Um lugar muito importante, muito especial na cidade, que está ligado à minha história inteira é o Parque do Ibirapuera. Acho esse lugar uma coisa impressionante.
Desde os dois, três anos de idade, eu já vivia no Ibirapuera. Meus pais me levavam para passear; nós morávamos relativamente perto – não tão perto quanto eu moro hoje. Agora, moro a 500 metros ali do portão da Quarto Centenário.
A minha ligação com esse Parque, por uma coincidência, sempre esteve presente, na maior parte da minha vida. Já morei perto do Parque duas vezes – uma agora e outra quando o Pedro, meu filho, nasceu.
Para mim o Ibirapuera é algo vital. Passo quase diariamente em frente; vou correr. Tenho uma ligação afetiva muito grande com o Ibirapuera.
Então, presenciei toda a evolução desse importante símbolo de São Paulo, que foi criado em 1954. Não tinha nascido, mas desde criança venho frequentando. o local. Faz parte da minha vida.
Outro ícone importante é o Aeroporto de Congonhas, que, juntamente com o parque, tenho documentado em várias fotos da infância, nas quais revejo meu pai me levando a esses lugares. O Aeroporto, quando eu era pequeno, era um passeio; todo aberto… Não era como é hoje, envidraçado e formal.
Ir para Congonhas era uma alegria, como ir num parque de diversões, e podíamos ver as decolagens, as chegadas. Você ficava muito próximo dos aviões. Os passageiros desciam na pista; tinha apenas uma gradezinha que separava o público dos passageiros. Era bem diferente do que é hoje.
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Fábio Caramuru é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Foi seu o abraço mais inusitado que recebi e retribuí em todos os meus tempos de arquibancada. Estávamos em Al Ain, nos Emirados Árabes Unidos, e Everton havia marcado um golaço que nos levaria à final do Mundial de Clubes, em 2017. Todos corremos alucinados para comemorar o feito e, entre o choro imediato com os meus filhos e o agradecimento aos céus, nosso abraço se encontrou. Não nos conhecíamos pessoalmente; havia ali apenas o manto tricolor nos unindo em celebração.
Passado o primeiro instante de êxtase, você se apresentou como ouvinte do meu programa de rádio e mãe de Pedro Geromel — foi essa a ordem que escolheu para justificar o abraço entre desconhecidos, como se a felicidade de um gol daquele tamanho precisasse de explicação. Sua fala tornou-se um troféu particular para este torcedor. Claro que tê-la como ouvinte me envaidece; mas ser abraçado pela mãe daquele que mais admiramos e respeitamos nesses anos todos era demais para o meu coração tricolor.
Poucos jogadores fizeram por merecer tanto respeito do torcedor — os nossos e os adversários — quanto Geromel. Ele se fez líder pela personalidade entre os colegas; se fez ídolo pela performance em campo; se fez mito ao nos proporcionar os títulos mais importantes deste século; e se fez humano pela conduta íntegra e pelo comportamento irretocável, mesmo nos momentos mais difíceis que vivemos. Ele se tornou próximo com um sorriso sincero e uma fala genuína que destoam daqueles moldados pelo marketing e pelo uso exagerado das redes sociais.
Gustavo Poli, comentarista esportivo do jornal O Globo, escreveu certa vez, e eu anotei no caderninho que tenho sobre a mesa:
“Entre o homem e o ídolo há uma distância que não queremos percorrer. Porque o ídolo é nosso amor íntimo, um parente próximo. Nos abraçamos ao ídolo. O ídolo nos move e emociona. O ídolo não tem os defeitos do homem. Entre o homem e o ídolo existe a realidade — mas no futebol, a realidade comezinha importa menos. Para o torcedor, a realidade acontece entre quatro linhas.”
A definição é perfeita para os ídolos. E quantos temos no futebol. Ídolos que admiramos pelo que fazem em campo, não pelo que representam fora dele. Mas Geromel transcende essa descrição. Por isso o chamamos de GeroMito. E se assim o é, dona Eliane, isso tem muito a ver com a forma como Geromel — que imagino ser apenas o Pedrinho, na casa da Vila Mariana — foi educado e preparado para a vida pelos pais.
Pode parecer coincidência estar escrevendo esta carta a uma mãe no domingo em que, na Igreja Católica, celebramos Nossa Senhora da Imaculada Conceição, um momento de veneração à mãezinha que, além de ter sido submetida a um dom sobrenatural, seguiu o Cristo de modo perfeito, como na oração que ecoa nas igrejas em 8 de dezembro. Jung, o psiquiatra, defendia que não existem casualidades, mas uma força do universo que atua para que os fatos se expliquem de maneira racional. Ter assistido à despedida de Geromel, neste domingo, me inspirou a ousar escrever este texto – especialmente depois de vê-la em campo ao lado do marido, dos filhos, da nora e dos netos.
Dona Eliane, Geromel se eternizou no coração de todos nós, torcedores gremistas. E você — que tomei a liberdade de não chamar de senhora por imaginar que sou mais velho — foi primordial para que essa história se realizasse. Se um dia Maria foi convocada por Deus para conceber Jesus, a você coube a missão de nos dar Geromel.
E, assim como Maria entregou ao mundo o maior exemplo de amor e sacrifício, a senhora, dona Eliane, nos entregou um homem que, embora mortal, nos ensinou o que é ser eterno no coração de um povo. Não apenas pelo que fez dentro das quatro linhas, mas pelo que representou fora delas. Geromel não é apenas um ídolo; é um símbolo de tudo que desejamos ver no futebol e, mais ainda, na vida.
Enquanto o apito final ecoava no estádio e a torcida gritava seu nome, percebi que não estávamos nos despedindo de um jogador, mas celebrando uma lenda que escolheu caminhar ao nosso lado. Seu legado ficará em cada faixa hasteada, em cada canto entoado e no brilho emocionado dos olhos de quem teve a sorte de vê-lo jogar.
Por isso, obrigado, dona Eliane, por ter permitido que o Pedro, aquele menino da Vila Mariana, se tornasse o nosso Geromel. Hoje e sempre, ele será um pedaço de todos nós. E aquele abraço que trocamos, no calor de um gol histórico, simboliza o que Geromel é: um laço eterno entre a paixão e a gratidão.
Com carinho, Um torcedor que, como tantos, nunca se esquecerá da família Geromel.
Vitória 1×1 Grêmio Campeonato Brasileiro – Barradão, Salvador-BA
Foto: Lucas Uebel/GremioFBPA
A escapada pela direita, com o passe de calcanhar de Pavón e a chegada rápida seguida pela conclusão certeira de João Pedro, foi o único momento de brilho da equipe do Grêmio nesta noite em Salvador. Em um jogo que serviu apenas para cumprir tabela, o lance trouxe uma breve faísca de criatividade em uma temporada marcada por dificuldades.
Os narradores bem que tentaram instigar o torcedor com a remota possibilidade de conquistar uma vaga na pré-Libertadores. Uma improvável combinação de duas vitórias nas rodadas finais e tropeços dos adversários poderia abrir essa janela. Mas, para quem passou boa parte do campeonato lutando contra o rebaixamento, seria otimismo demais acreditar em tal cenário.
Não assisti ao jogo com essa ilusão, assim como não me iludi com o gol assinalado no primeiro tempo. A campanha no campeonato, marcada por atuações inconsistentes e falhas defensivas recorrentes, deixou claro que somos incapazes de sustentar uma vitória com segurança. Quando o gol de empate veio no segundo tempo, em uma cabeçada certeira do adversário, apenas confirmou o que já era esperado.
Agora, o Grêmio retorna a Porto Alegre para encerrar a temporada diante de um adversário em excelente fase, com disposição ofensiva que promete grandes desafios. Dada a fragilidade que temos demonstrado ao longo do campeonato, vou para essa partida final sem nutrir ilusões de garantir sequer a vaga na Copa Sul-Americana do próximo ano.
Resta torcer para que, ao menos, tenhamos aprendido algo com tantas dificuldades enfrentadas. Mas, confesso, nem mesmo essa esperança me parece plausível.
Grêmio 2×1 São Paulo Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS
Cristaldo comemora o primeiro gol Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Quase 40 mil torcedores lotaram a Arena do Grêmio na tarde deste domingo, em Porto Alegre. Sobre o que eles viram lá na arquibancada – e eu, cá em casa –, quem melhor resumiu foi Sérgio Xavier, comentarista da SporTV: no primeiro tempo, o Grêmio foi o time que queríamos ver ao longo deste ano; no segundo, foi o time que, infelizmente, tivemos na maior parte da temporada.
Na etapa inicial, o Grêmio exibiu o futebol que sempre desejamos: pressionando a saída de bola, sem dar espaços ao adversário, roubando a posse e tocando com rapidez e precisão, aproveitando o deslocamento dos companheiros. O ataque foi intenso, e a defesa, segura. Foi assim que o time construiu sua vitória parcial: Cristaldo abriu o placar e, em seguida, um gol contra, fruto da pressão ofensiva, ampliou a vantagem. Tudo funcionava.
No segundo tempo, os fantasmas que nos atormentaram durante o campeonato reapareceram. O Grêmio recuou, permitiu que o São Paulo dominasse o jogo, trocasse passes e, com uma facilidade que nos custou caro ao longo da temporada, chegasse ao gol. Sofremos um gol em uma falha de marcação na entrada da área, após escanteio, e, dali em diante, foi tensão até o apito final. Desta vez, ao menos, conseguimos segurar o resultado, que, embora não nos livre do rebaixamento, nos coloca em uma posição privilegiada na luta contra os adversários da parte de baixo da tabela.
Se o time oscilou, Geromel, não. Em sua penúltima partida na Arena, vestindo a camisa do Grêmio, o zagueiro foi impecável. Antecipou-se aos atacantes, desarmou com precisão e neutralizou os cruzamentos pelo alto. Cada lance protagonizado por ele foi reconhecido pela torcida, que o aplaudiu de pé. Uma homenagem mais do que justa, assim como a exposição na Arena que celebra seus feitos históricos.
Em um ano repleto de sustos e incertezas, atrevo-me a fazer um pedido aos deuses do futebol: que, adqui uma semana, possamos assistir à despedida de Geromel com uma vitória na Arena. E, por que não, coroada com um gol do nosso eterno capitão. Será que é pedir demais?
Cruzeiro 1×1 Grêmio Brasileiro – Mineirão, Belo Horizonte/MG
Um ponto a mais na conta e três de distância daquela “zona-que-você-sabe-qual-é”. Com o empate em Belo Horizonte, o Grêmio se mantém na Série A, ocupando uma posição desconfortável, à frente de apenas dois outros clubes que também enfrentarão, nas próximas rodadas, o mesmo martírio que nos acompanha desde o início desta temporada no Campeonato Brasileiro.
Mais uma vez, saímos na frente no placar. O gol veio logo cedo, marcado por Braithwaite, que, novamente, brilhou em uma jogada iniciada e concluída por ele. Após a bola passar pelos pés de Aravena e João Pedro em um contra-ataque bem arquitetado, Braithwaite finalizou com um toque de calcanhar, sutil e cheio de classe, o suficiente para mandar a bola para as redes. Foi o tipo de lance raro que trouxe um momento de felicidade em uma temporada onde a felicidade tem sido um artigo de luxo.
No entanto, como tem sido a regra, não conseguimos sustentar a vitória que poderia nos dar um alívio. A fragilidade defensiva do time nos condena. Cedemos tanta pressão ao adversário que o gol de empate parecia inevitável – e ele veio ainda no primeiro tempo.
Na segunda etapa, mostramos um pouco mais de organização na marcação, conseguindo resistir à presença constante do adversário em nosso campo. Ao menos, seguramos o empate até o apito final, mantendo viva a luta pela permanência na elite.
É pouco, muito pouco, para um clube da grandeza do Grêmio. Mas, por ora, é o que temos. A melhor notícia da noite é saber que só faltam três partidas para o fim do campeonato. Apenas três. E, de alguma forma, eu vou aguentar até lá.
Diego Costa prepara assistência para Braithwaite. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA
“E esse ano que não acaba…?”, escreveu meu amigo de sofrimento Sílvio no WhatsApp, logo após o apito final da partida em Porto Alegre. A ideia era encerrar hoje, com a conquista dos três pontos que colocariam o Grêmio em uma situação privilegiada diante dos demais candidatos ao rebaixamento do campeonato.
Mobilização não faltou: Braithwaite mandou recado pelo celular, ex-jogadores convocaram o torcedor nas redes sociais e a diretoria enviou e-mails aos sócios pedindo apoio total ao time. Mais de 40 mil pessoas foram à Arena, incentivaram enquanto tiveram paciência, soltaram fumaça e assistiram ao espetáculo de luzes de LED — recurso estreado neste início de noite.
As circunstâncias no início da partida pareciam promissoras. Depois de Rodrigo Ely cortar um cruzamento de cabeça na nossa área, Edenilson fez um lançamento primoroso para Diego Costa, que, com precisão, deixou Braithwaite na cara do gol. Com pouco mais de dois minutos, já vencíamos, e a sensação era de que uma festa de reveillon antecipada nos aguardava. Mas foi pura ilusão.
O Grêmio não soube aproveitar a vantagem no placar, tomou o gol de empate antes do fim do primeiro tempo, sofreu a virada no início do segundo e escapou de uma tragédia em plena Arena graças a uma rara defesa de pênalti do goleiro Marchesín. No fim, já nos acréscimos e no desespero, conseguimos empurrar a bola para dentro do gol adversário e arrancar o empate.
É isso, Sílvio, o ano insiste em não acabar. Temos pela frente mais quatro batalhas que prometem testar os nossos nervos e o nosso amor pelo Grêmio. Haja sofrimento!
Fluminense 2×2 Grêmio Brasileiro – Maracanã, Rio de Janeiro/RJ
Time comemora gol de Braithwaite. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Minhas redes sociais têm reproduzido nestes últimos dias uma série de momentos memoráveis do Grêmio. Revi o gol de Luan contra o Lanús, na Libertadores de 2017. Rolando a tela do Instagram, encontrei lances da batalha contra o Peñarol, em 1983. Por uma dessas circunstâncias que só o destino é capaz de explicar, até a vitória contra a Portuguesa, em 1996, quando conquistamos pela segunda vez o Brasileiro, apareceu na tela do meu celular. Todas são cenas que mexem com minha memória afetiva e me fazem pensar quantas glórias tivemos o privilégio de assistir nessas mais de seis décadas de vida.
Aqueles tempos estão distantes do futebol que assistimos recentemente. Libertadores e Copa do Brasil vemos apenas pelo retrovisor. O Campeonato Brasileiro, que no ano passado ainda conseguimos chegar em segundo lugar, tem sido um martírio atrás do outro. Cada partida é um drama. Nunca se tem certeza do que seremos capazes. Conquistamos um ponto aqui e outro acolá. Quando fazemos três, torcemos para os demais concorrentes empacarem no lugar.
Hoje, nos restou festejar um resultado alcançado na bacia das almas. Após sairmos na frente em um contra-ataque com boa participação de Aravena e conclusão de Braithwaite, não suportamos a pressão do adversário e tomamos a virada. O gol de empate, já nos acréscimos, veio de uma jogada fortuita de ataque em que Nathan Fernandes, que andava esquecido no elenco, conseguiu alcançar a bola com calcanhar e a fez, inadvertidamente, encontrar Arezo dentro da área. Reinaldo, em uma excelente cobrança de pênalti, igualou o placar.
Sei que já fui bem mais feliz ao comemorar Libertadores, Brasileiros e Copas do Brasil. Já sofri com viradas históricas, assim como vibrei em partidas heróicas. Mas, atualmente, na escassez de resultados e conquistas, o que me resta é valorizar cada ponto conquistado, ainda que na bacia das almas, e lembrar que, por mais que o Grêmio esteja distante das glórias de outros tempos, a paixão tricolor permanece intacta. Porque torcer é isso: é saber festejar o mínimo, é não desistir diante das dificuldades e é manter viva a esperança de que um dia o ciclo das vitórias voltará a girar ao nosso favor. Diante das atuais circunstâncias, não tem como exigir muito mais do que um empate no Maracanã. Só faltam seis jogos!
Villasanti comemora o gol. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA
A temporada 2024 não tem sido fácil para o torcedor do Grêmio. A tragédia provocada pelas enchentes no Rio Grande do Sul nos atingiu de forma contundente. Fomos obrigados a jogar fora do nosso estado e do nosso estádio, muito mais do que qualquer outro time gaúcho. Voltamos a Arena há menos de dois meses e a Arena voltou a ser toda nossa apenas na tarde deste sábado, na trigésima-primeira rodada do Campeonato Brasileiro.
O prejuízo técnico e tático que a equipe sofreu foi enorme, mesmo que não explique a baixa qualidade do futebol apresentado em muitos dos jogos. Boa parte dos melhores reforços chegou apenas no meio da temporada, o que tornou mais complexo o funcionamento daquela engrenagem que os times bem treinados costumam apresentar. Verdade que a essa altura do campeonato já deveríamos estar oferecendo um trabalho coletivo mais competente, mas o time tem enfrentado dificuldades para “pegar no tranco”, como costuma-se dizer no popular.
A sequência de fatos e defeitos reduziu nossas expectativas. A equipe que começou o ano prometendo presença competitiva em todas as disputas, encerrará apenas com a comemoração do Hexacampeonato Gaúcho, nos primeiros meses de 2024. Na Copa do Brasil e na Libertadores fomos despachados nas disputas eliminatórias. No Brasileiro, depois de um esforço para não correr o risco de rebaixamento, nos contentaremos com uma classificação à Copa Sul-Americana, o que me parece garantido após a vitória deste sábado.
A partida que marcou a volta definitiva da Arena, com quase 37 mil torcedores presentes, apresentou muito do que temos assistido neste ano de futebol mediano. Cometemos pênalti com uma facilidade de chamar atenção. E os vemos ser convertidos quase sem reação. Temos uma fragilidade defensiva capaz de transformar o lanterna do campeonato em uma equipe perigosa no ataque.
Dependemos de jogadas individuais como a que nos levou ao gol de empate, porque falta entrosamento. Nossos destaques são Soteldo e Villasanti, não por acaso dois dos que marcaram nossos gols. Justiça seja feita ao esforço de Braithwaite que luta contra os zagueiros e se entrega de uma maneira cativante. O primeiro e o terceiro gols tiveram a participação importante dele.
Como escrevi, a vitória de hoje foi crucial para eliminar as possibilidades de rebaixamento e nos colocar na Sul-Americana, apesar de matematicamente ainda haver condições para o pior dos cenários. Mesmo que algumas partidas que nos restem sejam de alta periculosidade, acredito que ocupamos agora o quinhão que nos está reservado para esta temporada. Desejo apenas que saibamos mantê-lo até o fim, que, felizmente, está próximo. Só faltam sete partidas para nos despedirmos de 2024.
Estudei no Colégio Estadual D.Pedro I, em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo. Não é saudade, são flashes de memórias acesas pelos estímulos do Conte Sua História.
Eram os anos de 1967 a 1973. Em pleno Governo Militar. O bairro era distante dos movimentos civis e de estudantes em defesa da Democracia. Estudava conforme as regras da época imposta aos estudantes do ginásio. No colégio, de famoso, havia estudado Antonio Marcos, o da Jovem Guarda.
Naqueles anos, do outro lado da Estrada Velha São Paulo-Rio, em frente a escola, em um terreno vazio, levantava-se o prédio do mercado municipal e uma alta caixa d’água. Lá em cima da torre instalou-se um grande e único relógio com quatro faces. Seus ponteiros marcavam a hora certa ao som do “ding-dong” que pautava o dia de moradores e estudantes.
Mais um flash se acende.
Vejo agora a estrada velha, de pista simples, mão-dupla, calçadas por paralelepípedos. Vejo pela janela, na carreira de carteiras da sala de aula. Pela cortina aberta, observava: hora passavam carros, ônibus e caminhões. Hora passavam charretes e carroças. Muitas vezes presenciava as patas dos cavalos escorregarem com suas ferraduras nas pedras do piso liso e desgastado.
As lembranças seguem por aqui.
Todos os anos, lembro-me que eu desfilava pela escola, uniformizado, em marcha, seguindo a banda do colégio, com um sentimento que me faz viajar nas memórias de São Miguel Paulista.
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Atsushi Asano é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Grêmio 3×1 Fortaleza Campeonato Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS
Aravena comemora primeiro gol. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA
O Grêmio enfrentou três dos clubes mais bem classificados do Campeonato Brasileiro nas últimas quatro rodadas. Hoje, venceu o Fortaleza (3º); no domingo passado, havia empatado com o Botafogo (1º); e, há menos de duas semanas, superou o Flamengo (4º).
Vai entender um time assim!
É verdade que a campanha nesse segundo turno da competição é uma das melhores entre todos os participantes. Porém, convenhamos, quem nos vê na tabela, com “aquela-zona-que-você-sabe-qual-é” no retrovisor, não deveria esperar sucesso contra as equipes que estão disputando o título. O fato é que, apesar dos defeitos, o Grêmio se afasta do maior risco e ocupa um lugar no meio da tabela.
Nesta sexta-feira à noite, a articulação da bola, do meio para a frente, foi de qualidade, com velocidade nos passes, deslocamentos pelos lados e intensa participação dos atacantes. Braithwaite praticamente não desperdiçou uma bola que chegou aos seus pés. Distribuiu o jogo e abriu espaço para os companheiros entrarem na área. E, como se não bastasse, ainda fez o gol que encaminhou a vitória.
Aravena demonstrou talento, movimentação e precisão no chute, o que o levou a marcar o primeiro gol, após jogada entre Braithwaite e Cristaldo pelo lado direito. Edmilson também apareceu bem no ataque, além de fechar o meio de campo para conter as investidas do adversário.
A vitória foi ratificada com um chute de Soteldo, que entrou na parte final da partida e, mais uma vez, teve uma participação intensa no ataque. Fez o gol após uma assistência de Igor, um garoto de apenas 19 anos, que teve importante presença na marcação e se apresentou com qualidade na frente.
Ver a dupla de zaga Geromel e Kannemann de volta, uma contingência da lesão de Gustavo Martins – justamente na semana em que nosso capitão anunciou que se aposentará do futebol no fim do ano –, foi um presente extra para os torcedores, exaustos de tanto sofrimento nesta temporada. Faz bem ao coração vê-los lado a lado, dominando a área por cima e por baixo, mesmo com todos os problemas do sistema defensivo e sabendo que a condição física, especialmente de Geromel, já não é a mesma do passado.
Temos problemas a serem resolvidos e ainda não dá para respirar aliviado, imaginando que estamos livres do perigo maior. Mas nós, torcedores, estávamos merecendo um resultado como este.