Vaga de garagem é coisa séria: Raquel Dodge vai ter de se explicar no STF

 

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No condomínio, poucas coisas causam tanta discussão quanto uma vaga na garagem. Por mais modernos que tentam ser os administradores, usando da tecnologia para determinar qual quinhão caberá a cada um dos condôminos, sempre alguém sai insatisfeito do sorteio realizado. Ou porque o carro ficou muito ao fundo, ou porque está próximo de mais da pilastra, ou porque o espaço é estreito para manobrar o USV do malandro.

 

Em alguns condomínios a vaga é fixa. Em outros, é rotatória para ver se acalmam-se os ânimos. Em todos tem sempre alguém insatisfeito e ameaçando levar às últimas instâncias sua reivindicação por uma vaga mais confortável onde possa deixar seu carango sem risco de arranhões na porta ou contorcionismos ao volante.

 

Por uma conspiração do destino — e agradeço a Deus por essa graça alcançada —-, apenas uma vez na vida tive de encarar o desafio de dividir espaço e controvérsias com moradores de apartamentos vizinhos. Mesmo assim foi apenas de passagem e decidi que estacionaria meu Gol no lugar que os demais condôminos decidissem. O único transtorno era ter de manobrar diariamente o carro que ficava na vaga em frente a minha. Mas confesso que até me diverti com a oportunidade.

 

Verdade que quando era mais jovem, meu Chevette não tinha lugar na garagem de casa e tinha de estacionar na oficina de um vizinho que alugava o espaço. Ali o problema não era a vaga, mas o barulho. Como era adepto das noitadas e o dono da oficina já era um senhor de idade e com família comportada, toda vez que entrava com o carro, ele se revirava na cama.

 

Nas empresas brasileiras, ter vaga na garagem ou mais próxima da entrada principal é coisa para crachá de peso. Funcionário comum pára onde pode e dependendo da organização vai ter de pagar aluguel no estacionamento da região. Um comportamento que diz muito da maneira como vivemos em uma sociedade formada por castas ao contrário de países mais civilizados.

 

Você já deve ter assistido a vídeos e informações de que em alguns países desenvolvidos, quem chega antes pára mais distante da entrada, pois têm tempo de sobrar para chegar ao escritório. Assim deixam as vagas mais próximas para turma que se atrasa e precisa correr para bater o ponto. É civilização que chama, né?

 

Aqui no Brasil essa discussão é tão complexa que até a futura-ex-Procuradora Geral da República Raquel Dodge é alvo de ação no STF por negar vaga de garagem a um subprocurador. Isso mesmo: ela pode ser condenada por não ceder uma vaga na garagem no estacionamento da PGR.

 

Segundo o portal G1, o subprocurador Moacir Guimarães foi quem entrou com ação no Supremo Tribunal Federal. Ele ficou incomodado porque havia pedido para que um auxiliar pudesse estacionar na garagem para “agilidade dos trabalhos”. Raquel Doge, que responde também pela área administrativa da Procuradoria, baseou-se em portaria que prevê vagas apenas para os subprocuradores, não para seus auxiliares. É privilégio que chama, né?

 

Guimarães reclama porque, segundo ele, existem várias vagas desocupadas na garagem, “o que demonstra claramente a má vontade da Autoridade coatora em atender, no final do seu mandato, o pedido do impetrante eis que em todo o período de sua gestão os questionamentos foram feitos”.

 

Para quem achava que os maiores problemas que Raquel Doge teria de enfrentar nessa reta final de trabalho —- ela deixa o cargo no dia 17 de setembro —- fossem as indicações fora de época que fez para algumas procuradorias regionais ou o pedido de demissão dos procuradores da força-tarefa da Lava-Jato, jamais imaginaria que ela estaria com a cabeça a prêmio e julgada pelo STF por uma acusação desse porte: não autorizar o uso da vaga da garagem para subalternos.

Objetos curiosos são esquecidos em shopping; ou seria o milagre da cura?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Os objetos que aparecem na foto acima foram encontrados no Shopping Piratas, em Angra dos Reis RJ. Deixados por clientes nas áreas de alimentação e no estacionamento.

 

É uma situação similar ao Metrô de São Paulo que exibe  grande quantidade de produtos esquecidos nos trens e estações.

 

No Metrô ainda dá para considerar alguma lógica, devido a correria e pressa no embarque e desembarque. Mas em se tratando de shopping? No mínimo, estranho.

 

Na tentativa de encontrar alguma pista que explicasse este fenômeno, procurei um médico ortopedista, no caso, Dr. Marcelo Alves Moreira. Pedi para que descrevesse os produtos da foto e opinasse sobre a origem do exótico cenário.

 

“Vemos várias órteses, que é tudo aquilo que você usa para ajudar o sistema músculo esquelético, mas não é uma substituição deste. É diferente de prótese que é uma substituição, e que é usada dentro do corpo”.

 

“Localizamos então: par de muletas, coletes posturais (muito usados em pós-operatório de coluna), vários tutores ante-equino para tornozelo, um tutor articulado para joelho”.

 

“Pela quantidade de órteses, algumas me parecem novas pela foto, deve ter havido uma oficina ortopédica”.

 

O fenômeno continua sem esclarecimento. Não há nada na região que possa assemelhar a função ortopédica, tanto de produção quanto de serviço.

 

Sabe-se menos ainda de algum milagre de cura provocado em quem circula pelos corredores comerciais.

 

O Shopping como entidade comercial poderia instigar a imaginação e enveredar pelo educacional e promocional.

 

Obs. Os produtos da foto foram doados a uma Instituição local.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Flanelinha, esta praga urbana

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Flanelinhas

 

No Morumbi, há quinze anos, testemunho sempre que há jogo mais importante a invasão da rua que moro e adjacências por indivíduos que se sobrepõem aos seguranças existentes e “assaltam” os torcedores que estacionam. Cobram de acordo com o valor do espetáculo e a aparência do carro do cidadão. Deixam 10% com o vigia e vão embora pouco depois.

 

Cena corriqueira e banal mas revoltante. Tanto assim que na paralela, que é a Av. Morumbi, a uma quadra do Palácio dos Bandeirantes, outras quadrilhas ou elementos da mesma, diante dos policiais que circulam, fazem sinais para as vítimas, ou seja, os torcedores, e oferecem vagas nas ruas públicas.

 

Domingo, meia hora antes de Santos e Guarani estava chegando em casa quando a rádio CBN divulgava um pronunciamento policial informando prisões efetuadas de “flanelinhas” que cobravam até R$ 100,00 por uma vaga.

 

Não deu nem para animar, pois em seguida já avistava vários “flanelinhas” oferecendo estacionamento. Ao entrar na Rua Gastão Moutinho, onde moro, vi que estava totalmente tomada de veículos. Ao passar pelo vigia fiquei sabendo que cobraram de R$ 40 a R$ 50 e deixaram R$ 5 para ele por carro, que sabendo da informação policial reafirmou que neste domingo e nos demais anteriores nunca viaturas de policiamento passaram em nossa rua. Eu realmente nunca vi ronda preventiva contra flanelinhas. Apenas na Av. Morumbi policiamento ostensivo mas sem tomar conhecimento dos contraventores guardadores.

 

Realmente até hoje não consigo entender qual a dificuldade de impedir mais este assalto ao cidadão honesto. Mesmo porque não é exclusividade do Morumbi ou Pacaembu, estendendo-se a teatros, eventos, shows, etc.

 

Carlos Magno Gibrial é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

E segue o desrespeito ao espaço público

 

Rua ocupada

Por falar em desrespeito ao espaço público, é um mistério os motivos que levam a CET e a prefeitura de São Paulo a permitirem que o dono desta mansão no bairro do Morumbi impeça o estacionamento de carros diante de sua residência. Todos os dias, o privilegiado morador de São Paulo coloca cones e fitas para delimitar o local impedindo que cidadãos comuns tenham o direito de parar seus automóveis por ali. A rua onde o desrespeito se repete é a Albertina de Oliveira Godinho, uma travessa da Oscar Americano, do lado contrário do Hospital São Luiz. Se a Companhia de Engenharia de Tráfego tiver dúvidas, basta acessar o Google Earth e verá como é possível transformar em privado o espaço que é um direito do público, pois a imagem está “eternizada” na internet, também.

Prefeito usa tanque contra carro parado em local proibido

 

Jogada de marketing, sem dúvida. Mas que serve de alerta aos motoristas acostumados a estacionar em local proibido. O prefeito Arturas Zuokas de Vilna, capital da Lituânia, gravou vídeo no qual dirige um tanque e esmaga um Mercedes-Benz S-Class que estava parado sobre a faixa exclusiva de bicicletas. Adepto ao ciclismo – espalhou ciclofaixas por toda a cidade em seu primeiro mandato -, ele se disse cansado de ver carros de luxo, em especial, atravessados no caminho das bicicletas: “pensam que estão acima da lei” – disse para justificar porque decidiu passar por cima do automóvel.

Depois de consultar vários sites e jornais lituanos, não há como confirmar que a cena não foi montada, inclusive com a participação do suposto motorista que aparece com cara de assustado. Evidentemente que os prefeitos tem formas menos truculentas de resolver o problema, mas a ação de Zuokas ganhou repercussão internacional e talvez faça donos de carros reverem seu comportamento em todo o mundo.

Antes de você pensar “pena que o prefeito da minha cidade não é como ele” é bom saber que, apesar de reeleito, Zuokas tem uma administração marcada por denúncias de irregularidades.

Taxistas abusados ocupam vaga de deficiente

 

Ponto de táxi ilegal

Motoristas de táxis transformaram as vagas para pessoas com deficiência em ponto fixo, no supermercado Carrefour, na avenida Giovanni Gronchi, no bairro do Morumbi, em São Paulo. Quem reclama é nossa colunista dominical Maria Lucia Solla que chegou a alertar funcionários do supermercado, que não parecem tão interessados assim em resolver o problema. Sem solução, resolveu registrar em foto a irregularidade e o desrespeito com o cidadão.

Insensatez e demagogia

 

Por Carlos Magno Gibrail

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É melhor ser proibido de estacionar hoje do que ser obrigado a estacionar amanhã. Por total falta de espaço.

É proibido estacionar!

Em um ano esta deverá ser a realidade para a capital paulistana, se vingar o plano do secretário de transportes Alexandre de Moraes, reservando as ruas do centro expandido apenas para passagem, divulgado em manchete pela Folha há 10 dias.

Pelo proposto serão criadas 32.000 vagas de garagem em prédios e os caminhões e motos terão restrições de locomoção. Horários e locais serão revistos.

Essa política de exceções tendo em vista o crescente número de veículos que são introduzidos diariamente na cidade é absolutamente lógica. Entretanto, a população, já vitimada pela síndrome de Estocolmo, de acordo com recente pesquisa, que detectou boa parte dos paulistanos acomodados com o congestionamento, demonstra também um horror ao pedágio urbano. E a qualquer medida restritiva ao tráfego e circulação de automóveis. Síndrome e miopia que isoladas já seriam graves, mas juntas e somadas podem gerar um caos.

Moraes e Kassab sabem disso tudo. E, embora os técnicos como José Bento Ferreira da USP e Adalberto Felício Maluf Filho da Fundação Clinton apóiem as restrições, a precaução é tanta que há medo até de usar corretamente a palavra restrição.

O Secretário Moraes insiste que as mudanças são re-ordenamentos ou re-organizações, mas não são restrições.

Nem a imprensa escapa, pois a Ombudsman da Folha, Suzana Singer, domingo, puxou a orelha do seu jornal por ter dado manchete de primeira página à declaração do Secretário de Transportes quando anunciou a cobrança de estacionamento nas futuras garagens do centro expandido. Acatando críticas de leitores, ressaltou ainda que o jornal abriu pouco espaço ao desmentido da Prefeitura, que afirmava que vagas nas ruas continuariam. Como se o desmentido de Kassab fosse diferente do surrado expediente de culpar sempre a imprensa. De manipulação, de invenção, de intromissão, quando não de omissão.

Omissão que talvez ocorresse não fosse o diálogo de Gilberto Dimenstein na CBN com Mílton Jung quando, ao analisar reportagem do Estado sobre a ineficácia das obras recentes na Marginal, chamaram a atenção ao dinheiro desperdiçado em obras viárias, enquanto não se tem coragem de adotar o pedágio urbano.

Com o medo do pedágio urbano, esta proposta de cobrança de estacionamento por garagens privadas é no mínimo insensata, pois a solução é taxar os carros e reverter este capital para a construção de melhorias no transporte coletivo. Nunca deixar esta atividade para a iniciativa privada.
Como vemos a solução é simples. Basta usar as palavras certas.

Restringir os veículos: carros, caminhões, motos e priorizar os pedestres: ônibus, trens, metrô, bicicletas.
A dificuldade certamente é a eleição, ou o eleitor, que soubemos recentemente além da síndrome de Estocolmo e do trauma ao pedágio ainda está dividido entre voto obrigatório e voto facultativo.

Certamente os paulistanos deverão ter o trânsito merecido.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Foto-ouvinte: Placa, pra que te quero !

 

Placa de carro

Um carro com placa azul, é de embaixada; o outro, placa preta, do poder executivo. Em comum, o fato de ambos transportarem autoridades e desrespeitarem a lei. O veículo do Embaixador “Sei-Lá-Quem” estava ocupando vaga para pessoa com deficiência na praça Benedito Calixto, próximo de Pinheiros. Enquanto o do Prefeito “Sei-lá-de-onde” andava pela Marginal Pinheiros com a identificação escondida. Qualquer motorista comum correria o risco de ser multado ou o carro confiscado. Não para estes motoristas que se consideram sem-lei e desrespeitam o cidadão.

Foto-ouvinte: Motoqueiro fantasma (?)

 

Colagem de fotos de moto

Uma moto surge abandonada em meio a congestionada 23 de Maio, em São Paulo. Os motoristas e motoboys passam no entorno dela, são obrigados a reduzir a velocidade, buzinam sabe-se lá para quem, e levam um susto quando de repente o dono corre em direção a ela, monta e sai acelerando. A sequência foi registrada pelo ouvinte-internauta Luis Fernando Lis do alto do viaduto da rua Cubatão e apesar dele ter acompanhado todos os movimentos até agora está sem entender o que aconteceu. O que teria feito de tão urgente o motoboy ‘estacionar’ no meio da avenida ?

Shoppings e Serra na Justiça contra estacionamento grátis

 

Há dois anos pelo menos respondo e-mails que chegam ao CBN SP negando a informação de que havia lei em vigor no Estado de São Paulo que proibia a cobrança do estacionamento em shopping aos consumidores que gastassem mais de 10 vezes o valor da taxa. O spam que circulava na internet ainda dizia que os funcionários dos caixas de estacionamento escondiam dos clientes esta informação.

Nesta quarta-feira sou surpreendido com a divulgação do Diário Oficial do Estado que a lei está em vigor em São Paulo graças a derrubada do veto do governador José Serra (PSDB), coisa rara na Assembleia Legislativa que costuma dizer amém a tudo que o Palácio dos Bandeirantes deseja. Os primeiros comentários foram favoráveis, pois a maioria dos consumidores acredita ser um abuso o preço cobrado pelos administradores de shopping.

Agora à tarde, começaram os questionamentos: o preço do estacionamento deve subir, o custo será repassado aos lojistas e as mercadorias ficarão mais caras. O governador também anunciou que entrará com Ação Direta de Inconstitucionalidade por entender que apenas a União pode legislar sobre a propriedade privada. Outras tentativas de aprovação de lei semelhante foram derrubadas na justiça que entende ser ilegal a interferência dos estados neste negócio.

Os lojistas de shopping através de entidade nem tão representativa assim também anunciaram que são contra a medida pois a conta vai parar na mesa deles. A Alshop de Nabil Sahyoun informou que os shoppings vão à Justiça com pedido de liminar para continuar cobrando o estacionamento até que haja decisão final sobre a inconstitucionalidade da lei.

No Rio de Janeiro, os juízes deram razão para os administradores de shopping e a lei deixou de existir. E lá tinha o apoio do governador.

Confesso que para mim esta é uma daquelas leis que a princípio parecem ajudar o consumidor, mas na hora de fazer as contas e puxar o traço ainda vai pesar mais no nosso bolso.