Avalanche Tricolor: pelo direito de ser aquele garoto mais uma vez

 

Grêmio 2 x 1 Brasil-Pelotas
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Havia um menino, desses que entram em campo de mãos dadas com os jogadores, que me chamou atenção no momento em que o Grêmio ainda cumprimentava sua torcida. Estava com a camisa tricolor, calções pretos, meias brancas, vestido de jogador. O cabelo tinha o mesmo corte (estranho) usado por Pará, e ficou ao lado dele boa parte do tempo, o que me faz crer que o lateral gremista seja um dos seus ídolos, assim como também é um dos meus. Não foi o estilo da cabeleira, porém, que fez o garotinho se destacar em meio a tantos mascotes que acompanharam o time na saudação inicial. Com o menino havia um sorriso sincero e emocionado, que brilhou ainda mais quando, com os braços erguidos, imitou o gesto dos jogadores. O olhar voltado para a arquibancada era de uma alegria contagiante. Deveria estar ali imaginando que todos os gritos e aplausos com que os torcedores recepcionaram o time fossem para ele. Deve ter por alguns segundos sonhado que assim que o árbitro soasse o apito, ele é quem estaria correndo atrás da bola, driblando os adversários, chutando a gol, livrando seu time dos perigos com cabeceios lá no alto e carrinhos rente à grama. Sei lá o que estava pensando aquele menino, mas me fez relembrar as vezes em que meu pai me ofereceu a oportunidade de ter as mesmas sensações ao entrar em campo de mãos dadas com Loivo, Anchieta e tantos outros craques que admirei.

 

De volta à arquibancada, o garotinho de cabelo estranho e rosto tomado pela alegria deve ter comemorado com seus pais ao ver Dudu, jogador com tamanho e apelido de menino, furar o mais complicado bloqueio defensivo que já enfrentamos nesta temporada e dar início a vitória que nos levou à final do Campeonato Gaúcho. Saltitou sem conter a emoção quando percebeu que o talento de Luan, outro dos nossos meninos, que já havia sido decisivo no primeiro gol, seria capaz de superar a mais violenta marcação que encarou na sua carreira com a camisa tricolor e, sem tituberar, roubar a bola, driblar dois zagueiros, o goleiro e fazer o gol que sacramentou nossa conquista. Aquele menino, o da torcida, com certeza sofreu nos minutos finais diante da possibilidade de um revés, fechou os olhos nas bolas alçadas para nossa área e vibrou com as bolas despachadas lá de dentro. E voltou a sorrir, se emocionar, quem sabe chorar, quando o jogo se encerrou e todos seus desejos (ou quase) se concretizaram nesta noite de futebol.

 

Eu, assim como ele, também me emocionei, vibrei, sofri e sonhei. Sonhei em ter o direito de ser aquele garotinho ao menos mais uma vez.

Avalanche Tricolor: três gols de Barcos e a vitória de um grande time

 

Grêmio 3 x 0 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

O primeiro veio por cima após excelente cruzamento de Pará; o segundo da marca do pênalti, resultado de belo passe de calcanhar de Dudu para Wendell; e o terceiro exigiu talento para driblar o goleiro, depois de mais uma jogada de Dudu, desta vez em parceria com Luan. Barcos fez os três gols desta classificação às semifinais do Campeonato Gaúcho, e merece todo nosso aplauso e admiração, mas sabe que o mérito é da equipe. A vitória desta tarde de domingo, em Porto Alegre, foi de um elenco que tem sido capaz de superar a maratona de partidas, o cansaço e as lesões. Um time que tem muito talento com a bola no pé, troca passe com precisão, se movimenta com rapidez, varia as jogadas, tenta por um lado e pelo outro, até encontrar espaço na defesa adversária. Da mesma forma, marca com firmeza, desarma com força quando necessário, despacha a bola pela lateral se preciso e não dá chance para o adversário pelo alto. Hoje, até ter a partida decidida, Marcelo Grohe praticamente não foi exigido. E quando o foi, mostrou porque temos tanta confiança nele.

 

Estar nas semifinais do Campeonato Gaúcho não passa de obrigação, sem dúvida. Qualquer coisa que não seja o título estadual, significará muito pouco à torcida. Temos, contudo, que admitir que tem sido cada vez mais agradável ver o Grêmio jogando com talento e firmeza, reflexo da forma como o time está montado e comandado por Enderson Moreira. Os gritos do treinador ao lado do campo mesmo quando a goleada era certa, deixa evidente a seriedade e responsabilidade com que encara cada desafio. Para quem busca nesta temporada os títulos que almejamos não se pode mesmo baixar a guarda. Enderson tem nos oferecido esse entusiasmo e permitido o desfile de ótimos jogadores que muitas vezes entram no decorrer da partida para nos dar a certeza de que se for preciso reforço, não nos faltará.

Avalanche Tricolor: durma-se com um time desses

 

Newell’s Old Boys 1 x 1 Grêmio
Libertadores – Marcelo Bielsa (ARG)

 

 

Meu desafio pessoal de me manter acordado até o início da madrugada para levantar logo em seguida e trabalhar, você, caro e raro leitor deste Blog, já conhece bem. É uma escolha que faço em nome de paixão que tenho. Convenhamos, sofrimento encarado com prazer. Tem gente em casa que torce o nariz, me olha com cara feia, pois não entende como sou capaz de me sacrificar “apenas” por um jogo de futebol.

 

É preciso entender que não estamos falando de futebol. Falamos do Grêmio. De um Grêmio Gigante que nunca se entrega. Imortal como prova sua história. Que tem jogado com talento, força e coragem. Time que não se amedronta diante das dificuldades nem se abate com a injustiça de um revés. Que tem um técnico que já incorporou a alma tricolor e mostrou isto claramente ao sacar um lateral para escalar um atacante. Que não teme perder, pois está consciente da sua capacidade de vencer. Que acredita até o último minuto, até o último cruzamento, até o último cabeceio, até o último jogador, até o último suor. Até Barcos deixar a área para cruzar na cabeça de Rhodolfo, zagueiro que deixou a sua área para se aventurar na do adversário.

 


Um Grêmio que acredita até o último sonho, que é o de conquistar a Libertadores.

 

Bons sonhos, boa noite!

Avalanche Tricolor: é de pequeno que se aprende

 

Grêmio 3 x 0 Pelotas
Gaúcho – Estádio do Vale (Novo Hamburgo)

 

 

Muitos anos depois, voltei a praticar golfe, nesse sábado. Sinceridade? Praticar não é a palavra certa. Fui lá no campo tentar acertar na bolinha com o mínimo de jeito. Foi sofrível. Algumas tacadas sem destino nem classe deixaram evidente a necessidade de treinar muito antes de me arriscar à frente de amigos e conhecidos. Um deles tentou me convencer que o fato de ter me iniciado no esporte mais tarde (mais velho, quis dizer) torna a tarefa complexa, principalmente por não me dedicar como deveria nem buscar orientação de um professor para corrigir vícios: não se preocupe, dá pra aprender ainda, me incentivou. Tenho certeza que a garotada de casa, que começou bem mais cedo a jogar golfe, mesmo sem treinar com frequência, se voltar aos tacos não encontrará dificuldade. Os jovens conseguem se adaptar muito mais rapidamente e não esquecem os gestos aprendidos quando criança. Por isso se costuma dizer que nunca se esquece como andar de bicicleta. Se aprende quando pequeno. Ao crescerem, somam ao hábito à experiência e alcançam bons resultados.

 

Vamos deixar o golfe e a bicicleta para outra oportunidade, mesmo porque o espaço aqui se dedica a falar de futebol, especialmente o do Grêmio, time que, por sinal, teve como grande mérito, na tarde deste domingo, a juventude. Decidido a descansar os titulares para a difícil tarefa do meio de semana, quando enfrentaremos o Newell’s Old Boys, na Argentina, pela Libertadores, Enderson Moreira escalou time bastante jovem com média de idade de 21 anos – segundo os cálculos do matemático Osvaldo … nada disso, segundo a minha calculadora mesmo. O adversário já rebaixado, mesmo sendo tradicional e retrancado, só foi capaz de segurar a meninada no primeiro tempo quando o esforço gremista era desperdiçado em bolas alçadas para dentro da área – muitas sem destino definido, parecendo minhas tacadas no dia anterior – para tentar encobrir o ferrolho que o técnico visitante montou. No segundo tempo, porém, colocou-se ordem na casa e os meninos brilharam, em especial Jean Deretti, 20 anos, que entrou e marcou dois gols, decidindo a classificação em primeiro lugar no grupo, o que nos permitirá decidir em casa a vaga à semifinal do Campeonato Gaúcho. No primeiro, aproveitou jogada iniciada por Everaldo, 22 anos, e no segundo de Yuri Mamute, 18 anos. Coube a um garoto mais novo ainda concluir a goleada: Everton, de apenas 17 anos, que chutou a gol depois de novas participações de Everaldo e Mamute.

 

Apesar de o jogo ter dado a aparência de treino, foi muito bom saber quantos jovens estão prontos (ou quase) para representar o Grêmio. Alguns dos que estiveram em campo com o time devem, inclusive, se juntar a delegação que vai para a Argentina e, se não saírem como titulares, podem entrar no segundo tempo. Dudu, 22 anos, Alan Ruiz, 20 anos, além do próprio Jean Deretti são exemplos de jogadores novos que têm condições de desequilibrar a partida e ajudarem o Grêmio a voltar com a liderança do Grupo da Morte, na Libertadores.

 

Seria ótimo que estes meninos aprendessem desde pequeno a serem campeões pelo Grêmio.

 

Foto: Bruno Alencastro/Agência RBS

Avalanche Tricolor: líder, invicto e muito com o que se orgulhar

 

Grêmio 0 x 0 Newell’s Old Boys
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

A partida recém havia se iniciado e os meninos aqui em casa começavam a arrumar o material e a roupa para a aula de amanhã cedo. Melhor deixar tudo pronto agora à noite em vez de ter de procurar as coisas em meio ao sono e correria da manhã. Eles iriam dormir com certeza antes de saber o placar final, pois têm mais responsabilidade que o pai, que apesar de acordar ainda de madrugada para trabalhar é incapaz de ir para cama antes do último apito do árbitro. O adversário era difícil e a disputa equilibrada, sem direito a falhar. Impossível prever o resultado. Isto não intimidou o mais velho na escolha do “uniforme” escolar. Separou a camisa azul com a frase “Grêmio Manda” no peito, que será vestida na sexta-feira independentemente do que acontecesse na noite desta quinta-feira. Senti uma ponta de orgulho na escolha feita por ele, pois apesar de ter nascido aqui em São Paulo demonstra ter incorporado o espírito Imortal. É isso que sempre se espera de um gremista, que acredite no seu time e nas suas cores, aconteça o que acontecer.

 

Amanhã quando chegar na escola, o mais velho saberá pelo mais novo – que resistiu até o fim ao meu lado – que o Grêmio empatou a partida e fez um belo segundo tempo depois ter se apresentado de forma indiferente no primeiro. Meu ídolo particular, Pará, teve até chance de se consagrar ao explodir a bola no travessão no momento em que o Grêmio, claramente, dominava o adversário. Dudu levantou a torcida e levou o time junto tornando cada jogada de ataque um lance de perigo. Alan Ruiz também entrou bem e ajudou na mudança de comportamento da equipe. Maxi Rodriguez – o nosso -, como sempre, se esforçou muito. E Barcos esteve próximo de marcar seu primeiro gol nesta Libertadores.

 

Terminamos o primeiro turno líder da chave considerada mais complicada da competição e com três pontos de vantagem em relação ao segundo colocado. Teremos dois jogos fora de casa na sequência, o primeiro deles contra este mesmo adversário. E encerraremos a fase de grupos diante de nossa torcida novamente. Ou seja, a classificação está encaminhada, mesmo ainda tendo muita estrada pela frente.

 

Posso dormir tranquilo e orgulhoso. Do meu time, e dos meus meninos.

Avalanche Tricolor: torcendo contra o racismo

 

Grêmio 3 x 1 Passo Fundo
(São Luiz 2 x 2 Grêmio)
Campeonato Gaúcho

 

 

Escrevo antes mesmo de a partida deste domingo ter se iniciado, pois, convenhamos, se é para falar de jogo jogado, o que nos interessa, nesta maratona que encaramos, é a quinta-feira, dia 13 de março, quando teremos o New’s Old Boys como adversário, na Arena Grêmio. Independentemente dos resultados desses últimos jogos, inclusive o de sexta-feira, sobre o qual sequer dediquei uma Avalanche – apesar de todo o meu respeito aos jogadores que estiveram em campo – , temos é que repetir o desempenho que entusiasmou o torcedor, na próxima rodada da Libertadores. O Campeonato Gaúcho, por enquanto, está bem resolvido com nossa presença garantida na fase eliminatória. Antecipo-me na escrita mesmo porque o assunto ao qual quero me dedicar pouco tem a ver com a bola rolando e muito mais com que nós somos ou queremos ser.

 

Hoje cedo, na missa dominical, na paróquia da Imaculada Conceição, próxima de casa, encontrei o Pe. Jose Bertoloni, meu conterrâneo e torcedor do Grêmio. E posso lhe garantir que frequentar as missas de um padre gaúcho e gremista, aqui em São Paulo, não passa de coincidência (eu juro que é uma coincidência). Ele acabara de celebrar a cerimônia e, como sempre fazemos, trocamos algumas rápidas palavras de despedida. Ao contrário das vezes anteriores, porém, o recado do Pe Bertoloni não tinha o tom otimista que sempre emprega quando se refere ao nosso Grêmio. Ele me chamou atenção para a tristeza que sentia desde que soube, pela rádio CBN, do incidente racista que havia ocorrido em Bento Gonçalves, cidade em que nasceu e onde alguns dos seus parentes ainda moram. Imagino que você tenha ouvido falar dos insultos proferidos contra o árbitro Márcio Chagas da Silva por torcedores do Esportivo, durante partida contra o Veranópolis, no estádio Montanha dos Vinhedos, pelo Campeonato Gaúcho, quarta-feira à noite. Além de chamá-lo de macaco, alguns estúpidos sujaram com bananas o carro do árbitro que estava estacionado do lado de fora do estádio. O acontecimento se deu um dia antes de torcedores do Mogi Mirim usarem as mesmas palavras ofensivas contra Arouca, do Santos, no interior paulista.

 

É bem provável que os dois casos que mancharam a semana futebolística avancem pouco, quando muito serão publicados alguns artigos reprovando a atitude dessas pessoas, proferidas palavras de apoio às vítimas e, na melhor das hipóteses, alguma punição sem consequência será anunciada. Sem precisar muito esforço, vamos nos lembrar do que aconteceu com Tinga, do Atlético Mineiro, alvo de ofensas racistas, em partida contra o Real Garcilaso, no Peru, pela Libertadores. Faz pouco mais de um mês e até agora os torcedores e o clube não sofreram nenhuma sanção. Independentemente do que vier ocorrer, porém, é fundamental que esses casos nos ajudem a refletir sobre estes atos inaceitáveis. É preciso entender que isto não é parte apenas do futebol, pois não se leva para a arquibancada comportamento diferente daquele que cultivamos no nosso cotidiano. Acreditar que existe uma conduta no estádio e outra na rua é querer esconder um desvio grave da nossa sociedade que pode ser percebido no mercado de trabalho e na sala de aula, apenas para ficar com dois exemplos mais conhecidos.

 

Como o futebol, porém, é um componente importante na formação do caráter da sociedade brasileira, e não apenas consequência deste, se poderia usar o esporte para corrigir este comportamento, assim como Nelson Mandela fez com o rugby para reduzir diferenças profundas que persistiam na África do Sul pós-apartheid. Nos discursos oficiais, há uma tentativa de transformar a Copa do Mundo no Brasil em um grito contra o racismo, mas será preciso muito mais do que isso. Os clubes poderiam começar a educar seus torcedores sobre o papel primordial dos negros na nossa história. Lá mesmo em Bento Gonçalves, cenário de cenas racistas na quarta-feira, no início do século passado, surgia o primeiro clube genuinamente negro a excursionar pelo interior gaúcho, batizado, aliás, com o nome da cidade. Como gremista me orgulho de saber que a estrela dourada que faz parte de nossa bandeira oficial é homenagem ao lateral Everaldo, tricampeão mundial pelo Brasil, assim como o hino que cantamos foi escrito por Lupicínio Rodrigues – dois ícones negros em suas artes.

 

A tristeza do Pe. Bertoloni deve ser compartilhada por todos nós que acreditamos na igualdade e no respeito ao próximo, mas tem de ser seguida por atitudes afirmativas. É preciso estarmos convencidos da ideia de que, sim, somos brancos, somos pretos, e, no caso dos gremistas, também somos azuis.

Avalanche Tricolor: torcedor está entusiasmado com o time

 

Cruzeiro 0 x 0 Grêmio
Gaúcho – Vieirão/Gravataí

 

 

O cartaz na mão da torcedora pedindo Barcos na seleção só percebi ao conferir as fotos publicadas no site oficial do Grêmio, nesta manhã. Deve ter aparecido durante a transmissão da TV, mas, confesso, não me chamou atenção, talvez porque estivesse mais preocupado em entender porque desperdiçamos tantos gols em uma só partida. De qualquer forma, a reivindicação da moça, que soa irônica diante do fato de o nosso atacante ser argentino e, claro, não ter a menor possibilidade de ser chamado pelo Felipão, demonstra o entusiasmo da torcida com o time neste início de temporada. Muitos amigos gremistas, por exemplo, não se cansam de me telefonar ou escrever por e-mail (ainda não inventamos o verbo emeiar, certo?) para elogiar Luan, que a cada partida revela-se melhor. Há os que preferem destacar o trabalho de Enderson Moreira, técnico que chegou sem tanta banca nem fama e tem imposto sua marca na forma de o time jogar.

 

A satisfação do torcedor faz sentido, pois apesar de sairmos de campo com um empate e sem marcar gols, ontem à noite, foi evidente o bom futebol demonstrado mais uma vez. Pode-se até lamentar os gols perdidos, mas é inegável que um time que finaliza 22 vezes e tem 17 oportunidades de marcar está produzindo bastante. Sem contar que no caso de ontem, o ponto conquistado foi suficiente para selar a passagem às quartas de final do Campeonato Gaúcho no momento em que estamos iniciando mais uma desrespeitosa maratona. Sim, desrespeitosa, pois um time que conquista o direito de representar o Brasil na Copa Libertadores não poderia ser punido pelo calendário como o Grêmio será, pois disputará seis jogos em apenas 15 dias. Para se ter ideia, amanhã, 48 horas após a partida com o Cruzeiro, em Gravataí, enfrenta o São Luis em Ijuí, e, no domingo, tem o Passo Fundo na Arena, antes do compromisso mais importante contra o Newell’s Old Boys, da Argentina, na quarta-feira, pela Libertadores.

 

Se por um lado nossos jogadores serão expostos a esse sacrifício, nós torcedores não temos o que reclamar: não faltarão partidas para vibrarmos com as boas jogadas do tricolor e, de preferência, com os gols que serão marcados.

Avalanche Tricolor: foi uma várzea só!

 

São Paulo 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Aldo Dapuzo (Rio Grande)

 

 

A mais de 300 quilômetros da capital, Porto Alegre, e bem ao extremo do Estado, Rio Grande é cidade com vida própria, personalidade conquistada talvez pela posição geográfica e pela força econômica proveniente do porto. Foi, aliás, a primeira capital do Rio Grande do Sul. Lembro das viagens até Rio Grande na época em que jogava basquete pelo Grêmio, que só não eram mais desgastantes do que enfrentar o Ipiranga, time que levava o nome da petrolífera instalada na cidade e de relevância no esporte gaúcho. É de lá, também, o mais antigo clube de futebol em atividade no Brasil, o Sport Clube Rio Grande, fundado em 1900, vinte três dias antes da Ponte Preta, de Campinas. Apesar do feito histórico, o Rio Grande disputa, atualmente, a segunda divisão do Campeonato Gaúcho e o time de destaque na cidade é o São Paulo, assim batizado para homenagear o estado de origem de um de seus fundadores. Foi campeão gaúcho em 1933, coincidentemente vencendo o Grêmio por 2 a 1, mesmo placar da partida disputada no sábado de Carnaval. Pela qualidade do estádio e do campo, imagino que ambos sejam patrimônio daquele época também, pois há muito tempo não assistia a um jogo disputado em local tão impróprio e capaz de colocar em risco a integridade de atletas profissionais.

 

As arquibancadas acanhadas e abertas para oito mil torcedores não chegam a ser um escândalo, pois devem estar a altura do público que costuma assistir às partidas dos dois principais clubes da cidade. No sábado, foram pequenas para tanta gente, especialmente os gremistas que moram na cidade e queriam ver o clube pela primeira vez em 20 anos. Não conseguiram ver muita coisa, além de estar próximo de seus ídolos, já que o alambrado fica encostado na linha lateral, e, se agiram como eu diante da televisão, torceram tanto por uma vitória quanto para que nenhum dos nossos atletas deixasse o campo machucado. O gramado, não bastasse estar enxarcado pela chuva, tem uma quantidade inimaginável de buracos que impedem a troca de passe e surpreendem os goleiros a cada chute a gol. Há um trecho da intermediária em que a grama simplesmente morreu e levou junto a qualidade técnica do futebol jogado, o que talvez explique a dificuldade que o São Paulo está tendo para escapar da zona de rebaixamento. Verdade que ambas as equipes perdem diante deste palco, mas não há como pedir aos jogadores do Grêmio, que tem pretensões que vão muito além do Campeonato Gaúcho, que se exponham a riscos. Aliás, era de se rever a escalação da equipe neste sábado, pois atletas importantes para a campanha da Libertadores estiveram em perigo.

 

Dizer que o jogo foi disputado na várzea não é exagero. Campos de futebol na periferia de São Paulo, e creio que em Porto Alegre, também, têm gramado em melhores condições do que aquele. Sem contar a presença de um árbitro que parecia estar deslumbrado com o fato de apitar jogo do Grêmio e ter entrado em campo com a pretensão de aparecer em cima do time grande da capital. Era agressivo nas marcações de falta, cobrava de forma exagerada bom comportamento dos jogadores e inventou um pênalti que deu a vitória para o São Paulo. Para a várzea ficar completa, o Canal Premier FC, a quem pago para ver às partidas do Grêmio, passou a transmitir o jogo do Atlético Paranaense quando ainda faltavam os três minutos de acréscimo. A imagem só voltou à Rio Grande no lance final de partida.

 

Uma várzea só!

Avalanche Tricolor: Dá-lhe, Luan! Dá-lhe, Grêmio!

 

Grêmio 3 x 0 Nacional COL
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

Escrever não consigo, mas compartilhar com você minha alegria, é tudo que eu quero nesta noite. Quando estiver em condições, volto e deixo minhas impressões. Se é que você não sabe no que estou sonhando agora. Por enquanto, fica o nosso grito: DÁ-LHE, GRÊMIO!

 

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(Publicado quarta-feira, 10h39)

 

Depois de dormir extasiado com o futebol jogado ontem à noite, como se percebe no parágrafo publicado logo após a partida, já quase à meia-noite, nesta quarta-feira acordei feliz, sem dúvida, mas com uma ponta de preocupação. A caminho da CBN, ouvi o comentário do Juca Kfouri, no Momento do Esporte, no qual meu colega jornalista  fazia rasgados elogios a Luan. Lembrou de conversa que teve, recentemente, com o presidente Fábio Koff, que comparou Luan com Ronaldinho Gaúcho. Juca está entusiasmado com nosso atacante (preferem chamá-lo de meio-atacante, mas, convenhamos, ele é atacante por inteiro), assim como estamos todos nós que o assistimos vestindo a camisa do Grêmio no início desta temporada já no Campeonato Gaúcho. Agora há pouco, antes de começar a escrever este texto, também vi pela internet que o comentarista Wianey Carlet traça paralelo entre Luan e Garrincha devido a tranquilidade com que nosso jogador encara qualquer desafio. É capaz de disputar jogo pelo time principal da mesma forma que se estivesse na equipe de base; entra em campo para enfrentar adversários do interior gaúcho ou da Libertadores mantendo o mesmo comportamento atrevido e elegante de jogar. Ontem à noite, aliás,  durante a transmissão do jogo pela Fox, um dos repórteres já havia informado que os torcedores apelidaram o menino de Luanel Messi, uma brincadeira com o nome dele e do craque argentino. Entendo tudo isso.

 

Com tantas críticas favoráveis, onde mora o perigo? Por que acordar com a tal ponta de preocupação? É que apesar de Luan merecer todos os elogios feitos até agora, prefiro que, por enquanto, ele seja visto apenas como Luan, um garoto de 20 anos que jogava futebol de salão, foi descoberto por um grande clube brasileiro, ganhou a posição de titular, a confiança do técnico e a admiração da torcida. Estamos cansados de ver protótipos de craques surgirem nos mais diferentes clubes do País, e no próprio Grêmio. A maioria se perde pelos caminhos tortuosos do futebol, vai parar em clubes do exterior sem expressão e tem seu nome e futebol esquecidos.Neste momento, o melhor que podemos fazer é deixar Luan jogar sua bola, fazer gols, colocar os companheiros em condições de marcar os seus, driblar os adversários, passar de calcanhar e com talento. Sem taxá-lo ou compará-lo, apenas respeitá-lo como ele.

 

Dito isso, peço permissão para minha tietagem: que baita jogador este Luan! E dá-lhe, Grêmio!

Avalanche Tricolor: Barcos, Luan, Dudu e o backup garantido

 

Grêmio 3 x 0 Novo Hamburgo
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Cheguei em casa minutos antes de a partida se iniciar no início desta noite de sábado. Ainda tive tempo de ver a escalação do time na tela da televisão e perceber que estávamos com uma bela equipe em campo, mesmo que o anúncio oficial fosse de que não jogaríamos com os titulares. Quase me atrasei porque tive de correr até o shopping mais próximo para comprar um substituto para o meu Airport Time Capsule, equipamento da Apple de dupla função: roteador de internet e backup automático. O anterior havia pifado após uma série de cortes de energia elétrica no bairro em que moro, em São Paulo. Por aqui é comum a luz cair quando chove e, apesar de raros neste verão, os rápidos temporais foram suficientes para causar problemas na rede elétrica que com sua fiação aérea está exposta às intempéries como chuva e fortes ventos. Não é o primeiro equipamento eletrônico que perco nesta brincadeira sem graça, recentemente tive de trocar o Sling Box, aquela caixinha mágica que me permite assistir aos jogos do Grêmio mesmo quando estou longe do Brasil. A corrida para comprar o equipamento de backup da Apple, neste sábado, se justifica, pois jamais devemos arriscar o conteúdo que desenvolvemos ao longo do tempo e armazenamos em nossos computadores. São fotos, textos, áudios, vídeos e apresentações de uso pessoal e profissional de valor inestimável. Costumo tratar este tema do armazenamento de dados tendo como inspiração uma máxima do futebol: quem tem dois, tem um; quem tem um, não tem nenhum.

 

Foi ao ver o Grêmio em campo mais uma vez com ótimo desempenho, mesmo tendo parte de seus jogadores principais descansando para a disputa mais importante que será terça-feira à noite, pela Libertadores, que lembrei do providencial ditado. Afinal, o talento de alguns de nossos “reservas” mostra que, ao contrário de todas as previsões, estamos construindo um elenco mais completo do que na temporada passada. Verdade que o maior destaque de hoje foi um titular absoluto: Barcos. O atacante fez gol de pênalti, deu passe para gol e recebeu passe para fazer gol. Ou seja, voltou a executar seu papel: marcar muitos gols, no caso um por partida e já assumiu a artilharia do Campeonato Gaúcho. Ao seu lado, Luan novamente apareceu bem e fez das jogadas mais bonitas da noite ao dar assistência para o terceiro gol. Dudu foi outro que deu gosto de ver jogar, seja pela velocidade que o levou a iniciar e concluir a jogada do segundo gol, seja pelo desejo de chutar a gol ou seja pelo toque refinado que coloca seus colegas em condições de gol. Para se ter ideia de como esta definição de quem tem capacidade ou não de sair jogando como titular é complexa, entraram no segundo tempo Max Rodrigues e Jean Dereti. Alguém colocaria em dúvida a qualidade deles?

 

Sei que não devemos nos iludir com vitórias no Campeonato Gaúcho, os adversários não estão com esta bola toda, mas convenhamos que tem sido um prazer assistir aos jogos do Grêmio. Contra esses adversários, em temporadas anteriores, não pudemos dizer o mesmo. Além da satisfação do jogo bem jogado, hoje à noite tivemos uma prova de que o elenco tem ótimas peças de reposição. O nosso backup está garantido (o meu e o do Grêmio).