Avalanche Tricolor: Dar a vida

 Ronaldo Tcheco

Santa Cruz 3 x 2 Grêmio
Gaúcho – Santa Cruz/RS

Há quem dê ao Divino a autoria pelo belo roteiro que o futebol nos oferece a cada momento. Quando Ronaldo sobe mais alto e com a cabeça – a mesma que nunca foi muito boa, seja dentro da área ou fora do campo – marca o gol de empate no último minuto do clássico, o primeiro de seu re-retorno, tem quem diga que foi o dedo de Deus. Afinal, ele parecia estar morto para a bola, mas renasce. Está vivo.

Creio que Ele tenha muitas preocupações para ficar a escrever estas histórias. Mas, com toda a certeza, o futebol está sempre a nos oferecer bons momentos para serem contados. Foi assim com o Grêmio na Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro quando tínhamos todos os motivos para não lembrar daquela passagem. Foi assim nas duas vezes nas quais conquistamos o título nacional (1981 – 1996), quando precisamos sair atrás na decisão para a glória no jogo final.

Houve partidas memoráveis que nem mesmo a derrota diminuiu o orgulho de ser tricolor. Lembra a Guerra de La Plata ? Foi contra o Estudiantes, em 1983, quando se disse que os gremistas quase morreram em campo. E não era figura de linguagem.

Hoje, após mais uma derrota no Campeonato Gaúcho – ruim, mesmo que se esteja jogando com um misto frio -, dos poucos jogadores lúcidos dentro de campo, o capitão Tcheco conversou com os repórteres ainda no péssimo gramado do estádio dos Plátanos, em Santa Cruz do Sul: “O Grêmio chegou em um momento que, depois de tanta crítica, se a gente comprar um circo, o anão cresce”.

Por mais torto que possa parecer este meu pensamento, você que é Imortal Tricolor vai entender: o Grêmio chegou no momento certo para voltar a vencer. Perdeu seu principal volante machucado durante partida sem qualquer importância, antes mesmo da estréia na Libertadores; jogou fora o primeiro turno contra o “tradicional rival”; indignou sua torcida; aumentou a pressão sobre o técnico; empatou com o Ypiranga em casa; e perdeu o rumo em Santa Cruz.

É assim que tem de ser conosco. É assim que os Deuses do Futebol – sim, estes estão soltos por aí a nos pregar peças – nos forjam para as conquistas. E o fazem para nos capacitar a vitória na mais importante delas, a da Libertadores, a que nos levará ao topo da América para de lá chegar ao Mundo.

Para esta caminhada, Tcheco não deixou dúvidas: “Vamos dar a vida”.

Nos acréscimos:

Foi fenomenal ver Ronaldo marcar o gol nos acréscimos do clássico. Foi piada pronta ver que, pesado, o alambrado despencou. Foi sem graça, o pessoal ter reclamado da falta de sensibilidade do árbitro que aplicou a lei e puniu com cartão amarelo a comemoração quando o próprio atacante disse ter sido irresponsável.

Avalanche Tricolor: Meu time do coração tem alma

Única coisa boa no jogo de hoje é que descobri como assistir às partidas do Grêmio pela internet

Grêmio 1 x 1 Ypiranga
Gaúcho 0- Olímpico

Foi no café da manhã que um dos que dividiam mesa comigo fez a pergunta que escuto desde que cheguei em São Paulo, em 1991. Daquelas que somente a turma que desconhece as características do futebol gaúcho costuma fazer.

“E aqui em São Paulo, você torce para quem ?”.

No Brasil, as primeiras transmissões do futebol pela Rádio Nacional levavam a todo o Brasil as emoções dos jogos disputados no Rio de Janeiro e depois em São Paulo. Era mais fácil, em algumas cidades distantes, saber mais sobre os clubes cariocas e paulistas do que dos times locais. 

Este fenômeno criou um tipo de torcedor curioso, de dois corações. Gente que ia ao estádio, gostava do clube citadino, e até vibrava com a vitória sobre os adversários. Era a oportunidade para tirar uma da cara do vizinho. Mas ao ser perguntado, tascava: “Eu sou Flamengo, mas aqui torço pelo Xanxerê”; “Sou Corinthians e torço para Xaxim”. Os estádios pelo interior do Brasil quando recebiam um dos grandes do centro do País tinham mais torcedores destes times do que daqueles.

Lembro de Santa Catarina, onde via pessoas andando nas ruas com a camisa dos times do Rio e São Paulo. Só mais recentemente, os times do estado ganharam alguma projeção entre os locais. No norte e nordeste a situação não foi diferente. 

Não sei bem o motivo – talvez a distância, o tradicionalismo ou a força do rádio regional -, mas no Rio Grande do Sul os times locais, leia-se da capital, mexiam mais com as emoções dos torcedores do que os clubes que faziam sucesso na Rádio Nacional. As camisas tricolor e encarnada sempre estiveram mais presentes nas ruas de Porto Alegre desde que me conheço por gente. Isto, com certeza, explica a forte rivalidade que existe entre os dois grandes clubes gaúchos.

Imaginar que ao deixar o Rio Grande do Sul eu iria ser conquistado por outra paixão futebolística nunca me pareceu sensato. No entanto, é bastante comum que as pessoas não aceitem minha primeira resposta.

“Aqui em São Paulo, eu torço para o Grêmio”. 

Aqui em São Paulo, no Rio, no Amazonas, nas bandas das conchichinas. Onde eu estiver, torcerei, única e exclusivamente, pelo Grêmio. Prá início de conversa porque não teria coração suficiente para sofrer por dois times de futebol. Basta-me o Imortal Tricolor que na busca da imortalidade já me levou a sentir o peito bater forte nos mais difíceis e incríveis momentos do futebol mundial, assim como nos instantes de maior dramacidade e tristeza.

Portanto, o tropeço no clássico, o engano do técnico, o passe errado do craque, o chute torto do atacante, o vacilo do defensor e a torcida irritada – cenas que assisti centenas de vezes – tiro de letra.

Jamais aceitarei, porém, um time sem alma, porque eu torço para o Grêmio.

Avalanche Tricolor: Douglas, às suas ordens !

Grêmio 1 x 0 Veranópolis
Gaúcho – Olímpico

Foi Reinaldo quem fez o gol da classificação. Estava devendo esta para a torcida. Quem sabe deslancha a partir de agora. Mas não é a ele que dedico esta Avalanche. O espaço foi conquistado pelo menino Douglas Costa, 18 anos, com seus dribles e impetuosidade que marcaram a disputa pela vaga na final do primeiro turno do Campeonato Gaúcho, nesta sexta-feira.

Sim, no Sul disputa-se partida decisiva na sexta, depois no domingo e, se bobear, na madrugada de segunda, também. E aqui não vai nenhuma exaltação à bravura do futebol gaúcho. Mas ao absurdo.

Bola prá frente. Assim joga Douglas que não vê na presença do adversário um empecilho para chegar ao gol. Corta para a direita com um drible curto, ginga para a esquerda com o toque de calcanhar, bate com o lado do pé para surpreender o goleiro e tem talento para cobrar falta.

Há seis meses já havia falado dele após o incrível desempenho contra o Santos, pelo Campeonato Brasileiro. (leia aqui, se quiser) Depois, pela falta de experiência, foi amadurecer no banco.

No início do ano, a Fifa chamou atenção para o talento do garoto convocado para as seleções brasileiras das categorias de base. Apenas ele e Keirrison, sensação no Palmeiras, dos que jogam em gramados tupiniquins, estavam na lista dos dirigentes do futebol mundial entre aqueles para os quais o torcedor que gosta de jogo bem jogado deveria prestar atenção. Mesmo que este jogo seja contra o Veranópolis e em uma sexta-feira à noite.

Desde que vestiu pela primeira vez a camisa de titular do Grêmio, ele já chamava atenção

Avalanche Tricolor: Prazer, Libertadores !

Jonas luta em mais um ataque do Grêmio

Grêmio 0 x 0 Universidad de Chile
Libertadores – Olímpico

Uma foi no poste. Outra foi no travessão. Teve a que o zagueiro tirou antes da linha do gol. Duas, três ou quatro que o goleiro se esticou todo e desviou para escanteio. Fora o chute prá fora. Os chutes, aliás. Em uma só jogada foram quatro e nenhum foi parar no fundo do poço, como diria aquele famoso locutor esportivo do Rio Grande do Sul que agora só quer saber de sofrer diante da televisão.

Houve dois penâltis, também. Nenhum o juiz viu. Nos restou reclamar dele. E quando ele acertou para nós, ao expulsar o defensor, pouco mudaria no jogo. Afinal, em Libertadores quem está em campo não se importa com quantos o adversário joga. Redobra-se a marcação; o carrinho sai mais longo; para alcançar a bola sobe-se bem mais do que as pernas permitem; chuta-se para qualquer lado. E fica tudo igual, novamente.

Ficou tudo igual mesmo, apesar da enorme diferença do futebol jogado pelo Grêmio em relação a Universidad. de Chile. Já havia acontecido isso com o São Paulo na estréia. E muitos mais vai acontecer daqui prá frente. Aliás, como bem lembrou o técnico campeão do mundo Valdir Espinosa foi também assim que aconteceu com o Grêmio na estréia da Copa Libertadores contra o Flamengo, no estádio Olímpico, em 1983.

E você sabe quem foi o campeão sul-americano e mundial daquele ano, não sabe?

Avalanche Tricolor: Carnaval em campo

Grêmio x Juventude

Grêmio 2 x 0 Juventude

Gaúcho – Olímpico

Era de salão, o Carnaval das minhas lembranças de Porto Alegre. Quando menino, minha mãe me levava aos Gondoleiros, clube na zona norte da cidade, ao lado dos irmãos e primos. Fantasia não era nosso forte. Um shorts, uma camiseta e algumas pinturas no rosto, tudo coberto de muito confeti.

Na  juventude, as festas eram por conta própria e na maioria das vezes no litoral porque em Porto Alegre misturavam-se muito calor e pouca animação. Troquei as matinés pelos bailes que varavam a madrugada.

Da avenida, escapei. Nem como folião nem como jornalista fui obrigado a assistir ao desfile das escolas carnavalescas. Um espetáculo – nem sei se cabe a expressão – de pouca graça, que me desculpem os adeptos dos Bambas da Orgia e dos Imperadores do Samba. As duas agremiações são as mais conhecidas da cidade e provocam alguma emoção apenas pela identificação que tem com os dois times de futebol da terra, Grêmio (Bambas) e Inter (Imperadores).

Aliás, as cores das escolas – o azul e o vermelho – eram as únicas referências ao futebol durante o Carnaval, em Porto Alegre. Minto, tinham também as bandinhas que para agradar o salão tocavam o refrão dos hinos dos dois clubes.

Assim, foi uma surpresa saber que,  hoje à tarde, o Grêmio estaria em campo para disputar partida decisiva do Campeonato Gaúcho, em um estádio Olímpico onde só se falava de Libertadores. Na quarta de cinzas, enfrentaremos o Universidad de Chile. O ideal era descansar no sábado de Carnaval em vez de jogar sob um calor insuportável na capital gaúcha. Ainda bem que Ruy e Alex Mineiro, os carecas do Imortal Tricolor, estavam animados em campo.

O futebol gaúcho – o brasileiro, também – me impressiona, pois deixa de valorizar o espetáculo e seus grandes personagens para impor uma maratona de sacrifícios. Além de jogar hoje e estar na Libertadores na quarta, o Grêmio disputará a semifinal do Gaúcho na sexta e, se der o azar de vencer, fará a final do primeiro turno, no domingo, em um provável Gre-Nal.

Por ter sido um dos melhores times do futebol brasileiro em 2008 e obtido classificação para a Libertadores, o Grêmio é punido em lugar de ser venerado pelos dirigentes esportivos.

O risco disto tudo é o futebol um dia acabar como o Carnaval de escola de samba em Porto Alegre: pobre e sem graça.

Extra-campo: à Ouvidoria da NET que dá explicação como se fosse uma secretária eletrônica e portanto não serve para nada, o som da transmissão da partida do Grêmio estava péssimo, inaudível em alguns momentos.

Avalanche Tricolor: Que venha a Libertadores !

Grêmio 3 x 0 Brasil-PE

Gaúcho – Olímpico Monumental

Herrera marca mais um gol
Herrera está em campo. Jonas, também. A bola vem dos pés de Jadilson. Vem pelo alto, girando sobre ela mesma. No momento em que começa a descer vai em direção a pequena área. É lá que o Grêmio tem seus dois atacantes. Estão prontos para concluir. Tem sede de gol. Aquele desejo que está no coração dos matadores. Eles já haviam tentado marcar de outras maneiras. Chutaram de fora da área, de dentro da área, de lado, de frente, de tudo que foi jeito.

A bola havia batido no poste, na trave, no zagueiro, havia parado nas mãos do goleiro Danrlei, que teve seu nome gritado pela torcida várias vezes durante o jogo, mesmo estando com a camisa do adversário, afinal poucos sabem valorizar seus ídolos como nós. A bola já tinha ido para fora, afastada pela defesa, em direção a linha de fundo, para lugar nenhum.

Naquele momento, porém, o Grêmio tinha Herrera e Jonas dentro da área. Tinha Vitor, o melhor goleiro do Campeonato Brasileiro de 2008. Tinha Leo, Makelele, Douglas Costa, e uns meninos de quem ainda não havia ouvido falar em campo. Tinha Orteman no banco, um daqueles jogadores que parecem fazer parte do plantel apenas para impor medo no adversário. Que está lá apenas para que ninguém esqueça o significado da palavra raça.

O Grêmio também tinha Maxi Lopez assistindo ao jogo das arquibancadas. Tcheco e companhia fora de campo a espera da Libertadores. E uma torcida que canta, pula e vibra sem parar.

Tudo isso e mais uma história de mais de 100 anos marcada pelo heroísmo estavam ali na entrada da pequena área, vestindo a camisa de número 9 com o nome Herrera nas costas, para recepcionar a chegada daquela bola lançada por Jadilson, lá no segundo parágrafo.

Gol do Grêmio.

Foi apenas o primeiro. Makelele e Orteman, que entrou no segundo tempo, fizeram mais dois. E o adversário era o esfacelado Brasil de Pelotas que ganhou espaço no noticiário devido ao trágico acidente no início do ano.  Sei disso, e talvez o texto acima seja lido por você apenas como resultado do exagero de um torcedor que não tem oportunidade de estar no estádio de futebol e se vê obrigado aos caprichos da sua operadora de TV a cabo para vibrar com seu time de coração.

Não é não. Estou apenas ensaiando, me preparando para o que realmente importa, a Libertadores da América. A Avalanche Tricolor está pronta. Que venha o Universidad do Chile.

NET (não) responde sobre problema no PPV

Ao contratar os serviços do PPV para assistir aos jogos do Campeonato Gaúcho procurei a NET. Foi para lá que liguei. É de lá que chega a conta todo mês. Quando quis saber por que o jogo do Grêmio domingo passado não estava sendo transmitido foi para lá que liguei e fiquei esperando 40 minutos na soma das duas ligações, conforme relatei na última coluna Avalanche Tricolor. Foi, também, para a NET que escrevi com o objetivo de reclamar a falta de respeito com este assinante. Enviei mensagem para o ouvidor. Ou a ouvidora. Leiam abaixo a resposta que recebi. Resposta ?

“Contrato do Cliente: 003/23339090-1
Protocolo de Atendimento: 108119040

Milton

Informamos que a Net, na qualidade de operadora de tv por cabo, apenas retransmite os sinais diretamente
das programadoras nacionais ou estrangeiras, não influindo, portanto em seu conteúdo.

Atenciosamente,

Helena
Central de Relacionamento Net”

Avalanche Tricolor: Apesar da NET

Avenida 1 x 2 Grêmio

Gaúcho – Porto Alegre

Há times que se superam em campo. Mesmo que o adversário seja melhor, a estratégia muito bem construída pelo técnico e o trabalho coletivo da equipe fazem com que a vitória seja alcançada. Às vezes é um jogador que desequilibra a partida, outras a torcida que lota as arquibancadas e no grito leva seu clube a vencer. Imagino que não tenha sido isso que aconteceu, hoje à tarde, na cidade de Santa Cruz do Sul, interior gaúcho. O Grêmio é muito superior ao Avenida e os três pontos já estavam previstos.

Digo que imagino pois não consegui ver a vitória gremista. Meu direito de assistir ao jogo do Grêmio foi cassado pela NET TV. Assinante há alguns anos dos seus canais, com três pontos em casa, e pagando extra para assistir ao Campeonato Gaúcho me deparei com um novo serviço: o pay-per-no-view.

Às quatro horas da tarde, quando o jogo deveria se iniciar liguei a TV e fui direto ao canal de costume: o 123. Lá jogariam Inter e Caxias. Imediatamente passei a teclar os demais números disponíveis: no 121, Madureira e Vasco; no 122, Botafogo e Flamengo;  no 124, Fluminense e Tigres do Brasil; no 125, Cruzeiro e Atlético.

Cheguei a imaginar que o Grêmio estaria no SportTV, mas este transmitia o futebol argentino, Rosário Central e River Plate. Passei a ‘zapiar’ por toda a grade de programação. A Globo e a Band, evidentemente, estavam com São Paulo e Corinthians; a ESPN com Inter de Milão e Milan; a BandSports tinha Porto e Rio Ave.

E o Grêmio, motivo que me leva a pagar para ver ?

Procurei nos sites da NET e do PFC e descobri que lá não é possível saber quais os jogos que estão sendo transmitidos pelo PPV. Pelo menos não encontrei uma dica sequer. Liguei para o a NET, Central de Relacionamento, duas vezes. Na primeira após receber o número de protocolo 003090039616766 esperei dez minutos e ninguém conversou comigo. Na segunda, ganhei outro número, 003090039628415, e esperei mais 30 minutos, contados no relógio, sem que ninguém falasse comigo para me dar uma só informação: o jogo do Grêmio, pelo qual paguei, não será transmitido ?

Claro que aquela altura do campeonato eu já sabia a resposta, e o Grêmio, inclusive, já vencia por 2 a 0 conforme informação no portal Terra. Qual não foi minha surpresa quando em novo zapping, o Grêmio estava na tela e no canal 123, aquele que transmitia o jogo do Inter.

Diz o ditado popular que alegria de pobre dura pouco. A minha durou menos de cinco minutos.  Tempo para que ocorresse  novo corte na transmissão e as imagens do estádio Beira Rio voltassem para minha TV. Aquele resto de jogo foi o que tinham para me oferecer. Nada mais.

Como disse na abertura deste texto, há times que se superam em campo e vencem mesmo nas circunstâncias mais adversas. Eu por mais que me esforçasse não fui capaz de vencer a falta de respeito e de competência.

Avalanche Tricolor: ‘Guerrera’ e um time de Libertadores


Herrera vai para o ataque

Grêmio 2 x 0 Juventude

Gaúcho – Olímpico

No gol, Vítor aparece quando necessário. Ruy é um ala goleador, fez mais um hoje. Os volantes seguram as pontas e quando precisam aparecem na frente. Tcheco é o maestro do time com a tarja de capitão. Souza está endiabrado e marcou um golaço. Alex Mineiro é solidário. Jonas descobriu a direção do gol. E Herrera …

Bem, Herrera merece um parágrafo à parte.

Ao trocar o Grêmio pelo Corinthians deixou saudade. Não eram os gols que faziam dele um ídolo do torcedor. Era o carrinho para desarmar o adversário. Nem mesmo as jogadas de efeito. Era a maneira como vestia a camisa. A distância do estádio Olímpico e a paixão que despertou na Fiel, criaram um sentimento ainda mais estranho nos torcedores gremistas, em especial naquela turma da Geral do Grêmio que costumamos ver na televisão comemorando os feitos em avalanche – que, aliás, batizou o nome desta coluna.

A idolatria por Herrera apenas aumentou neste tempo todo e a multidão que o aguardou no aeroporto Salgado Filho quando retornou a Porto Alegre, após longa e cara negociação, mostrou que não seria apenas mais uma passagem por um clube de futebol. Era um passo para a glória. Para a imortalidade, em se tratando de Grêmio.

Ainda é cedo para saber se ele estará a altura da expectativa dos torcedores. Mas o grito que partiu da arquibancada na noite desta quinta-feira ainda no primeiro tempo era o sinal de que “Guerrera” terá um combustível extra em 2009. O nome dele voltou a ser chamado pelo torcedor até Celso Roth prudentemente decidir colocá-lo em campo, mesmo com a cintura mais larga do que de costume.

Poderia descrever cada vez que ele tocou na bola, mas a jogada mais bonita você verá nos programas esportivos dessa quinta-feira no gol que surgiu da tabela dele e Souza.

A torcida matou a saudade de Herrera, e viu que o Grêmio tem muito mais do que um guerreiro no ataque. Tem um time para disputar a Libertadores.