Avalanche Tricolor: uma vitória importante para a Libertadores

 

Grêmio 1×0 Fluminense
Brasileiro – Arena Grêmio

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Beto da Silva faz o primeiro gol dele no Grêmio (reprodução SporTV)

 

 

O Grêmio joga para a Libertadores. E por isso é importante que vença no Brasileiro, mesmo que o faça com placares apertados e sofridos. Pode parecer estranho como são estranhas muitas das coisas que escrevo nesta Avalanche. Mas é real.

 

Desde o desconserto sofrido pelo time com a venda de Pedro Rocha e as lesões de alguns jogadores importantes, especialmente Luan – uma exceção no futebol brasileiro -, Renato tem enfrentado o desafio de fazer com que a equipe volte a jogar o futebol de qualidade que deslumbrou a crônica e entusiasmou nossa torcida. No entanto, alcançar a excelência do futebol que apresentamos até agora há pouco exige muito entrosamento, jogadores posicionados corretamente em campo e confiança entre os companheiros.

 

O passe preciso que foi uma das nossas marcas não depende apenas de quem o executa, mas de quem se movimenta para receber. E nossa diferença até então era que o executor (ou o passador)  ao ter a bola sob seu domínio sabia que dois colegas estariam prontos para dar sequência à jogada. Havia opção. Havia entrosamento. Havia confiança. Recebia e passava com velocidade, entendia o movimento do parceiro de um lado e de outro. Às vezes, a passagem de um deles era por trás dos zagueiros em condições de chutar a gol. E a bola chegava até lá.

 

Hoje ensaiamos alguns desses lances na primeira parte do jogo, mas após um, dois, três erros todos preferem ser mais conservadores. E o conservadorismo inibe a criatividade, torna o jogo óbvio e facilita a vida do adversário que tem como único objetivo desarmar. As mudanças no Grêmio, a necessidade de adaptar jogadores  e reposicioná-los em campo, desconsertou o time e, assim como os bons jogos, os bons resultados rarearam.

 

A discussão no Campeonato Brasileiro não é mais se devemos jogar com titulares, reservas ou alternativos. Sequer se almejamos ou não o título da competição (registre-se: se ainda for possível, eu quero). O Grêmio joga o Brasileiro para remontar o time para a Libertadores, dentro e fora de campo. Os lesionados ganham tempo para se restabelecerem enquanto Renato testa jogadores e formações. E nessa fase de teste fora de época – mas necessária – os tropeços acontecem, o futebol fica escasso e a bola não rola mais com a mesma certeza.

 

Exceção aos primeiros momentos do segundo tempo, o Grêmio dominou a partida dessa tarde de domingo, correu poucos riscos, ficou com a bola no pé, tentou chegar ao gol, mas a falta de entrosamento e o conservadorismo atrapalharam a execução. Não me surpreende que um time que já havia feito 99 gols na temporada tenha tido tanta dificuldade para alcançar a marca dos 100 gols. Alcançamos, respiramos e ganhamos tempo.

 

Ao remontar o time, Renato deu chances a Christian, que não aguentou o tranco da primeira partida; Patrick, que tem de ganhar personalidade em campo; Jean Pyerre, que para mim foi uma grata surpresa; Jael, que está a espera de uma bola no pé; e Beto da Silva, que se revelou um oportunista.

 

Luiz Humberto Silva da Silva, o Beto da Silva, 20 anos, que cresceu em Porto Alegre, foi se destacar em Lima, passou pela Holanda e retornou ao Grêmio, soube aproveitar a única oportunidade de gol que surgiu naquele último quarto de partida. Uma bola que resultou do chute forte de Everton, amortecido nos braços do zagueiro adversário – o que foi desconsiderado pelo árbitro – e sobrou para ele dentro da pequena área. Do jeito que dava, enquanto o restante do time reclamava pênalti, Beto da Silva desviou a bola para dentro do gol. Ela entrou devagar, quase que desistindo no meio do caminho. Mas entrou. Era o gol que ele precisava. Que o Grêmio necessitava.

 

Escalar o que tivermos de melhor à disposição, encaixar novamente o time, apostar no surgimento de substitutos  – como é o caso de Beto da Silva  – capazes de ocupar a vaga deixada por titulares -,  e vencer todo e qualquer desafio, seja por quantos gols for, é o melhor que temos a fazer.

 

É no Campeonato Brasileiro que vamos encontrar força, entrosamento e confiança para ganharmos a Libertadores. 

Avalanche Tricolor: vamos ao que interessa?

 

Bahia 1×0 Grêmio
Brasileiro – Arena Fonte Nova

 

 

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Jogadores discutem com auxiliar (reprodução Premier)

 

Vamos discutir se foi pênalti ou não o escorregão de Edílson, já nos acréscimos?

 

Fosse eu, não marcaria. Claro que não! A começar pelo fato de que eu jamais me atreveria a entrar em campo para arbitrar uma partida de futebol. Tenho coisa melhor pra fazer na vida. E claro que não porque afinal sou gremista e minha visão sempre estará influenciada pela emoção que emana do coração. Sem pipocar, assinalaria o tiro de meta. E aí de quem viesse reclamar! Seria recebido com o cartão vermelho na mão.

 

Vai que o lance fosse do outro lado do campo? A favor do Grêmio e já nos acréscimos? Você daria pênalti? Eu, com certeza. E o consideraria indiscutível. Sairia de campo sem entender porque tanta polêmica. Todo mundo viu!? “O lateral deles escorregou e bateu no pé do nosso atacante. Até não queria fazer a falta. Uma fatalidade. Mas claro que foi pênalti para o meu Grêmio”, teria dito.

 

Sendo assim e diante da minha parcialidade o melhor a fazer nesta Avalanche, caro e raro leitor, é deixar esta “brigalhada” sobre se foi ou não pênalti para os entendidos (e como os temos no futebol brasileiro).

 

Talvez seja mais produtivo para o restante do campeonato e, especialmente, para aquilo que mais nos interessa nesta temporada – ser campeão da Libertadores – buscar respostas para o fato de termos mais uma vez jogado com a bola no pé e sob nosso domínio a maior parte do jogo e não termos conseguido transformar isso em gol.

 

Depois daquele 5×0 no início de setembro, já jogamos cinco partidas e marcamos apenas um gol. Tudo bem, foi o gol mais importante que tínhamos de ter marcado nesta temporada, pois nos deixou ainda mais próximo desta obsessão que temos pela Libertadores. Jamais trocaria aquele gol marcado de cabeça por Barrios, quarta passada, por qualquer outro que deixamos de assinalar neste Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil.

 

Aliás, sobre gols que deixamos de marcar, mais uma curiosidade: nas últimas nove partidas fizemos apenas em duas. Tudo bem, fizemos naquela mais importante que tínhamos de ter feito etcetera e tal …. Mas talvez seja um bom assunto para nos fazer pensar.

 

Eu disse pensar e não reclamar como tenho visto muitos dos nossos por aí.

 

Nosso time tem o melhor ataque do Campeonato Brasileiro com 40 gols, cinco a mais do que o líder e quatro a mais do que o segundo ataque com melhor desempenho. Joga o futebol mais bonito desta competição, mesmo que a tenhamos deixado em segundo plano em várias rodadas. Faz um jogo interessante, a despeito de marcar gols ou não.

 

O que mudou nessa última leva de jogos foi a ausência de Pedro Rocha por um lado, de Luan por todo o campo e, na maior parte das rodadas, de Barrios dentro da área. E isso, evidentemente, faz muita diferença em uma equipe de futebol por mais equilibrado que possa parecer o seu elenco.

 

Com o ímpeto de Rocha não podemos mais contar, infelizmente. Com o talento de Luan e o oportunismo de Barrios, porém, basta ter um pouco de paciência. Logo e no momento em que mais precisarmos, daqui um mês, na semifinal da Libertadores, ambos estarão firmes e fortes de volta a equipe. E os espaços se abrirão para que eles e seus colegas cheguem ao gol que está escasso nessas últimas partidas.

 

Sem contar que ouvi falar da possibilidade de Douglas e seus passes incríveis estarem disponíveis em breve, o que abre novas opções de escalação. Seja bem-vindo, Douglas!

 

Com a equipe recuperada, nossos talentos em campo e focado apenas no principal objetivo desta temporada, os gols tendem a voltar com mais facilidade e assim não precisaremos ficar na dependência da decisão de um árbitro e seus auxiliares.

Avalanche Tricolor: ‘Sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra’

 

 

Grêmio 1×0 Botafogo
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

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Neste 20 de Setembro havia três brasileiros disputando a Libertadores da América. Apenas um deles sobreviveu em campo na luta pelo título: o único que é Imortal. Diante de mais este feito, só me resta cantar, daqui de Belo Horizonte, onde me encontro nesta noite, para que todos ouçam por toda a América:

 

Como a aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o 20 de Setembro
O precursor da liberdade

 

 

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

 

 

 

De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

Avalanche Tricolor: véspera de pouco, dia de muito ou vice e versa

 

Grêmio 0x1 Chapecoense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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“Dia de muito, véspera de pouco” era ditado que ouvia muito da boca de minha mãe quando ainda era pequeno. Confesso, já não lembro mais em que momentos da minha infância a tal frase tinha serventia. Ficou na memória. E como todas as coisas na minha memória são passíveis de confusão. Troco nome de amigos assim como mudo frases populares e seu sentido. Essa em especial sempre me soou invertida e, na vida adulta, sempre foi usada para consolar-me naqueles dias em que nada costuma dar certo ou imaginamos que não tenha dado certo. Quem souber da sua origem que me ajude.

 

Há quem a use para alertar-nos da necessidade de equilibrarmos nossos bens e sentimentos, impedindo assim a euforia da vitória ou o desalento da derrota. Euforia e vitória andam de mãos dadas e geram ilusões que tendem a nos levar ao mesmo resultado lá na frente: ruim. Estão aí para provar que a busca tem de ser pelo caminho da mediação entre a excitação e a infelicidade.

 

Já ouvi quem repetisse o dito popular como forma de condenar o desperdício que cometemos nas épocas de fartura. Chamar nossa atenção para a necessidade de guardamos o que ganhamos hoje para o período das vacas magras. Como que querendo dizer que é preciso economizar agora para não faltar amanhã. Mas nesse caso, o ditado não teria de ser outro? Véspera de muito, dia de nada?

 

Sei lá! Só sei que foi a primeira frase que me veio a cabeça quando percebi que o Grêmio repetiria, neste domingo à tarde, o desempenho das últimas partidas quando apesar de ser o dono da bola, faltou-lhe capacidade de furar o bloqueio adversário. Comandou a partida e entregou os pontos. Teve muita bola no pé e pouca criação. Dominou o jogo mas não transformou essa supremacia em gols.

 

Que esta véspera de decisão da Libertadores, com pouca inspiração e nenhum gol, se transforme em um dia – no caso, uma quarta-feira –  de  futebol bem jogado e muita alegria para todos nós gremistas.

Avalanche Tricolor: as marcas do futebol gremista, na Libertadores

 

Botafogo 0x0 Grêmio
Libertadores – Estádio Nilton Santos RJ

 

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Arthur deixa a sua marca (reprodução SporTV)

 

Personalidade e maturidade foram marcas do futebol gremista na noite desta quarta-feira, no Rio de Janeiro. Típicas de um time copeiro, experiente em competições sul-americanas e consciente do seu potencial. Não por acaso estamos em nossa décima-sétima Libertadores, já fomos quatro vezes à final e buscamos o Tri.

 

O Grêmio de Renato soube reduzir os riscos contra um adversário empurrado por sua entusiasmada e confiante torcida, que acabara de vir de uma vitória em clássico, no Campeonato Brasileiro. Sabia da pressão que poderia sofrer e soube trabalhar diante deste desafio.

 

Fez questão de ficar com a bola no pé e trocar passes sem precipitação, com precisão – esta que, aliás, é outra de nossas marcas, desde a temporada passada. Jogou com inteligência, tendo Arthur mais uma vez demonstrado talento acima da média na condução da bola.

 

Marcou com firmeza, expondo-se pouco ao perigo e contando com a experiência de jogadores como Kannemann, Edílson, Leo Moura e Fernandinho. 

 

Soube aproveitar o talento de seus jogadores, mesmo sem ter em campo dois de seus melhores: Geromel e Luan.

 

Nosso zagueiro mitológico mais uma vez foi substituído pela segurança de Bressan.

 

Já Luan não tem substituto em solo brasileiro, portanto não havia como esperar que alguém reproduzisse suas qualidades.

 

Nada está decidido, mas a decisão será na Arena, com a torcida a se somar aos nossos talentos. Sem contar que Renato terá de volta – é o que se espera – Geromel e Luan, marcas importantes desta equipe.

 

Por mais difícil que seja o confronto da próxima quarta-feira ou por mais que empate com gols seja favorável ao adversário, o Grêmio está firme e forte a caminho de deixar mais uma marca na Taça Libertadores.

 

 

Avalanche Tricolor: que o futebol de talento prevaleça

 

 

Vasco 1×0 Grêmio
Brasileiro – São Januário RJ/RJ

 

 

Gremio

(imagem de arquivo)


 

 

Era futebol, era o Grêmio e era no Rio de Janeiro. Mas ainda era sábado, era em São Januário e no Brasileiro. E assim como eu, imagino que você, caro e raro leitor gremista desta Avalanche, – talvez parte de nosso time, também – estávamos com a cabeça a 10 quilômetros dali. É no Nilton Santos, lá no Rio mas na quarta-feira, que nossa temporada de futebol bem jogado pode ser validada. É lá que sinalizaremos o quanto o jeito de tocar na bola, trocar de posição e surpreender o adversário valeram a pena neste ano. E devem ser mantidos.
 

 

O futebol tem dessas coisas. Por mais que um time seja reverenciado pelo tipo de jogo implantado, pela genialidade de seu esquema tático e pelo poder de solução que alguns de seus talentos individuais oferecem, se não tiver um título para ilustrar todas essas qualidades, provavelmente terá sua história esquecida. Lembraremos nós, ao menos uns e outros de nós, o ano em que Renato conseguiu dar um padrão de jogo capaz de espantar críticos no Brasil, que Luan jogava o futebol mais bonito do país, que tivemos o ataque mais vigoroso e equilibrado da temporada. E sempre haveremos de ouvir um “mas ….”. Estaremos sempre condenados a esta conjunção adversativa.
 

 

Não bastasse ser uma obsessão desta torcida que descobriu ainda na década de 1980 que conquistar a América nos colocaria acima de qualquer vitória nacional do arqui-adversário, a Libertadores tem função ainda maior nesta temporada, especialmente após o desperdício dos títulos Gaúcho e da Copa do Brasil. Será o certificado que o Grêmio busca para corroborar suas escolhas seja na forma de jogar, seja na de reter talentos, seja na de contratar reforços, seja na de se comportar em campo e fora dele.
 

 

Longe de mim desmerecer nossas qualidades reveladas até aqui, independentemente do que venha a acontecer. Você que me acompanha neste espaço sabe do quanto tenho me deslumbrado com alguns dos momentos vividos em campo pelo Grêmio. Mesmo em alguns jogos nos quais o resultado não era o esperado, sinto orgulho de torcer por este time – como se já não bastasse o orgulho que tenho de ser gremista. Mas … e lá vem a conjunção adversativa mais uma vez … o futebol é ingrato. Exige vitória após vitória. Reivindica títulos, a qualquer preço. Precisa de uma faixa no peito e uma taça no armário para ser lembrado.
 

 

O futebol de talento merece este título. E o Grêmio haverá de provar isso na quarta-feira, no Nilton Santos, na Libertadores.

Avalanche Tricolor: sol, família e goleada

 

Grêmio 5×0 Sport
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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O desabafo de Edilson (reprodução SporTV)

 

Um sabadão daqueles de dar gosto de viver. Depois de semana corrida e viajada, estava em família, tranquilo e em casa. Lá fora sol e temperatura agradáveis. Aqui dentro, o Grêmio na tela da TV com a possibilidade de ficar mais próximo da liderança do Brasileiro.

 

Tudo bem que o adversário era aquele que nos tirou os primeiros três pontos do campeonato quando já estávamos nos dedicando a Libertadores e estreamos o time reserva na competição nacional. E agora com um técnico respeitado pela torcida. Havia, também, o fato de a escalação estar com alguns desfalques: Luan e Barrios servem à seleção; Geromel e Maicon ao departamento médico; e Pedro Rocha às finanças do clube.

 

Bastou, porém, a bola rolar para percebermos que se o Grêmio não tinha os melhores à disposição, nós tínhamos o melhor do Grêmio em campo. A marcação era precisa, com a dupla de zaga se destacando e Bressan ratificando a aposta de Renato. O meio de campo dominava o jogo com toque de bola veloz e criativo e o ataque apresentava com mobilidade suficiente para atordoar o adversário.

 

Registre-se: quando falo em marcação, lembro-me da atuação dos atacantes, também que voltam para fechar o espaço; quando falo em meio de campo, incluo a chegada forte dos laterais; quando falo em ataque, lembro-me do volume enorme de jogadores que chegam a área vindo das mais diferentes posições.

 

Assim é o Grêmio de Renato. Time moderno no qual os jogadores invertem de lado, fazem a transição com tranquilidade e são capazes de se reinventar independentemente da posição que estejam escalados. Um time com personalidade para superar o impacto da desclassificação na Copa do Brasil.

 

Aliás, o adversário deste sábado à tarde, lamento, pagou caro seja pelo que fez no começo do Brasileiro seja pela perda que tivemos na Copa. E isso ficou evidente na forma como Edilson jogou: endiabrado. O primeiro gol que explodiu na rede e sua comemoração sinalizavam a raiva de alguém que não engoliu o desperdício do título e do pênalti, em Belo Horizonte. E ficou clara na fala dele ao fim do primeiro tempo quando lembrou do poder de recuperação do time mesmo sem que o repórter o tenha provocado a tratar do tema.

 

Edilson foi perfeito. Mas não só Edilson. Arthur segue carregando a bola com uma intimidade de dar inveja. Everton, que completou em gol a dupla meia lua de nosso lateral, também fez seu show lá na frente. Ramiro voltou a ser o batalhador de sempre, roubando bola, distribuindo jogo, sendo incisivo no ataque, provocando o pênalti e servindo seus companheiros. Fernandinho, goleador e melhor cobrador de pênalti da equipe, confirma-se como substituto natural de Pedro Rocha.

 

Faltando 16 jogos, tendo 48 pontos em disputa, o Grêmio está com 65% de aproveitamento no campeonato, tem disparado o melhor ataque com 40 gols, tomou conta do segundo lugar da competição e se aproxima do líder. Imagine se estivéssemos levando a sério este Campeonato.

Avalanche Tricolor: que venha o título da Libertadores!

 

Cruzeiro (3) 1×0 (2) Grêmio
Copa do Brasil – Mineirão – BH/MG

 

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Luan antes de colocar Barrios na cara do gol (reprodução SporTV)

 

Algumas horas já se passaram desde a frustrada tentativa de chegar a mais uma final de Copa do Brasil. Seria a chance de seguirmos fazendo história na competição que inauguramos com um título, em 1989; na qual acumulamos mais vitórias do que qualquer outro participante e em que tínhamos a oportunidade de vencer duas vezes seguidas, algo inédito. Além disso, estaríamos muito mais próximos de garantir ao menos uma das cinco conquistas possíveis neste ano – o que seria prêmio merecido ao time que tem apresentado o mais vistoso futebol da temporada.

 

Nem sempre as coisas são como deveriam ser. Ou gostaríamos que fossem. Deixa-se de fazer o resultado mais amplo em casa, mesmo que o placar nos tenha sido favorável; a bola matadora não é executada com a necessária precisão, como poderia ter ocorrido aos cinco minutos de jogo; alguém aparece mais livre do que seria admissível na nossa área; e, mesmo quando temos a chance de recuperação, desperdiça-se um pênalti atrás do outro. É uma sequência de fatores que conspiram contra nosso desejos. Coisas do futebol.

 

A vantagem de escrever à distância é que as palavras já não são mais escritas com a melancolia da frustração. Os primeiros sentimentos pouco católicos provocados pela graça não alcançada já não ficam nos tentando e cochichando no ouvido para influenciar nossa opinião. E a razão se eleva, permitindo um olhar mais equilibrado e menos dolorido.

 

Claro que não foi a busca pela razão que me afastou desta Avalanche por mais horas do que estou acostumado. Geralmente, o texto flui assim que o árbitro encerra a partida. Ontem não dava para fazer isso. A decisão estendida da vaga à final me levou para cama muito mais próximo do horário de acordar do que eu imaginava. Não bastasse o jogo terminar tarde, mais tarde ficou até a batida no coração voltar ao normal – já era madrugada e foi de madrugada que sai de casa.

 

Com a razão e o olhar em perspectiva evita-se culpar um erro qualquer e individual: os torcedores tendemos a procurar um algoz para justificar nossas derrotas, pois assim não precisamos admitir que, em algum momento, o adversário foi superior ou competente. Justifica-se a perda pelo destino que nos tirou o melhor zagueiro em atividade no Brasil mesmo que seu substituto em nada tenha comprometido, ao contrário. Fixamo-nos naquele ali que só assistiu ao adversário saltar para marcar seu gol quando deveria estar mais próximo. Ao apagão que possa ter impactado o craque da competição. Às vezes a desculpa está na decisão do técnico em ter deixado no banco um jogador em detrimento de outro. Em outras, é este fantasma dos pênaltis que nos ronda já faz algum tempo e faz com que a bola seja precisamente chutada na trave. Somos tão irracionais que agora alguns de nós colocam a culpa na preservação da equipe, estratégia usada para poupar nossos titulares de um calendário intenso de jogos e decisões.

 

Distante, descansado e consolado, tendo a ser mais razoável. Afinal, sei que o futebol tem dessas coisas, não é exatamente um esporte justo, especialmente em competições em que toda partida pode ser decisiva. Procuro ver o copo meio cheio e deixar o vazio da derrota para os inimigos do futebol bem jogado. Sim, porque perder a Copa do Brasil, esta que temos aos montes no armário do clube, tem apenas um aspecto preocupante a meu ver: o risco de terminarmos esta temporada sem um título, o que seria uma injustiça absurda ao estilo de jogo que temos apresentando e reforçaria a tese dos adeptos do futebol burucutu, emburrado e sem graça que muitas vezes rondou nosso gramado.

 

Sem a Copa, diante da falta de privilégio ao Brasileiro e, claro, pelo amor que temos a esta camisa tricolor: que o Grêmio seja campeão da Libertadores! O futebol de qualidade, com estilo e inteligência merece este título.

Avalanche Tricolor: meu programa preferido na TV foi oxo

 

Grêmio 0x0 Atlético PR
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Meu programa preferido na televisão mudou de horário, neste domingo. Foi ao ar pela manhã, ainda quando a maioria da turma na vizinhança dormia. Aqui em casa, também. Todos preferiram ficar embaixo das cobertas. Não era para menos, fazia frio e chovia, em São Paulo. A temperatura variou dos 15 aos 17 graus, um pouco mais alta só do que em Porto Alegre. Como estou acostumado a madrugar, ver o Grêmio às 11 horas, convenhamos, estava longe de se transformar em sacrifício. Ao contrário, programa de primeira e no conforto da minha sala.

 

Pena que o jogo foi oxo, como dizia o narrador da extinta TV Tupi, Walter Abrahão, aqui de São Paulo. Oxo no placar e no futebol jogado. Muito esforço e pouca produtividade. Muito ensaio e pouco protagonismo. Às vezes se tentava um drible, em outras um toque de bola mais rápido. No gol mesmo, quase nada, exceção a uma boa jogada de Everton já no segundo tempo, que se completou com a precipitação de Kaio para fora. O adversário impôs mais perigo do que nós, o que ao menos serviu para testar Paulo Victor e mostrar que estamos em boas mãos. De resto, desperdício. Falta de criatividade. Oxo.

 

O time alternativo, ops, reserva do Grêmio tenta jogar no mesmo molde que o titular. Faz parte da mesma ideologia. Não poderia ser diferente. Por que então não funciona da mesma forma? Claro, tem a ver com a qualidade técnica de jogadores: ninguém conseguiria manter dois times – titular e reserva – com atletas do mesmo nível. Mas tem também a ver com um aspecto tático importante, que faz muita diferença dada a maneira com que o futebol gremista se desenvolve.

 

Um dos motivos que põem o Grêmio acima da média dos demais clubes brasileiros é o fato de ter passe preciso e veloz. Isso ocorre não apenas pela qualidade do passe dos seus jogadores, mas pelo posicionamento daqueles que vão receber a bola. No plural mesmo. Porque cada jogador que está com a bola tem mais dois se movimentando próximo para recebê-la. Com opções para passar, o marcador tem dificuldade para interceptar. E assim evolui o futebol gremista.

 

No time reserva, tenta-se o mesmo ritmo de passe, mas falta entrosamento. O que é totalmente justificável. Nem todos os jogadores conseguem se movimentar de maneira harmônica e o jogo não flui, passa a depender mais do desejo em acertar e de algumas jogadas individuais. Infelizmente nada disso deu certo neste domingo pela manhã e o elenco do meu programa de TV preferido teve uma perfomance sem muita graça, abaixo da esperada. Foi oxo.

 

Agora não pense que saio de frente da televisão frustrado pelo resultado, mesmo porque sei que o sacrifício de hoje está diretamente relacionado às necessidades de quarta-feira quando se conquistarmos um “OXO” maiúsculo estaremos mais uma vez na final da Copa do Brasil.

Avalanche Tricolor: o Rei de Copas vence mais uma vez

 

Grêmio 1×0 Cruzeiro
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

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Barrios comemora o gol da vitória (reprodução SporTV)

 

 

(não me pergunte o motivo, mas este texto escrito logo após a partida de ontem à noite, não foi publicado; percebi a falha apenas agora e alertado por @seualgoz que toda semana me dá uma baita colher de chá postando meus textos no blog Imortal Tricolor; mesmo fora de hora, faço a publicação agora; perdão, caro e raro leitor desta Avalanche)

 

Um jogo de 180 minutos dizem quase todos ao se referir às decisões da Copa do Brasil. Ouvi da boca de um técnico e de outro, antes do jogo. Na dos comentaristas, também. No bate-papo de boteco, não poderia ser diferente. Têm razão todos eles se levarmos em consideração que só estaremos na final da Copa se obtivermos vantagem sobre o adversário no placar agregado, da primeira e da segunda partida.

 

O que poucos dizem é que para o Grêmio os jogos da Copa do Brasil não têm apenas 180 minutos; têm uma história a ser contada que se iniciou na primeira edição da competição e já nos fez campeão cinco vezes até agora. Cada vez que entramos em campo, somos o dono do cinturão, o lutador que é desafiado por todos seus adversários, o Rei de Copas a ser abatido. E por sabermos disso, nossa partida começa muito antes do apito inicial do árbitro. No caso de hoje, começou no fim de semana quando aceitamos levar a campo o time reserva para disputar o Campeonato Brasileiro mesmo jogando em casa e com chances de nos aproximarmos do líder.

 

Aqueles jogadores que encararam a falta de entrosamento e a desconfiança de parte dos torcedores foram fundamentais para permitir que os titulares focassem suas atenções à defesa do título, na noite desta quarta-feira. E se a maior parte de nós não percebeu isto, o goleador Barrios fez questão de demonstrar ao comemorar nosso único gol da partida abraçando um a um dos jogadores que estavam no banco. Um gol com a marca do Grêmio de Renato, que surgiu na roubada de bola, na transição veloz para o ataque, nos passes rápidos e precisos do meio de campo ao ataque e no oportunismo de nosso centroavante.

 

Saímos da primeira partida da semifinal com um gol de vantagem e sem levarmos nenhum, o que diante do regulamento da Copa do Brasil faz uma baita diferença, especialmente se levarmos em conta a forma como o Grêmio tem se comportado nas decisões fora de casa. Nada está resolvido, é verdade. Até porque teremos do outro lado um técnico que respeitamos, um time que também tem história e um estádio lotado de torcedores dispostos a chegar à final tanto quanto nós. Certamente a batalha será dura e o desafio enorme, mas nada que assuste um time consagrado com o título de Rei de Copas