Avalanche Tricolor: porque somos gremistas, meninos!

 

Inter 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Beira Rio (POA)

 

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Há três dias vejo um dos meus meninos vestindo a camisa do Grêmio. Não essa tricolor que vestem nossos jogadores em campo, mas camisas estilizadas, com destaque para o azul que nos representa, o símbolo no lado esquerdo do peito e imagens de um passado recente em que o Olímpico era nossa casa. Algumas tem dizeres impressos no tecido, mensagens enaltecendo nossa história e nossos mitos. Vestiu para ir a faculdade e a academia; para passear no shopping, também. Vestiu porque mesmo tendo nascido longe do Rio Grande aprendeu a ser gremista. Gosta de ser visto assim, identificado como tal. Os amigos mais próximos insistem em perguntar para quem ele torce aqui em São Paulo, como se torcer para o Grêmio não fosse suficiente. Ele não titubeia em responder: sou Grêmio e isso me basta!

 

Hoje, desde cedo, ele e o irmão acordaram mais atentos ao futebol do que costumam ser. Já devo ter contado aqui que, apesar da paixão do pai pelo esporte, eles preferem se concentrar nos times que disputam as competições eletrônicas, especialmente League of Legend, do que na bola rolando. No almoço, queriam saber como estávamos para a decisão e o que nos esperava na partida final.

 

Mesmo que diante do computador, torceram por mim desde o primeiro minuto de jogo, em Porto Alegre. Viram-me sofrer com dois gols que tiveram origem em falhas indesculpáveis de nossos marcadores. Viram-me vibrar no único lance em toda a partida no qual merecemos fazer nosso gol. Aproximaram-se de mim no segundo tempo para compartilhar o drama do relógio que corria para o minuto final. Lamentaram nossos erros e a falta de criatividade como lamentamos todos nós que torcemos pelo Grêmio.

 

Neste domingo, em que nossos defeitos se repetiram e nossos méritos não surgiram, assim como eu, os dois ficaram frustrados com o resultado final. É claro! Perder títulos sempre nos deixa com um gosto amargo. Tiveram, porém, mais uma lição de como um gremista é forjado. De que maneira nossa alma se constrói e nosso coração é massacrado. De que forma precisamos aprender a sofrer para nos tornarmos maior. De que o caminho até a vitória é aberto a partir dessas derrotas. Aprendizado que me fez mais forte na infância para me transformar em campeão do mundo na adolescência. E que está aí para moldar uma nova trajetória com as correções de rumo que se fizeram necessárias.

 

Independentemente do que tenha acontecido hoje e do que venha a acontecer amanhã e depois, nosso destino já está traçado: somos gremistas. E isso nos basta!

Avalanche Tricolor: fomos grandes quando ficamos menor em campo

 

Grêmio 0 x 0 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Jogamos bola enquanto tivemos condições; impedimos que se jogasse depois que ficamos em desvantagem. Verdade que poderíamos ter jogado um pouco mais do que jogamos; e segurado ainda mais quando não podíamos mais jogar. Apesar de tudo isso, vamos para final em plenas condições de conquistar o título gaúcho. Na última partida todos os empates nos favorecem, seja para decidir nos pênaltis seja para levantar a taça. Isso significa que o adversário vai ter de atacar.

 

O passe não funcionou tão bem quanto nos jogos anteriores, resultado da marcação mais forte que encontramos pela frente. Ou será que ninguém percebeu que o adversário entrou “fechadinho” (e depois o Felipão é que é retranqueiro)? Quando se tem pouco espaço, o pouco que se tem deve ser explorado de maneira efetiva, tem-se de chutar na primeira chance, aproveitar-se das faltas marcadas (quando o são) e finalizar com precisão.

 

A falta de um matador ainda é gritante, pois as chances foram criadas e a bola rondou o gol adversário. Mas não apareceu ninguém para empurrá-la para dentro. Quando aparecia, escapava do pé, saía por cima, pelo lado … desperdiçávamos oportunidades que fazem muita falta em uma decisão.

 

Fomos grandes, porém, quando ficamos menor em campo.

 

Marcelo Grohe cresceu no gol, fechou o que pode, nos fez respirar aliviado e parou o jogo sempre que necessário. Sabia que, naquelas condições, não levar gol em casa poderia fazer diferença no jogo final. Ele não levou gol e segurou a bola até onde pode.

 

Assim como Marcelo, toda a equipe soube se defender. Nossos laterais não fizeram feio lá atrás. Nossos zagueiros despacharam a bola o quanto puderam. E nossos volantes corriam para impedir qualquer perigo. Arriscamos até alguns contra-ataques, mas pecamos na finalização, mais uma vez.

 


Mesmo em condições adversas e com pouco tempo em campo, Cristian Rodríguez mostrou-se lutador e talentoso. Pode se transformar no ponto de desequilíbrio na partida final e, quem sabe, no companheiro capaz de dar a Braian a chance dele entrar para a história do Grêmio com um gol decisivo. Se não, podemos contar com Yuri Mamute saindo do banco para ser nosso herói.

 

Sim, eu sei … estou sempre esperando um momento épico, um fato extraordinário, o lance impossível cometido por aquele de quem menos se esperava. Quero sempre ser testemunha da construção de uma lenda. Fazer o quê? Foi assim que o Grêmio me ensinou a ser: crente e Imortal!

 


A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: ganhamos deles de goleada!

 

Inter 0 x 0 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Beira Rio/POA-RS

 

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Tenho orgulho de ser gremista. Talvez fosse até dispensável dizer isso, afinal quem lê esta Avalanche ou, minimamente, acompanha minha carreira no rádio sabe bem de quanto torço para o Grêmio. Cresci próximo do estádio, aprendi a jogar futebol no campo de terra nos fundos do Olímpico e, por mais de dez anos, vesti a camisa 13 do time de basquete, treinando no ginásio sem teto que ficava ao lado. Nas arquibancadas do Monumental chorei por títulos conquistados e perdidos. Costumava chorar muito até porque sempre fui passional e me emocionava com facilidade. Ao começar minha vida como jornalista, em 1984, fui repórter de esportes da Rádio Guaíba e, como tal, fui escalado várias vezes para trabalhar como setorista do Internacional. Lembro de uma vez ter chegado ao velho Beira-Rio e uma foto minha com a camisa de basquete tricolor estar estampada no quadro de avisos da sala de imprensa. Havia sido recortada de reportagem que registrava meus dez anos de basquete, publicada no jornal editado pelo departamento de imprensa do Grêmio. Era brincadeira de colegas, no Inter. Talvez pelo meu profissionalismo, espero que seja isso, sempre fui muito respeitado, apesar de todos saberem da minha paixão.

 

Meu fanatismo pelo Grêmio nunca influenciou a relação com meu círculo de amigos, também. Um dos poucos que mantenho até hoje, desde os tempos de infância, é o Paulinho, que, aliás, jogou ao meu lado no time de basquete. Ele era colorado. Perdão! Ele é colorado, muito colorado! Filho do seu Valdemar e da dona Terezinha e irmão da Verinha, tudo gente muito boa e de um carinho contagiante. Preservamos a amizade mesmo eu tendo vindo para São Paulo, em 1991, e ele permanecido em Porto Alegre. Nas vezes em que visita à capital paulista a trabalho costumamos dividir uma garrafa de vinho para lembrar alguns momentos que vivenciamos em parceria no Sul. O futebol, apesar de nossas diferenças evidentes, sempre nos uniu, pois era motivo de gozação mútua. Se não me falha a memória, neste tempo todo, tirei mais sarro da cara dele do que ele da minha. Ou teria sido ao contrário? Coisa ruim a gente não lembra!

 

Cheguei a ver com o Paulinho algumas partidas de futebol juntos lá no Olímpico. Jamais um Gre-Nal. Nunca tivemos oportunidade de dividir arquibancada em um clássico por motivos mais do que óbvios. Gostaria de ter estado ao lado dele hoje à tarde no Beira-Rio e participado deste fato que chamou atenção de todos, em um momento de reação à estupidez que domina os estádios brasileiros. Tomara que esteja em Porto Alegre no próximo Gre-Nal e tenha a chance de convidá-lo a ver o jogo comigo na Arena. Ver gremistas e colorados lado a lado vibrando a cada chute a gol, sofrendo a cada risco de gol e xingando o juiz que impediu o gol foi, sem dúvida, marcante. Apesar do comportamento violento de uma minoria que se traveste de torcedor para revelar suas frustrações, fiquei feliz em saber que existem pessoas capazes de compartilhar suas paixões clubísticas sem enxergar nisso uma ofensa ao adversário. E mais feliz ainda em ver que este exemplo surgiu na minha terra natal. Espero que a ideia avance e vença a intolerância. Que não seja ato isolado, mas o início de uma transformação nos estádios.

 

O empate em 0 a 0 talvez tenha sido providencial, pois nada em campo poderia ser mais importante do que a vitória da civilidade. Desta vez, ganhamos deles de goleada, Paulinho!

Avalanche Tricolor: calma, o domingo vem aí!

 

Grêmio 0 x 0 Juventude
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Três jogos seguidos na Arena e nenhuma vitória (pior, duas derrotas). Sete jogos jogados no Campeonato Gaúcho e apenas um oitavo lugar na competição, o que mal-e-mal nos assegura entre os classificados à próxima fase. Todos esses malogros são resultado de coisas ruins que têm marcado nosso desempenho dentro de campo. Defesa desarrumada, risco de gol a todo ataque adversário, falta de objetividade no avanço do time e produção pífia no ataque é o que assistimos à cada partida, independentemente do time escalado. E tentativas do técnico para encontrar o time certo não faltaram: é lateral de zagueiro e meio-campo na lateral; volante mais à frente, um dia com mais um ao seu lado na função e no outro com mais dois. Sem contar a turma do nosso ataque que muda para direita, muda para esquerda, muda a dupla, vende a dupla e, tanto faz uma dupla ou outra, nada acontece. Tem ainda as cobranças de escanteio que não encontram a cabeça dos nossos homens na área e as de falta que não encontram destino algum.

 

Justiça seja feita, mesmo diante dessa lista de horrores, ontem à noite, ainda se ensaiou um futebol um pouquinho melhor, especialmente no segundo tempo. Troca de bola mais curta e mais rápida e um razoável esforço para que as coisas deem certo, o que sempre gera esperança. Houve momentos em que até acreditei que a bola entraria, mesmo que empurrada, por insistência nossa ou falha deles. Passou perto uma, duas vezes. E nada de gol. Jogaram a bola para dentro da área e na falta de alguém melhor para colocar para dentro acabava sempre nas mãos do goleiro adversário. Na última bola, mais uma esperança. Agora vai! Alguém mete o pé e desvia para a gente comemorar uma sofrida vitória? Bem que se tentou, mas, os pés se atrapalharam. Bola para fora, de novo.

 

O futebol não dá certo, as mudanças não dão certo, os chutes e o cruzamento também não. Nada está dando certo! Quando parece que vai dar certo, lá vem a China! E cadê o diabo da nossa Imortalidade? Foi então que encontrei o fio de esperança que sempre me move mesmo nos piores momentos do Grêmio: domingo tem Gre-Nal.É isso! Se nada está dando certo até aqui é por que algo melhor estão nos reservando. Só pode ser isso. É a nossa penitência na busca da felicidade suprema. Eu sempre tenho no que acreditar. E é nisso que resolvi acreditar.

 

E você? Vamos acreditar juntos e até domingo!

 

A foto que ilustra este post é do álbum do Grêmio Oficial no Flickr

Avalanche Tricolor: não é nada, não é nada, ao menos goleamos no Gre-Nal

 

Grêmio 1 x 1 Flamengo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Valia pouco, mas valia alguma coisa a partida de encerramento da temporada 2014. A vitória faria com que o Grêmio colocasse R$ 1milhão a mais no bolso -não é nada não é nada, dá pra fazer pouco mais do que nada com este dinheiro. A Copa do Brasil no ano que vem também seria mais curta, pularíamos três fases, em especial aquelas em que se costuma jogar nos Cafundós do Judas contra times semi-amadores, o que sempre é um risco de vexame prematuro. Entraria-se nas oitavas-de-final, ou seja, a oito jogos do título, uma vantagem que não chega a ser decisiva, mas que é sempre bem-vinda, especialmente para quem tem alguma pretensão e muitas obrigações no ano que vem.

 

O bônus que a vitória nos ofereceria não foi suficiente para nos fazer melhor em campo. Houve até momentos interessantes: um drible por aqui, outra jogada por ali; a bola continuou insistindo em bater no travessão quando não, desviada para fora; e, finalmente, um gol de falta muito bem cobrada – aliás, foi a coisa mais bonita que se viu na Arena, neste fim de tarde de muito calor em Porto Alegre. Luan, que voltou a marcar, segue oferecendo sinais contraditórios, pois aparenta ser lento na maneira de jogar, às vezes parece apagado e fora do ritmo, para de repente driblar o adversário com uma facilidade constrangedora e fazer gols. Será importante no ano que vem quando estará mais maduro.

 

Por falar em meninos, um dos que chamam mais atenção é Everton, sempre disposto a atacar, meter a bola entre as pernas do adversário, trocar passes com os companheiros e, se derem algum espaço, chutar a gol. Talvez com mais tempo de jogo entre os titulares consiga ter rendimento capaz de desequilibrar as partidas a nosso favor na próxima temporada. Quem melhorou bastante ao permanecer entre os titulares foi Walace, volante grandalhão mas bem ajeitado com a bola no pé. Também um garoto prestes a se revelar no futebol.

 

Comemorar o surgimento dessa gurizada e torcer para que, ao lado de jogadores mais maduros, formem um time vencedor em 2015 é o que nos resta neste fim de ano. Apesar de que mesmo tendo sido uma temporada de poucos momentos de emoção, apenas alguns ensaios de satisfação e muitos tropeços, nunca vou cansar de lembrar que, em 2014, nossa maior vitória foi golear no Gre-nal: não é nada, não é nada, foram 4 a 1 de lavar a alma, não é mesmo!?

 

A foto que ilustra este post é do site oficial do Grêmio

Avalanche Tricolor: Obrigado, Pai!

 

Inter 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Beira-Rio (POA)

 

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Nascemos apenas com um nome. Não temos consciência do que é a vida, chorar é nossa única linguagem, e as pessoas são manchas diante de nossos olhos pequenos de mais para definir as coisas. Sentimos apenas que há duas pessoas que nos dedicam atenção especial, com sons carinhosos e toques gentis. Somente algum tempo depois saberemos que eles são pai e mãe, e serão eles os tutores que nos ajudarão a dar os primeiros passos que decidirão nossas caminhadas. Cada um a seu modo prestará ajuda e orientação. E foi assim na minha casa, com pai e mãe presentes – enquanto esta esteve viva. Meu comportamento na escola, minha relação com os amigos, a maneira como me portei diante dos fatos, o Deus em que acreditei, todas as escolhas que fiz tiveram a influência deles. No futebol, não tenho dúvida, meu pai foi definitivo. Nascido em uma estado onde existem apenas duas opções, a mim foi oferecida apenas uma: ser gremista. Houve um primo que arriscou-se e, ainda sem que eu tivesse certeza do que aquelas cores significavam, colocou em minhas mãos uma bandeira vermelha, me forçando a cantar um canto que desconhecia. Ingênuo, fui usado para provocar meu pai que naquele ano, 1969, assistia ao seu time de coração perder pela primeira vez um campeonato gaúcho depois de sete temporadas. A reação dele foi imediata e pedagógica. Apanhei, de leve, mas apanhei, com a bandeira adversária, em cena que sempre imaginei ser apenas lenda de família, porém confirmada pelo meu pai há pouco mais de dez anos e ratificada semana passada em texto publicado por ele aqui no Blog do Mílton Jung.

 

Aproveito este domingo de Dia dos Pais, no qual vivi emoções incríveis ao lado de meus dois filhos, com quem chorei abraçado após ouvir a declaração deles em programa da rádio CBN, produzido pela sensível e competente Pétria Chaves, para agradecer ao meu pai pela atitude corajosa que tomou há 45 anos. É bem provável que o tempo me daria as lições necessárias para seguir meu destino, pois tenho convicção de que nasci predestinado a ser gremista, mas, como escrevi logo na abertura desta Avalanche, se nasce apenas com um nome e, portanto, é preciso que pessoas e fatos o levem para o caminho traçado nem que seja aos trancos e barrancos. Às vezes, até com bandeiradas (de leve, mas bandeiradas). Meu pai não titubeou ao ver o guri correndo riscos e fez o que lhe veio na cabeça. Hoje, costuma pedir desculpas e dizer que não repetiria o gesto, quando tenho apenas gratidão a lhe oferecer. E o faço publicamente em um momento que muitos devem imaginar impróprio dado o resultado frustrante em campo – frustrante e injusto, registre-se. Por que o faço neste momento? Porque meu pai me ensinou muito mais do que para qual time torcer. Vem dele o meu desejo de acertar, minha cobrança sistemática pela perfeição, mesmo sabendo que não a alcançarei. Aprendi com ele que não devemos abrir mãos de nossas convicções e verdades, apesar de amigos e colegas muitas vezes nos forçarem a trilhar outras estradas. Adotei o desejo de lutar sempre, ainda que estejamos fragilizados diante do adversário. Ele me fez entender que as derrotas fazem parte da vida e jamais podemos desistir, pois lá na frente algo muito maior nos aguarda. Fui forjado a crescer no sofrimento e ter prazer na vitória.

 

É diante de tudo isso que, neste domingo, independentemente do quanto não merecíamos o resultado alcançado, que lhe agradeço pai por ter me ajudado a ser o homem que sou. E, claro, por ser gremista.

Avalanche Tricolor: que os deuses do futebol me perdoem

 

Grêmio 1 x 2 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Deus escreve certo por linhas tortas, dizia minha mãe sempre disposta a me consolar diante do revés e mostrar que teríamos de aprender com nossos erros. Seriam esses os sinais divinos enviados para amenizar a dor da derrota e lhe dar caráter pedagógico. Você, caro e raro leitor deste blog, sabe muito bem das minhas restrições quanto a misturar religião e futebol, por entender que o Cara lá em cima tem muito mais coisa para se preocupar do que interferir nos resultados em campo. Por isso, se o objetivo é escrever de bola rolando (ou rolada), como costumo fazer nesta Avalanche, melhor prestar atenção nas lições oferecidas não por aquele Deus superior que alguns de nós acreditamos (eu, inclusive), mas nos deuses do futebol, aqueles que, recentemente, foram clamados pelo técnico Mano Menezes, do Corinthians, para rogar praga sobre o arquirrival São Paulo (parece que deu certo). São eles que sempre me dão esperança de dias melhores, que me fazem acreditar na Imortalidade que marca nosso time, mesmo diante de todas as dificuldades.

 

Como tenho uma certa intimidade com os deuses do futebol, eles costumam me confidenciar segredos que devem ser guardados até a revelação final. Desta vez, porém, perdoem-me senhores, serei obrigado a contar aquilo que vocês sussurraram em meu ouvido assim que se encerrou o Gre-Nal na tarde deste domingo. E faço está inconfidência pois imagino que muitos torcedores gremistas estejam tristes com o placar desfavorável na primeira partida da final do Gaúcho, principalmente por saberem que terão duas semanas de espera até o jogo da volta – bem verdade que neste tempo todo teremos coisas bem mais importantes a fazer, como confirmarmos a classificação à próxima fase da Libertadores nos dois jogos que faltam nesta fase de grupos. Sobre isso, porém, falaremos na quarta-feira à noite. Como sei que muitos de vocês estarão cabisbaixos na segunda-feira, quebrarei meu pacto com os deuses de futebol. Eles me garantiram que o resultado ruim de hoje tinha a única intenção de convencer os dirigentes adversários a abrirem seu estádio, que será reinaugurado semana que vem, para o Gre-Nal final, coisa que não aconteceria se a conquista do título regional estivesse ameaçada. Diante da vantagem do gol qualificado e a possibilidade de perderem o título apenas se o Grêmio fizer dois gols de diferença, levarão o jogo para o Beira Rio, vão se preparar para a festa, colocarão o champanhe na geladeira, se vestirão de arrogância e, com o cenário pronto para a tragédia final, a Imortalidade Tricolor ressurgirá mais uma vez.

 

Só uma coisinha a mais da minha conversa com eles: um dos deuses que conheço, metido a dar palpites técnicos e táticos, me disse também que para a palavra deles se concretizar não podemos repetir o segundo tempo dessa tarde, pois o futebol não perdoa apáticos nem prepotentes da mesma forma, aliás, que eu não perdoo os idiotas racistas que seguem a manchar as arquibancadas. Que tirem a camisa tricolor ao tomar essas atitudes, pois nós não os queremos. E vocês não nos merecem.

Avalanche Tricolor: empate no último jogo-treino antes da Libertadores

 

Grêmio 1 x 1 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Choveu no domingo paulistano, ao menos na parte da cidade em que moro. Pela quantidade de água percebo, porém, que não foi o suficiente para melhorar a situação dos reservatórios, em especial o Cantareira, que atende cerca de 9 milhões de pessoas, quase metade da Região Metropolitana de São Paulo. Segundo os números divulgados, menos de 20% do reservatório têm água à disposição, a menor marca desde sua criação em 1974. Apesar de as autoridades insistirem que não haverá racionamento, vê-se cidades pelo interior com medidas de contenção. Nesta altura do campeonato, admitirem o corte no abastecimento é confessar que não se precaveram para o período de escassez. Sabe-se que políticas de prevenção são fundamentais, é preciso desenhar cenários possíveis e programar as ações para esses momentos mais críticos. Empresas e órgãos públicos têm de trabalhar no sentido de criar condições para que estratégias de redução de consumo, abastecimento e reaproveitamento de água sejam eficazes. Enquanto as pessoas têm de ser mobilizadas em torno da causa, a partir de campanhas permanentes de economia de água, não apenas quando está faltando.

 

O caro e cada vez mais raro leitor deste Blog talvez estranhe o fato de o primeiro parágrafo desta Avalanche ter se dedicado a escassez de água. Peço desculpa se isto lhe incomoda já que a ideia neste espaço é escrever sobre futebol, especialmente o Grêmio. O que eu quero, além de chamar atenção para o momento alarmante que São Paulo está enfrentando, é mostrar que planejamento é importante nas diversas áreas. O Grêmio, por exemplo, voltou aos trabalhos há pouco mais de um mês, identificou suas prioridades, traçou metas, preservou seus principais jogadores neste início de campeonato e os colocou em campo apenas três ou quatro vezes com a intenção de não desgastá-los e ao mesmo tempo mantê-los com ritmo de jogo. Um planejamento que tem como objetivo maior a Libertadores, competição que se inicia na quinta-feira, contra o Nacional, em Montevidéu, no Uruguai. E visando esta disputa é que digo que o Gre-Nal foi um bom jogo-treino, onde pudemos identificar pontos positivos, como a marcação forte e a pressão na saída de jogo, na primeira parte da partida; tivemos a certeza de que alguns jogadores têm lugar no time, outros ainda são incógnitas e há os que talvez só tenham espaço no banco; houve pontos negativos como o descuido da defesa que permitiu o gol adversário e a precipitação na troca de passe que atrapalhou a chegada ao ataque; mas teve a superação dos defeitos e das dores (caso particular de Marcelo Grohe), também.

 

Enfim, depois desse jogo-treino, ainda temos dúvidas em relação ao que nos espera na Libertadores, mas sabemos que há um plano em andamento e somado a isso há a disposição de uma nação inteira – a tricolor – em voltar para a competição sul-americana e conquistá-la. É isso que nos interessa. É isso que queremos

Avalanche Tricolor: um Gre-Nal em família

 

Grêmio 1 x 1 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Foram intensos estes dias em que comemorei os 50 anos, em especial pela presença da família. Estar com o pai quando se chega a essa idade é sempre animador, ao menos porque nos dá a sensação de que não somos tão velhos quanto os outros imaginam. E temos a chance de exercitar o papel de filho, o que sempre nos oferece a oportunidade de sermos ainda mais novos. Os irmãos também colaboram muito nesta tarefa porque não se cansam de nos lembrar de quando éramos crianças. Desde pequenos aprendemos juntos a torcer por um time de futebol lá no Rio Grande do Sul, e você, caro e raro leitor deste Blog, sabe bem da escolha que fiz. Se chega aqui pela primeira vez, bastará um pouco de atenção ao nome da coluna e a cor da escrita para ter a resposta certa.

 

Foi assistindo ao Grêmio no clássico gaúcho que encerrei estes dias agitados, em São Paulo. Boa partida do jogo vi atirado no sofá ao lado do meu pai, como já havíamos feito no passado muitas outras vezes. Aliás, foi com ele que aprendi a ter comedimento diante das conquistas temporárias de uma partida de futebol, mesmo que tenha alguns rompantes diante de lances incríveis como um carrinho salvador que despacha a bola para longe e o adversário para fora (que ninguém me leia) ou uma chegada firme que evite o ataque contrário e quem sabe ajude a armar o contra-ataque. No entanto, sei que boa sequência de ataque não significa gol, da mesma forma que a sinalização de pênalti pelo árbitro. Preferímos esperar a bola na rede para comemorar de verdade. Estamos convencidos há algum tempo que ter o domínio da bola, jogar melhor e se impor ao time contrário não são suficientes para chegarmos a vitória. Um vacilo e tudo se vai: uma falta mal marcada, um cartão não dado ou exagerado, lances fortuitos mudam o destino de um jogo.

 

O horário restrito do voo de volta para Porto Alegre nos tirou de frente da televisão e nos fez assistir ao restante da partida na tela do Ipad até quase a sala de embarque, em Congonhas. No que foi possível prestar atenção, enquanto dávamos preferência às lembranças do fim de semana, pouca coisa mudou desde aquilo que vimos no início da partida: houve mais faltas, mais expulsões, mais pressão e mais nenhum gol de ambas as partes. Terminou empatado o primeiro Gre-Nal na Arena. Menos mal – disse meu irmão ao saber do placar, pouco antes de se despedir. Pelo que jogamos não merecíamos um resultado negativo além disso terminar o fim de semana com um revés não estaria a altura da alegria que foi conviver estes dias com a minha família gremista.

Avalanche Tricolor: vencemos o Gre-Nal, e que Gre-Nal !

 

Inter 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Remendazzo (Beira Rio)

 

 

Gre-Nal é Gre-Nal dizem lá no Rio Grande do Sul ou para demonstrar que as equipes buscam forças especiais capazes de equilibrá-las independentemente de suas qualidades ou como forma de tirar das costas qualquer erro de prognóstico. A verdade é que tem Gre-Nal e Gre-Nal, cada um com a sua importância, as suas circunstâncias e significados. O primeiro, por exemplo, tem valor por marcar o início de uma história (e porque vencemos por 10 a 0, lógico). O que dá um título estadual é mais importante do que aquele que apenas serve para classificar à fase seguinte. E o que vale uma competição nacional vai além desses todos. E o Gre-Nal de hoje valia muito mais, por isso nossa vitória tem sabor especial.

 

Vencer o Internacional, neste domingo, mostraria o amadurecimento de um time que foi sendo construído durante a competição e desde que assumiu seu lugar entre os quatro melhores nunca mais o abandonou. Mesmo assim ainda é olhado com desconfiança por muitos setores, inclusive da torcida. Mais do que isso, desta vez daríamos um passo a frente na tabela de classificação e começaríamos a caminhada rumo à liderança e, de gorjeta, ainda empurraríamos o tradicional adversário para atrás, bem mais atrás. Estávamos, também, atuando no #Remendazzo, estádio que eles fizeram questão de jogar apesar da evidente falta de infra-estrutura porque se diziam imbatíveis. Não foram necessários mais de mil gremistas, espremidos e molhados em uma arquibancada de estádio do interior, para provar o contrário.

 

O Gre-Nal foi decidido logo no início com Elano marcando o único gol da partida mesmo sofrendo dores devido a uma lesão muscular que o tirou de campo em seguida. Fez atuação típica de um Imortal e quando saiu deixou clara a falta que temos de alguém em condições de armar o jogo ao lado de Zé Roberto. Mas isto não é coisa para se discutir em um dia de festa. O restante da partida foi para consagrar nossos defensores, com Fernando se sobressaindo mais uma vez, Gilberto Silva acabando com qualquer tentativa do “ataque dos sonhos”, Werley na função de xerife e os dois alas despachando bola para frente sempre que necessário. E, claro, o goleiro Marcelo Grohe ensinando velhos jornalistas de quando está na hora de pararem de escrever bobagem.

 

E se minha tese de que em competição de pontos corridos toda partida é uma decisão, este Gre-Nal não é era apenas um Gre-Nal, era o Gre-Nal do título, por que não ?