Avalanche Tricolor: A César o que é de César

Grêmio, teu negócio é Libertadores

Inter 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Beira Rio

Comemorar 100 anos de história é momento marcante. Tem de se planejar bem a festa. Convidar as pessoas certas. Deixar a casa bonita. Aproveitar cada instante para relembrar seus feitos. Dar o que se tem de melhor. Fazer de conta que todas as vitórias foram conquistadas sem ajuda externa, um apito amigo ou coisa que o valha (ou não valha). Dar um colorido especial mesmo para aquelas lembranças nem tão felizes assim como o primeiro clássico, a goleada imperdoável, o título jogado fora no último jogo, ou o pênalti desperdiçado. As datas são para serem celebradas, mesmo.

Por tanto, é muito justo que, neste domingo – mesmo com um injusto resultado -, os colorados tenham deixado o Beira Rio cantando “Parabéns a você”. Merecem, neste centenário, ser campeões do Campeonato Gaúcho. É o que merecem.

Ao Grêmio, a Libertadores, que disputou 12 vezes, foi campeão em duas e vice em mais duas. Da qual é líder invicto e tem das melhores campanhas até aqui nesta temporada.

Aliás, quando entrar no gramado do estádio Olímpico, já nesta terça-feira (sim, apenas 48 horas após o Gre-Nal, pois os torneios estaduais ainda são considerados importantes por alguns), o Imortal Tricolor terá  a oportunidade de olho no olho, respirar fundo e dizer: Libertadores, enfim sós !

Avalanche Tricolor: Prá comemorar o centenário

Camisa em comemoração ao centenário do primeiro Gre-Nal

Caxias 4 x 0 Grêmio do B
Gaúcho – Estádio do Centenário

Caprichoso o destino que programou para o próximo domingo um Gre-Nal quando na véspera o Inter completa 100 anos de fundação. A lógica colocaria os dois grandes do futebol gaúcho frente à frente daqui uma semana, provavelmente. Mas o inesperado resultado desta quinta-feira à tarde – que, convenhamos, não é dia de jogar bola -, em um estádio que leva o nome de “Centenário”,  nos propiciou a oportunidade de participarmos desta festa, e na casa do aniversariante.

Teremos a possibilidade de reviver as emoções do primeiro confronto entre as duas equipes que fizeram o futebol do Rio Grande do Sul destaque mundial. Foi a 100 anos, também, que o torcedor experimentou pela primeira vez o sabor desta disputa.

No dia 18 de julho de 1909, no estádio da Baixada, com cinco gols de Booth, quatro de Grünewald e um de Moreira, o Grêmio aplicou uma goleada histórica no tradicional adversário: 10 a 0. Resultado marcante que os gremistas decidiram lembrar com uma camisa comemorativa, neste 2009. A minha já está em casa pronta para ser vestida mais uma vez com o orgulho que tenho do meu time.

E se mais uma vez as linhas tortas nos empurraram para este caminho, precisamos agora convencer aqueles que forem escalados a vestir o Manto do Imortal, no domingo, que há uma história a ser honrada. A nossa história

Avalanche Tricolor: Noves fora

Entra de uma vez, deve pensar Makelele (Foto: Grêmio.net)

Grêmio 2 x 0 São Luis
Olímpico – Gaúcho

Segunda-feira, 7 e meia da noite. Arquibancada quase vazia, via-se muito mais faixas e bandeiras do que torcedores. O barulho que sempre toma conta do Olímpico era quase um ruído por trás da transmissão do PFC – que voltou a apresentar problemas no sinal, por três ou quatro vezes. Os loucos da Geral estavam lá porque sempre estão. O Grêmio também estava porque é obrigado a dividir a saga da Libertadores com jogos pelo Campeonato Gaúcho.

Foi, aliás, o primeiro jogo de uma série de quatro que serão disputados em apenas nove dias. Desses, um para garantir presença entre os classificados à próxima fase (já foi), outro para se manter em primeiro lugar no grupo (será quinta à tarde), o terceiro válido pelas quartas-de-final do Estadual (no domingo). Para fechar a sequência, dois dias depois da disputa de uma das partidas eliminatórias do Gaúcho, pega o Aurora pela Libertadores (na terça).

Mal tratado pelos cartolas, ao Grêmio resta encarar este desafio e provar a todo jogo que é capaz. Hoje, foi com os titulares e mostrou o que os comentaristas gostam de chamar de “volume de jogo” excepcional. Pouco deixou o adversário fazer em campo. Vitor, sério, praticamente não sujou o uniforme. Mesmo assim, a bola parece ainda ser um obstáculo a ser vencido. Apesar de bem cuidada, tocada com carinho, deslocada para que se apresente diante do gol, teima em não entrar.

É certo que entrou duas vezes, hoje, pelos pés de Makelele, o simpático coringa, e de Reinaldo, talvez o último dos atacantes na lista de preferência do torcedor (a propósito, bonito gol fez Reinaldo).  Assim como também é certo que a bola entrou no gol adversário sempre que mais precisamos: na Libertadores. Mas bem que poderia ser um pouco mais generosa nem que fosse por gratidão ao time que tantas vezes estará em campo na semana que apenas começa.

Avalanche Tricolor: Por linhas tortas

Aurora 1 x 2 Grêmio
Libertadores – Bolívia

Foi Ele quem empurrou esta bola

Começamos com uma bola no travessão que explodiu na grama, antes da linha do gol; seguimos com um chute cruzado no poste; na mesma jogada os pés  do zagueiro salvaram os bolivianos. Teve ainda o ataque parado pelos braços longos do goleiro adversário. O Grêmio e seus incríveis gols perdidos estavam de volta aos campos da Libertadores, nesta noite de quarta-feira.

Dominou na defesa, avançou pelas laterais, foi criativo no meio-campo e se movimentou  muito no ataque. As chances de gols apareciam a todo momento, fruto do bom futebol. O comentarista chegou a dizer que o Grêmio jogava como se estivesse em casa, mas a bola não entrava. Na cabeça do torcedor a imagem do drama das últimas partidas se reproduzia.

“Papai do céu, olhai por nós”, ouvi minha fé cristã sussurar quase que envergonhada pela heresia de misturar futebol e religião. Não é que ele olhou e deu a Jonas, o nosso “pior e idolatrado atacante do mundo”, a oportunidade de apagar a distorcida imagem forjada pela imprensa estrangeira desde sua última aparição na Libertadores. Com o dedão, a ponta da chuteira, ele fez seu oitavo gol desde que voltou a vestir o manto tricolor. Ele merecia.

Já tendo desperdiçado alguns gols a mais e com o segundo tempo se iniciado, Alex Mineiro foi displicente ao usar o calcanhar quando deveria dar preferência ao dedão de Jonas, e permitiu o contra-ataque que resultou – com toda justiça posso dizer isso – no  injusto empate boliviano.

Não dá para querer justiça divina dentro das quatro linhas. E, afinal, por que facilitar se podemos sofrer ?

A camisa com o espírito do RenatoA  camisa sete, que já vestiu Renato Gaúcho, parece ter transferido a Jonas as múltiplas facetas do atacante que nos levou a conquista do Mundial. Quando mais precisávamos de seus gols perdidos, foi expulso. A bola não nos queria mais, o adversário passou a acreditar na vitória, nossa linha de impedimento quase matava o torcedor do coração, e nosso ataque deixou de existir.

Na televisão, o locutor já falava em tom de consolo que “empate fora de casa não é tão ruim assim” ou “dá prá garantir a classificação no Olímpico”. Devia ter torcedor falando mal do Celso Roth.  Havia um, em Porto Alegre, que pediu as bençãos de Padre Reus.

Mas, você sabe, era o Grêmio que estava em campo. E quando o Grêmio joga não podemos esperar que as coisas se resolvam de maneira lógica. Damos preferência as linhas tortas que, desta vez, confundiram as mãos do bom goleiro adversário.

Gol de Tcheco, disse a televisão. Gol do padroeiro, disse o fiel lá no Rio Grande do Sul. Gol do Papai do Céu que estava vendo tudo lá de cima e com os dedos a coçar o queixo pensava com seus anjos: este time merece ser líder da Libertadores.

Assinante da NET sugere restituição em ‘massa’

Imaginei que apenas eu estava incomodado com a não-transmissão da partida entre Ulbra e Grêmio pela Campeonato Gaúcho, no sistema pay-per-view (pagar-para-ver). Soube, porém, pelos comentários deixados no post publicado domingo que tem mais alguns gremistas desgarrados que também foram enganados: pagaram para não ver. Além de torcedores de outros clubes, assinantes da NET, que também se sentem prejudicados.

O assinante e gremista Seu Algoz, que mantém o “Blog Grêmio: Nada Pode Ser Maior” faz a seguinte proposta: que todo assinante que comprou o Campeonato Gaúcho ligue para a NET e peça a restituição de R$ 6 a qual tem direito pela não-transmissão da partida.

Lembre-se, não adianta esperar pela NET pois a promessa de restituição me foi feita somente após perguntar ao atendente qual o direito que tinha ao pagar e não receber o produto comprado.

Quanto ao motivo para a NET não transmitir o jogo, alegando problemas técnicos, Seu Algoz escreve que haveria um desentendimento entre a operadora de TV a Cabo e a Ulbra, universidade luterana que mantém o time de futebol de Canoas: “A Net acha que a Ulbra tem que pagar para ser mencionada, e por conta disto, toma esta atitude ridícula de chamar o Ulbra Esporte Clube de Canoas. Pressionada a mudar de postura, optou por deixar todos os assinantes sem o jogo”.

Pela NET, o que se sabe, é a mensagem padrão enviada aos assinantes que reclamam: “A Net, na qualidade de operadora de tv por cabo, apenas retransmite os sinais diretamente das programadoras nacionais ou estrangeiras, não influindo, portanto em seu conteúdo.

Leia mais sobre o assunto clicando aqui.

Avalanche Tricolor: Minha paciência vale R$ 6

Ulbra 1 x Grêmio – B 1

Gaúcho – Canoas

Emoção, muita emoção. O futebol brasileiro nos leva a prender a respiração, sentir o sangue pulsando mais forte nas veias, e o coração bater como se fosse explodir, mesmo antes de a partida se iniciar. A medida que a hora do jogo se aproxima este sentimento aumenta. Tensão. O controle remoto treme na mão apontado para o aparelho de TV, os números teclados demoram a aparecer; antes da imagem surgem os letreiros sobre uma barra azul e o nome do seu time não está ali.  Você se apressa a teclar outros números, outro canal,  e mais um momento de hesitação, espera. Nada, nada de o clube pelo qual você torce aparecer na tela.  Quem sabe mais para frente ? Não, mais para trás. Quem sabe na grade de programação ? Não, em lugar nenhum.

Frustração. Apesar de você pagar quase R$ 50 pelo direito a assistir às partidas do seu time na televisão, o PFC – nome do canal que oferece (?)  os jogos dos campeonatos regionais de vários estados brasileiros, inclusive o Gaúcho – mais uma vez lhe deixa na mão. Em nenhum canal pago, o seu Grêmio está presente. Pela segunda vez em pouco mais de um mês.

A bola já rola, e você corre ao telefone para saber o que está acontecendo. Logo que liga para o serviço de atendimento da NET é vítima de um golpe que a operadora de TV a cabo aplica no Código de Defesa do Consumidor. O sistema automático atende sua ligação e gera um número de protocolo (no meu caso 003090055082539) para, em seguida, deixar-lhe pendurado ao telefone sob a promessa de que um atendente vai lhe atender. Foram mais de 30 minutos de espera, ouvindo sempre a mesma gravação, o anúncio de um programa qualquer pelo qual não estou interessado. De repente, um ser humano fala do outro lado e seu coração volta a bater forte. Meu problema será solucionado.

Após ouvir minha reclamação, e eu ter de ouvir alguns “um minuto, senhor” e “estou verificando, senhor”, descubro que um problema técnico impede a transmissão da partida, em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre. Mas, incrível,  o jogo passa na TV aberta, diz o atendente. Ou seja, quem não pagou, lá no Rio Grande do Sul, assistiu ao jogo do Grêmio e Ulbra, pela RBS TV, quem pagou não teve este direito.

Questionei o funcionário sobre os meus direitos, e descobri que terei um desconto na minha fatura de R$ 6,00. É o preço da minha paciência e da incompetência do serviço oferecido aos assinantes. Detalhe: só terei o desconto porque reclamei, pois este não me foi oferecido como deveria ser de praxe em empresas que respeitam o consumidor.

Após tantas emoções, descubro que, em campo, o futebol que o time reserva do Grêmio apresentou não valia sequer os R$ 6 que recebi de desconto.

Avalanche Tricolor (extra): Corinthians é tricolor (gaúcho)

O azul da Batavo na camisa do CorinthiansCom o patrocínio que vai lhe garantir o ano, o Corinthians assume as cores do tricolor gaúcho. E foi o próprio patrocinador quem chamou atenção para o fato, certamente interessado em valorizar a camisa corinthiana: “A camisa ficou muito bonita, preta, branca e o azul da nossa marca”, disse José Antônio do Prado Fay, diretor-presidente da Batavo, que se declarou torcedor do Grêmio. Já tem o Mano, já tem o Willian, já tem o mosqueteiro como símbolo. Agora com a camisa “tricolor”, quem sabe o Corinthians chega a Libertadores.

Avalanche Tricolor: A fera está solta

Maxi Lopez faz o primeiro com a camisa do Imortal (foto: Grêmio.net)

Grêmio 6 x 1 São José

Gaúcho – Olímpico

O São  José foi o segundo time a morar num pedacinho de corações gremistas e colorados. Se não era verdade, tratava-se, pelo menos, de  santa mentirinha. As novas gerações já não cultivam esse hábito e, com mais razão, os profissionais dos dois times, haja vista, por exemplo, a goleada aplicada pelo Grêmio no Zéquinha. A propósito, procurei pela Avalanche Tricolor no teu blog e não a encontrei

Quase como um puxão de orelha, chego em casa após a meia-noite e leio esta mensagem na caixa de correio, assinada pelo ouvinte-internauta  que se identificou apenas pelo primeiro nome, Pablo. Tinha razão da bronca, logo na noite em que o Grêmio faz uma apresentação como esta pelo Campeonato Gaúcho por que haveria de abrir mão desta coluna mantida há mais de ano e escrita sempre após os jogos do Imortal. Escrita, algumas vezes (poucas, por sinal), com imensa dor no coração.

Compromisso profissional me tirou de casa antes do término da partida. Fui participar do programa Quarta Viva, apresentado pelo professor e vereador Gabriel Chalitta, na TV Canção Nova. Aproveitei para falar da campanha Adote um Vereador, conversei sobre a responsabilidade do jornalista diante do cidadão, e a importância da palavra, entre outros temas. Antes de mim, na mesma cadeira, esteve Heródoto Barbeiro que falou da experiência (enorme, por sinal) dele na comunicação, e desfilou conhecimento e simpatia.

Foi, aliás, no bate-papo com o Heródoto, antes do programa se iniciar, que fiz minha última consulta na internet para confirmar o resultado da partida do Grêmio contra o São José. “Santo o quê ?”, perguntou o professor. Minha explicação não foi tão precisa quanto da mensagem reproduzida na abertura deste texto, mas me parece que ele não estava muito interessado mesmo. Queria apenas ironizar mais uma conquista do tricolor.

Confesso que não fiquei surpreso com o placar final. Ao sair de casa, o Grêmio vencia por 4 a 1 e o primeiro tempo sequer havia se encerrado.  Goleada que se iniciou aos 21 segundos de jogo (recorde do ano), quando em um ataque fulminante Tcheco completou para as redes. Em seguida, viriam os gols de Léo, Jonas e Jonas.

Fábio Santos, soube depois, fez o quinto. Mas lamento mesmo não ter tido a oportunidade de assistir ao sexto gol, o primeiro de Maxi Lopez vestindo a camisa do Imortal, que saiu do banco para levantar a torcida, conforme leio na imparcial cobertura do portal Grêmio.net. Sem tempo para procurar o gol na internet me delicio com o poder da imaginação. Vejo a bola disparar dos pés de Souza na cobrança de falta com velocidade suficiente para tornar impossível a defesa do goleiro adversário que a solta na área quando surge o argentino, cabeludo, visão aguçada e faro de gol;  a bola se apresenta a ele e Maxi, educadamente, atende: Muito prazer, eu sou a Fera !

Avalanche Tricolor: Soy loco por ti !

O velho Grêmio Copeiro está de volta

Boayacá Chicó 0 x 1 Grêmio

Libertadores – Tunja (Colômbia)


O atacante deles está próximo da linha de fundo. Na posição onde, antigamente, aparecia o ponta esquerda. Quer chegar na área para o gol. Mas, precisa voltar com a bola. Há três jogadores do Grêmio na marcação. Assustado, procura um companheiro de time. Encontra, mas antes de a bola chegar até ele, um quarto gremista aparece. A bola é do Grêmio. O jogo está 0 a 0.

A cena descrita acima não vai aparecer nos melhores momentos da partida desta noite , no acanhado estádio La Independencia.  Os editores vão preferir o gol de falta de Souza, aos 32 do primeiro tempo; a incrível jogada de Jonas que conseguiu de uma só vez perder três oportunidades de marcar; os muitos chutes contra o goleiro Velásquez que foram para fora, que foram para o travessão, que foram parar nas mãos dele.

Para mim, porém, aquele lance do primeiro parágrafo, foi o mais significativo desta partida em que o Grêmio marca uma virada na sua trajetória de 2009 e na sua história de Libertadores.  Nunca antes – como diria o Presidente – havíamos vencido de um time na Colômbia. Nem mesmo quando conquistamos o bicampeonato da América, na casa do Nacional, em Medellin.

No instante em que vi os jogadores do Grêmio “caçando” o adversário, como se fosse um exército determinado a superar o inimigo, certos de que para vencer o jogo precisavam conquistar aquela batalha, naquele minuto, ficou claro para mim que o Imortal Tricolor estava de volta a Libertadores.

O que aconteceu dali para a frente, o único gol marcado em meio a uma centena de gols perdidos, a preferência ao toque de bola para “matar” o jogo em lugar do chutão, os desarmes do meio-campo, a firmeza da defesa e a presença segura de nosso goleiro nos poucos momentos em que foi exigido, não me surpreenderiam mais, após redescobrir o Grêmio Copeiro que já nos ofereceu dois títulos da América.

Que venha o terceiro, porque “soy loco por ti, América”!

Avalanche Tricolor: Dar a vida

 Ronaldo Tcheco

Santa Cruz 3 x 2 Grêmio
Gaúcho – Santa Cruz/RS

Há quem dê ao Divino a autoria pelo belo roteiro que o futebol nos oferece a cada momento. Quando Ronaldo sobe mais alto e com a cabeça – a mesma que nunca foi muito boa, seja dentro da área ou fora do campo – marca o gol de empate no último minuto do clássico, o primeiro de seu re-retorno, tem quem diga que foi o dedo de Deus. Afinal, ele parecia estar morto para a bola, mas renasce. Está vivo.

Creio que Ele tenha muitas preocupações para ficar a escrever estas histórias. Mas, com toda a certeza, o futebol está sempre a nos oferecer bons momentos para serem contados. Foi assim com o Grêmio na Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro quando tínhamos todos os motivos para não lembrar daquela passagem. Foi assim nas duas vezes nas quais conquistamos o título nacional (1981 – 1996), quando precisamos sair atrás na decisão para a glória no jogo final.

Houve partidas memoráveis que nem mesmo a derrota diminuiu o orgulho de ser tricolor. Lembra a Guerra de La Plata ? Foi contra o Estudiantes, em 1983, quando se disse que os gremistas quase morreram em campo. E não era figura de linguagem.

Hoje, após mais uma derrota no Campeonato Gaúcho – ruim, mesmo que se esteja jogando com um misto frio -, dos poucos jogadores lúcidos dentro de campo, o capitão Tcheco conversou com os repórteres ainda no péssimo gramado do estádio dos Plátanos, em Santa Cruz do Sul: “O Grêmio chegou em um momento que, depois de tanta crítica, se a gente comprar um circo, o anão cresce”.

Por mais torto que possa parecer este meu pensamento, você que é Imortal Tricolor vai entender: o Grêmio chegou no momento certo para voltar a vencer. Perdeu seu principal volante machucado durante partida sem qualquer importância, antes mesmo da estréia na Libertadores; jogou fora o primeiro turno contra o “tradicional rival”; indignou sua torcida; aumentou a pressão sobre o técnico; empatou com o Ypiranga em casa; e perdeu o rumo em Santa Cruz.

É assim que tem de ser conosco. É assim que os Deuses do Futebol – sim, estes estão soltos por aí a nos pregar peças – nos forjam para as conquistas. E o fazem para nos capacitar a vitória na mais importante delas, a da Libertadores, a que nos levará ao topo da América para de lá chegar ao Mundo.

Para esta caminhada, Tcheco não deixou dúvidas: “Vamos dar a vida”.

Nos acréscimos:

Foi fenomenal ver Ronaldo marcar o gol nos acréscimos do clássico. Foi piada pronta ver que, pesado, o alambrado despencou. Foi sem graça, o pessoal ter reclamado da falta de sensibilidade do árbitro que aplicou a lei e puniu com cartão amarelo a comemoração quando o próprio atacante disse ter sido irresponsável.