A violência em Porto Alegre, a festa dos gaúchos e outras coisas mais

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Na semana passada, comparei Porto Alegre a Chicago,essa que conhecemos nos filmes produzidos em Hollywood nos quais a máfia estava presente. Não me arrependo de ter feito tal comparação. A situação na capital do Rio Grande do Sul confirmou o que escrevi. Roubos à mão armada,ainda mais quando as vítimas contribuem por permanecerem no interior dos seus veículos quando estacionados ou ao deixar os seus carros nas ruas de nossa cidade e esses somem e é preciso rezar para que não sejam desmanchados e tenham suas caras peças vendidas.Assassinatos viraram lugar comum. Os assaltantes ficam cada vez mais audaciosos. Caixas eletrônicas são explodidas porque os bandidos se sentem mais seguros ao usar tal sistema. Nesta semana,uma casal invadiu um ônibus de linha e roubou passageiros,principalmente os que usavam celulares. Depois disto,a mulher tentou fugir em um automóvel,mas o seu proprietário acabou prendendo-a no porta-malas e a levado para a Polícia Civil uma vez que a Brigada alegou não dispor de veículo para executar a prisão. Não sei se ela terminou por ficar presa,mas não duvido que não tenha ficado detida por muito tempo. Aliás,a impunidade é um convite a todo o tipo de crimes, principalmente quando os brigadianos participam de manifestações,porque são empregados do governo estadual. Não deveriam,mas se uniram aos demais funcionários governamentais e esqueceram que suas funções os obrigam a atuar na defesa da comunidade.

 

Nesta semana,a polícia esteve preocupada com a morte do vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores no serviço público gaúcho, Rogério da Silva Ramos. Quando concluí este texto a Polícia ainda tentava descobrir se o assassinato do líder sindical foi um latrocínio ou execução premeditada. O crime ocorreu na noite de quarta-feira. Rogério esperava a chegada da esposa em uma parada de ônibus quando foi abordado por dois homens que estavam em uma moto. Conforme a Brigada Militar,ele teria reagido a um assalto e acabou atingido por quatro disparos. A esposa da vítima,porém, não descarta a possibilidade de que o crime tenha sido planejado,porque o seu marido vinha sofrendo ameaças nos últimos dias.

 

Seja lá como for,o povo de Porto Alegre recebe os gaúchos de outras cidades que vieram para festejar o dia 20 de setembro,”Precursor da Liberdade”. A gauchada fica sediada por vinte dias no Parque da Harmonia em uma espécie de férias coletivas. Neste ano,o Parque da Harmonia, que é um local onde os nossos irmãos do interior se aboletam durante vinte dias,talvez sirva de lenitivo para as atuais preocupações dos porto-alegrenses com o dia-a-dia desta cidade abalada por tudo de ruim que vem acontecendo por aqui.A Polícia Militar está chegando cada vez mais perto dos que assaltaram um súper, feriram dois policiais da Brigada e acabaram matando o proprietário de uma padaria, situada na Avenida Getúlio Vargas, que passeava com o seu cachorro.Elvino Nunes Adamczuk foi vítima de uma bala perdida.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: a gente empatou, mas é proibido reclamar

 

Goiás 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Serra Dourada (GO)

 

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Havia três pontos a serem conquistados e tivemos próximos deles. Arrisco dizer que merecíamos eles, pois se houve um time que jogou melhor a maior parte do jogo foi o nosso. No futebol, porém, isso não é suficiente nem garantia de vitória. No meio do caminho alguns incidentes podem ocorrer. É preciso, também, que o bom futebol se traduza em gol. Até fizemos um, aos 35 do primeiro tempo, graças ao avanço de Galhardo que rompeu a área, passou por quem pode, chocou-se com a defesa e fez a bola escapar para Giuliano marcar. E fizemos um gol quando éramos nitidamente a única equipe em condições de chegar a vitória naquele momento.

 

Um pouco antes, aos 30 minutos, já havíamos desperdiçado jogada incrível, novamente com participação de Giuliano, que meteu a bola entre os zagueiros e com o movimento certo para Mamute fazer. Não marcamos. Bem antes, aos 20, em outra jogada que passou pelos pés de Giuliano, mas foi protagonizada por Rhodolfo, que roubou a bola na defesa, tabelou e lançou para Mamute, também estivemos perto de abrir o placar. Nosso atacante foi derrubado quando corria em direção ao gol. Mas o juiz gaúcho, que começou a partida sob a suspeita de que beneficiaria o Grêmio, inverteu a falta.

 

No segundo tempo, aos 19, até marcamos um gol com forte cabeçada de Mamute, após cruzamento de Galhardo, mas nosso ataque estava em posição irregular. Aos 25, também conseguimos chutar uma bola no travessão em jogada que se iniciou com passe de Giuliano, teve o “pivô” bem feito de Mamute e a entrada forte pela esquerda de Marcelo Oliveira. Walace que já havia chutado a primeira bola do jogo a gol, arriscou aos 40, obrigando o goleiro adversário a despachar para escanteio. Pena que a esta altura, havíamos cedido o empate ao não sermos capazes de suportar a pressão na volta do intervalo.

 

Poderia ficar aqui chorando as pitangas e reclamando do juiz gaúcho, e repito o gentílico após a profissão pois foi essa a polêmica durante toda a semana, afinal, no lance em que levamos o gol, qualquer árbitro poderia muito bem ter marcado falta no goleiro Marcelo Grohe. O juiz gaúcho não marcou. Talvez marcaria pênalti se levasse em consideração a lógica daquele outro lance lá aos 20 do primeiro tempo. O problema é que se ficar olhando para os erros de arbitragem, talvez a gente se esqueça que o empate veio porque cedemos campo para o adversário e isto não pode se repetir e, também, que, a despeito do empate, dos passes errados e dos gols desperdiçados, fizemos uma boa partida na estreia de Roger. Sem contar que, desde as novas recomendações da impoluta CBF, ao reclamar do juiz, corro o sério risco de levar um cartão amarelo.

Avalanche Tricolor: vamos ao que interessa

 

Juventude 1 (5) x (4) 1 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi (Caxias do Sul)

 

 

Dia 1º de maio, 19h30, Arena, Porto Alegre.

 

Está lá, marcado na minha agenda com destaque e em azul. Esta é a decisão que nos interessa. Este é o jogo da temporada. Santa Fé, o inimigo a ser abatido. Um time argentino, com certeza. Uma decisão sul-americana, sem dúvida. Nada que fizemos (ou deixamos de fazer) até aqui é mais importante do que este compromisso em pleno feriado do Dia do Trabalho. Uma decisão de 180 minutos ou um pouco mais que tem de ser resolvida nos primeiros 90, se não quisermos estender nosso sofrimento. Apesar de que tudo que fizermos nesta primeira hora e meia de futebol, por melhor que seja, terá de ser ratificado na hora e meia seguinte, diante da torcida adversária. Por isso, reunir nossa força e história neste desafio inicial é fundamental para nosso destino em busca da marca maior, o  Tri da Libertadores. Temos de nos desvencilhar de todos os entraves que surgem nesta caminhada. Craques lesionados, guerreiros debilitados e lutadores em recuperação têm de se unir, contar com o apoio incondicional da torcida. As trapalhadas técnicas, os erros gerenciais, as carências estratégicas e percalços como a decisão de pênaltis na noite deste sábado têm de ser deixados para trás.

 

Temos de ser fortes e capazes de superarmos nossas deficiências e para tanto contamos com nossa história de imortalidade. E se você me provocar pelo mau resultado de hoje, perdeu seu tempo. Tudo que aconteceu em Caxias do Sul é ensinamento, é motivo de reflexão, é a penitência que temos de pagar pela grande conquista que sonhamos.

 

É isso que penso, é nisso que creio (principalmente depois de uma garrafa do malbec argentino Lindaflor La Violeta 2008 – mesmo porquê só bebendo para aceitar um chute como o do André Santos e a falta de criatividade para chutar a gol)

Avalanche Tricolor: se é pra sofrer, que se vença

 

Grêmio 0 (5) x (4) 0 São Luiz
Gaúcho – Arena

 

 

Se pode complicar por que simplificar? Se pode sofrer por que não levar a decisão para os pênaltis? Tem sido assim e, mesmo quando teríamos condições de fazermos diferente, tendemos a manter a escrita. Ganhamos no limite. Ou empatamos se for preciso. E assim foi nessa noite de segunda-feira quando decidimos a vaga às semi-finais da Taça Farroupilha na cobrança de pênaltis. A boa notícia é que parece termos aprendido a batê-los, pois pela segunda vez, em três meses, superamos nossos adversários convertendo todas. E com categoria como fez o jovem Biteco, a quem foi reservado o prazer de acabar com o nosso sofrer.

Avalanche Tricolor: deu para o gasto

 

Novo Hamburgo 0 x 0 Grêmio
Gaúcho – Novo Hamburgo (RS)

Novo Hamburgo x Gremio

 

Entendo pouco das estratégias do futebol e muitas vezes tenho dificuldades para explicar a movimentação tática que justifica determinados resultados. O caro e raro leitor desta Avalanche sabe que a escrevo como torcedor, apesar de, às vezes, arriscar alguma análise. Mesmo essas, porém, estão isentas da razão, preferindo que meus textos fluam pela emoção. Comemoro o chutão para fora do estádio tanto quanto sofro com passes errados. Bato palma ao ver meus jogadores dando carrinho para salvar a defesa assim como ponho as mãos na cabeça para lamentar a falta de criatividade na movimentação. Vou da alegria à decepção em sentimentos que variam a cada jogada, acompanhando o desempenho de nosso time. Iludo-me facilmente com a substituição que acabara de ser feita para ter esperança de que aquele que entrará vai redimir a decisão tomada pelo técnico. Esforço-me mais do que qualquer zagueiro marcando seu adversário e muito mais do que qualquer atacante em busca da bola cruzada na área para enxergar mensagens positivas no que proporcionam as chuteiras calçadas pelos que defendem meu time. Nesta tarde, em Novo Hamburgo, o máximo que vi foi o nome de Fernanda grafado em amarelo nos pés de Fernando, em singela homenagem a filhinha dele nascida recentemente. Aliás, ainda bem que o temos em campo, pois, exceção ao desempenho de Fernando, na minha mais fria e profunda avaliação, o jogo, hoje, foi uma porcaria. E sabemos bem quem no futebol brasileiro apenas um time se dá ao luxo de ser “porco” e agradar sua torcida.

 

Bem verdade que o resultado deu para o gasto, foi o suficiente para entrar na próxima fase como primeiro colocado do grupo e, convenhamos, o Campeonato Gaúcho da forma como é disputado não merece muito mais do que isso.

 

Por mais contraditório que possa parecer: que este resultado se repita na próxima quinta-feira, no Chile.

Avalanche Tricolor: vencemos, mas o que interessa é quarta-feira

 

Grêmio 1 x 0 Cerâmica
Gaúcho – Arena Grêmio

 

Gremio x Ceramica

 

Jogo é jogo e treino é treino, diz uma das máximas do futebol. Se me permitem, vou estender a frase que tenta explicar os motivos que levam jogadores e times a se comportarem de forma diferente de acordo com as circunstâncias: Libertadores é Libertadores. É por isso que querer adivinhar o que acontecerá na próxima quarta-feira quando estaremos diante de mais um desafio na temporada com base no que fizemos nesses últimos jogos do Campeonato Gaúcho é quase impossível. Ânimo, disposição e receios são diferentes conforme o objetivo que se pretende alcançar. O esforço para impedir que a bola escape pela lateral é maior; busca-se no fundo da alma a respiração que pode fazer falta para impedir que o adversário chegue para o cruzamento; e da mesma forma a precisão no chute e no passe se diferencia, podendo até ser prejudicada de acordo com a capacidade de cada um de lidar com a pressão.

 

Ganhamos na noite de sábado de um adversário sem expressão e de campanha acanhada em um campeonato ainda mais limitado. E, mesmo assim, precisamos que um zagueiro atrapalhado desviasse a bola para dentro de seu próprio gol. Houve instantes de apatia em que o futebol foi esquecido, mas também momentos que me entusiasmaram pela iniciativa do time de se movimentar com velocidade e trocar passe de forma qualificada. Foram poucas as chances de ampliar o placar, apesar do domínio que tivemos. E as poucas foram desperdiçadas.

 

Se nem tudo se desenvolveu em campo como gostaríamos, nada diminuiu meu entusiasmo para a partida decisiva que teremos. O time com esta formação, sem invenção e mesmo sem Elano, tem maturidade e se entende bem. Há vacilos na defesa que podem ser resolvidos com a mesma disposição imposta na partida contra o Fluminense, no primeiro turno da Libertadores. E há insegurança de alguns jogadores que pode ser substituída a partir do grito do torcedor. Aqui está um ponto fundamental: a força de nossa torcida, sem a impaciência que temos demonstrado. Marco Antônio tem sido o alvo preferido pois é inferior a Elano e não convenceu até hoje. Vanderlei Luxemburgo aposta nele e diz que o jogador era escalado na posição errada. Espero que tenha razão. Torço para que nosso meio-campo cale os críticos (eu entre eles) e o vejo marcando o gol que nos dará a vitória. Foi assim que escrevemos nossa história: com superação.

 

Veja o caso de Pará, lateral que teve de migrar da direita para a esquerda em toda temporada passada, sem nunca se transformar em um diferencial. Está melhorando a cada partida, surge na linha de fundo com coragem, faz cruzamentos decisivos e retorna para a defesa com o mesmo vigor. Até aquele corte de cabelo estranho tem me parecido mais interessante. Só a alma tricolor explica estes fenômenos, esta mesma que, tenho certeza, vai se expressar no gramado da Arena na próxima partida da Libertadores. Até lá.

Avalanche Tricolor: um empate sem sabor nem definição

 

Passo Fundo 1 x 1 Grêmio
Gaúcho – Vermelhão da Serra (Passo Fundo)

 

Adriano tenta desarmar o adversário (Foto: Gremio.net)

 

Meia muzzarella, meia calabresa. De pizza mais pedida nos restaurantes paulistas, o prato passou a representar, também, fatos que não são bem definidos, coisas que acontecem e não vão mudar muito a vida de ninguém. Mais ou menos como a partida desta tarde, no lotado estádio de Passo Fundo, interior gaúcho.

 

O Grêmio não ia à cidade há 13 anos e levou para lá um time indefinido, com poucos titulares de fato, alguns reservas de luxo e jogadores que jamais deixarão saudades – havia, inclusive, os que integravam mais de uma dessas categorias. Pela quantidade de torcedores que aceitou assistir ao jogo nas condições precárias do estádio Vermelhão da Serra bem que os times, em especial o Grêmio, poderiam ter oferecido em campo um pouco mais do que vimos.

 

O desempenho gremista se explica, talvez, pelo próprio comportamento de seu treinador que fez modificações no atacado e sem muita lógica, no segundo tempo, quando a vitória ainda não estava garantida. Pagou caro ao ceder dois pontos e a liderança do grupo. Já havia me incomodado na entrevista antes de a partida se iniciar quando deu respostas desaforadas em uma demonstração de que está desconfortável com as cobranças que têm sido feitas. Negou que ao criticar a falta de empenho dos jogadores na partida anterior pelo Campeonato Gaúcho estava querendo “tirar o dele da reta” – perdão se uso esta expressão pouco recomendada em público, mas foi o que disse Luxemburgo. Diz que apenas estava sendo sincero. Não entendeu até agora – e pelo seu histórico jamais vai entender – que um time apenas existe quando há espírito de grupo, quando todos estão comprometidos com a mesma causa. Atirar nas costas dos comandados a responsabilidade pelos erros não me parece ser a atitude mais apropriada, em especial no momento em que ele fazia mudanças táticas no time, obrigando os jogadores a se acostumar ao novo esquema. Não entro aqui na discussão se as tentativas são válidas ou não, mas o treinador tem de ter a percepção de que a vitória e a derrota devem ser assumidas por todos, independentemente de quem for a responsabilidade. Esta história de que eu venço e eles perdem costuma não dar bons resultados. O grupo percebe.

 

Nossos próximos desafios não nos dão o direito a erros e indefinições. E o pior que pode acontecer é depois de todo o investimento feito até aqui a temporada terminar em pizza. E sem muzzarella nem calabresa.

Avalanche Tricolor: me permita tocar a corneta

 

Grêmio 1 x 2 Cruzeiro
Gaúcho – Arena Grêmio

 

Nos melhores lances do primeiro tempo, gostei apenas de três jogadas proporcionadas por Zé Roberto, Barcos e Cris. Não por acaso, três carrinhos para roubar a bola do adversário, sendo o terceiro, cometido por nosso zagueiro, o mais importante, pois abortou jogada perigosa de ataque. Por mais que seja fã incondicional deste tipo de lance, em especial quando o adversário sequer é tocado, a ponto de aplaudir alguns desses momentos, não vou dedicar esta Avalanche a exaltar cada um desses instantes como, aliás, já fiz em outras oportunidades. O resultado desta noite, guardada a devida importância e levando em consideração o fato de que pouco influenciará em nossa classificação, tem de nos ajudar a refletir sobre o time que está sendo construído por Vanderlei Luxemburgo para os desafios da temporada.

 

Se você me permite, em raro momento de “corneteada” deste escriba, alguns aspectos a se pensar:

 

– Dida por melhor goleiro que seja é fisicamente frágil, como mostrou a lesão desta noite.
– O banco de reserva faz mal aos reflexos e ritmo de jogo de Marcelo Grohe.
– A defesa tem defeitos que surgem mesmo nas partidas mais fáceis.
– O esquema com três atacantes prejudica Zé Roberto, isolado e sempre em busca de um companheiro para trocar passe.
– Marco Antonio não é este companheiro que Zé Roberto precisa; aliás se alguém tiver boa memória poderia me dizer quando ele entrou no time e mudou o jogo a nosso favor?
– Ter Welliton, titular, e Willian José, no banco, enquanto Marcelo Moreno assiste ao jogo da arquibancada, não faz o menor sentido.

 

Dito isso, corneta tocada e angústias compartilhadas, fique tranquilo, estou pronto para a próxima Avalanche. Que venha o Passo Fundo, o Fluminense, o Gaúcho, a Libertadores, que venha quem quiser, pois já sacudi a poeira e estou preparado para dar a volta por cima.

Avalanche Tricolor: o prazer de ver Zé Roberto jogar

 

Grêmio 2 x 0 Caxias
Gaúcho – Arena

 

Imagem reproduzida da edição dominical do jornal O Estado de São Paulo

 

Começo pelo fim, já nos descontos. Começo pelo último lance da partida desse sábado à noite. A terceira vitória em três jogos com o time titular na Taça Farroupilha estava garantida, nada mais mudaria o resultado seja pela vantagem no placar seja pela pouca eficiência do adversário. Isto não impediu que Zé Roberto disparasse em direção ao único jogador que estava impondo algum risco à nossa defesa, desse um carrinho de longa distância, que possibilitou o desarme, e saísse jogando com a bola dominada quase sobre a linha de fundo. Os torcedores aplaudiram com o mesmo entusiasmo que o Zé da Galera demonstra quando veste a camisa do Grêmio em um reconhecimento ao que nosso camisa 10 tem feito em campo, jogo após jogo. Mesmo nos raros instantes em que não tenha havido inspiração, não lhe faltou disposição.

 

Devo ter citado Zé Roberto um sem-número de vezes nesta Avalanche, pelos gols e pelos lances que realizou. E não me canso de escrever sobre ele. É sempre um prazer vê-lo jogar, perceber a qualidade com que conduz a bola, a forma como troca passe e se desloca em campo, a cabeça erguida e o olhar em busca de uma jogada melhor. Mesmo em partidas na qual faltam emoções, Zé Roberto sobra em campo.

 

Neste domingo, ao receber o jornal O Estado de São Paulo, me orgulhei de ver que o jogador gremista era destaque na primeira página da edição e personagem principal no caderno de esportes em reportagem com o título “O Melhor do Brasil”. No texto, assinado pelo jornalista Gonçalo Junior, há o relato sobre a infância de Zé Roberto, em São Paulo, vivida em uma família muito pobre com mais cinco irmãos, a mãe lutadora e o pai bêbado e violento:

 

De dia, os meninos catavam lata, cobre e papelão para vender no ferro-velho e, com a renda, compravam bolachas. O almoço era arroz com ovo, o máximo que a dona Maria Andrezina da Silva conseguia colocar na mesa com os dois empregos.

 

Zé Roberto começou no Pequeninos do Jockey, entidade que lançou um grande número de bons jogadores, foi vice-campeão brasileiro pela Portuguesa, paulista pelo Santos e ganhou uma série de títulos na Alemanha, onde é referência até hoje. Em Porto Alegre, ganhou o coração de todos os gremistas pela vitalidade e talento com que joga e pela inteligência com que fala e se comporta. Semana passada, após mais uma vitória, fez questão de revelar a alegria de estar no Grêmio e a expectativa de selar este casamento com um título. De minha parte, independentemente do que venha a acontecer nesta temporada, ter Zé Roberto no elenco e na história do Grêmio considero uma grande conquista.

 

Depois da Avalanche: outra grande satisfação na noite de sábado foi saber que o Gladiador está de volta.