Marginal sem sinal

 

Por Carlos Magno Gibrail

Protesto ambiental na Marginal

Marginal sem sinal de sinalização, de racionalização, de precaução e, até mesmo de elegância por parte de Serra, ao inaugurar o investimento de 6,9 bilhões de reais no complexo Marginal e Rodoanel na capital paulista.

“A crítica é um fenômeno brasileiro e quem reclama é espírito de porco” disse Serra, minimizando os comentários que apontavam a condição de inacabada da obra inaugurada, e sem sinalização e iluminação condizente.

Para Kassab: “A obra, podendo ser liberada para a circulação de veículos, não vejo nenhum sentido de isso não ser feito”

A verdade é que passado quase um mês da abertura das novas vias observamos um desempenho ainda embrionário. Dados da CET apontam redução de 44% na lentidão, de acordo com matéria do jornalista Renato Machado no Estado de segunda feira, embora outras fontes alertam pela prematuridade das medições. Fatores pró e contra ainda se manifestarão. A precariedade das condições atuais, a demanda reprimida ainda não totalmente apresentada, a familiaridade com a possibilidade de novos trajetos, advirão plenamente em breve.

A imprensa, unissonamente, cumpriu o seu papel e abriu espaço no momento da inauguração e alertou para o perigo de obra inacabada. Acidentes, desvios de rotas, aborrecimentos e, principalmente, desrespeito com a população que afinal de contas pagará a conta.

A Dersa, empresa responsável pelas obras, não soube explicar até agora o motivo de tamanha falha. Anuncia que as faixas, chamadas de sinalização horizontal serão efetivadas até maio. A vertical, a sinalização aérea, ficará pronta apenas em agosto.

Diante de tal quadro, esquadrinhado pelos jornais, internet e TV com reportagens mostrando motoristas em marcha a ré em vias intensas de tráfego ou parados sem destino em meio a vias cercadas por muros sem sinalização, fui verificar como realmente estava a situação da Marginal Tietê. Experiência que convido a todos que estiverem dispostos a uma verdadeira aventura, a fazer.

Já informado pelo risco, aproveitei a necessidade de viajar para Cuiabá na quinta-feira e decidi dispensar táxi e motorista da empresa e dirigir até Cumbica para experimentar talvez um pouco da saga dos Bandeirantes.

A cara e a situação de obra inacabada são tantas, que a presença permanente de equipamentos de construção e de entulhos é tão grande quanto a ausência total de placas de sinalização. Quando existem, são para indicar, por exemplo, que deve–se ficar na faixa 2 e 3 para a rodovia Ayrton Senna, mas não há marcação de faixa.
Chegando ao aeroporto, mais como Indiana Jones do que como Bandeirante, pois o perigo percorrido não foi pouco, identifico outra situação abusiva. Enquanto o estacionamento sairá menos do que 30 reais, o táxi ida e volta custaria 280 reais. O que explica a lotação quase plena do estacionamento, mas não dá para entender o estímulo para o uso do carro particular e mais uma desconsideração com o consumidor cidadão.

Se não fosse o atual estágio letárgico da população paulistana, quer pela Síndrome de Estocolmo que a coloca ao lado do congestionamento, quer pelo egoísmo e apego ao carro próprio, poderia apostar na vingança através do voto. Poderia, mas não faria e não faço. O futuro está imprevisível, mas por pouco tempo. Com a necessidade de 125 avenidas paulistas/ano para zerar a entrada de 500 carros/dia, São Paulo irá parar em breve. Aí não precisaremos nem de obras inacabadas, nem de sinalizações.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung.


O autor da foto é André Pasqualini e faz parte do ábum digital do CBNSP

Copa & Aeroportos

 

Por Carlos Magno Gibrail

Aeroporto de Congonhas por Luis F Gallo

A FIFA, fazendo jus às mais errôneas tipologias de gestão, que a caracteriza, ignora também a Lei de Pareto. Ou, mais grave ainda, aplica-a da forma não indicada. Cuida dos 20% que poderão no máximo solucionar 80% das questões não cruciais à execução da Copa 14 no Brasil. Ao invés de tratar dos 20% que resolveriam 80% das operações mais significativas para um evento bem organizado: Infra-estrutura e estádios inexistentes.

Enquanto foca atenção no estádio do Morumbi, que é dentre os indicados o que menos deveria preocupá-la, pois já existe e o investimento a ser feito será privado, ignora a capacidade urbana das cidades, sem a qual os consumidores nem chegarão para assistir ao espetáculo.

Cabe então à imprensa o alerta, que já começou. A revista Veja de 4 de abril elencou vários tópicos à Infraero com críticas severas , ao que a Infraero contrapôs, alegando ainda que tinha encaminhado dados solicitados pela revista , e que não foram considerados na análise.

Para Veja: Guarulhos, Brasília, Salvador estão com pátios saturados – as companhias aéreas estão anunciando bilhões em investimentos sem contrapartida da Infraero – o que está ruim vai piorar – há corrupção na Infraero – o número de passageiros está dobrando nos principais aeroportos – nos horários de pico é o caos – em Seul com 30 milhões de passageiros/ano há 120 guichês de atendimento da polícia, em Cumbica para 21 milhões de passageiros/ano há 21 guichês – nas salas de embarque a recomendação é ter 1m2 por pessoa, em Congonhas, Confins, Porto Alegre , Brasília e Fortaleza não é o que acontece.

Para a Infraero: Guarulhos, Brasília, Salvador estão com pátios saturados apenas nos picos e as companhias podiam estender os horários – a Infraero vai investir 7 bilhões até a Copa – não haverá caos se considerar os investimentos e a melhoria dos sistemas – a corrupção está sendo combatida – as ampliações atenderão a demanda – pela otimização sugerida pela IATA não há como ter capacidade para o pico e ficar com o aeroporto vazio fora dele – haverá aumento dos guichês da policia federal de 21 para 29 – as causas para as salas de embarque não apresentarem espaços mínimos de 1m2/pessoa deve-se normalmente a condições climáticas e atrasos de vôos, independentemente da atribuição da Infraero.

Acrescentemos a informação publicada na Folha de domingo que Cumbica no primeiro bimestre apresentou aumento de 50% comparativo a 2007. Chegamos a uma situação de risco, se mantida a tendência. Considerou-se o ponto de partida de 20,5milhões de passageiros/ano 2010 para estabelecer a capacidade instalada para 2014 de 30,5 milhões de passageiros para uma estimativa de 29,5 milhões de passageiros. Ora, se em 3 anos, com crise financeira mundial no meio, chegou-se a 50%, em 2014 o fluxo será maior.

Fica evidente que aspectos como os dos aeroportos, que envolvem Governo, Infraero e companhias aéreas que não se entendem, além de variáveis mercadológicas e econômicas, são complexos e merecedores de um acompanhamento amplo e permanente, administrativo e técnico.

Mais uma vez concluímos que o futebol, embora sendo o artigo esportivo mais popular do mundo, continua a demonstrar que as empresas que o oferecem não obedecem as melhores práticas de administração. Quer se trate de organização, de finanças, de operação ou de marketing.

Os sistemas sucessórios são ditatoriais com as piores maneiras de manutenção do poder. As tecnologias são rechaçadas com intenção de manter sob controle o incontrolável, ficando com o poder sob a arbitragem humana.

É por isso que a categoria futebol, mesmo sendo esporte líder mundial e as empresas que o representam tendo marcas de massa, consumidores fidelizados e apaixonados (sonho de qualquer executivo do mundo dos negócios), não tem nenhuma organização no ranking das maiores companhias do planeta.

Carlos Magno Gibrail, doutor em marketing de moda e escritor do Blog do Mílton Jung às quartas-feiras, está publicado hoje devido ao feriado de 21 de abril.

Canto da Cátia: Córrego, lixo e morte

 

Guarulhos - Corrego Baquirivu (Cátia Toffoletto)

O lixo é tamanho que o córrego Baquirivu parece entupido após a chuvarada desse domingo, na cidade de Guarulhos. Em outro córrego, na estrada do Bonsucesso, um homem morreu após o carro em que estava ter sido arrastado pela enxurrada à noite. A imagem do córrego e de outras ruas alagadas na segunda maior cidade do Estado de São Paulo foram feitas pela Cátia Toffoletto.

Câmara vai contratar pedreiro e presidente não sabia

O presidente da Câmara Municipal de Guarulhos, Alan Neto (PSC), tentou explicar o projeto de lei que prevê aumento de cargos de confiança e vagas para concursados, em entrevista ao CBN São Paulo. Alegou que a estrutura da casa é da década de 80 quando havia apenas 19 vereadores. Atualmente, são 33.

Logo que começou a entrevista, Alan Neto disse que na área de manutenção seria criada a vaga para eletricista, mas negou que haveria para pedreiro e encanador. Teve de voltar atrás quando foi exposto ao texto do projeto de lei que ele próprio assina no qual está explícita a contratação por concurso de funcionários para esta área com salário de R$ 1.400,00.

Ouça a entrevista com o presidente da Câmara Municipal de Guarulhos, Alan Neto (PSC)

Leia o projeto de lei que cria cargos na Câmara de Vereadores de Guarulhos

Leia mais sobre o projeto em Guarulhos aqui no Blog do Milton Jung

O projeto será votado – e aprovado – hoje, em Guarulhos.

Câmara de Guarulhos vota “trem da alegria”

adote.pngO nome oficial é Projeto de Lei Nº 233/09, mas ganhou um apelido: Trem da Alegria. É assim que moradores da cidade de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, chamam a proposta que será votada nesta terça-feira, na Câmara Municipal, com enormes chances de ser aprovada.

De acordo com o projeto, serão criados 94 cargos em comissão na administração. 66 ficarão pás os 33 vereadores e 28 sob responsabilidade do presidente da casa, vereador Alan Neto (PSC). Cada um dos líderes de partidos (são 19) terão direito a mais um assessor com representação na Câmara. O líder do Governo e da Oposição terão mais dois.

Calcula-se que sete cargos que serão criados para ajudar o presidente da Câmara Municipal de Guarulhos custarão R$ 22.656,25 todo mês. A mesa diretora custará, em salário, R$ 74.429,25 / mês.

Haverá na Câmara vaga para pedreiro, encanador e eletricista, todos efetivados, na contramão das políticas de gestão que tendem a terceirizar estas funções. Em compensação, os cargos de diretores que deveriam ser de provimento efetivo, serão comissionados.

Está na hora de alguém adotar os vereadores de Guarulhos e passar a controlar os gastos da Câmara Municipal de cidade onde, aparentemente, a crise econômica não passou.

Ambientalista critica lei da sacola plástica, em Guarulhos

Os sacos plásticos usados no comércio, em boa parte do País, tem sido alvo de críticas pelo forte impacto ambiental que provocam. O material levaria cerca de 100 anos para se degradar, e nos lixões e aterros sanitários dificultam a decomposição de produtos orgânicos e biodegradáveis, além de causarem acidentes ecológicos quando jogados nos rios.   

Um das opções para a substituição deste material é a utilização de sacos produzidos com componentes oxiobiodegradáveis que se decompõem com maior rapidez no meio ambiente. A cidade de Guarulhos, segundo maior do Estado de São Paulo, desde o início do ano tem lei que obriga o comércio a trocar os sacos plásticos comuns por sacos oxiobiodegradáveis.

A medida foi anunciada pelo prefeito Sebastião Almeida (PT), em entrevista ao CBN SP, como um avanço na questão ambiental. Ele explicou que os supermercados já estão se adaptando a lei, apesar de terem um prazo para realizar a substituição do material.

Ouça a entrevista do prefeito Sebastião Almeida, de Guarulhos, na qual fala sobre outras medidas na área do meio ambiente

Apesar de festejado pelo prefeito de Guarulhos, a troca do plástico comum pelo oxiobiodegradável é criticada por ambientalistas. O pesquisador do IPAM, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, e comentarista da CBN, Osvaldo Stella, diz que a mudança é paliativa, pois a única diferença é o ganho de alguns anos na decomposição do material. Ele sugere que o comércio passe a oferecer sacolas de pano ou de papel para acondicionar os produtos. Na entrevista, Stella também faz sugestões aos ouvintes-internautas que costumam usar estes sacos plásticos para embalar o lixo caseiro.

Ouça a entrevista de Osvaldo Stella, do IPAN, no CBN SP

Acesse outros post deste blog que trataram deste tema:

“Fabricantes reagem na batalha do saco plástico”

“Supermercados vendem sacolas retornáveis”

“Que saco !”


“Não esqueça de levar a sacola”