Avalanche Tricolor: Agora é a Copa !

 

Gremio Ataque

Universidade 1 x 5 Grêmio
Gaúcho – Canoas (RS)

Havia cinco adversários dentro da área. Uma muralha vermelha para conter Borges. O atacante recebeu a bola ainda do lado de fora acossado por um zagueiro. Não lhe deu bola e girou em direção ao gol. Tentaram derrubá-lo mesmo que isso resultasse em penâlti, mas a bola seguia no seu pé. Puxaram-lhe a camisa para impedir que seguisse em frente. Manteve-se equilibrado apesar de tudo. O goleiro também estava a seus pés, outros dois corriam desesperados para dentro da goleira. O camisa 9 ainda levantou a cabeça, olhou confiante para seu objetivo e conclui quase sem ângulo.

Era o sétimo gol de Borges no Campeonato Gaúcho, o terceiro dele e o quinto do Grêmio na partida em que confirmamos classificação para o quadrangular final do primeiro turno com uma rodada de antecedência.

No primeiro gol de Borges, um chute forte da entrada da área, sem perdão. Marcado com a raiva de quem havia desperdiçado dois pouco antes. No segundo, a cobrança de falta de Douglas encontrou a perna esticada do atacante que desviou para a rede. Em todos, a marca do goleador.

Jonas também fez o seu, de peito, desajeitado como só ele. Teria feito o segundo, não tivesse o zagueiro atrapalhado e recém-chegado ao jogo ter se antecipado e de cabeça marcado contra.

Na partida desde fim de tarde, em Canoas, terra de Luis Felipe Scolari, ainda tivemos o prazer de ver Douglas vestir a camisa 10 e mostrar o quanto será importante para a campanha que se iniciará nessa quarta-feira. Sim, porque é agora, na Copa do Brasil, que começará a temporada 2010.

E para este ano, já temos um ataque, armamos um meio de campo e estamos com um time em construção para sair bem na foto.

Que venha a Copa !

Avalanche Tricolor: Passes e bites

 

Papel de parede do meu Mac pra temporada 2010

Papel de parede do meu Mac pra temporada 2010

Inter 1 x 0 Grêmio
Gaúcho – Erechim

Ganhei o domingo. Pode soar estranho pra você que me conhece e leu o resultado do Gre-Nal logo acima, mas é a pura verdade. Vítima da lei de Murphy – “se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará”- e de uma assistência técnica irresponsável, cheguei ao fim de semana desesperado com o atestado de óbito do meu Mac Air em mãos e boa parte dos arquivos que integram minhas palestras desaparecida.

A placa analógica do computador pifou de vez, e após um mês de embromação os técnicos da assistência disseram que não seriam capazes de salvar documentos, vídeos e áudios do HD. E aquele externo com um monte de coisas gravadas ? Com os feriados de fim de ano, as férias escolares e a temporada de palestras apenas se iniciando em fevereiro , havia esquecido de fazer o backup de dezembro. Como sou previdente, as coisas mais importantes também estão no pendrive, mas descobri que este havia sido perdido em um dia e lugar quaisquer.

O domingo se iniciava sob a tensão de preparar extenso material didático, pesquisar arquivos na internet e torcer para que o velho MacBook da mulher tivesse performance a altura das minhas necessidades. Não precisei de muito tempo para descobrir que ele se parecia com time em começo de temporada. Instalava uma coisa aqui, faltava outra ali; baixava um programa de um lado, tropeçava do outro.

Foi daí que lembrei: “e não é que tem Gre-Nal !?”. Mas logo vi que não era coisa séria. Jogo dessa importância não pode ser disputado em gramado esburacado, sem iluminação e com torcedor pendurado em árvore. Com um olho na tela da TV e cabeça no computador, fui ajustando as coisas a meu favor. A bola rolava quadrada em campo, os colegas de time pareciam ainda estar se apresentando um ao outro: “desculpe-me pelo passe errado, amigo. Prazer, qual é seu nome mesmo ?”.

Gostei mesmo de cinco carrinhos que assisti no gramado úmido, um deles de autoria do golerio Vítor. Esse cara é bom mesmo, até carrinho dá. Teve uns lances legais, mas a maior parte do jogo se assemelhava a minha luta particular diante do computador. Osso duro de roer.

Precisei de 90 minutos para encaixar todos os aplicativos que necessitava para viabilizar minha apresentação. O número de arquivos que baixei foi maior do que de defesas dos goleiros. Não era de se surpreender que a vitória – injusta para jogo equilibrado – viesse de um gol de chiripa.
A trave adversária ainda tremia de um petardo de Maylson no segundo final de partida quando o último bite do último programa foi instalado com sucesso. Os jogadores não haviam saído de campo, no momento em que o notebook da minha mulher foi reiniciado e todos os arquivos e apresentações que eu precisava estavam lá felizes e saltitantes (quem conhece a barra de controle dos Macs sabe que saltitam mesmo).

Comemorei como se um gol tivesse sido marcado. Como nos muitos gols que o Grêmio ainda irá marcar nesta temporada que está apenas se iniciando. E, portanto, ainda tem muitas alegrias a nos oferecer.

Avalanche Tricolor: O entrosamento dos meninos

 

Mário Fernandes do Grêmio (Foto: Diego Vara)

Santa Cruz 1 x 2 Grêmio
Gaúcho – Santa Cruz do Sul (RS)

Uma dor forte no pescoço me incomoda no momento em que escrevo este texto. Reflexo de uma das muitas brincadeiras com os meninos durante a Campus Party, na tarde de quarta-feira. Com movimentos bruscos consegui ótima pontuação no painel eletrônico, eles devem ter achado curioso ver o pai seguindo o ritmo do rock pesado que soava no estande e ganhei mais alguns pontos com a turma, afinal alcancei o nível mais alto da categoria. Mas que dói, dói. E cansa, pois as duas áreas do pavilhão na Imigrantes estavam cheias.

O encontro de aficcionados em computador e informática tem coisas bem interessantes, muitas complicadas para o meu conhecimento e outras sem nenhuma graça. Gostei de ver a maneira como aqueles jovens se entendem em meio ao caos sonoro e visual proporcionado pela mistura de palestras, jogos, promoções e computadores decorados e iluminados. Há um entrosamento quase natural não fosse boa parte no formato digital.

Alguns dos geeks que encontrei por lá tem a idade do grandalhão Mário Fernandes, 19, que nesta noite mais uma vez me enche os olhos com seu futebol de raça e habilidade, pouco comum a jogadores com o porte físico dele. Outros são até mais velhos do que Mithyuê, 20, ex-craque do futsal que ensaia jogadas de gente grande desde que entrou no segundo tempo.

A diferença desses jovens gremistas para os que encontrei na Campus Party é a falta de entrosamento. O time ainda está em formação e comete erros, mas tem mostrado uma capacidade incrível de se recuperar deles. Tanto é verdade que comecei a escrever este artigo antes mesmo de o jogo se encerrar. O Grêmio ainda perdia por 1 a 0, mas eu tinha convicção da virada.

É a terceira partida em quatro disputadas que o Imortal Tricolor justifica o apelido. Mais uma vez com a presença marcante de seus atacantes. Jonas fez o quarto gol na temporada ao dar um chapéu no zagueiro que começou na perna direita e terminou com a esquerda fulminando o goleiro adversário. E Borges, no estilo centroavante bom de bola, sacramentou minha previsão (Borges 3 x 1 Washington).

A propósito, lá na Campus Party, contei quatro meninos e uma menina vestindo a camisa do Grêmio contra apenas um fardado de vermelho. Um bom sinal levando em consideração que domingo tem Gre-Nal – e até lá minha dor no pescoço já terá passado.

Avalanche Tricolor: Gol de Souza

 

Grêmio.net

Grêmio 1 x 1 Veranópolis
Gauchão – Olímpico Monumental

O moço da TV não viu; o amigo dele na cabine não viu; e o repórter que está lá no campo para ver tudo aquilo que eu não vi, também não viu. Mas o goleador Jonas … por este nada passa despercebido.

Dentro da área, marcado por dois ou três adversários, ele enxergou a bola chegar adocicada aos seus pés, ameaçou um chute, deu um corte para a direita, abriu espaço e a colocou naquele ponto em que o goleiro por mais que se estique não alcança. O terceiro gol de Jonas em três jogos garantiu a incrível invencibilidade gremista em sua casa: 41 partidas. São dois campeonatos Gaúchos, dois Brasileiros e uma Libertadores sem nenhuma derrota no Monumental.

Apesar da importância do momento, ao ensaiar a comemoração Jonas fez questão de mostrar a todos no estádio, inclusive aos meus colegas de profissão, que tudo aquilo que havíamos assistido era de total responsabilidade de outro craque: Souza, o maestro.

O “desbocado” meio-campo gremista é o mais criativo jogador a vestir a camisa do Imortal Tricolor, neste momento. E tem exercido com qualidade a função para qual foi escalado pelo técnico Silas: comandar o time com a bola nos pés.

A partir dele saem os cruzamentos, ocorrem as cobranças de falta, acontecem os dribles e aparecem jogadas como a que resultou no gol gremista. Apesar do congestionamento que havia dentro da área adversária, Souza estava como sempre com a cabeça erguida, buscando um colega, um espaço, um momento para ser genial. E o foi.

A bola invadiu a área e passou rasteira pelos zagueirões sem que eles tivessem tempo de pensar. Se aproximou do pé de Jonas como se tivesse sido entregue com as mãos. E chegou na velocidade e espaço precisos que deram ao atacante a condição do drible e do chute.

Assim como no meio da semana, o juiz deu a um zagueiro a autoria do gol contra que teria de ser anotado para Jonas, hoje poderia ter assinalado para Souza o gol de Jonas. Não seria nenhuma injustiça, apesar do complemento primordial do atacante.

O futebol costuma ser injusto com estes maestros em campo. As câmeras estão sempre voltadas para quem jogou a bola para dentro do gol e se esquecem de celebrar quem ofereceu aquela oportunidade. Devíamos aprender com o basquete americano que destaca – inclusive com prêmio – quem faz o maior número de assistências.

Amanhã, quando a televisão reproduzir a jogada, talvez a edição mais uma vez se esqueça de valorizar o lance de Souza, como fizeram durante a transmissão do jogo os meus colegas (justiça seja feita ao diretor de TV que tentou chamar atenção deles), mas nesta Avalanche Tricolor estamos sempre atentos a cada instante. Pois, assim como admiramos um carrinho bem dado, um chega pra lá decisivo, somos fãs daqueles que fazem magia com a bola. E Souza tem feito.

Avalanche Tricolor: Ele é o goleador

 

 

Grêmio 3 x 2 Caxias
Gaúcho – Olímpico Monumental

Foi o André Sanchez ou o Deva Pascovicci, não lembro mais. No Esquina do Esporte, um deles apostou na qualidade superior de Washington como atacante na comparação com Borges que havia estreado no Grêmio, no fim de semana. Aceitei compará-los, jogo a jogo, gol a gol. Mesmo porque o atacante do Imortal Tricolor havia começado em vantagem.

Logo na primeira partida fez um daqueles gols com personalidade de atacante. Daqueles que recebe a bola de costas, gira sobre o zagueiro, dispara com força para dentro da área e bate firme no gol. Pouco antes, havia desperdiçado uma boa oportunidade. O desempenho de seu adversário virtual no jogo de estreia na temporada se resumiu a três chances perdidas de gol.

Nesta noite, lá estava Borges mais uma vez com a camisa do Grêmio. Joga com cara de satisfação, mostra talento no toque de bola, se dá bem com o companheiro de frente, Jonas. E voltou a marcar, o segundo gol em dois jogos. Desta vez com oportunismo, bem colocado, na posição de quem está a espera para matar. Matou, correu para a torcida, deu cambalhotas, abriu os braços e foi recebido com a paixão da Avalanche.

Borges está na frente desta disputa de dois grandes atacantes brasileiros que até o ano passado jogavam em um mesmo time, mas não conseguiam ser parceiros em campo.

Mais a frente deles, porém, está Jonas, um cara estranho, difícil de entender, que comemora os gols com uma dança esquisita. Foi taxado de o pior goleador do mundo ano passado. Já havia deixado o Grêmio há algum tempo. Voltou sem prestígio e terminou a temporada como goleador. Neste ano, começou no banco, depois de uma polêmica com o presidente do clube que admitiu colocá-lo em uma negociação qualquer. Entrou, virou o jogo e ouviu seu nome ser festejado pelo torcedor.

Nesta noite, saiu como titular e marcou mais dois gols. Um deles o árbitro vai registrar para o zagueiro que desviou a bola para o próprio gol, não levando em consideração o esforço do atacante e a esperteza de chutar forte e cruzado na pequena área a espera de um esbarrão.

Estou desconfiado que entre Borges e Washington, eu, o Deva e o André ainda iremos bater palmas mesmo é para Jonas. Ele merece.

Nos descontos: o Grêmio completou hoje 40 partidas sem derrota dentro do Olímpico Monumental. Não perde por lá desde setembro de 2008. Quem se atreve!

Avalanche Tricolor: De volta !

Maylson na Avalanche Foto: Nauro Junior/ClicRBS

Pelotas 2 x 3 Grêmio
Gaúcho – Pelotas

Os cronistas passaram a semana falando que estavam com saudade do futebol e não viam hora de a bola rolar depois de pouco mais de um mês do fim do Campeonato Brasileiro. Mesmo aqueles que não admiram mais as competições estaduais declaravam sua ansiedade. Confesso que não compartilhei com eles este sentimento.

Início de temporada para mim é sempre modorrento, mostra times que pouco se parecem com aqueles que seus técnicos sonham e suas torcidas encontrarão nos momentos decisivos. A turma ainda sente dor nas pernas pois iniciou há pouco a recuperação de um físico desgastado das férias e parte do público está mais preocupada com o sol na beira da praia do que com os jogadores em campo.

Sentei diante da televisão para assistir à estreia do Grêmio no Campeonato Gaúcho sem muita pretensão e com a preguiça que o fim de semana abafado de São Paulo me proporcionou. Logo me surpreendi com a quantidade de pessoas nas arquibancadas do “caldeirão de Pelotas” – neste caso o exagero não é meu, o nome está assim grafado na cobertura esportiva do Portal Terra. Nenhum site soube me informar com precisão, mas o estádio com cerca de 22 mil lugares estava lotado. Alguns gremistas ficaram do lado de fora com ingresso nas mãos (o velho desrespeito ao torcedor). Era ânimo de mais para mim que deitado em uma lounge acompanhava a bola tropeçar nos buracos do gramado.

A partida não negava minhas expectativas, apesar do esforço imposto pelo adversário motivado pela volta à primeira divisão e treinando há 45 dias. O Grêmio com pouco mais de uma semana de trabalho não deveria se expor tanto, afinal nossa meta há muito é reconquistar o mundo e pra isso temos o desafio da Copa do Brasil. É lá que se inicia o caminho para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.

O Grêmio, porém, não é time de fazer pouco caso quando veste a camisa tricolor. E está sempre preparando uma surpresa ao seu torcedor, articulando uma façanha incrível ou um fato capaz de nos fazer tirar o esqueleto do sofá. Não foi diferente nesta tarde, na Boca do Lobo.

Após permitir uma dupla vantagem para o adversário no primeiro tempo, voltou a campo disposto a por ordem nas coisas. Com a cabeça no lugar e o entorpecido Jonas em campo, partiu para o ataque e de lá não saiu mais até virar o placar. Além dos “veteranos” de clube – como o próprio Jonas, mais Souza, Maylson e Adílson -, os estreantes Leandro, Hugo e Borges esboçaram talento.

Para a estréia, uma vitória de virada que misturou competência e raça é sinal de que teremos bons motivos para festejar nesta temporada.

O Imortal Tricolor está de volta !

Santos proíbe manifestação religiosa

 

Futebol e religião são dos assuntos que mais causam discussões apaixonadas. Quando os dois se misturam, a situação fica insuportável. Juca Kfouri que o diga: ano passado, foi alvo de um batalhão de críticas apenas porque decidiu dar sua opinião no tema. Neste início de ano, a diretoria do Santos é a responsável por colocá-los (futebol e religião) na mesma pauta. Um manual entregue aos jogadores proíbe manifestações religiosas, seja em campo ou entrevistas. Pode ser irônico que o fato seja provocado por um time com este nome, mas também pode proporcionar um espaço interessante para que os exageros sejam impedidos.

O presidente do Santos, Luiz Álvaro Ribeiro, disse que o clube é laico para justificar a medida e citou os interesses comerciais:

Ouça o que disse o presidente Luiz Álvaro Ribeiro

O advogado especializado em legislação do esporte Marcílio Krieger lembrou que nenhum código pode impedir a livre manifestação de pensamento, mas também fez ressalvas:

Ouça o que pensa Marcílio Krieger

No CBN São Paulo, fomos saber o que pensa o filósofo Mário Sérgio Cortella que, por coincidência, é torcedor do Santos (não leve isto em consideração na hora de avaliar a opinião dele):

Ouça a opinião de Cortella

E você o que pensa do assunto ?

Avalanche Tricolor: Eu vi, meninos !

 

Grêmio é bi Brasileiro Sub-20 (Foto Edu Andrade/Gazeta Press)

Da série você não me perguntou, mas eu vou falar: o Grêmio é bicampeão Brasileiro Sub-20, título conquistado nesta tarde, ao vencer por 1 a 0 o Atlético Mineiro, no estádio Passo de Areia, em Porto Alegre. Já não bastasse ter eliminado o “co-irmão” na semifinal, agora nos oferece mais esta satisfação às vésperas do Natal. Que a alegria dos meninos, registrada pelo fotógrafo Edu Andrade da Gazeta Press, contagie a temporada de 2010.

Avalanche Tricolor: Tchau, Tcheco !

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Grêmio 4 x Barueri 2
Brasileiro – Olímpico Monumental

A tentativa do gol de letra foi a jogada mais relevante do meio campo Tcheco na partida de despedida. Fez pouco e pouco teria a fazer em jogo no qual vê-lo pela última vez com a camisa do Grêmio era suficientemente emocionante.

Deixa o time após 183 jogos e 43 gols, com total respeito de seus colegas que fizeram questão de cumprimentá-lo a cada gol marcado. E o carinho de uma torcida que neste ano chegou a retorcer o nariz para algumas apresentações dele, mas soube levar a mensagem de agradecimento a um desses poucos jogadores capazes de nos fazer acreditar que eles não estão em campo só por dinheiro.

“Tcheco nós te amamos, volte” dizia uma faixa estendida pelos torcedores que tiveram como retribuição um cumprimento singelo e emocionado do atleta. Ele não jogou a camisa para a torcida, apenas a braçadeira de capitão que nem mais dele era. Preferiu guardar de lembrança o Manto Tricolor que vestiu pela última vez.

Foi com aquele número 10 nas costas que Tcheco deu passes incríveis, marcou belos e importantes gols, brigou com o adversário e com o juiz (quantos cartões amarelos resultaram da sua indignação pela injustiça que presenciou).

Sai do Olímpico sem um título marcante, o que talvez o torne ainda maior, pois foi capaz de conquistar o coração tricolor apenas com seu futebol.

Deixará saudade. A bola presa entre os pés. A cobrança de falta feita com maestria na cabeça de um colega dentro da área. A marcação implacável ao adversário. A cara de choro e irritação sempre que algo não dava certo. O desejo de ser um vencedor com a camisa do Grêmio.

Tcheco foi um vencedor. Até mesmo na hora de sair do clube, uma partida antes de um jogo que eu não quero assistir.

Nos acréscimos:

A  pergunta que não para de chegar no Twitter é: “o Grêmio vai vencer, Milton ?”. Interessante, o São Paulo se entrega para o Goiás, o Palmeiras vem tropeçando todo o segundo turno, o Inter não consegue ganhar uma partida decisiva e agora ficam todos pedindo ao Grêmio que “ganhe, pelo amor de Deus”. Vão jogar futebol!

Avalanche Tricolor: Eu também não torço contra, pai

 

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Grêmio 2 x 0 Palmeiras
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

Quando entra em campo, o Grêmio não disputa título nem uma vaga qualquer, escreve capítulos de uma história. Com esta frase, expliquei a luta até o último minuto na partida em que estávamos com dois jogadores a menos contra o Cruzeiro e nos valeu o empate de jogo praticamente perdido. E explico meu olhar sobre o time que aprendi a amar.

Forjei meu coração tricolor com sofrimento e lágrima. Quando passei a enxergar o futebol com paixão, era uma época em que o título gaúcho era nosso sonho maior. E por oito anos assisti ao principal adversário comemorar esta conquista. Tarefa tão árdua quanto a do Corinthians e seus anos de fila, apenas para traçar alguma referência com os leitores paulistas que são maioria neste blog.

Muitas vezes saí chorando do estádio Olímpico porque não aceitava a derrota, menos ainda torcedores vaiando meus ídolos. Gritava para que os verdadeiros gremistas continuassem a defender o azul, preto e branco de nossa camisa. Queria ouvir o hino sendo cantando com o orgulho de quem reconhece a luta pela vida, mesmo quando a morte surge.

Não entendia cronistas que se anunciavam gremistas e criticavam jogadores do Grêmio. Lembro de uma campanha cruel do jornalista Paulo Santana, muito respeitado no Sul do País e por alguns colegas meus aqui em São Paulo, também, contra o ponteiro esquerdo Loivo, que jogou com nossa camisa entre 1968 e 1975. Ele defendia a presença de Nenê entre os titulares, enquanto meu pai, a quem não preciso apresentar neste espaço, admirava a luta do Coração de Leão.

Loivo era meu ídolo. É meu ídolo até hoje.

Eu era um menino ainda quando ao fim de uma partida no Olímpico, na qual Nenê entrou no segundo tempo e resolveu o jogo para o Grêmio, Paulo Santana se ajoelhou aos meus pés, no espaço conhecido por Pórtico dos Campeões, e pediu para que eu o ouvisse mais do que ao meu pai quando o assunto fosse futebol.

Conheço meu pai e conheço Santana. Os dois, aliás, se respeitam muito e trocaram confidencias recentemente. E por conhecê-los sempre confiei mais no coração gremista do primeiro.

Nesta quarta-feira, enquanto Santana pediu no jornal Zero Hora para que o Grêmio entregasse a partida contra o Palmeiras para prejudicar seu principal adversário no Sul, meu pai me disse por telefone: “Eu não consigo torcer contra”.

Se outros fizeram isto conosco no ano passado, como alega Santana com seu pensamento vingativo, azar deles terem alma tão pequena. Se a vitória desta noite ajudará a alguém mais, sorte daqueles que serão ajudados. Para nós que torcemos pelo Grêmio deve interessar única e exclusivamente a honra de sermos gremistas.

Por isso, pai, eu também não torço contra. Jamais !