Avalanche Tricolor: Loucos e heróis

 

Grêmio 2 x 0 Junior Barranquilla
Libertadores – Olímpico Monumental

Estranho mundo este do futebol que nos faz apaixonado por um clube. Leva o torcedor a vibrar loucamente pelos motivos mais estranhos e, talvez, injustificáveis. Sensação que tive no início da noite desta quinta-feira, quando o Grêmio, em casa, encarou e abateu o time que tinha a melhor campanha da Libertadores, até então.

Foi Lúcio, um magricelo com jeito de retirante sempre disposto a lutar por sua sobrevivência, quem marcou o primeiro gol. E Borges, atarracado atacante que me passa a impressão de sempre viver sozinho, quem matou o jogo. Teria tudo para gastar todas as linhas desta Avalanche elogiando os dois feitos – importantes e definitivos, sem dúvida. E ambos mereceriam.

Torcedor vê coisas, porém, que só a ele e aos seus interessa. Eu vi três heróis em campo e nenhum deles aparecerá na tabela de goleador. Vi Rodolfo, Bruno Colaço e Vitor – sempre ele – defendendo a cidadela tricolor como somente os grandes e abnegados são capazes.

O zagueiro Rodolfo abortou o chute a instantes do tiro fatal; o ala Bruno jogou-se diante da bola quando esta imaginava estar próxima da rede; e Vitor foi impressionante ao matar o ataque adversário em dois momentos, um de bravura – quando saiu aos pés de um colombiano – e outro espetacular – quando com reflexo despachou a bola para o alto e para fora.

Dos que fizeram gol aos que o evitaram, todos os Imortais responderam a altura a festa proporcionada pela torcida na arquibancada. Garantiram, com antecipação, passagem à próxima fase da Libertadores. E se credenciaram para novas batalhas até o sonhado tri – este sim, a maior das nossas loucuras.

Que venha logo !

Avalanche Tricolor: L., 17 anos, craque e gremista

 

Grêmio 2 x 1 Veranópolis
Gaúcho – Olímpico Monumental

Com 17 anos ainda pensava na possibilidade de ser professor de educação física, tinha o jornalismo como excelente oportunidade e o basquete como realidade. Joguei apenas alguns anos mais, desisti de dar aulas de ginástica no segundo ano de faculdade e a comunicação se transformou na opção mais viável e apropriada como a vida profissional tem demonstrado.

Nesta idade, a maioria dos garotos ainda está em busca de uma personalidade, apesar de dar alguma pista nos palpites que arrisca e nas decisões tomadas, ambos ainda com a marca da imaturidade. Por isso, ver um guri jogando o futebol que L. tem demonstrado em campo é surpreendente mesmo em um esporte no qual a precocidade tem se tornado exigência, haja vista a quantidade de novos valores que surgem a cada temporada.

Perdão se utilizo apenas a inicial dele, mas sigo regra estabelecida nos veículos de comunicação que não citam o nome de crianças ou adolescentes que, por ventura, tenham se envolvido em prática infracional.

E o nosso L., camisa 21, hoje à tarde, cometeu o crime de querer fazer gols.

Quando o time já vencia por 1 a 0 – gol dele, registre-se – foi dividir bola com o goleiro adversário que chegou antes e teve seu braço tocado pelo pé do craque. Seu atrevimento foi punido com um peitaço do goleiro e uma reprimenda pública em rede nacional de televisão – desculpe-me, isto é apenas um jargão, pois a bronca foi no P.P.V, aquele que a gente paga pra ver e de troco tem de ouvir, também.

O comentarista era Batista, volante bastante conhecido no futebol brasileiro que com a bola nos pés teve todo nosso respeito. Ao lado do narrador da partida, fez um discurso que me causou mais indignação do que a agressão do arqueiro adversário.

Quase deram razão ao agressor. Afinal, L. tinha de ter evitado a jogada. Pouca vergonha, este guri querer chegar antes do goleiro e marcar seu segundo gol nessa tarde de domingo, que se transformaria em seu sexto gol em apenas cinco partidas profissionais.

Das muitas faltas que ele foi vítima neste e nos demais jogos nada foi declarado.

L. vai ter de ouvir muita coisa neste futebol. Dos comentaristas e dos colegas de profissão. É daquele tipo de jogador predestinado a sofrer ataques, caçado por todo canto em que tentar um drible, sempre que arriscar um passe preciso ou um chute certeiro. Alguém o acusará de querer humilhar o adversário, exagerar nas jogadas bonitas ou – como hoje – de insistir em chegar ao gol.

Até aqui, porém, deu sinais de que não vai se intimidar com esta marcação cerrada – em campo e fora dele. Tem a mania de jogar para frente nem se entusiasma com a firula sem sentido.

Tem personalidade para tomar a camisa de titular do Imortal e oferecer à torcida alegrias infindáveis … até que dure. Até que nossos dirigentes cometam a insanidade de perdê-lo para o futebol europeu como já fizeram com tantos outros craques que despontaram no Olímpico. Ou até que os toscos consigam convencê-lo de que não existe mais espaço nos gramados para quem acredita no talento do futebol.

Enquanto nada disto acontece, não percam o próximo espetáculo de L., 17 anos, craque de bola.

N.B: Apesar da prática de divulgar as iniciais de crianças e adolescentes envolvidos em atos infracionais ou submetidos a humilhação, o Estatuto da Criança e do Adolescente, desde 2003, proíbe qualquer tipo de identificação.

Torcer por um clube de futebol

 

Por Milton Ferretti Jung

Nem todos possuem um time para o qual torcem. Há quem nem sequer goste de futebol ou somente se fixe neste esporte quando a Seleção Brasileira entra em campo. Existem torcedores de todas as espécies, dos apaixonados aos raivosos, dos que freqüentam estádios aos que preferem acompanhar os jogos pelo pay-per-view e também pelas rádios.

Vou tratar, hoje, dos que têm time ou clube, que não chegam a ser sinônimos, mas podem ser entendidos como tal. Talvez quem me dá o prazer de ler o que escrevo aqui prefira falar em clube, eis que os times, ao contrário daquele, mudam de formação com freqüência. O clube, dependendo de sua grandeza, é eterno ou quase isso.

Minha abordagem versará sobre como se cria um torcedor. Creio que a maior influência venha dos pais, nem digo que seja paterna, porque muitas vezes o casal torce para times diferentes e a força de persuasão de um é mais forte do que a do seu par. Tirante esta dupla, há também padrinhos, tios, irmãos e outros parentes que tentam puxar o visado para o seu lado com todo o tipo de artimanhas, inclusive as que começam com os presentes que são dados aos recém-nascidos: camisetinhas, calções e meias de times de futebol. Esses, quando chegam à idade da razão, nem sempre fazem o que é esperado… e passam a torcer para o rival. Existem também os que, para fazer desfeita ao pai, vão para o lado oposto.

Na minha casa, impera a democracia. Todos têm de ser gremistas. E ninguém traiu o seu pai. Estão aí o Mílton (o texto da Avalanche Tricolor diz bem qual a sua paixão clubista), a Jacque, que vai ao Olímpico às vezes, mas prefere ficar acompanhando a marcha do jogo pela Internet, e o Christian, torcedor gremista também, mas mais ligado em música e apaixonado por fucas, sobre os quais escreve no blog MacFuca. Na sua infância e adolescência, o Mílton não só jogou na escolinha de futebol do Grêmio como foi integrante do times tricolor de basquete, no qual jogou dos juvenis à equipe de adultos.

Quanto ao pai deles, este seu criado, que estreou no rádio, como locutor, no distante ano de 1958, jamais escondeu sua paixão pelo Grêmio. No meu tempo de foca no ofício, na Rádio Canoas, cheguei a narrar um jogo no Estádio da Montanha, entre o dono da casa – Cruzeiro – e o Renner, equipe que foi campeã gaúcha em 54 e, no mesmo ano, acabou extinta. Muitos de seus jogadores, entre eles Ênio Vargas de Andrade, depois técnico famoso, trabalhavam na fábrica Renner. Mas retorno ao assunto. Na Rádio Guaíba, onde estou desde 1958, fui narrador durante muitos anos e – desculpem-me por falar sobre mim – participei do Terceiro Tempo e, hoje, do Ganhando o Jogo. Cito isso para dizer que já não preciso ser imparcial, o que era como narrador.

Faltou contar que, quando menino, um companheiro de peladas me convenceu a torcer para o Grêmio. Meu pai se dizia torcedor do São José. Logo, não teve nenhuma influência na minha escolha. Minha paixão só apareceu, de fato, quando, no internato, ouvi a transmissão de um jogo via rádio. Nessa, fã que era do goleiro Júlio Petersen, fiquei sabendo que ele se aposentara e seu substituto se chamava Sérgio Moacir. Foi a primeira irradiação de um jogo do Grêmio que acompanhei. Faço questão de lembrar, para concluir, que o meu gremismo, por não atentar contra a minha imparcialidade, nunca me criou problemas com os torcedores do Inter.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: Seu Petry, um Imortal

 

 

Juventude 3 x 2 Grêmio
Gaúcho – Olímpico Monumental

“Muito bom dia, em especial a torcida do Grêmio !”

Com esta frase Rudi Armin Petry costumava iniciar todas as entrevistas que concedeu em seus 91 anos de vida. Marcava assim uma posição clara em relação ao clube para o qual dedicou boa parte de seu tempo. Há quem credite a ele o início de um símbolo que o Grêmio construiu em sua história centenária: o da Imortalidade

Nem de longe sugeria desrespeito ao tradicional adversário. Foi ele quem ensinou o Rio Grande do Sul de que não havia Grêmio grande, sem Inter grande. Apenas um dos exemplos deixados por Seu Petry que comandou o clube em algumas de suas maiores conquistas.

Já era diretor de futebol em 1963, ano em que o Grêmio venceu o segundo dos sete títulos gaúchos em sequência. Foi presidente nos anos de 66 e 67 ganhando mais dois campeonatos. Seu Petry também participou como dirigente do time campeão da América e do Mundo, em 1983 ao lado de Tulio Macedo.

Sua presença no estádio Olímpico era sempre motivo de orgulho. Eu o via passando pela Tribuna de Honra ou passeando no pátio externo sempre com muito respeito. Aprendi sobre ele ouvindo as conversas de Seu Petry com meu pai ou de histórias contadas por outros gremistas ilustres.

Grandes nomes do Imortal estiveram sob o comando dele: Airton, Alcindo, Juarez, Ortunho e Vieira são apenas alguns que lembro neste instante. Jogadores que sabiam a importância de vestir o azul, preto e branco, que jamais subestimavam o adversário. Boa parte, gente que nasceu com o coração tricolor.

Disseram que Seu Petry morreu nessa terça-feira, aos 91 anos. Morreu, não. Seu Petry é genuinamente Imortal e, portanto, estará sempre vivo, e que sirva de inspiração para estes que aí estão.

(Diante deste fato, as coisas mundanas do futebol jogado nesta noite são muito pequenas)

Avalanche Tricolor: Três chances, três gols

 

Pelotas 1 x 3 Grêmio
Gaúcho – Boca do Lobo/Pelotas (RS)

Compromisso profissional me afastou da transmissão do jogo na tarde deste domingo. Mas fiquei com a impressão de que de alguma maneira dei uma forcinha para a turma do tricolor que foi a Boca do Lobo, estádio dos mais treme-treme do futebol gaúcho.

Havia uma televisão próxima de mim. Na primeira chance, liguei na partida: vi Leandro, com ginga de craque, receber falta após um belo drible. E assisti ao primeiro gol do Grêmio pelos pés do redivivo William Magrão.

Voltei ao trabalho e na oportunidade seguinte, resolvo dar uma bisolhada na TV. E não é que a bola estava saindo dos pés de Douglas e aterrissando na cabeça do zagueiro Rodolfo para o segundo gol ? Mal havia percebido que a partida estava empatada novamente.

Demorou para aparecer mais um tempo para respirar. Mas este apareceu e eu, prontamente, disparei o controle remoto na direção da TV. Dois jogadores do Grêmio estavam próximos para cobra a falta. Lucio foi quem a lançou para dentro da área. E lá atrás dos zagueiros do adversário apareceu mais uma vez um zagueiro nosso. Era o gol de cabeça de Rafael Marques.

Acredite, três vezes que liguei a TV, três Avalanches assisti. Longe de mim pensar em predestinação, sorte ou qualquer coisa que o valha. Provavelmente é apenas coincidência e oportunismo – meu e do Grêmio. E um futebol cada vez mais maduro.

Avalanche Tricolor: Grohe é eficiente, humilde e importante

 

Grêmio 6 x 0 Inter SM
Gaúcho – Olímpico Monumental

Foram tantos pênaltis – marcados certos, marcados errados e não marcados – que o destaque da partida tinha de ser um dos protagonistas desta série. E apesar da goleada, escolho alguém que não marcou nenhum, evitou vários e jogou um bolão: Marcelo Grohe, nosso goleiro no jogo desta noite chuvosa, em Porto Alegre.

Ele é daquelas figuras que nunca vão aparecer na foto principal do time, mas todo time precisa dele. Reserva de Vítor, o melhor goleiro do Brasil, sempre que necessário surge com segurança e eficiência. Assim que o titular volta, retoma seu curso, compreende seu lugar e aceita seu papel. Humildade retribuída com o respeito que a torcida tem por ele.

Marcelo nasceu em Campo Bom, tem 24 anos, e hoje completou 80 jogos pelo Grêmio, em seis anos de clube. E foi comemorar a marca defendendo seu primeiro pênalti na equipe profissional.

É preciso explicar este pênalti. Ao contrário do que disse o árbitro, a bola não tocou na mão do Rafael Marques. Não contente com isso, errou mais uma vez, pois se tivesse havido irregularidade, teria sido dentro da área. Sinalizou fora e precisou o auxiliar dar o alerta.

Marcelo Grohe, acostumado a deixar tudo em ordem por onde passa, desfez as trapalhadas do árbitro ao defender a cobrança do pênalti. E revelou mais uma vez sua personalidade. Agradeceu a Renato Gaúcho que indicou para ele o lado em que o atacante chutaria. Completou o serviço, fazendo excelentes intervenções e não tenho dúvida de que foi este desempenho que deu tranquilidade para o time golear seu adversário.

Logo Grohe estará de volta ao banco, colaborando com o grupo, permitindo que a harmonia permaneça, respeitando a autoridade e ciente de que ser um solado deste exército tricolor é muito mais do que qualquer jogador pode sonhar.

Avalanche Tricolor: No estádio do porco

 

Porto Alegre 0 x 3 Grêmio
Gaúcho – Passo d’Areia (POA-RS)

 


 

Costumavam ser aos sábados os jogos no Passo d’Areia, estádio do São José, carinhosamente chamado de Zequinha, time que mal comparando é uma espécie de Juventus, em São Paulo ou Bangu, no Rio. Disputou por muitos anos a segunda divisão do futebol gaúcho, mas por ser time da capital tinha o privilégio de ter suas partidas transmitidas pela rádio Guaíba em jornadas nas quais eu era o “titular” – repórter novato e querendo mostrar qualidade.

 

Uma das lembranças guardadas até hoje daquelas tardes de sábado porto-alegrense é o sorteio de porco para quem comparecesse no estádio. Estratégia de marketing das mais criativas para motivar o torcedor. Algumas vezes, sobrou para mim puxar o bilhete vencedor.

 

Tinha a idade de muitos dos jogadores do Grêmio que entraram em campo, neste domingo, no estádio Passo d’Areia. Como eles, fazia de cada jogo uma final de Copa do Mundo. Nem que fosse para anunciar o número premiado.

 

Ao menos, hoje, os guris do Imortal não tiveram a necessidade de passar por este mico – sortear o porco. Nem era o São José o adversário, o clube apenas havia emprestado o estádio para outro time da capital, o Porto Alegre. Atualmente, a cidade tem cinco representantes na primeira divisão, por incrível que pareça.

 

Seja como for, os jovens gremistas jogaram como se fosse a partida definitiva. E, por isso, logo resolveram a parada com um golaço do argentino Escudero, que escorou bola bem cruzada por Mithyuê, e a cabeceada do desengonçado Junior Viçosa, também resultado de belo cruzamento, desta vez feito por Pessalli.

 

O resultado final aconteceu após excelente passe do mais guri de todos, Leandro, 17 anos, que ofereceu a oportunidade para Vinícius Pacheco mostrar que está doidinho para ganhar uma chance no time. Ninguém parece ter estranhado o gramado artificial, coisa rara no futebol brasileiro.

 

Jogos da Libertadores me entusiasmam bem mais do que estes do Campeonato Gaúcho e nossa atenção tem de estar voltada mesmo para a competição sulamericana. Mas fiquei bem satisfeito em ver que existem guris neste time que estão pedindo passagem e talvez tenham convencido Renato a deixar de lado algumas de suas convicções.

 

Por que se ele não mudar, Deus me livre ter de sortear o porco novamente.

Avalanche Tricolor: Futebol de quinta, emoção de primeira

 

León (PERU) 1 X 1 Grêmio
Libertadores – Huánuco

A bola que rolou no sofrido gramado de Huánuco não foi redonda como muitos gostariam. Nem passou de pé em pé como nos acostumamos. Menos ainda foi tratada com a precisão que os chutes a gol exigem. Mas foi a suficiente para abrir caminho à próxima fase da Libertadores – a vaga está em nossas mãos. E, convenhamos, é o que buscamos, neste momento.

O jogo modorrento de quinta (-feira), porém, me levou à emoção. Não porque assisti ao primeiro gol de Carlos “Manzembe” Alberto em um raro momento de futebol bem jogado. Até poderia ser pela brincadeira na comemoração, apesar de confessar a você que esperava tal festa em partida mais oportuna. Mas também não foi este o motivo.

Minha satisfação se deu no intervalo da partida, momento em que a SporTV re-lembrou a participação de Renato Gaúcho no título da Libertadores de 1983 quando, espremido por dois marcadores do Penarol na lateral do campo, com um “passe” incrível fez a bola subir mais alto do que o próprio Olímpico Monumental e encontrar dentro da área seu colega de ataque César Maluco que fez o gol do título. Todas estas lembranças narradas na voz de Milton Ferretti Jung, profissional que não preciso mais apresentar a você, caro e raro leitor deste blog.

Que se danem o futebol mal jogado, as caduquices do técnico-ídolo e os jogadores em dívida com sua própria história. A voz emocionada do narrador daquele gol histórico não apenas soou familiar como foi a coisa mais legal que poderia me acontecer nesta quinta-feira de Libertadores.

Avalanche Tricolor: Vamos ao que interessa

 

Grêmio 0 x 2 Cruzeiro (POA)
Gaúcho – Olímpico Monumental

Vítor não estava no gol, Gabriel e Rodrigo não se apresentaram, Rochemback não foi visto no estádio, assim como Douglas. Os atacantes Borges e André Lima ganharam folga. Até mesmo Renato e Carlos Alberto que haviam batido ponto mais cedo resolveram sair antes. Restava muito pouco na partida desta tarde de sábado, tão pouco quanto o número de torcedores nas arquibancadas – apenas oito mil pessoas.

Verdade seja dita, quem se importou com as ausências de jogadores, time e espírito matador não entendeu o recado do primeiro turno do Campeonato Gaúcho – esse que apelidaram Taça Piratini e levamos para casa. Sobraram futebol e coração para que o Grêmio, a partir de agora, se dedicasse ao que nos interessa.

Na quinta-feira, o Imortal encara mais uma vez o León, que vencemos no início do mês por 2 a 0 em casa. Desta vez, o jogo será em terra alheia: vamos a Huánuco, no Peru. Não bastasse ser jogo válido pelo o que realmente “vale a pena”, ainda será disputado às cinco da tarde. Dupla comemoração de minha parte: é pela Libertadores e na hora ideal para este madrugador.

Pra não dizer que deixei de falar da partida desta tarde, reproduzo o que mais chamou atenção no Olímpico Monumental, a partir de comentário no Twitter de @Ducker_Gremio: “impressionante o número de camisas novas no estádio”. Imagino que seja resultado da motivação do torcedor com a trajetória de 2011e do bom gosto do desenho da camiseta com a assinatura da Topper. A informação é que 80 mil foram vendidas desde o lançamento, dia 15 de fevereiro.

Contra o León, sejam as novas ou as velhas, todas as camisas estarão reunidas, lado a lado, na arquibancada, diante da TV ou coladas no rádio porque aí sim a coisa vai pegar fogo: é jogo de Libertadores. E com estas coisas a gente não brinca

Avalanche Tricolor: Imortal, mesmo de madrugada

 

Passam 14 minutos da meia-noite. Eu tenho de acordar às 4h30. Quem manda torcer para um Imortal.

Foram dois gols anulados, um zagueiro e um técnico expulsos, um atacante com o joelho estourado, e uma virada incrível aos 50 minutos do segundo tempo, depois de sair perdendo por 2 a 0, que apenas se concretizou nos pênaltis defendidos por Vitor e convertidos com precisão por nossos jogadores. Os gols de um volante – William Magrão – e um zagueiro – Rafael Marques – apenas deram um brilho ainda mais incrível para a conquista da Taça Piratini, o primeiro turno do Campeonato Gaúcho.

A ressaca na quinta-feira será muito mais gostosa.