Bancos e lojas avançam no Brasil e são engolidos por eletrônico na China

 

Por Carlos Magno Gibrail

Pelo estudo publicado na revista EXAME*, no ranking 2019 das marcas mais valiosas do Brasil, as instituições financeiras desbancaram as cervejarias do topo, enquanto o varejo se sobrepôs pelos aumentos dos índices de valorização.

Bradesco e Itaú com 35% de valorização superaram Skol e Brahma. O Magazine Luiza, em 7º lugar, teve crescimento de 276%; a Renner, em 9º, apresentou evolução de 132%;  e as Americanas, em 16%, mostrou alta de 23%.

Visivelmente, o mercado atesta a performance no omnichannel das varejistas Magazine Luiza e Americanas como fator alavancador do crescimento.

 

O caso Magazine Luiza é emblemático desde os primeiros passos que foram dados na implantação das vendas pela internet. Houve muita criatividade ao iniciar a venda pelas esposas dos funcionários, como uma vantagem e oportunidade de aumento de renda familiar. E, também, não se pode ignorar o conceito posterior de Marketplace, fundamental para a maturidade do sistema de e-commerce.

 

A Renner, por sua vez, há tempos vem desenvolvendo atenção especial na atualização das coleções e foco no estilo relacionado com o aspecto comportamental, fazendo com que hoje a prioridade na experiência de compras permita oferecer o diferencial para se destacar no mercado de moda.

 

Clique aqui para ter acesso ao resultado completo do Marcas Category Brand Value 2019

 


Enquanto isso, na China os números remetem a dois fenômenos.

 

Alibaba, o gigante do varejo eletrônico, e Tencent, o grandioso portal de serviços de internet, cujas plataformas de meio de pagamento, respectivamente Alipay e WeChar Pay, aglutinam 94% do movimento total chinês, em torno de US$ 13 trilhões anuais — desvinculado do sistema bancário convencional, operando tanto com moeda local chinesa e moedas de outras regiões.

Screen Shot 2019-06-26 at 14.34.06.png
Na América, através do Facebook, está sendo apresentada a Libra, como uma criptomoeda a ser lançada pela Libra Networks que administrará todo o processo do ecossistema, incluindo suas reservas. Ao mesmo tempo terá a composição de parceiros fortes como Visa, Mastercard, Uber, Spotify; condição sustentável para uma empresa global. Assim como os 2,23 bilhões de usuários do Facebook.

 

Para o Facebook, o Brasil é importante, pois com 130 milhões somos o terceiro maior país com número de usuários, após Estados Unidos e Índia.

 

E para os brasileiros, será importante a Libra Networks?
Como Bradesco e Itaú reagirão?

 

Diante destas dúvidas temos a China na frente e à nossa frente a eminente disrupção de um secular sistema financeiro.

 

Apostas abertas.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: se é “vida ou morte”, então é com a gente

 

Universidad Católica 1×0 Grêmio
Libertadores – Santiago do Chile

 

Gremio x Universidad Catolica

Kannemann,  o melhor do nosso time, é destaque em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

A experiência em assistir, ao vivo,  à uma partida pelo Facebook começou muito mal — em todos os sentidos. Meus computadores da Apple me deixaram na mão.  A bola já estava rolando e em nenhum dos meus equipamentos, em nenhuma das minhas contas e em nenhum dos links que os amigos gremistas me enviaram fui capaz de ver o futebol gremista.

 

Cheguei a pensar que era uma conspiração das máquinas — logo elas que sempre haviam me tratado bem e oferecido facilidades para trabalhar e me divertir ao longo do tempo. Demorei para perceber que aqueles computadores estavam apenas querendo me alertar. Mandavam recados do tipo “não insista”, “hoje nada vai funcionar” ou “quem sabe quando a transmissão for pela televisão?”. Não entendi a mensagem. Insisti.

 

Busquei a salvação no Windows de um dos filhos. Mas quando descobri que ali estava a solução, já tínhamos quase meia hora de jogo. E, sim, o pior já havia acontecido. Não, minto. Pior mesmo foi ver o que vi na sequência. Já com a imagem tomando conta de todo o super-monitor que um dos meus guris joga seu games e disputa suas partidas virtuais, ficou muito claro que não seríamos capazes de sequer operar um milagre em campo, nesta noite de quinta-feira.

 

O atraso comum no sinal da internet — coisa de 30 segundos, não muito mais do que isso —, mesmo com uma banda larga de qualidade aqui em casa, refletia o atraso do futebol que apresentávamos. A bola chegava atrasada no pé do companheiro, o marcador chegava atrasado no atacante adversário, o passe saia para trás. 

 

Mesmo com a boa conexão que gerava uma imagem de qualidade, não fui capaz de ver o futebol gremista em campo, simplesmente porque o futebol gremista não se apresentou em campo, nesta terceira partida da Libertadores. 

 

Para ter ideia, a melhor notícia da noite foi saber que tanto nosso técnico  quanto nossos jogadores — e jamais desconfiei que agiriam diferente — saíram de campo conscientes de seus erros, em lugar de buscar desculpas naqueles elementos que geralmente os times que jogam mal se debruçam para justificar uma derrota. 

 

Foi ali, ainda ao lado do gramado, que ouvi de Everton a frase: “agora é vida ou morte”. Como sou um eterno torcedor e otimista, voltei ao meu Apple, abri a calculadora, fiz as projeções, somei três pontos aqui, mais três ali, menos três do adversário acolá, e cheguei a conclusão de que está muito difícil mas ainda temos chance nesta Libertadores. 

 

Até porque, caro e raro leitor desta Avalanche, se “agora é vida ou morte”, chegou a nossa hora. Que venham os próximos compromissos, mas , por favor, que sejam só na televisão, porque esse negócio de Facebook dá um baita azar.

 

 

 

 

 

 

Adivinha em quem os brasileiros mais confiam quando querem notícia de verdade?

 

Screen Shot 2019-02-28 at 6.27.49 PM

 

 

Em conversa com executivos de empresa de tecnologia, no início desta semana, fui provocado a apresentar uma solução para a enxurrada de falsas informações que circulam pelas redes sociais, assim como para o diálogo tóxico que assistimos nas diferentes plataformas. Os questionamentos também não deixaram de fora o trabalho dos veículos de comunicação tradicionais —- nesse caso, eles queriam saber qual seria o futuro das redações jornalísticas. Como todo tema complexo, não existe resposta simples nem solução fácil. Mas tendo a acreditar na ideia de que vivemos um processo de amadurecimento nessas relações. 

 

Os meios de comunicação que conhecíamos perderam o monopólio da informação —- ainda bem. Hoje, cada cidadão tem a capacidade de produzir e divulgar conteúdo. O alcance dessa mensagem dependerá da estratégia usada, mas os recursos estão em suas mãos. O cidadão conquistou esse direito e tem usufruído dele dizendo o que quer, agindo da maneira que lhe convier e transmitindo mensagens doa a quem doer —- com forte poder de construir ou prejudicar a reputação de pessoas e instituições. Por outro lado, não percebeu, ao menos não a maioria de nós, que também passa a responder pelo poder que exerce. Ao emitir opinião, é responsável pelo que essa possa causar. Ao compartilhar informação, é autor ou coautor dos seus efeitos. 

 

À preocupação dos executivos, reforcei meu discurso de que a  sociedade contemporânea está em estágio de aprendizado, diante das transformações digitais que impactam nossos comportamentos. O tempo nos ensinará a usar de maneira mais responsável os meios modernos de comunicação. E o jornalismo profissional tenderá a prevalecer como principal antídoto aos que publicam falcatruas sob o apelido de “fake news”. 

 

Ao falar do tema ainda não tinha em mãos o resultado de pesquisa sobre a confiança dos brasileiros,  encomendada pela XP Investimentos ao Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe). A consulta tinha como uma das intenções saber o que os brasileiros pensam neste momento do presidente Jair Bolsonaro, mas vou me ater ao tema central desta nossa conversa: os meios de comunicação — os tradicionais e os digitais. 

 

Atente-se para o que responderam os mil brasileiros ouvidos pelo Ipespe quando os pesquisadores fizeram a seguinte pergunta:

“Na sua opinião, as informações e notícias veiculadas nesses meios que vou ler são, na sua maioria, verdadeiras ou são falsas?”

As piores avaliações foram do Facebook, com apenas 11%, e do WhatsApp, com apenas 12%, respondendo que as notícias veiculadas são verdadeiras. Twitter e Instagram também ficaram na parte de baixo deste ranking. A percepção sobre veracidade de informações para blogs e sites de notícia, assim como jornais de notícias na internet, foi de 28% e 32%, respectivamente.

 

A mídia tradicional, tão bombardeada em redes sociais e com comentários frequentes que colocam em xeque a credibilidade do conteúdo produzido, aparece mais bem posicionada e com índices de confiança bem superiores às novas mídias. Por exemplo, as  notícias publicadas em jornais e televisão são verdadeiras para 61% dos entrevistados.

No topo desta tabela —- e aí você logo vai pensar, eu sabia que o Mílton queria chegar a algum lugar — aparece o rádio:  64% dos brasileiros pesquisados responderam que acreditam no que ouvem no noticiário.

E com isso, esse veículo que me tira da cama todos os dias, às 4 da matina, e me impõe uma série de desafios  no cotidiano —- tais como a apuração dos fatos, a busca constante da verdade, o respeito ao contraditório e o reconhecimento de nossos erros sempre que estes são identificados —- , a partir da opinião dos nossos ouvintes, me dá a certeza de que o esforço diário dos jornalistas de rádio está sendo recompensado.

 

 

5c915a29215a7

Com tudo, é melhor apostar no Facebook

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

mobile-phone-1917737_960_720

 

Mark Zuckerberg, presidente e principal acionista do Facebook, empresa que congrega o maior grupo mundial de mídia social, composto do Facebook Messenger, do Whatsapp e do Instagram, teve que se apresentar no dia 10 aos comitês de Comércio e Judiciário, do Senado e no dia 11 ao Comitê de Energia e Comércio da Câmara dos Representantes, nos Estados Unidos.

 

A acusação central era a influência exercida na votação do Brexit e na eleição de Trump, através da utilização ilegal de dados retirados do Facebook.

 

Concluiu-se que o caso da Cambridge Analytica não foi o único, ao mesmo tempo em que Mark não demonstrou abertura para a regulação. De outro lado se comprometeu a barrar as notícias falsas, embora duvide do sucesso no caso da influência estrangeira.

 

Hoje, na Folha, Helio Schwartsman lembra o aparecimento do “deep fake” graças ao avanço da tecnologia, ao possibilitar reproduções tão perfeitas que irão quase impedir aos técnicos de distinguir o falso do verdadeiro. Ao mesmo tempo ressalta que a linguagem que foi criada para facilitar o entendimento sempre teve que se precaver do falso.

 

Provavelmente o extremo a que se chegou ao aperfeiçoamento para extrair informações e deduções, junto com a falsificação esmerada, equipara-se à grandiosidade do universo alcançado pelas mídias sociais. Em particular ao Facebook, com dois bilhões de usuários no mundo. No Brasil, 80 milhões, correspondente a 40% do total da população, acessam diariamente a rede. Mensalmente, 55% ou 110 milhões de pessoas participam da rede social, das quais 90% usam celulares.

 

A relevância é que essa disponibilidade de plataforma e de acessos tem chamado a atenção de empresas que estão usando o Facebook através de suas fanpages e alternativas comerciais de divulgação.

 

Desde pessoas se conectando e vendendo serviços e produtos entre si até a divulgação paga a partir de R$ 1,00. Antecipando um futuro próximo da criação de um Market Place como já está sendo feito nos Estados Unidos, Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia.

 

Entre acreditar na obsolescência e descrença do Facebook, é melhor apostar no potencial de oportunidades que ora se oferece.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Oportunidades e riscos para as marcas de luxo no ambiente online

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

8468788107_255777d512_z

 

Instagram, Facebook, Twitter, Pinterest. Essas são apenas algumas das inúmeras redes sociais que fazem sucesso no mundo. Cada uma com suas particularidades, claro, mas a verdade é que esses canais tornam-se cada vez mais parte da vida dos consumidores (de luxo ou não) e a presença das marcas nesse ambiente se torna “obrigatória”.

 

De acordo com pesquisa realizada pela empresa americana McKinsey&Company, mais de 45% das compras no mercado do luxo são influenciadas pelo que os compradores encontraram no universo digital. Ou seja, as experiências online podem conduzir a tomada de decisões no mundo real.

 

Oportunidades ou riscos? Na verdade ambas!

 

Marcas que atingem seus potenciais compradores com as experiências certas e informações no momento certo tendem a ganhar fatia maior do crescimento e superar concorrentes, além de ser uma oportunidade de trabalhar o lado institucional da empresa. É essencial estar nas redes principalmente para que seus consumidores tenham rápido acesso a seus lançamentos, promoções, campanhas e outros. É uma maneira também de aguçar o desejo de compra,online ou no próprio ponto de venda.

 

No mercado do luxo, o risco maior é a marca não gerenciar suas redes de forma seletiva e ter sua imagem abalada. Pode possivelmente ainda gerar uma demanda de consumidores que não sejam o seu público-alvo.

 

Por exemplo, no turismo de luxo, se uma agência de viagens apostar na divulgação de seu nome associado a outros parceiros ou marcas que não sejam exatamente seu perfil (parcerias comuns no Instagram, onde personalidades divulgam marcas em suas contas com milhões de seguidores), poderá atrair ligações telefônicas de consumidores que não tenham poder aquisitivo para comprar seus roteiros personalizados e, neste caso, seria um desperdício da mão de obra (cara) de seus atendentes e consultores de viagens, além de uma certa frustração para o consumidor que desejou mas não poderá comprar.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

 

A foto que ilustra este post é do álbum de Mkhmarketing no Flickr

Obrigado por suas palavras!

 

369559602_adb4b08ce3_z

 

Uma conhecida muito próxima tinha o hábito, ao menos até há alguns anos, de anunciar o seu aniversário uma semana antes aos colegas de trabalho, amigos e parentes. Estratégia usada porque não era capaz de pensar na possibilidade de o dia chegar e não haver ninguém para lhe dar um abraço. Diante de tanta correria na vida, temia que os outros a esquecessem logo na data mais importante do ano (para ela, lógico). Cortaria os pulsos de desgosto. A medida preventiva dava resultado, pois era festejada como poucas no escritório e o telefone em casa não parava um minuto sequer, tantos os parabéns enviados. A preocupação dela, exageros à parte, convenhamos, fazia sentido, pois nenhum de nós, por mais comedidos que sejamos, gostaríamos de ser esquecido no aniversário. Até escondemos a idade, mas não o dia do nascimento.

 

Nestes tempos de Facebook, ninguém mais precisa contar nada para ninguém. Com os dados devidamente preenchidos no cadastro, deixamos a data despretensiosamente registrada e disponível a todos os nossos amigos e seguidores. Assim que o dia chega, todos são notificados e recebemos enxurrada de mensagens carinhosas. No meu caso, em particular, ainda conto com a indiscrição dos colegas de rádio, alguns com acesso ao microfone, que, sem pudor, lembram do aniversário da gente. Isso gera outra enxurrada, agora de e-mails. E foi com alertas na tela do celular e mensagens na caixa de correio que me embebeci nesse primeiro de agosto quando completei 52 anos de vida.

 

Na lista de nomes que consegui acompanhar havia amigos bem próximos, outros conhecidos daqui e de lá, gente de todos os rincões e muitos, mas muitos ouvintes mesmo. Havia, também, pessoas que nunca ouvi falar ou conheci, mas que me deram o privilégio de dedicar alguns minutos de seu dia para escrever palavras animadoras. Coisas que me deixaram muito feliz. É em nome dessas sensações percebidas que estou aqui registrando em post meu enorme agradecimento a cada um de vocês.

 

Claro que ao fazer questão de compartilhar esta relação incrível que tive com tantas pessoas nesses dias, antes e depois de meu aniversário, há uma ponta de vaidade se revelando. Mas, principalmente, o faço porque seria incapaz de responder a cada uma das gentilezas enviadas. E cada um que as enviou merece o meu abraço de agradecimento por ter tornado este meu aniversário ainda mais legal.

 

Muito obrigado por tudo que você fez!

 

A foto deste post é do álbum de Cade Buchanan no Flickr

Mundo Corporativo: Vera Lucia Vieira conta como aumentar o número de seguidores da sua empresa no Facebook

 

 

Empresas têm alcançado excelentes resultados no relacionamento com seus clientes através das redes sociais, impulsionando vendas, fidelizado consumidores e reforçando sua identidade. Mas apesar da experiência positiva de algumas corporações, ainda há muita gente ou desperdiçando este espaço de interação ou, o que é pior, cometendo erros que podem ser cruciais para a marca. Foi para determinar quais os caminhos que têm oferecido melhores resultados para a comunicação corporativa através das redes sociais que Vera Lúcia Vieira pesquisou o caso das 10 empresas com maior número de seguidores no Facebook. Mestra em comunicação e autora do livro “As empresas nas mídias sociais”, Vera Lúcia foi entrevistada pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da Rádio CBN, com participação dos ouvintes pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN), O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Parabéns, uma boa ideia!

 

51? Uma boa ideia

 

Passei parte da sexta-feira ouvindo amigos e conhecidos reagirem assim diante da minha nova idade. Brincadeira feita, como era de se esperar, por aqueles que, como eu, já haviam passado ou beiravam a casa dos 50. Aos mais jovens, o diálogo não fazia o menor sentido, pois eles não têm mais como referência o slogan que se transformou em marco do mercado publicitário, criado pela Lage Stabel & Guerreiro, em 1978, para vender a cachaça 51. Com “uma boa ideia”e estratégia de marketing arrojada, o fabricante conseguiu fazer de seu produto um sucesso mesmo que para muitos não seja a melhor cachaça produzida no Brasil. Como a idade me ensinou que em alguns assuntos, tais como futebol, religião e cachaça o freguês tem sempre razão, não vou meter meu bedelho na discussão e deixo por sua conta o voto nesta concorrida eleição.

 

De volta aos abraços recebidos no fim da semana passada. Se brincar com a ideia do 51 não significa nada para a garotada, com certeza Facebook, Twitter e internet têm tudo a ver com a turma; e ainda me causam algumas surpresas. Assim que cheguei no estúdio da rádio, abri o computador e o Google Chrome despejou na minha tela um doodle com tortas, bolo e velinha de aniversário. O que é apenas resultado de uma máquina que identifica sua conta e cruza os dados com seu perfil se transforma em uma mensagem simpática e quase pessoal de congratulações. Você chega a acreditar que alguém lá no Goggle acordou bem cedinho só pra lhe mandar aquele recado.

 

Eu fiquei impressionado mesmo foi com a quatidade de mensagens geradas nas redes sociais, e em algumas delas chegando por todos os lados. No Facebook, por exemplo, tinham parabéns na caixa de entrada, em posts e na linha do tempo; e no alto da página ainda aparecia uma lista de fotos de pessoas que teriam me enviado as felicitações. Curioso é que se fiquei perdido olhando para cima e para baixo para não deixar escapar nenhum abraço – afinal, não sou o Felipão mas também gosto de carinho -, alguns amigos também. Ao menos dois muito próximos, que conseguiram falar comigo por telefone, me disseram que haviam registrado suas congratulações no Facebook, mas não sabiam bem por onde: “Milton, o abraço tá lá, mas não sei onde foi parar”, me disse um deles.

 

Sem saudosismo, lembro que nos meus 25 anos, quando ainda morava em Porto Alegre, as felicitações chegavam ao vivo pelos amigos que conseguiam lhe encontrar no dia do aniversário ou colegas que lhe abraçavam no trabalho – alguns por obrigação -; também discavam para o seu telefone fixo (se você não souber o que isso significa, procure no Google) ou enviavam cartões pelo correio. Estes cartões podiam ser encontrados nas papelarias, muitos com mensagens prontas – o sujeito só se dava o trabalho de assinar embaixo. Agora, até os cartões são eletrônicos: costumo receber nas datas especiais um assinado pelo meu pai, normalmente com alguma referência mais pessoal (registre-se: ele também me telefona e só não me dá um beijo ao vivo devido à distância).

 

Indepentemente do formato que chegam, quero deixar claro que fico muito feliz com as lembranças registradas aqui ou acolá e, por isso, escrevo este post, mesmo que atrasado, para agradecer a gentileza de cada um de vocês que despendeu minutos do seu dia para me escrever algumas palavras. Serei sempre grato. Agora, estou mesmo muito curioso para saber como chegarão as felicitações nos meus 60 anos. Serão drones os cartões de parabéns à você? Taí, uma boa ideia!

Recomeçando o velho e bom blog

 

Blogs

 

O caro e raro leitor deste Blog já percebeu que a cara está nova. Não a da foto logo acima, retocada com algum editor de imagens qualquer, mas a dos textos, comentaristas e favoritos. Na língua do internetês: o template mudou. Com a graça da turma que entende do riscado na CBN, tudo ficou mais claro, mais agradável de ver e ler. Por mais que o conteúdo seja fundamental, o desenho não deve jamais ser desprezível. Por origem, a palavra design significa “dar sentido as coisas”, lembra Roberto Verganti, da Politécnica de Milão. Sendo assim, interfere na nossa relação com as coisas e as transformam em revolucionárias quando alcança a excelência. Não, não quero chegar até lá, meus limites intelectuais e criativos somados a minha autocrítica me livram desta pretensão. Tenho expectativas bem mais amenas, que não me impedem porém de, inspirado pelo novo desenho do Blog, ser mais preciso, presente e claro no diálogo travado com você neste espaço. Com certeza, a mudança me dá nova motivação.

 

Curiosamente, as mudanças ocorrem em uma época na qual para muitos esta coisa de blog já era. Cora Rónai, de O Globo, colunista a quem devemos sempre prestar atenção, escreveu há alguns meses sobre a incorporação dos antigos blogs pessoais pelo Facebook, e a transformação do que costumávamos chamar de blogosfera em rede social. Assim como eu, Cora gosta de tecnologia e gatos, com a diferença de que demonstra conhecimento técnico profundo sempre que escreve sobre ambos. Ela tem a razão, enquanto eu só tenho a emoção para escrever. Portanto, não vou tentar provar a ninguém verdade diferente daquela que os entendidos estão pregando. Mesmo porque essa ideia de que os blogs estão fora do tempo já é velha, também. A primeira vez que ouvi a tese foi durante a primeira edição da Campus Party Brasil, em 2008, quando um repórter de televisão – desses com jeito descolado – perguntava para seu entrevistado – ainda mais descolado (e careca) – sobre a morte da blogosfera. Confesso que tomei um susto, pois este Blog que você lê agora (ou você está me lendo no Facebook?) havia nascido não fazia um ano. Tivesse acreditado, teria desperdiçado 7.532 posts e cerca de 35 mil comentários feitos desde 4 de junho de 2007 quando o Blog entrou no ar.

 

A influência das redes sociais, em especial o Facebook, não pode ser desdenhada. É por isso que em meu perfil pessoal ou na fan page que mantenho, publico, se não o post completo, ao menos a chamada para todos os posts escritos no Blog. O Twitter, de quem sou fã desde pequenino, também é canal de divulgação do que faço por aqui. Assim acontece com o Instagram e o Linkedin, em situações específicas. Conectar todas as ferramentas digitais é essencial para que nossas ideias alcancem o maior número de pessoas. Estendemos nossos braços, também, aos seguidores dos comentaristas que me dão o privilégio de publicar seus textos semanalmente, como o Carlos Magno Gibrail, o Ricardo Marins e meu pai, Milton Ferretti Jung, além daqueles que passam por aqui pontualmente, como o Antonio Augusto, a Dora, o Julio Tannus, a Maria Lucia e a Rosana. E todos os demais que aceitarem compartilhar seu conhecimento com os leitores desse espaço. É nesta miscelânea de canais que estaremos sempre dividindo nossas percepções sobre o cotidiano, a cidadania, a política, a economia, o esporte (o meu Grêmio, é lógico); enfim, sobre sobre nossas vidas. Digam o que disserem, independentemente do que criarem, estaremos sempre buscando novas formas de nos expressar, sem jamais abandonar este Blog.

De Facebook

 


Por Maria Lucia Solla

 

 

E então, falar de quê?

 

Ficar falando do malfeito re-re-feito, do maldito, do mal-entendido, não leva a nada, e não é solução; mas é contagiante. Há que ter muita força de vontade para se propor a um descondicionamento e consertar pensamento por pensamento, palavra por palavra, sentimento por sentimento, certeza por incerteza.

 

Recondicionamento não é fácil; é como endireitar a coluna, aprender a sentar nos ísquios ou treinar a escrever com a outra mão.

 

Descartei dois textos que tinha programado para este espaço. Os dois tinham recebido a comenda do Ponto Final, mas no fundo e na superfície pensei, ponto final é apenas o momento em que você se desliga de uma onda de pensamento organizado e se entrega à folia do pensamento alternado, sobreposto ou imposto. Você se rende à sua mixórdia pessoal-mental, sem pudor nem estratégia. Anarquicamente. Entrega-se ao caos criativo diário que nos leva de uma ação a outra, ou nos rende e nos põe a nocaute.

 

Depois de acordar super tarde, tomar meu café da manhã informada e abalada pela página de notícias, decidi que andar na esteira era ideia descartada, e sair de casa também era. E fiquei.

 

Lendo as notícias, resisti bravamente a compartilhar no Facebook aquilo que mais mexia comigo, tentando focar mais no bom do que no ruim, para começar bem o dia, combinando com a minha refeição favorita. Deslizei um par de vezes, até me decidir a desconectar e repensar. Tentar entender o que é o Facebook para mim.

 

Em primeiro lugar – para mim, sempre é bom lembrar – é uma fórmula mágica de estarmos próximos das pessoas que amamos, onde quer que estejamos. Dou sempre uma olhada na minha turma e fico feliz quando tudo está bem, e cada um postando o que lhe dá na telha, ou não. Terapia em grupo para quem tem coragem de expor suas ideias, estado de espírito, gosto e desgosto, ideal e decepção. Assim, um dia estamos leves e no outro pesados. Tem quem respeita a opinião do outro e quem não admite ideia diferente. Amarelo é uma das minhas cores favoritas…

 

Tem a turma que dá a cara e recebe porrada, e tem a turma do come-quieto. Tem radical e moderado, tem sem-noção e antenado, o bem e o mal-amado e/ou mal-intencionado. Tem Dilma e Obama, Freud e psicopata, branco-pardo-preto, índio e indiano, judeu e muçulmano. Tem católico, ateu e tem tô-nem-aí. Tem pobre e tem rico, tem ópera e circo, Dostoyewsky e Paulo Coelho.

 

Sem cota.

 

Sinto que essa interação é mais um passo da humanidade na direção do enfraquecimento da individualidade, por mais que possa parecer o contrário ou o descontrário. Estamos todos, do Chuí ao Havaí, menos sozinhos. Fazemos parte de uma tribo, respeitando, aprendendo e ensinando, mesmo que as tuas certezas não gostem das minhas.

 

A interação leva à deposição da solidão e à aceitação de que individualmente somos nada.

 

Assim, saúdo e desejo saúde aos meus amigos, aos hackers, espiões nacionais e internacionais, ao senhor Obama e à dona Dilma. Agradeço o carinho e a companhia de todos, e prometo postar mais alegria do que tristeza, mais elogios a quem merece, e menos crítica e ibope (já desacreditado) a quem não merece nem mesmo uma citação. Vou desviar minha atenção. Fazer o que eu sempre apregoei, mas onde ainda tenho muito a aprender.

 

Beijo, feliz domingo e até a semana que vem.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung