Avalanche Tricolor: a alegria do gol

 

Grêmio 3 x 1 Caxias
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Foram quatro gols na partida do fim deste sábado. Claro que vou me dedicar aos três que tiveram nossa marca – apesar de o deles também ter tido, mas, convenhamos, hoje não é dia de choradeira. Vamos ao que interessa e nos dá alegria.

 

O primeiro foi especial não apenas pela maneira como ocorreu: gol Olímpico para marcar a retomada das vitória na Arena. Mais do que um jogo de palavras, a importância do gol de Douglas se dá por ter acontecido quando a impaciência já tomava conta de parte das arquibancadas. E do time, também, pois, diante de mais um ferrolho, encontrava dificuldade até mesmo para chutar. Alegra-me saber que voltamos a ter a possibilidade de marcarmos do que, erradamente, batizou-se no futebol como sendo “gol de bola parada”. É jogada que precisa ser treinada e bem aproveitada, especialmente porque retrancas serão encaradas no Campeonato Gaúcho e nas primeiras rodadas da Copa do Brasil. Estávamos precisando incluir estes lances em nosso cardápio. Ainda estamos devendo na cobrança de falta.

 

O segundo resultou da marcação forte que vem se tentando fazer ainda no campo do adversário. No clássico da semana passada foi o que nos deu vantagem em parte do jogo, e hoje foi o que levou Marcelo Oliveira a roubar a bola e permitir o contra-ataque. A velocidade até a área e o chute forte de Everaldo, que havia entrado fazia pouco tempo, permitiram que Marcelo Oliveira concluísse em gol. O sorriso no rosto do polivalente volante foi a imagem mais marcante da partida na minha opinião. Andava cansado de ver aquelas caras fechadas e testas franzidas de preocupação; ou a indiferença nas comemorações, resumidas a algumas trocas de abraços e nenhum afago para a torcida. A felicidade de Oliveira mostra bem o quanto ele está engajado na ideia de dar a nós gremistas novas alegrias.

 

O terceiro veio na hora certa (se é que existe hora errada para marcar gol)! E nos pés do cara certo, também. Yuri Mamute é promessa já faz algum tempo. Faz gols com a camisa da seleção e gols nas categorias de base. No time principal, porém, ficávamos apenas na expectativa de vê-lo explodir em campo um dia. Domingo passado, se saiu bem, mas não foi além disso. Hoje, explodiu mesmo e com aquela massa muscular que se destaca saiu em disparada para o ataque sendo caçado pelo marcador. Por mais que fosse empurrado e chutado, não perdeu o controle da bola nem mesmo diante do goleiro. Teve calma para driblar e encontrar o espaço preciso. Foi comemorar nos braços da torcida e nos deu o direito de sorrir mais uma vez no Campeonato Gaúcho.

 

Se Mamute merecia este gol pelo esforço que faz em campo sempre que veste a camisa tricolor, nós, também merecíamos a alegria desta vitória. A alegria que só a repetição de gols como os deste sábado à noite é capaz de nos oferecer.

 

As fotos deste post são do álbum do Grêmio Oficial no Flickr

Avalanche Tricolor: a maldição dos goleadores

 

 

Avenida 1 x 3 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Santa Cruz do Sul

 

 

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Foi-se o tempo em que partidas pelo interior do Rio Grande do Sul me provocavam grandes emoções. Já falei aqui que o acanhamento dos estádios e a precariedade da infraestrutura oferecida para se jogar bola são desanimadores. O dos Eucaliptos, em Santa Cruz, não é muito diferente do que estamos acostumados a ver por aí no Campeonato Gaúcho. Nada, porém, que me tire o desejo de assistir ao Grêmio em campo e, claro, vencendo. Por isso, não faltaria ao compromisso desse fim de tarde de domingo. Com os minutos contados no relógio, interrompi o trabalho que tem tomado todo meu tempo neste começo de ano, sobre o qual já conversamos na Avalanche que marcou o início da temporada 2015, para me postar, animadamente, diante da televisão.

 

 

Para minha surpresa e, imagino, para muitos dos torcedores gremistas, logo ficamos sabendo que Marcelo Moreno estaria no banco de reservas, preservado pelo fato de fazer parte de mais um negócio com a China, mesmo destino de Barcos, nosso goleador nas temporadas 2013 e 2014. A história parecia se repetir, pois quando o argentino entrou em campo em seu último jogo, os jornalistas diziam que seria seu último jogo, mas ninguém confirmava a informação oficialmente. Naquela oportunidade, estreia no Gaúcho, deixaram com que nos deliciássemos mais alguns minutos com o talento de Barcos e comemorássemos com ele os dois gols marcados para depois entregá-lo ao futebol chinês.

 

 

Desta vez, parece que Felipão resolveu pensar em testar soluções para os problemas que terá no resto da temporada do que apostar em mais um jogador que está de saída. Como vimos, teve de mudar de ideia, pois apesar de ver seu meio campo se movimentando bem, com dribles e trocas de passes mais precisos do que nos jogos iniciais, além de algumas enfiadas de bola dentro da área, pouco se produziu no ataque. Chutes a gol foram raros no primeiro tempo de partida, mesmo quando já tínhamos um jogador a mais em campo. No momento em que o juiz decidiu equilibrar as forças usando de forma indevida os cartões amarelo e vermelho a situação ficou ainda mais complicada.

 

 

O jeito foi chamar Moreno que entrou ao lado de Everton que, aliás, está merecendo um lugar entre os titulares. Assistimos à outra partida de futebol, com a bola chegando dentro da área e encontrando um atacante de ofício, daqueles que sentem o cheiro do gol. Moreno tentou uma, tentou duas, tentou três vezes até que na quarta o zagueiro adversário se assustou e fez contra. De tanto tentar conseguiu fazer o seu gol ao concluir de cabeça cruzamento dentro da área. Fez do jeito que se espera que os atacantes façam. Correu para a torcida, beijou o distintivo e agradeceu os gritos de “Fica!”. Ao fim do jogo disse que tudo vai depender da diretoria. Talvez me engane e tomara que realmente esteja enganado, mas creio que assistimos ao último jogo de Moreno com a camisa do Grêmio, também.

 

 

Entendo as dificuldades financeiras que nos levaram a desconstruir a equipe do ano passado e contratar jogadores modestos para as posições que necessitavam algum reforço. Entendo que se deva investir nos talentos que surgem nas categorias de base; e temos visto alguns jogadores ensaiando bons desempenhos como foi o caso de Lincoln na partida de hoje. Minha dúvida apenas é a quem vamos recorrer no próximo jogo para finalizar em gols as jogadas criadas no meio de campo? Talvez seja melhor mesmo que não apareça nenhum goleador típico. E nos contentemos com vitórias enxutas baseadas em gols aleatórios de um zagueiro, de um chute à distância do volante ou quem sabe das trapalhadas dos adversários. Pois corremos o sério risco de nos animarmos com um novo goleador um dia e nos despedirmos dele no outro.

 

A foto deste post é do álbum do Grêmio Oficial no Flickr
 

Avalanche Tricolor: uma goleada e uma grande ironia

 

Grêmio 4 x 1 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Com tantos gols assim, confesso, não sei por onde começar. Pelo primeiro, pelo segundo, pelo terceiro ou pelo quarto gol? Talvez pelo fim do jogo? É isso aí, até porque só no último apito do juiz é que percebemos que a vitória não apenas nos colocava no Grupo da Libertadores, mas, também, nos elevava a melhor posição que já ocupamos neste campeonato. E um terceiro lugar conquistado com exagerada dose de ironia. Sim, porque o time dos três volantes, às vezes quatro; do técnico retranqueiro, que tem como único mérito apontado pela crítica tomar poucos gols; de meio campo com futebol limitado e ataque pouco produtivo; destaca-se na tabela de classificação ou porque tem saldo de gol melhor ou porque tem número de vitórias maior.

 

(Gol do Grêmio!)

 

A ironia vai muito além, pois chegamos a esse ponto, a cinco rodadas do fim da competição, graças a uma goleada e no clássico regional. Sim, o time dos três volantes, às vezes quatro; do técnico retranqueiro … (ok, o resto você já sabe); marcou quatro gols em uma só partida, fora o baile. Digo isso sem culpa, pois não nos limitamos a desarmar o time adversário – e o fizemos muito bem, a tal ponto que a turma do lado de lá só apareceu na foto na hora de brigar. Jogamos ofensivamente, trocando bola com rapidez, lançando com velocidade, cruzando e chutando muito mais do que estamos acostumados.

 

(Opa, mais um gol do Grêmio!)

 

Você, caro e raro gremista que lê esta Avalanche, também foi alvo das muitas ironias que marcaram esse Grenal. Ou vai me dizer que nunca reclamou da presença de Ramiro no meio de campo? Tenho um amigo aqui em São Paulo, o Sílvio, gremista como nós, que sempre liga após as partidas. Nos últimos meses tem perguntando insistentemente o que faz de Ramiro titular do Grêmio. Não o culpo. Muitos outros têm a mesma dúvida. As estatísticas explicam parte desta preferência de Luis Felipe Scolari, pois ele é o jogador do Grêmio que mais acerta passes e um dos que mais roubam bola do adversário. Hoje, foi além dos números: fez o seu gol ao aparecer sozinho dentro da área e receber passe preciso de Luan.

 

(Gol do Grêmio de novo!)

 

Fique tranquilo: eu também fui vítima da ironia. Assim como parte dos torcedores, reclamei a bola presa nos pés de Luan quando, aparentemente, podíamos disparar no contra-ataque; esbravejei nos passes sem destino que se transformaram as primeiras jogadas dele; soquei o sofá quando sua lentidão o levava a ser desarmado pelo adversário. E, sem medo da contradição, adorei o gol cala-boca que fez ao chegar com velocidade, antes de todos os outros atacantes, na cara da goleira para receber o passe depois de excelente jogada de Dudu, que não apenas roubou a bola na intermediária como tabelou com Barcos, desconsertou o marcador e ofereceu de presente o gol que abriu a goleada desse domingo.

 

(O quê? Mais um gol do Grêmio!)

 

Irônico ainda foi saber que o jogador que menos jogou foi o que mais fez gols. Alan Ruiz entrou no segundo tempo, ficou apenas 15 minutos em campo e marcou duas vezes: na primeira, empurrou a bola para dentro do gol de cabeça, depois de cobrança de falta de Zé Roberto; na segunda, recebeu o passe de Giuliano e deixou seu marcador sentado no chão antes de chutar. Nos dois comemorou da mesma maneira e do mesmo lado do campo, com sorriso no rosto e mãos em forma de coração voltadas para as arquibancadas – onde, diz, estariam seus parentes. A consagração da goleada, porém, incomodou o adversário que foi reclamar do que entendeu ser uma ironia do nosso argentino.

 

E não é que era mesmo: a nossa vitória foi uma grande ironia; e uma grande goleada, também.

 

(Mais gol? Não, agora é da Chapecoense)

Avalanche Tricolor: foi gol de Pará!

 

Grêmio 1 x 0 Vitória
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Fiquei tentado a escrever esta Avalanhe após a rodada do fim de semana, a espera do que poderia acontecer conosco na tabela de classificação. Voltei atrás em nome da coerência, pois nada mudaria minha intenção de torcer intensamente por nossas vitórias a despeito de nossas chances na competição. Como bem lembrou Ramiro, ainda suado e ao lado do gramado, ao fim do jogo, ao se ver diante do microfone de um repórter que fez daquelas perguntas que nós jornalistas costumamos disparar apenas com a intenção de ouvir uma resposta qualquer, disputávamos ontem uma das sete últimas decisões que nos faltam e a vencemos. Nos restam seis até o fim da competição e temos de vencê-las, disse nosso volante. Sendo assim, independentemente do que façam nossos adversários nos próximos jogos, nada importa se não cumprirmos o papel que nos é reservado: lutar bravamente contra o inimigo e nossas carências – foi assim em todas nossas conquistas até aqui, não seria diferente nesta temporada.

 

A ansiedade em escrever a você, caro e raro leitor desta Avalanche, não se dá apenas por uma questão de coerência, como explicado no parágrafo acima, mas por satisfação. Queria já ter iniciado este texto aos 44 minutos do primeiro tempo quando Fellipe Bastos (que descubro agora tem dois “Ls”no nome), mais um dos nossos volantes, da intermediária e com visão e lançamento precisos, encontra o obstinado Pará entrando na área pelo lado direito, onde muitas vezes ele aparece sem jamais ser visto por seus companheiros, que, na maioria das vezes, sempre dão preferência aos colegas supostamente mais habilidosos no trato da bola. A bola chegou pelo alto na certeza de que a canela de nosso lateral iria intervir na sua trajetória, talvez escapasse um pouco mais à frente em direção à linha de fundo e ele, como sempre faz, correria acreditando na possibilidade de alcancá-la para colocá-la de volta em jogo e com chances, quem sabe, de um dos seus incrédulos companheiros concluir em direção ao gol. Ledo engano.

 

Pará chegou na passada certa, olhou para a bola e para a área, posicionou o corpo e com rara categoria bateu chapado, com o lado do pé, forte e confiante, a ponto de surpreender seu marcador que, em gesto de desespero, tentou desviar o curso da bola dando-lhe, na verdade, o destino merecido, o gol. Gol de Pará – digam o que disserem os documentos oficiais assinados por esse árbitro de olhar caricato. Ele correu de braços abertos para comemorar a conquista com Luis Felipe Scolari que o sustentou na lateral direita quando a lógica o escalaria do lado equerdo para substituir Zé Roberto, suspenso por ter recebido três cartões amarelos. Pará sorriru abraçado aos seus colegas porque sabe que lutou muito para estar ali naquele momento. Lutou na vida e brigou no treino da semana, porque nada dava certo lá do lado esquerdo. Provou na bola e no temperamento que tinha de estar ali na entrada da área, pelo lado direito, no momento em que o lançamento fosse feito por nosso volante, não porque era a melhor opção, mas porque era a única disponível no momento.

 

Já escrevi aqui nesta Avalanche como me sinto em relação ao futebol de Pará e porque o admiro mesmo diante de todas as críticas que possa receber. Foi quando, em agosto do ano passado, Pará fez o único gol de sua vida com a camisa do Grêmio – o segundo de sua carreira -, na cobrança de falta contra o Flamengo, na Arena Mané Garrincha. “Tivesse sido um jogador de futebol, eu teria sido o Pará”, foi assim que abri aquele post que você pode ler, se ainda tiver paciência, clicando neste link. E o teria sido com muito orgulho porque poucos se dedicam tanto a uma causa como ele, o que se revela seja na comemoração com a bola que foi despachada pela lateral e impediu qualquer perigo ao nosso gol seja no gol contra resultado de seu cruzamento, como nesse sábado à noite. Pará, assim como na partida anterior foi responsável pela assistência que nos levou ao gol de empate contra o Coritiba, volta a ser protagonista em campo. E se dependermos dele para chegarmos a Libertadores, tenho certeza de que lá estaremos mesmo que a vaga somente seja conquistada na última rodada (e com um gol meu, ou melhor, um gol de Pará, mais um!)

Avalanche Tricolor: a melhor defesa do Campeonato Brasileiro

 

Grêmio 1 x 0 Chapecoense
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Desde antes de a partida se iniciar, ouvi os comentaristas fazendo projeções para o Grêmio. Somavam os três pontos possíveis, nos colocavam entre os cinco primeiros e na disputa pela vaga na Libertadores. Ficará a apenas três pontos do vice-líder, ressaltavam. Ledo engano. A vitória nos colocaria, como nos colocou, a dez pontos do líder, pois esta tem de ser nossa meta por mais complexa que pareça diante dos compromissos que temos e da vantagem do adversário que ponteia a competição há uma sequência invejável de rodadas.

 

Claro que para sonhar tão mais alto como proponho seria interessante aumentarmos nossa produtividade no ataque. Menos mal que na partida de hoje marcamos cedo, aos sete minutos, e diante de uma belíssima jogada. Geromel, que nos dá segurança lá atrás, em lugar de dar um chutão lá pra frente, preferiu lançar Barcos. Nosso goleador teve categoria para matar a bola e entregá-la para seu companheiro de ataque, Luan, que perdeu o drible diante do goleiro mas proporcionou a sobra para Dudu fazer o gol que procurava incessantemente. Desde abril não fazia o seu, apesar da participação intensa em quase todas as partidas que disputou. A corrida em direção a Felipão e o abraço que deu no treinador foi o agradecimento à confiança do técnico que reconhece a utilidade do baixinho da camisa 7 tanto no ataque quanto na defesa.

 

O gol logo cedo apenas inverteu o sofrimento das partidas anteriores quando deixávamos para marcar nos minutos finais. Ficamos os demais 88 minutos, incluindo nesta conta os acréscimos, desperdiçando contra-ataques e nos defendendo. Verdade que nos defendemos muito bem. Estamos a sete jogos sem perder, completamos cinco seguidos sem tomar gol e temos a defesa menos vazada do campeonato com apenas 14 gols. Têm méritos Marcelo Grohe, que chegou a marca de 626 minutos sem gols, Rhodolfo, que atua como um xerife lá atrás, e Geromel, que ganhou a posição com personalidade (fará falta no meio da semana). Mas sejamos justos, se o time funciona é porque o sistema defensivo (não apenas a defesa), do qual fazem parte todos os jogadores em campo, é um sucesso. E este sucesso se deve a tomada de espaços, a movimentação constante e a entrega de cada um dos jogadores, fatores que devem ser creditados a Felipão.

 

Para que meu sonho (quase uma ilusão) se realize, apenas a eficiência na defesa talvez não seja suficiente. Mas enquanto o ataque não marca mais, melhor que a defesa continue marcando muito.
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A foto deste post é do site Gremio.net

Avalanche Tricolor: três minutos que valeram minha torcida

 

Figueirense 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Orlando Scarpelli – Florianópolis (SC)

 

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A bola trocou de pés rapidamente. A partir da intermediária, Alan Ruiz e Giuliano tabelaram sem dar chance à marcação. O passe final do gringo, já dentro da área, desmontou qualquer tentativa de defesa e abriu caminho para o primeiro gol da partida. O primeiro de Giuliano com a nova camisa, que, aliás, lhe veste muito bem. Foi também o nosso primeiro gol depois de muito tempo. O locutor do jogo chegou a dizer há quantos minutos não marcávamos, mas não tive cabeça para guardar o tempo sem gols, estava entusiasmado demais com aqueles três primeiros minutos que jogávamos. O goleador – já podemos identificá-lo assim? – ajoelhou-se, ergueu os braços, indicou o dedo para o alto e agradeceu a graça alcançada, enquanto seus companheiros saltitavam de satisfação e comemoravam a conquista. Anunciava-se uma apresentação de gala – não sei se ainda chamam assim. O Grêmio forte, matador e disposto a pressionar os líderes, de volta aos gramados. Era tudo que esperávamos nesta retomada do Campeonato Brasileiro.

 

Devagar com o andor porque o santo é de barro. Depois do gol, ainda haveria todo o primeiro e segundo tempos. Sendo mais preciso: houve um bom primeiro e um nem tão bom assim segundo tempos. Nossas chances de ampliar o placar foram tímidas. As deles, também. Tivemos de salvar duas bolas na entrada da área com nossos defensores se jogando ao chão. Impedimos o cruzamento com um carrinho que acabou em falta. Fizemos outras faltas desnecessárias. E deixamos a bola rolar no nosso campo de defesa. Oferecemos oportunidades para o adversário que, por conta própria, não conseguiria chegar ao nosso gol. A vitória avassaladora que se desenhou no começo da partida se restringiu ao 1 a 0, mesmo estando diante do Figueirense, time que sofre na zona de rebaixamento, tem os piores ataque e defesa da competição, e ficou com um jogador a menos boa parte do segundo tempo.

 

Confesso, caro e raro leitor, esperava um pouco mais. Não me prestarei, porém, às críticas mordazes e à descrença porque, ao contrário de muitos que escrevem por aí (e por aqui, também), serei eterno torcedor deste time. E vou incentivá-lo mesmo diante das mais complicadas situações – o que, convenhamos, nem é o que vivemos atualmente. Estarei sempre propenso a me entusiasmar seja com o desarme de um zagueiro, o chutão de um dos nossos volantes ou, como hoje, alguns poucos minutos de jogo bem jogado. E se em todo jogo bastarem três minutos para sairmos vencedores, que assim seja até o título final.

Confira no replay: a modernização já começou no futebol

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Da mão de “Deus” do insólito Maradona à mão de “pirata” do Barcos, temos uma coincidência na ação e na nação dos autores, mas uma infinita distância nos reflexos que o recente episódio do Beira Rio deverá repercutir. A reação dos protagonistas de Porto Alegre retrata o quadro caótico que vive o esporte mais popular da terra, ao mesmo tempo em que começa a escancarar o sistema envelhecido e bastante envilecido do futebol se decompondo diante da tecnologia ao alcance de todos.

 

O principal ator do sábado gaúcho, o árbitro alagoano da FIFA Francisco Carlos Nascimento, embora tenha assinalado o gol, juntamente com o auxiliar, e voltado atrás após cinco minutos, visivelmente por ter sido avisado da mão de Barcos, relatou na súmula que não houve nada de anormal. Fato desmentido pela jornalista da TV Bandeirante Taynah Espinoza quando confirmou que Gerson Baluta usou a informação da TV: “Foi dito que foi mão pelo que se viu, e agora o delegado está perguntando para quem está fazendo a transmissão, se pelas câmeras de televisão vimos que foi gol. Parece que estão usando mesmo a tecnologia, mesmo que não seja de forma legal, entre aspas”.

 

Gilson Kleina o técnico do Palmeiras não tinha dúvidas: “Quem anulou o gol foi o delegado. Ele viu na televisão e anulou. Isso é sem-vergonhice. O gol foi anulado cinco minutos depois! Alguém passou”. “Em todo lance, vai ter que parar e ver a televisão. O futebol está ficando uma chatice”.

 

A diretoria alviverde vítima de recentes erros de arbitragem em vez de usufruir da situação para apoiar a tecnologia tenta tirar vantagem do momento e levanta a bandeira da anulação do jogo. Bem diferente de Marcos, goleiro e ídolo: ”Na minha opinião, não precisamos que anule o jogo,a final o gol foi feito de mão. Numa época de tanta luta para que a justiça seja feita no Brasil, nós (todos) do futebol brasileiro temos que dar o exemplo, se for para acontecer o pior que seja com dignidade”.

 

Tite do Corinthias não deixa por menos: “Vamos parar com a palhaçada de que no bar da esquina a conversa é boa (com os erros de arbitragem). É boa se seu time é melhor, e não da injustiça do jogo. Esse é um clichê que escuto muito, faz parte da discussão do boteco da esquina. Tem 300 coisas boas para discutir, e não a correção do lance”.

 

Nei Franco do São Paulo no programa Quatro em Campo da CBN assinalou que será inevitável o uso da tecnologia. A facilidade e o acesso difundido forçarão a sua utilização.

 

Vôlei, basquete, tênis e quase todos os esportes têm tido mudanças para adequação às novas condições mercadológicas e tecnológicas. O tênis, por exemplo, adotou medidas que trouxeram mais justiça e mais atração, como o dos desafios eletrônicos. E não obrigatórios para todos os torneios, mas de acordo com o seu peso econômico. Para cobrir uma área de 190m2 e dois jogadores o tênis tem 10 juízes. Ainda assim precisou da tecnologia para melhorar a precisão e o espetáculo, tornando a repetição do lance uma nova atração e não a chatice prevista por alguns. O futebol para 6.400m2 e 22 jogadores tem 1 árbitro e 5 auxiliares, o que dá mais de 1.000m2 para cada juiz, contra 19m2 no tênis. São 5 juízes para cada jogador no tênis, enquanto no futebol são 0,2 juiz para cada jogador. No tênis não há contato pessoal, no futebol há contato e simulação.

 

Por estas e outras estou apostando na utilização dos recursos tecnológicos até que se copie o tênis no poder, pois lá quem manda são os tenistas e não os cartolas.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

 

Quem tem artilheiro, não morre pagão

 

Direto de Roma/Itália

A tabela de goleadores da Copa do Mundo 2010 é auto-explicativa. Dividem o primeiro posto Villa da Espanha e Sneijder da Holanda; Muller da Alemanha e Furlan no Uruguai. Cada um deles marcou cinco vezes, sendo que os dois primeiros podem ampliar esta vantagem na partida de logo mais.

O alemão, aos 20 anos, é o segundo atleta mais jovem a marcar cinco gols em um Mundial. O primeiro, lógico, é Pelé que alcançou este feito aos 17. O uruguaio já é o segundo goleador do País, com 19 gols, dois atrás de Hector Scarone.

Alemanha com 16, Holanda com 12 e Uruguai com 11 são as seleções que mais gols marcaram nesta Copa. A Espanha é o ‘patinho feio’, pois chegou a final com apenas sete gols em seis jogos – muita mais pela pontaria do que pelo desejo, pois foi quem mais chutou, 103 vezes.

A numeralha muitas vezes atrapalha e esconde verdades. Mas trago estes dados estatísticos para chamar atenção em especial para o fato de que as seleções com artilheiros foram as que chegaram a disputa final. Nenhum esquema tático, nenhuma estratégia defensiva, nenhum medo, pode abrir mãos destas figuras essenciais ao futebol.

O goleador – às vezes perna dura para driblar, outras mal-querido pela personalidade – tem de estar em qualquer grupo de elite que se preze. Abrir mão deles em nome de comprometimentos e comportamentos é desperdiçar a oportunidade de um time avançar.

É preciso ressaltar a importância destes personagens da bola, principalmente em um momento em que a economia de gols é evidente na formação das equipes. Não fossem Alemanha e Uruguai partirem para o tudo ou nada – diga-se de passagem, comum na decisão do terceiro lugar – corríamos o risco de assistir ao Mundial com a pior média de gols de todas as Copas.

Após o jogo de ontem, chegamos aos 2,28 por partida, mesmo que a decisão se encerre 0 a 0 encostaremos nos 2,29 de 2006, se houver três gols, superamos a marca. O que ainda é muito pouco e significativo para o futebol que o mundo está jogando.

De nada servirá uma goleada sem o título – não tenho dúvida. Mas mesmo equipes que marcam pouco, como foi a Espanha na Copa da África, precisam de um fazedor de gols, como Villa. Alguém com capacidade de finalizar aquilo que os companheiros construíram ou mesmo com força suficiente para concluir o que ele próprio teve de construir.

Que nossos queridos técnicos aprendam de uma vez por toda. Quem tem um artilheiro, não morre pagão.