“A prefeitura vai fazer a ampliação do túnel Lineu de Paula Machado, sob o Rio Pinheiros, que é caminho para o Estádio do Morumbi, obras na Chucri Zaidan, a ligação da avenida Roberto Marinho com a Imigrantes; obras no complexo viário Sena Madureira com Domingos de Moraes,  para melhorar no fluxo que vem de Santos e do ABC. É importante pensar na ligação com Santos, pois haverá muitos navios hotéis ancorados lá, com gente de fora que vem para os jogos”.

E, o apoio parece que vem também do Governo Federal:

“Observamos aspectos da mobilidade urbana e do estádio como um todo e acredito que o Morumbi pode não apenas ser sede da Copa do Mundo, como receber a abertura da Copa, principalmente, porque a direção do São Paulo está aberta para atender todas as exigências da FIFA”, afirmou o ministro Orlando Silva. Mas se São Paulo e o Morumbi estão absolutamente engajados, inclusive na separação capitalista ideal, distinguindo o público do privado, por que tantas críticas ?

Del Nero, pós-punição, pode estar sonhando com a construção de um novo estádio, Ricardo Teixeira esperando uma definição do quadro sucessório presidencial. Ambos precisam ver que pelos dados a cidade estará preparada.

O risco de se contrapor a tanta consistência não é pequeno.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve às quartas no Blog do Milton Jung e quer ir a pé assistir à abertura da Copa de 2014.

Dê nome ao novo programa de esportes do CBN SP

Você está convidado a nos ajudar a batizar o quadro de esportes do CBN São Paulo que, desde a semana passada, reúne narradores, comentaristas e repórteres da rádio para debater os principais assuntos do dia. De segunda à sexta, logo após às 11 e meia, eu e mais dois colegas da equipe de esportes conversamos sobre as coisas do futebol na nossa cidade. Claro, você não estará livre, de me ouvir puxando a sardinha para o Grêmio, afinal paixão não se discute. Mas o foco está nos times paulistas que chegam a final do estadual e disputam as principais competições do país e do continente. A pauta também estará aberta as demais modalidades esportivas porque nem tudo se resume a um chute na canela e outro na bola.

Solte sua criatividade e registre aqui a sua sugestão.

Avalanche Tricolor: Por linhas tortas

Aurora 1 x 2 Grêmio
Libertadores – Bolívia

Foi Ele quem empurrou esta bola

Começamos com uma bola no travessão que explodiu na grama, antes da linha do gol; seguimos com um chute cruzado no poste; na mesma jogada os pés  do zagueiro salvaram os bolivianos. Teve ainda o ataque parado pelos braços longos do goleiro adversário. O Grêmio e seus incríveis gols perdidos estavam de volta aos campos da Libertadores, nesta noite de quarta-feira.

Dominou na defesa, avançou pelas laterais, foi criativo no meio-campo e se movimentou  muito no ataque. As chances de gols apareciam a todo momento, fruto do bom futebol. O comentarista chegou a dizer que o Grêmio jogava como se estivesse em casa, mas a bola não entrava. Na cabeça do torcedor a imagem do drama das últimas partidas se reproduzia.

“Papai do céu, olhai por nós”, ouvi minha fé cristã sussurar quase que envergonhada pela heresia de misturar futebol e religião. Não é que ele olhou e deu a Jonas, o nosso “pior e idolatrado atacante do mundo”, a oportunidade de apagar a distorcida imagem forjada pela imprensa estrangeira desde sua última aparição na Libertadores. Com o dedão, a ponta da chuteira, ele fez seu oitavo gol desde que voltou a vestir o manto tricolor. Ele merecia.

Já tendo desperdiçado alguns gols a mais e com o segundo tempo se iniciado, Alex Mineiro foi displicente ao usar o calcanhar quando deveria dar preferência ao dedão de Jonas, e permitiu o contra-ataque que resultou – com toda justiça posso dizer isso – no  injusto empate boliviano.

Não dá para querer justiça divina dentro das quatro linhas. E, afinal, por que facilitar se podemos sofrer ?

A camisa com o espírito do RenatoA  camisa sete, que já vestiu Renato Gaúcho, parece ter transferido a Jonas as múltiplas facetas do atacante que nos levou a conquista do Mundial. Quando mais precisávamos de seus gols perdidos, foi expulso. A bola não nos queria mais, o adversário passou a acreditar na vitória, nossa linha de impedimento quase matava o torcedor do coração, e nosso ataque deixou de existir.

Na televisão, o locutor já falava em tom de consolo que “empate fora de casa não é tão ruim assim” ou “dá prá garantir a classificação no Olímpico”. Devia ter torcedor falando mal do Celso Roth.  Havia um, em Porto Alegre, que pediu as bençãos de Padre Reus.

Mas, você sabe, era o Grêmio que estava em campo. E quando o Grêmio joga não podemos esperar que as coisas se resolvam de maneira lógica. Damos preferência as linhas tortas que, desta vez, confundiram as mãos do bom goleiro adversário.

Gol de Tcheco, disse a televisão. Gol do padroeiro, disse o fiel lá no Rio Grande do Sul. Gol do Papai do Céu que estava vendo tudo lá de cima e com os dedos a coçar o queixo pensava com seus anjos: este time merece ser líder da Libertadores.

Avalanche Tricolor: Soy loco por ti !

O velho Grêmio Copeiro está de volta

Boayacá Chicó 0 x 1 Grêmio

Libertadores – Tunja (Colômbia)


O atacante deles está próximo da linha de fundo. Na posição onde, antigamente, aparecia o ponta esquerda. Quer chegar na área para o gol. Mas, precisa voltar com a bola. Há três jogadores do Grêmio na marcação. Assustado, procura um companheiro de time. Encontra, mas antes de a bola chegar até ele, um quarto gremista aparece. A bola é do Grêmio. O jogo está 0 a 0.

A cena descrita acima não vai aparecer nos melhores momentos da partida desta noite , no acanhado estádio La Independencia.  Os editores vão preferir o gol de falta de Souza, aos 32 do primeiro tempo; a incrível jogada de Jonas que conseguiu de uma só vez perder três oportunidades de marcar; os muitos chutes contra o goleiro Velásquez que foram para fora, que foram para o travessão, que foram parar nas mãos dele.

Para mim, porém, aquele lance do primeiro parágrafo, foi o mais significativo desta partida em que o Grêmio marca uma virada na sua trajetória de 2009 e na sua história de Libertadores.  Nunca antes – como diria o Presidente – havíamos vencido de um time na Colômbia. Nem mesmo quando conquistamos o bicampeonato da América, na casa do Nacional, em Medellin.

No instante em que vi os jogadores do Grêmio “caçando” o adversário, como se fosse um exército determinado a superar o inimigo, certos de que para vencer o jogo precisavam conquistar aquela batalha, naquele minuto, ficou claro para mim que o Imortal Tricolor estava de volta a Libertadores.

O que aconteceu dali para a frente, o único gol marcado em meio a uma centena de gols perdidos, a preferência ao toque de bola para “matar” o jogo em lugar do chutão, os desarmes do meio-campo, a firmeza da defesa e a presença segura de nosso goleiro nos poucos momentos em que foi exigido, não me surpreenderiam mais, após redescobrir o Grêmio Copeiro que já nos ofereceu dois títulos da América.

Que venha o terceiro, porque “soy loco por ti, América”!

Calouríadas para combater o trote violento

Veteranos pisoteando calouros que estavam deitados de bruço no chão de areia foi a última cena que assistimos com destaque no noticiário envolvendo trote violento em universidade. O ‘rito de passagem’ que chegou ao Brasil nos hábitos de portugueses, em 1831, ano em que um estudante foi assassinado, tem proporcionado desagradáveis exemplos no decorrer da história. Apesar de algumas iniciativas que tentam imputar gestos de cidadania ao trote, a recepção violenta aos recém-chegados ainda ocorre de maneira chocante.

A Secretaria Municipal de Esporte de São Paulo pretende combater o trote violento com gincanas físicas e esportivas. Uma Calouríada, na qual os calouros sejam motivados a integrarem equipes, organizadas por veteranos, logo que  realizarem a inscrição na faculdade. Reitores das mais importantes universidades paulistanas estiveram em conversa com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o secretário Walter Feldmann (PSDB) discutindo a possibilidade de realização do evento esportivo já no segundo semestre deste ano, quando novas turmas estarão chegando as faculdades.

O projeto de Feldmann é canalizar a extemporaneidade e irreverência juvenil, que muitas vezes se concretiza na violência do trote, para a competição esportiva. Resultados alcançados pela cidade durante a realização das Viradas Esportiva e Cultural, quando se teve baixo registro nos índices de violência, motivam o secretário a acreditar que a medida amenizará o clima de guerra que existe hoje.

Há menos de um mês, o CBN São Paulo entrevistou o vice-Reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pedro Ronzelli, que analisou  a ocorrência de agressões entre jovens universitários. Na conversa, disse que o Mackenzie havia tentado mobilizar as associações atléticas para impedir o trote violento, mas que não tinham encontrado apoio nas entidades.

Citei o fracasso dessa experiência ao secretário de esportes que manteve, mesmo assim, sua convicção no projeto. A diferença para ele é que, agora, haverá a participação do poder público e o envolvimento de várias universidades.

Leia e ouça o que disse o vice-Reitor do Mackenzie, Pedro Ronzelli

Leia artigo publicado pelo colega de blog Carlos Magno Gibrail, semana passada.

Leia texto do ouvinte-internauta Ricardo Gomes Fo. publicado no blog

Puc anuncia apoio a torneio de calouros (publicada em 12h22 de 06/03)

Ouça a entrevista do pró-Reitor da PUC, Hélio Roberto Deliberador, ao CBN SP, nesta sexta-feira

Avalanche Tricolor: Prazer, Libertadores !

Jonas luta em mais um ataque do Grêmio

Grêmio 0 x 0 Universidad de Chile
Libertadores – Olímpico

Uma foi no poste. Outra foi no travessão. Teve a que o zagueiro tirou antes da linha do gol. Duas, três ou quatro que o goleiro se esticou todo e desviou para escanteio. Fora o chute prá fora. Os chutes, aliás. Em uma só jogada foram quatro e nenhum foi parar no fundo do poço, como diria aquele famoso locutor esportivo do Rio Grande do Sul que agora só quer saber de sofrer diante da televisão.

Houve dois penâltis, também. Nenhum o juiz viu. Nos restou reclamar dele. E quando ele acertou para nós, ao expulsar o defensor, pouco mudaria no jogo. Afinal, em Libertadores quem está em campo não se importa com quantos o adversário joga. Redobra-se a marcação; o carrinho sai mais longo; para alcançar a bola sobe-se bem mais do que as pernas permitem; chuta-se para qualquer lado. E fica tudo igual, novamente.

Ficou tudo igual mesmo, apesar da enorme diferença do futebol jogado pelo Grêmio em relação a Universidad. de Chile. Já havia acontecido isso com o São Paulo na estréia. E muitos mais vai acontecer daqui prá frente. Aliás, como bem lembrou o técnico campeão do mundo Valdir Espinosa foi também assim que aconteceu com o Grêmio na estréia da Copa Libertadores contra o Flamengo, no estádio Olímpico, em 1983.

E você sabe quem foi o campeão sul-americano e mundial daquele ano, não sabe?