Avalanche Tricolor: emoções que forjam minha paixão Imortal

 

Grêmio 1 (2) x (4) 0 San Lorenzo
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

Somos todos sofredores desde o momento em que nos permitimos nos apaixonarmos por uma causa. No futebol, a minha é o Grêmio. Não escondo isso. Nunca tentei fazê-lo, mesmo na época em que, repórter esportivo, cobria o tradicional adversário em Porto Alegre. Por lá, sabiam todos da minha preferência e respeitavam minha escolha tanto quanto eu me esforçava para impedir que a paixão influenciasse a postura profissional. Acredito que tenha conseguido separar as coisas. Hoje, atuando em área e cidade distantes posso tratar do tema com muito mais tranquilidade a ponto de escrachar minha paixão sempre que escrevo esta Avalanche. É aqui que compartilho com você, caro e raro leitor, as emoções que o futebol gremista me proporciona. E quando falo de emoções não estou me atendo apenas as alegrias da conquista. Refiro-me ao coração apertado diante da bola que bate no travessão, do grito rouco no gol anulado e, principalmente, da angústia em perceber que nossa crença vai além das forças do próprio time. As mãos esfregam o rosto repetidas vezes, os dedos se entrelaçam enquanto recebem mordidas que deixam marcas, os braços se abraçam sobre a cabeça, com os pés chuto bolas imaginárias e, às vezes, me envergonho de tanto murmurar palavras impronunciáveis como se estivesse sozinho diante da televisão. Nesta noite que ainda será longa, vivi muitos desses momentos. Acreditei sempre que seríamos premiados com ao menos um gol, mesmo que atropelássemos a lógica do futebol para chegar até lá. Haveríamos de marcar se não pela técnica, pela insistência; se não pela tática, pelo canto da torcida. Eu reivindicava o direito a esta alegria e fui atendido na bola que explodiu no rosto de Dudu e se esparramou na rede. Eu explodi junto com aquela bola disparada por Rodriguinho, arranquei os óculos, cerrei os punhos, soquei o ar e as almofadas próximas de mim. Comemorei como se fosse o último gol que comemoraria em minha vida, mesmo sabendo que ainda não seria o suficiente para alcançarmos a vitória que precisávamos. Azar! Decidi que merecia aquele prazer fugaz, pois em todos os demais minutos da partida a mim só haveria de ser oferecido o sofrimento. Independentemente do que tenha havido e do que haverá de acontecer daqui pra frente, das línguas afiadas dispostas a encontrar um culpado, como se apenas um houvesse, das bocas tortas que vão babar de prazer enquanto atacam nossos ídolos, das mudanças e confirmações, estou aqui para agradecer ao Grêmio (e ao futebol, também) por me proporcionar todos estes sentimentos. Um turbilhão de emoções que forja minha paixão Imortal.

Avalanche Tricolor: esta gurizada é espaçosa mesmo

 

Grêmio 2 x 1 Atlético MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

As cores na camisa nova são mais fortes e o tricolor das faixas verticais é mais equilibrado em suas dimensões. A primeira impressão que tive ao ver o time entrar na Arena no fim da tarde deste domingo era de que a camisa parecia mais intensa do que o time escalado com apenas três jogadores considerados titulares ao lado de muitos jovens. A cabeça, a minha, a sua e da própria equipe, está mais concentrada, com toda razão, na partida de quarta-feira quando decidiremos vaga à próxima fase da Libertadores e precisaremos vencer de qualquer maneira. Ao mesmo tempo sabíamos que vencer hoje seria importante para dar tranquilidade ao técnico e seus comandados, além de impedir uma escapada dos líderes desta maratona de pontos corrridos que é o Campeonato Brasileiro.

 

Bastou a bola rolar para percebermos que algo mais além da camisa tinha intensidade no gramado da Arena. A gurizada não permitia que o adversário respirasse e, atrevida, partia para o ataque driblando o marcador, passando com velocidade e precisão, se deslocando com rapidez, pedindo a bola e chutando sempre que um espaço aparecia. Às vezes, como na falta que resultou no primeiro gol, se não havia espaço, a força do chute e a velocidade abriam este espaço. E se você prestou atenção na cobrança de Alan Ruiz, a bola buscou o seu próprio espaço com um movimento rápido momentos antes de se aproximar do goleiro desviando-se para as redes. No segundo gol, apesar de os críticos destacarem a falha na defesa, foi o Grêmio quem fechou os espaços, obrigou o recuo da bola e permitiu que Lucas Coelho chegasse tão rapidamente para driblar o goleiro e encontrar o gol livre para marcar.

 

Fomos muito superiores aos titulares que formavam o time adversário que, por sinal, também quer ter espaço na próxima fase da Libertadores. No segundo tempo, não conseguimos ser tão intenso, mas fomos seguros e proporcionamos alguns belos dribles que deixaram os veteranos do lado de lá de boca aberta (alguns pareciam incomodados por não conseguirem espaço para jogar). Até mesmo o não-jogo necessário dos minutos finais para impedir a injustiça de um empate refletiu uma maturidade que estava acima da idade dos nossos jovens.

 

Os titulares que voltam a campo na quarta-feira decisiva têm muito a agradecer a esta gurizada que ajudou a aumentar a autoestima do time, trouxe um pouco de paz para o vestiário e, certamente, motivou o torcedor. Aliás, torcedor, faça sua parte: vamos tomar todos os espaços da Arena.

Avalanche Tricolor: alguém aí não acredita? vai …

 

San Lorenzo 1 x 0 Grêmio
Libertadores – Buenos Aires (ARG)

 

 

Era apenas uma brincadeira o comentário de Juca Kfouri, na manhã de quarta-feira, quando conversamos no Momento do Esporte, no Jornal da CBN. Ele disse que estava ali, ao vivo, quando normalmente grava o quadro, preocupado com meu comportamento diante dos últimos resultados gremistas. Chegou a dizer que soube nos bastidores de um mau humor que estaria influenciando meu relacionamento com os colegas de trabalho. Claro que não gosto de derrotas, mas o futebol não chega a me influenciar a ponto de estragar a boa relação com os amigos (ao menos é o que eu imagino). Sou adepto da tese de que rir de si mesmo nos aproxima mais daquilo que somos e, baseado nisso, achei engraçada a “pegadinha” dos colegas de Jornal que, hoje cedo, reproduziram o gol do San Lorenzo na narração de um histérico locutor argentino. Adoraria ouvi-lo na semana que vem no jogo de volta. O que não gostei muito foi de ler minha timeline no Twitter, durante a partida de ontem à noite, pela qual sigo vários torcedores do Grêmio. Entendo que algumas coisas que vemos são de tirar do sério: chutar a bandeirinha em lugar da bola ou despachá-la por cima do travessão na cobrança de falta técnica dentro da pequena área chega a ser bizarro. Mas tive a impressão de que o pessimismo do pessoal não estava a altura do jogo jogado e do resultado final. Mais incômodo do que isso: a descrença não condiz com nossa história. Sempre defendi a ideia, e falei isso para o Juca na conversa de ontem, que até 3 gols contra viramos em casa. Sou otimista, com certeza. Mas meu otimismo está pautado por nossas conquistas. O placar de ontem à noite, em Buenos Aires, está dentro do roteiro, especialmente porque percebemos que somos capazes de superar a marcação argentina, teremos o retorno de Wendell e Luan, e estaremos jogando ao lado de nossa torcida. E espero que estejam na Arena apenas os torcedores que, como eu, acreditam na nossa força. Aqueles que invadem hotel para ameaçar em lugar de incentivar jogadores, aqueles que duvidam do poder do Grêmio, aqueles que antes mesmo de iniciada a fase final apostavam na nossa desclassificação … estes todos tirem suas camisas e fiquem em casa vendo novela.

 

Eu acredito! Sempre!

Avalanche Tricolor: carta de um ouvinte gremista

 

Uma Avalanche, escrita ainda durante o Campeonato Gaúcho, motivou a carta/e-mail do ouvinte Danier Boucinha Viana, gremista como nós que costumamos ler este espaço no Blog. A mensagem chega em semana decisiva para o Grêmio, seja por estarmos diante da fase final da Libertadores seja pelos últimos acontecimentos do time. Por isso, torno pública as palavras e a esperança de Danier para que nos inspirem na partida dessa quarta-feira, contra o San Lorenzo:

 

Prezado Mílton,

 

Faz muito tempo que estou para lhe escrever e aproveito o feriadão para fazê-lo. Espero não incomodá-lo com a extensão do texto mas necessário por misturar vários assuntos represados. A ocasião é propicia face o que temos vivido nesses últimos dias com o nosso Grêmio bem como os dias que antecedem ao jogo de quarta-feira próxima na Argentina.

 

Sou Gaúcho, Gremista de “Quatro Costados”, nascido na fronteira (Dom Pedrito) em 1958. Seu fã incondicional de todos os dias na rádio CBN mas mais ainda do seu querido pai. Coincidentemente no ano em que nasci o seu pai, A Voz do Rádio, iniciou as transmissões na antiga Rádio Guaíba. Atualmente estou com 55 anos. Saí da minha querida Dom Pedrito aos 17. Trabalho no BB e moro em Campinas-SP há 15 anos. Mais Gremista do que nunca!

 

Menino cresci escutando a Guaíba lá no interior, juntamente com meus irmãos mais velhos todos Gremistas, naqueles tempos áureos do nosso Heptacampeonato. No meu imaginário infantil somente existiam Alberto, Airton Pavilhão , Sérgio Lopes , Everaldo, Joãozinho, Flecha , Alcindo, Volmir Massaroca, entre tantos outros. O Meu Grêmio era Imbatível! Adolescente cresci e sofri com o esplendor do tradicional adversário na década de 70 (campanha do octa e bi-brasileiro). Ironicamente naquela época forjei-me como verdadeiro Gremista vindo a entender mais tarde que foi necessário todo aquele crescimento do Inter para impulsionar e tornar-nos a potencia futebolística mais tarde. Meus heróis, embora não vencedores, já eram outros. Mas eram igualmente heróis! Ao ler a sua crônica de 26/03/2014 na CBN intitulada “Pelo Direito de ser Aquele Guri mais uma vez” a emoção foi muito grande. Ali estavam exatamente meus heróis daquela época: Loivo (minha mãe hoje com 95 anos chama-se Loiva) e o maior de todos e que deve ser pronunciado em toda a sua extensão: Atílio Genaro ANCHETA Weigel. Sim o maior de todos os tempos pois tenho uma teoria: Ele foi infinitamente superior ao Figueroa. Por quê? O Figueroa jogou em uma timaço tendo a sua frente nada menos do que Falcão, Carpeggiani, Batista, Caçapava, etc… e o Ancheta ? Bom é melhor não lembrar. E mesmo assim havia a comparação de quem era o melhor. Não há dúvidas. Tivesse o Ancheta jogado no outro lado (sacrilégio) não haveria termos de comparação! Pois bem você teve o privilégio de estar ao lado deles, algo que eu ficava imaginando a minha vida toda poder ter tido a oportunidade naqueles tempos de guri lá no Sul.

 

Essa crônica sua me fez lembrar de tudo o que já vivemos com o Imortal tricolor e que somente quem é Gremista sabe da emoção que é ser Gremista! Da nossa redenção em 77 com a raça Gremista dos inesquecíveis Iura, Ancheta, Tarciso, passando pela categoria de Tadeu Ricci , Éder e culminando lá na frente com o nosso Redentor André Catimba, comandados pelo saudoso Mestre Telê Santana. Como não lembrar do primeiro Brasileiro em 03/05/81 em cima do poderoso São Paulo em pleno Morumbi lotado? E da noite fria de 28/08/83 com o cruzamento mágico do Renato e o gol de peixinho do César em cima do não menos poderoso Penharol? Adentramos ali madrugada adentro comemorando na certeza de que com a conquista da América pela primeira vez no Sul nada poderia ser maior. Mas poderia sim: vieram o Mundial, outra Libertadores, as incontáveis Copas do Brasil, novamente o Brasileirão.

 

Como é bom ser Gremista! Poderia escrever um livro para descrever todo o meu sentimento e emoção ao falar do Grêmio mas em consideração ao seu tempo vou terminar por aqui mas não sem antes fazer uma referência toda especial ao seu pai, o grande Milton Ferretti Jung. Do seu inicio na antiga Guaíba em 58 até abandonar as narrações em 88, voltando a narrar em 98 desde que fosse somente em jogos do Grêmio (isso é demais Cara!). Acompanhar então sua preparação para narrar o último Gre-Nal do Olímpico em 02/12/2012 foi emocionante. Você é um privilegiado por ter um pai como esse. Parabéns!

 

Apesar dos últimos acontecimentos e mesmo lendo a coluna de hoje do Wianey Carlet na Zero Hora “O Grêmio não vai longe” que apontam exatamente ao contrário, continuo acreditando que o Tri virá com o espírito e a garra de sempre do Imortal Tricolor.

 

Grande abraço e ótimo trabalho.

 

Danier Boucinha Viana

Avalanche Tricolor: bote o disco a rodar

 

Atlético PR 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Orlando Scarpelli (SC)

 

 

“Quando estiver desanimado e a ponto de desistir da luta, rode este disco, reviva através dele as emoções que sentiu com o seu time durante o campeonato nacional de 81 e aproveite-o como uma lição de vida, persevere, seja humilde, trabalhe e vença. Como o Grêmio”. Essas linhas fazem parte do texto que está na contracapa do disco que conta a história do primeiro título brasileiro conquistado pelo Grêmio, produzido pela rádio Guaíba de Porto Alegre, e assinado por Milton Ferretti Jung (o pai), que você, caro e raro leitor deste blog, conhece muito bem. Ele também faz a locução dessa vitória memorável. Hoje cedo, rodei o disco na minha eletrola recém recuperada, como já lhe contei dia desses em post neste mesmo blog, muito mais para ouvir essas preciosidades que estavam guardadas na casa do meu irmão, Christian, a quem visitei no feriado de Páscoa, do que para buscar ânimo para os próximos desafios. Trouxe comigo, além desse long play, nome que dávamos ao que hoje você conhece por vinil, os que contam as glórias do Campeonato Gaúcho de 1979 e a Libertadores de 1981. O Mundial Interclubes está registrado em um compacto que também botei na mala e, em breve, vai ecoar na sala que reservei para ouvir meus velhos discos de coleção.

 

Como escrevi no parágrafo anterior, escutar o disco de 1981 e ler o texto que está na contracapa têm muito pouco a ver com o momento pelo qual estamos passando. As duas derrotas seguidas e em competições diferentes, a perda do título regional de maneira catastrófica, a lesão dos jogadores de melhor desempenho da defesa, Rhodolfo e Wendel, além da precariedade física de Marcelo Grohe e Luan, no momento em que entramos na etapa decisiva da Libertadores e para enfrentar o forte San Lorenzo, no estádio em que tem se consagrado imbatível, talvez fossem justificativas suficientes para começarmos a pensar na evocação da Imortalidade. Não podemos esquecer, contudo, que bem depois desses vinis, já na era dos discos de acrílico, CDs e DVDs, tivemos instantes imortalizados na história do futebol e aprendemos que não desistimos nem desanimamos facilmente diante dos mais complicados desafios. Sendo assim, que venham os novos percalços, os chutes desperdiçados, as falhas na defesa, os erros de escalação e as lesões previsíveis, pois estaremos aqui prontos e dispostos a acreditar sempre. Como gremistas que somos.

 

Vou ali trocar o disco e volto já!

Avalanche Tricolor: Parabéns ao Inter!

 

Inter 4 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Centenário (Caxias do Sul)

 

Você, caro e raro leitor deste Blog, talvez estranhe o título desta Avalanche sempre disposta a identificar do lado gremista méritos, inclusive quando estes praticamente não aparecem. A paixão que tenho pelo Grêmio, declarada desde sempre e escancarada em qualquer oportunidade que surge, me faz, mesmo diante dos maiores fracassos, fechar os olhos para nossas fraquezas e identificar como heróicos lances insignificantes. Quantas vezes, você já deve ter colocado em dúvida minha razão por elogios ao chutão que despacha a bola pela lateral, ao carrinho destemido de um dos volantes, à coragem do atacante que, isolado, briga aos trancos e barrancos com seus marcadores. Nunca fiz questão de escrever estas linhas com a razão, prefiro deixar este papel para os entendidos em futebol, aqueles que enxergam os times pela formação tática e posicionamento em campo, que tentam dar lógica para movimentos de um jogo que é, na essência, improvisação. Eles é que têm de justificar o bom e o mau futebol, apesar de muitas vezes não me convencerem com o que dizem e escrevem. Seja lá como for, não estou aqui para reclamar dos comentaristas, e é bom voltar logo para a origem desta minha conversa, antes que você abandone meu texto imaginando que esteja sofrendo alucinações (convenhamos, não faltariam motivos para tal). Estou aqui é para justificar a manchete deste post em espaço sempre destinado ao azul, branco e preto. E o farei com mais precisão e sem delongas no parágrafo seguinte.

 

O Inter fez por merecer o título que conquistou em mais esta temporada do futebol gaúcho. Desde o início da competição liderou seu grupo com boa vantagem em relação a seus adversários diretos, a ponto de encerrar a fase inicial com a melhor pontuação, o que lhe ofereceu o direito de jogar as partidas finais em casa, se não em sua própria casa, que passa por reformas, ao menos naquela que escolheu jogar. Apesar de não ter os números em mãos, e prefiro não acessar os sites de futebol para confirmá-los (peço-lho licença para não fazer isto neste fim de domingo, por razões que me parecem óbvias), sei que o melhor ataque do campeonato foi o colorado; se não teve a melhor defesa em número de gols tomados, era, sem dúvida, a mais bem postada e organizada. Chegou à decisão tendo vencido todas as partidas nas quais disputou com o time titular, a única derrota em toda a competição foi quando atuou com os reservas. Foi assim até a final, onde fez dois jogos impecáveis. O primeiro venceu de virada na casa do tradicional adversário e o segundo, desfilou em campo. Como diriam os mais antigos do futebol, fechou com chave de ouro e fez a volta olímpica no Estádio Centenário, de Caxias do Sul, no interior, diante de pouco menos de 20 mil torcedores. O Inter foi grande no campeonato estadual e mereceu ser campeão pela quarta vez consecutiva, no Rio Grande do Sul. Poderia até ser rebatizado de Interregional.

 

O Grêmio segue firme e forte na Libertadores.

Avalanche Tricolor: estou mais perto de ti, Libertadores

 

Grêmio 1 x 0 Nacional
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

Haverá quem reclame de passes errados, de falta de criatividade, desperdícios de gols e do espaço para o adversário jogar. Talvez seja mesmo importante apontar falhas, pois se corrigidas farão o Grêmio ainda mais forte e preparado para seus desafios. A identificação das fragilidades faz parte da construção de um grande time e permite o desenvolvimento técnico e tático. Em competição na qual tivemos tantos méritos até aqui, não nos fará mal a humildade e a aceitação das críticas, porque esta é uma das virtudes dos campeões. Deixarei essa tarefa, porém, aos mais críticos, exigentes ou mal-humorados, que, normalmente, já realizam esta tarefa com maestria (e às vezes, exagero).

 

Eu, que encarei mais uma maratona de trabalho, compromissos e futebol até à meia-noite, prefiro dedicar-me a alegria de mais uma vitória e da belíssima campanha nesta primeira fase da Libertadores que nos coloca entre os favoritos ao título (são os especialistas que estão dizendo). Quero dormir com o sorriso do torcedor que assistiu ao seu time lutar muito para garantir a liderança do grupo e descobriu excelentes talentos e grandes batalhadores no elenco. Torcedor que vibrou na defesa “invertida” de Marcelo Grohe, no bicão do Pará, no domínio de bola de Wendell e, claro, na cobrança de pênalti do Barcos. Vou descansar agora com a satisfação de encerrar esta fase como a segunda equipe mais bem classificada, e invicto, enquanto a maioria já está fora da disputa. E eis aí mais um motivo para comemorarmos: nosso sonho pelo Tri da Libertadores está mais próximo do que quando iniciamos esta jornada. Ainda haverá muito caminho, carrinho e pontapé para encararmos até a conquista final e, experientes que somos nesta guerra travada nos campos sul-americanos, sabemos que as batalhas mais árduas surgem agora. No mata-mata, reduz-se a margem para erros. Mas, como disse, não quero pensar nos erros agora, quero é comemorar.

 

Dá-lhe, Grêmio!

Gremista, radialista e demitido

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Minha semana não foi das mais tranquilas,tipo,por exemplo,das que passei usufruindo,na cidade balnearia de Tramandaí, merecidas férias(jamais ouvi alguém confessar não ter merecido os tradicionais trinta dias de descanso). Já desconfiava,porém,que seriam as minhas últimas férias como profissional de rádio, carreira que durou sessenta anos e durante a qual trabalhei somente em duas emissoras: Canoas – que deveria ter sido instalada na cidade da Grande Porto Alegre com este nome – e Guaíba. Fiquei quatro anos na primeira e cinquenta e seis na segunda. Atuei ao mesmo tempo em três agências de propaganda:a Standard-Ogilvy & Mather,levado pelo saudoso Pedro Carneiro Pereira,um dos melhores narradores de futebol que conheci; na Publivar e na Idéia (então com acento no é,uma das tantas estúpidas mudanças feitas em nossa língua – portuguesa do Brasil – com a intenção de padronizá-la com a falada em Portugal e em suas ex-colônias,algo puramente utópico). Além disso, tive durante bom tempo colunas tratando de futebol no Correio do Povo dominical,em que escrevia sobre o Grêmio e o Ibsen Pinheiro,ao meu lado,fazia o contraponto com o Inter. Também ocupei um espaço na Folha da Tarde sobre o mesmo tema:futebol. Se ainda tenho alguém me acompanhando nesta reminiscências,como vou recuar ainda mais nos anos logo a seguir,deixem-me contar para quem não acompanhou nas redes sociais como terminou a minha carreira no rádio:fui demitido. Aqui em casa já está uma placa,em que,abaixo do meu nome se lê:”Nosso reconhecimento aos relevantes serviços prestados à Rádio Guaíba. A emissora,que nasceu sob o signo de uma tradição,será sempre uma voz a serviço do Rio Grande”

 

O Mílton, que dispensa apresentações, tanto dos ouvintes do Jornal da CBN quanto dos leitores deste e de outros blogs,surpreendeu-me perguntando em um e-mail,como eu me tornei gremista. Em Porto Alegre, torcemos pelo Grêmio ou pelo Inter. Os pais,normalmente,tentam, desde cedo, influir os seus filhos(as) a torcer por um deles. Acho que ainda nenhum instituto fez pesquisa para se saber quantas crianças, às vezes por obra de parentes,padrinhos ou por birra, quando não querem ser forçados a torcer pelo time do pai,acabam adotando o rival. Na minha casa que,segundo o Mílton, tinha no Olímpico a extensão do nosso pátio,todos se tornaram gremistas por influência paterna. Hoje,os meus netos,embora dois morem em São Paulo – o Greg e o Lorenzo – mais o Fernando e a Vivi,ambos de Porto Alegre,são gremistões. Até aqui não respondi à pergunta do Mílton. Faço-o agora. Meu pai,na juventude,jogou num time da drogaria da qual era gerente. Ainda vou recuperar o álbum em que há uma foto dele ao lado dos companheiros da equipe. Não lembro dele,porém,como torcedor gremista ou colorado. Recordo que,um dia,me levou ao Estádio do Passo da Areia,para ver o São José jogar.Quando se é criança ou até algo mais do que isso,sempre temos amigos mais chegados,com os quais nos entendemos melhor. Eu tive dois desse tipo: o Valmor e o Vilmar. Quase todas as tardes brincávamos de fazer guerra com soldadinhos de chumbo. Em uma área na frente da casa dele dos meus dois amigos do peito,escondíamos esses soldadinhos atrás de barreiras montadas com toquinhos quadrados e,usando bolinha de gude,”bombardeávamos” mutuamente as nossas fileiras:bolinhas pra cá,bolinhas pra lá (quem imaginaria que os nossos filhos e netos jogariam vídeo game em computadores de última geração). Quebrei um pouco a minha velha cabeça,entretanto,para responder à pergunta do Mílton. Foi o Vilmar,mais perto da minha idade (10 anos,acho),quem me fez gremista.Nunca me arrependi da escolha. Quando o meu pai me internou no Colégio São Jacó,em Farroupilha,ouvi em um radiozinho de algum colega,que o Grêmio aposentara Júlio Petersen,seu goleiro titular,subsituindo-o por Sérgio Moacir Torres Nunes. Fiquei preocupado:era fã do veterano Júlio e não sabia ainda se “Sérgio daria no couro”. No internato,vivia correndo atrás de quem tivesse rádio de pilha para não perder a narração dos jogos do Grêmio.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: Grêmio vence e está classificado

 

Atletico Nacional 0 x 2 Grêmio
Libertadores – Medellín (COL)

 

 

Muita coisa mudou desde quando fomos à Colômbia conquistar a Libertadores, em 1995. Quase 20 anos nos separam daquele empate histórico que nos deu o bicampeonato sul-americano. Tenho certeza que você já não é mais o mesmo. Eu não sou. Estou mais velho (mesmo que ainda me sinta jovem), mais sério e, aparentemente, mais responsável. Construir uma família talvez nos leve a este amadurecimento, e o tempo nos cobra algumas atitudes. O Grêmio também amadureceu, passou por poucas e boas que deixaram cicatrizes e nos fizeram crescer. Fomos ao inferno e de lá saímos fortalecidos. Pelejamos pelos campos da América do Sul e muitas vezes, injustamente, fomos criticados por não sermos capazes de reconquistar o título que sempre sonhamos. Não entendiam que mesmo diante das derrotas nos empoderávamos porque o mais importante era jamais deixar de lutar. Se hoje vemos um time com maturidade e respeitado pelos mais difíceis adversários (lembre-se que este é o Grupo da Morte), esta imagem foi forjada no campo de batalha.

 

O Grêmio está classificado com uma rodada de antecedência e ainda pode encerrar a fase de grupos com a melhor campanha entre todos os que se credenciaram a disputar a Libertadores (importante lembrar, também, que tem muita gente por aí que não foi capaz). Venceu com gols de Dudu e Barcos e vibrou com as belas passadas de Luan. Assistiu a mais um desempenho seguro de Rhodolfo, Edinho, Riveros e Ramiro. Mas, principalmente, comemorou as defesas espetaculares do nosso goleiro Marcelo Grohe que assim como eu e você mudou muito desde 1995, época em que ainda era um menino de calça curta e, como declarou ao fim da partida, sequer imaginava jogar futebol.

 

Realmente muito coisa mudou nestas quase duas décadas que nos separam do último título da Libertadores para esta classificação, ambas conquistadas na Colômbia. O que não mudou foi a nossa paixão pelo Grêmio. Esta jamais mudará. #SoyLocoPorTRIAmerica

Avalanche Tricolor: que os deuses do futebol me perdoem

 

Grêmio 1 x 2 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Deus escreve certo por linhas tortas, dizia minha mãe sempre disposta a me consolar diante do revés e mostrar que teríamos de aprender com nossos erros. Seriam esses os sinais divinos enviados para amenizar a dor da derrota e lhe dar caráter pedagógico. Você, caro e raro leitor deste blog, sabe muito bem das minhas restrições quanto a misturar religião e futebol, por entender que o Cara lá em cima tem muito mais coisa para se preocupar do que interferir nos resultados em campo. Por isso, se o objetivo é escrever de bola rolando (ou rolada), como costumo fazer nesta Avalanche, melhor prestar atenção nas lições oferecidas não por aquele Deus superior que alguns de nós acreditamos (eu, inclusive), mas nos deuses do futebol, aqueles que, recentemente, foram clamados pelo técnico Mano Menezes, do Corinthians, para rogar praga sobre o arquirrival São Paulo (parece que deu certo). São eles que sempre me dão esperança de dias melhores, que me fazem acreditar na Imortalidade que marca nosso time, mesmo diante de todas as dificuldades.

 

Como tenho uma certa intimidade com os deuses do futebol, eles costumam me confidenciar segredos que devem ser guardados até a revelação final. Desta vez, porém, perdoem-me senhores, serei obrigado a contar aquilo que vocês sussurraram em meu ouvido assim que se encerrou o Gre-Nal na tarde deste domingo. E faço está inconfidência pois imagino que muitos torcedores gremistas estejam tristes com o placar desfavorável na primeira partida da final do Gaúcho, principalmente por saberem que terão duas semanas de espera até o jogo da volta – bem verdade que neste tempo todo teremos coisas bem mais importantes a fazer, como confirmarmos a classificação à próxima fase da Libertadores nos dois jogos que faltam nesta fase de grupos. Sobre isso, porém, falaremos na quarta-feira à noite. Como sei que muitos de vocês estarão cabisbaixos na segunda-feira, quebrarei meu pacto com os deuses de futebol. Eles me garantiram que o resultado ruim de hoje tinha a única intenção de convencer os dirigentes adversários a abrirem seu estádio, que será reinaugurado semana que vem, para o Gre-Nal final, coisa que não aconteceria se a conquista do título regional estivesse ameaçada. Diante da vantagem do gol qualificado e a possibilidade de perderem o título apenas se o Grêmio fizer dois gols de diferença, levarão o jogo para o Beira Rio, vão se preparar para a festa, colocarão o champanhe na geladeira, se vestirão de arrogância e, com o cenário pronto para a tragédia final, a Imortalidade Tricolor ressurgirá mais uma vez.

 

Só uma coisinha a mais da minha conversa com eles: um dos deuses que conheço, metido a dar palpites técnicos e táticos, me disse também que para a palavra deles se concretizar não podemos repetir o segundo tempo dessa tarde, pois o futebol não perdoa apáticos nem prepotentes da mesma forma, aliás, que eu não perdoo os idiotas racistas que seguem a manchar as arquibancadas. Que tirem a camisa tricolor ao tomar essas atitudes, pois nós não os queremos. E vocês não nos merecem.