Avalanche Tricolor: Escrevendo história

 

Grêmio, de branco

Cruzeiro 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Mineirão

 

Foi um sábado gratificante. Estar diante de 40 e poucas pessoas em um dos auditórios do Mobile Fest, no MIS, para falar da importância da tecnologia móvel no desenvolvimento do rádio prova que a estratégia da CBN de investir na internet é vencedora. Em seguida, sentei ao lado de gente que torce pelo cidadão e enxerga no celular um ferramenta a favor da cidadania, completando maratona de cinco horas de discussão.

Tantas atividades me levaram a chegar tarde em casa. O jogo estava no segundo tempo e empatado. Liguei a TV e fiquei em dúvida sobre quem era o Grêmio. O time com a camisa que migrava do azulão para o preto ou o outro com predominância do branco ? Quem sabe pelos goleiros ? Ambos vestiam amarelo e eram altos. O locutor da TV, daqueles que falam mais do que informam, não ajudou. Demorei alguns segundos, ou um minuto, para entender o que ocorria no gramado.

Por alguns momentos, torci para estar enganado. Mas o time que escapava com velocidade no ataque era o adversário. Assim que um deles caiu na área, meu filho que acabara de chegar na sala comemorou. Confundiu-se, também. Pênalti pra eles. Gol deles.

Cheguei a pensar que aqueles jogadores que eram incapazes de impedir o ataque adversário, erravam passes primários, não tinham habilidade para armar uma só jogada e ainda perdiam a cabeça com o rigor do juiz também não tinham certeza da camisa que defendiam.

Ledo engano. Em um só momento de todos os 33 minutos de jogo que assisti pela televisão, os dois riscos azul e preto que dividiam a camisa branca de cima a baixo foram incorporados por aquele bando de aloprados. Com dois jogadores a menos em campo, o Grêmio se fez grande, levou a bola à área inimiga, e mesmo tendo seus atacantes isolados em meio a um monte de zagueiros, foi capaz de empurrá-la para dentro do gol.

Do drible truncado de Máxi Lopez ao chute atabalhoado de Herrera – e apenas naquele instante -, mais uma vez o Grêmio mostrou que ao entrar em campo seus jogadores não disputam um título nem buscam classificação a nada, escrevem capítulos de uma história. E Marcelo Rospide, técnico interino, incorpora este espírito.

Avalanche Tricolor: Não são meros detalhes

 

Grêmio 1 x 1 São Paulo
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

O olhar estalado do atacante Máxi Lopez na disputa de uma bola que saía pela lateral. Os dentes cerrados de Douglas Costa antes da cobrança de falta que resultaria no primeiro gol da partida. O soco com a mão direita sobre as veias do ante-braço esquerdo durante a comemoração de Rafael Marques que parecia sinalizar um pedido de perdão aos torcedores indignados com seus atos inconsequentes. Até mesmo as modificações do técnico Autuori que tirou o ala para atacar com dois e tirou o zagueiro para atacar com todos.

Podem parecer detalhes pequenos em uma partida de futebol na qual o Campeonato Brasileiro estava em jogo. Tenho certeza que sequer serão lembrados por meus colegas jornalistas.

Todos ressaltarão o empate do tricolor paulista que terminou o jogo com apenas oito jogadores em campo. Saudarão o fato de que o adversário dormirá na liderança do campeonato ao menos até o domingo. Alguns chamarão atenção para a imprudência dos expulsos que no fim das contas serviram para encobrir um penâlti, mais um vez, não sinalizado a nosso favor.

Os jornalistas esportivos irão preferir as estatísticas frias, na maioria das vezes sem sentido. Do alto de sua prepotência, farão projeções para as próximas rodadas se esquecendo que o craque da temporada foi o Imponderável da Silva.

Eu não sou um jornalista quando estou diante da televisão assistindo ao meu time do coração. Nunca pensei em sê-lo quando chorava sentado na arquibancada do estádio se esvaziando. Nem quero ser obrigado a agir desta maneira novamente como já fiz na reportagem de campo ou na narração da cabine anos atrás.

Assim, escrevo cada Avalanche com lágrima nos olhos, suado pelo sofrimento, rouco pelos gritos que sufoquei para não causar ainda mais espanto. E encontro em detalhes insignificantes para a maioria a motivação para me apaixonar ainda mais.

Sou um torcedor alucinado pelo time que aprendi a amar desde muito pequeno. Incapaz de ficar de mal com aqueles que vestem a sua camisa, mesmo que estes mereçam como há muito não mereciam. E como torcedor e como alucinado me dou o direito de escrever apenas sobre estes pequenos momentos que me emocionam.

Não quero vencer sempre, quero apenas acreditar que a vitória é possível.

Avalanche Tricolor: Lutar pela vida

 

Santo André 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Santo André-SP

 

Estar vivo é divino. Querer a vida é determinante. Esquecemos com o tempo como tudo isso se iniciou. A corrida irracional de espermatozóides dentro do corpo de uma mulher que logo em seguida chamaremos de mãe. Foi um deles, apenas você, que venceu a disputa e ganhou o direito de iniciar uma transformação alucinada que irá nos formar. Que jamais irá parar, mesmo quando jogados cá pra fora.

Amados, odiados, temidos, consumidos por muitos que nos rodeiam neste tempão de vida que temos, somos forjados seres humanos, às vezes do bem nem sempre do mal. Mas seres humanos. Aprendemos que lutar pela vitória pode ser mais importante do que a própria vitória.  Por isso não aceitamos as conquistas que nos são oferecidas de graça ou compradas ou corrompidas. Pelo menos não deveríamos aceitá-las. Quantas vezes fomos aplaudidos na derrota e nos orgulhamos do sangue que corria pela testa, resultado de um embate perdido, jamais fugido.

O ser, contudo, é estranho. Ninguém mais do que ele próprio tem consciência das batalhas que enfrentou, mesmo assim as esquece na primeira dor da alma, assim que ouve o primeiro gemido do corpo sofrido. Fraqueja e confessa sem vergonha. Quer desistir sem se dar conta do que isso pode representar a ele e a todos que cativou em vida. Como se encarar a dificuldade não lhe fosse capaz, não fosse uma obrigação.

Sim, somos obrigados a lutar até o fim. Mesmo quando todos os demais desistiram de nós – e estamos muito longe disto ocorrer -, temos de dar sinais de que queremos nos manter vivos. Conscientes. Comprometidos. Com coragem.

E não estou falando apenas de futebol.

Avalanche Tricolor: Cada bola, uma batalha

 

 

Grêmio 3 x 1 Avaí
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

A bola que rolou para Perea e provocou o penâlti que Tcheco cobrou no estilo “pocotó” foi bonita e produtiva. Assim foi também o desarme de Adílson lá na intermediária, a velocidade imposta que o fez chegar na área inimiga e chutar prensado com o defensor numa força suficiente para encontrar Máxi Lopes livre. A melhor jogada estava reservada para o fim, com a escapa de Douglas Costa pela esquerda, o toque com o bico da chuteira para fugir da marcação, a corrida em direção a área e o cruzamento no que um dia chamaram de ponto futuro, onde chegaria Souza para completar.

Todos os três gols, sem dúvida, foram bonitos e motivos para arrancar do peito uma angustia que vinha incomodando nestas últimas rodadas. Além disso, confirmaram para o Brasil quem tem o melhor ataque do campeonato brasileiro com 58 gols, vantagem de cinco sobre o segundo melhor.

O lance que mais admirei, porém, foi na metade do primeiro tempo, na intermediária do Grêmio, quando vencíamos por 1 a 0 e, aparentemente, o adversário estava dominado no jogo, mas teve o atrevimento de querer dominar a bola naquele instante. Destemido, Rochemback saltou com as duas pernas em direção ao inimigo. Desarmá-lo custe o que custar era o único objetivo. Aterrisou com força sobre a bola. O atacante chegou a pensar que teria condições de um drible ou algo parecido, mas desmontou no chão enfraquecido que estava diante da força do volante que fazia jus a posição.

O juiz, pobre desses juízes incapazes de admirar uma jogada com todo aquele talento, premiou Rochemback com o cartão vermelho. Imaginou que estaria ali punindo a violência. Autuori e Vítor chegaram a reclamar do árbitro no intervalo, deveriam tê-lo agradecido. Ele apenas fez o estádio e as câmeras de televisão reverenciarem aquele instante de um time que, em boa parte do campeonato, abdicou do direito ao carrinho. Momento tão crucial que a partir dali o Grêmio – com apenas dez jogadores em campo e faltando ainda uma hora de jogo – se soltou em campo, passou a jogar com liberdade, parecia guri que recebe autorização do pai pra sujar a roupa de festa.

Ao fim da partida, Tcheco reservou outro momento importante quando com a sinceridade de sempre ouviu do repórter o resultado do demais jogos da rodada e a pergunta sobre a meta de chegar a Libertadores. O meio-campo foi claro: não temos de pensar nos outros, temos de ganhar cada jogo. Poderia ter dito, cada confronto, cada batalha, cada guerra. Não está mais em jogo uma vaga aqui ou acolá, está, sim, a vergonha na cara, a coragem de nunca desistir, a história do Grêmio na temporada de 2009.

Que venha o próximo carrinho.

Avalanche Tricolor: Palavras, não são apenas palavras

 

 

Eles 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Porto Alegre

 

Ousadia sf (ousado+ia1) 1 Qualidade de ousado; coragem, galhardia. 2 Arrojo, atrevimento, audácia.

Coragem sf (fr ant corage) 1 Força ou energia moral ante o perigo; ânimo, bravura, denodo, firmeza, intrepidez, ousadia. 2 Constância, perseverança: Sofrer com coragem. 3 Desembaraço, franqueza, resolução. Antôn: covardia, medo.

Confiança sf (de confiar) 1 Ação de confiar. 2 Segurança íntima com que se procede. 3 Crédito, fé. 4 Boa fama. 5 Segurança e bom conceito. 6 Esperança firme. 7 Familiaridade. 8 pop Atrevimento, insolência, malcriação. Antôn (acepções 1, 2, 3 e 6): desconfiança. Com confiança: cheio de confiança.

Vigor sm (lat vigore) 1 Força física, robustez. 2 Energia, atividade. 3 Esforço enérgico da alma ou do corpo. 4 Força, eficácia, valor, valia. 5 Vigência. Antôn (acepção 1): fraqueza.

Após um domingo reservado a organizar a estante de livros, foi um dicionário de capa amarelada pelo tempo e com as páginas amarrotadas pelo uso, que trouxe lá de Porto Alegre, a tábua da salvação. Nos 90 minutos de futebol jogados na tarde de hoje, me esforcei para encontrar o sentido de cada uma dessas palavras.

A ousadia se perdia na troca de passes sem objetivo; a coragem era arrancada nas divididas de bola (perdemos todas); a confiança estava contida em uma planilha com as tais estratégias táticas que apenas revelam medo; e o vigor não transpirava na camisa que os gremistas imortalizaram.

Não incluí talento nesta lista, pois nossa história não foi forjada com toques refinados ou dribles desconsertantes. Nunca precisamos disto para sermos vencedores. Nunca exigimos isto de nossos jogadores. No futebol jogado em nossos sonhos não tem embaixadinha, passe de calcanhar, pé sobre a bola ou chutes de efeito. Queremos apenas gente com alma e vergonha na cara, e ousadia, e coragem, e confiança, e vigor.

E com a Alma Tricolor – e esta palavra não encontraremos no dicionário.

Futebol é negócio ?

 

Por Carlos Magno Gibrail

Sim, é negócio dos mais interessantes e interessados com múltiplos interesses.
A recente discussão sobre os pontos corridos e mata-mata reflete a diversidade de objetivos entre a TV Globo, a CBF, o Clube dos Treze, os demais clubes, os consumidores e o futebol propriamente dito.

Há duas semanas num seminário de MAXIMÍDIA em São Paulo, o diretor da Globo Esportes, Marcelo de Campos Pinto , embora o tema fosse a Copa 2014, colocou um assunto fora do contexto : “Futebol não é entretenimento. É negócio. E, por isso, precisamos tomar muito cuidado com o atual formato do Brasileirão. Estamos largando dinheiro na mesa” . J.Hawilla, concessionário Globo, e Paulo Saad, parceiro global, o apoiaram. Apenas Júlio Casares contestou ao que ouviu: “Você acha que esse modelo funciona porque o SPFC é tricampeão”, como se não tivesse sido também antes dos pontos corridos.

“Se o argumento da Globo prega que futebol é negócio, é necessário entender de que negócio se está falando. Se o negócio é o futebol, os clubes melhoraram suas receitas com bilheteria e seus contratos de patrocínio na era dos pontos corridos. Também acabaram com o risco da eliminação em novembro. A Globo pensa no bem do futebol ou da TV? Afinal, que negócio é esse?” Paulo Vinicius Coelho.

“Tenho 80 mil argumentos para defender os pontos corridos. No ano passado, apenas uma partida chegou à rodada decisiva sem valer nada. A média de público de 17 mil pessoas é semelhante a da França” Ricardo Teixeira, CBF.

Nos bastidores do Clube dos 13, Marcelo Campos Pinto, começou a campanha para a volta do campeonato em que os oito melhores se classificam e disputam, em mata-mata, uma vaga na final.
A Rede Globo ganhou um importante aliado nesta briga. A diretoria do Corinthians. Mas, o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, gremista, tem o apoio da diretoria do São Paulo e de parte de seus integrantes para seguir com os pontos corridos. “Hoje, há maioria entre os dirigentes de clubes, pela continuidade dos pontos corridos” é a fala de outro peso pesado, o palmeirense Luiz Gonzaga Belluzzo.

Em dezembro de 2007, a GGSV, Golde Goal Sports Venture, empresa especializada em gestão esportiva, publicou uma análise do Brasileirão daquele ano e, apesar de constatar que a média de público por partida (17,4 mil) havia sido a melhor dos últimos 20 anos, concluiu que isso não bastava para se afirmar que o sistema de ‘pontos corridos’ havia caído no gosto popular. Para a GGSV , o maior responsável pelo aumento de público em relação ao campeonato de 2006 (39%) foi principalmente a presença dos 12 clubes de maior torcida do país na Série A – algo que jamais havia ocorrido desde a introdução dos pontos corridos.

Recentemente a GGSV editou: “Público no Brasileirão 2008 e reflexões sobre o modelo dos pontos corridos”. A previsão para 2008 era de que a média de público caísse substancialmente devido a fatores como: a ausência do Corinthians, a alta no preço dos ingressos e, principalmente, a saída da promoção da Nestlé. Pois eis que com tudo isso, o campeonato teve uma boa média de público: 17 mil torcedores por jogo ( pequena redução, relativa ao ano anterior).

Mas, como sabemos, o futebol é paixão antes, durante e depois de qualquer coisa. Não há isenção, mesmo que se queira.

Veja então os motivos que os autores relacionam para “provar” que “pontos corridos” não é bom:

1. Em 60% das partidas o público foi inferior àquele da média do campeonato; ou seja, o público se concentra nas partidas mais importantes
2. Há a valorização de objetivos secundários (briga por vaga na Libertadores) para aqueles que não brigam pelo título até o fim
3. No formato atual, muitos clubes são ‘eliminados’ muito cedo da competição
4. Os campeonatos mais importantes do mundo têm mata-mata (Champions League, Libertadores, Copa do Mundo)

Podemos intuir que para os partidários dos pontos corridos estes motivos provam exatamente o contrário:

1. É o que também acontece nos campeonatos com mata-mata
2. Libertadores é meta principal assim como outros objetivos são benéficos
3. Eliminados de verdade serão os times fora dos 8. “Eliminados” muito cedo podem ser campeões como o SPFC com 11 pontos a menos e o Real Madrid agora bem perto do primeiro colocado.
4. Campeonatos importantes mata-mata são por falta de tempo. Já temos Libertadores, Copa do Brasil, Sul Americana, Paulistão. Para que mais?

Consta que o Clube dos 13 fará uma pesquisa para saber a opinião dos torcedores, que, certamente, refletirá a paixão. Times fortes e organizados deverão gerar votos nos pontos corridos. Consumidores e torcedores de times fracos e desorganizados preferirão torneios de mata-mata e regionais. Libertadores é para quem conhece Geografia.

É o que confirma Milton Jung: “Em um futebol no qual a honestidade nem sempre é a principal marca, a fórmula de pontos corridos é a mais honesta com os clubes que investem seriamente no esporte”. E, convenhamos é uma opinião a ser levada a sério, pois o Grêmio é time forte em mata-mata.

Juca Kfouri, instigado pela descoberta do diretor global, de que entretenimento não é negócio e intrigado com Ricardo Teixeira defendendo boa causa, insinua surgimento de teorias. Certamente a conspiratória, publicada no Painel FC da Folha de ontem, onde se leu que Marcelo Campos é próximo de Teixeira, que o blinda, e o apóia ante a resistência ao mesmo dentro da Globo. A ponto de facilitar a Copa 2018 e até mesmo a sucessão na CBF.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e bate um bolão aqui no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Heródoto, o sobrinho do presidente

 

Quem ouve seu discurso indignado contra o nepotismo na política, não imagina que o mesmo já foi beneficiado pela prática nos tempos de futebol. Velhos tempos, aliás, de quando zagueiro era chamado de beque. Tempos em que Heródoto Barbeiro era menino de calça curta e dava umas bicudas vestindo a camisa da Portuguesinha da Água Fria, nos campos de terra do Mandaqui. Lá era chamado de o “sobrinho do homem” e respeitado por tal condição apesar da performace em campo não estar altura dos grandes beques centrais.

A confisão de Heródoto Barbeiro, apresentada com exclusividade pelo CBN São Paulo, mobilizou os ouvintes-internautas como o ilustrador Juliano Oliveira que – a partir de informações fidedignas – desenhou um lance que marcou a carreira do nosso jogador de futebol. Naquela época, infelizmente, máquinas de fotografia eram raras.

Apesar dos poucos registros, o Dorival encontrou este flagrante após partida em que a Portuguesinha teria perdido por 6 a 0 para o Esmaga Sapo em torneio no qual haviam participado, também, Corinthians do Imirim, Estrela de Vila Celeste e Santos do Chora Menino. Revoltada, a torcida protestou derrubando a kombi que a família do menino Heródoto emprestava para o Tio levar a equipe, em troca dele ser mantido no time titular. Dorival diz que a foto seria de 1922. Tenho dúvidas.

Com a camisa 3, vestida pelo beque central Heródoto, jogaram grandes craques como Bellini, Orlando, Luis Pereira, Anchieta e Airton – os dois últimos ídolos do meu tricolor gaúcho. O futebol do “sobrinho do presidente” não se comparava ao jogado por estes talentos. Para Nelson Valente, ouvinte-internauta, Heródoto jogava de “beque de espera”, mas os que o conheceram com a bola nos pés dizem que o ideal seria chamá-lo de “beque sentado” (no banco).

Toda esta polêmica em torno das benesses recebidas pelo nosso colega Heródoto Barbeiro se deu após a divulgação da gravação a seguir:

Ouça a confissão de Heródoto ‘Sobrinho do Presidente’ Barbeiro

Avalanche Tricolor: Eu acredito, e você ?

 

Grêmio 2 x 0 Coritiba
Brasileiro – Olímpico

O drible começou com a explosão muscular das pernas do colombiano Perea em direção a área adversária. Toda a força que impulsionou sua corrida não foi capaz de impedir um movimento brusco com o corpo que lhe fez fugir do marcador e lhe deixar ainda mais próximo do gol. Mas da maneira que partiu enxergava a goleira de lado, sem espaço para bola entrar, sem ângulo, como gritam os locutores de rádio. Precisaria arrancar a fórceps aquela muralha a sua frente e colocando o coração no peito do pé se ouviu nas arquibancadas do Olímpico Monumental mais uma explosão. Era a chuteira do atacante no encontro com a bola que disparou com uma velocidade que apenas as redes eram capazes de contê-la.

Gol de Perea. Desde sua volta após grave lesão, foi o primeiro com a cara do atacante que fez a torcida vibrar em fevereiro de 2008 quando chegou ao estádio Olímpico. Uma jogada que representa muito mais do que a abertura do placar de uma partida em que o Grêmio parecia inferior, mesmo estando em casa. É a esperança de que o colombiano e seu futebol estão de volta no momento em que mais precisaremos dele.

O goleador Jonas nos foi arrancado do campeonato com uma lesão definitiva para a temporada, semana passada. Assim como ele, Herrera está machucado. O guerreiro argentino Máxi também estará fora do time graças ao autoritarismo de um árbitro incapaz de enxergar a verdade diante do seu nariz. O mesmo árbitro e o mesmo lance que tiraram a alma do capitão Tcheco. Quando este foi substituído por Paulo Autuori já não estava mais em campo há algum tempo, desde aquele cartão amarelo. Era apenas carne e osso. E permanecerá do lado de fora no próximo confronto.

Se o gol de Perea não foi apenas um gol, o próximo jogo não será apenas um jogo. É uma partida que começa a ser disputada na segunda-feira desta que a imprensa gaúcha batiza de Semana Gre-Nal. A história será lembrada. O primeiro 10 a 0, a vitória tricolor no jogo do século e os gols que marcaram época. Ex-craques darão entrevista enquanto os atuais serão comparados. Pais de santos e adivinhos terão seus dias de glória fazendo previsões.

Para nós que cremos no Imortal, uma semana e tanto pois daqui até o fim do campeonato serão oito decisões, das quais cinco contra equipes que estão a nossa frente. Sem parte do time, desacreditados pelos demais e com a matemática conspirando contra nós. Ou seja, prontos para mais uma vez provarmos ao Brasil que nosso destino é driblar o improvável e dar um bico pra bem longe no impossível.

CBN ganha prêmio Herzog por “preconceito no futebol”

 

Do grito de torcedores na arquibancada aos comentários jocosos no vestiário, o mundo do futebol reproduz as mesmas cenas de preconceito que assistimos na sociedade. Curioso é que muitas vezes a tolerância a este tipo de violência é maior do que a tolerância às diferenças etnicas. Foi com uma reportagem denunciando o preconceito que jogadores brasileiros sofrem no exterior que o repórter Leandro Mota, da CBN, venceu a 31a. edição do Prêmio Vladimir Herzog, na categoria rádio. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 15.10, no Instituto que leva o nome deste jornalista que se transformou em símbolo da luta pelos direitos humanos no Brasil.

Ouça aqui a série de cinco reportagens sobre “Preconceito: A intolerância no futebol”

Na mesma categoria, os repórteres Paulo Henrique Souza e Priscila de Souza receberam menção honrosa pelo trabalho “Crack: vidas interrompidas” (ouça a série aqui).

Para conhecer a lista das reportagens vencedoras nas demais categorias, você acessa o blog do Instituto Vladimir Herzog.

Avalanche Tricolor: Tá na hora do carrinho

 

Dinho, não usou a 11 mas sabia dar carrinho como poucos

Dinho, não usou a 11 mas sabia dar carrinho como poucos

Corinthians 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – Pacaembu/SP

 

Eram 20 e poucos minutos do segundo tempo. Túlio estava aberto pelo lado direito, na intermediária, pouco antes da linha da área do Corinthians. Se não me falha a memória havia um marcador por perto a atrapalhá-lo o suficiente para fazê-lo perder a bola que rolou sozinha em direção a linha de fundo. O adversário a protegeu para que seguisse seu destino. O bandeirinha se preparava para sinalizar a cobrança de tiro de meta. O locutor da televisão já pensava em chamar o comercial ou um gol qualquer de outras partidas do campeonato. A jogada estava decidida.

Túlio se recusou a aceitar esta ideia e correu com todo seu esforço em direção a bola, talvez para compensar mais um erro cometido na partida, dentre tantos que assistimos nesta tarde, no estádio do Pacaembu. Com um carrinho a alcançou, surpreendeu o marcador, o bandeira, o locutor da TV e este que insiste em acreditar na recuperação do seu time na competição. Prensou a bola nas pernas do adversário e conquistou o direito a cobrança de um escanteio.

Foi este momento que propiciou a Tcheco o cruzamento na área e o gol de cabeça de Réver. O único nestes dois últimos jogos fora de casa.

Longe de mim transformar esta crônica em homenagem a Túlio. Confesso a você que sinto uma dor no coração todas as vezes que o vejo em campo, principalmente como hoje, com a camisa 11. Em toda a história do Imortal Tricolor craques a usaram com talento e orgulho. Jogadores nem sempre maravilhosos ou com futebol para encher os olhos da torcida, forjaram sua imagem de ídolo. Poderia citar muitos, mas seria injusto comigo mesmo se não lembrasse o nome de Loivo que jogou entre 1968 e 1975, época em que a camisa 11 era exclusividade dos ponteiros esquerdos. Trombador e batedor de faltas, é o quinto maior goleador da história do Grêmio. Não por acaso ganhou o apelido de Coração de Leão. Fui apaixonado por ele contra a opinião de parte da torcida gremista.

Decididamente, não estou aqui para tecer elogios a Túlio. Este texto é dedicado ao carrinho, jogada execrada pela imprensa brasileira, amaldiçoada pela Fifa, mas admirada pelos loucos amantes do futebol raça, que fez o Grêmio ser grande, diferente e apaixonante. Naquele instante de Túlio, vi o Grêmio dos meus sonhos no gramado do Pacaembu, Infelizmente, aquele não é o Grêmio do Paulo Autuori.