Do pula-pula ao monociclo, um passeio da piada à evolução

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O sueco Adam Mikkelsen, da cidade de Mamo, profissional disruptivo e colecionador de sucessos, anunciou o lançamento do Pula-Pula como elemento de mobilidade urbana. E alertou que não era piada.

 

Não pegou!

 

No Hora de Expediente, da CBN, o Pula-Pula analisado como um dos temas e tido como modal, não emplacou e fez com que o episódio radiofônico enveredasse pelo humor, e pelo viés da diversão esportiva.

 

Ouça o quadro Hora de Expediente, que foi ao ar no Jornal da CBN

 
Coincidentemente, dias antes, tínhamos sido convidados a imergir no recente mundo das alternativas urbanas de mobilidade da cidade de São Paulo por um aficionado do setor: Marcio Canzian, ex-publicitário e atual empresário do segmento de equipamentos onde convivem patinetes, bikes e monociclos elétrico-eletrônicos.

 

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A startup disruptiva do Marcio, na Vila Olímpia SP, corresponde ao clima urbano e contemporâneo esperado na arquitetura, no visual merchandising e no atendimento, mas contrasta até certo ponto com a expectativa do perfil do cliente. Na medida em que não são os millennials que preenchem plenamente seus espaços.

 

Uma análise do portfólio de produtos da ELETRICZ dá a pista na medida em que os patinetes elétricos e as bikes são os produtos padrão, mas a estrela máxima da loja é o monociclo elétrico, para o qual parte do público é mais maduro. Provavelmente o mesmo da turma do Hora de Expediente.

 

Para Canzian, cujo “mindset” está focado na facilidade de locomoção e na melhoria do meio ambiente, a aposta é nos micros modais, mas como carro-chefe de seu negócio o monociclo tem a principal atenção na evolução do produto, na produção e na comercialização. Daí a constância de viagens à China, terra de seu fornecedor e desenvolvedor, onde como piloto atento municia a evolução deste processo.

 

Por esta única roda do monociclo, plena de tecnologia, que agora faz parte da extensão de seu corpo, largou as quatro rodas de uma super BMW, uma agência de propaganda e se dedica ao futuro através de veículos que possam trazer mais conforto e prazer.

 

Hoje, está buscando local no Rio para instalar a segunda loja, nos moldes da Vila Olímpia — com exposição e pista para aprendizado. Ao mesmo tempo se prepara para estruturar um sistema de franquia na busca de outros apaixonados pela mobilidade urbana e com o necessário espírito empreendedor.

 

Vale a pena visitar o site da Eletricz, depois ir até a loja e dar umas pedaladas nas bikes — e, claro, umas equilibradas nos patinetes e nos monociclos.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

De evolução

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

tenho vivido muitas vidas
nesta vida
ciclos e ciclos e mais ciclos
e ainda outros
vou viver
círculos perfeitos

 

Máquina de lavar a roupa, de secar a roupa e mais uma de lavar a louça – e secar! Geladeira, congelador, fogão elétrico, fogão a gás, forno de micro-ondas, forninho elétrico, toalha descartável, triturador de todo calibre, batedeira, liquidificador que liquidifica – e coa! – o que quer que seja. Chá em saquinho, café em cápsula, açúcar em gota e leite em pó.

 

Banheiro individual com descarga e chuveiro quente e frio, segundo o gosto e a carteira do freguês. Aparelhos de televisão espalhados pelos cômodos da casa, feito abajures de leitura. Um para cada um. Tevê que se mede em polegadas, e eu ainda não entendi. Por que não se mede em centímetro? Internet, tevê a cabo, satélite espalhado por todo o céu, cano enterrado nas entranhas da Terra, computador de todo tamanho: de mesa, de colo, de mão, de cabeceira, do trabalho e o de casa. De toda cor, feitio, originalidade e custo. Como os carros e todo o resto que se pode comprar.

 

Celular cada dia mais sofisticado substitui no dia a dia a máquina fotográfica, o telefone atado à parede, o correio, todos os outros computadores e seus armazenamentos de dados – nas nuvens! e ainda decide o caminho que vamos tomar.

 

Qual?

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Apple, a crítica e o “UAU”

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A expectativa para o lançamento do iPhone 5 da Apple não decepcionou. A atenção foi grande, mas a recepção pela crítica especializada foi diferente dos bons tempos de Steve Jobs. A revista Wired avaliou o iPhone 5 como “completamente incrível e totalmente tedioso”, e considerou que agora na Apple “revolução se torna evolução”. O Wall Street Journal intitulou assim o artigo sobre o aparelho: “O iPhone 5 é entediante?”. A revista Veja usou a frase da Wired: “evolução sem revolução”, que a atribuiu aos corredores da Apple.

 

Tim Cook, o substituto de Jobs, ao optar por uma cenografia semelhante a do antecessor, com direito a jeans e camiseta preta, ainda que focado na melhoria do produto, estratégia básica da Apple, foi lida como um evolucionista e não um revolucionário pelos jornalistas do ramo. Uma das raras interpretações diferenciadas foi de Ronaldo Lemos, colunista da Folha, que associou o sistema da Apple similar ao da Moda, ao acelerar a obsolescência e estabelecer faixas de preços hierárquicas, como alta costura, prêt-à-porter e fast fashion, na medida em que baixou os preços dos produtos já existentes.

 

Com a certeza de que a ausência de Steve Jobs não deveria ser sentida agora, pois empresas inteligentes possuem planos para no mínimo cinco anos, busquei a opinião de quem entende de Apple.
Sergio Miranda, jornalista e editor da Mac+. Ele também crê que a ausência de Jobs poderá ser sentida somente depois deste período. Ao mesmo tempo em que lembra a pressão da mídia procurando antecipar as novidades, tendo chegado às vésperas do lançamento sabendo praticamente tudo o que seria mostrado. Daí a impressão de tédio ou falta de emoção. O “UAU” não veio. Miranda registra que já era de Steve a orientação para o produto, pois considerava que o consumidor não sabia o que queria. Por isso na sua volta à Apple procurou centrar a atenção em poucos produtos e lançar novidades depois de exaurir em qualidade e aplicação os existentes. Ainda segundo Miranda, há novidades previstas planejadas por Jobs, tanto em termos de hardware como de software para os próximos quatro anos, porque um já se foi.

 

A verdade é que ontem as informações reais sobre a reação do mercado consumidor atestam a assertiva da Apple e contestam a dos especialistas. Tal qual no cinema, na moda e em muitas outras áreas. Os filmes dos críticos não dão bilheteria, a preferência dos estilistas não vende para o grande público. Foram encomendados dois milhões de iPhones 5 em 24 horas, batendo todos os recordes anteriores.

 

O “UAU” veio. De quem interessa.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Momento coruja II: Os meninos

 

Licença para mais uma recaída. Ao ver o vídeo produzido pela Telefonica na Campus Party 2010, da qual falei na Avalanche Tricolor de quarta e pela qual sinto dor no pescoço até hoje, não resisti. Publico a reportagem feita pela jornalista Sílvia Damasceno sobre “evolução tecnológica” que se inicia com o depoimento dos meus dois companheiros preferidos de campus.