Coisas de criança grande

 

Por Dora Estevam
 
Crianças adoram, mas os adultos não ficam atrás quando o tema são acessórios com imagens de bichinhos selvagens e fofinhos.

O estilista Marc Jacobs, Louis Vuitton, acaba de lançar a coleção Primavera’11. Tem calças com girafa nas pernas, suficiente para fazer alguém sorrir. Até aí, tudo bem. Eis que surgem sapatos com calcanhares moldados em animais minúsculos com pernas e cascos. Uns diriam que o modelo é exagerado, outros que foi um show exuberante. Eu não sei como ficaria em uma moça de escritório. Mas esse Marc Jacobs está sempre tentando fazer as mulheres felizes, de uma forma ou de outra.

Um dos fotógrafos favoritos das editoras de moda é Tommy Ton, que anda por aí clicando imagens interessantes e com estilo. As fotos dele traduzem bem o que as pessoas estão usando nas várias capitais mundiais.  O moço já mostrou novidades como os estilos curiosos de Kirkwood, das meias tie-dye, dos turbantes de Catherine Baba, dos predomínios das maquiagens, enfim. Mas o que surpreendeu as produtoras da redação da Style foi, certamente, a bolsa Gremlin.

Fascinante saber que alguém pode sair às ruas com uma bolsa nesta apresentação. Vale uma reflexão.
 
Outra figura interessante e arrojada é a diretora e consultora de moda criativa da Revista Vogue Nippon, Anna Dello Russo. É muito comum encontrarmos fotos que destacam o estilo dela em todos os editoriais de internet, em sites, blogs e comentários. Anna está sempre com roupas e acessórios extravagantes, e não poderia deixar de usar frutinhas em suas tiaras. Ela aflorou o lado menininha exagerada com os adereços na cabeça.
 
Sem problema, Anna ! Todas nós gostamos de usar de vez em quando umas peças infantis.
  
Agora, tem gente abusada que põe uma coisa na cabeça e sai assim mesmo. É o caso desta moça, que teve vontade de passear feito Mulher-aranha e cheia de personalidade foi embora. Sem dúvida, é um caso para se pensar.

 
É aquilo que eu falo (e escrevo), tem vontade faz, pensou em uma produção vai e veste. Pode até ser uma simples camiseta, mas se for o seu momento nem pense em desistir da proposta.

 

E para encerrar o nosso momento adulto-infantil, vejam que par de botas incrível esta exposta na vitrine da Miu Miu, clicada por Jack and Jill.

 
Sem dúvida você não passaria sem ser notada em uma festa com estas maravilhosas obras de arte.
 
Vamos ver quais serão as próximas manias dos adultos por aqui. O verão está chegando e com os calor as extravagancias todas são permitidas.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

A cor que favorece seu dia

 

Por Dora Estevam

Pretinho básico from Milton Jung on Vimeo.

 
Nestas viradas de tempo tem dia que fica difícil escolher a roupa para sair de casa, principalmente para quem trabalha fora e tem que estar bem apresentada. E, definitivamente, não dá para repetir a roupa de ontem. Por mais que o “não ligo pra isso” prevaleça, o bom senso fala mais alto. E nesta entre safra também tem aqueles dias em que pela manhã faz frio, a tarde esquenta muito e a noite esfria de novo. Enfim, já estamos mais que acostumadas com isso, afinal estamos no último fim de semana do inverno.

Para não acontecer aqueles erros que só quem já cometeu sabe como é, tipo sair de casa com uma roupa e ficar o dia inteiro se sentindo mal, se olhando, tentando se achar; ou dar uma escapada na hora do almoço para comprar um sapato ou uma blusa nova, a ideia é sempre se lembrar do que é básico e que com certeza não vai te deixar na mão.
 
Que tal para começar a semana falarmos do pretinho arrojado. Com ele você já sabe que não tem erro. A produção estará garantida.
 
Agora, se você tem dificuldade em preparar look até mesmo com o preto, dê uma olhada nas fotos que separei e estão no início do texto. São imagens clicadas por fotógrafos de Londres, Paris, Nova York.

O interessante é que elas foram clicadas nas ruas, são imagens de pessoas que circulam pelas calçadas em dias normais e que estão entrando ou saindo de seus escritórios, não são fotos de desfiles.
 
Portanto, a ideia é despertar a sua criatividade e usar as suas roupas de uma maneira diferente das que você já usa. Sim, pois tem gente que entra na loja, compra um conjunto e para sempre será usado daquele jeito. A pessoa acaba perdendo a oportunidade de criar novos visuais com as mesmas peças.
 
E outra coisa, quando se fala em pretinho básico vem logo aquela imagem do vestido tubinho das passarelas. Aqui não é isso, aqui estou falando sobre moda de rua, a verdadeira versão de quem realmente faz o mercado da moda girar. E quando a gente para pra ver os truques, as ideias, as diferentes maneiras de compor um lenço, um cinto, uma camisa, é realmente incrível. A sensação visual é muito boa. 
 
O básico para um pode ser o preto, para outro o bege, o verde, o marrom, o azul, não importa a cor, o interessante é você saber que ter sempre a cor preferida por perto pode facilitar a vida em algumas horas do seu dia. E ainda te deixar de bom humor.

Hoje a cor escolhida foi o preto, depois falaremos do azul jeans, dos brancos, dos amarelos … Da cor que você preferir.

Fotos: Altamirany; stokholm, style.com,streetfsn.com;

Dora Estevam é jornalista e escreve de moda e estilo no Blog do Mílton Jung

Moda para curtir no fim de semana

 

Por Dora Estevam

Estamos no começo de um fim de semana mais que prolongado. Com esta ponte na segunda-feira quem pode vai ficar sem trabalhar pelo menos quatro dias. Excelente oportunidade para aproveitar as coisas que em dias normais de atividade seriam impossíveis de realizar.

capaBem, como o assunto aqui é “moda & estilo” selecionei algumas sugestões sobre o tema para passar o tempo e, ainda, se atualizar. Isso é claro para quem gosta e se diverte com moda – na sua mais amplitude filosofia.

O mais recente lançamento e o mais esperado também é o livro: “Moda: uma filosofia de Lars Svendsen”, editora Zahar. O fio condutor é o princípio fundamental da moda, a busca pelo novo. O autor reúne referências que vão da música pop e da arte contemporânea a pensadores como Kant, Barthes, Benjamin e Giddens. O ponto de referência é o vestuário no qual o autor faz um apanhado histórico e analisa a relação da moda com o corpo, a linguagem, arte e consumo. Um resumo do que a filosofia e a sociologia têm a dizer sobre o assunto.

Lars Svendesen esteve no Brasil, em São Paulo, em 2009, e proferiu palestra no seminário Pense Moda, no qual discutiu o tratamento dado à moda pela imprensa. Tem mais, o livro custa apenas R$ 29,00 e, com certeza, vai ajudar muitos estudantes da área. Não é sempre que temos a moda estudada por filósofos.

tesouraA outra sugestão é a mostra Ofício de Alfaiate: a bancada de Roldão de Souza Filho, no Museu Paulista da USP . A mostra apresenta uma das mais recentes doações recebidas pelo museu, a bancada de alfaiate que pertenceu a Roldão de Souza Filho.

Roldão começou no ofício em 1947, tinha 16 anos apenas. Como aprendiz de alfaiate tomou gosto e nunca mais parou de costurar. Trabalhador autônomo, morador do bairro de Perdizes, formou uma grande cartela de clientes até 2005, quando morreu. Ele costurava roupas masculinas como ninguém. Coletes, paletós, camisas, tudo sob medida.

Tudo o que traduz a história de Roldão foi doado, desde as roupas até os objetos de trabalho: máquinas de costura, réguas, tesouras, os moldes de papel de seus clientes, os ferros de passar e as colchas de retalhos com amostras de tecidos utilizados por ele nas confecções – importante contribuição para a documentação e preservação dos meios de trabalho deste ofício que quase não existe mais.

Dá uma passada lá, é no Parque da Independência, bairro do Ipiranga. e fica à sua disposição até sete de novembro.

modarecicladaCaso você queira gastar um pouco com roupas, a dica é conhecer o Projeto Moda Reciclada 2010, no Shopping Morumbi. Os organizadores montaram uma banca para receber doações de roupas usadas. Estas peças foram selecionadas pelo estilista Alexandre Herchcovitch, que, juntamente com as costureiras da ONG Florescer, fizeram uma releitura, transformaram as peças que, agora, estão à venda no ateliê Pop Up Store, na Oscar Freire, 512.

Não se preocupe com o preço, os looks, saias, camisas, vestidos e muito mais variam de R$ 48,00 a R$ 249,00. Toda a renda vai para a ONG Florescer. As vendas começaram esta semana e seguem até o 19 de setemebro. Sem dúvida você vai fazer uma ótima compra e ainda dar uma força pra quem precisa.

Aproveite também para ler algumas revistas, visitar blogs, ouvir algumas músicas, aquelas prediletas, ou ir ao cinema com os queridos.

Se você tiver alguma sugestão para o feriadão e quiser compartilhar escreva para nos contar.

Bom feriado!

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

A sustentabilidade na moda

 

Por Dora Estevam

bolsinhas de palha
Cresce cada vez mais o interesse de pessoas pela Moda Sustentável.  São estilistas, fashionistas, colunistas e criadores todos em volta de um tema que parece tão estranho à primeira vista.

Estranho, pois quando se fala em moda a primeira ideia que vem a mente é gastar, consumir, comprar compulsivamente – em alguns casos, é claro. Ao incluir o sustentável à moda, faz-se o caminho inverso: economizar, usar o que tem em casa, reformar tudo o que foi possível ou comprar de segunda mão.

Para difundir esta questão no Brasil a consultora de moda e stylist Chiara Gadaleta Klajmic preparou curso para estudantes de moda, jornalistas e profissionais interessados na moda sustentável, que se realizará na Escola São Paulo, de 21 a 30 de setembro.

A intenção é abrir discussão sobre o mercado da moda, traçando um paralelo com o desenvolvimento sustentável. Da forma mais criativa e lúdica possível. Questões mais técnicas serão abordadas, também: relações internacionais –   com a China, mais especificamente; fast fashion; renovação de tecidos e relações humanas.

Chiara abraçou a ideia da moda sustentável e defende a causa através de ações divulgadas no blog Ser Sustentável com Estilo. Passeando por lá. pude ler temas incríveis, uma mistura de poder aquisitivo com economia e criatividade para não esbanjar dinheiro e conservar o meio ambiente.

Produção de Chiara Gadaleta

Produção de Chiara Gadaleta

Há quem pense que moda sustentável é fazer colcha de retalhos coloridos, bem caipira, ou colar com casca de árvore. Engana-se. Saiba que os trabalhos são muito mais requintados do que se imagina.

A estilista Serpui Marie, por exemplo, está no mercado de sapatos e acessórios há 20 anos. Destes, há 18 exporta suas criações e convive com as exigências do mercado internacional.

Serpui sempre trabalhou com produtos naturais, mesmo muito, mas muito antes do assunto virar interesse público. A estilista desenvolve modelos como chapéus e bolsas de palha, e é ai que entram os materiais naturais como palha de banana e de milho, e também tábua e buriti. Para tingir as palhas a tinta também é natural. Toda a produção está concentrada no Sul de Minas Gerais.

Outro estilista que ficou muito conhecido através da técnica do reaproveitamento é Geová Rodrigues. Foi tentar a carreira de artista plástico fora do Brasil (desde 1989) e descobriu o lixo das grifes instaladas na 7ª Avenida em Nova York, de marcas como Calvin Klein, Donna Karan e Anna Sui. Deste lixo de retalhos luxuosos, o estilista fez peças incríveis e exclusivas. Logo chamaram a atenção de revistas e celebridades famosas.

Outro site muito interessante para quem quer tornar a relação da sustentabilidade mais próxima é o da Fundação Ecotece. Lá tem tudo o que precisamos saber e entender para deixar o guarda-roupa mais eco-fashion.

Segundo a consultora Chiara, medidas como economizar energia, conter o desperdício de água e controlar o consumo vão fazer bem ao seu corpo, a sua mente e ao nosso planeta.

Pesquisando descobri muitos outros sites incríveis sobre o consumo de moda sustentável. Eu ficaria aqui rolando posts e posts de tanta coisa boa. Vale muito a pena dar uma olhada, tenha certeza que você vai se identificar com alguma ideia sobre o tema.

Agora, eu adoraria saber qual a sua dica sobre o assunto.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo no Blog do Mílton Jung

Velhos e elegantes

 

Por Dora Estevam

Homens velhos e com estilo

Homens velhos e com estilo

É tão bom quando você anda pelas ruas ou passeia pelos corredores dos shoppings e encontra homens maduros bem vestidos. Não é por que envelheceram que vão vestir roupas ultrapassadas, surradas, chinelos com meias esgarçadas e blusas cheias de manchas do tempo, que se confundem com as rugas da face.

A elegância do homem mais velho ao se vestir está acima do calor ou do frio. Ele tem obrigação em mostrar todo brilho da idade. Mesmo porque as senhoras mais velhas tendem a andar elegantes, bem vestidas e maquiadas. Não é tipo “mocinha” que me refeiro. É elegância, mesmo. Sobriedade.

Eu, particularmente, não gosto de ver mulheres mais velhas e fora do peso vestindo roupa de homem, ficam masculinizadas. Outro dia assisti à cena na qual a atriz Aracy Balabanian, na novela Passione, da TV Globo, vestia camisão, calça comprida e sapato sola grossa.

Gente! Ela já faz papel de dona nervosa, com aquele conjunto então… Corra!

Bem, voltando aos homens: ser um velho elegante é como aproveitar a vida sem cair em contradições. Conforto e simplicidade se bem aproveitados só levam alegria e divertimento para amigos e parentes.

Lyndall e Ginna, maturidade na elegância

Lyndall e Ginna, maturidade na elegância

Gitta Lee é uma senhora londrina que foi modelo há 50 anos e agora está voltando para a publicidade. Ela foi fotografada pela Time Out Magazine. No encontro entre Gitta e o repórter, a modelo se referiu à campanha como uma inspiração ao envelhecimento: ”Uma foto de uma senhora elegante e velha em uma campanha publicitária acrescenta qualidade e elementos atemporais na história”.

Outro destaque da moda avançada é Lyn Dell, proprietária de uma loja na Broadway. De acordo com o site Advanced Style, ela é uma fashionista tão querida e glamourosa que até a Vogue Itália fez editorial com a velhinha.

Realmente, não estamos acostumados a ver idosos em campanhas de publicidade de uma maneira mais elegante. É sempre aquela imagem de velhinho e tal.

Também por aqui são muito comuns homens mais velhos se vestirem como se fossem menininhos de 15 anos (ok, as mulheres também não fogem disso). É deselegante e desnecessária esta exposição. O mundo não precisa ver isso.

Basta ter estilo pessoal e roupas que se adaptem perfeitamente ao clima e ocasião. Não precisa sair gastando toda a aposentadoria nas marcas de cada estação, apenas que ter alguns modelos práticos. Os acessórios são complementos que podem ser trocados de acordo com a estação.

O retrato de um homem velho e elegante resulta da combinação de belos acessórios e cores, além da sutileza de saber envelhecer positivamente se adequando aos tempos.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo no Blog do Mílton Jung

Quando o esquisito vira lindo aos nossos pés

 

Por Dora Estevam

A cada desfile de moda surge uma novidade. Tem modelo que vende e outros nem saem das araras de mostruário, porque não agradam.

Já é sabido também que os estilistas percorrem as celebridades para tais lançamentos: se eles querem realmente vender, eles contratam uma. E não é de hoje que tudo, tudinho o que estas moças vestem vira febre. E os estilistas se tornam ainda mais famosos.

Worishofer

Prova disso são os sapatos. É só elas aparecerem com um modelito novo e pronto: vende, vende, e vende muito.

O sapato da vez é um modelo alemão Worishofer: ele tem uma cara de sapato de vovó, é o tipo que não se venderia sozinho para mulheres mais jovens. O Worishofer nem é uma novidade de mercado, foi inventado por um médico alemão para ser usado por mulheres com problemas de coluna, na década de 70. Todas as vovós européias têm um no armário.

E como um sapato terapêutico deixa as mulheres alucinadas?

Num piscar de olhos, de repente, o sapato surge nos pés das atrizes Maggie Gyllenhaal e Kirsten Dunst, da cantora M.I.A e reaparece novinho em folha nas prateleiras da badalada loja Urban Outfitter. Pronto, dinheiro em caixa.

Alexa Chung e Kirsten Dunst

O presidente da rede de lojas americana Laurevan Shoes, que vende o Worishofer há pelo menos 26 anos, disse ao jornal inglês Daily Mail que desde 2008 a venda aumentou 50% e as mulheres mais jovens realmente começaram a se interessar pelo modelo. “É um fenômeno estranho”, disse Weitan. Estranho ou não, só sei que o sapatinho é mais um dos modelos polêmicos que apareceram por aqui.

Na última coleção de verão 2010 da Chanel, foi apresentado um modelo de tamanco chamado Clog. Quem defendeu o uso – adivinha (?) – a fashionista Alexa Chung, e ainda mais na capa da Vogue. A notícia se espalhou assim como o modelo foi copiado por várias marcas (nacionais, também, é claro).

Esta não é a primeira vez nem será a última que teremos modelos (aparentemente) estranhos ou polêmicos. Ou estranhos e polêmicos.

Crocs 1

Na década de 70, os sapatinhos da vez foram as alpargatas. Todo pé tinha de ter um par. Daí pra frente vários outros se apresentaram, tipo a bota Pata de Bode, aquela com solado beeeem grosso. E, não podemos esquecer, dos mais recentes Crocs. Estes usados por toda humanidade, acredito.

Bem, esta é apenas mais uma interferência das celebridades no mundo da moda. Capazes de transformar o esquisito em sinônimo de bonito.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo no Blog do Mílton Jung

A primeira imagem deste post é do blog I Heart Sensibles Shoes e a última da galeria digital de Urban Combing, no Flickr

Moda pra não tirar o chapéu

 

Por Dora Estevam

Esta semana, a chapeleira Silvia Lucchi inaugurou exposição de chapéus, em São Paulo. Ela está de volta ao Brasil depois de morar uma boa temporada na Holanda. Por aqui, a estilista teve destaque na década de 1980 quando criou peças para as marcas Zoomp e Fiorucci. Depois, foi para o exterior, onde seguiu carreira profissional.

Silvia Lucchi

Quando se fala em chapéu vem logo a imagem de homens sóbrios dos anos 1900, conversando em rodinha nas ruas de Paris com seus novos ternos – sim, a casaca já havia caído. Era uma época em que homens e mulheres não saíam de casa sem ele. Mas o chapéu faz parte de várias gerações e os estilistas nacionais e, principalmente, internacionais amam trabalhar com este acessório tão encantador.

Chapéu e luvas faziam parte da toillette de toda mulher de 1930 a 1939. Por optarem por uma moda mais prática os pequenos e planos eram fáceis de serem presos ao penteado. Foi uma época fantástica para as criações. Elsa Schiaparelle Elsa Schiaparelle (foto ao lado), que desbancou Coco Chanel com seu estilo moderno e prático para a época, criou chapéus que eram obras de arte. Schiap, como era chamada pelos amigos, gostava de penas, não por acaso o chapéu mais famoso dela foi confeccionado com feltro vermelho e uma pena de galo. Logo virou uma marca da estilista italiana.

Foram muitas as criações: ficou célebre, também, o sapato que Schiap transformou em chapéu ao dobrá-lo para cima, com sola vermelha, sem nenhum pudor. O modelo foi usado por ela mesma e em poucas clientes ousadas. Amigo de Schiap, Salvador Dali apreciou muito a criatividade dela.

Se for pensar em loucuras de chapeleiros, logo vem à mente os mais modernos como Philip Treacy (foto a seguir) e Stephen Jones.

No Brasil, o uso do acessório não é tão frequente, a não ser em ocasiões muito especiais. Apesar disso, a moda sobrevive. No Rio de Janeiro, a chapelaria Alberto que funciona há mais de 100 anos e, em São Paulo, a chapelaria Maurice Plas com 40 anos, resistem bravamente às mudanças do tempo vendendo chapéus de todos os modelos.

O mais comum é ver o chapéu sendo usado no verão para se proteger do sol; no inverno alguns senhores com o boné inglês de lã – parece ser bem confortável. As mulheres resistem muito, com exceção de algumas que viajam para o exterior e acabam usando como opção de moda. Também por isso, o chapéu é uma peça que chama muito a atenção. Todo mundo comenta quando tem alguém usando.

Philip Treacy

Quem se diverte mesmo são as produtoras de moda e os estilistas. Eles procuram muito o acessório para as produções de fotos e desfiles. Mas é bem raro encontrar um na rua.

Que sabe a exposição “Na cabeça” de Silvia Lucchi renove e traga de volta o gosto pelo chapéu. Seria bem interessante. São mais de 200 modelos elaborados em materiais e estilos diversos. Tem até modelo que já foi vendido na famosa Barneys, de Nova York. A mostra vai até 26 de agosto, no Museu do Objeto Brasileiro, com entrada franca, em SP.


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábado, no Blog do Mílton Jung

É outono, troque seu guarda-roupa !

outono-lindo


Por Dora Estevam

Neste sábado, dá início a nova estação, outono, e com ela a mudança do clima: de manhãzinha frio, à tarde calor, à noite frio de novo. Seu guarda-roupa pede malha, camisa de manga longa, blazer, casaquinho, jaqueta, calça de algodão, meias, sapatos fechados, echarpes, lenços … Uma infinidade de peças que precisa ser acolhida no espaço que está habitado pela moda verão.

Não importa o quanto você vai gastar em um par de sapatos novos ou em um sweater, o que importa é que você precisa comprar pelo menos duas peças para  compor o novo visual. Se você é do tipo que trabalha muitas horas, que precisa andar de um lado ao outro no escritório, sem dúvida terá de investir em algo de qualidade. A primeira coisa em mente é que, do verão para o inverno, a mudança é radical: saem os florais coloridos, entram as cores esmaecidas.

Chega, então, a hora de escolher entre preço, moda e marca. Vá com calma ! Não saia por ai gastando tubos em algo que você usará pouco e logo vai enjoar. Compre peças boas, não precisa ser de marca famosa e cara.

Moda Out:2010 Feminina

Sugestão da consultora de moda e professora da Faculdade Santa Marcelina Andréia Miron: aproveite e dê uma espiada no guarda-roupa da mãe ou da avó. Veja se lá tem um casaquinho de veludo alemão, de brocado, lurex, lamê, tecidos com carinha de antigo. Estes modelos se usados com um cinto por cima ou uma bolsa bacana, são elementos do passado que dão característica de unicidade.

Para o orçamento que está curto ou para quem não pretende comprar um blazer mais ajustado, com ombreiras de espuma pontiagudas, precisa ter em mente as cores da estação (rosáceos, nudes, toda a gama dos azuis, preto e branco, cinza, musgo) e compor com o que já tem em casa.

Os estilistas estão compondo cada vez mais o guarda-roupa feminino com a política da liberdade da criação, explica Andréia.

1. Ela ensina como fazer esta troca sem gastar muito tempo:

2. Comece por tirar as peças sem manga e substituí-las pelas com manga;

3. Depois, encaixe aquelas que protegem do friosinho comum de outono como blazer, jaquetas, malhas, tricots.

4. Então, troque as blusas decotadas pelas de golas mais altas.

Mudança também na sapataria. Se a intenção é, realmente, usar o que está na moda, o sapato feminino ideal agora é o “Kitten Heels” (Salto Gatinho). O salto não tem mais que cinco centímetros. Uma tendência mundial. A proposta visa dar conforto para mulheres de todas as idades.

Continuam os de bico fino contemporâneos e retrô com bico quadrado. Use meias trabalhadas, como as rendadas.

Moda Out2010 Masculina

Para os homens de paletó, o forte da estação será o azul marinho; nas camisas, o predomínio dos azuis, dos claros aos escuros, tipo Bic; as gravatas aparecem nos tons esmaecidos, amarelos e rosáceos. Os sapatos – sem invenção: os mesmos clássicos de amarrar.

Com tudo isso, nesta mudança de guarda-roupa, se você não tiver onde guardar o que sobrou faça uma boa ação.

Ao optar pela doação, veja se a roupa não está rasgadinha. Se estiver tudo certo, não exite: dê para pessoas que realmente precisam, doe para a empregada, alguma amiguinha em crise financeira, aquela priminha pobre do interior ou procure ONGs que saberão dar uma finalidade.

Doar é uma prática de boa conotação e fará com que pessoas com dificuldades se sintam bem melhores.

Agora, se você realmente não pode gastar nada, tem um sistema de troca de roupas muito usado pelas britânicas que é o “Clothing Swaps”. São amigas e até lojas, bazares que combinam de levar tudo aquilo que não usam mais para troca. Quem não se incomoda de usar roupa de segunda mão acaba tendo vantagem. O conceito do “O Que é Meu é Seu” pode ser usado em produtos de beleza, acessórios, mobílias, vai da sua imaginação.

Se você tem muitas amigas, acho que seria uma boa opção para este momento. Agora, veja se a amiga tem um guarda- roupa legal, caso contrário alguém pode sair no prejuízo.

Ligue para elas e combine um encontro, depois me conta como foi.

Dora Estevam é jornalista e aos sábados escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung.

outono-lindo

Careca, relaxa e goza

 

Dora Estevam

careca_careca

É dos carecas que elas gostam mais … Quantas vezes na vida você já ouviu esta Marchinha de Carnaval ? O fato é que ninguém gosta da ideia de ficar careca. Mas, se é que serve de consolo, existem algumas soluções (clínicas e estéticas) tanto para o homem quanto para a mulher (siiiim, elas ficam carecas, também) que podem ser seguidas sem ter que passar  vergonha ouvindo aqueles apelidos desagradáveis: canteiro de cebolinha, cabelo de boneca, pouca telha, plantação de milho, aeroporto de mosquito… e por ai vai.

Diz o médico de calvície, Francisco Le Voci, da Sociedade Brasileira de Dermatologia e especialista em transplante capilar do Hospital Albert Einstein, que as pessoas passam por um momento no qual o que importa é a aparência. Com isso há enorme procura pelos tratamentos que trazem resultados naturais, algo impossível há 15, 20 anos. O ciclo do cabelo melhora muito com a evolução das técnicas e  os novos materiais.

Foi a solução encontrada pelo cabeleireiro Narciso Guilherme, do salão Amica-SP. Assim que os fios começaram a cair e foram sobrando aqueles tufos, ele logo procurou um esteticista especializado em calvície. Com implantes conseguiu que em seis meses os fios crescessem. Hoje, estão ótimos e Narciso está satisfeito com o resultado.

Como profissional, a sugestão de Narciso: “Toda vez que vem algum cliente com aqueles poucos cabelinhos no pescoço, compridinhos e desajeitados,  eu logo dou a dica para cortá-los. Não precisa ser radical e raspar a cabeça, basta mantê-los beeeem curtinhos. Se for optar por uma barba, cavanhaque ou bigode, a dica é a mesma: mantê-los bem aparados, para que haja um equilíbrio entre a careca e os fios curtos.”

careca_olhar

Ele ensina que existem vários shampoos no mercado para a boa higiene. Há também algumas maquiagens, mas Narciso desaconselha, não vê necessidade. O ideal é que  se vá ao médico para saber qual o tratamento adequado. Há um para cada tipo de cabeça. E alerta: tem de ser natural e saudável.

A exemplo de Narciso, o doutor Francisco Le Voci entende que o ideal é ouvir um especialista assim que perceber a queda de cabelos. Se é uma pessoa jovem, é mais fácil controlar o problema logo no começo. Existem formas de desacelerar a queda. Nos mais velhos, o processo de recuperação é mais lento, às vezes é preciso até cirurgia.

Le Voci alerta que as  mulheres também sofrem de queda de cabelo. Não ficam carecas, mas o cabelo fica ralinho no alto da cabeça. Antigamente, em lugar de buscar soluções para o problema, usavam perucas. Hoje, quando a queda afeta a auto-estima, partem para o transplante. Cuidam da cabeça assim como da pele, das rugas e do peso.

Atualmente, as mulheres perdem muito mais cabelo do que no passado. Isto é resultado da mudança de comportamento provocada pela revolução feminina, o uso da pílula, menstruação, estresse no trabalho – tudo isto interfere. Le Voci calcula que 80% das mulheres podem perder cabelos depois da menopausa. Se tiverem antecedentes na família, será quase inevitável.

Todos temos uma perda fisiológica de cabelo que vai de 50 a 100 fios por dia, mas não é o suficiente para se ficar careca, pois nascem novos fios, também. O sinal de alerta é quando está caindo de mais e nascendo de menos. Neste caso, é fundamental procurar um dermatologista.

careca_andre_agassi

Um caso famoso de careca  é o do ex-tenista André Agassi.  Em “Open an autobiography”, livro no qual revela o consumo de droga e critica colegas de quadra, ele conta que usou peruca para jogar e, em partida disputada pelo Torneio de Roland Garros, em 1990, quase a perdeu – a peruca, não o jogo: “Claro que poderia ter jogado sem ela, mas depois de meses de criticas e ironias eu  já estava muito afetado. A imagem não é tudo? Que diriam se soubessem da peruca? Ganhasse ou perdesse, não iriam falar do jogo. Só falariam disso. Se fechar os olhos, consigo ouvi-los e sei que não ia aguentar”.  

A sugestão de raspar a cabeça e se livrar da peruca foi da Brooke Shields, mulher dele na época.

Careca_Mel_Gibson

Ano passado o ator e produtor Mel Gibson, aos 53 anos, caiu na traquinagem do filho e aceitou o desafio: raspou a cabeça. Comentário dele ao New York Post: “Pensei que me sentiria bem. Que seria uma boa mudança. A verdade é que eu parecia um frango despenteado, e a única vantagem é que não me reconheciam nas ruas”,.

Apesar da grande preocupação com a aparência  o que precisa mesmo é ser saudável, cuidar da  pele, da alimentação, da espiritualidade e do cabelo, é lógico, ensina doutor Francisco Le Voci. Não adianta jogar todas as frustracões na careca. Não vai resolver. Importante é o que tem em você.

Saiba que não existem milagres, mas há alternativas para sentir-se bem. Quanto antes você tiver orientação de um profissional seguro e honesto maior é a chance de resolver o problema. Se é que calvície chega a ser um problema para você.

Dora Estevam é jornalista e aos sábados escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung.

Cabelos grisalhos, aprenda com a natureza

Por Dora Estevam

Eu estava assistindo ao programa Manhattan Connection (GNT) no último domingo e me dispersei um pouco do assunto. Comecei a reparar nas cabeças dos apresentadores.

Lucas Mendes

Em Nova York, tem lá os jornalistas Lucas Mendes e Caio Blinder. No estúdio brasileiro, o economista Ricardo Amorim e o jornalista Diogo Mainardi.

Diogo Mainardi

Aí, eu me dei conta que  Lucas Mendes, Diogo Mainardi e Ricardo Amorim têm cabelos grisalhos. Lucas Mendes totalmente branco, os outros dois “salt and pepper”, ou seja, uma invasão dos cabelos brancos em cima dos pretos que ainda lembram à juventude.

Ricardo Amorim
 
Já o Caio Blinder, segundo mais velho da turma, aparece com os cabelos negros e a barba pouquíssima coisa branca. Interessante que os outros dois, Ricardo e Diogo, ficaram muito bem com os cabelos brancos que dão até um ar mais leve no rosto, diferentemente do Caio Blinder que tem os cabelos escuros, o que endurece o semblante.

Caio Blinder

E há um contraste muito grande porque Caio fica ao lado de Lucas Mendes que já esta com a cabeça coberta por fios brancos. E mesmo sendo mais velho que Blinder, Mendes aparenta ser muito mais charmoso e com aparência mais suave que o amigo.

Juca Kfouri

Certa vez entrevistei o jornalista Juca Kfouri e ele me disse que apesar da idade não tinha cabelos brancos, portanto não pintava, era natural. Não sei se é o caso do Caio, também.

É sempre uma polêmica quando se fala neste assunto. O ator de cinema George Clooney, muito lembrado quando o assunto são os cabelos brancos, as mulheres adoram e o acham charmoso. 

George Clooney

Para o barbeiro – sim, eles ainda existem -, Rogério Rodrigues, 38 anos, que trabalha no salão do Clube Paineiras, em São Paulo, pintar o cabelo depende muito da idade do homem. Tem garotos na faixa dos 25 que começam a perceber os primeiros fios brancos e já querem pintar. No começo ficam um receosos pela vaidade, mas depois se rendem e não param mais de tingir, para não aparentarem mais velhos. Os homens na faixa dos 30 preferem passar um shampoo especial ou tinta para misturar os fios, e os de mais idade, que o rosto já aparenta mais velho, ficam com os brancos sem tinta.  

Com vaidade ou não, o que vale é que no mercado existem vários tipos de produtos para a finalização do cabelo masculino. Descubra o seu estilo e vá em frente. A melhor sugestão é a da própria natureza: conforme você envelhece e fica mais enrugado, o seu cabelo clareia e deixa os traços mais suaves. Se houver uma intervenção como a tinta, o rosto fica mais pesado e sisudo.

Dora Estevam é jornalista e vai dividir seu olhar para o estilo de vida com os leitores do Blog do Mílton Jung, a partir de hoje. Seja bem-vinda.

(N.E: Alguém pode sugerir ao Heródoto Barbeiro que leia esta artigo !)