Mariana Achutti em entrevista ao Mundo Corporativo Foto: Débora Gonçalves/CBN
“Se quisermos estar no mercado com uma vantagem competitiva, desenvolvendo essa inovação e revolução que estamos vendo dentro das empresas, teremos que assumir a responsabilidade pela nossa história de educação”.
As habilidades exigidas no mercado estão evoluindo tão rapidamente que a educação corporativa não consegue acompanhá-las. Não é apenas um excesso de informações que dilui a capacidade de concentração, é a necessidade constante de se manter atualizado especialmente agora com profissionais e empresas enfrentando mudanças regulares devido à inteligência artificial. Para Mariana Achutti, CEO da Newnew, entrevistada pelo Mundo Corporativo na CBN, esta é uma realidade que exige uma transformação radical na forma como organizações e trabalhadores estão aprendendo.
Em sua visão, a educação corporativa deixou de ser uma atividade complementar e agora faz parte da estratégia de negócios. O modelo de treinamento padronizado não atende mais às equipes. Assim, programas que conectam o aprendizado com os problemas reais que os profissionais enfrentam e são propícios a uma maior participação dos funcionários estão começando a ganhar força.
“A evolução da educação nas empresas também tem essa camada, que não pode mais ser aquele cara de terno ensinando Excel.”
O aprendizado deixa de ser uma etapa e se torna um processo.
Se a educação era vista como uma fase da vida, agora é a carreira inteira. Mariana revisita algo sobre o qual fomos alertados há anos: muitas das habilidades valorizadas atualmente perderão importância nos próximos anos, exigindo atualização constante. Ela argumenta que as empresas devem substituir o treinamento isolado por uma cultura de aprendizado permanente. Mas isso não é exclusivamente uma questão das organizações.
“Se a gente quiser estar no mercado com diferencial competitivo, desenvolvendo essa inovação e essa revolução que a gente está vendo dentro das empresas, a gente vai ter que protagonizar a nossa história de educação.”
O profissional deixa de ser um participante passivo no treinamento e inicia o processo de aprender o assunto por conta própria.
A cultura começa pela liderança
Criar essa nova cultura depende diretamente do comportamento dos líderes. Um erro comum de muitas empresas é investir em educação corporativa sem engajar o gestor e tratar o assunto como uma questão de Recursos Humanos e não das pessoas em si.
“Os melhores resultados vêm quando o líder está disposto a aprender junto com a equipe e apoiá-los, incentivar o crescimento humano e apoiá-los a se tornarem líderes”, disse Mariana.
O gestor moderno deve parar de se concentrar em respostas e ser um mentor para a equipe, ajudando os profissionais a desenvolverem senso de autonomia.
E nem sempre é necessário gastar muito. A mudança cultural também pode começar em empresas de menor porte. Mariana sugere aproveitar o conhecimento existente dentro da própria organização, identificando profissionais capazes de compartilhar experiências com os colegas e fortalecendo programas de mentoria.
Na Newnew, essa lógica vai além da sala de aula. Quando um projeto está sendo realizado, o aprendizado pode acontecer como resultado da arte ou do esporte ou da colaboração. O conteúdo deve estar próximo da realidade vivenciada pelos participantes.
A inteligência artificial torna as habilidades humanas mais valiosas.
Embora a inteligência artificial tenha influência na velocidade dos processos nas empresas, Mariana argumenta que algumas competências humanas estão se tornando mais importantes. Ela menciona o pensamento crítico.
Segundo pesquisa realizada pela Newnew com cerca de 500 lideranças brasileiras, cresce a preocupação com profissionais que começam a delegar à tecnologia tarefas que exigem análise e reflexão.
Na visão da executiva, a capacidade de pensar será uma das principais questões para as organizações nos próximos anos. Ela acredita que, após a saúde mental, as empresas falarão mais sobre a saúde cognitiva de seus funcionários.
Curiosidade é uma vantagem competitiva.
Mariana disse que o desenvolvimento profissional depende menos da quantidade de informações disponíveis e mais da disposição de buscá-las conscientemente.
“Sejam eternos aprendizes.”
Ela também sugere uma maneira de pensar sobre o consumo de conteúdo na era dos algoritmos e que devemos decidir se devemos aprender o que aprendemos ou apenas consumir o que está disponível no espaço digital.
Assista ao Mundo Corporativo.
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.


