Conte Sua História de SP: as carroças da Visconde de Parnaíba

 

Por Darcy Gersosimo
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Durante oito anos de minha vida, de 1942 a 1950, moramos na Rua Visconde de Parnaíba, no Brás. Naquela época, São Paulo era tão diferente … A Visconde de Parnaíba era tida como muito movimentada devido ao tráfego de automóveis, caminhões, carroças puxadas a burros ou cavalos de padeiros, leiteiros, verdureiros, que trabalhavam nas empresas Matarazzo e Souza Cruz. Além da linha de ônibus Belém, número 24, cujo ponto era na Praça Clóvis Bevilaqua, defronte ao Palácio da Justiça.

 

Era uma alegria quando mamãe, por algum motivo nos levava para as avenidas Celso Garcia e Rangel Pestana, andando para ver as vitrines das lojas que estavam em toda sua extensão. Eram de calçados, tecidos, armarinhos, presentes, vestidos de noiva, chapéus para senhoras e senhores, flores de seda. Tinha a Pirani -a Gigante do Brás -, as Americanas … Passávamos pela Igreja de São João Batista, em cujo Largo havia um bebedouro para cavalos. Na esquina da Rua Bresser, no bar “O Garoto”, comíamos um pedaço de pizza feita na hora. Que delícia…

 

Nessas avenidas existiam cinemas famosos como o Universo, Roxi, Brás Politeama, Piratininga. Havia também a Escola Normal Padre Anchieta, com as normalistas vestidas de azul e branco, como cantava Nelson Gonçalves, e o Grupo Escolar Romão Puiggari, com seus alunos uniformizados. Os “studios” fotográficos registravam nosso desenvolvimento físico, anualmente. Tenho diversas fotos do “Foto Stúdio Progresso”, na rua de mesmo nome. Às vezes, chegávamos até o Largo da Concórdia, onde as quermesses eram realizadas com barracas de jogos de argolas e do coelhinho que entrava na casinha (ou não). Ali ficava o Teatro Colombo e bem próximo o tristemente famoso Cine Teatro Babilônia. Eu admirava um lindo palacete na Celso Garcia onde estava instalada a 8a. Delegacia de Polícia. Hoje, o imóvel está em completo abandono, que pena! Antes de ir para casa, fazíamos uma rápida visita à Tia Izabel que morava no número 900, da mesma avenida. Nesse imóvel, na frente da casa, meu tio montara uma loja de venda de discos e conserto de rádios (aqueles de válvulas). Ainda não existiam LPs, nem TVs.

 

Depois do cafezinho, voltávamos para casa.

 

Darcy Gersosimo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Mande seu texto para milton@cbn.com.br ou marque entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistória@museudapessoa.net. Ouça outras histórias de São Paulo aqui no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: os Paulos de Paulo e o ensino de São Paulo

 

No Conte Sua História de São Paulo trago, hoje, dois personagens:

 

 

Começo com Paulo Henrique que quer conhecer alguém mais paulistano do que ele. Filho de mineira e de baiano, dona Irias e seu Claudemiro, Paulo nasceu em São Paulo, no dia de São Paulo, e no Hospital São Paulo. Para dar sequência à história, torce para o São Paulo e já morou na Vila São Paulo. Como se tudo não bastasse, teve um filho no mesmo dia de São Paulo, que só não se chama Paulo porque aí a mãe já estava achando coincidências de mais.

 

Nosso outro personagem é Alci Cortezi que não nasceu em São Paulo, mas declara todo seu amor pela cidade que, pelo visto, foi à primeira vista, pois diz que começou, em 1971, quando chegou com toda a família: os pais e os irmãos,Alfredo, o mais velho, e Terezinha, a do meio. Veio da mineira Capiniópolis, onde trabalhava tirando leite de vaca e na lavoura. Os tios que já estavam por aqui, vendo as dificuldades na roça, mandaram carta convidando o pai dele para vir à São Paulo. Os irmãos ficaram na casa de uma família, na Capital. Enquanto o pai, a mãe e ele, o caçula, foram morar em São Roque. Alci chegou com apenas o quarto ano primário e assim que pode voltou à cidade grande, fez Madureza, curso técnico, faculdade, tem um escritório contábil, três filhos e está casado pela segunda vez.

 

Alci e Paulo Henrique são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Mande o texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista em áudio e vídieo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Outras histórias da nossa cidade, você ouve e lê aqui no meu blog, o Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: pequenos medos na grande cidade

 

No Conte Sua História de São Paulo, pequenas histórias de grandes lembranças dos nossos ouvintes-internautas:

 

 

A história de Rinaldo em São Paulo se iniciou em 1971, embarcando e desembarcando na rodoviária, ao lado da Estação da Luz. Ele conta que tinha muito medo, na época, não da cidade, mas da escada rolante. Aos 14 anos, começou sua vida profissional, no trigésimo-primeiro andar do Edifício Zarzur, no Vale do Anhangabau. E aí sim, lá do alto do Mirante do Vale, diante da vista maravilhosa da cidade, Rinaldo sentiu medo de enfrentar aquela selva. Os medos ficaram para trás, e, hoje, totalmente inserido, vê São Paulo, com sua imponência durante o dia e as luzes da noite, acolhendo e encantando a todos que chegam.

 

A segunda lembrança é de Maria Antonia Araújo. De Piracicaba, no interior, chegou há cerca de quatro anos e com ela trouxe o medo de dirigir na Capital. Com uma vizinha expôs a preocupação que sentia por ter de um dia guiar um automóvel pelas avenidas. “Não se preocupe – disse a conselheira – em São Paulo você vai andar tão devagar que não tem como ter problema”. Mesmo assim, Maria Antonia, ainda prefere o metrô.

 

Maria Antonia e Rinaldo são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade, mande seu texto para milton@cbn.com.br. Ou agende uma entrevista em aúdio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ouça e leia outras histórias de São Paulo aqui no Blog do Mílton Jung.

Conte Sua História de SP: guiando por uma São Paulo que foi embora

 

Por Rodrigo youssef
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Uma historia que lembro foi da época em que estava tirando carteira de motorista.
Era 1994. Meu instrutor tinha 85 anos. Enquanto rodávamos a cidade, ele me fascinava com seus relatos de como era São Paulo quando ainda era criança.

 

A Avenida José Maria Withaker, no bairro da Saúde, contava, era um riacho onde ele nadava com os primos. O cavalo do tio dele aparava o mato alto de onde hoje é a Avenida Paulista. A 23 de Maio tinha muita terra vermelha nas sua margens havia um riacho, também, e, consta, seu solo era muito bom pra plantar milho.

 

Cada pedaço de asfalto e construção era um invasor, uma tampa de bosques e ribeiros, que se encolheram sob a minha cidade.  Fiquei tão impressionado com aquelas histórias que lembro até hoje do senhor magro de pele escura, contando devagar sobre uma São Paulo que parecia surreal para mim.

 

Rodrigo Youssef é o personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Férias, meninas!

 


Por Sérgio Mendes

 

As meninas encontravam se todas as tardes estudando na biblioteca, naquele tempo pouco frequentada por meninas por que não muitas delas chegavam a cursar a faculdade. Menos ainda em escolas que não fossem só para elas. Se juntaram meio que empurradas pelo instinto de proteção. Só depois, passaram a cumprimentar-se no café, na cantina, no bandejão e finalmente começaram também a freqüentar as casas e as famílias de cada uma.
Elas não foram amigas na infância, não liam os mesmos livros nem gostavam dos mesmos gostos. Partiram da vontade comum de ascender profissionalmente no mundo que até ali pertenceu só aos homens. Daí é que o tempo encarregou-se de esculpir nas quatro, laços para a vida toda. Igualzinho ao que fazem o vento e a água, moldam as pedras devagar e sutilmente.

 

Amélia ( Melinha), Corry, Júlia e Aida (Ida), sonhavam com carreiras promissoras e queriam ser mulheres independentes. Vida como a de suas mães e avós passava nem pela conversa delas. Queriam carreiras e conquistas pessoais numa época em que as mulheres ainda eram talhadas para o casamento e a submissão a seus esposos. O espaço feminino fora de casa recém era aberto por outras como elas.

 

Apesar da liberdade, a conta dos estudos, aquela era realidade incomum para moças em idade de se casar e os limites estavam bem ali às vistas. Seus pais as controlavam com horários muito rígidos. O que nunca as impediu estripulias ou de sonhar com elas.

 

Foi justamente nesse tempo que uma vez apareceu a idéia de um passeio sozinhas. Quiseram uns dias sem dar conta do que faziam a nada e a ninguém. Era a urgência de serem livres, independentes. Tudo não passava de um fim de semana na praia, complicado por aqueles dias, mas não mais impossível como teria sido uma ou duas gerações de mulheres antes delas. A aquela pausa chamaram de férias.

 

De qualquer maneira o passeio nunca aconteceu. Não antes que os ventos de muitas mudanças permeassem quase tudo na vida das quatro.

 

E eles não demoraram a soprar, mudando junto com outros objetivos tão sólidos como a vontade que eles continham, e transformaram instantaneamente as urgências de ao menos uma delas.

 

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Conte Sua História de SP: passou por minha lente

 

Por Marcos Falcon

 

 

 
Ocupado que estou em criar o site e o portfólio da empresa onde hoje trabalho, acabei envolvendo-me ainda mais com a Cidade de São Paulo. Após várias seções de “brainstorming” concluímos que deveríamos associar a comunicação visual de nossa empresa, que acaba de completar 50 anos, à imagem da Cidade. Um de nossos colaboradores colocou em pauta que a arquitetura de uma cidade é um de seus maiores valores históricos e sugeriu que a evolução arquitetônica de São Paulo fosse a linha mestra da comunicação de nossas peças de divulgação mercadológica. A idéia foi aceita de imediato sem restrições e a partir desse momento saímos a escolher as imagem que ilustrariam  esses veículos.

 

Não tive dúvidas e passei a andar diariamente com minha máquina fotográfica, minha entre aspas, da minha esposa a tira colo e registrar tudo que julgava belo no Centro Velho. Quanta beleza e quanta história eu vi. Encontrei locais onde convivem prédios do século 19 de Ramos de Azevedo com prédios ainda contemporâneos das décadas de 70 e 80, e a arquitetura futurista.

 

Fotografei por vários ângulos a Faculdade de Direito do Largo São Francisco com seus lindos arcos e vitrais maravilhosos. Também estiveram no foco de minha lente a Escola Técnica Álvares Penteado, o prédio do Palácio da Justiça e o Tribunal de Justiça.

 

Vi a obra prima da estrutura em aço com o qual fora forjado o Viaduto Santa Efigênia ligando o presente a visão de futuro de nossa cidade. Pude contemplar ali da São João com o Vale a vista do magnífico Edifício Martinelli em contraste com o cartão postal do Prédio do Banespa “agora Santander” (o banco mudou de nome, porém o prédio será sempre do Banespa).

 

Vi a esquina da São Bento com a Patriarca, onde um edifício de mais de um século contrasta com o imponente prédio do Unibanco, ou será do Itaú, na esquina com a Rua Direita.

 

Vi a Catedral, cujas pedras meu avô paterno Manoel Vilanueva Falcon talhou nas pedreiras de Itaquera. Meus olhos brilhavam e minha lente registrava a beleza do Pátio do Colégio onde a história teve início.

 

Também vi muita gente no chão, cheirando a urina e vivendo como animais abandonados.

 

Eu vi São Paulo. 
 

 

Marcos Falcon é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net ou mande um texto para mim: milton@cbn.com.br.
 

Conte Sua História de SP: a cidade foi minha segunda mãe

 

Por Vilma Mendes
Ouvinte-internauta da CBN

 

Segunda mãe!

 

 

Eu era apenas uma menina de 6 anos quando cheguei a São Paulo vinda de Vitória De Santo Antão, em Pernambuco. Éramos minha mãe e eu fugindo da desilusão do abandono de um marido e pai, e em busca da sobrevivência. Foram três dias em um ônibus onde a lembrança que tenho é de enjoos constantes pela viagem e tristeza por ter deixado meus avós e tios em Pernambuco.

 

Não foi um começo fácil, mas foi graças a coragem de minha mãe que aos seis anos fui apresentada ao vaso sanitário, à escova de dentes, à água encanada, à luz elétrica e à televisão em preto & branco onde eu passava meus dias em êxtase assistindo a “Vila Sésamo”, “Shazan, Xerife & Cia” entre outros, enquanto minha mãe passava os dias trabalhando em casas de família.

 

Graças a dedicação dela, apesar de semianalfabeta e trabalhando em subemprego, desde que chegamos a São Paulo nunca mais passamos fome. Estudei no SESI e em escolas estaduais, consegui me graduar, fazer uma especialização, cursar MBA e falar três idiomas. Hoje tenho emprego, casa, carro, lazer e posso proporcionar a meu filho, luxos que nunca tive.

 

Para mim, São Paulo foi uma grande segunda mãe. Apesar de sua aspereza, acolheu e sempre nos deu oportunidades reais. Para quem tem coragem e vontade de trabalhar São Paulo sempre abre seus braços. Apesar do meu “DNA” nordestino, me considero paulistana de coração.

 


Vilma Mendes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net ou envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: as cores, dores e amores da cidade

 

Por Suely A. Schraner
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

 

Era um maio cinzento e frio de 1960.

 

Entardecia e os prédios, naquele tempo, chamados de arranha-céus, me espiavam do alto do seu concreto e de suas esquinas. Meu coração acelerava e mal conseguia entregar o endereço para o chofer do táxi. Nó na garganta, estonteada. Sózinha e com 9 anos.
 

 

Acabara de chegar do colégio Arquidiocesano de Cuiabá-MT. Paguei o táxi e me vi na calçada em frente ao convento da avenida Nazaré-SP. Fazia um frio que eu nunca tinha visto. A garoa fina mais o vento levantava minha saia refrigerando meus temores.
 

 

Tinha um saquinho com meus pertences. Nas mãos trêmulas, uma recomendação para a madre superiora. Meu vestido era de linho branco entremeado de rendas. O queixo batia e quase não conseguia falar com a freira que me atendeu pela portinhola. Brandi meu envelope com a recomendação e fui autorizada a entrar.
 

 

Fui ficando, estudando e trabalhando. Venci alguns obstáculos, outros,  apenas contornei.
 

 

Cheguei com um saquinho de roupas na mão. Hoje, se fosse me mudar daqui, seria necessário um caminhão bi-trem para transportar os meus trens.
 

 

Diziam que São Paulo era ilusão. Fábrica de loucos. Enlouqueci por oportunidades nunca sonhadas. Perdi-me nos becos dos saberes. Embarafustei-me nas oportunidades de trabalho. Apaixonei-me por suas gentes, oriundas de toda parte.
 

 

Encontrei meus amores. Fiz daquele rascunho minha arte final.

 

Viva São Paulo de todas as cores, amores e dores.

 


Suely A. Schraner é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net ou envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: o leiteiro da Freguesia do Ó

 

Por Pedro Lucas Master
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Nascido no Brooklin Paulista e criado na Freguesia do Ó, da qual tenho preciosas recordações. Do leiteiro entregando suas garrafas de leite de porta em porta; do lixo sendo recolhido por carroções enormes puxados por cavalos, a alegria da criançada era ver quando aquelas enormes rodas encalhavam no barro e os homens ajudavam a empurrar. Odiava ter de lavar a louça para, só depois de terminado o serviço, brincar livremente pelas ruas do bairro, ainda sem asfalto, que deixavam as roupas todas sujas de poeira. Sextas-feiras, já mais crescidinho, ia com a rapaziada para o Largo da Matriz, na Pizzaria do Bruno. Até hoje luto contra umas gordurinhas a mais conquistada naqueles tempos. Tinha também o “Branquinho”, um lindo e esperto cachorro de pelos negros, apesar do nome, que me acompanhava até o ponto inicial do ônibus Jardim Maracanã-Praça do Correio. Que saudades dos tempos em que se brincava nas valas abertas pelas águas das chuvas ou por entre os pinheiros. Hoje, meus filhos e netos vivem trancafiados por enormes portões, sem o privilégio de ficar na cerca jogando conversa fora com os vizinhos. Não tínhamos tecnologia avançada, mas tínhamos segurança, paz e harmonia. Tínhamos famílias que se reuniam, fosse apenas para comer polenta, mas eram unidas e se sentiam seguras. Esta é São Paulo, orgulho do Brasil, coração do Mercosul, futuro do Mundo, meu amor !

 


Pedro Lucas é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade: agente uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou mande seu texto para mim: milton@cbn.com.br

Conte Sua História de SP: o mágico trem de Prata

 

Por Marina Lopes da Costa
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

 

Lembro-me muito bem do famoso trem de prata, que passava na linha do trem em frente a minha casa. A visão era privilegiada, embora eu, com apenas cinco anos de idade, demorasse tanto tempo para chegar até a janela para ver o tão mágico trem passar. Não era muito de sair de casa, mas quando saía era sempre para ir aos mais belos e importantes pontos turísticos da cidade. A Estação da Luz foi o primeiro local que conheci. Tão linda e sofisticada. Atraiu-me o relógio, grande e fascinante ao mesmo tempo.

 

Contudo, caminho pelas ruas do Centro de São Paulo e vejo em cada canto vários tipos de artistas anônimos: músicos, poetas, caricaturistas, pintores, cozinheiros e artesãos.  Os artistas das ruas que lá estão desenham em suas telas de pintura, que se transformam em belíssimas criações, um mundo mágico por trás daquela tela branca surge. Em cada canto do centro há uma cultura. Como é interessante o Centro de São Paulo quando passeio pelas esquinas e cruzo com a famosa Ipiranga e avenida São João, que foram de inspiração para a letra da música de Caetano. O bar Brhama é o ponto de encontro  de casais, amigos e solitários, um espaço aconchegante onde se podem ouvir músicas de convidados especiais, como o Zeca Pagodinho.

 

Como não se apaixonar por São Paulo? Sua bandeira carrega seu emblema e as ruas suas histórias, cada uma mais interessante que a outra. Talvez esteja sendo exagerada. Não, não estou. Depois de Santos, a cidade que admiro e tenho orgulho de viver é a maravilhosa São Paulo. Apesar de termos graves problemas de superlotação nos transportes públicos, estes mesmo que às vezes nos deixam na mão, entre outros problemas sociais, não consigo me imaginar morando em outro lugar. Talvez  até mude, mas sempre vou guardar os bons momentos que vivi nela.  Aqui vivenciei momentos memoráveis: torci pelo meu peixe no Pacaembu e ouvi o som de Paralamas do Sucesso e Titãs, no Sesc. Como é bela esta cidade tão carinhosamente apelidada de Sampa, e como é gratificante morar aqui.

 

Marina Lopes da Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade: agente uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou mande seu texto para mim: milton@cbn.com.br.