Avalanche Tricolor: eu já fiz a minha escolha

 

Criciúma 0 (3)x(4) 1 Grêmio
Copa do Brasil – Heriberto Hülse/Criciúma (SC)

 

Time comemora classificação com Grohe (foto do Grêmio Oficial no Flickr)

Time comemora classificação com Grohe (foto do Grêmio Oficial no Flickr)

 

Decidir nos pênaltis estendeu minha noite para além do prudente, mas o resultado final fez a espera valer a pena, e acordar ainda de madrugada nessa quarta-feira não foi um fardo para este “trabalhador do Brasil”. Aliás, meus amigos Dan, Teco e Zé, colegas do Hora de Expediente,no Jornal da CBN, ressaltaram a felicidade emitida na voz a despeito do cansaço, durante o programa de hoje. Motivos não faltaram, pois, em campo, não disputávamos apenas uma vaga à próxima fase da Copa do Brasil, precisávamos mostrar a nós mesmos que os resultados positivos da gestão técnica de Roger não haviam sido ocasionais. O revés na primeira partida, em casa, também dava munição aos que ainda não confiam na capacidade dele e, principalmente, na da equipe em apresentar futebol qualificado e diferente. E se os sintomas ruins persistissem, eu temia pelo reflexo no restante da temporada, principalmente no Brasileiro.

 

Mesmo diante de um estádio cheio e provocativo e de um time bastante motivado, com outro jovem e criativo técnico no comando, que tinha a vantagem do empate para seguir em frente, o Grêmio demonstrou personalidade, impôs seu jeito de jogar e soube encontrar o ponto de equilíbrio entre a coragem e a prudência. Há quem entenda que fomos adiante por acaso, com um gol sem querer, alguns lances de sorte no decorrer da partida e a ajuda da imprecisão na cobrança de pênaltis do adversário. Análise muito aquém do que realmente fizemos na noite de terça-feira quando demonstramos, antes de mais nada, a capacidade de reação do time.

 

O gol de Pedro Rocha, por exemplo, foi resultado da movimentação constante dos jogadores de meio e de ataque mais a precisão na troca de passes, que aumenta consideravelmente quando Douglas está inspirado. Mesmo não estando com sua melhor formação, o que nos leva a pensar na necessidade de reforços para o setor,a defesa se comportou com a firmeza exigida e contou com Marcelo Grohe em seus melhores dias. Nos pênaltis, aliás, Marcelo foi genial e não vê-lo como o principal responsável pelas cobranças desperdiçadas do adversário é uma tremenda injustiça com o baita goleiro que nós temos.

 

A propósito, já que demos mais um passo à frente na Copa do Brasil,antes que alguém me pergunte, antecipo-me a dizer: quero, sim, que o Grêmio deposite todo seu esforço na conquista desta competição, apesar de disputá-la em paralelo com o Campeonato Brasileiro. Ainda não é hora de abrir mão dessa ou daquela competição. Temos de jogá-las dispostos a fazer o nosso melhor a cada partida e cobrar que a diretoria ofereça a Roger um elenco com capacidade de suportar o desgaste da sequência de jogos. Entre a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, eu já fiz a minha escolha: ganhar sempre. Ou, lutar sempre para ganhar!

Avalanche Tricolor: valeu, Marcelo!

 

Criciúma 0 (3)x(4) 1 Grêmio
Copa do Brasil – Heriberto Hülse/Criciúma (SC)

 

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Pelo adiantado da hora, neste momento, só me vem à cabeça uma mensagem:

Valeu, Marcelo!

 

(amanhã, prometo, falo um pouco mais da classificação à próxima fase da Copa do Brasil)

Avalanche Tricolor: a superstição não é capaz de resolver todos os nossos problemas

 

Flamengo 1×0 Grêmio
Brasileiro – Maracanã/RJ

 

Confio mais em Roger do que em superstição (foto Grêmio Oficial no Flickr)

Confio mais em Roger do que em superstição (foto Grêmio Oficial no Flickr)

 

Houve época em que para assistir ao clássico gaúcho no campo adversário, seguia para lá acompanhando parte da diretoria e comissão técnica do Grêmio. Era jovem ainda e meu pai, que narrava as partidas, por segurança, entregava minha guarda a um de muitos amigos que tinha no clube. Isso me permitia, por exemplo, o privilégio de chegar ao estádio e frequentar dependências restritas à delegação visitante. Lembro de quando entramos no vestiário que, em seguida, receberia os jogadores gremistas, e encontramos os espelhos pichados com palavras de ameaça religiosa. Se é que a memória não falha, havia coisas do tipo “suas pernas serão presas pelo santo-sei-lá-qual”. Isso foi pelas décadas de 1970 e 1980. Prontamente pessoas que estavam comigo começaram a apagar as frases pois disseram que se os jogadores lessem as ameaças teriam seu desempenho afetado em campo. Parece-me que vencemos aquele clássico.

 

As superstições sempre fizeram parte da nossa vida e, na maioria das vezes, de forma inexplicável. Aliás, essa é uma de suas características já que são crendices, estão baseadas em situações de casualidade que não podem ser analisadas de forma racional ou empírica. O esporte é rico nessas histórias. Você há de se lembrar de Zagallo que impôs ao número 13 a responsabilidade pela classificação do Brasil para o Mundial da Alemanha, em 2006. Muito antes disso, em 1962, os jornalistas que cobriam a Copa foram levados a repetir em todos os jogos a mesma roupa que vestiram na primeira partida. Fomos bicampeões. Tem jogador que se trocar o número da camisa marca menos gol, há os que tomam o cuidado de entrar em campo pisando com o pé direito ou fazem o sinal da cruz inúmeras vezes.

 

No Grêmio, até algumas rodadas atrás, a camisa azul em degradê foi vestida à exaustão, partida após partida, pois seria ela a responsável pelo bom desempenho da equipe e a sequência de vitórias que nos levaram ao topo do Campeonato Brasileiro. Sexta-feira passada, um amigo tricolor me ligou pois soube que eu havia assistido à derrota contra o Criciúma, pela Copa do Brasil, em casa, aqui em São Paulo, e não no exterior, como fiz nos jogos anteriores em que tivemos muito mais sucesso. Fiquei na dúvida se a sugestão dele era que eu estendesse minhas férias até o fim do Brasileiro ou apenas desistisse de ver o jogo contra o Flamengo. Eu assisti ao jogo de sábado à noite em casa da mesma maneira que havia feito na terça-feira. Perdemos, como você já sabe.

 

Bem que eu gostaria de acreditar que foi a minha decisão a responsável pelo mau desempenho gremista, no Maracanã. Mas, infelizmente, a falta de precisão do meio para frente e de inspiração do meio para trás têm outras causas muito mais de caráter técnico e tático do que sobrenatural. E para resolvê-las prefiro confiar na capacidade de Roger.

Avalanche Tricolor: vaga na Copa do Brasil ainda está em jogo, apesar de gol mal anulado

 

Grêmio 0x1 Criciúma
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

Time precisa agora de todo o apoio do torcedor (foto do Grêmio Oficial no Flickr)

Time precisa agora de todo o apoio do torcedor (foto do Grêmio Oficial no Flickr)

 

É impressão minha ou todo mundo achou que o erro do árbitro ao anular o gol de Pedro Rocha foi normal? Que não influenciou na partida? Que pouca diferença faria no desempenho das duas equipes? Ouvi alguns comentaristas durante a transmissão e pouco se citou o fato, para mim crucial no jogo. Houve até quem, a princípio, validasse a decisão do juiz.

 

Eram 22 minutos quando Rocha, em meio aos zagueiros e em velocidade, tabelou com Luan e, na entrada da área, recebeu passe preciso, em jogada que tem marcado o futebol gremista nesses tempos de Roger, para com apenas um toque deslocar o goleiro e por a bola dentro do gol.

 

Vamos ser sincero: era desnecessária a linha digital que as emissoras de televisão usam nas transmissões – aliás, demoraram para usar nesta terça-feira – para perceber que o atacante estava em posição legal. O auxiliar, que está lá só para ver esse lance e trabalha recomendado pela Fifa a, na dúvida, dar sequência à jogada, não entendeu dessa maneira e levou o árbitro ao erro.

 

Como agora é proibido reclamar do juiz, mesmo diante de erros crassos, aos jogadores cabe apenas indignar-se em silêncio, enquanto os algozes seguem sua vida sem qualquer punição. Um erro que pode custar a desclassificação desta Copa, pois exigirá vitória em Criciúma na partida de volta – o que, convenhamos, não é difícil, desde que as finalizações voltem a ser mais certeiras.

 

Um gol naquela altura mudaria o cenário da partida, pois obrigaria o adversário a abandonar sua postura defensiva, desmontaria a retranca montada para surpreender o Grêmio e abriria espaço para jogar. Sem o gol, o Grêmio teve dificuldade para trocar bola com mais objetividade e foi punido com um erro na saída de bola da sua defesa.

 

O Grêmio não perdeu a partida somente por causa do árbitro, mas também por causa dele, e precisa acertar sua forma de jogar contra equipes retrancadas, pois com sua ascensão na temporada tende a ser essa a postura dos próximos adversários. Porém, analisar o resultado do jogo e nosso destino na competição sem levar em consideração a anulação do gol no primeiro tempo é injusto. Assim como o foi a vaia de alguns torcedores ao fim da partida. Pois, mesmo com a derrota, o que o time precisa agora é de todo o apoio para se recuperar na próxima partida e, novamente, revelar-se Imortal.

Avalanche Tricolor: o que é bom está cada vez melhor

 

Grêmio 2×0 Vasco
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Pedro Rocha comemora segundo gol do Grêmio (foto do Grêmio Oficial, no Flickr)

Pedro Rocha comemora segundo gol do Grêmio (foto do Grêmio Oficial, no Flickr)

 

As férias estão chegando ao fim. O que é bom dura pouco, dizem no popular. Prefiro pensar que o que é bom vive-se intensamente. É o que tenho feito desde que este período de descanso se iniciou. Este é o último fim-de-semana distante do trabalho e do Brasil. Amanhã começa a viagem de retorno.

 

Uma das boas coisas de não precisar acordar de madrugada para trabalhar é ver com calma, intensamente e na hora que for os jogos do Grêmio. O desse sábado, no horário da Itália, se iniciou às 11 e meia da noite e se estendeu até quase uma e meia da manhã de domingo. Quem estava preocupado com isso? Durmo a hora que bem entender porque no dia seguinte acordo quando estiver com vontade. Claro que dormir com essa sequência de bons resultados, seis vitórias em sete jogos, torna o sono ainda mais agradável.

 

Foi com paciência que assisti à partida contra o Vasco, a começar porque mais uma vez a internet teimou em me deixar na mão em alguns momentos cruciais do primeiro tempo. Mas, principalmente,porque sabíamos que,pela condição do nosso adversário e seu técnico, pegaríamos um time fechado e disposto a qualquer coisa para sair vivo da rodada.

 

Paciência acompanhada de muita troca de passe, dribles para furar o bloqueio e bolas correndo pelas laterais. Foi esta a fórmula que Roger usou para vencer mais uma vez. Sem esquecer da marcação com dois zagueiros que destruíram com o pouco que o adversário tinha a oferecer e dois volantes que sabem jogar com firmeza e categoria.

 

Lá na frente, Luan tem domínio de bola capaz de tirar o marcador do sério. E, com sua falsa lerdeza, aparece com frequência na frente dos zagueiros. Pedro Rocha tem coragem de enfrentar os adversários na velocidade, no drible ou na força. Giuliano está com o futebol reafirmado.

 

Como escrevi no início desta Avalanche, minha temporada de férias está chegando ao fim, período em que o Grêmio subiu com intensidade na tabela de classificação e eu, graças à tecnologia que me acompanha, tive oportunidade de vivenciar está ascensão. Antes de retomar o trabalho ainda tem um jogo pela Copa do Brasil. Torço para que “o que é bom” dure muito e fique cada vez melhor.

Avalanche Tricolor: derrotas acontecem, algumas sob controle; outras, nem tanto

 

Chapecoense 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Arena Condá/Chapecó (SC)

 

Desta janela, na Via del Corso, em Roma, assisti ao Grêmio, em Chapecó

Desta janela, na Via del Corso, em Roma, assisti ao Grêmio, em Chapecó

 

As coisas nem sempre saem como programadas. Em meio às minhas férias, os dois últimos dias estiveram reservados a Roma. Chegamos na quarta-feira pela manhã, pouco menos de duas horas após deixar Ansedonia de carro, por uma estrada de qualidade aquém da esperada para a fama europeia, apesar de ser muito melhor do que a maioria das que costumamos andar no Brasil. Verdade que pela quantidade de obras em andamento, o que também nos atrasou no trajeto, logo o piso estará devidamente recomposto.

 

Na capital, que já conhecemos de cima à baixo, pois a Itália é nosso lugar preferido nas férias de meio de ano, fomos muito bem surpreendidos com os quartos de um hotel butique em plena Via del Corso, no centro comercial da cidade. Dali, sem precisar andar muito, encontramos restaurantes com comida farta e bebida, idem. Nos deparamos ainda com lojas das mais famosas marcas de roupas e bolsas. Certo, também, que algumas estavam fechadas e em reforma. Não sei explicar se isso é o sinal de um país empobrecido ou em recuperação. Torço pela segunda opção.

 

A passagem por Roma foi especial como sempre, a despeito do programa agendado para a madrugada italiana. Com a diferença de horário, aqui estamos cinco horas à frente do Brasil, o Grêmio entrou no gramado do estádio em Chapecó pouco depois da meia-noite no meu relógóio. Na tela do meu Iphone, fiz as conexões necessárias para assistir ao jogo pelo aplicativo do Premier, que havia funcionado razoavelmente bem na partida anterior, contra o Santos. Mas, como escrevi na abertura desta Avalanche, nem sempre as coisas saem como programadas.

 

O sinal de internet não estava lá essas coisas, o que fez com que as imagens transmitidas do Brasil travassem muito. No primeiro tempo até que foi possível ver a partida sem muitos transtornos. Foi preciso “ligar” e “religar” poucas vezes. No segundo, a coisa desandou e exigiu muita paciência deste torcedor-internauta. Quase uma metáfora do que foi o Grêmio em campo quando teve boas chances de vencer no primeiro tempo, e produziu pouco no segundo, além de ter vacilado na marcação. Estávamos naquela noite (madrugada por aqui) em que, por mais que nos esforçássemos, nada daria muito certo. Duas bolas na trave na sequência é um bom (ou mal) sinal disso.

 

Apesar de tudo, o placar final não foi suficiente para estragar meu ânimo. As férias seguem por mais alguns dias, antes de chegar em São Paulo, e o Grêmio terminou a rodada na mesma posição em que começou, graças a combinação de resultados. Teve um, inclusive, que pouco mexeria na nossa classificação, mas, certamente, deixou muito conterrâneo de cabelo em pé – e outros tantos felizes da vida.

 

Já havia escrito na Avalanche anterior que, em uma competição tão longa e disputada como o Brasileiro, as derrotadas aconteceriam aqui e acolá. Devem servir, inclusive, para ajustes no time. Só não podem se repetir nem permitir o distanciamento dos que disputam o título conosco.

 

Sábado que vem, ainda em férias e, espero, com melhor desempenho da internet e do meu time, teremos a oportunidade, em casa, de reafirmar nossa boa performance.

Avalanche Tricolor: orgulhoso por ter vencido mais uma batalha

 

Santos 1 x 3 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro/Santos (SP)

 

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Foi aqui, no alto da colina de Ansedonia, que se uniram as forças da infantaria e da cavalaria napolitanas para seguirem, por terra, em direção a Orbetello, província de Grosseto, onde se travava uma das mais importantes batalhas da Guerra Franco-Espanhola, iniciada em 1635. Já se passavam 11 anos, quando os franceses se aproximaram das terras dominadas pelos espanhóis, no mar Tirreno, na região de Toscana. Lá se engalfinharam em inusitado confronto de barcos a velas carregados por galeras contra o exército da Espanha, que contava com o apoio do Reino de Nápoles. O “Assedio di Orbetello”, em 1646, foi protagonizado por comandantes estrategistas e soldados heróicos, que misturavam ações tática e muita bravura.

 

Nesta semana, 369 anos depois, a batalha é celebrada por moradores de Orbetello que, vestidos à caráter e a partir de perfomances artísticas, desfilam pela rua da pequena cidade e preservam aquela história com orgulho. Foi envolvido nesse ambiente e aqui, do alto da colina de Ansedonia, hoje muito mais marcante pelas belas casas e paisagem natural, que, durante minhas férias com a família, assisti, na tela do meu computador, à chegada do Grêmio ao topo do Campeonato Brasileiro – e escrevo isso independentemente do que venha acontecer nas próximas horas, neste domingo de futebol no Brasil. Tanto faz o lugar que nos será reservado na tabela de classificação, pois o que buscávamos alcançamos: vencemos mais uma batalha.

 

Orbetello

 

É a quinta conquista seguida de uma série interminável de batalhas que teremos de enfrentar até o fim do campeonato. Essa foi apenas a décima-primeira. Mesmo após mais um desempenho vitorioso, é impossível imaginar que seremos vencedores sempre. Sabemos que nessa caminhada há o risco de somarmos perdas. Temos de estar prontos para esses momentos, conscientes de que o trabalho está sendo executado de forma correta. Conscientes de que uma batalha perdida deve servir para agregar forças e seguir em frente até a vitória final.

 

Hoje, na Vila Belmiro, o time impôs sua marca: jogadores se movimentado com velocidade e a troca de passe certeira. A marcação firme desde o campo adversário se repetiu apesar de estarmos jogando fora de casa e contra um time que não perdia por ali há 14 jogos. Mais uma vez, o gol veio cedo e resultado dessa nova disposição da equipe, imposta por Roger.

 

Somou-se o fato de os chutes a gol estarem mais precisos. Em muitos jogos desperdiçamos a oportunidade de resolver a partida, apesar das boas chances proporcionadas. Desta vez, não: aos quatro minutos, no primeiro ataque, fizemos 1 a 0, para desequilibrar o adversário; assim que começou o segundo tempo, 2 x 0, para desestimular a reação natural de quem volta reorganizado do vestiário; e a dez minutos do fim, quando já havíamos dado espaço para o 2×1, marcamos o terceiro. Pedro Rocha, Galhardo e Mamute tiveram a chance e … mataram!

 

Com Roger no comando, visão estratégica e jogadores dispostos a cumprir suas funções a qualquer preço, o Grêmio se transformou, calou os que previam o pior e desnorteou os críticos – aqueles que chamaram Luan de “moscão” e disseram que Rocha, nosso goleador, não era um atacante de verdade. Lembra? Eu não esqueço!

 

Nosso exército ainda precisa muito mais para chegar a grande vitória, mas vê-lo jogando da forma como jogou nessa tarde, em Santos, me deixou tão orgulhoso quanto os moradores de Orbetello com seus uniformes de guerra, do século 17.

Avalanche Tricolor: no futebol, o Grêmio sempre terá a minha preferência

 

Avaí 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Ressacada/Florianópolis (SC)

 

Gremio x Palmeiras

 

O dilema é antigo e, apesar de para mim sempre ter sido coisa bem resolvida, sei que muita gente ainda tem dúvida sobre seus próprios sentimentos: você prefere ver a seleção campeã a comemorar o título de seu time? Nunca pestanejei: quero o Grêmio campeão e azar de quem não gostar do que penso. Prova disso foi o que aconteceu nesse sábado em que o futebol tomou conta da programação a partir da tarde com a rodada do Campeonato Brasileiro e se estendeu à noite com a Copa América.

 

Ver o Grêmio em campo me causa muito mais apreensão e nervosismo do que a seleção. E não é por confiar menos no time gremista. É por torcer mais. Desejar muito mais uma vitória nossa do que qualquer outra (ao menos quando a referência é o futebol). E, nesse sábado, o desejo da vitória começou a ser atendido quando ainda nem havia me ajeitado direito no sofá.

 

Em jogada relâmpago, a pressão gremista provocou o erro da defesa adversária e, com apenas seis toques na bola, a partir da nossa intermediária, Pedro Rocha apareceu na entrada da área para marcar. Soube depois da partida, porque durante o jogo o locutor da televisão insistia em repetir que o gol havia sido no primeiro minuto de jogo, que nosso atacante fez o gol mais rápido do campeonato ao assinalá-lo aos 37 segundos. Foi o suficiente para voltar a ouvir elogios ao talento do jovem Rocha, apesar de não me iludir com isso, pois bastará uma partida dele sem gols, um erro diante do goleiro, para surgirem os que implicam com o futebol do guri. Dia desses houve até quem escrevesse que ele não era um atacante de verdade para explicar o gol desperdiçado na derrota para o São Paulo.

 

Aliás, lembro ter lido em algum lugar qualquer, após aquele mesmo jogo contra o São Paulo, que Luan era um “moscão”, a alegria dos zagueiros, o meia do drible para trás e outras coisas do mesmo nível. Com seu estilo diferente de jogar e difícil de marcar, Luan já é o segundo goleador do time, o que mais finaliza, dribla e dá assistência a seus companheiros. Nesse sábado, ainda marcou um gol em excepcional cobrança de falta. Colocou a bola por cima da barreira e no ângulo, como manda a cartilha. Foi mestre em segurar o jogo quando éramos pressionado e quase voltou a marcar no segundo tempo, após sequência de dribles dentro da área.

 

Claro que a vitória não poderia ser tão tranquila assim, especialmente por estarmos jogando na casa do adversário. A reação haveria de acontecer nem que fosse pela força de vontade, já que tecnicamente éramos superiores. No entanto, nossos laterais substitutos funcionaram bem, com destaque para o garoto Marcelo Hermes. A defesa se garantiu como pode e Tiago voltou a mostrar valor. Os volantes também deram conta do recado, ao menos enquanto Walace e Maicon formaram a dupla à frente da área. E nosso conjunto mesmo pressionado garantiu a primeira vitória fora da Arena.

 

Assim que se encerrou a partida, com o Grêmio beliscando a terceira posição e se aproximando do líder, situação que pode mudar conforme a combinação de resultados deste domingo, satisfeito com a vitória, peguei o casaco para afugentar o frio e me arrumei para assistir à missa das seis da tarde, na capela próxima de casa.

 

Ouvi ainda alguém me perguntar: e a seleção? Que tenha a mesma sorte do Grêmio, pensei comigo. Não teve.

 

A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: a caminho do G4 e além!

 

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Grêmio 1×0 Palmeiras
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Já sinto o cheiro do G4. É pouco para nossas pretensões, mas era onde poderíamos chegar neste fim de semana. E chegamos. Isso é o que importa. Chegamos depois de um primeiro tempo sem muito futebol e menos ainda inspiração. Tudo compensado no segundo, quando fizemos o gol.

 

Até começamos bem, em jogada do centro para a direita, antes de o relógio completar 1 minuto. O chute de Marcelo Oliveira, porém, foi para fora. Depois, ensaiamos uma jogada aqui e outra acolá. Nada que empolgasse e a maioria das vezes parando no nosso passe errado. Houve um lance em que Pedro Rocha teria sofrido pênalti mas a televisão não o mostrou direito na origem nem o repetiu com a necessária frequência para eu ter certeza de que ele foi derrubado (ainda dedicarei uma Avalanche a esses senhores do apito).

 

Se algo ficou dos 45 minutos iniciais foi a disposição do time em marcar próximo da área adversária, o que reduziu os riscos lá atrás. Até fomos ameaçados, mas nada de grave.

 

A conversa no vestiário parece ter sido boa. O time voltou com a mesma escalação e disposição mas se movimentando melhor em campo e com passe mais preciso. Isso fez com que o futebol fluísse. Verdade que lá atrás corremos mais riscos, mas Tiago, outra vez, deu conta do recado. Que baita goleiro esse menino, não?

 

O gol foi resultado de tudo o que o Grêmio levou a campo.

 

A jogada se iniciou após nossa marcação ter recuperado a bola à frente da defesa adversária. Fomos para a esquerda com dribles e troca de passe e tentamos o gol. A luta para recuperar outra bola que parecia desperdiçada lá pelo lado direito, forçou o adversário a errar de novo. E mais uma vez, nos movimentamos, trocamos passe com qualidade, em bela participação de Giuliano e Luan, e concluímos com um chute belíssimo de Maicon.

 

Marcação firme, troca de posições, passe mais preciso e chute qualificado. A combinação desses fatores nos faz um time melhor. O segredo está em aumentar a frequência com que isto ocorre durante a partida e repetir este desempenho a cada jogo (e fora da Arena, também). Nessa passada, mais do que sentir o cheiro do G4, estaremos nele. E depois de chegarmos lá, é claro, queremos ir além.

 

Avalanche Tricolor: o Grêmio está na disputa, sim senhor!

 

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Grêmio 2 x 1 Atlético PR
Brasileiro – Arena Grêmio

A Arena era destaque na Porto Alegre que via lá da janela do avião, assim que partimos da cidade. Até pouco antes, enquanto aguardava a decolagem, assistia ao jogo na tela do meu celular, que se parecia minúscula diante do futebol que jogávamos contra o líder do campeonato.

 

Marcação na saída de bola, pressão no meio de campo e defesa firme se uniam a velocidade na troca de passe e deslocamentos pelos lados com a entrada em diagonal na área. Chegávamos à linha de fundo e de lá disparávamos cruzamento ou passes para quem viesse de trás, conforme a conveniência.

 

Foi em uma dessas investidas, com bola aberta pela direita, boa condução até a proximidade da área e cruzamento forte e rasteiro para o meio que saiu o primeiro gol, de Giuliano, e único que consegui assistir dos três marcados na partida desse domingo à tarde.

 

Por força dos compromissos, e algo que o destino insiste em fazer comigo, afastar-me da Arena em dias de jogos, precisei deixar a capital gaúcha em meio a partida. Havia aproveitado muito bem os dias anteriores – cheguei à cidade no fim da tarde da sexta-feira – com a família. Matei a saudade dos irmãos e sobrinhos, colocamos os assuntos em dia, relembramos os bons momentos em que crescemos unidos e sentamos entorno do pai para aproveitar o carinho que ele transpira por todos nós, mesmo quando os filhos defendem restrições para que ele preserve sua saúde.

 

As curtas caminhadas em volta da casa de infância, o cumprimentar dos vizinhos que resistiram às investidas imobiliárias e a visão do estádio Olímpico, que fica logo ali ao lado, sendo colocado à baixo, tijolo por tijolo, ofereceram um ar de nostalgia à visita. Porto Alegre sempre me faz bem, especialmente quando para comemorar conquistas como o aniversário da minha sobrinha Vitória.

 

Quando o avião partiu, fui obrigado a desligar o celular e fiquei com a imagem da Arena na janela. Dali pra frente, tudo ficaria por conta do Grêmio e sua capacidade de suportar a pressão adversária que, inevitavelmente, ocorreria. Somente conseguiria manter contato com o time e saber de seu desempenho quando tudo estivesse decidido. Sem nenhuma condição de secar as investidas contra nossa defesa e menos ainda de torcer por um placar mais tranquilo. Naquela altura, em meio as nuvens, meu desejo é que nada mais acontecesse em campo e de lá saíssemos com os três pontos.

 

O avião acabara de taxiar na chegada a São Paulo quando voltei a ligar o celular e descobri que muitas coisas aconteceram depois daquele gol. E, felizmente, a nosso favor. Mesmo com o empate na cobrança de falta, conseguimos retomar a vitória com uma bola lançada dentro da área e o desvio de cabeça de Rhodolfo. Mais do que isso, se é que fosse necessário, enfrentamos um jogo disputadíssimo e de alto nível. E fomos fortes o suficiente para vencer.

 

O resultado desse domingo contrastou com o do fim de semana anterior. E nos aproximou do que havíamos feito duas rodadas antes. Os altos e baixos na competição se explicam pelo rejuvenescimento do elenco e o amadurecimento do time sob nova direção. Ao contrário do que disseram e li, o Grêmio está sim, na disputa!

 

A foto que ilustra este post é reprodução feita da tela do meu celular