Avalanche Tricolor: O melhor do Grêmio é o Grêmio

 

INTER 2 X 3 GRÊMIO
Gaúcho – Beira Rio (POA-RS)

 


“Tio, quem é o melhor do Grêmio?” Não deu tempo para responder. Milésimos de segundos para pensar foram suficientes para ser atropelado pela próxima pergunta: “Tio, no que o Grêmio é melhor?”.

O interrogatório era de uma sobrinha que nasceu em Roma, na Itália, recém-chegada ao Brasil que gosta de jogar futebol na escola americana em que estuda, em São Paulo. Diz que é meio-campo. Enquanto perguntava, a bola rolava sem tempo para respirar (e responder).

Valentina, o nome dela, assistiu ao Gre-Nal ao meu lado, com os olhos esbugalhados diante da televisão, impressionada com a velocidade e a movimentação no placar de um jogo eletrizante, bem diferente daqueles que vimos nas últimas rodadas.

Ela estava gostando muito do menino de moicano que deixava o adversário mais arrepiado que o próprio cabelo. Ficou feliz em saber que Leandro tinha apenas 17 anos e era capaz de fazer tudo aquilo em campo. E ele nem tinha marcado o seu gol de bico, ainda. Até agora nem ela nem eu entendemos porque foi substituído. Será proibido driblar?

Fábio Rochenback também lhe chamava atenção. É o capitão, então tem de ser bom, pensou em voz alta. A gente sabe que não é bem assim, mas no caso do volante gremista a análise está correta. Ficou admirando a força e o talento, principalmente quando passava a bola com um toque certeiro e colocava o companheiro na cara do gol.

“Como é o nome desse aí, tio?”. Júnior Viçosa.

O desengonçado atacante não causava deslumbre na minha coleguinha de torcida. Aliás, ela ficou indignada duas vezes quando ele desperdiçou as chances de empatar. “Até eu faço !”. Mas como eu, vibrou muito no primeiro e, em especial, no segundo gol dele, o da vitória, aquele que põe o Grêmio em condições de ser campeão Gaúcho semana que vem.

Quando a TV deu destaque ao técnico adversário não me contive e para colocá-la no assunto comentei que ele já havia sido considerado o Rei de Roma: “Nunca ouvi falar , tio”.

O jogo termina, nós dois vibramos abraçados e ela me dá o presente que esperava: “Tio, eu quero ser gremista”.

Mas afinal, quem é o melhor e o que o Grêmio tem de melhor ?

Foram perguntas que não respondi enquanto ela esteve em casa. Fiquei pensando sobre isso até o fim deste texto e conclui que o melhor do Grêmio é essa força que o faz reerguer-se tão rapidamente por pior que sejam as circunstâncias. Que o faz crer na possibilidade de virar um placar mesmo que o futebol não esteja a altura da façanha. O faz superar seus momentos mais medíocres. E com isso conquista o coração da minha sobrinha italianinha.

O melhor do Grêmio é o próprio Grêmio.

E você, Valentina, já é gremista. Bem-vinda à Imortalidade.

Avalanche Tricolor: Nós fazemos a história

 

Grêmio 2 x 1 Inter
Gaúcho – Rivera (URU)

Festa gremista faz história do Gre-Nal (Foto: Gremio.net)

Era a primeira vez que o clássico Gre-Nal seria disputado fora do Rio Grande do Sul. E pela primeira vez seria jogado no exterior, já que as divisões geográficas deixaram Rivera do lado uruguaio. Era, portanto, um Gre-Nal para ficar na história.

E este é um assunto que o Imortal Tricolor entende bem.

O primeiro clássico de todos os tempos foi do Grêmio. O cinematográfico 10 a 0, em 1909, oportunidade em que a diretoria gremista ofereceu o time B para enfrentar o adversário, que do alto de sua prepotência não aceitou.

Para comemorar os 100 anos desta rivalidade, o Grêmio marcou mais uma vitória sobre o “tradicional” adversário, em 2009, em partida disputada no estádio Olímpico. O placar não foi elástico, é verdade: 2 a 1 de virada, lógico. Haveria graça se fosse diferente ?

Ao longo da história deste clássico – que alguns no centro do País dizem ser o de maior rivalidade do futebol brasileiro -, o Grêmio sempre escreve o capítulo mais importante.

Para o jogo desta noite em solo uruguaio – que, diga-se a verdade, é praticamente território tricolor dado os grandes feitos alcançados naquela terras – decidimos por enviar o time reserva, como aquele que queríamos escalar no primeiro dos Gre-Nais. O titular treinou pela manhã, no estádio Olímpico, em trabalho acompanhado por torcedores empolgados.

Nem nosso técnico deixou Porto Alegre nem nosso presidente foi a Rivera nem mesmo a torcida mais empolgada do Olímpico – a Da Geral – fez força para ocupar o estádio Atílio Paiva. Não por acaso a maior parte das arquibancadas estava vazia e o menor público de um Gre-Nal foi registrado: 7 mil pessoas.

Mas a camisa tricolor estava em campo. E isto faz diferença. Às vezes, parece que basta isto para fazer diferença em um Gre-Nal histórico. Basta o azul, preto e branco para transformar jogadores com pouco ritmo e sem entrosamento em uma equipe vitoriosa.

Lógico, não seria fácil. Nunca será. Por isso, foi de virada (novamente).

E serviu para homenagear ex-jogadores como Roger, que estreou no papel de treinador, após muitos anos se dedicando ao bom futebol. Elogiado pelo elenco ao fim da partida pela maneira como motivou a todos no intervalo, mostrando a eles o que representava vestir a camisa do Grêmio.

E, também, consagrou o lateral-ala Bruno Gollaço – perdão pelo trocadilho, mas a cobrança de falta dele valeu o ingresso do jogo.
E fez surgir um novo nome em nosso elenco de goleadores, Lins – nome simples como o gol que marcou, bola recebida de presente do zagueiro adversário, ajeitada com a perna e tocada para dentro do gol como devem fazer os goleadores.

Enfim, para um Gre-Nal histórico, o resultado não surpreende. Porque se existe alguém que sabe fazer história no Rio Grande do Sul este time é o Grêmio Imortal.

Avalanche Tricolor: Ele voltou

 

Inter 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Porto Alegre

Tivemos as melhores chances de gol. Sem exagero, tivemos as únicas chances de gol desta partida. Haja vista, ter sido o goleiro adversário o destaque do jogo. O time dele, aliás, teve seu ataque anulado. Mesmo quando estava mais tempo com a bola nos pés, não era capaz de impor perigo a Vítor, sempre seguro, principalmente agora com uma defesa que parece mais bem armada, protegida e com capacidade de sair jogando.

Gostei, também, de ver o time vencer boa parte das divididas de bola e das disputas pelo alto, das brigas em que se envolveu, da coragem de jogar contra toda a pressão que havia no estádio e que havia dentro da própria torcida, angustiada com a falta de resultados.

Aliás, o resultado não veio de novo. E você, caro e raro leitor deste Blog, deverá me cobrar promessa feita na Avalanche Tricolor de domingo passado, quando disse que a reação neste campeonato se iniciaria. Abri o texto lembrando que o Gre-Nal costumava proporcionar coisas mágicas e mudanças inacreditáveis na trajetória dos clubes.

Ratifico o que escrevi.

Faltavam poucos minutos para se encerrar a partida. E o técnico Silas sacou do banco Souza que voltava ao time após quase sete meses de recuperação de cirurgia que sofreu no joelho. Ele entrou em campo para enfrentar o time contra o qual havia se machucado no início do ano. E na sua primeira jogada, um carrinho na lateral do campo, com o qual roubou a bola adversária e armou o ataque. Sem medo, sem medir riscos, sempre pronto para oferecer o que tem de melhor. Talento e gana.

Souza ainda teve tempo de ensaiar alguns dribles do outro lado do campo e chutar uma bola em direção ao gol. O mais importante, porém, foi sinalizar que a retomada de seu futebol pode estar próxima e – se isto realmente acontecer – a nossa redenção, também.

Que assim seja.

Avalanche Tricolor: Toninho, o guri de coragem no Gre-Nal

 

Inter 0 x 2 Grêmio
Gaúcho – Beira Rio

Twitter Milton Jung

Com esta mensagem acordei no Twitter esta manhã e refletia sentimento que não se baseava apenas na luz que vazava a janela de casa, aqui em São Paulo. Havia um azul no céu que teimava em aparecer, apesar das nuvens que se esforçavam pra estragar o cenário. A confiança estava nos sinais que chegavam, nas coisas pequenas que surgiam daqui e dali.

No rodapé do caderno de esporte, uma foto do goleiro Vitor ilustrava a chamada para o Gre-Nal que decidiria o Campeonato Gaúcho. Não era nenhum atacante que estava ali, o driblador de plantão ou o goleador do momento. Nem um destaque especial para os jogadores daqueles que “se acham” vencedores de tudo. Era o nosso goleiro, o maior do Brasil , que em campo à tarde justificaria a demonstração de respeito dos jornalistas esportivos de São Paulo.

Estadão Vítor

Os sinais não paravam por aí.

Na primeira página do Estadão, uma camisa do Grêmio estava no alto. Vestida por um menino de 8 anos, Antonio Lazarotto Campanelli, que a convite de reportagem sobre a nova “opinião pública” escreveu em um cartaz a mensagem que gostaria de enviar para o mundo:

Estadão Grêmio

Parabéns, Toninho ! Você é guri corajoso. Não esperou o Gre-Nal deste domingo para gritar à caneta o que seu coração já lhe dizia. Em poucas palavras encarou aqueles que ainda duvidavam do potencial deste time. O Grêmio de Silas é uma equipe constantemente desafiada pelos críticos e por seus próprios torcedores, sempre aguardando um aceno, um lance, uma conquista a mais.

Ganhou a primeira fase do campeonato gaúcho, fez a melhor campanha entre todos, mas não era o suficiente. Superou um, dois, três adversários na Copa do Brasil, chegou às quartas-de-final, mas … Sempre aparecia um mas a duvidar da gente. E a nos dar dúvidas, também.

Para Toninho, não. Para este menino nascido em Porto Alegre, o Grêmio não precisava provar nada, pois mesmo jovem conhece a saga do Imortal Tricolor. E sabe que coragem é nossa marca, confiança é o que nos leva a vitória.

Foi você jovem gremista, mais do que o céu e o Vítor, quem me contaminou e me fez crer que algo de bom estava reservado para este domingo. E como estava.

Twitter Neuton

Foi, aliás, um outro jovem, Neuton, 20 anos, que dentro de campo só fez aumentar minha certeza. Com um carrinho sem medo da falta que seria marcada, logo no início da partida, fez sua estreia no time profissional. Dali pra frente, encarou os marcadores em arrancadas pela esquerda, driblou dentro da área, deu chutão para lateral e comemorou cada roubada de bola como somente os gremistas são capazes de comemorar, sem nenhuma vergonha na cara. Passou no teste.

Houve outros corajosos em campo nem tão jovens como o ala Neuton ou o torcedor Toninho. Mas vou citar apenas mais um e que seja uma homenagem a todos que começam a entender o compromisso que assumiram ao vestir o manto tricolor: Rodrigo.

Nosso zagueiro encarou o adversário que teve o atrevimento de lhe agredir na entrada do gol que defende, não teve medo da punição do árbitro pois sabia que ali era momento de mostrar quem manda dentro da área. Mancou parte do jogo, sem nunca tirar o pé. E foi decisivo ao “chutar” a bola de cabeça e marcar o primeiro gol do Grêmio. Rodrigo, o Patrão da Área, foi, hoje, o das duas áreas.

Os sinais deste domingo se completaram com o gol de Borges que nos ofereceu uma vantagem considerável para a partida final no Olímpico Monumental. Sua comemoração com cambalhotas e piruetas me fez lembrar André Catimba, e a final de 1977, quando assisti ao primeiro título gaúcho do Grêmio.

O de 2010 ainda não vencemos, mas teimo em acreditar na mensagem que recebi ao fim de uma boa conversa durante todo o jogo pelo Twitter

Twitter Marcia Pilar

Avalanche Tricolor: Passes e bites

 

Papel de parede do meu Mac pra temporada 2010

Papel de parede do meu Mac pra temporada 2010

Inter 1 x 0 Grêmio
Gaúcho – Erechim

Ganhei o domingo. Pode soar estranho pra você que me conhece e leu o resultado do Gre-Nal logo acima, mas é a pura verdade. Vítima da lei de Murphy – “se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará”- e de uma assistência técnica irresponsável, cheguei ao fim de semana desesperado com o atestado de óbito do meu Mac Air em mãos e boa parte dos arquivos que integram minhas palestras desaparecida.

A placa analógica do computador pifou de vez, e após um mês de embromação os técnicos da assistência disseram que não seriam capazes de salvar documentos, vídeos e áudios do HD. E aquele externo com um monte de coisas gravadas ? Com os feriados de fim de ano, as férias escolares e a temporada de palestras apenas se iniciando em fevereiro , havia esquecido de fazer o backup de dezembro. Como sou previdente, as coisas mais importantes também estão no pendrive, mas descobri que este havia sido perdido em um dia e lugar quaisquer.

O domingo se iniciava sob a tensão de preparar extenso material didático, pesquisar arquivos na internet e torcer para que o velho MacBook da mulher tivesse performance a altura das minhas necessidades. Não precisei de muito tempo para descobrir que ele se parecia com time em começo de temporada. Instalava uma coisa aqui, faltava outra ali; baixava um programa de um lado, tropeçava do outro.

Foi daí que lembrei: “e não é que tem Gre-Nal !?”. Mas logo vi que não era coisa séria. Jogo dessa importância não pode ser disputado em gramado esburacado, sem iluminação e com torcedor pendurado em árvore. Com um olho na tela da TV e cabeça no computador, fui ajustando as coisas a meu favor. A bola rolava quadrada em campo, os colegas de time pareciam ainda estar se apresentando um ao outro: “desculpe-me pelo passe errado, amigo. Prazer, qual é seu nome mesmo ?”.

Gostei mesmo de cinco carrinhos que assisti no gramado úmido, um deles de autoria do golerio Vítor. Esse cara é bom mesmo, até carrinho dá. Teve uns lances legais, mas a maior parte do jogo se assemelhava a minha luta particular diante do computador. Osso duro de roer.

Precisei de 90 minutos para encaixar todos os aplicativos que necessitava para viabilizar minha apresentação. O número de arquivos que baixei foi maior do que de defesas dos goleiros. Não era de se surpreender que a vitória – injusta para jogo equilibrado – viesse de um gol de chiripa.
A trave adversária ainda tremia de um petardo de Maylson no segundo final de partida quando o último bite do último programa foi instalado com sucesso. Os jogadores não haviam saído de campo, no momento em que o notebook da minha mulher foi reiniciado e todos os arquivos e apresentações que eu precisava estavam lá felizes e saltitantes (quem conhece a barra de controle dos Macs sabe que saltitam mesmo).

Comemorei como se um gol tivesse sido marcado. Como nos muitos gols que o Grêmio ainda irá marcar nesta temporada que está apenas se iniciando. E, portanto, ainda tem muitas alegrias a nos oferecer.

Avalanche Tricolor: “Happy Birthday to you”

Grêmio 2 x 1 Inter
Brasileiro – Olímpico Monumental

Daqui da cidade de Ridgefield, no estado americano de Connecticut, diante da tela de meu computador, me emocionei ao ouvir a torcida gremista cantar em homenagem aos pioneiros Callfelz, Deppermann, Becker, Caris, Black, Mostardeiro, Brochado, Grünewald, Moreira, Booth e Schroeder. O nome deles aparecia em uma faixa estendida na arquibancada do Olímpico Monumental e está registrado no nosso coração. Esses personagens, há 100 anos,  começaram a contar uma história de vitórias e superioridade sobre aquele que seria nosso principal adversário no Rio Grande do Sul. Não me refiro a números apenas, como gostam os estatísticos, mas a feitos e fatos.

Assim como fomos antes conquistar a América e o Mundo. Fomos, também, os primeiros a vencer um Gre-Nal. E o fizemos com um resultado retumbante: 10 a 0. Agora – registre-se – ganhamos o “Gre-Nal do Centenário”.

Estejam onde estiverem, nossos heróis de ontem, assistiram, nesta tarde, a uma apresentação e tanto dos 11 que, hoje, vestem o manto do Imortal. Como nos últimos confrontos fomos melhores mas, desta vez, demonstramos isso em gols pelos pés de Souza e pela cabeça de Máxi Lopez.

Não sei se daqui 100 anos, os dois serão lembrados da mesma maneira que o são Booth (5), Grünewlad (4) e Moreira (1), responsáveis pela goleada histórica. Mas o que ambos realizaram em campo, os fazem merecedores do nosso aplauso e homenagem, também. Eles e todos os demais que participaram desta vitória, pois como disse o atacante argentino com seu portunhol quase debochado: ‘”o Grêmio foi max em tudo”.

Daqui de longe, esperando estar perto em breve, logo que publicar esta Avalanche, sairei pelas ruas desta pequena cidade americana vestindo uma camisa azul (do Grêmio) e cantarolando na língua nativa para não causar espanto:

“Happy Birthday to you
Happy Birthday to you
Happy Birthday
Dear Grêmio
Happy Birthday to you”

Nos descontos

A camisa da foto foi criada pelo Blog Grêmio Copero que só aparece grafado em vermelho neste post por burocracia técnica do WordPress